10 de fev de 2014 | By: @igorpensar

Vulnerabilidade: pobreza e violência

 Por Igor Miguel
 
O ofício me obriga a pensar sobre fatores de vulnerabilidade. Estou convencido, o que torna o homem vulnerável, ou seja, aquilo que fragmenta ou compromete sua dignidade como ser criado à imagem de Deus é, em geral, uma privação ou uma violação.

Privação é falta, um tipo de pobreza. E não pense que pobreza aqui seja a mera ausência de recursos financeiros, penso em uma “pobreza” complexa, a falta de algo que é de direito ou a ausência de “bens” que cooperam para o “florescimento” do ser humano. Não há apenas pobreza, mas pobrezas. Se a integralidade do homem é complexa, tão complexa é a pobreza que incide sobre sua condição. As pobrezas são muitas: intelectual, afetiva, biopsicossocial, cultural, moral, e me reservem o direito, também religiosa. Falta educação de qualidade, vínculos familiares significativos, garantia a serviços de direito, capital moral e espiritualidade significativa.

Por outro lado, o que também torna o ser humano vulnerável é a violência. Ela sempre implica na violação de algo que deveria ser respeitado e sacralizado. A violação é sempre uma profanação. A invasão de um lugar santo, é como sujar o altar com sacrifícios a ídolos. Pense na violação do corpo de uma criança, no estupro, na agressão gratuita a mulheres e idosos. E ainda, na violação emocional pelo assédio moral ou na violência psicológica. Considere a violação do direito à vida, a um tribunal e à justiça pública. Pense nas diversas violências, na invasão da vida privada, pense que somos carregados de violência. E quando somos entregues às nossas ufanias, em casos extremos, matamos em câmaras de gás ou na vida intrauterina mesmo.

Ainda, sob as últimas notícias que publicizam a violência e a degeneração de qualquer confiança nas instituições incumbidas de garantir segurança e justiça públicas, somos tomados de consternação. De fato, a tensão está entre alguma violação ou privação. Desta forma, mais uma vez, estamos diante da vulnerabilidade, que não é um “privilégio” dos aglomerados, há uma pobreza insistente acometendo nossa ridícula classe média também. Por isso, insisto, explicações ideológicas maniqueístas que polarizam as causas, tornam-se brincadeira de criança, quando lidamos com a complexidade das tensões que permeiam projetos civilizatórios tomados por seres humanos pecadores.

Finalmente, temos que relevar a sabedoria e a denúncia do Apóstolo Paulo, a verdade nua e crua, a situação humana que está estampada na TV e nos jornais. Sem a generosidade divina, nossa condição:
“Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.” (Rm 3:11-18)
4 de fev de 2014 | By: @igorpensar

Dissertação de Mestrado

Prezados leitores,

Disponibilizo minha dissertação de mestrado aos interessados.

Título: Mischlei e Mediação Educacional: uma análise pedagógica de Provérbios de Salomão.

[Baixar em PDF]

Nota.: Citações podem ser feitas livremente e sem prévia autorização, desde que citada a fonte e a autoria.  Respeite o direito à propriedade intelectual.

Abraços,
Igor