22/08/2014 | By: @igorpensar

Uma Fé nada Confortável

C.S. Lewis foi muito cuidadoso ao alertar que o cristianismo não é uma religião confortável, e que, obviamente, não era aconselhada para os que querem viver a vida no presente tempo sem desconfortos. Como acho que religiosidade é algo que se discute, devemos reconhecer que existem religiões e versões de cristianismo demasiadamente "fofinhas" um espécie de "religiosidade de pelúcia" (parafraseando o amigo Aender Borba). Indo direto ao ponto: o cristão é chamado a viver uma vida frágil e vulnerável. Fico preocupado com cristãos lutando dia e noite em busca de estabilidade financeira e estrutural, como se a temporalidade fosse um fim em si mesmo. E quando olho pras Escrituras, sempre vejo algo relacionado a "tomar a cruz", "pobre de espírito" e "negar a si mesmo" etc. Então, aviso aos navegantes, que se você foi atingido pela cruz, o único lugar seguro pra você no mundo é o Crucificado. Neste ínterim, saiba que seus projetos de estabilidade sempre estarão ameaçados. Pois confiar energia em tais projetos é construir uma casa sobre a areia, como dizia Jesus. Logo, entenda, que livramentos virão, mas contradições e crises estarão muito presentes. A diferença básica é que se elas acontecerem e se seus velhos ídolos estilhaçarem, sua vida não virará pó junto com eles, precisamente porque sua existência estará construída sobre a Rocha que é o Cristo.
20/08/2014 | By: @igorpensar

Novos Cristãos Nominais

Não tenho dúvida de que o movimento pietista tem seu lugar na história do protestantismo. Mais tarde, as marcas de sua ênfase na conversão pessoal, permearão as diversas tradições cristãs, até mesmo a católica (movimento carismático). Não dá pra lidar com a fé em Cristo de forma apenas cognitiva, impessoal e árida. A ênfase evangélica era uma denúncia ao nominalismo (cristãos nominais), a uma adesão fria e formalista ao Cristo e ao cristianismo. 

Porém, agora, também percebo outra ameaça: novos cristãos nominais, porém, aqueles cheios de trejeitos emocionalistas, que reproduzem uma performance corporal e enfatizam excessivamente a experiência. Nestes casos, acabam se tornando um tipo de cristão místico, etéreo e em busca por um êxtase, um tipo de arrebatamento da realidade. Não poucas vezes, se acham mais cristãos ou mais espirituais do que aqueles de ambientes liturgicamente mais estruturados ou rotulados como "menos expressivos". Também é verdade que comunidades mais tradicionais tem seus ídolos, como Kevin DeYoung observa, entretanto, eles estão em grande desvantagem, se comparados com a grande massa evangélica. Entre estes, e reconheço que há algo no evangelicalismo de extremo valor, há muita gente que vive de chavões, maneirismos e gesticulações, ou seja, querem a performance, mas não querem o conteúdo. 

Minha pergunta então é bem objetiva, a mesma que foi feita por cristãos pietistas no século XVII, ante o formalismo de outrora: são cristãos? Faça perguntas simples sobre doutrinas caras ao protestantismo: o que é justificação? O que é regeneração? O que é a adoção? Como o homem é santificado? Por que Cristo? Por que a cruz? Por que a ressurreição? Por que a mediação de Cristo? O que é a trindade? Faça essas perguntas e você verá um novo nominalismo, só que agora com um pouco mais de coreografia.
13/08/2014 | By: @igorpensar

Reino de Deus e Mandato Cultural



Morte de Eduardo e agora Marina?

Com a recente notícia de falecimento em um acidente aéreo de Eduardo Campos, ex-candidato à presidência da república pelo PSB, uma pergunta dispara imediatamente: Marina Silva poderá ser a candidata suplente pelo partido? Cito na íntegra a Resolução 023405 de 24 DE FEVEREIRO DE 2014, que rege as eleições de 2014:

"Art. 61. É facultado ao partido político ou à coligação substituir candidato que tiver seu registro indeferido, inclusive por inelegibilidade, cancelado ou cassado, ou, ainda, que renunciar ou falecer após o termo final do prazo do registro (Lei nº 9.504/97, art. 13, caput; LC nº 64/90, art. 17; Código Eleitoral, art. 101, § 1º). § 1º A escolha do substituto será feita na forma estabelecida no estatuto do partido político a que pertencer o substituído, devendo o pedido de registro ser requerido até 10 dias contados do fato ou da notificação do partido da decisão judicial que deu origem à substituição (Lei nº 9.504/97, art. 13, § 1º). § 2º A substituição poderá ser requerida até 20 dias antes do pleito, exceto no caso de falecimento, quando poderá ser solicitada mesmo após esse prazo, observado em qualquer hipótese o prazo previsto no parágrafo anterior. § 3º Nas eleições majoritárias, se o candidato for de coligação, a substituição deverá ser feita por decisão da maioria absoluta dos órgãos executivos de direção dos partidos políticos coligados, podendo o substituto ser filiado a qualquer partido dela integrante, desde que o partido político ao qual pertencia o substituído renuncie ao direito de preferência (Lei nº 9.504/97, art. 13, § 2º). § 4º Se ocorrer a substituição de candidatos a cargo majoritário após a geração das tabelas para elaboração da lista de candidatos e preparação das urnas, o substituto concorrerá com o nome, o número e, na urna eletrônica, com a fotografia do substituído, computando-se àquele os votos a este atribuídos. § 5º Na hipótese de substituição, caberá ao partido político e/ou coligação do substituto dar ampla divulgação ao fato para esclarecimento do eleitorado, sem prejuízo da divulgação também por outros candidatos, partidos políticos e/ou coligações e, ainda, pela Justiça Eleitoral, inclusive nas próprias Seções Eleitorais, quando determinado ou autorizado pela autoridade eleitoral competente."

(Grifo nosso)
Tirem suas conclusões!

Acompanhe a conversa aqui:



12/08/2014 | By: @igorpensar

Sacro Sexo

Sexo tornou-se algo muito "poderoso" em nossa cultura. Poucas coisas não fazem alusão ao intercurso humano. A insinuação erótica está presente em muitas esferas da vida. Mesmo coisas sem qualquer relação com a sexualidade, precisam ser acompanhadas de um tempero de erotismo para terem alguma aceitação cultural. Às vezes, fico pensando, que a "chatice" cristã de valorização da castidade, da vida sexual dentro dos limites do matrimônio, seja, de fato, uma antiga sabedoria para proteger algo de elevada beleza. Enfim, ou o sexo é um ato desprezível, o que me nego a aceitar, ou ele é tão sacro que seja digno de uma moldura moral. Se a segunda opção é a correta, deveríamos considerar seriamente valores cristãos que denunciam como pecado: a fornicação, o adultério, a prostituição e o homossexualismo.

Senhorio de Cristo

07/08/2014 | By: @igorpensar

Que inferno!

Seres humanos são obstinados por criar ou desejar um mundo ou uma realidade onde Deus não está lá. Um lugar onde não é preciso dizer "seja feita a tua vontade". Por enquanto, desfrutam de uma vida onde Deus ainda está presente, apesar do esforço coletivo em ignorá-lo. Porém um dia, salvo se não forem alcançados pela graça, terão o que sempre desejaram: uma realidade onde Deus está ausente. A este lugar damos o nome de inferno.

Claustrofobia

É perturbador viver em um mundo onde mulheres são reduzidas a partes de sua existência (lê-se seios e nádegas), homens são reduzidos ao desempenho de uma única relação (aquela de natureza sexual), e nossa cultura é reduzida a um único desejo (o prazer). Honestamente, isto dá claustrofobia. Este mundo é deveras apertado e pequeno demais para nós seres criados à imagem e semelhança de Deus.
05/08/2014 | By: @igorpensar

Curtíssima: Em fuga!

A narrativa bíblica fala de um casal que se envergonhou de sua desobediência a Deus. Adão e Eva se esconderam entre as árvores do jardim, e fizeram vestimentas de folhas de figueira para omitirem sua nudez. O texto já foi ridicularizado pela cultura ocidental, é representado de forma irônica nas mentes e nas artes. Mas, a imagem é profunda. Retrata o ser humano em permanente fuga, e para lidar com este desconforto, ele recorre a artimanhas: folhas de figueira, civilizações, intelectualismo, legalismo, auto-ajuda, hipocrisia, vícios, narcisismo, religiões confortáveis, psicologias de auto-afirmação, tecnologia, consumismo e por aí vai. O ser humano não mudou, continua o mesmo, apenas se tornou um pouco mais sofisticado na arte de se esconder de Deus. #devocional
30/07/2014 | By: @igorpensar

Liberdade e Tirania

Jean Baudrillard enuncia: na era pós-orgíaca, só resta repetição. Isto faz algum sentido. Testaram todos os limites, romperam todos os tabus, só restou post-coital tristesse. Claro, que em mundo de tanta liberdade, o pessoal iria sentir saudades do tempo de outrora. Não me surpreenderia, se diante da voz viril de um patriarca centralizador, a meninada vestida preto corresse como uma gazela saltitante para o curral da tirania. Por estas e outras, que mais uma vez, o evangelho nos educa, nos ensina: se você não se curvar diante do Crucificado, vai se curvar diante de um tirano inevitavelmente.
19/07/2014 | By: @igorpensar

Veritas

McGrath assevera que o termo "verdade" tem um sentido diferente nas Escrituras daquilo que é ensinado pela mentalidade iluminista. Nas escrituras, a "verdade" é uma grande narrativa, não pode ser compreendida fora de um drama pessoal e historicamente situado. A verdade cristã depende de um tipo de confiança existencial que emerge na relação com um Deus que se revela no tempo. Para a mentalidade iluminista, a verdade precisa ser supra-histórica, religiosamente neutra e supra-humana. 

A verdade cristã se encarnou, assumiu a imanência e a temporalidade em Jesus. Ela é pessoalmente encarnada na dramaticidade do tempo e da história. A verdade cristã é uma pessoa, revelada por uma narrativa inspirada e providenciada pelo Espírito Santo nas Escrituras. Verdade infalível e confiável, não por ser uma "verdade" abstrata sem as "contaminações" do tempo e da experiência, como temia o pensamento cartesiano. Sua infalibilidade e confiabilidade são testemunhadas pelo Espírito dos Profetas que ilumina o coração daquele a quem Deus quer se revelar (contribuição de Calvino para a teologia ocidental), uma verdade providencial. Sua verdade torna-se nítida na medida que nos relacionamos com a pessoalidade de Deus em Jesus Cristo. A verdade cristã é teimosamente encarnacional.
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Por Igor Miguel