30 de out de 2011 | By: @igorpensar

Escritura & Tradição por McGrath

Estou impressionado com a clareza e consistência teológica do livro "Paixão pela Verdade" de Alister McGrath.  Devo a alguns escritos de McGrath meu retorno à fé cristã e ao evangelicalismo reformado. Sua perspicácia intelectual, clareza teológica e sensibilidade espiritual, claramente presentes em seus textos, os tornam incrivelmente elucidativos.  


Alister Edgar McGrath é um sacerdote anglicano, teólogo, e apologista cristão.  Atualmente é professor de teologia, ministério e educação no Kings College London onde também é diretor do Centro para Teologia, Religião e Cultura.  Ele foi também professor de Teologia Histórica na Universidade Oxford.   McGrath destaca-se por seu trabalho em teologia histórica, sistemática e cientifica, além de obras apologéticas contra o ateísmo e o anti-religiosismo secular.  Ele possui um DPhil em biofísica molecular e um grau de Doutor em Divindade pela Universidade de Oxford.

Entretanto, o trecho que gostaria de destacar em "Paixão pela Verdade" é o que se refere à relação entre Escrituras e Tradição, que costumeiramente são colocados ou em equivalência de autoridade, como acontece no catolicismo romano, ou em uma relação de rejeição absoluta à tradição, como acontece em formatos radicais de evangelicalismo ou no primitivismo-restauracionista. 
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McGrath, Alister. Paixão pela verdade: a coerência intelectual do evangelicalismo.  São Paulo:  Shedd Publicações, 2007. p.80-81.

Para alguns escritores, a "tradição" tem bastante autoridade.  Tradição seria entendida aqui como o que designa uma doutrina ou crença tradicional, que tem força de autoridade por causa de sua antiguidade.  Contudo, isso pode facilmente degenerar em sentimentalidade não crítica.  A afirmativa "sempre cremos assim" pode significar "sempre estivemos errados".  Como o escritor do terceiro século, Cipriano de Cartago, aludiu, "uma antiga tradição pode ser só um antigo erro".  A tradição deve ser honrada onde pode ser demonstrada como justificada, e rejeitada onde não o pode.  Esta apreciação crítica de tradição foi um elemento integral da Reforma, e baseava-se na crença fundamental de que a tradição era, em última análise, uma interpretação da Escritura que tinha de ser justificada com referência à mesma fonte competente.  

Contudo, a ideia de "tradição" é de importância para o evangelicalismo moderno.  Os evangélicos têm tido sempre a tendência de ler a Escritura como se fossem os primeiros a fazer isso.  Precisamos lembrar que outros já estiveram lá antes de nós, e já a leram antes que nós o fizéssemos.  Esse processo de receber a revelação escritural é "tradição" -- não uma fonte de revelação somada à Escritura, e sim um modo particular de se entender a Bíblia que a igreja cristã tem reconhecido como responsável e confiável.  A Escritura e a tradição não são, pois, para serem vistas como duas fontes alternativas de revelação; em vez disso, são coinerentes.  A Bíblia não pode ser lida como se nunca tivesse sido lida antes.  As hinódias e liturgias das igrejas constantemente nos fazem lembrar que a Escritura já foi lida, avaliada e interpretada no passado.  James I. Packer, um dos mais influentes escritores evangélicos de anos recentes, enfatiza esse ponto:
O Espírito tem estado ativo na igreja desde o início, fazendo o trabalho para o que foi enviado -- guiar o povo de Deus na compreensão da verdade revelada.  A história do trabalho da igreja para entender a Bíblia forma um comentário sobre a Bíblia que não podemos desprezar nem ignorar sem desonrar o Espírito Santo.  Tratar o princípio de autoridade bíblica como uma proibição à leitura e aprendizado do livro de história da igreja não é um erro evangélico, mas um erro anabatista.
22 de out de 2011 | By: @igorpensar

Teologia Reformada e Cristianismo

O teólogo Franklin Ferreira faz uma excelente e sóbria explanação sobre o papel da teologia reformada no cristianismo global.   Uma introdução importante sobre como reformados pensam teologia.  Esta palestra foi realizada na 27a. Conferência Fiel para Pastores e Líderes recentemente realizada pela Editora Fiel.

Fonte: Editora Fiel on Vimeo.
13 de out de 2011 | By: @igorpensar

Cristo é a Unidade

Por Igor Miguel

"O elo de ligação que une os membros do corpo, que une a a Igreja, não é Cristo!  Não é Cristo que une os ministérios, não é Cristo que garante a unidade da Igreja.  Cristo não é o elemento comum com o poder para unir a sua Igreja." (Matheus Z. Guimarães)*
* Trecho de ensino ministrado na Congregação Har Tzion no dia 27/08/2011. A frase foi afirmada a partir dos 22 minutos de fala. O vídeo, até a presente data e sem edições, pode ser acessado aqui. Não posso garantir que o vídeo seja retirado ou editado após a publicação deste artigo.  Nota em 14/10/2011: como previsto, o vídeo foi tirado do ar e substituído por um texto explicativo.  Por que será que tiraram o vídeo?
Desde que me ausentei do Ministério Ensinando de Sião, optei por não me referir a nada de natureza pessoal, não procurei me defender das alegações de rebeldia contra minha pessoa, coisas ligadas às sutilezas de ordem relacional interna etc, justamente para preservar as pessoas ligadas a este ministério.  Apesar dos apelos emocionais e o paternalismo patético dirigido a minha pessoa, reafirmo, que não estou disposto a colocar estas questões em pauta.  Por outro lado, como todos sabem, não sou pastor, nunca recebi uma ordenação, mas tenho uma vocação em Jesus Cristo, desde de minha juventude, que é o amor pela verdade.  E a verdade é Jesus Cristo, tudo mais é relativo a seu senhorio, qualquer coisa que for colocado no lugar dele, será inevitavelmente um ídolo.  Por este motivo, vejo-me no direito de me posicionar a respeito do que é teologicamente inapropriado, pois isto, envolve a saúde espiritual de muitas pessoas.  Estou disposto a manter a mesma postura, tratar questões de natureza teológica e doutrinária, quando necessário, baseado no meu direito de liberdade de expressão.  Reafirmo a retratação pública disponibilizada no último ano.

Entendo que há um problema de ênfase, uma troca explícita da centralidade de Jesus Cristo pela centralidade de outra coisa (judaísmo, Israel, marranismo, alyah, a Lei e por aí vai).   Isto me parece grave, exceto que tal comunidade não se julgue mais "cristocêntrica", ou que não se alegue comprometida com o Corpo de Cristo, do contrário, minha crítica é inútil.   Do contrário, minha posição teológica é legítima, e deve ser pública, como pública foram ditas as palavras acima.

A Igreja do Senhor Jesus sempre foi e sempre será identificada como "Corpo de Cristo", por um motivo simples: Cristo é o núcleo, causa e efeito, fundamento e pedra angular desta comunidade.  Se a Igreja é o Corpo de Cristo, isto significa que sua existência, continuidade e missão sustentam-se unicamente por causa de Jesus Cristo.

Há algumas semanas, chegou-me ao conhecimento o trecho do sermão acima.  Tive que checar pessoalmente tamanha discrepância com a doutrina apostólica.  E pude confirmar e afirmo sem qualquer constrangimento: há heresia.   

Quero lembrar, que uso o termo heresia exatamente como o apóstolo Pedro o faz: 
"Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição." (I Pe 2:1).
O termo heresia vem do grego airésis [αιρεσις] que pode ser traduzido por "dissensão", "facção" ou "opinião fora do consenso".   Sim, acredito, que a doutrina apostólica constitui-se sob o consenso da Igreja, que Cristo é o centro, a causa e o propósito de sua existência.  Qualquer leitura, mesmo que superficial dos textos de Jesus e de Paulo, levam qualquer pessoa interessada no evangelho, a conclusão básica, de que Cristo é nuclear e a Igreja constitui-se nele.  Uma discordância explícita ou velada a respeito disso, constitui-se em uma dissensão (airésis), ou seja, uma opinião que fere a unidade do Corpo que é Cristo.

Para o autor da frase acima, diferente do que largamente é ensinado no Novo Testamento, é Israel o propósito e a identidade que unirá o Corpo de Cristo.  O foco da referida mensagem é que a unidade da Igreja não se constitui em Jesus, mas em sua identidade em Israel.   Reafirmo, que isto é um tipo de idolatria.  Mesmo sabendo da importância bíblica e histórica do povo de Israel, sabemos, que mesmo este povo, só existiu e existe por causa de Jesus.  Ele é a plenitude de tudo que os profetas anunciaram e não o contrário.   Eu procuro explicar e dar todas as bases bíblicas a respeito da centralidade de Cristo e não de Israel, na constituição da Igreja, no artigo publicado em janeiro intitulado "Israel de Deus". 

Acho desnecessário citar as dezenas de textos bíblicos que afirmam que Cristo é o núcleo, a causa, o elemento comum, e que é Ele mesmo quem garante a unidade da Igreja. Entretanto, relembro alguns que me parecem centrais:
Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.  (Jo 17:22-23)
No texto acima, o próprio Jesus deixa claro que a unidade entre os discípulos é ele (Jesus) nos discípulos, como Ele Jesus está com o Pai em unidade.  Vale ainda lembrar as palavras do apóstolo Paulo que diz: 
Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função,  assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros. (Rm 12:4-5)
"Não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. " (Gl 3:28)
Permitam-me colocar o paralelo entre este texto de Paulo e do autor da frase acima:

".... não é Cristo que garante a unidade da Igreja.  Cristo não é o elemento comum com o poder para unir a sua Igreja..." (MZG)

"... conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros." & "... todos vós sois um em Cristo Jesus." (Apóstolo Paulo).

Me parece claro que há um oposição clara entre a afirmação ensinada pelo Matheus e o que o apóstolo Paulo ensina.  Se isto for, como me parece explícito, uma contradição à doutrina apostólica, isto não pode ser outra coisa se não um desvio doutrinário sério.  E se este é o ensino que tanto se esforçam por ensinar, posso lhes garantir, que o rumo é o afastamento consciente das pessoas da centralidade de Cristo.

Espero honestamente, que estas palavras sejam corrigidas, que o ensino bíblico e apostólico seja retomado.  Que Cristo volte a ser o centro da vida destas pessoas, e não apenas um acessório teológico para justificar o que lhes parece central.
"Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus,  edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular;  no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor,  no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito." (Ef. 2:19-22)
"Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos." (Cl 3:15)
Pensem com calma o que Paulo considera ser o núcleo de sua identidade quando disse:
"Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne.  Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais:  circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.   Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo.  Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como lixo, para ganhar a Cristo."  (Fp 3:3-8).
Orando para que a Igreja, mantenha-se como Corpo, edificada sobre Jesus, sempre.
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10 de out de 2011 | By: @igorpensar

Canção "Filhos de Deus"

Clipe de meu amigo Tiago Corrêa onde canta a música de sua autoria "Filhos de Deus".  Letra bíblica explorando o sentido do nome de Jesus, que em hebraico é Yeshua, que significa "O Senhor que salva".  Belíssima canção, inspirada e cristocêntrica.



Missão Integral & Missionalidade

Disponibilizo aqui a apresentação (em formato Prezi) de minha aula na Escola de Teologia e Vida Cristã do L'Abri , o conteúdo está todo disponível aí, basta ir passando os enquadramentos com as setas.

5 de out de 2011 | By: @igorpensar

Sabedoria Judaico-Cristã (Vídeo)

Pessoal,

Disponibilizamos aqui a palestra que ministramos na Escola de Engenharia da UFMG na 3a. Semana do Cristianismo organizado pela Aliança Bíblica Universitária (ABU) sobre o tema: Sabedoria Judaico-Cristã: por uma liberdade responsável.