9 de fev de 2011 | By: @igorpensar

Série Trindade - Parte I

Por Igor Miguel

A trindade é uma doutrina cujo objetivo é afirmar a unidade de Deus, e que, é inerente a esta unidade certa complexidade relacional. Trindade é uma explicação ao fato de que este Único Deus, apesar de sua unidade, se relaciona de forma complexa, ou seja, apesar dele ser um único Deus, Ele se revelou como Pai, Filho e Espírito Santo. O cristianismo por ser uma religião monoteísta não está disposta discutir a unidade de Deus, pois é um fato, do contrário, o cristianismo seria mais uma religião politeísta ou idólatra. O Credo de Atanásio diz:
"Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus. E contudo não são três deuses, mas um só Deus. "
Observe o cuidado de Atanásio, que ao usar o termo "Deus" três vezes associado ao Pai, Filho e Espírito Santo, deixa claro que não está com isso afirmando que existem três deuses, como ele mesmo explicita logo após "contudo não são três deuses, mas um só Deus". Atanásio está defendendo a interpretação cristã de que este único Deus, que sempre percebemos na revelação das Escrituras como Pai, Filho e Espírito, é trino em pessoa, mas não são três divindades distintas e independentes, do contrário, novamente estaríamos comprometendo a fé monoteísta afirmada pelas Escrituras (Dt 6:4).

Infelizmente muitos questionam esta belíssima doutrina enraizada na Bíblia e explicada pela Igreja. Muito deste questionamento é fruto primeiro de uma desconfiança moderna à doutrina e depois por desconhecimento das confissões e formulações clássicas a respeito. Eu mesmo fui vitimado por esta ignorância.

De fato alguém que nega a trindade, se coloca fora do cristianismo e daquele fundamento que agrega todos os cristãos pelo mundo. E como veremos, negar a trindade, é negar a forma como Deus se dirigiu aos homens para salvá-los. A trindade é uma doutrina pastoral, comunitária e prática, diferente do que se pode imaginar, não é uma formulação especulativa ou de pouca importância prática. Ela define, de fato, quem é e quem não é cristão, e como, Deus mesmo, em amor trinitário, criou, amou, redime e consumará todas as coisas para Sua Glória.

Um dos problemas que eu mesmo tive com a trindade, vinha do próprio termo "pessoa". Meu entendimento da doutrina trinitária fora profundamente iluminada quando entendi duas coisas: a teologia paulina da adoção (que será discutida abaixo) e por outro lado, o uso do termo persona pela tradição cristã.

Persona não tem nada que ver com o conceito moderno que temos de "pessoa", que está ligado a uma ideia de "indivíduo humano", "individualização" etc. A ideia de persona na tradição cristã tem a ver com "pessoalidade" ou "atributos relacionais". O termo é de origem teatral e tem a ideia de "personagem" ou "máscara". Em outras palavras, quando a doutrina da trindade afirma que Deus é único e subsiste em três pessoas, está dizendo com isso, que Ele é relacionalmente tri-pessoal. No século XVI, João Calvino, para sanar qualquer confusão, observa que a palavra "pessoa" deveria ser compreendida com o sentido de "subsistência", ou seja, que este único Deus subsiste relacionalmente em forma tríplice, em três pessoas com atributos (papéis/hipóstase) distintos, entretanto, paradoxalmente, unidas quanto a natureza (substância):

[...] designo como pessoa uma subsistência na essência de Deus que, enquanto relacionada com as outras, se distingue por uma propriedade incomunicável. Pelo termo subsistência queremos que se entenda algo mais que essência. Pois se o Verbo fosse simplesmente Deus, contudo não tivesse algo próprio, João teria dito erroneamente que ele estivera sempre com Deus [Jo 1.1]. Quando acrescenta imediatamente em seguida que também o próprio Verbo era Deus, ele nos volve para a essência única. Mas, uma vez que não podia estar com Deus sem subsistir no Pai, daqui emerge essa subsistência que, embora fosse unida à essência por um vínculo indivisível, não se pode separar dela, possui, no entanto, característica especial em virtude da qual se distingue dela. (Institutas, Vol. I, Cap. XIII, parágrafo 6).
A palavra subsistência ou pessoa deve ser compreendida assim: quanto à natureza, unidade, quando aos diversos papéis-pessoais deste único Deus, diversidade (complexidade). Quando olhamos para o único Deus, em sua diversidade relacional, vemos que o Pai, o Filho e o Espírito Santo, distinguem-se completamente quanto a seus atributos. Um exemplo das características que distinguem as três pessoas de Deus são:

- O Pai que ama, envia o Filho;
- O Filho, o amado, e não o Pai, nasce de uma virgem e morre na cruz;
- O Espírito Santo, o amor, é quem consola e guia a Igreja a toda verdade.

Dessa forma, pode-se ver a clara distinção dos papéis. Seria totalmente errado à luz da doutrina trinitária, afirmar por exemplo, que Jesus é o Pai em carne. Pois isto não é bíblico, por isso a doutrina nunca afirma tal coisa. A explicação correta seria que Jesus representa o Pai, pois quem vê o filho vê o Pai, mas Ele (Jesus) não é o Pai em seus atributos pessoais. (Jo 1:18; 14:9) Jesus é Deus, pleno de divindade (Cl 2:9), gerado do Pai (Hb 1:5; 5:5). Quanto a natureza, pleno de divindade, entretanto quanto a seu papel, distinto.

Vejamos, por exemplo, como o Deus Único se mobiliza em toda sua pessoalidade para salvar os homens:
Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência, desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra; nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória. (Ef 1:1-14).
O termo "glória"* funciona neste texto como um marcador de que como o único Deus em trindade se move para salvar os homens. No texto o PAI elege, o FILHO redime e o ESPÍRITO SANTO sela. Aí se vê claramente a atuação trinitária de Deus, para salvar os homens.

A questão é que se há alguma coisa neste movimento que não seja DIVINO, se o Pai, o Filho e o Espírito Santo não forem plenamente divinos e pessoas integrantes de um único Deus, não é Deus quem está salvando. Mas, aprouve a Deus, dirigir toda sua complexidade e pessoalidade, para eleger, redimir e selar aqueles que transformou em filhos.

Diferente do que muita gente pensa, a trindade não é uma formulação doutrinária especulativa, ou um jogo de palavras teológicas que só os "iluminados" podem entender. A doutrina trinitária é construída a partir das Escrituras e é uma doutrina com implicações práticas muito sérias. Esta foi a defesa de Agostinho de Hipona, ao postular que a trindade significa que Deus em sua totalidade relacional e em sua complexidade, se dirige aos homens, ou seja, que as distinções entre as subsistências divinas (Pai, Filho e Espírito Santo), são narrativas do amor divino em si dirigidos aos eleitos.

No batismo de Jesus, fica claro, que o Pai dirige seu amor ao Filho, por isso diz que ele é o Filho amado em que Ele tem prazer (Mt 3:17). Está claro que do Pai procede o amor ao Filho, e também está claro que o Filho é objeto de todo amor do Pai. Entretanto, nenhum homem pode ser objeto do amor do Pai, ou ser acolhido em sua família trinitária, sem se revestir de Cristo. Por isso, Paulo é categórico: "Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes." (Gl 3:26-27).

O revestimento de Cristo que o eleito recebe, coloca-o em condição ressurreta e o mais importante, em condição de filho de Deus. Isto significa que o Pai quando olha para o eleito, o vê como seu Filho (Jesus), e por isso, derrama sobre Ele seu amor. O eleito integra-se à família trinitária. Entretanto, a concretização deste amor, dá-se no Espírito Santo, por onde o Pai comunica seu amor, por isso, o Espírito Santo aparece no batismo de Jesus em forma de pompa, como sinal, do amor do Pai pelo Filho. Igualmente, o sinal do amor do Pai por seus filhos (os eleitos) dá-se pelo Espírito Santo, que é o mesmo Espírito que estava em Jesus Cristo:
"E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, {Aba; no original, Pai} Pai! De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus." (Gl 4:6-7). "Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o Espírito de Adoção, baseados no qual clamamos: Aba, {Aba; no original, Pai} Pai." (Rm 8:15).
Ninguém pode chamar Deus de Pai sem adoção. Ninguém, pode chamá-lo de Aba, sem que o movimento redentor de Pai, Filho e Espírito Santo, tenham-no envolvido, acolhendo-o na família divina. Por isso, negar a doutrina trinitária, negar a trindade, é ignorar a doutrina que afirma que Deus é amor. Este amor se esclarece, justamente porque em Deus há uma relação de amor entre O Pai (que ama), o Filho (o Amado - Ef 1) e o Espírito Santo (o meio do amor):
"...porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado." (Rm 5:5)
As implicações da trindade sobre a vida comunitária e o amor na Igreja são cruciais. A falta de clareza e da própria vivência de um Deus que age de forma completa para amar seu Filho e por isso estende este amor aos santos, atinge profundamente nossa forma de compreender e de se relacionar com os irmãos em nossa comunidade. O termo "irmão" começa a fazer muito sentido à luz da trindade.

"Deus é comunidade" (Agostinho)

:: Leia o segundo texto da série trindade aqui.
______________________
* Devo esta observação a Guilherme de Carvalho durante um sermão de domingo, devo a ele a compreensão da teologia paulina da adoção.

74 comentários:

Anônimo disse...

Igor,

Peço perdão pelo meu pouco conhecimento nesta área, contudo, pensando em um aspecto histórico, como explicar a "trindade" para alguém no I séc.??

Infelizmente muitas das explicações que tenho visto tendem ao "modalismo", porém, tal colocação é contrária ao trinitarismo, de modo que aparentemente há uma linha tênue entre a forma como os dois são explicadas.

Outro ponto que gostaria de colocar é a questão de "Memra", qual o motivo de geralmente este conceito ser ignorado pela maioria dos trinitaristas?

E acima de todas estas questões creio que a principal se encontre no fato de abordarem a persona como sendo distindas entre si: "Pai como o legislador; Filho como salvador e Espírito como batizador e carinhoso". Não seria isto um equivoco, dizer que há esta grande diferença entre eles? Como se a mentalidade e as emoções fossem distintas?

@igorpensar disse...

Olá anônimo, obrigado por compartilhar suas dúvidas, elas são bem-vindas...

Para começar, já adianto que esta é uma série, a próxima será uma explicação step-by-step do Credo Niceno e como ele é profundamente bíblico e tem raízes na doutrina apostólica e protege a fé monoteísta cristã de interpretações equivocadas.

No I século não havia problemas sobre "quem Deus é" e como ele se revelou. Uma leitura cuidadosa das cartas de Paulo e do Evangelho de João por exemplo, temos clareza que apesar do termo trindade ser uma criação tardia (quem o criou foi Tertuliano), que não está tão longe do I século, os fundamentos estão lá. Está no Novo Testamento claro que o Pai, Filho e o Espírito Santo são todos descritos como que de origem divina. E de fato está lá no Novo Testamento que se há alguma distinção entre eles, o que há, esta distinção é sempre ligadas a especificidade do papel de cada um e não quanto a divindade, que era algo indivisível e que não podia ser questionado.

Porém, de fato, a Igreja não para no I século, a promessa do Espírito em João é que Ele guiaria os seguidores de Cristo a toda verdade durante a história. E quando a Igreja se depara com o mundo dos questionamentos, o mundo greco-romano, ela precisava dar respostas claras, principalmente, para protegê-la de algumas heresias, como o modalismo, o arianismo e outros, que comprometiam ou a unidade ou a diversidade pessoal de Deus.

Louvado seja o Senhor pela Igreja! Louvado seja o Senhor pelo Espírito Santo. Sem isso, Jesus será sempre colocado na condição de representante, sem qualquer divindade, ou o Espírito Santo em uma condição energética, igualado ao Pai, comprometendo a transcendência do mesmo e por aí vai.

Modalismo, afirma que as distinções são apenas em termos de "manifestação", não em termos relacionais. A diferença aqui é ENORME. Não vejo que alinha seja tão tênue, salvo que o conceito de "pessoalidade" ainda não tenha ficado claro.

O conceito de Memra foi considerado sim pelos pais da Igreja. Entretanto, ouve uma evolução do conceito nos debates teológicos. Aconselho uma lida sobre "cristologia" nos capítulos com este título em Oskar Skarsaune no livro À Sombra do Templo.

Estas distinções não conheço, há unanimidade entre as "personas", de fato, mas, em Efésios vemos claramente, que há "papéis" economicamente distintos. Não só lá, em vários textos, apesar da distinção, há unanimidade nesta diversa atuação de Deus.

Agostinho, responde sua pergunta, copio direto do livro: "Ainda que seja atribuído separadamente certas coisas a uma das pessoas divinas e certas outras à outra Pessoa, não se deve entender como se as pessoas estivessem separadas entre si. Visto que o Pai, o Filho e o Espírito Santo não possuem na Trindade senão uma só e a mesma unidade, uma só e mesma substância uma só e mesma deidade" (Trindade de Agostinho de Hipona - Capítulo 9 - parágrafo 19)

Veja como os teólogos clássicos do cristianismo respondem as principais perguntas. O problema é que não lemos estes teólogos e já os criticamos de "Roma" ou pagãos, sem qualquer critério, e nos esquecemos, que acima de tudo foram grandes mestres da Igreja, que debruçavam sobre a Bíblia (único livro de regra de fé e prática para nós protestantes), há algumas centenas de anos antes de nós. Falta modéstia em muita gente... vamos ler os clássicos, antes de ousarmos criticá-los. Isto é o mínimo!

Abraços,
Igor

Anônimo disse...

Igor,

Agradeço pela paciência e pelas explicações, sobre a questão do "modalismo" quando mencionei sobre a "linha tênue", refiro-me às explicações que tenho encontrado em vários grupos cristãos, onde há geralmente uma colocação unicamente funcional e muitas vezes sem o papel relacional.

Sobre o fato da história clássica de igreja haver se perdido realmente temos enfrentado este problema, e hoje temos doutrinas baseadas em "aprendi assim, pois me ensinaram assim" e não embasadas na historicidade eclesiástica.

Agradeço novamente pela atenção!

@igorpensar disse...

Foi um enorme prazer.

Paulo Dib disse...

Fala primo.

Gostei muito dessa primeira parte da Série Trindade. Aliás esse é um assunto que muito me interessa, não somente pela importância vital em nossa fé monoteísta, mas também pelas matérias que leciono no MMF.

Concordo com vc em quase tudo, menos na questão da eleição... (como não poderia deixar de ser... rsrsrsrs, mas isso é assunto pra outra hora, quem sabe...).

Concordo qdo vc diz sobre o fato de ignorarmos os Pais da Igreja sem mesmo lê-los. Isso infelizmente é algo recorrente na igreja brasileira.

Em sua grande maioria a igreja nacional não dá a devida importância à essas obras teológicas, justamente por julgá-las "Romanas". Infelizmente já fiz parte desse grupo.

No entanto, se não fossem esses homens guiados pelo Espírito Santo, muitas heresias teriam se instalado na doutrina cristã. O que hoje as igrejas tem por confissão de fé, em muito é devido à teologia da patrística.

São obras da patrística que fundamentam de maneira sólida e bíblica a doutrina da Trindade, bem como deixa clara a diferença entre Trindade Ontológica e Trindade Econômica.

Economicamente com atribuições diferentes, Ontologicamente iguais, numa única essência, eternamente um único Deus.

Lembrando ao anônimo, que mentalidade (ou consciência) é distinta de emoção sim, aliás as emoções fazem parte de uma personalidade e não são uma personalidade por si mesmas.

@igorpensar disse...

Fala primo,

Pra varia... hehehe. Não tem problema, você é trinitário, isto já não faz de você um herege. Ótimo... :-D

Eu também estava caminhando neste sentido, até descobrir que isto tem uma raiz histórica. O questionamento indiscriminado e a rejeição a tudo que já foi produzido pela Igreja tem nome, é fruto da pior das heresias: a modernidade. Nela, as impressões individuais, se colocam acima de expressões coletivas e históricas da fé. Começa assim, questiona-se sem critérios os teólogo pré-reformados, acaba-se batendo indiscriminadamente nos teólogos da reforma, bate-se nos teólogos contemporâneos e não sobra nada, a não ser a teologia de si mesmo. Aí o cara tem que justificar que tem uma "visão" de Deus, que tem uma "revelação" e aí surgem um monte de "falácias" psicológicas e subjetivistas, pra justificar as estripulias doutrinárias.

Eu me arrependo muito, do fundo do meu coração, por minha ignorância. Que Deus me ajude a continuar a jornada, e recomeçá-la de onde parei, quando Jesus Cristo se descortinou diante de mim, com graça irresistível. Isto é suficiente!

Abração!

Anônimo disse...

Paulo,

Creio que expressei-me erroneamente ao dizer: "Como se a mentalidade e as emoções fossem distintas?"

Contudo, pelo contexto acreditei deixar clara a questão: "Não seria isto um equivoco, dizer que há esta grande diferença entre eles? Como se a mentalidade e as emoções fossem distintas?"

Ocorre que em diversos meios as três pessoas (Pai, Filho e Espírito), tem sido tratadas como se fossem completamente diferentes, como se o único que aconselha o homem fosse o Espírito, o único que fosse misericordioso fosse Jesus, etc.

Ao meu parco entender, não podemos dizer que há uma Unidade se cada persona difere tanto entre si.

Espero haver esclarecido minha colocação.

Anônimo disse...

Na bíblia diz em 1cor4.6b para que, em nós aprendais a não ir além do que está escrito.na bíblia não existe a palavra trindade.me explique a relação das pessoas da divindade com a essência divina e uma com as outras.podem até ser iguais, mais há subordinação.não pode haver subordinação de uma pessoa a outra da divindade quanto ao ser essencial.me mostre na bíblia onde fala que JESUS E O ESPIRITO SANTO são o todo poderoso.

@igorpensar disse...

Olá anônimo 2,

Claro que o termo trindade não está na Bíblia, é uma expressão teológica cunhada pela tradição cristã para traduzir e sintetizar um conceito que emerge das Escrituras. Como muitas outras expressões. Trindade é um tipo de "tradução", você mesmo usa em português expressões que não estão na Bíblia, para descrevê-lo, como a expressão "subordinação" que você usou. Pensamos teologicamente e precisamos organizar nossas ideias, por isso usamos tais expressões.

Acho que você não entendeu meu texto, pois o leu carregado de pré-concepções. Pense comigo, e quebre seus preconceitos, eu também tinha, vamos pensar juntos.

Não há um único documento das formulações trinitárias que afirme que há distinções quanto a divindade. A "natureza divina" de Deus não pode ser hierarquizada, pois seriam divindades e semi-divindades independentes, há UM ÚNICO DEUS.

O que existe é uma DISTINÇÃO DE PAPÉIS ou DISTINÇÃO FUNCIONAL entre as pessoas da divindade. Neste sentido, "economicamente" (ordem da casa) há o que João Calvino chamava de "ordem hipostática", ou seja, quando as funções Jesus se submete ao Pai, e o Espírito é enviado de ambos. Todos os credos clássicos preservam esta "ordem" que vc chamada de "subordinação", entretanto, parece que não ficou claro pra você que esta "ordem" não é quanto a natureza, mas a funcionalidade de cada pessoa, o papel na história da criação, redenção e consumação, são diferentes. Mas, quando falamos da natureza (essência/substância) divina, não podemos hierarquizá-la, pois cairemos fatalmente no comprometimento do monoteísmo judaico-cristão (Dt 6:4).

Espero ter ajudado em suas dúvidas,
Igor

Anônimo disse...

o anonimo 2 sou eu célio de patos de minas-mg. amo muito teologia. obrigo pelas informações.quer dizer que a trindade que eles falam no concílio de niceia está errado.me ajude por favor entender a trindade! será que são três pessoas mais há subordinação. eu estudei teologia 800 horas, mais não dou conta de entender a trindade. por favor igor me ajude com seu conceito mais fácil para me entender. eu vi o vídeo a cabana. será que é isto?abraços!!!

Metushelach Ben Levy disse...

Igor,
Sinceramente eu lhe digo, sem preconceitos, e carga teológica contraria, eu me sinto esquizofrênico ao tentar entender a defesa da trindade, pois fico sem conseguir encaixar as coisas.
Pois em sua ultima resposta ao anônimo 2, vc diz que o aspecto de subordinação, se não for visto pelo prisma que vc defende, pode causar abalo ao monoteísmo, mas nas Escrituras nós conseguimos constatar sempre esta subordinação, e para explicar esta subordinação vc diz que ela é apenas referente aos papéis relacionais da Divindade, e é este ponto que me deixa inculcado, pois se há subordinação e vc diz é só dos papeis, vc faz eu criar em minha mente a figura de um D-us com problema de múltipla personalidade, assim como a psicanálise comprova que seres humanos podem ter várias personalidades distintas que podem ser subordinadas uma a outra, e cada personalidade se distingue pela entonação de voz, forma de olhar, agir e pensar, os seu argumentos me fazem construir um D-us que é imensurável com um problema desta dimensão, sendo que ele é espírito, a sua múltipla personalidade se configura com a criação de três espectros de seu ser, Pai, Filho e Espírito Santo, diferentemente do limitação humana que configura cada uma das suas personalidades de cada vez sem poder relacioná-las, D-us por ser D-us pode relacionar sua tripla personalidade de forma instantânea, pois se não fosse assim, como mostra as Escrituras, O Filho não oraria o Pai, e o Pai não enviaria o Espírito, e o Espírito não ressuscitaria o Filho e assim por diante.
Entende o meu problema cognitivo, pois para eu entender a trindade eu teria que crer que D-us é multifacetado e não “ECHAD”.
Desculpe a insistência mas eu preciso entender se isso for a Verdade, pois eu como Judeu nunca vislumbrei nas Escrituras indícios da trindade em D-us, nunca ouvi dos profetas algum lampejo da existência desta configuração de D-us, e nem mesmo depois de eu ser alcançado para a Fé em Yeshua consegui enxergar afirmações na Brit Hadashá que o Filho é consubstancial ao Pai, ou está em pé de igualdade com o Pai, apenas vejo ele sendo um filho obediente como Homem, e como a Palavra que provem de D-us, em sua fase incorpórea.
Da mesma maneira a Ruach HaKodesh, que quer dizer “sopro”, “emanação” do Santo, não subsisti sem o Pai, sendo Dele dependente, é praticamente um agente comunicador de certos elementos do Pai ao homem, como sabedoria, entendimento, fortaleza, conhecimento, temor e etc conforme Isaias 11. .

@igorpensar disse...

Olá Célio, obrigado por se identificar.

Célio o Credo Niceno está certíssimo, inclusive o próximo texto (se não próximo será algum da série) será uma explicação trecho por trecho do credo demonstrando sua clareza e fundamento bíblicos. Aguarde. Vamos caminha junto.

Levy,

Reafirmo, a trindade não contra é contra o monoteísmo em absoluto. Ao contrário a defende de forma veemente. O problema é que existe uma limitação cognitiva de nossa parte que é nossa incapacidade de lidar simultaneamente com "UNIDADE" e "COMPLEXIDADE". Algumas vezes iremos discutir a unidade substancial e divina neste momento, a complexidade é omitida por limitações humanas. Outras vezes, discutiremos a complexidade e neste momento, estamos lidando com as "hipóstases", neste momento, a unidade está lá, mas como concentramos nossa lógica nas distinções "hipostáticas" (pessoas), ignoramos o anterior (unidade) momentaneamente.

Quais objeções critico?

1) A afirmação preconceituosa de que as formulações históricas sobre a trindade são "triteístas", isto é mentira.

2) A afirmação de que nas formulações trinitarianas não se respeita as distinções econômicas entre Pai e Filho por exemplo. A trindade nunca afirmou, por exemplo, que o Filho é o Pai em carne.

3) A afirmação que a trindade não afeta em nada a espiritualidade cristã. Afeta sim, é parte integrante da teologia da adoção. Da forma como Deus se dirige ao homem para amá-lo e salvá-lo. Como vários textos deixam claro.

Para mim, quem me salva é Deus. Se quem me salva é Deus, Jesus precisa ser pleno de divindade. Se não seria apenas um homem a me salvar, uma criatura, apesar de ser inerente a missão de Jesus sua humanidade (por causa das exigências messiânicas), ele teria que ser o Verbo plenamente integrado com a divindade, Ele é Deus. Não fui salvo por uma criatura, fomos salvos por Deus.

Se o Pai é transcendente, e tão além da criação, a ponto do Filho revelá-lo por meio da encarnação (Jo 1:8), e se o Filho ascendeu, subiu ao Pai, quem permanece conosco? Como podemos nos chegar ao Pai, como estamos unidos ao Filho? Pelo consolador, por isso a promessa do Espírito Santo.

Neste sentido o Espírito Santo também deve ser da mesma natureza, Deus. Integra-se à divindade, sem romper com esta unidade quanto a divindade, também deve ser "hipostaticamente" (pessoalmente) distinto. Conforme as narrativas neotestamentárias: pois não é o Filho, pois não morreu na cruz, e o Filho ascendeu. E não pode ser o Pai, por questões óbvias. Se o Espírito não for plenamente Deus, novamente, Deus não se relaciona conosco, e sim um "vento" uma "energia", ou o que você quiser dizer.

[continua...]

@igorpensar disse...

[Continuação...]

Agora, observe as limitações cognitivas: neste momento estamos abordando as distinções, as hipóstases, a tríplice pessoalidade de Deus. Mas, precisamos parar, e olharmos o todo deste movimento. O que vemos? Um único Deus, pleno de vontade, de poder, de glória, articulando-se em sua sua única vontade e natureza, para salvar os homens.

Claro que os profetas não falaram de "trindade", a própria ideia de Deus como "Pai" só se tornou clara por meio do batismo, quando o Pai, chama Jesus de "Filho amado", a revelação de quem Deus é foi progressiva.

Quando você fala de Deus com problemas de "múltipla personalidade" não entendeu a citação de Agostinho que citei, vou repeti-la: "Ainda que seja atribuído separadamente certas coisas a uma das pessoas divinas e certas outras à outra Pessoa, não se deve entender como se as pessoas estivessem separadas entre si. Visto que o Pai, o Filho e o Espírito Santo não possuem na Trindade senão uma só e a mesma unidade, uma só e mesma substância uma só e mesma deidade" (Trindade de Agostinho de Hipona - Capítulo 9 - parágrafo 19). Agostinho chega a esta conclusão, pois apesar das distintas tarefas entre as pessoas da trindade, há coesão e unidade, pois a distinção hipostática integra-se a vontade de um único Deus. Agostinho chega a esta conclusão, a partir de combinar vários textos do NT que evidenciam esta coesão na tarefa divina. A vontade é uma, como único e nosso Deus.

Vamos pensando...

Jorge Fernandes Isah disse...

Igor,

excelente postagem sobre um tema que é negligenciado e mesmo desprezado pelos cristãos. Assim como a Cristologia também é relegada, e por isso, muitas heresias são pontuadas em seminários, igrejas e na mente de muitas ovelhas.

Excelentes também suas explicações às várias dúvidas apresentadas.

Vejo da seguinte forma: se Deus não é triuno, a Bíblia é mentirosa. Porém, se a Bíblia é a palavra de Deus, a verdade do início ao fim, infalível, inspirada e inerrante, Deus é triuno. Conceber um Deus bíblico não triuno é simplesmente impossível.

O fato é que, como você disse, abandonamos o estudo dos pais da igreja, em nome de um individualismo e de um exclusivismo que os reformadores não aceitariam nem concordariam. E, por isso, vivemos um tempo de tanta confusão, de tantas distorções e ensinos antibíblicos. Com isso, não estou criticando aqueles que têm dúvidas sinceras, não é isso. Mesmo os "pais" as tiveram, por isso a necessidade dos concílios para definir o padrão bíblico da fé cristã.

Parabéns por mais esta série, a qual reproduzirei no "Guerra pela Verdade", já que me autorizou previamente a fazê-lo.

Grande abraço!

Cristo o abençoe!

Anônimo disse...

célio diz:SHALOM igor. em DT6.4 shema "ÚNICO" HEBRAICO ECHAD Diz: sozinho,desacompanhado. Como iremos provar a trindade se nosso conhecimento(cognitivo)é limitado.a cristandade iria dizer que estamos com especulações e assim poderíamos até ser chamados de "COMPLEXO DE D-US). eu entendo sua posição meu amigo e irmão igor.eu também fico tentando compreender a trindade e pode-lha passar para pessoas e grupos inteligível.Na teologia de louis berkoff diz: a trindade é inteligível em algumas de suas relações e de seus modos de manifestações(MT 3.16.17;28.19), mas é ininteligível em sua natureza essencial.os numerosos esforços feitos para explicar o mistério foram especulativos, e não teológicos.a real dificuldade está na relação em que as pessoas da divindade estão com a essência divina e uma com as outras; e essa é uma dificuldade que a igreja não é capaz de remover, podendo apenas tentar reduzi-la a suas apropriadas proporções mediante uma apropriada definição de termos. ela jamais tentou explicar o mistério da trindade, mas procurou somente formular a doutrina de modo que fossem evitados os erros que a ameaçam. um abraço! shalom

@igorpensar disse...

Jorge, obrigado pelo comentário, sempre bem vindo. Vamos prosseguindo na compreensão trinitária de Deus e nos posicionando acerca do que nos foi legado por nossos mestres da antiguidade. Erguendo a unidade de Deus, como bem desenvolvida e preservada por mártires e doutores do cristianismo, naquilo que é compatível com a autoridade das Escrituras.

@igorpensar disse...

Célio,

O termo echad significa "UM". No sentido mais absoluto do termo. Qualquer teólogo cristão que se preze, mesmo Tertuliano e Atanásio, concordariam com isto sem sombra de dúvidas. A trindade nunca levantou dúvidas quanto a unidade de Deus. O Credo Niceno começa "Cremos em um Só Deus..." a natureza de Deus é INDIVISÍVEL. O que levanto é que até agora, ninguém me apresentou um ÚNICO texto cristão, que afirme que DEUS É TRÊS DEUSES. Não há! Pelo simples fato de que a Igreja combatia o triteísmo com todo seu vigor. Entretanto, não há nada que comprometa a fé monoteísta ao afirmar que este ÚNICO e ENORME Deus teve que se desdobrar em si mesmo, em três pessoas. Esta é a revelação tardia e neotestamentária a respeito de quem Deus é. O desdobramento relacional e econômico de Deus não tem nada haver com fragmentação de divindade.

Me provem, por favor, um único documento formulado em concílios cristãos em que há a afirmação explícita de que Deus é tripartido em três seres autônomos e cada um com sua própria divindade independente. Não há! E se há, fora considerado heresia pelo próprio cristianismo. Quem acha que trindade é uma afirmação de múltiplas deidades, nunca entendeu a trindade, nunca leu as confissões clássicas, ou se leu nunca entendeu.

Reafirmo, eu cometi o mesmo erro, questionei a trindade, reproduzia o mesmo discurso de "purismo teológico" e desprezava os intérpretes clássicos do cristianismo, tive que admitir no final, após considerável leitura, que a única forma de sustentar a complexidade de Deus que é notória em toda Bíblia no quem vem sendo identificado como antropomorfismos, aparições e teofanias, algo que o próprio judaísmo, admitiria mais tarde com sendo atribuições imanentes. Claro, que no NT as distinções relacionais internas, inerentes ao ÚNICO DEUS tornam-se claras gradativamente. Finalmente, a Igreja, em um concílio nada greco-romano (pois se fora jamais assumiria a encarnação do Verbo), e além disso, um concílio que reuniu os principais líderes da Igreja Cristã pelo mundo (ainda não romana).

Podem mostrar dezenas de textos que afirmam que Deus é ÚNICO. Eu concordo com todos Eles e os teólogos clássicos também concordariam. Deus é UM e ÚNICO. Entretanto, temos que admitir, que este Deus ÚNICO é relacionalmente e pessoalmente complexo. Isto, temos que admitir.

Não acho também, que a afirmação da UNIDADE de Deus seja uma doutrina "simples" enquanto a trindade é "incognoscível". Deus é difícil em si, o próprio Deus é mistério, quando os teólogos diziam que há "mistério" na trindade, isto não era uma fuga do problema. Eles admitiam que o próprio Deus é insondável, entretanto, algo de Deus foi revelado a mais com o Novo Testamento. E isto envolve a encarnação do Verbo e a dádiva do Espírito Santo, ou seja, temos mais informações sobre Deus do que antes. A trindade é uma síntese que se descortina na história de um Deus que vem cuidando de sua Igreja há quase 2000 anos. Mesmo, com seus devaneios e reformas, ainda é a santa Noiva de Jesus Cristo.

Eu retornei ao cristianismo, retornei para Cristo, para o Deus único que se revela plenamente em Pai, Filho e Espírito Santo. A família amorosa, o acolhimento comunitário do amor de Deus.

Soli Deo Gloria

@igorpensar disse...

Laércio,

Não publiquei seus comentário, por uma questão prática. Primeiro quero deixar claro que seus comentários são relevantes e importante para o debate. Mas, você deveria ir apresentando seu posicionamento aos poucos. Enquanto vamos trabalhando. Este não é um espaço para postar um artigo inteiro, se assim o desejar, publique seu texto em um blog e cole o endereço aqui. Não é respeitoso com os leitores, encher a tela de comentários aqui, como se fosse um artigo. Fica aí a sugestão. Outra ideia, faça um comentário sintético, respeitando o número de caracteres, aí vamos discutindo. Fica melhor.

Pessoal, lembro que na continuação da série, teremos muitas dúvidas que aqui são postadas, que serão respondidas.

Vamos caminhando...

Abraços,
Igor

Lucas Sanches disse...

Shalom Igor,
Shalom Chaverim,

Peço inicialmente perdão por não possuir os jargões teológicos e doutrinários, algo inclusive justificável pela tenra idade.

Contudo, compreendo a dificuldade em entender o trinitarismo muitas vezes por conceitos errôneos e superficiais que nos foram ensinados, resultando no vinculo entre trindade e triteismo.

Vejo que a maior problemática não se encontra em aceitar a existencia de Deus, Yeshua e Ruach, mas de descrever de uma forma, por que não dizer "ilustrativa" da harmonia entre Ele.

Outro fator que afeta muito é a falta de preparo de ministros - seja no cristianismo, judaismo, messianismo, etc - de defender sua fé e doutrinas, o que resulta em dúvidas muito maires.

Tal como a colocação de que "Deus é Tirano" e "Yeshua é perdoador", distinção que não pode ser sustentada com bases bíblicas, mas que infelizmente faz parte de meios de ensino. Digo meios, por conhecer algumas ramificações doutrinárias, onde erros como este lamentávelmente são comuns. É possível que antes de iniciarmos um verdadeiro estudo sobre o que é Trindade, seria plausível um estudo sobre "O que Não É a Trindade".

Permaneçam sobre a graça de Yeshua!

Lucas Sanches disse...

Shalom Igor,

Gostaria de uma explicação sobre Mateus 28.19 que diz: "Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo"

Pois, conforme menciona a BJ "é possível que, em sua forma precisa, essa fórmula reflita do uso liturgico posteriormente fixado na comunidade primitiva. Sabe-se que o livro de Atos fala em batizar 'em nome de Jesus'. Mais tarde deve ter-se estabelecido a associação do batizado às três pessoas da trindade"

Enquanto o NTJ diz: "Portanto, vão e façam talmidim em todas as nações, imergindo-os na realidade do Pai, do Filho e do Ruach"

Nota-se que o dr. Stern não nega o trinitarismo (ou triunitarismo), nem mesmo seu posicionamento histórico, entretanto, uma das maiores discussões encontra-se no fato de alguns manuscritos não apresentarem este fim "do Pai, do Filho e do Espírito". Gostaria, se possível de uma explicação quanto a isto.

@igorpensar disse...

Lucas, a ideia de fazermos um texto sobre o que não é a trindade é excelente. Pensarei seriamente em dedicar um dos textos da série nesta perspectiva. Valeu pela dica.

Quanto a observação do Stern, na verdade esta observação ele tirou de David Flusser, que em sua série "Judaísmo e as Origens do Cristianismo" assevera uma possível interpolação tardia.

A fórmula trinitariana de Mt 28:19 de fato ocorre em todos os manuscritos e codex do NT. A observação que é feita por Flusser é que ela não ocorre neste formato (Em nome do Pai, Filho e Espírito Santo) em citações em obras como as de Eusébio (IV séc.). Lá tem outro formato. A questão é que se Eusébio é contemporâneo à organização dos principais documentos e codex do N.T. sua citação pode, digo pode (é uma hipótese crítica), ter origem em documentos do NT mais antigos (não mais preservados).

Se a hipótese estiver certa, a fórmula trinitariana foi incorporada ao NT e provavelmente tem origem litúrgica. A própria prática da Igreja a inseriu lá. A mesma coisa acontece com o trecho "Pois tem é o Reino, o poder e a glória" do Pai Nosso.

O problema é que restauracionistas e primitivistas alegariam ser esta uma "interpolação de Roma" uma "inserção sem escrúpulos" para alterar a doutrina dos apóstolos. Eu discordo, por um motivo simples, o texto no NT além de ser um documento fundamental da fé cristã, é também, um conjunto de documentos que emergiram da prática comunitária da Igreja. O NT é um conjunto de obras que estava plasmadas com a prática litúrgica da Igreja. Seria natural que a afirmação da trindade durante a prática batismal envolvesse uma teologia de raízes no próprio Cristo, quando insistiu que os discípulos ensinassem tudo que ele os ensinou. Se a doutrina joanina que encontramos em Jo 6, 16 e 17 são palavras de Cristo, supomos que a fórmula trinitária encontrada em Mt é catequética ou para usar um termo judaico "dráshica". Diretamente ou literalmente podem não ser palavras de Jesus (este literalismo como critério de verdade é mais iluminista que bíblico), mas são inserções litúrgicas que emergem dos ensinamentos do próprio Cristo, uma síntese doutrinária.

[continua...]

@igorpensar disse...

[continuação...]

Para concluir, concordo com a hipótese levantada por Oskar Skarsaune em À Sombra do Templo, de que Mt 28:19 e sua fórmula, liga-se a prática de confissão ao batismo. Tertuliano, um dos mais notáveis teólogos pré-nicenos, preservou a estrutura confessional de cristão antigos aos pés do batismo:

"No momento em que entramos na água [do batismo] -- mas também um pouco antes, na presença da congregação, e sob a direção do presidente -- confessamos solenemente que renunciamos ao Diabo, à sua pompa e aos seus anjos. Depois disso, somos imersos três vezes, e proferimos então um compromisso um pouco mais extenso do que aquele apontado pelo Senhor no evangelho" (A coroa 3).

A pergunta é, que "compromisso extenso" é este, citado por Tertuliano?

A resposta está em Hipólito (220 d.c.) em sua obra "Tradição Apostólica":

"No momento em que o candidato [ao batismo] entrar na água, aquele que o batizará imporá sobre ele as mãos dizendo: 'crês em Deus Pai todo-poderoso?' E o batizado dirá: 'Creio'. Será ele então batizado imediatamente com imposição de mãos sobre a cabeça. Depois disso, deverá responder as seguintes perguntas: 'Crês no Messias, Jesus, Filho de Deus?' [...] Crês no Espírito Santo? (Tradição Apostólica 21:9-18).

O mais incrível, é que a pessoa era imergida em cada trecho em que era citado uma pessoa da trindade e a pessoa respondia "creio" ela era imersa. Concluímos assim, que isto era o que significava liturgicamente a fórmula trinitária. Ser batizado em nome do Pai, Filho e Espírito Santo, significa admitir a ação de Deus em sua totalidade para salvar o homem.

Gente, vejam que incrível, estamos refletindo sobre a prática cristã do II e III século. Isto é muito importante, este um tipo de reflexão raríssima entre cristãos de fala portuguesa.

Abraços,
Igor

Vítor Carvalho Ferolla disse...

viu? viu? viu? viu?


http://www.editoravida.com.br/loja/product_info.php?products_id=799

@igorpensar disse...

Sim, já tinha visto Vitor. Abração!

Rebeca Pires disse...

Extremamente edificada pelo texto.

Sem palavras...

Guilherme de Carvalho disse...

Oi Igor!

Eu queria apenas comentar que estou impressionado com a qualidade da sua compreensão da teologia que nossa comunidade confessa. Isso me deixa feliz, pois nem sempre tenho certeza de que consigo me comunicar. Você é um legítimo "Esperançoso"! E obrigado pelo reconhecimento. Sinto-me de dever cumprido.

Mas além disso, preciso dizer que sua capacidade de expressar a coisa toda de forma objetiva e profunda é excepcional. Meus parabéns, cara. Espero que Deus te use muito no resgate da fé evangélica.

Um detalhe: além de falar em trindade econômica, precisamos falar em trindade ontológica; pois há a questão da geração eterna do Logos, não é (o tema do "unigenitus")?

abr,

Gui

Lucas Sanches disse...

Shalom Igor,

Obrigado pelas respostas, realmente esclarecedores e conforme você mencionou: "vejam que incrível, estamos refletindo sobre a prática cristã do II e III século. Isto é muito importante, este um tipo de reflexão raríssima entre cristãos de fala portuguesa"

É exatamente este tipo de coisa que me assombra, o como mesmo havendo séculos de ensino doutrinário não possuimos pessoas prontas a defender a fé, mas B"H que a Igreja tem despertado.

Permaneça sobre a graça e direção de Yeshua!

Anônimo disse...

Igor,meu amigo, voce está viajando na maionese com esse papo de trindade (três deuses).

@igorpensar disse...

Olá último anônimo logo acima. Que se afirmou "amigo". Que pena, esperava algum comentário substancial, mas viestes com a simplória máxima da maionese. Então, comentemos...

A maionese é muito escorregadia, uma viagem nela, seria no mínimo sem destino. Por mais que eu quisera chegar a algum lugar, valendo-me da maionese como meio, a inércia poderia me levar a qualquer lugar. E não quero qualquer lugar, tão pouca a incerteza de um caminho pavimentado pela incerteza da maionese. Eu quero me localizar, quero uma instância topograficamente determinada.

Na maionese se rumam os incautos, na maionese eu viajava antes, sem amparar-me minimamente em uma vida confessional. Sem dizer claramente no que cria. Agora, quero a certeza da mostarda, ou melhor do grão da mostarda, de uma fé historicamente e solidamente constituída por uma comunidade chamada cristianismo.

Não posso ser moderno, tenho vínculos com uma Igreja que existe no tempo, habitada por joios e trigos, em um grande jardim, de esperanças e riscos. Sem os ideais de perfeição que trouxeram mais incertezas, como é incerto o destino de alguém que se envereda por uma trágica e escorregadia viagem na maionese.

Honestamente, te convido a mudar seus critérios teológicos, mas se isto for indigesto de mais, mude os ingredientes de sua frustrada arte culinária.

Abraços,
Igor

Daniel Ben Yossef disse...

Essa foi boa, Igor...

Qualquer hora escreva um post sobre " viajar na maionese " hehehe

No mais, vou guardar umas dúvidas aqui e esperar a segunda parte...e por favor, não esqueça de comentar os desvios " a lá Benny Hin" que comumente vemos por aí...

Abraços,

Daniel

Erike Couto disse...

Excelente texto Igor! Muito bom mesmo! Como você postou, a Trindade é mais que explicar "Deus". A doutrina da Trindade ilumina a forma como Deus atuou na História dos homens, com o Pai elegendo-os e amando-os, o Filho salvando-os e o Espírito santificando-os. Sem a Trindade - o monoteísmo judaico, com suas matizes e nuances tal como ele é apresentado por Jesus e pelo restante do Novo Testamento - é totalmente comprometido e deixado de lado para dar lugar a um monoteísmo que tem Deus somente como um Senhor, que exige dos homens total obediência a Ele. Se fosse assim seríamos nada mais que anjos, somente servos prontos a obedecer. Mas, pelo contrário, somos acolhidos em Deus por Jesus, como este mesmo disse certa feita: "Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste." (Jo 17:21).

Abração!

Lucas Sanches disse...

Shalom Igor,
Shalom Chaverim,

Gostaria de postar alguns trechos de um livro que comecei a ler e achei bem peculiar:

"A Trindade não é uma tentativa de explicar ou definir Deus por meio de abstrações (ainda que, em parte, seja isso também), mas um testemunho de que Deus se revela pessoal, em relacionamentos pessoais [...] Descobrimos, sob a imagem da Trindade, que não conhecemos a Deus ao defini-lo, mas ao sermos amados por ele e ao correspndermos a esse amor. As consequencias são pessoalmente reveladoras: uma outra pessoa não vem a me conhecer, nem eu a outrem, pela definição, explicação, categorização ou 'psicologização', mas de modo relacional, ao aceitar e amar, dar e receber"

Mais adiante o autor continua:

"Ao falarmos da Trindade, não podemos nos limitar a entender corretamente o dogma teológico; o território da Trindade abrange a criação (o mumdo em que vivemos), a história (tudo o que acontece à nossa volta) e a comunidade (as maneiras como participamos pessoalmente da vida diária na companhia de outros ao nosso redor) [...] A Trindade mapeia o território em que conhecemos, recebemos e obedecemos a Deus. Ela não é o território em si, é o seu mapa [...] Podemos dizer a respeido de um mapa que, apesar de ser artefado, algo feito, não é imposto arbitrariamente sobre a região por ele representada. Ao contrário, é resultante da observação minuciosa e do registro preciso da realidade. Os mapas devem ser fieis. Além disso, são humildes - não aspiram ser o território. Estudar um mapa não oferece experiencia da região que ele retrata. O propósito do mapa é nos mostrar o caminho dentro desse terriório e evitar que nos percamos na viagem".

Creio que estas palavras sejam condizentes e pertinentes ao tema supracitado.

Permaneçam sobre a graça de Yeshua.

Anônimo disse...

Olá Igor...seu texto é explicativo e bem esclarecedor. Parabéns. É uma pena que estes pseudo-judeus não queiram se render à graça de Deus, antes, querem estabelecer sua própria justiça.

Lamentável.
Abraços

Anônimo disse...

Discussão estonteneante neste local, opiniôes deste modo dão vida a quem analisar nesta página .....
Faz mais de este web site, a todos os teus utilizadores.

Diácono Flávio Sobreiro disse...

Olá Igor!

Parabéns pelo texto. Rico de sabedoria e iluminado de ensinamentos. Partilho contigo um Hino à Trindade, retirado da Liturgia da Horas muito utilizado pelos monges em seus momentos de oração:

"Ó Trindade imensa e una,
vossa força tudo cria;
vossa mão, que rege os tempos,
antes deles existia.


Vós, feliz, num gozo pleno,
totalmente vos bastais.
Pura, simples, generosa,
terra e espaços abraçais.

Pai, da graça fonte viva,
Luz da glória de Deus Pai,
Santo Espírito da vida,
que no Amor os enlaçais.

Só por vós, Trindade Santa,
suma origem, todo bem,
todo ser, toda beleza,
toda vida se mantém.

Nós, os filhos adotivos,
pela graça consagrados,
nos tornemos templos vivos,
a vós sempre dedicados.

Ó Luz viva, reuni-nos
com os anjos, lá nos céus,
no louvor da vossa glória
que veremos, sem ter véus".

Também envio um trecho Das Cartas de Atanásio (século IV), onde ele fala da Trindade:

"Luz, esplendor e graça na Trindade e da Trindade

Ora, a nossa fé é esta: cremos na Trindade santa e perfeita, que é o Pai, o Filho e o Espírito Santo; nela não há mistura alguma de elemento estranho; não se compõe de Criador e criatura; mas toda ela é potência e força operativa; uma só é a sua natureza, uma só é a sua eficiência e ação.

Os dons que o Espírito distribui a cada um vêm do Pai, por meio do Verbo. De fato,tudo o que é do Pai é do Filho, por conseguinte, as graças concedidas pelo Filho, no Espírito Santo, são dons do Pai. Igualmente, quando o Espírito está em nós, está em nós o Verbo, de quem recebemos o Espírito; e, como o Verbo, está também o Pai. Onde está a luz, aí também está o esplendor da luz; e onde está o esplendor, aí também está a sua graça eficiente e esplendorosa".

Abraço fraterno e amigo.

@igorpensar disse...

Flávio, belíssimo hino. Que letra maravilhosa, obrigado por compartilhar.

Abraços,
Igor

@igorpensar disse...

Caros leitores,

O anônimo que subscreveu um comentário com o apelido de "Leo" solicitou-me remover suas observações, bem como minha resposta a ele, alegando exposição. O fiz sem qualquer objeção, exceto a necessidade de dar uma justificativa pública a meus leitores que se devem o respeito igualmente público.

Contando com a compreensão de todos.

Grato,
Igor Miguel

Gentios-Messiânicos disse...

Shalom Alechem. Meu Nome Paulo Jorge.
Descordo da chamada trindade. Ter o aval dos chamados pais da igreja, não é necessariamete uma prova da existencia dessa doutrina na Biblia e na comunidade cristã do primeiro século. A não citação pelos apostolos e pelo proprio Filho Unigênito do Pai, de tal idéia do Eterno, nos leva apenas a entender, que o que se diz a repeito de uma Trindade, é essencialmente, uma questão de interpretação, tanto dos chamado 'pais da igreja' como de seus admiradores, assim como a doutrina da predestinação, livre arbitrio e etc. Até a doutrina da Deidade de Yeshua e do Ruach haKodesh, que foi resultado de interpretações dos mesmos pais da igreja; confirmados mais tarde por concilios arrumados, para estabelecer essas doutrinas "cristãs".

Daniel dliver disse...

Interessante esse texto de Willian Lane Craig, no qual ele advoga a trindade na natureza amorosa de Deus:

http://danieldliver.blogspot.com/2010/01/uma-triade-essencialmente-amorosa.html

Craig usa esse argumento num debate com a visão islâmica de Deus:

http://elielvieira.org/2010/01/14/craig-vs-badawi/

Abraço,

DANIEL

Daniel dliver disse...

Igor, recomendo esse blog:
http://defideorthodoxa-informadordeopiniao.blogspot.com/2011/02/o-desenvolvimento-antigo-da-compreensao.html

Anônimo disse...

Sei que você teve boas intenções, mais isso tudo é lastimável!

@igorpensar disse...

Olá anônimo acima... o que é lastimável?

@igorpensar disse...

Para quem não leu, informo que segundo texto da série sobre a trindade cujo tema é Os Fundamentos Bíblicos do Credo Niceno, já está disponível: http://pensarigor.blogspot.com/2011/03/serie-trindade-parte-ii.html

GREYCK disse...

PAZ E VIDA! MEU QUERIDO IRMAO IGOR SABE QUAL O MAIOR PROBLEMA DO HOMEM?
NAO É TER DIVERSAS RELIGIOES, MAS TENTAR EXPLICAR OU ESTUDAR O CRIADOR COMO SE FOSSE UM SER VIVO PRESO EM UM LABORATORIO! NÓS SABEMOS QUE NENHUMA RELIGIÃO PODE LEVAR O HOMEM A TER UMA EXPERIENCIA VERDADEIRA COM DEUS. POR ISSO TE PEÇO NAO CRIE MAIS UM SEGUIMENTO RELIGIOSO E NAO TENTE FICAR EXPLICANDO DEUS ATRAVES DE UM CONCEITO HUMANO CRIADO EM UM CONCILIO SEJA ELE OCORRIDO NO PASSADO, NO PRESENTE OU EM UM FUTURO QUALQUER! SE AS ESCRITURAS NAO USA UMA DETERMINADA PALAVRA OU EXPRESSAO CREIO QUE NA MINHA IGNORANCIA TAMBEM NAO DEVEMOS USAR, POIS É ATRAVES DISSO QUE SURGEM DOUTRINAS DAS MAIS VARIADAS! O HOMEM PRECISA PARAR DE TENTAR LER NAS ENTRE LINHAS E SE ATER APENAS
ÁQUILO QUE O SENHOR NOS DEIXOU! CREIO NO PAI, CREIO EM SEU FILHO QUE DEU VOLUNTARIAMENTE SUA VIDA POR TODOS, APESAR DE NEM TODOS CREREM NELE, E TAMBEM CREIO NO PODER DO ESPIRITO DE DEUS, MAS NAO FICO BUSCANDO UMA EXPLICAÇAO HUMANA CRIANDO UM TERMO OU UM CONCEITO PARA EXPLICAR ISSO.
VAMOS MOSTRAR AO MUNDO O AMOR DO CRIADOR POR NÓS, DANDO SEU FILHO, QUE POR VARIAS VEZES DISSE SER MENOR QUE SEU PAI MESMO TENDO RECEBIDO DO PAI TODA AUTORIDADE!SIGAMOS SEU EXEMPLO DE SUBMISSAO E HUMILDADE! ELE PODERIA TER EXPLICADO O PAI DE UMA FORMA DETALHADA, COR DOS OLHOS OU DOS CABELOS SE OS TEM, MAS NAO VEZ! ELE VIU O PAI POIS VEIO DELE E NEM POR ISSO NOS DEU ESSES DETALHES! QUEM SOMOS NÓS PARA TENTAR EXPLICAR AQUELE QUE NOS CRIOU??
TE AMO COMO IRMAO! USE SEU CONHECIMENTO QUE SEI, FOI DADO POR DEUS, E LEVE O AMOR DELE A TODOS QUE VC PUDER!!!

@igorpensar disse...

Prezado Greyke,

Obrigado por seu e-mail. Acho que você não leu meu artigo e nem os comentários. Infelizmente, não estou disposto a escrever novamente o que já está mais do que explicado. Em vários momentos deixo claro, que a própria afirmação de "mistério" usada por nossos irmãos do passado, homens como eu e você, mas irmãos, regenerados e alcançados pela mesma graça. Reafirmo, estes irmãos assumiam o mistério da divindade. É óbvio que Deus é inesgotável, mas sabemos por vários textos bíblicos, que é um mandamento conhecê-lo, justamente para comunicá-lo. Um dos maiores tesouros em minha jornada pela verdade, tem sido a surpreendente descoberta de que doutrinas que já tachamos de "romana" ou "doutrinas de homens" são muitas vezes verdadeiras dádivas que nossos mestres do passado nos legaram. E o mais chocante é descobrir sua relevância bíblica.

A trindade, como afirmo no artigo é a própria história do amor. Não é isso de "linguagem sofisticada" ou "pedantismo teológico" ao contrário, a trindade é a própria ideia de que Deus é tão amoroso que gerou na eternidade um Filho, objeto eterno do seu amor. E que nos comunicou pelo Espírito de Adoção esta dádiva. A conclusão é simples: negar a trindade, seria negar a própria natureza amorosa de Deus.

Em Jesus,
Igor

GREYCK disse...

PAZ E VIDA! NA VERDADE EU LI SEU ARTIGO E AS DUAS PARTES. NAO SO SOBRE A TRINDADE, MAS TAMBEM ALGUNS OUTROS QUE POR SINAL MUITO BONS. E A MUITOS ANOS CONHEÇO E ESTUDO SOBRE OS DIVERÇOS CONCILIOS CHAMADOS CRISTAOS. MAS MESMO ASSIM CREIO QUE A TEORIA DA TRINDADE NAO TEM NADA A VER COM O AMOR DE DEUS E SIM PURA ESPECULAÇAO DE HOMENS TENTANDO CRIAR UMA EXPLICAÇAO QUE SEJA SEGUNDO ELES RACIONAL DO QUE É E DE QUEM É DEUS.ME DESCULPE PELA OBSERVAÇAO QUE VOU FAZER MAS ACHO QUE VC ESTA TENTANDO DEVENDER A DOUTRINA DA TRINDADE UNICA E EXCLUSIVAMENTE POR ESTAR MAGOADO COM A COMUNIDADE DA QUAL VC SAIU. DIGA-SE DE PASSAGEM TAMBEM NAO CONCORDO COM ALGUNS PONTOS DE VISTA DO MINISTERIO AO QUAL VC PERTENCIA. ENTAO NAO ENTENDA QUE OS ESTOU DEFENDENDO OU OS AFRONTANDO. OK! MAS VOLTANDO AO QUE INTERESSA! ESSE É O ESPIRITO! SEMPRE DIGO QUE MUITO SE TEM PERDIDO POR FALTA DE HOMENS COM CORAGEM E AMOR A PALAVRA DE DEUS E VEJO QUE VC É UM DESSES QUE TEM CORAGEM E AMOR PELA PALAVRA DO ETERNO! QUE DEUS TE GUIE POR SUAS VEREDAS PARA COMPARTILHAR CONOSCO MAIS ESTUDOS! PAZ E VIDA! Obs:so corrigindo meu nome é GREYCK e nao GREYKE. rsrsrsrsr

@igorpensar disse...

Olá Greick,

Obrigado por seus comentários e considerações a meu respeito. Mas, há dois pontos que tenho que me posicionar de forma mais objetiva.

1) Afirmar que a trindade é uma tentativa de racionalização da teologia bíblia é um pouco anacrônico. A ideia de razão como exigência da verdade é mais um feito do século XVII do que do século IV não acha? Estamos há alguns longos anos de distância de Descartes não acha? O esforço de concílios como os de Nicéia eram justamente defender a fé cristã do misticismo pagão, de movimentos que colocavam Jesus na condição de criatura-divina, ao invés de plenamente divino, o que transformaria a fé bíblica em paganismo. Tente ler a história cristã com menso desconfiança, vai te fazer bem. Me fez muito bem.

2) Agora, infelizmente, terei que ser honesto. Não gostei de seu julgamento a meu respeito. Esperava um pouco de respeito a minha pessoa, sem especulações. Não te dou o direito de ficar especulando sobre minha vida. Então, solicito meu respeito neste quesito. Posso contar com sua modéstia?

Quanto a sua objeção, a questão é simples, negar a trindade é uma heresia, meu posicionamento a respeito dela não é resultado tardio de meu desligamento, mas a causa. Uma das coisas que me motivaram sair de lá foi justamente a negação da plena e absoluta divindade do Pai, Filho e Espírito Santo.

Simples assim...

Em Cristo,
Igor

@igorpensar disse...

Desculpe-me, ainda estou acostumando com seu nome: Greyck.

Anônimo disse...

MINHA INTENÇAO NAO FOI FAZER UM JULGAMENTO DE VC! ME DESCULPE! FIZ O COMENTARIO BASEADO EM MIM MESMO, É QUE JA PASSEI POR UMA SITUAÇAO QUE ME LEVOU A FICAR AVASTADO DO EVANGELHO POR MAIS OU MENOS DOIS ANOS! CHEGUEI NA EPOCA A ENCHERGAR TODA DENOMINAÇAO COMO UMA EMPRESA ABERTA PARA DAR LUCROS. INCLUSIVE CHEGUEI A ACHAR QUE A SOLUÇAO SERIA PROCURAR SEU ANTIGO MINISTERIO. ACHANDO QUE ELE ME LEVARIA A RETORNAR A FÉ PURA E VERDADEIRA. SEI HOJE QUE NAO ME ADIANTARIA DE NADA, ESTAVA OLHANDO PARA O HOMEM E NAO PARA JESUS QUE É O AUTOR DA NOSSA FÉ! COM ISSO A MAGOA QUE ESTAVA EM MEU CORAÇAO QUASE ME DESTRUIU! MAIS UMA VEZ PEÇO A VC DESCULPAS COMO IRMAO EM CRISTO NAO FOI MINHA INTENÇAO TE JULGAR! TENHO SEU PERDÃO?

@igorpensar disse...

Pois é, comigo o processo foi completamente diferente. Não estou amargurado, estou curado. Meu retorno a simplicidade do evangelho devolveu a alegria da salvação. A centralidade de Cristo é a única coisa que não podemos abrir mão.

Não se preocupe, tens o meu perdão e entenda como meu coração deseja apenas a verdade e compartilhá-la com pessoas que sofreram como você e eu mesmo, entretanto encontramos cura em Jesus. Não é verdade?

Continuemos a jornada...

No amor dEle,
Igor

GREYCK disse...

PAZ E VIDA! MUITO OBRIGADO! QUE DEUS TE ABENÇOE EM NOME DE JESUS!

Anônimo disse...

Igor,

A centralidade do Evangelho é Jesus para nos levar ao Pai.
Jesus tem todos os atributos do Pai, mas como filho, não é o Pai, não é Deus, é o Messias,o ungido de Deus. Não faria o menor sentido Deus ungir a se próprio ou mesmo dizer que é seu filho amado.
Jesus foi gerado ("hoje" te gerei, num tempo, ou seja, desde o princípio). Deus é espírito, único e Eterno, não pode ser gerado num tempo. Deus está sentado em seu trono, Jesus à sua direita.
Apocalipse 7:10: E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro. Repare que Deus está no Trono e a partícula "e" diferencia Deus do Cordeiro Jesus, nosso amado.

CHAVEIRO LEGAL disse...

Oi Igor ,meu nome é Jorge .Tenho uma pergunta cuja resosta irá me ajudar a entender um pouquinho melhor essa complexidade.Desde já agradeço a consideração.

CHAVEIRO LEGAL disse...

Descule ,esqueci de colocar a pergunta.É a seguinte ; Deus sempre foi uma trindade ? Se a resposta for não surge outra pergunta ; será que hoje ele não estaria assumindo mais um papel ou quem sabe mais? Vc mesmo usou a expressão "diversos papeis"

@igorpensar disse...

Sem dúvida o Único Deus e Pai, sempre teve, gerado de sua mesma natureza o Verbo/Filho e seu Espírito Santo. Na criação vemos o Deus que fala, a fala (Verbo) e Espírito que pairava sobre a face das águas. Entretanto, a revelação clara de que Deus é relacionalmente trino, só temo a partir da encarnação do Verbo, no batismo de Jesus, fica evidente. Não existem outras "personas" (hipóstases) e não há como Deus se desdobrar para além da trindade. Daí, cairíamos na velha heresia chamada "modalismo".

Abraços,
Igor

CHAVEIRO LEGAL disse...

Perdão , mas vc usou a expressões "sempre teve" e "gerado".Como assim ?
"sempre teve" = nunca teve um começo
"gerado" = teve um começo.

CHAVEIRO LEGAL disse...

Em João 1:1, o termo “deus” é aplicado tanto ao Pai como ao Filho, o logos. Mas, no texto grego, a palavra para “deus” (theos) é escrita de forma diferente, em ambos os casos. Por quê? O que significa isso? E porque p/ o deus "logos" não tem o artigo "o"

@igorpensar disse...

A questão de João, a ausência de artigo a frente de "theós" é apenas por uma questão gramatical. Cito as palavras de meu amigo Emerson Amaral, bacharel em grego pela Faculdade de Letras da UFMG.

"Quando uma palavra no nominativo aparece com a função sintática de predicativo do sujeito, não é necessário colocar artigo definido."

Há alguns casos como este em outros textos do NT. Vou levantar as ocorrências e te falo.

Abraços,
Igor

CHAVEIRO LEGAL disse...

Olá Igor,desculpe a minha insistência mas gostaria de entender porque vc usou a expressão "gerado do pai" se vc não crê que Deus se tornou uma trindade,mas que ele sempre foi uma trindade

Jorge Moreira da Silva disse...

Bem que vc falou para lermos tudo,inclusive a parte dois,antes de postar um comentário. Quando postei o comentário sobre o que vc queria dizer com a expressão "gerado do pai" eu ainda não tinha lido tudo. Agora eu li sua explicação na parte II dentro do artigo que explica o credo niceno.Acho interessante quando vc diz que a coisa é clara. Vc sabe que a maioria das pessoas não teve ou não tem a oportunidade de estudo e desenvolvimento da capacidade de raciocínio e entendimento como vc teve.E pra falar a verdade, mesmo entre os grandes estudiosos, aceitadores da Trindade inclusive, existe desacordos.O próprio CN não foi fruto de uma unanimidade; muito pelo contrário

Sola Scriptura disse...

Retorno já à religião monoteísta: http://youtu.be/3lnelyfcviY

@igorpensar disse...

Nem preciso falar o que penso sobre este vídeo. Há aquelas frases clássicas e viciadas de restauracionistas e primitivistas. A trindade é uma doutrina monoteísta, não há qualquer espaço na formulação trinitária para 3 divindades, isto é heresia.

Só cito um trecho do Credo de Atanásio: "Assim, o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus. Contudo, não há três Deuses, mas um só Deus."

Em Cristo,
Igor

RenatOliveira disse...

TRINDADE NÃO EXISTE.... PONTO FINAL.

@igorpensar disse...

Renato, obrigado por compartilhar seu argumento com tanta precisão e profundidade. (Em tom de ironia).

Jorge Moreira da Silva disse...

Na sua antepenultima resposta dada ao chaveiro legal vc parece concordar que João 1;1 ,tão usado para apoiar a trindade,na verdade não o faz. Vc parece admitir que a palavra 'deus', quando usada em relação ao logos, trata-se de um predicativo do sujeito,ou seja , um adjetivo e não O Deus,tô certo?
Neste caso uma tradução mais apropiada seria "e o logos era um deus",apesar de no grego não existir artigo indefinido. O que vc acha ?

@igorpensar disse...

Jorge, de modo algum. João 1:1 é explícito: o Verbo é Deus. Uma tradução no indefinido neste caso é incongruente gramaticalmente, pelos motivos que expliquei ao "chaveiro". As implicações teológicas seriam absurdas, seria cair na heresia de Ário inevitavelmente, que colocava Jesus em condição de "criatura elevada" e de "divindade menor", o que seria uma afronta ao monoteísmo bíblico.

Igor

Jorge Moreira da Silva disse...

Vc já deve ter lido.Mas se ainda não o fez faça.Achará interessante.No blog kakatuv, do seu amigo Erike Couto,tem uma postagem com o seguinte tema; "O Nome 'Deus' é pagão?".Achará interessante tambem (se ler sem preconceito religioso)o blog http://traducaodonovomundodefendida.wordpress.com/2011/04/06/o-uso-e-significado-da-palavra-deus-elohim-nas-escrituras-sagradas/

Paulo Jorge P.S disse...

Shalom. Intereçante ver que os argumentos para a trindade e a relação entre as pessoas da trindade, só se explicam, buscando o entendimento que os chamados 'pais da igreja' tinham. Fico pensando se não houvessem escritos desses homens, como os defensores da trindade se comportaria lendo somente a Biblia, principalmente nos seu texto Original (Língua). O que garante que esses pensadores eclesiásticos estavam certos? Nos Concilios, tanto citados, quem participou deles e os presidiu? Que autoridade tinha esses homens de definir D'us,Yeshua,Ruash? Onde estavam os judeus, principalmente o judeus messianicos, por que eles foram proibidos de fazerem parte nestes Concilios? A maioria desses Concilios foram presididos e até mesmo convocados pelo herege Constantino Imperador Romano, com sua falsa conversão, que mais tarde veio a contribuir com a desgraça da igreja, decretanto todo os Imperio Romano e seus suditos como "Cristãos". (ar de ironia...)

@igorpensar disse...

Paulo Jorge,

Você perguntou: "O que garante que estes pensadores estavam certos?" Eu perguntaria melhor, "O que garante que você pode estar certo?". Só há uma garantia para ambos, o julgamento das Escrituras. Ao compararmos o argumento patrístico com base nas Escrituras, veremos que é uma defesa coerente com as Escrituras. Veja, bem uma coisa, a trindade é uma explicação posterior, mas sem ela, o cristianismo teria sucumbido ante ao gnosticismo ou qualquer outra relativização do monoteísmo bíblico. Diferente do que pensam, os que comumente questionam a trindade, ela não tem nada de pagão, pagã seria uma teologia que colocasse Jesus em uma categoria "sub", "semi" ou a-divina. Isto é pagão. Outro ponto importante, a maioria dos questionadores da patrística se que tiveram a ombridade de ler uma obra inteira, como a Trinitae de Agostinho. Aí fica difícil conversar. Já se arriscou a ler?

Obrigado por sua opinião, seja sempre bem vindo ao blog.

Abraços,
Igor

Rodrigo F. Martins disse...

Igor,

Tudo bem? poh, adoro ler as suas postagens, sempre muito coerentes, críticas e fundamentadas.
Só queria dizer que sou estudante de teologia e estou terminando Pedagogia, seremos companheiros de ofício, rsrsr, e você tem me inspirado muito nas duas áreas, entretanto, na vida.
Sou um apaixonado por Deus e amo conhecê-lo, missão esta que somente será plena quando estivermos com Ele, seja lá onde for; (não quero entrar em linha escatológica, rsrsr).
Estou sempre por aqui!

Agradeço ao Pai por ter homens como você, obrigado meu irmão, pois sou muito edificado em seu blog.

Um abração
Rodrigo F. Martins

@igorpensar disse...

Olá Rodrigo,

Agora que vi que você ficou sem uma resposta. Me perdoe. Fico feliz que tenha escolhido a pedagogia como carreira vocacional. Foi um escolha muito feliz em um mundo carente de educadores engajados na esperança que emerge do Cristo ressuscitado.

Volte sempre a blog, meu e-mail também está disponível: igor@teologo.org

Jeferson de Oliveira Silva disse...

Boa tarde Igor! Vim fazer meu dever de casa aqui, se é que você me entende rsrsrs

Primeiro, o texto é belo, claro e objetivo.
Deus, louvado seja, é UM. Subsiste em Pai, Filho e Espírito Santo. Quando Cristo submete-se ao Pai, quer dizer que sua persona, ou sua subsistência como Filho, é completada com a autoridade da persona Pai, habilitando a persona Filho a ação. Parece difícil entender, mas só parece.
Não crer nisso, significa não acreditar no poder e capacidade de Deus, limitando-o àquilo que eu quero.

Algumas pessoas evidenciaram aqui nos comentários sua ignorância com respostas delicadas. Acredito que a palavra trindade realmente não aparece na bíblia, mas é um termo usado somente com a finalidade de esclarecer a ação de Deus em três PERSONAS. Esse é o ponto principal. Ninguém precisa de fato "aceitar" o termo, mas sim imergir na realidade de Deus.
Respeitem nossos pais da fé, eles foram canais usados pela misericórdia de Deus para que a mensagem eterna, a Boa Notícia de Nosso Cristo Jesus, pudesse alcançar nossos corações. Mérito deles? Não, mas de Jesus, que os escolheu para embaixarem seu Nome.
Algumas pessoas aqui parecem ser inimigas do conhecimento, mas saibam que o mesmo Deus que nos dá a fé, nos dá a ciência, a filosofia e tudo o mais. Nenhuma dessas ciências são inimigas de Deus, mas servas dele.
O termo trindade não é um deus, não é o mais importante, mas acaba sendo sim um veículo da mensagem do evangelho que nos alcança. Louvado seja o Senhor que tem nos abençoado com mestres e pais que têm alcançado a revelação pelo Espírito dos mistérios de Deus!

Igor, obrigado por nos servir em amor. Sei da sua história, ela reflete renúncia e amor. Vejo nela estampado o dizer, SOLI DEO GLORIA. Isso é o que interessa. Obrigado pela inspiração e o amor expressado nos estudos. Pelo ESPÍRITO de DEUS agindo em você, pude voltar a perceber a importância da centralidade do FILHO.

Um abraço no nosso Amado e tão Esperado!

Valter Soares disse...

Trindade = idolatria.

@igorpensar disse...

Valter,

Não é não. Repito, por favor, cite um texto da tradição ou da patrística que diga que a Trindade é politeísta ou triteísta. Já aviso ao navegante, jamais achará. A Trindade preserva a fé bíblica da idolatria, precisamente o contrário. Todas as explicações fora trindade ou inclinam-se ao triteísmo, modalismo ou transformam o "YHVH que Salva" (Jesus) em mera criatura coadjuvante da divindade. Isto sim é idolatria.