7 de out de 2010 | By: @igorpensar

Jesus é o Memra

Por Igor Miguel

*Este texto é uma adaptação a uma pergunta importante enviada por um dos participantes do post "Clareando...", identificado como Jonas.


Olá Igor, gostaria de saber onde fica Deus, ou como queira "Deus Pai", nesse contexto de fé. Leio seu blog e até agora só vi espaço para Jesus, "o filho", e o Pai como fica? Ou não fica? Já parou para pensar que a proposta cristã, onde a salvação é Jesus, só tem 2000 anos? Quem salvava antes? (Jonas)
Minha resposta ampliada seria:

Primeiro: quem é o Pai? A "paternidade" de Deus só foi bem desenvolvida no Novo Testamento, principalmente pela revelação do Filho de Deus, Jesus Cristo.

O termo "Pai" era uma referência a todos os aspectos invisíveis de Deus., aqueles atributos que nenhum homem pode conhecer diretamente. João 1:18 é claro quando diz que "ninguém jamais viu a Deus". Entretanto, o Pai se dirige a sua criação, deseja se relacionar com ela, porém a condição caída dos homens e suas limitações os impede de ter tal acesso.

Então, como os homens poderiam se relacionar com Deus no Antigo Testamento? Como este Deus se revelava? Ele se revelava principalmente por meio de "teofanias". Teofania é o termo usado para "manifestações de Deus", eram manifestações em que Deus se revelava de forma que o homem pudesse suportar. Dentre as teofanias mais conhecidas estão aquelas quando Deus se revelou como "Anjo do Senhor", como homem (quando mostrou as costas para Moisés), o anjo que lutou com Jacó etc.

Então os rabinos judeus levantaram um problema: se Deus é transcendente, ou seja, se Ele está para além da criação e das criaturas, como podem os homens terem acesso a Ele? Uma resposta seria: por meio das "teofanias". Por isso, as traduções aramaicas do Antigo Testamento, conhecidas como Targum (no plural Targumim), em muitas passagens em que Deus se revela em forma "humana" (antropomorfismo) ou coisa do gênero, geralmente se faz uso da expressão aramaica: Memra מאמרא.

Memra é o termo aramaico para a expressão em português "palavra", seu correspondente grego seria logos λογος. Com esse termo os escribas judeus indiretamente afirmavam enfim, que sem a mediação da "Palavra" (memra), Deus jamais seria conhecido.

Da teologia do memra, desenvolveu-se a compreensão de João, de que esta "Palavra" este "Verbo" que revela o Deus Transcendente (o Pai), se faz carne e habita entre nós (João 1:1-14). O que significa, que mesmo no AT, toda compreensão do Pai dava-se por meio do Verbo de Deus - o Messias. O conhecimento de Deus era então mediado e não imediato.
"Ninguém jamais viu a Deus; o filho unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou." (Jo 1:8 - ARC)
O Pai é possuidor de todos os atributos invisíveis da divindade. Ele é a fonte de tudo, dEle procedem o Filho (gerado e não criado Hb 1:5) e o Espírito Santo, dádiva do Pai, por intercessão do Filho (Jo 14:16). Dessa forma, o conhecimento do Pai é impossível autonomamente. Ninguém pode conhecê-lo sem o Filho, sem o "verbo de Deus".

O texto abaixo, mostra um tempo, em que o Pai se desvelará diretamente aos seus eleitos, observe, que antes disso, Jesus (o Filho), tem toda primazia, até que tudo seja julgado e colocado debaixo de seus pés, quando enfim, Deus será tudo em todos e o próprio Filho (Jesus) se sujeitará ao Pai.
"Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés. E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, certamente, exclui aquele que tudo lhe subordinou. Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos." (I Co 15: 27-28)
A primazia é de Jesus, para Ele todas as coisas convergem, quem honra o Filho honra o Pai, que vê o Filho vê o Pai. O que não significa que Ele é o Pai em sua função trinitária, mas, é ELE (Jesus) quem O revela (o Pai).

Jesus como gerado, é co-substancial (tem a mesma natureza divina) do Pai, mas seu papel e função são distintos, seu papel pessoal é distinto. Importante mencionar, que quando as pessoas se relacionavam com Deus, por meio do memra ou suas teofanias (como a shechiná que merece um estudo), não o tratavam como uma "semi-divindade" ou um "demiurgo", ou simplesmente um anjo, o tratavam nos termos da divindade, de Deus mesmo. Abraão, quando da visita do anjo, se dirige a Ele como YHVH. Neste sentido, Jesus, o Verbo, é algo para além de uma "teofania" (manifestação), pois nEle habita corporalmente a plenitude da divindade (Cl 2:9).

Lembro-lhes, que JESUS o VERBO não é apenas uma "representação" (como afirmei em um artigo escrito há alguns anos atrás). Ele é co-eterno e co-substancial com o Pai, o que significa que Ele é fundamentalmente e essencialmente DEUS. Sem qualquer fragmentação de sua natureza. Porém, simultaneamente, se distingue dEle em seu papel divino. Se assim não for, fomos libertos por um "representante" e não por Deus. E temos vários textos como Filipenses (Fp 2:6-7) que deixam claro que Ele (Jesus) abriu mão (grego kenosis) de sua subsistência divina para se tornar semelhante aos homens.

Em suma, quanto a divindade: UNIDADE (monoteísmo). Quanto a seu papel redentor e pessoalidade: DISTINTO (complexidade).

Existe um "paradoxo" na trindade, mas nunca uma "contradição". No paradoxo coisas aparentemente distintas podem conviver sem se anularem, na contradição isto não ocorre. Jesus está em unidade na divindade, Ele não é um "Deus Autônomo" o que incorreria em "idolatria", e também não é simplesmente um "representante", um arquétipo, pois Ele é co-substancial em absoluta unidade com o Pai.

Para entendermos esta "economia" (lit. 'a ordem da casa') da trindade, cito um trecho interessante do livro MATOS, Alderi Souza. Fundamentos da Teologia Histórica: São Paulo: Ed. Mundo Cristão, 2008. sobre o desenvolvimento da doutrina entre os pais capadócios:

"Uma característica distintiva dessa abordagem da Trindade é a prioridade atribuída ao Pai: ele é a fonte ou origem da Trindade, o fundamento de sua unidade. O ser do Pai é comunicado tanto ao Filho quanto ao Espírito de maneira distinta: o Filho é 'gerado' do Pai e o Espírito 'procede' ou 'emana' do Pai." (p. 68)

O que significa que a primazia do Pai, se reconhece no Filho, que dEle procede.
"Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a PRIMAZIA." (Cl 1:18).

21 comentários:

Lucas Sanches disse...

Shalom chaver(im)

Gostaria de citar um versículo onde Cristo apresenta-se como Memra:

"Não cuideis que eu vos hei de acusar para com o Pai. Há um que vos acusa, Moisés, em quem vós esperais. Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim escreveu ele" (João 5.45-46)

@igorpensar disse...

Boa Lucas... bem lembrado!

Igor

Guilherme de Carvalho disse...

É mesmo. Muitíssimo bem lembrado!

MARCELO VALLE disse...

Olá Igor,

Particularmente não creio que Jesus pré-existiu, porque esta idéia só é sustentada se de fato pensarmos na trindade como um ensino biblico, o que não é o meu caso. As escrituras não mostram em lugar nenhum esta "GERAÇÃO NA ETERNIDADE" do Filho. Pelo contrário, são dezenas e dezenas de profecias que apontam para frente - para a VINDA DE UM SER HUMANO, DESCENDENTE DE DAVI, O MESSIAS.

Que sentido faz, entendendo que as profecias mostravam acontecimentos que ainda ocorreriam, falar da vinda de alguém que já existia? Outro detalhe importante é que Deus tem completa presciência e pode falar de pessoas que ainda nem tinham nascido, como se já existissem [ Jeremias 1:5 / Rom 4:17 / Isaías 44:28 a 45:1]. Isto é bem diferente em afirmar que ESTAS PESSOAS JÁ EXISTIAM.

O mesmo caso se deu com o Messias. Mateus e lucas nos mostram que foi pelo poder de Deus em Maria, que foi "gerado" nela o Filho de Deus [Mateus 1:18-20 / Lucas 1:30-35]. Veja as relações destas passagens com as profecias de Natã [2 Sm 7:12-14] e Isaías 7:14. A expressão grega traduzida por "PELO QUE" em Lucas mostra que sem a ação do espirito de Deus, Jesus não teria existência. Esta expressão envolve CAUSALIDADE. A filiaçãoa de Jesus provem desta milagrosa concepção.

Jesus nunca se auto-identificou como PALAVRA nos escritos de João, ao contrário ele sempre se dizia portador da palavra de Deus [João 12:47-50].

Para quem cre na trindade, como se poderia explicar, apenas pelas escrituras, que A ORIGEM DE JESUS FOI QUANDO DE SUA CONCEPÇÃO PELO ESPIRITO DE DEUS, NO VENTRE DE MARIA?
A encarnação na realidade para os trinitarianos, é entendida como o rompimento de uma outra existencia como DEUS e a posterior perda da mesma para se tornar um ser humano. Isto não é biblico em minha opinião.

Abraços,
Marcelo Valle.

@igorpensar disse...

Marcelo,

Esta é uma pergunta honesta. Não a considere irônica. Qual é sua percepção do Novo Testamento? Há alguma credibilidade nele pra você? Qual seu valor teológico?

Tudo bem, Jesus nunca se identificou como a Palavra, João o identifica, como também nunca diretamente se afirmou Messias, ou Deus. Para os textos o testemunham, parece que para você há algum problema com o NT.

Como você lida com textos como este?

"Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo." (Jo 17:4-5)

Aguardo seu posicionamento...

MARCELO VALLE disse...

Obrigado por responder.

O Novo Testamento para mim é também a PALAVRA DE DEUS. Isto não significa que não possamos tentar compreendê-lo dentro de sua construção judaica. O NT que temos hoje foi corrompido e muito com a influência da Igreja Romana. Não é denegrir a imagem de nenhuma igreja, apenas relembrar fatos. A "TRADUÇÃO" do NT que possuimos estão infelizmente cheias de erros. Por isso em minha opinião devemos ao lê-lo, formarmos nossa base COMPARANDO NAS ESCRITURAS JUDAICAS [TANAK]. Portanto, o NT, quando lido sob a ótica do Antigo, tem muita credibilidade e é assim que o vejo. [Ef. 2:20].

O problema é interpretar LOGOS como uma pessoa ao lado do Pai, isto faz com que muitos enxerguem que JESUS TAMBÉM ERA DEUS. Creio que você mais do ninguém sabe que a tradução em português de João 1:1 está invertida para se enfatizar a doutrina da trindade [E O VERBO ERA DEUS], ao passo que no grego está - kai theós en ho logos. O Logos compreendido dentro do conceito judaico e não helenico não é e nunca foi uma pessoa, um ser pessoal, mas o PLANO DE DEUS, A RAZÃO, QUE se tornou realidade quando o Ungido nasceu. A propria expressão de João [E A PALAVRA SE FEZ CARNE], denota impessoalidade.

Quanto a João 17:4,5 citado por você como prova de uma preexistencia, apenas quero que você pense no seguinte:

1 - Se Jesus já tinha uma glória antes, como o texto afirma, Ele diz no v. 22 do mesmo capítulo que "DEU AOS DISCÍPULOS ESTA MESMA GLÓRIA". Você e eu já temos esta glória hoje na atualidade? Ou a teremos em outra época? Pergunta honesta, sem ironias também.

2 - Em 1 Pedro 5:1 o apóstolo Pedro reconhecia que “participava” da glória que ainda não havia sido revelada! Pedro recebeu a glória como uma promessa, porém teria que esperar a segunda vinda de Cristo para recebê-la. (1Pedro 5:4).
Concluímos então que Cristo “teve” sua glória com o Pai, porem na verdade a recebeu em sua ressurreição. (Atos 3:13-15).

Recordemos que Cristo teve sua glória com o Pai, do mesmo modo que seus discípulos tiveram sua glória com Jesus [João 17:22]. Porém a nossa glória só será recebida depois da ressurreição, ou seja, da transformação de nossos corpos mortais.(Colossenses 3:4 – Filipenses 3:20,21 – 1 Corintios 15:43).

É óbvio que Jesus não pôde haver gozado dessa glória ainda que realmente existisse então, posto que as Escrituras enfatizem que ele só se fez merecedor dessa glória ao completar na cruz sua vitória sobre o pecado.

O escritor Aos Hebreus diz: “Vemos porém coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que pela graça de Deus, provasse a morte por todos. (Hebreus 2:9)”.

Tudo bem Igor se vc não aceita minhas palavras, entendo, é porque como lhe disse, com o conceito trinitariano agora recebido e aceito por vocÊ, é inadmissível esta conclusão e demonstração de uma "ORIGEM DE JESUS" - O trinitarianismo não aceita uma origem de jesus, para vocês Ele sempre foi eterno. Isto infelizmente pelas escrituras [AT e NT] não são possíveis demonstrar.

Tanto a existência de Jesus antes que o mundo existisse, como sua glorificação, somente pôde haver existido em forma antecipada na mente e propósito de Deus. Este propósito foi detalhadamente revelado por meio dos profetas. As passagens que são citadas para apoiar a idéia da suposta “preexistência” de Jesus, não indicam que Ele realmente vivesse no céu antes de nascer aqui na terra. Simplesmente enfatizam em linguagem figurada o fato de que a aparição do Senhor Jesus aqui na terra não foi por acaso, senão um acontecimento que foi determinado e autorizado por Seu Pai Celestial desde antes da criação do mundo [O SEU PLANO - LOGOS].

Abraços
MARCELO

@igorpensar disse...

Marcelo,

Desculpe-me, mas esta citação abaixo é grave:

"O NT que temos hoje foi corrompido e muito com a influência da Igreja Romana."

Infelizmente, vi muitas pessoas que hoje se converteram ao judaísmo por causa deste ponto de vista. Começaram assim.

Quais os critérios que você usa para afirmar algo assim? O que você chama de Roma? Desculpe-me, se você trata o NT com este nível de desconfiança, nosso debate está encerrado.

O pessoal bate, bate nos concílios, mas aceitam o cânon do NT, e se esquecem que esta cânon fora admitido em concílios da Igreja. Este critério que trechos do NT foram alterados por "Roma", te coloca em um estado de incerteza permanente com o NT. Hoje, vários críticos, que diziam que determinados trechos eram de influência "helênica", tiveram que colocar as barbas de molho, pois descobriram paralelos com manuscritos com os de Qunram.

Não vejo distancia entre desconfiar do NT e desconfiar do evangelho, consequentemente desconfiar de Cristo, e finalmente desconfiar da própria redenção operada nos santos.

De onde vc tirou que as nossas traduções são CHEIAS de erros. Este é outro equívoco. Não há tantos ERROS assim. Tive a honra de ouvir isto de meu professor judeu (não-crente), professor de literatura judaica, dizer que a Almeida Revista e Atualizada é a melhor tradução que já leu na vida.

Existem alguns boatos de Internet que sustentam isto. Tenho incontáveis conhecidos que se apostataram da fé porque partiram de uma racionalismo e um tratamento anacrônico das possíveis "contradições" textuais do NT. E acabam se esquecendo, que problemas críticos não são um privilégio do NT, encontramos o mesmo problema em Gênesis o fundamento da Torá.

Me mostre um texto que foi alterado por Roma, mas com os fundamentos históricos, paleográficos, que comprove isto.

Estou preocupado...

Se pra você Jesus é uma "criatura", que te salvou foi um demiurgo, por isto o concílio de Niceia teve que se organizar, pois esta doutrina é velha, o velho arianismo (Doutrina de Ário), que sustentava Jesus como um "semi-deus", se assim for, estamos diante de uma 'IDOLATRIA'. Esta é mais um prova que a formulação trinitária nasceu das Escrituras e não o contrario, precisamente para afirmar e proteger o monoteísmo e a diversidade pessoal deste único Deus.

Paulo Dib disse...

Igor, se vc me permite um comentário sobre esta questão teológica da Trindade, tenho o seguinte:

1) Justamente essa doutrina ariana que pregava que Jesus era criado e não eterno, foi uma influência clara do Romanismo, até bem pouco tempo pagão.

2) Qdo Constantino promulgou o Edito de Milão tirando o cristianismo da clandestinidade, a teologia passou a ser um assunto de interesse público. E esse interesse público acabou dando espaço para que pessoas nitidamente influenciadas pelo paganismo romano e pelo pensamento filosófico helenístico formulassem novas doutrinas teológicas, muitas das quais totalmente absurdas.

3) Ário, no intuito de se afastar do modalismo e do adocionismo criou essa doutrina de um Cristo criado, gerado e subordinado ao Pai, onde ele dizia, influenciado pela filosofia grega:

"o Logos, o Filho pré-existente, não era eterno, mas foi gerado, isto é, criado pelo Pai, antes da existência do tempo, e por sua vez criou todas as outras coisas. Portanto, ele era um ser intermediário entre Deus e a criação. Somente o Pai é ingênito, não-gerado. O Filho foi criado antes de todas as eras pela vontade do Pai e por isso estava sujeito a mudança e variação"

Soteriologicamente Ário afirmava:
"somente se Cristo tivesse se submetido voluntariamente à vontade do Pai ele poderia oferecer um exemplo a ser seguido pelos seres humanos. Se ele fosse plenamente divino, isso não seria possível".

No entanto, Ário foi duramente repreendido por seu bispo Alexandre, o qual de pronto afirmou:

"que a posição ariana representava um risco para a eficácia da salvação. Um Cristo que não fosse plenamente divino não poderia salvar. Além disso, era uma negação da imutabilidade de Deus: se o Filho foi criado, Deus nem sempre foi Pai."

A partir de então o Concílio de Nicéia foi convocado para tratar desta questão

3) Vemos, portanto, que essa ideia de um Cristo criado é romanizada, e não o inverso.

Espero ter jogado um pouco mais de luz sobre o assunto.

Abraços,

@igorpensar disse...

Exatamente Dib!

Vou citar um trecho do teólogo luterano Oskar Skarsaunne, um grande especialista sobre as influências do judaísmo no cristianismo primitivo:

"Certamente os pais de Niceia não 'helenizaram' [romanizaram] a cristologia com seu credo. Já vimos como era ofensiva a simples ideia do Deus real encarnar-se, e mesmo sofrer, em contexto helênico. Em Niceia, a igreja confessou que o Filho, um ser único com o Pai, sofrera de fato. Não havia como abrandar isso se recorrendo à explicação de que a divina natureza do Filho era menos divina ou de caráter semidivino. Em Cristo Deus sofreu. Isso era algo tão repugnante para um helenista como para qualquer outra pessoa, porém os pais de Niceia entenderam ser essa a doutrina da Escritura". (SKARASAUNNE, Oskar. À Sombra do Templo. São Paulo: Ed. Vida, 2004, p. 348).

Em suma, ao afirmarmos a encarnação da divindade em Cristo, afirmamos um escândalo ao mundo greco-romano, a doutrina ariana sim, foi criada para criar um "consentimento" a este mundo.

A encarnação é a antítese do pensamento greco-romano.

marcos antonio disse...

A Paz a todos.

Sobre o tema, estimado professor Igor, qual a sua opinião atual sobre Sl 2,7 (ACF):

“Proclamarei o decreto: o SENHOR me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei”.

Quem foi gerado foi um ser humano?

É uma satisfação ler os seus comentários, bem como os que participam de seu blog.

Sds

Marcos Zampero

Lucas Sanches disse...

Shalom Chaver(im)

"Que sentido faz, entendendo que as profecias mostravam acontecimentos que ainda ocorreriam, falar da vinda de alguém que já existia?"

Há no mínimo um detalhe que precisa ser lembrado e inclusive os grandes rabinos como Rambam e Rashi confordam sobre isto: o Tanach não foi escrito senão em uma linguagem que o homem possa entender.

Sob esta perspectiva gostaria de perguntar-lhe outra pergunta: Como você definiria o paradoxo chamado "presete"?

A compreensão e a interpretação do "tempo" não cabe ao conhecimento humano e nossa limitada capacidade cognitiva (o que até a ciencia comprova).

Afirmar que o fato de alguem já existir e ser anunciado como alguem que virá é errado? Creio que possamos fazer uma analogia: Um rei afirma que seu filho (já existente) irá para uma terra estrangeira (não seu país de origem), e isso apenas ocorre anos depois. Ocorreu aqui uma "inverdade"? Não! O que ocorre é que para a compreensão dos estrangeiros ainda viria alguém, eles não saberiam dizer como era, e nem saberiam o dia ou a hora disto, mas compreendia que viria, sendo que a única forma de alguem "ir" é existindo.

No referente a "manipulação" da Brit Chadasha, se realmente consideramos influencia helenistica nas escrituras temos dois pontos a considerar: 1) O próprio Tanach hebraico é posterior ao grego - teriam os rabinos de outrora manipulado o texto? 2) Os judeus dos primeiro séculos jamais deixaram de ser judeus - havendo entre eles inclusive rabinos.

Desta forma, duvidar de uma parte pré-Mashiach e uma parte pós-Mashiach das Escrituras é duvidar não só da sua confiabilidade e validade, mas é duvidar de Quem a instituiu.

Se você considera a Torah como Constituição - como penso que considere - deveria se perguntar (segundo seu raciocínio) como um texto que possui mais de 4.000 anos ainda permanece? Simples, o Eterno é o Senhor das eras, Ele institui os reis e os abate, as Escrituras afirmam isso. Acaso permitiria Ele manipulação? Creio que pensar dessa forma é duvidar do caráter de que o Eterno realmente é.

O chaver menciona João 12.47-50: E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. Quem me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia. Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar. E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito"

Se concordamos que o Eterno é Echad (Um e Único) então as palavras do Mashiach e do Eterno devem ser as mesmas, o texto não afirma em momento algum que não sejam as palavras de Yeshua, mas que as palavras Dele são também as palavras do Eterno (Pai).


Perdoem-me chaverim se se minhas palavras parecem ofensivas.
Permaneçam sob a graça do Mashiach.

MARCELO VALLE disse...

Minhas respostas serão dadas em duas partes e preciso esclarecer alguns detalhes que creio necessários. Gostaria de lhe pedir para ler todo o texto na íntegra, porque assim não ficam dúvidas quanto ao que estou tentando descrever.
Eu não trato com desconfiança o NT, não sei se você percebeu, mas eu afirmei que o NT para mim é também a PALAVRA DE DEUS. O fato de eu dizer que possui ERROS, é fácil constatar até por uma leitura casual dele. Marcos 1:2, por exemplo, faz alusão a Isaías, sendo que a referida profecia está em Malaquias [veja Mal. 3:1]. Erros em minha concepção, já que perguntou, são omissões e adições feitas ao texto por copistas que segundo a crítica textual informa, estes alteraram alguns textos segundo algum interesse teológico, baseado nas disputas que surgiram a partir do século 2º E.C. Você mesmo admite quando disse: “não há tantos erros assim”. Ora, você como teólogo sabe que o NT que possuímos na verdade são cópias de cópias e que os originais não existem. Os “erros”, portanto se referem à estas cópias e que chegou até nós desta forma. È algo misterioso o que estou dizendo? Creio que não. Segundo o Dr. Bart D. Erhman, no livro – O QUE JESUS DISSE, O QUE JESUS NÃO DISSE, cita em suas páginas, que não consta nos manuscritos mais antigos os últimos 12 versículos de Marcos [Marcos 16:9-20], a passagem da mulher flagrada em adultério [João 7:53 - 8:12] e o famoso parêntese joanino [1 João 5:7-8], sendo este último o predileto dos trinitarianos. Este especialista em crítica textual não está sozinho nestas palavras, seguido de vários outros como Bruce Metzger, J.J. Wetstein, etc. Meus critérios não são “meus” exclusivamente, mas baseados em especialistas de crítica textual do NT.
Não estou sendo “racionalista”, mas COERENTE com as evidências. Os apóstolos não tinham a intenção de escrever algo que se tornaria a BIBLIA para nós hoje, mas simplesmente esclareceram fatos e profecias que estavam já descritas no que já eram consideradas como “escrituras”. [2 Tim. 3:15,16]. Eles simplesmente acrescentavam que elas precisavam estar dentro do seu verdadeiro objetivo – CRISTO.
Quanto à influência Romana que eu disse, me refiro a estas mesmas disputas que iniciaram no 2º século em diante e que levou ao longo do tempo a convocação do 1º concilio de Nicéia, onde começou a se formular o embrião, que em 381 E.C deu origem ao dogma trinitariano. Eu sei que o cânon do NT como o possuímos hoje foi “editado” por Atanásio com seus 27 livros, mas mesmo este cânon, teve que ser definido opondo-se aos argumentos de um certo “hereje” chamado Marcião, detesto denominar as pessoas assim, que dizia que apenas 11 livros do NT deveriam ser o cânon, para Ele dez epistolas de Paulo e o evangelho de Lucas.
Diante disso é que afirmei que devemos comparar sempre nos escritos judaicos, tendo-os como base, porque estes foram preservados fielmente pelo povo judeu e você melhor do que eu sabe disso. Você me pede para eu citar alguns “erros” com fundamentos históricos, citarei alguns com relação a passagem de Mateus 28:19:
1 - O livro – “O judaísmo e as origens do cristianismo Vol 2, pág 156 – DAVID FLUSSER” diz:
A fórmula trinitária franca aqui é de fato notável, mas já foi mostrado que a ordem para batizar e a fórmula trinitária faltam em todas as citações da passagem de Mateus nos escritos de Eusébio anteriores ao Concílio de Nicéia. O texto de Eusébio de Mateus 28:19 antes de Nicéia era o seguinte: “IDE E TORNAI TODAS AS NAÇÕES DISCÍPULAS EM MEU NOME, ENSINANDO-AS A OBSERVAR TUDO O QUE VOS ORDENEI”..... Seu sentido é claro e tem seus méritos óbvios: Diz que o “Jesus ressuscitado ordenou que seus discípulos instruíssem todas as nações em seu nome”, o que significa que os discípulos deveriam ensinar a doutrina de seu mestre, depois de sua morte, tal como a receberam dele.

MARCELO VALLE disse...

2 - A nova Bíblia de Jerusalém, totalmente revisada e atualizada, admite quanto a Mateus 28:19: "É possível que, em sua forma precisa, essa fórmula reflita influência do uso litúrgico POSTERIORMENTE fixado na comunidade primitiva. Sabe-se que o livro de Atos fala em batizar 'NO NOME DE JESUS' [Cf. Atos 1:5 + 2:38]. MAIS TARDE deve ter-se estabelecido a associação do batizado às três pessoas da trindade."

3 - O historiador Eusébio de Cesaréia, que conheceu manuscritos mais próximos do original de Mateus, escrito provavelmente em hebraico, dezessete vezes afirma que a ordem evangélica era ir a “todas as nações e fazer discípulos em Seu nome”.
Somente depois do Concílio de Nicéia, incluiu a fórmula trinitariana -- "batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" -- em suas referências a Mateus 28:19.

Veja que são provas contundentes quanto a veracidade da ordem de Jesus ter sido apenas que batizassem em “SEU NOME”. Ora, os versículos de Mateus 28:19, como temos em nossas bíblias dizem exatamente o contrário, para favorecer a trindade. Vos pergunto: São ou não adições introduzidas pela igreja Romana?

O 1º concilio de Nicéia trouxe muitas alterações na fé primitiva, que certamente não teriam sido aprovadas pelos apóstolos.
E mais, baseando-se em comparações feitas no livro de Atos, epístolas de Paulo e evangelho de Lucas, [Atos 2:38; 8:16; 10:48; Gálatas 1:12; Lucas 24:46-47], Jesus nunca ordenou que fizessem milagres nem se reunissem, em nome da trindade.

MARCELO VALLE disse...

Pelo contrário, diz que estará presente entre os que reúnem em “SEU NOME”; atenderá aos que pedem em Seu nome; que os discípulos fariam milagres em Seu nome. TUDO FOI FEITO EM NOME DE JESUS. Por que o batismo não seria em nome de Jesus também?
Quanto ao comentário do Sr. Paulo Dib, informo que não sou defensor da doutrina Ariana, porque Ário postulava que Jesus foi “gerado pelo Pai antes de todas as eras e que por meio dele todas as coisas foram criadas”. Esta sim é uma réplica do credo Niceno, basta conferir. Creio que o Paulo confundiu os termos, quando atribuiu a mim uma crença que é justamente a dele. Eu creio que Jesus é o Filho de Deus, mas que este foi “gerado” pelo espírito de Deus no ventre de Maria [Mateus 1:18-20 / Lucas 1:30-35]. Portanto, romano aqui é o Sr. Paulo, não eu.
Concordo que pensar em um Cristo gerado na eternidade, de fato o torna um semi-deus, porque como alguém “nascido” da substância de Deus poderia ser diferente dele? Mas o que creio é que este FILHO GERADO, de fato o foi quando o espírito de Deus, seu poder, não uma terceira pessoa da trindade, fez com que no ventre de Mirian nascesse aquele que seria o Filho de Deus, o qual receberia o trono de David. Mas, a idéia de Ário não difere em nada do trinitarianismo, porque implicitamente postula os mesmos princípios: PARA OS TRINTARIANOS – CRISTO SEMPRE FOI ETERNO, PARA OS ARIANOS, SEU COMEÇO FOI NA ETERNIDADE. Qual seria a diferença? Como poderia um Deus imortal, gerar outro ser, com as mesmas substâncias, porém sujeito à morte? Acredito que o centro da polêmica gira em torno do termo “GERADO”. Este termo segundo o dicionário VINE é GENNAO que em grego significa gerar, nascer, ser trazido à existência. Ser gerado significa que você foi trazido à existência pelo seu pai.
É fácil ver que esta pequena palavra pode causar muito problema para aqueles que acreditam que Jesus sempre existiu (COMO PENSAM OS TRINITARIANOS). Sendo assim, se ele foi TRAZIDO À EXISTÊNCIA, NASCIDO, GERADO, houve um tempo quando ele NÃO EXISTIA, NÃO ERA NASCIDO. Felizmente, as Escrituras são nosso padrão para a verdade, e não os credos dos homens. Houve um tempo em que o Filho foi trazido à existência. É impossível para alguém existir antes de vir à existência ou EXISTIR DUAS VEZES. Todos os textos e estes (João 1:14,18; 3:16,18, Romanos 1:3; I João 4:9; 5:1,18) deixam claro que Jesus foi gerado / nascido e que ele de fato, teve um início. Se Jesus teve um início E ESTE INÍCIO FOI NO VENTRE DE MARIA, então ele não pode ser PREEXISTENTE, portanto não existe esta confusão de ser “GERADO DUAS VEZES”.
Não entendo o postulado trinitariano, quando diz que para pagar o preço do pecado, apenas Deus poderia fazer isso em forma humana. Mas, se o pecado foi cometido por um homem, porque UM Deus sem pecado deveria pagar este preço? Paulo diz que se por um homem entrou o pecado no mundo, apenas por um homem, este pecado poderia ser desfeito (Rom. 5:12 e 19). Isto anula completamente o dogma trinitariano.
Para finalizar, quero apenas dizer que não importa se você aceite ou não o que digo, porque sendo você uma pessoa que “deixou” as fileiras do unitarismo e se voltou ao trinitarianismo, é prova que interiormente você nunca acreditou de fato e de verdade na realidade das escrituras e sua crença na verdade é derivada dos concílios da igreja e não da bíblia, porque estes concílios em minha opinião são completamente opostos às escrituras. Esta é minha opinião.
Abraços, que O Único Deus, O Pai, te abençoe. [1 Corintios 8:6].
MARCELO VALLE.

Jonas disse...

Igor, se me permite, gostaria de saber o seguinte: Se não há erros de tradução do NT, que foi traduzido e teve seu canon estabelecido por "Roma", e se os concílios foram legítimos e instrumentos de Deus na história da Igreja, porque hoje os evangélicos não aceitam a Igreja Católica Apostólica Romano colo a legítima representante de Deus na terra, sendo esta praticamente a mesma? Porque os evangélicos acreditam ser detantores da verdade tendo apenas alguns séculos de história?

Abraço,
Jonas.

MARCELO disse...

Olha igor, quero ser muito sincero. Sei que o ultimo texto que lhe mandei foi um pouco extenso, mas sinceramente não adianta nada argumentar, expor as idéias, como fiz, se você não as colocar para que os leitores tirem por si mesmos, suas próprias conclusões. Neste blog tem vários comentários, porque o meu não foi postado?
É o que costumo dizer: É mais fácil tirar o escravo da escravidão, do que a escravidão do escravo. Para uma pessoa que "abandona" o monoteísmo e se volta ao trinitarianismo, não deveria esperar muito mesmo.

Saudações, Deus O Pai te abençoe.

@igorpensar disse...

Marcelo,

Pronto! Seus comentários estão aí. Não precisa entrar em pânico. Não censuro comentários, só em casos muito grave. O atraso na publicação é porque estava na roça durante o feriado, tomando banho de cachoeira, como bom fluminense adaptado à cultura mineira.

Um beijo no coração!

@igorpensar disse...

Jonas,

O cânon do NT não foi estabelecido por Roma, foi estabelecido pela Igreja. A credibilidade e autoridade dos livros selecionados pelo Concílio de Trento, foram reconhecidos após longa investigação do valor dos livros já utilizados entre as comunidades cristãs do mundo. Já ouvistes falar do Cânon de Muratori? (lista de livros do NT do II séc.) Este é um dos muitos exemplos de como o reconhecimento dos livros do NT fora fruto de uma credibilidade que a própria Igreja foi construindo. O que Trento fez, foi formalizar um cânon comunitariamente e organicamente já reconhecido por grande parte do cristianismo no ocidente. Faça uma leitura de Oskar Skarsaune em sua obra À Sombra do Templo no capítulo sobre o Cânon do AT e NT.

Penso que a fé evangélica, como historicamente se desenvolveu, é legítima quando afirma a suficiência do evangelho para que os homens se cheguem a Deus. A ICR é digna de um "respeito histórico", porém um respeito "crítico", aberto ao diálogo, mas não-ingênuo. A questão não é que a Igreja Evangélica ou protestantismo estão "certos" ou sejam "donos da verdade", a questão é que este movimento fez uma crítica importante à estrutura católica romana, como as 5 solas. E obviamente, a afirmação de supremacia da Igreja de Roma, sobre as outras comunidades no mundo é um problema altamente debatidos no diálogo católico-protestante.

O catolicismo romano, não me satisfaz quanto à soteriologia (doutrina da salvação), não me convence claramente a respeito da supremacia de Cristo e o encargo divino em conduzir os homens à salvação. Não me traz luz a respeito da suficiência da graça de Cristo, quando ainda sustenta "obras" como elemento "complementar" na "manutenção" da salvação. Neste ponto prefiro permanecer com a abordagem bíblica, apostólico-reformada de salvação: Minhas obras não são causa, não cooperam, não influenciam, eles são efeitos de um coração grato a Deus, por tão poderosa e irresistível salvação.

Um grande abraço!

Lucas Sanches disse...

Shalom chaver(im)

Creio que esteja havendo uma "inverdade" se assim posso dizer, o chaver define "cristão" como uma única massa de pessoas influenciadas por Roma e por suas doutrinas, portanto, gostaria que o mesmo chaver refletisse e respondesse qual o problema do Judaismo atual, pois pelo que vejo o chaver define-se como pertencente a fé judaica, deste modo, como verdadeiro Judeu (se é que descende desta tribo), gostaria que me respondesse se ele também faz parte da mistica judaica, se possui credos não bíblicos, se defende a supremacia rabinica muitas vezes superior até mesmo as palavras de Moshe, seria o Judaismo (religião) uma única coisa?? Este é o primeiro ponto quanto pensamos em religião.

O chaver também cita possiveis "alterações" e "alienações" nos Escritos Pós-Mashiach, contudo, o chaver já se perguntou sobre os originais dos Escritos Pré-Mashiach? Os principais Códex que possuimos hoje, tal como o Alepo tradicionalmente defendido no meio judaico é datado de 925-930, enquanto a Septuaginta é bem mais antiga (sec VII a III a.C.). Partindo deste ponto surge uma dúvida, como ponte então haver pontos de desacordo entre o grego e o hebraico? Mais ainda, como pode haver desacordo entre hebraico e hebraico? Qual texto deveriamos preferir? Hebraico ou Grego? Não estou aqui dizendo que não há crédito nos textos, pois há e este jamais o perderá, mas quando se usa uma lógica para analisar as coisas, as mesmas devem ser usadas em outras de igual teor.

Outro ponto curioso é que o chaver cita uma coletânea de textos "alterados", mas não citou o primeiro que mencionei João 5.45-46, então o chaver concorda na legitimidade deste? Se sim, podemos concordar que João relatou os fatos segundos sua compreensão como Judeu do Sec. I? Se sua resposta novamente for positiva, caimos num dileta judaico, como o chaver compreende Memra? Ou será que este conceito deixou de ser judaico e se tornou "romanizado"?

Entretanto acima de tudo isso acho curioso o nível de ignorancia que nós (incluindo eu) como seres humanos temos em compreender a mente do Eterno, se O consideramos como o Adonai, como o Senhor o qual possui Todo o poder e é capaz de controlar todas as coisas, não conseguiria Ele cuidar da Sua Palavra? Onde entra o conceito de um Senhor supremo e acima de tudo ETERNO?

Qualquer judeu que realmente reconhece os conceitos bíblicos do judaimo é capaz de compreender as coisas que tenho dito.

Outro item que gostaria de aconselhar o chaver é a estudar um pouco mais sobre o processo de comunicação, pois o chaver unicamente se limita em compreender a mensagem, esquece do Emissor e do Receptor e os diversos fatores que eles contem.

Gostaria também de dizer que se uma pergunta realmente é sincera esta deve ser compreendida e respondida, mas se o único objetivo é um debate de acusação, é lixo!

Outro ponto que não deixarei passar aqui é a frase do chaver: "Para uma pessoa que 'abandona' o monoteísmo e se volta ao trinitarianismo, não deveria esperar muito mesmo", primeiro que para qualquer um que estude o processo de comunicação e argumentação, este tipo de colocação mostra total insegurança e falta de ética, espero que não seja o caso do chaver. Em segundo lugar o que vejo nessa frase é alguem que não compreende o que significa o termo ECHAD, se o Mashiach possui UM corpo, este tipo de pensamento de supremacia é realmente bíblico? Acho curioso o chaver pensar dessa forma, pois foi por causa de alguem com um pensamento como este que nosso povo sofreu o holocausto. Ou se esqueceu da supremacia ariana? Agora temos a supremacia judaica?

Vejo que o debate está realmente perdendo o seu foco (incluo nisto minhas argumentações), pois a discussão tornou-se: Judaismo vs. Cristianismo, e não mais trata-se de uma discussão teológica aberta a compreensão unicamente BÍBLICA!

Permaneçam na graça do Mashiach

פרירה disse...

Muito Bom esse artigo,irmão Igor!!!

Deus é amor. Era eternamente Amante. Mas o amor requer um objeto a ser amado; e, sendo eterno, deve ter tido um objeto de amor eterno, a saber, seu filho. O Amante eterno e o Amado eterno! O Vínculo eterno e o caudal desse amor é o Espírito Santo.

Abraço
Ferreira

@igorpensar disse...

Muito obrigado meu irmão Ferreira! Obrigado por nos lembrar o mistério da adoção inerente à trindade.