7 de jul de 2016 | By: @igorpensar

Igreja Missional [vídeo aula]

Um trecho de nossa aula magna na Faculdade Teológica Reformada de Brasília sobre o tema "Igreja Missional", o vídeo completo está logo abaixo:





Vídeo Completo

20 de jun de 2016 | By: @igorpensar

Subversão de Toda Idolatria Ideológica

Qualquer leitor leigo, sem muitos recursos hermenêuticos sabe, que o cristianismo, a partir da revelação das Escrituras, tem uma ética sexual. O que isto significa? Um moralismo do tipo que Deus só ama os castos? Obviamente que não. Pois o cristianismo implica em uma fé que acolhe pecadores, gente despedaçada e vulgarizada como eu e outros. Jesus não veio para os sãos, veio para os doentes. Entretanto, o cristianismo tem recursos para transformação do ser humano, fazendo-o viver para além de suas pulsões, para além de seus disparates e fetiches sexuais. Por isso o cristianismo é libertador

Não é moralismo, pois este exige que se chegue a Deus moralmente resolvido para que se torne aceito. O cristianismo exige arrependimento e fé nos méritos de Cristo, justificação, para que entremos em seus domínios por graça. Por outro lado, a obra da justificação engatilha um fascinante processo de transformação, o que chamamos de santificação. A santificação envolve também sermos equipados com uma vida virtuosa, onde nos tornamos gradativamente livres de nós mesmos. Uma ética sexual cristã implicaria não em um purismo gnóstico que vê no corpo um mal. Mas que trata-o com o devido respeito, pois não é um objeto desconectado do ser, não é um fim em si mesmo, o corpo integra-se à existência. A insistência bíblica e da tradição cristã com a ética e a pureza sexual não é uma obsessão gratuita, é justamente porque tem a sexualidade em um lugar melhor, mais belo, e menos banalizado.

O problema com "a exposição da vulva" de autoria da Thamyra não é o escândalo, mas como fere a antropologia cristã. Cristãos resistem todo tipo de fragmentação, segmentação ou reducionismo do ser humano, por justamente crer que "o Cristo todo, morreu pelo homem todo" (Lausanne). Um "cristão" que pede a várias pessoas, tipo, 'me empresta sua "vagina" para tirar uma foto e fazer um trabalho "artístico"?', fere a noção de que pessoas não são meras partes, mas que elas têm rostos, biografias e idiossincrasias. O que me impressiona é que afirmam uma missão integral mas reduzem a condição humana a apenas uma fatia de sua existência.

Então, por favor, aprendam: uma missão cristã que aprecie a totalidade da vida, um Cristo que confronta todo misoginia, todo machismo, toda idolatria sexual, toda "falolatria" ou "vaginolatria", toda retórica de objetificação e autodeterminismo, não pode estar subserviente a nenhuma ideologia moderna. As Escrituras resistirão e subverterão toda tentativa de instrumentalização de sua verdade a qualquer narrativa cultural ou política que reduza o ser humano a alguma coisa que seja menor do que ele.

O corpo de um cristão é de Cristo, não faça dele o que quiser.

"Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus." (I Co 6:20).
17 de jun de 2016 | By: @igorpensar

Resposta ao Frei Martin sobre Orlando

Uma resposta ao Frei James Martin
sobre o massacre em Orlando
Elliot Milco


Na última terça-feira, o jornalista jesuíta e editor-geral do America, Frei James Martin, publicou um vídeo no Facebook sobre o recente massacre em Orlando. Em seu vídeo, ele expressa seu desalento com as reações dos bispos católicos americanos não porque estes fracassaram em expressar tristeza, revolta e solidariedade para com os que estão sofrendo, mas porque não direcionaram (com exceção de Blaise Cupich, de Chicago) suas condolências explicitamente à Comunidade LGBT.

Preste bem atenção: a queixa de Martin não é por qualquer falta de empatia ou solidariedade, mas pela linguagem que os bispos escolheram para identificar o sofrimento. “A todos aqueles que foram afetados” (Arcebispo Kurtz) não é suficiente. “O povo de Orlando” também não é suficiente. Precisamos ficar com o grupo identitário cujos membros foram principalmente afetados, pois eles não foram alvos nem como habitantes de Orlando nem como transeuntes casuais, mas como membros desse grupo identitário.

O vídeo do Frei Martin é um ótimo exemplo de sua completa compaixão e cuidado com as palavras. Ele diz o que quer dizer e, como sempre, deixa claro que realmente quer dizer o que diz. Contudo, ele está errado, e acho que sua declaração é capciosa e desprovida de caridade para com os bispos em questão.

O que significa ser “gay” ou “LGBT”? Esta pergunta poderia ser respondida de muitas maneiras diferentes: de acordo com a preferência sexual, comportamento, orientação, identidade, psicologia, biologia, estilo de vida etc. Entretanto, não pode haver nenhuma dúvida de que, no momento, o rótulo “LGBT” e seus componentes representam mais do que simplesmente um dado sobre as disposições, estilos de vida ou constituições biológicas de indivíduos variados. Eles representam uma ideologia política e antropológica altamente desenvolvida, que faz fortes reivindicações sobre a natureza humana e o desejo, a moralidade, a estrutura familiar e o uso apropriado do corpo.

Só para esclarecer, todo e qualquer indivíduo que se identifique com qualquer um dos rótulos que se enquadram no “LGBT” é digno do nosso amor, empatia e solidariedade em sua busca (com todos os cristãos) por verdade, justiça e felicidade eterna. Mas o que compartilhamos com nossos irmãos, por causa da nossa humanidade comum, não invalida o que nos divide em termos de nossas escolhas e crenças sobre felicidade, justiça e verdade.

E assim, aqui está o problema: a Igreja Católica e a Comunidade LGBT possuem entendimentos divergentes acerca da natureza humana, da identidade pessoal, do uso apropriado do corpo e dos requisitos para a felicidade. Como Frei Martin corretamente observa, os católicos tratam a Comunidade LGBT como “diferente” – não porque a igreja deseja excluir os membros dessa Comunidade da misericórdia de Cristo, da admissão à igreja ou da consequente participação dos sacramentos (ao contrário, esta é uma das nossas grandes esperanças), mas porque as crenças, práticas, opiniões políticas e costumes propostos pela Comunidade LGBT são fundamentalmente hostis ao fim principal do homem.

Aqueles que estão no outro lado reconhecem a linha divisória perfeitamente bem. É por isso que os defensores da estrutura da família tradicional são, consequentemente, “intolerantes” aos seus olhos. É por isso que discordar das demandas políticas da Ideologia de Gênero e seus atuais usos linguísticos é punido com tanta severidade. O que é, portanto, que o Frei Martin está requerendo ao repreender os bispos por não expressarem solidariedade pela Comunidade LGBT, ou pelos “nossos irmãos e irmãs LGBT”, como fez o Arcebispo Cupich? Ele está requerendo, perceba isso ou não, que os bispos reconheçam e endossem tacitamente as identidades sexuais promovidas pela Comunidade LGBT – identidades associadas fundamentalmente à ideologia de gênero promovida pela Comunidade.

Isto, naturalmente, seria profundamente enganoso da parte dos bispos, uma vez que a Igreja não pode endossar tal ideologia. Seria também um fracasso evangelístico e um fracasso de caridade. A missão da Igreja, no que se refere à Comunidade LGBT, é opor-se à fetichização da identidade de gênero. O dever dos bispos é dizer à população LGBT que eles são conhecidos e amados como mais do que simplesmente o protótipo de um símbolo sexual.

Frei Martin diz que os gays são “invisíveis” na Igreja. Por um lado, ele está certo – a Igreja, como Cristo, recusa-se a confundir a ilusão do pecado e da ideologia com a realidade das pessoas que ela encontra. O que ela enxerga é simplesmente cada filho de Deus: sofrendo, esperando, ansiando por remissão, criado para a possibilidade da união eterna com Deus.

***
Fonte: First Things.
Tradução de Leonardo Bruno Galdino.

Elliot Milco é subeditor do First Things.  
10 de jun de 2016 | By: @igorpensar

Feministas. E, a pornografia?


Trabalho há 5 anos em uma ONG que lida diretamente com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e moram, em sua esmagadora maioria, em vilas e aglomerados. Quando vamos analisando toda dinâmica ao redor do caso do estupro coletivo na comunidade da Praça Seca no Rio, vejo ecos de falas, expressões e posturas sexuais em relação a mulher muito parecidos do que escutamos e vemos em crianças e adolescentes que atendemos. Como venho defendendo: afirmar uma cultura do estupro é dissolver a questão na fluidez da expressão. Então, ao invés de evocar uma cultura, seria mais prudente, lidar diretamente com fatores (observem o plural) culturais, psicológicos e morais que influenciam (não determinam) à violência contra a mulher.

Levanto um tema quase ausente na retórica de algumas feministas no Brasil: a educação sexual da maioria das crianças e adolescentes em comunidades hoje se dá pelo acesso massivo e irrestrito a pornografia da pesada por meio da internet, o "gato net", alguns funks "proibidões" e trocas de conteúdo pornográfico por celular. Se há um fator cultural que pesa moralmente no sentido de uma objetificação e violência contra a mulher é a pornografia. E, querem saber a verdade? A maioria dos homens, da minha faixa etária, tem sido sexualmente educados pelo consumo da pornografia.

Então, feministas que levantam um agenda contra a pornografia têm a minha admiração e apoio neste tema e em outros. Porém, as que ressignificam ou ignoram a pornografia, alegando que não é eliminar, mas empoderar a produção pornográfica colando a mulher na direção e produção, implicaria em um erro radical: a manutenção do discurso da mulher e da sexualidade como produto a ser consumido. Isto é objetificação de qualquer jeito. Por esta razão, apoio iniciativas como a do Clube Love. Honestamente, eles têm feito mais pelas mulheres do que muita militância por aí.
31 de mai de 2016 | By: @igorpensar

Cultura do Estupro?

O termo "rape culture" (cultura do estupro) foi criado durante a segunda onda feminista nos EUA nos anos 70. O termo tem valor para a militância feminista e tem um sentido muito específico dentro de certas tendências políticas. A expressão se refere a noção de que todo indivíduo quando estupra, o faz condicionado por determinado contexto cultural ou simbólico. Geralmente, "cultura do estupro" cola-se a noções como misoginia, patriarcalismo, objetificação da mulher, machismo, pornografia e símiles. 

O problema com o termo é que ele enfraquece a responsabilização moral do criminoso, transferindo sua culpa pessoal a fatores de ordem "simbólica" ou "cultural". A despersonalização moral alavancada por um evento "abstraído ideologicamente" (o estupro) dá força discursiva à militância em questão. Força discursiva assume força política, logo justificará intervenções e pacotes de "reforma cultural". Mas, espere aí! E, a vítima? E, o estuprador? Percebeu a cortina de fumaça?

O violentador e o violentado não são tratados em uma relação real em que há violência e violação da dignidade humana. O discurso não é contra o estupro, mas dirigido a um "fenômeno" artificialmente contextualizado, amoral e despersonalizado, retroalimentado pela comoção pública, e finalmente instrumentalizado para fins políticos. A vítima, neste caso, está sendo usada duas vezes: sexual e ideologicamente. O propósito final por trás do meme "cultura do estupro" não é a proteção da vítima, mas o triunfo de uma agenda.
Ironicamente, a maior organização americana contra violência sexual e que advoga por vítimas deste tipo de violação, a RAINN (Rape, Abuse & Incest National Network), aclamada e referendada pela militância feminista, alerta: "Nos últimos anos, tem havido uma infeliz tendência em acusar a 'cultura do estupro' pelo extensivo problema de violência sexual ... Enquanto é útil destacar as barreiras sistemáticas dirigidas ao problema, é importante não perder a noção de um fato simples: estupro é causado não por fatores culturais mas por decisões conscientes, de uma pequena porcentagem da comunidade, em cometer um crime violento."[1]

Não tenho dúvidas de que há diversos fatores envolvidos no comportamento sexual de um estuprador, inclusive aqueles que não são meramente "culturais". O documento da organização RAINN endereçado à Casa Branca em 2014 assevera que a tendência de focar na "cultura do estupro" tem o efeito paradoxal de 'remover o foco da culpa individual, e acaba enfraquecendo a responsabilidade pessoal por suas próprias ações'. Então, que o estuprador seja punido como criminoso e a vítima tratada como tal. E, que ambos não sejam abstraídos ou recortados e colados em contextos discursivos artificiais. Esta é a melhor a mais eficiente coisa a ser feita a perpetradores e vítimas.

  Uma última consideração... Se, o que está na raiz do estupro é objetificação da mulher, como se alega, então que a militância feminista seja a primeira a não usar uma linguagem de "territorialização" ou "cercamento" do corpo, tratando-o como "propriedade privada". Pois é exatamente isto que está por trás de frases de efeito do tipo: "Meu corpo minhas regras." Mulheres não são seres desencarnados ou dicotomizados entre o "eu" e o "corpo", entre "sujeito" e "objeto", elas são inteiras, foi assim que uma mulher, minha mãe, me ensinou sobre as mulheres. Então, que tenhamos mais mães como a dona Matilde e menos experimentos políticos.
20 de mai de 2016 | By: @igorpensar

Heróis: há vagas?

Nossa cultura inventou a noção de que todo mundo tem que ser muito bom, gênio e bem sucedido de acordo com os critérios de sucesso das novelas, dos filmes e dos livros. Ser bem sucedido pode ser, no fim, pura performance estética, sem qualquer consistência metafísica.

O problema é que não há tantas vagas para gênios, heróis ou bem sucedidos segundo tais critérios, apesar de nossa loucura desenfreada rumo a esta direção. Além do mais, o critério para ocupar tais vagas é muito questionável. Conversa pra depois.

A questão é que se adotarmos os padrões de "inserção social" de nossa sociedade atual, certamente, não suportaremos o fardo da existência, como demonstram nossas patologias comportamentais modernas. De fato, a grande e esmagadora maioria das pessoas deste planeta será composta de gente comum, mediana, sem muitas "habilidades técnicas" admiráveis. E, há uma enorme chance de você, caro leitor, simplesmente passar por esta vida como um "pessoa comum" de acordo com os critérios de sucesso de nossa cultura.

Então, não se sinta burro, de menor valia ou indigno, como já disse, os critérios aí impostos são muito questionáveis. O anonimato e a discrição podem ser de valor inestimável. Sendo assim, descubra uma forma de tornar sua vida ordinária mais significativa, claro, isto exigirá certa dose de sensibilidade e espiritualidade. Exige descobrir a arte da gratidão, generosidade, modéstia, compaixão, hospitalidade e tantas outras riquezas, que nossa sociedade do controle técnico e do acúmulo de bens jamais mencionará.

A vida precisa ser redescoberta a partir de uma singeleza básica: trabalhar, casar, amar o cônjuge, ter filhos, educá-los, ir à igreja todo domingo, praticar um esporte, ouvir boa música, ajudar o próximo, fazer algum trabalho voluntário e sempre ler um bom livro. Esta rotina (palavra que os moderninhos odeiam), repetição e ritos ordinários, são cheios de beleza. Mas, nossa cultura perdeu a capacidade de ver para além da tirania da inovação e da autenticidade. A repetição pode ser simplesmente uma reprise de algo muito bom e a inovação pode ser pura tolice com cara de autenticidade.

Cansou? Aprenda a tornar cada gesto ordinário em um evento extraordinário. Abrace a narrativa evangélica: "Vinde a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei." (Jesus).
18 de mai de 2016 | By: @igorpensar

Neocalvinismo e Apartheid

Texto de Rodolfo Amorim (L'Abri)
 
Vez ou outra surge uma pergunta sobre a relação entre neocalvinismo e o regime do Apartheid na África do Sul. E algumas pessoas aqui e ali tentam denunciar uma relação causal direta entre os dois, ou pelo menos sugerindo uma relação forte entre estes.Sugiro discutirmos algo deste ponto por aqui, sendo de extrema relevância para a incorporação desta tradição em nosso país, envolvendo todos os interessados e aderentes. Creio que é uma responsabilidade nossa entender melhor esta questão.Sugiro ao fim uma importante leitura sobre o tema. É uma tese sobre a relação entre Teologia Reformada e Apartheid. Há um capítulo específico sobre a filosofia reformacional.De minhas leituras sobre este importante tema, tenho algumas considerações, ainda não conclusivas. Gostaria que os interessados comentassem a respeito, concordando ou discordando, e contribuindo com novas informações:
 
1) O nacionalismo Bôer e Afrikânder e a ideia de uma nação eleita por Deus, derivando do Antigo Testamento a noção de pacto com um povo específico, precede em séculos o surgimento da filosofia reformacional holandesa, refletindo em sua origem um ethos holandês específico, baseado nas crônicas do estabelecimento da própria Holanda como país independente (o próprio hino nacional reflete esta ideia de nação fundada no pacto com Deus). Ou seja, uma teologia baseada nas promessas e pactos específicos de Deus para Israel enquanto nação foi re-inserida na narrativa Bôer da África do Sul desde o século XVII.
 
2) A identidade Bôer foi modificada quando da violenta chegada e domínio dos ingleses no século XVIII, gerando nestes uma identidade ainda mais coesa de nação (trekers), alimentando um forte revanchismo contra as forças externas que desejassem lhes tirar da terra, dividindo a própria Igreja Reformada GK na mais nacionalista NGK. Esta revanche foi finalmente 'conquistada' com a chegada ao poder do Partido Nacionalista em 1948, a gradual retirada dos ingleses, e a implementação do apartheid.
 
 3) Abraham Kuyper não reflete em sua obra escrita e/ou como líder holandês as ênfases do pensamento racista da virada do século XIX para o XX sendo, pelo contrário, uma exceção em tempos de profundo pensamento racista na Europa de então. Sua introdução à obra Calvinismo atesta disso, louvando a presença de várias raças, nações e miscigenação no contexto dos EUA como um ponto forte daquele país, refletindo a riqueza de diversidade do próprio Criador. Em relação à causa Bôer, Kuyper percebe que pelo distanciamento dos holandeses africanos de sua proposta teológica e política não haveria como uma representação fiel de seu projeto se manifestasse na África do Sul. Quando primeiro ministro promoveu uma resolução ética que chamava os holandeses Bôers a servir as comunidades mais vulneráveis com as bençãos que porventura viessem a desfrutar, opondo-se a propostas colonialistas e de exploração. Em relação à denominação reformada livre que conduzia, defendeu a presença de uma congregação multirracial nos domínios africanos, expressando a igualdade fundamental entre os homens, princípio teológico claro a ele.
 
4) A chegada ao poder do Partido Nacionalista Afrikânder e sua liderança em Daniel François Malan, em 1948, não têm qualquer relação direta ou indireta com o movimento inaugurado por Kuyper, na Holanda. A tradição romântica de Fiche e Herder, inspiradoras do nacionalismo europeu pré 2ª Guerra, era o principal veículo de articulação das pretensões Afrikânder e de Malan, sobretudo na afirmação do conceito romântico de exaltação do "volk" . Este conhecia o projeto de Kuyper e reinterpretou alguns de seus insights, principalmente o conceito de "verzuiling", ou pilarização, que enquanto em Kuyper tinha base em distinção ideologias e num pluralismo democrático, foi re-interpretado com forte ênfase de separação racial nacionalista em nada refletindo a proposta kuyperiana.
 
5) A denominação reformada que concentrou o movimento apartheid era a Nederduits Gereformeerde Kerk (NGK), e não a The Gereformeerde Kerk, onde estavam reunidos os adeptos da filosofia reformacional na África do Sul, ligados a Universidades como Potchefstroom, organizados nos moldes da Vrij em Amsterdã. Ou seja, a influência teológica do neocalvinismo não foi central para a igreja dos Bôers, ou Afrikânders.
 
6) Alguns pensadores neocalvinistas da África do Sul, como H.G. Stoker, reelaboraram alguns pontos da filosofia de Dooyeweerd, dando a esta um tom mais voltado à cultura e sua expressão por comunidades humanas distintas, tirando desta algo de sua afirmação de princípios considerados "liberais em excesso", como o de direitos individuais, igualdade fundamental e democracia.
 
7) Os neocalvinistas holandeses foram vozes de denúncia, no contexto holandês, contra as práticas do Apartheid pós 1948, não havendo entre estes apoio reconhecido a qualquer de suas práticas.
 
8) Algumas expressões do Apartheid, como a extrema desigualdade das comunidades negras nativas em relação às brancas de ascendência europeia, ocorreu não apenas (e isso é muito importante e polêmico, devendo ser bem entendido) por uma ação de opressão e exclusão por parte dos Afrikânders (sim, esta existiu, como na divisão injusta das terras nos acordos feitos ainda pelos ingleses no início do século XX), mas também por uma clara incapacidade da cultura dos nativos de promover prosperidade nos contextos em que viviam. E isto revela um elemento de distinção cultural, e de visão de mundo, forte entre as comunidades que não pode ser ignorado em seus resultados práticos. Ainda hoje este é um tema cercado de tabus na África do Sul, onde comunidades negras nativas apresentam médias altíssimas de contaminação com o vírus HIV, chegando a 80 % da população, ao mesmo tempo em que comunidades brancas de descendentes de europeus na mesma área apresenta percentuais de 3 a 4 %. A visão de família e sexualidade é crucial no entendimento deste tema. 
 
Ou seja, a diferença em valores das culturas contribuiu, e muito, para a desigualdade que chocou o mundo. Mas este aspecto não é aceito pelo público internacional, que dirá pela mídia que aborda o tema.Se houverem mais contribuições de esclarecimento quanto a este ponto seria bom discutirmos por aqui.Esta é a tese de Gwashi Freddy Manavhela, da Vrij de Amsterdã:http://dspace.ubvu.vu.nl/bitstream/handle/1871/13313/9017.pdf?sequence=5
15 de mai de 2016 | By: @igorpensar

Cristianismo Autêntico 2016








8ª Conferência Cristianismo Autêntico 2016:

• • • TRINDADE E ESPIRITUALIDADE • • •

9, 10, 11 e 12 de Junho • na Igreja Esperança

Como participar?

:: Inscrição on-line ::

1. Faça sua pré-inscrição, preenchendo o formulário disponível aqui: http://goo.gl/forms/nupPLAKYId

2. Faça o depósito do valor da inscrição. Em seguida, envie-nos um email, contendo o comprovante de pagamento, ou alguma identificação do depósito (número do documento, horário, etc). Este é o email: secrataria1esperanca@gmail.com

3. Sua vaga só será garantida após a comprovação do pagamento.

Valor da inscrição:
R$.120,00 - Inscrição Individual.
R$.110,00 - Inscrição para grupos acima de 5 pessoas.

Data de término das inscrições: 6 de junho, segunda-feira, às 23h59.

Vagas limitadas. Garanta a sua!

:: Inscrição Presencial ::
De segunda a sexta, das 14h às 18h, ou
nos cultos aos domingos; 10h30 e 18h15.

Igreja Esperança | Igreja Cristã Reformada
Rua Jaguari, n.673 - Bairro Bonfim - BH
Link da IE no Google Mapas: https://goo.gl/39A2zA
Próximo da Av. Pedro II, n.1520

Dúvidas ou Informações: (31) 2510-2744
Horário de atendimento: De segunda a sexta, das 14h às 18h.
Email: secrataria1esperanca@gmail.com

Preletor convidado:
>> FRANKLIN FERREIRA
Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Mestre em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil. Atua como Consultor Acadêmico de Edições Vida Nova e Diretor Acadêmico (Studienleiter Brasilien) do Seminário Martin Bucer. Autor de vários livros.
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Não perca esta 8ª Conferência Cristianismo Autêntico
• • • TRINDADE E ESPIRITUALIDADE • • •
.
Quer saber tudo sobre a Conferência, clique aqui:
https://goo.gl/nJQY4T
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Que Deus lhe conceda graça neste propósito.
11 de mai de 2016 | By: @igorpensar

Liturgia da Vida

Neste áudio, falo um pouco sobre como cultivar uma vida virtuosa, e as implicações práticas de sermos um povo aliançado com Cristo.  A vida cristã envolve uma ação passiva, ou seja, agimos sobre uma estrada pavimentada pela graça.  Rotinas, hábitos e ritmos da vida são formativos, e de maneira intencional cristãos podem organizar suas vidas, em pequenas disciplinas, que os formam no amor que desfrutam pela graça evangélica.  Cristãos não podem apenas ser informados a respeito do amor de Deus, precisam ser formados por este amor.

6 de mai de 2016 | By: @igorpensar

Lamento e Temor

Conheço minha geração, sei que é inquieta, ela é sensível à injustiça, não suporta a contradição e o abuso de poder. Reconheço que é uma inquietação legítima, eu também não consigo ficar passivo diante de tais contradições. Na maioria das vezes resta-me somente o lamento. Eu lamento crianças cujos pais não podem ajudá-las na tarefa de casa, lamento pelo adolescente que é indisciplinado porque troca "F" com "B". Lamento a criança ou o adolescente abusado pelo namorado da mãe ou pelo próprio pai. Lamento pelo morador de rua que por causa do labirinto de uma pedra de crack ou o alcoolismo não consegue viver mais em família. Eu lamento!

Porém, temo que meu lamento se torne em revolta, e que minha inquietação se torne em puro ressentimento. Temo que meu desconforto se torne em um tipo de autocomiseração ou uma espécie de "salvação pelas obras", para que eu me sinta "moralmente" ou "espiritualmente" melhor do que os outros.

Temo que o pobre seja abstraído de suas idiossincrasias, singularidades, sua humanidade, e seja instrumentalizado por um pietismo sociológico. Temo por um enfraquecimento da centralidade e suficiência do Evangelho, como se o Evangelho não tivesse recursos suficientes para afetar o modo como lidamos com a pobreza e a vulnerabilidade.

Eu temo uma transferência do mal para o que está "lá", de maneira exógena, como se ele não estivesse "aqui", até mesmo em minha medíocre comiseração.

Nossos dias são dias de lamento e temor, compadecimento e prudência. Que nosso frágil senso de justiça não seja sequestrado por uma pulsão de revolta institucional. Que choremos pelo Templo em ruínas, como fez Jeremias, mas que tememos nossa reação. Não caiamos na utopia zelote, pois Cristo abraçou a cruz. E, antes de pensarmos sobre o que "fazer", que nossa alma inquieta descanse no que Cristo fez, pois 'sem Ele nada podemos fazer'.
27 de abr de 2016 | By: @igorpensar

Curso: Provérbios de Salomão




Começa hoje uma disciplina sobre Provérbios de Salomão no Instituto Bíblico Esperança. A aula é basicamente o conteúdo de minha pesquisa para o mestrado na USP. Os que desejarem se matricular, podem fazer a disciplina isolada.

Nota: a aula não será disponibilizada na Internet.

Ementa:

O livro de Provérbios de Salomão, ou como é conhecido em hebraico, Mishlei Sh’lomon, é uma coleção de sabedorias semitas, ou mais particularmente, vozes de uma sabedoria antiga, presente no Oriente Próximo. A obra, apesar do título, não é de um único autor, mas possui uma coleção de provérbios, máximas e o que se pode chamar de “poesia didática”. Apesar de sua característica literária singular, em comparação a outras obras da Bíblia Hebraica, ela tornou-se matriz do que se pode chamar de “teologia sapiencial”.

A teologia sapiencial influenciou a teologia judaica no período grego, a teologia rabínica da época do Segundo Templo, e naturalmente, a teologia cristã. Sendo assim, esta obra pouco explorada, mais do que máximas morais, lida com o “saber viver”, e uma vida virtuosa em um mundo criado por Deus, mas fraturado com a pecaminosidade humana.

Maiores Informações
Entre em contato conosco pelo e-mail: fale.ibe@gmail.com, saiba como estudar este tema, na disciplina isolada.

25 de abr de 2016 | By: @igorpensar

Cruz & Cuspe

Cuspir em alguém sempre foi um ato de degradação do cuspido.  Cristo foi para a cruz sob cusparadas.  A projeção do fluido corporal ao corpo alheio não é repulsivo apenas por ser nojento, mas porque comunica que o outro é desprezível, é um não-humano.  Geralmente o alvo da cusparada, para que produza efeitos depreciativos, precisa ser no rosto.  Justamente o lugar onde se estampa as reminiscências de nossa semelhança com Deus.

Insisto, uma genealogia teológica da violência (violação da dignidade alheia) remete a uma pulsão deicida e profana.  Um desejo de eliminar ou ofender a Deus projetado naquele que o alude, o próximo.  O primeiro ato de violência registrado no Livro Sagrado (Caim matou Abel) foi bem isso: um ressentimento contra Deus dirigido ao corpo do próximo.  O senso de justiça para gente que milita na força do cuspe não passa de "folhas de figueira" para dar invisibilidade a uma violência radical.  Violência combativa, mas nunca combatida.  Lamentável que corpos, genitálias e fluídos tenham se transformado em instrumentos e objetos de propaganda política. Sejam os corpos que cospem como os que são cuspidos.  Sejam os corpos torturados ou de torturadores. 

Cristo cuspiu em um pouco de barro para curar um cego, mas foi de outro fluido de seu corpo, seu sangue, que ele reconciliou homens consigo e uns com os outros.  Só lembro que Cristo abraçou na força da sua cruz cuspes e torturas, violadores e violados.  Foi assim que cada gesto de agressão, cusparadas e açoites se tornaram em gotas de graça sobre perpetradores e vítimas: "Perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem!" (Jesus).