22 de dez de 2015 | By: @igorpensar

Defesa aos que Celebram o Natal

Imagine uma família cristã reunida a noite, entoando cânticos, orando e agradecendo ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó ao redor de uma mesa pelo evento mais extraordinário que já aconteceu: o nascimento de Jesus.   Imaginou?  Agora imagine dezenas de jovens cristãos indo para debaixo de um viaduto em BH para celebrarem o natal com moradores de rua, levando a esperança cristã para estas pessoas. (O evento acontecerá amanhã aqui).  Imaginou novamente? 

Pois então, uma pessoa que vê nisso tudo um evento pagão, simplesmente, já perdeu qualquer capacidade de discernimento, bom senso e graça.  Caiu em um moralismo farisaico, vendo cisco nos olhos dos outros, mas esquecendo o tapume em seu próprio olho.  Gente preocupada com formas, mas que já perdeu completamente o senso de Cristo encheu este nosso mundo de sentido.  Ninguém é obrigado a celebrar o natal, isto não é uma ordenança bíblica.  Mas alegar que um cristão é sincrético, pagão ou hibridista quando o celebra, pra mim, já perdeu completamente o que o natal significa para um cristão educado.  Cristãos celebram o nascimento de Cristo.  A data em si é tão pouco relevante que cristãos coptas e orientais celebram em outras datas diferentes do dia 25/12.  O que importa é o evento que está sendo celebrado: Jesus nasceu e o Verbo se fez carne!

Agora quero demonstrar que o paganismo daqueles que se opõem à celebração cristã do natal é pior do que o suposto paganismo daqueles que o celebram.   Geralmente se opõem ao uso de árvores de natal, símbolos natalinos consagrados pelo tempo, e a própria data da comemoração alegando todo o "mimimi" de paganismo, sincretismo etc.

Não quero defender o simbolismo, sinceramente, isto é pouco relevante.  Mas o que temo é  a satanização de símbolos, datas e costumes, que hoje, assumem significados específicos dentro da cultura cristã.  Esquecem que símbolos não possuem uma "alma", ou estão possessos por um "ânima" ou "stoikeia".  Símbolos recebem sentido comunitário ou cultural.  

Pagãos sacrificavam animais muito antes de Israel existir, mas quando Israel o fazia, o ato tinha outro sentido.  Pagãos possuíam templos e santuários, mas o Santuário de Salomão tinha outro sentido.   Diversas culturas pagãs possuíam sacerdotes, mas o sacerdócio de Israel tinha um sentido muito específico.  E, o que dizer, do termo "Elohim" em hebraico, que era amplamente usado pelo paganismo cananeu e sofreu uma apropriação monoteísta pelos israelitas?  É óbvio que quando Moisés ou Jesus evocavam "Elohim" não evocavam um deus ou deuses pagãos. E, tampouco, quando Sarah chamava Abraão de "baali" (meu senhor) o chamava de "meu Baal".

A atitude de rejeitar símbolos ou datas, só porque, em hipótese, foram utilizados outrora em contextos pagãos com fins não-cristãos, é simplesmente pagã.  Vejam que ironia! 

Símbolos ou datas são apenas símbolos ou datas, cuja atribuição de sentido é dada de forma diversificada dependendo do contexto que os interpreta.  O hexagrama (conhecido como Estrela de Davi) era usado em diversas culturas pagãs, antes da cultura israelita, e daí?  Símbolo é símbolo. Seu sentido é específico dentro de uma cultura específica.  O que dizer das marcas irreparáveis do calendário pagão babilônico no calendário judaico-bíblico?  O que dizer de reis pagãos que ao observarem a posição dos astros, a partir de sua astronomia tradicional, conseguiram prever o nascimento de Jesus em Belém da Judeia?  Deus em sua graça comum, derramou "sementes do Verbo" no mundo, espalhou isso pelas nações.  Ele pode usar um falso-profeta pagão como Balaão, pode usar uma prostituta pagã como Raabe, pode usar um altar pagão, como ao Deus Desconhecido em Atenas, para que sua verdade penetre em ambientes pouco familiarizados com a "linguagem de Sião". 

Neo-judaizantes são muito previsíveis: retórica primitivista, neo-farisaica, cheia de esnobismo cronológico, cheia de purismo histórico.  No afã de erradicar todo "paganismo" da igreja, caem em um paganismo quase-platônico.   Como se fosse possível uma fé supra-histórica.

Finalmente, você tem todo direito de não celebrar o natal, obviamente, a data não é uma ordenança bíblica.  Mas você considerar ou acusar de pagão ou neopagão cristãos reunidos em família para celebrar e agradecer a Deus pelo que João disse: "O Verbo se fez carne e habitou entre nós."  Isto sim é pagão, muito pagão, é a mais pura perda de discernimento histórico e da noção de que Deus deu riquezas às nações, e que o cristianismo teve o poder de redimir seu sentido para Cristo.

Sim!  Celebrarei o natal com minha família, com meus amigos, e os moradores de rua em BH, o farei, pois eu seria muito pagão se entregasse o sentido deste dia para o mercado e o secularismo.
21 de dez de 2015 | By: @igorpensar

O Natal é uma Festa Cristã

O natal é uma celebração cristã. Simples assim. O natal não tem qualquer relação com o paganismo ou com o secularismo. Não é um festa de devotos ao deus sol e tampouco dos devotos ao deus mercado. O natal sempre foi e sempre será uma celebração tradicional cristã cujo significado é simples: nasceu Jesus, e Ele é o Filho de Deus e o Messias (Cristo).

Quais os desdobramentos de tal afirmação? Deus não entregou o mundo à escuridão, confusão ou à melancolia. Significa que apesar de duras contradições e sofrimento, dos quais somos em grande medida responsáveis, tudo pode assumir significado novo desde o dia que o menino judeu envolto em panos apareceu no mundo.

Ele não era somente divindade, por isso, se revestiu da humanidade que salvaria. Também não podia ser só humanidade pois somente a divindade poderia salvá-la. Cristo é portador do mais escandaloso paradoxo: divindade e humanidade em harmonia, como dizia a antiga Fórmula Calcedônia: "Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que nós reconhecemos como existente em duas naturezas, sem confusão, sem mutação e sem divisão."

Deus salva o mundo no paradoxo da encarnação. Nada surpreendente se pensarmos que Deus opera por uma lógica que lhe é peculiar. A lógica divina está mais pra quântica do que para o binarismo de nossa frágil inteligência. Deus não é ilógico, é que ele opera por uma razão que tem critérios próprios.

C.S. Lewis chamou a atenção para esta tensão 'racional' do evento natalino, ao afirmar que a encarnação do Verbo "não é transparente à razão: nós não poderíamos tê-la inventado. Ela não tem a lucidez apriorística suspeita do panteísmo ou da física newtoniana. [...] Se uma mensagem qualquer oriunda das profundezas da realidade quisesse nos atingir, é de esperar que encontrássemos nela essa imprevisibilidade, essa anfractuosidade obstinada e extraordinária que encontramos na fé por nós, e de fato, nem para nós, e que nos é arremessada contra o rosto." (O Problema do Sofrimento).

Definitivamente nenhum ser humano poderia "inventar" a narrativa e o evento natalino, ele vai de encontro a nossa obstinação polarizada entre o misticismo ou o materialismo. A encarnação consegue conciliar transcendência e imanência, céu e terra na pessoa de Jesus Cristo, em um único evento.

Enfim, o natal significa que cristãos insistem em lembrar, ou deveriam fazê-lo, ano após ano, durante milênios que "o Verbo se fez carne e habitou entre nós". Anunciamos e lembramos que Deus se intrometeu em nosso mundo, história e realidade, para inaugurar um novo mundo, uma nova história e uma nova realidade em Jesus. Por isso, o natal não é uma festa pagã de maneira alguma. É uma festa radical, típica e fundamentalmente cristã.

Celebremos com a santa mulher, Maria, mãe de Jesus, que cantou após o menino saltar em seu ventre: "A minha alma engradece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador!".

Desejo a todos um excelente natal cristão!

11 de dez de 2015 | By: @igorpensar

Terrorismo Islâmico: uma tréplica

Raphael Freston levantou algumas objeções a meu texto "Cruzadas e terrorismo são equivalentes?".

Segundo ele, meu texto está "embebido de equívocos", apesar do óbvio exagero retórico, vamos aos "equívocos" que ele levantou:

Segundo Raphael: "A tese inicial do texto é de que o fenômeno histórico das cruzadas não pode ser comparada ao fenômeno jihadista atual. No entanto, ele não chega nem perto de fazer isso, os argumentos simplesmente são irrelevantes para a pergunta que o autor está levantando. Só se pode examinar se as cruzadas e o terrorismo islâmico são equivalentes a partir de uma análise histórica daquele e uma compreensão atual deste. Mas não foi demonstrado o que foram as cruzadas e tampouco explorou isso, destacando que as cruzadas só chega a ser mencionadas no sétimo e último ponto. Também o texto diz pouco sobre as razões dos atuais atos de terrorismo. É afirmado que igualar as cruzadas e o jihadismo atual é "evitar um honesto debate", mas na verdade quem está evitando é o próprio autor."

Realmente, talvez o título do texto em tom de problematização tende “a vender burro por cavalo”, é bem provável, mas explico: o uso do termo "cruzada" foi adotado no contexto dos atentados no Charlie Hedbo.  Por ocasião do evento, como sempre, dentro da efervescência dos debates nas redes sociais, um argumento recorrente era que "cristãos têm telhado de vidro pois também praticaram violência por razões religiosas em sua história".  Claro que nem sempre a coisa vem em tom argumentativo, a coisa vinha em forma de "meme" mesmo, exemplos: KKK=jihad, Cruzadas=jihad, ou ainda, massacre calvinista contra anabatistas=jihad.   Então, justifico, considere o termo "Cruzada" como um "string" (um termo coringa), que por ocasião da publicação do texto, é justificada.  Você pode substituir “cruzadas” aí por KKK ou Inquisição e verá que o argumento central ficará intacto.   Mas, acabou que o texto voltou a ter relevância ante os recentes atentados na França.  Neste caso, no máximo peço desculpa pela falta de contextualização do título, se é isto que objetas, admito, 'mea culpa!'.

Entretanto, vale esclarecer: minha intenção com o texto é confrontar a acusação histórica utilizada desde os iluministas, e atualmente, por progressistas, militantes de minorias, ateístas e neo-ateístas, de que atos de violência empregados por cristãos em nome de sua religião é equivalente ao 'jihadismo literalista' ou o 'terrorismo radical islâmico". 

Meu argumento é simples: toda religião pode cometer abusos, mas qual religião tem elementos ulteriores que podem disciplinar seus disparates?  Ou, ainda, na comparação cristianismo e islamismo, qual tem elementos em sua estrutura religiosa que possa encorajar ou desencorajar a violência?   Estou convencido de que se um cristão fizer o mesmo movimento que primitivistas muçulmanos radicais fazem para justificar a "shaaria" e a "jihad literalista", ele chegará em um lugar diferente destes.

A segunda objeção é a alegação de que caí em um tipo de "a-historicismo"quando recorri ao cristianismo primitivo para demonstrar a ausência de violência religiosa perpetrada por cristãos.  Acho que o Raphael não entendeu.  Explico.
Meu argumento parte ironicamente do seguinte: a interpretação de 'jihad' do ISIS, Al-Qaeda, Boko Haram e grupos similares é uma interpretação wahhabista, ou seja, uma interpretação primitivista.  Propus uma exercício imaginativo, e se, o cristianismo fizesse o mesmo movimento hermenêutico, e se fizesse um retorno 'ad fontes' para descobrir como a igreja na antiguidade lidava com os "inimigos do cristianismo", o que encontraríamos lá?  Com certeza nada equivalente ao islamismo em sua interpretação primitivista.  Ao contrário, o que veríamos certamente seria: Cristo crucificado e cristãos sendo martirizados. E, o islamismo, obviamente, encontrará outra coisa, que o diga o salafismo. 

O ISIS não tem gente ignorante por trás de seu movimento, mas grandes mentes em islamismo wahhabista de ideologia salafi (o próprio termo [salaf] سلف‎ quer diz 'ancestral', percebeu o tom primitivista?).  Eles estão em busca do "verdadeiro" islã, que implica na prática de mimetização de Mohamed, algo que já estava lá no primitivista: Muhammad ibn Abd al-Wahhab (pai do wahhabismo).

Concordo com você de que uma abordagem não-histórica e essencialista é um perigo, o ISIS faz exatamente isto, e não acho que o cristianismo deva fazê-lo.  A propósito, tenho repetido com frequência o erro do esnobismo cronológico e primitivismo anabatista.  Minha questão aqui é outra, como comentei acima, se fizermos a mesma experiência, teríamos resultados diferentes.  Por esta razão a violência em nome de Cristo e violência em nome de Allah não podem ser equalizadas.

Bem, a terceira objeção do Raphael basicamente é que que meu conhecimento de islamismo é precário, que ele acha que eu exagerei em dizer que não há nada equivalente a "amar o inimigo" de Jesus no Alcorão, e que meu texto é superficial.

1) Não tenho conhecimento precário só de islamismo não, tenho de quase tudo, só pra esclarecer.  Mas, já que seu conhecimento sobre o islamismo é melhor do que o meu, a ponto de mensurar a minha precariedade, por que você não fez nenhum objeção direta ao argumento principal que levantei?  Como você lida com intelectuais como Muhammad ibn Abd al-Wahhab?  Podemos chamá-lo de ignorante em islamismo?  Neste caso, temo que a superficialidade não foi só minha, não é verdade?

2) Se acha duvidosa a afirmação de que no Alcorão não tem nada de "amar os seus inimigos", então me mostre uma única "Sura" que trate isto de forma explícita.  Não há!  E, vários ex-muçulmanos se convertem ao cristianismo simplesmente ao ouvirem ou lerem o "ame o seu inimigo", como destaco, um exemplo bem conhecido no ocidente, Mosab Hassan Yousef, filho de um dos fundadores do Hamas que se converteu ao cristianismo.  Já leu o livro O Filho do Hamás?

3) "O texto simplesmente não consegue complexificar o fenômeno" (Raphael), sem dúvida, não é intenção dele, isto daria quase uma dissertação ou um artigo.   A proposta é simplesmente mostrar que a equalização entre terrorismo salafista/wahhabista com as Cruzadas, KKK ou outros "atos violentos em nome do cristianismo" (sem entrar no mérito) não é honesta, só isso.  Acho que neste ponto concordamos.  Estou certo?

Enfim, só levanto um problema: por que será que temos inúmeros testemunhos de gente muito familiarizada com islamismo, que se converteram ao cristianismo, ou que abandonaram o radicalismo, que alegam que muçulmano pacífico (a maioria esmagadora) é simplesmente muçulmano que não conhece islamismo?

Bem, para saciar sua sede sobre a relação cruzadas, cristianismo e islã, indico-lhe uma obra pequena, mas muito bem escrita por um excelente acadêmico em História das Cruzadas, Jonathan Riley-Smith, a obra intitula-se: The Crusades, Christianity and Islam.  Vale a pena ler.
28 de nov de 2015 | By: @igorpensar

O Brasil Precisa da Igreja

Neste momento, talvez, o melhor esforço político a ser feito seja o de lutar por uma igreja que faça jus a sua vocação: ser igreja. Fundada no senhorio de Cristo, sem outros deuses em seu púlpito, a Igreja brilhará a luz da esperança. Uma grande "fábrica" de gente moralmente responsável, sem moralismos. Gente que resiste às tentações do poder pois aprendeu que Cristo tem o monopólio do poder. Gente modesta...

O Brasil grita por capital moral, e infelizmente, instituições ideologicamente cooptadas jamais lograrão êxito em produzi-lo. Lutemos por uma igreja que brilha a luz do Cristo ressuscitado em um mundo assaltado pelas trevas do cinismo, do desespero, da desumanização, da violência e do descaso político.
 
A desmoralização e a picaretagem generalizada em nome de fé devem ser superadas por um espírito cheio de disposição para afirmar o lugar de Cristo na Igreja: no centro. Uma igreja de gente regenerada, mas discipulada por essa verdade. Igreja que forma excelentes cidadãos, funcionários, empregados, administradores, empreendedores, voluntários, servidores públicos, políticos, acadêmicos, comerciantes, médicos, mecânicos, pedreiros, advogados ou militares, simplesmente por serem eles moral e autenticamente cristãos.
 
O Brasil, mais do que nunca, precisa da Igreja. Não esta da bancada evangélica mas esta espancada pelo Evangelho.
26 de nov de 2015 | By: @igorpensar

Diamante na Latinha

Pense em um diamante guardado dentro de uma latinha de refrigerante, largado em um canto qualquer da rua. Por mais que você seja atento ou um bom observador, a riqueza que pode revolucionar sua vida, passará desapercebido. Talvez, você até segure a lata, escute o barulho do diamante, mas suporá que seja uma pequena pedra tão desprezível quanto a lata. Jamais saberá que tem um "Le Bijou du Roi" em seu interior. Você a desprezará entendiado.

Você só dará a atenção devida, se por algum razão, você for informado que naquela lata em particular foi depositado um diamante precioso. Neste momento, você não verá a lata como mera lata, mas como um objeto honrado, e escolhido discreta e intencionalmente para depositar tamanha preciosidade.

O cristianismo sustenta-se em um enigma curioso. Deus depositou sua maior preciosidade, seu Filho Unigênito, para quem o Universo foi criado dentro de um corpo frágil, humano, de um judeu galileu, que viveu até seus 33 anos de idade.

Naquele corpo violentado na cruz, habitou a maior riqueza do universo, toda plenitude, tudo que os homens sempre desejaram. Lá, no escândalo do corpo crucificado, estava a única coisa digna de se sacrificar, de morrer e viver, lá estava Ele, uma fonte de sentido inesgotável. Mas, ainda em um corpo frágil, escondido em um recipiente ordinário, amassado, descascando sua tinta, e aparentemente tão descartável.

Deus depositou sua glória no corpo de Cristo, pois seu conteúdo só poderia ser compreendido por iluminação. Somente os que dão ouvido ao Espírito que fala pelas Escrituras pode vislumbrar tão inestimável depósito. Claro, ainda não vemos a glória deste diamante em todo seu resplendor, mas basta-nos um pequeno brilho, para inferirmos que ali reside um incrível tesouro. O que fazemos? Trocamos esta mísera vida, por este precioso tesouro. Não é possível outra resposta!

Foi isso que Jesus nos ensinou: "O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo." (Jesus -- Evangelho de Mateus 13:44).
11 de nov de 2015 | By: @igorpensar

A Missão de Deus [vídeo]


Reflexão que ministramos na Igreja Batista da Lagoinha na Conferência de Missão sobre o tema "A Missão de Deus" no dia 1º de novembro de 2015.

Antes de qualquer missionário anunciar alguma mensagem, Deus está altamente comprometido com a tarefa de se fazer conhecido e de revelar sua própria glória. Tal missão encontra sua expressão máxima na encarnação de Jesus Cristo, que sopra o Espírito sobre os discípulos, e assim, envia a Igreja.


6 de nov de 2015 | By: @igorpensar

Evite o Devaneio e o Embrutecimento

Criar uma tensão entre doutrina e obras é simplesmente desnecessária e antibíblica. A falta de obras não é por excesso de doutrina, é por falta de disposições morais e afetos atingidos pela graça de Cristo ensinada na doutrina. A ação ao custo do enfraquecimento doutrinário pode resultar em ativismo orgulhoso, pragmático, e por isso, inconsistente com a verdade. Obra sem verdade é fogo estranho, é obra morta, um equivalente de Uzá que tentou segurar a Arca da Aliança. Boa intenção e boas justificativas são insuficientes.

Criar tensões entre a Grande Comissão e o Grande Mandamento é um desserviço, mantenha a distinção, mas não crie tensões. A missão funda-se no oráculo divino, o oráculo divino impulsiona a missão. É fácil perceber a miopia dos que zelam pela doutrina e dos que zelam pela ação: ambos são mutuamente cegos quanto ao que cada um respectivamente defenderia.

A ironia é que o "ortodoxo" que desdenha do "ortoprático" e o "ortoprático" que desdenha do "ortodoxo" são exatamente iguais: orgulhosos. No final, não há nem ortodoxia e nem ortopraxia, há heresia mesmo: quietismo ou legalismo. Parafraseando um dito, que me parece, era de Nietzsche: "Tome cuidado ao lutar contra um monstro para não se tornar como ele."

Evite a distração que embrutece o cérebro por ativismo ou que emburrece as pernas por devaneio.

31 de out de 2015 | By: @igorpensar

Reforma: Cristo e a glória de Deus

Neste abençoado dia, 31 de outubro, em particular, em 1527, Martinho Lutero afixava 95 teses na porta de uma igreja em Wittenberg onde objetava sobre uma série de equívocos que a igreja e a cristandade precisavam corrigir. Não-cristãos e alguns católicos romanos devem olhar com consternação tal ato, interpretando-o como um esforço para dividir uma cristandade fadada ao fracasso ante os desafios de um mundo que tendia a se secularizar. Mas no gesto público daquele frei alemão, havia um zelo autêntico de ver toda cristandade melhor, mais autêntica, e principalmente, mais evangélica, mais cristocêntrica.

E, sempre será assim. Líderes religiosos corrompidos pela fama, dinheiro, poder e popularidade sempre serão ameaçados, ironicamente, pela mensagem radical que o centro da fé cristã é o próprio Cristo, e consequentemente, que toda glória e admiração pertencem exclusivamente a Deus.

Sinceramente, neste dia da reforma, oro junto com meus irmãos, para que Deus erga gente modesta, mas ardentemente comprometida com esta afirmação: que Cristo seja mais uma vez exaltado como o centro da fé cristã. Que o Evangelho (a boa nova) seja proclamado para evangelizar, mas também para refrescar mentes e corações cristãos sobre os grandes feitos de Deus em Jesus. Que toda comunidade chamada evangélica renove mais uma vez seu fascínio, sua alegria e sua fé nos tesouros do Evangelho: regeneração, conversão, justificação, santificação, ressurreição e glorificação. Que descubram o impacto sem precedentes de uma vida curvada diante de Cristo. Que pastores, como eu, se arrependam, se retratem publicamente por oferecerem "pratos de lentilhas" ao invés de entregarem esta mensagem sagrada: Deus está em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo. É tempo de arrependimento, tempo de conversão a Cristo, tempo de vivenciarmos o frescor que não diz respeito ao que fazemos, mas ao que Deus tem feito em Jesus Cristo.

Post Tenebras Lux...

Viva a reforma!
7 de out de 2015 | By: @igorpensar

Confessionalmente Católico

Como ser um cristão evangélico confessionalmente reformado, e ainda, ser católico? Ser católico (universal) é manter-se consciente que se pertence ao que une toda cristandade (claro que não preciso explicar que católico aí não é sinônimo de católico romano). Ou, reconhecer, que cada tradição tem seus tesouros e riquezas que lhe são peculiares, são apropriações do tesouro da grande cristandade. Daí, a necessidade de uma abertura. A melhor forma de fazê-la é localizar-se confessionalmente em uma tradição nuclear de onde é possível navegar entre outras, enriquecendo sua própria confessionalidade. 

Adotando-se tal paradigma, quase uma metodologia, é possível localizar-se na tradição reformada e evitar a idolatria denominacional. Subscrever os símbolos e a tradição, mas resistindo ao sectarismo. Permitir-se dialogar com o anglicanismo, o luteranismo, o metodismo, a ortodoxia oriental, o pentecostalismo clássico e até mesmo com algumas correntes teológicas do catolicismo romano, e perceber-se mais cristão, mais pertencente. Deveríamos aprender a fazer este exercício de enriquecer nossa confessionalidade com a catolicidade.

Eu, como cristão evangélico e reformado, me sinto relativamente confortável em minha tradição, nesta ortodoxia, porém admito: Deus não entregou todas as cores da verdade e do Cristo à tradição que me localizo. E, possivelmente, a nenhuma outra tradição, mas todas desfrutam de aspectos da revelação encarnada que gostaria muito de apreciar.
2 de out de 2015 | By: @igorpensar

Criar: evento da vontade divina

Deus é Pai independente de um mundo criado ou não. A paternidade divina é o que ele é, pois funda-se evidentemente em uma relação dentro da eterna e tríplice pessoalidade de seu amor. Jesus é chamado de Unigênito, por João, por ter sido gerado neste amor antes de haver mundo. Por isso, o cristianismo insiste: "gerado, não criado". Entretanto, a expressão "Criador", que se segue a afirmação de sua paternidade, refere-se a um "evento" a partir de sua natureza. O Deus que não precisava ser Criador para ser Deus, decidiu sê-lo, assim sendo, o mundo como o conhecemos é fruto do arbítrio divino, é resultado de um querer de Deus como Pai.

Deus não precisa de gente para ser Deus, mas como Deus, ele tem vontade, uma que reflita seu amor. Sua vontade amorosa criou um mundo e criou gente. Mais uma vez, devemos reconhecer as implicações profundas da Trindade: tudo é uma dádiva, um dom imerecido, a criação e a existência humana fundam-se no querer divino. Querer dispensável à sua própria natureza que se auto basta, porém, definitivamente reflete sua paternidade e amor. "Seja feita a sua vontade, assim na terra como no céu..."
15 de set de 2015 | By: @igorpensar

Cada um em seu lugar

Quanto mais Cristo torna-se absoluto, mais nos tornamos relativos a Ele. Quanto mais relativos a Cristo nos tornamos mais resistimos qualquer coisa que arrogue absolutividade. Também resistimos tudo que tenta nos relativizar ao invés de Cristo. Pois sabemos que o relativo na medida que orbita ao redor do absoluto torna-se semelhante a ele. Seja Cristo seja qualquer outra coisa. O problema é que Cristo é o absoluto real, todas as outras coisas, por mais que arroguem absolutividade, são igualmente relativas a Ele. Logo, voltemos para Cristo, para que não nos tornemos menos do que deveríamos ser.
1 de set de 2015 | By: @igorpensar

Dar de Tudo que Foi Dado

Mais do que 10%, toda existência!

Este é um ponto sensível, mas fato é que o dízimo era uma contribuição destinada a manutenção do sacerdócio levítico no Templo de Jerusalém. Porém, o princípio contido no Novo Testamento é mais profundo do que 10% dos recursos financeiros, funda-se em um princípio de generosidade que exige toda existência e recursos à serviço de Cristo. Por um motivo simples: Cristo é mais do que qualquer teologia da prosperidade pode oferecer. A partir desta compreensão, o compromisso cristão é com a contribuição e a generosidade irrestrita, sem taxas mínimas ou máximas. A contribuição cristã funda-se não em legalismo ou barganha, tampouco em avareza egoísta, mas em uma vida grata. O cristão não contribui porque quer ganhar algo em troca, ele contribui porque já tem todas as coisas.

Esta é uma reflexão bíblica e pastoral, em que tento ser honesto sobre a contribuição, a generosidade e o compromisso financeiro de cristãos. Não é uma mensagem contra o dízimo, mas contra a avareza e a favor da generosidade.