19/05/2013 | By: @igorpensar

I Simpósio de Educação e Teologia



Domingo de Pentecostes [áudio]

De acordo com o calendário cristão, cinquenta dias após a Páscoa, celebra-se o Dia de Pentecostes.  Abaixo, encontra-se uma breve reflexão sobre o sentido desta data tão importante*.  Neste dia  cristãos rememoram a dádiva do Espírito Santo e a Igreja sendo impulsionada em missão pelo mundo.  Lembremos e busquemos uma vida cheia do Espírito Santo, que testifica a respeito de Cristo e nos capacita a testemunharmo o senhorio de Cristo por todo o mundo.

*O áudio é de uma gravação realizada em 2012.

Você pode ouvir esta ministração na íntegra abaixo ou baixá-la em MP3 e ouvir em seu mp3-player.







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14/05/2013 | By: @igorpensar

Manipulação Pseudo-Pastoral

Infelizmente, alguns púlpitos estão sendo tomados por impostores, lobos vorazes e tiranos.  Sujeitos inescrupulosos que transformam o púlpito em um instrumento de manipulação de massas.  Tais sujeitos ferem o Evangelho e a memória de nossos reformadores, que precisamente se opuseram a este tipo de uso vergonhoso do lugar donde Cristo deveria ser pregado.

O pastor Ed René Kivitz faz uma importante denúncia sobre o uso instrumental do púlpito e do discurso religioso.


13/05/2013 | By: @igorpensar

Entrevista: mamãe Jú



Ontem foi dia das mães, então, em homenagem a estas mulheres virtuosas, fiz uma entrevista com uma mãe pela primeira vez, minha esposa Juliana Miguel.  Testemunho todos os dias sua dedicação e amor por nosso filho João.  Mais do que isto, ela dá conta de ser esposa e aguentar um chato como eu todos os dias, não é mole não rapaziada.  Longe de ser perfeito e idealizado, nosso casamento é como qualquer outro: cheio de contratempos, contas a pagar, nem sempre temos o tempo necessário para cada coisa, mas decidimos permanecer juntos, e ter Jesus como centro absoluto de nossa existência.  E nesta brincadeira, já estamos caminhando para nosso décimo ano de casados (8 de junho), com muita gratidão e evidências concretas que Cristo está conosco, cuidando milagrosamente de cada detalhe de nossa vida.

1. Pra você, o que significa ser mãe?
Ser mãe significa me abdicar de várias outras coisas, servir a alguém tão dependente e frágil, amar incondicionalmente e viver integralmente para o presente que Deus lhe deu.

2. Tem alguma coisa de sua mãe que serviu de inspiração pra você?
Sim. Renúncia dos próprios interesses para cuidar dos filhos, ter prazer em cozinhar.

3. Qual foi a maior novidade pra você na experiência de ser mãe?
Poder olhar para o meu filho e vê-lo como parte de mim e do meu amor Igor.

4.  Você é formada em fonoaudiologia.  Como tem sido a experiência de dedicar-se em tempo integral a um filho e não dividir este tempo com o trabalho formal? Você acha importante dedicar este tempo ao João? 
Acho muito  importante ter o tempo integral para poder me dedicar ao João, preparar sua comida, educá-lo,brincar com ele. Ás vezes sinto falta de me dedicar um tempo ao trabalho formal e também poder contribuir para as finanças do lar, porém preciso deste tempo que é único na minha vida e na vida do meu filho e assim cuidar eu mesma da herança que o Senhor me deu.

5. Qual tem sido a maior dificuldade nesta recente experiência maternal?
Não ter tempo de pensar e cuidar um pouco de mim e dos meus interesses, como ir ao cinema, restaurante, estudar para concursos, mas acredito que há tempo para tudo debaixo dos céus, e este tempo Deus reservou para eu simplesmente ser MÃE!

6. Você vê alguma relação entre "servir a Deus" e "ser mãe"?  Você encara isto como vocação?
Sim, certamente é uma vocação que Deus me confiou e tento fazer da melhor maneira possível.

7. Fale sobre coisas que você nunca percebeu na relação de sua mãe com você, que agora como mãe você percebeu.
Amar incondicionalmente, preocupações com o sono, alimentação, no cair e se machucar, em poder proporcionar uma boa educação e transmitir a fé em Jesus. 

Soli Deo Gloria
26/04/2013 | By: @igorpensar

Defesa Dissertação do Mestrado

Prezados leitores,

Este é um convite aberto a todos que queiram comparecer à defesa de minha dissertação de mestrado, que acontecerá no dia 5/6 no prédio da Administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP).   Maiores informações sobre horário e local pode ser acessado aqui: http://www.pos.fflch.usp.br/node/38905

Tema:
Mischlei e Mediação Educacional: uma análise pedagógica de Provérbios de Salomão

Orientador:
Profa. Dra. Ana Szpiczkowski

Banca:
Profs. Drs. Reginaldo Gomes de Araújo (FFLCH - USP) e Mitsuko Aparecida Makino Antunes (PUC-SP).


Abraços,
Igor Miguel





17/04/2013 | By: @igorpensar

Evangelho na Perifa

 Por Igor Miguel


Sou educador e lido com crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade social todos os dias úteis há quase três anos.  Dentre muitas coisas que aprendemos sobre a periferia, como o tráfico, a violência, a pobreza e o abuso, também aprendemos sobre como a visão de Deus, a religião e a fé são temas muito presentes nestes contextos.

Todos que já trabalharam como voluntários ou educadores em comunidades deste perfil, já perceberam o número impressionante de crianças e adolescentes que se afirmam cristãos evangélicos.  Porém, algo que já percebia nas comunidades evangélicas de classe média, acabei encontrando, com um pouco mais de expressividade, dentre estes de aglomerados e complexos da Grande Belo Horizonte.

Nitidamente, comecei a perceber um tipo de evangelicalismo placebo, algo bem comum e familiar a todos nós: aquele tipo de crente que tem um linguajar peculiar, reproduz determinadas expressões e trejeitos muito comuns na maioria das igreja evangélicas.   É predominante, em tais meios, um tipo de visão de mundo afetado por demônios, batalhas espirituais, com tempero de teologia da prosperidade e uma pitada de auto-ajuda e por aí vai.

Se a coisa anda meio complicada nas comunidades centrais, nas periféricas vemos a face mais sombria disso tudo.  Lá, eles reproduzem o que algumas igrejas centrais produzem, porém, muito mais estereotipado, chega ser meio trash e perturbador.

Mas, Igor, você está sendo um pouco intolerante, não?  Que nada, agora que vou mostrar minha verdadeira intolerância.  Então segura negada!

Pois é, o lance é o seguinte, o que vejo nestas comunidades é algo muito mais sombrio.  Vejo uma igreja evangélica “desevangelizada”.  Simplesmente, não há evangelho lá.  Há uma outra coisa, um teatro, um tipo de emocionalismo de massa travestido de linguagem gospel.  E sinceramente, acho tudo isso aterrorizante, sombrio e alarmante.

Um dia, fui convidado para falar a respeito da páscoa para um grupo de crianças e adolescentes de um determinado aglomerado.  Então lá fui eu.  Preparei um vídeo, na verdade um animê, que reproduz a crucificação na perspectiva do “ladrão da cruz”, que se converteu.  Mas antes de exibi-lo, quis introduzir a temática da páscoa, crucificação e ressurreição.  Caí na boa “besteira” de fazer algumas perguntas para curto-circuitar cérebros e espíritos cativos de uma mistura de “eu quero tchu, eu quero tcha” com “muda toda mexe com minha estrutura".

Primeiro lhes perguntei como uma pessoa poderia ser aceita por Deus, a resposta foi quase unânime, com poucas variações: uma pessoa é aceita por Deus quando cumpre seus mandamentos, quando lhe obedece.  Claro que a esta altura, fiz inúmeras conexões sócio-religiosas e doutrinárias.  Ali estava eu, testemunhando o tipo de evangelho moralista que domina a periferia, mas que também, é uma reprodução da teologia das igrejas ditas “centrais”.  Então, tive a coragem de fazer uma pergunta, que só confirmaria o que já sabia por intuição: quantos deles frequentavam alguma igreja evangélica?  Maldito empirismo!  Claro, os dados estavam diante de mim, todas as mãos, dos quase vinte, levantadas.  Pasmem, eles não são católicos, são evangélicos!  Nominais, é claro, em sua maioria esmagadora.  Ué?  Existe isso entre evangélicos?  Agora existe meu filho.

Claro, aproveitei a oportunidade, e disparei uma pergunta básica: Se somos aceitos por Deus pelo que fazemos, então qual é o valor do que Jesus fez?  Por que precisamos de Jesus Cristo?  Por que Ele morreu na cruz?  A esta altura, ouve-se aquele barulhinho do “Windows” quando dá um erro... “fam!”.   Pois é, quase ouvi os grilos... então, o silêncio foi interrompido com um corajoso que disse: Ele morreu para perdoar nossos pecados.  Síntese?  Tá bom.

Vamos esclarecer as coisas.  O negócio é o seguinte, você se chega a Deus pelo que você faz ou deixa de fazer. Beleza, uma religião moralista bonitinha.  Aí, quando você pisa na bola, corre pra Jesus e pede o perdão pelo sangue dele.  Depois que você é perdoado, lá vai o crente, mais uma vez, tentando fazer tudo bonitinho, e como em um círculo vicioso, ele vai fracassar, e pronto, sente-se mais uma vez dentro do inferno.   Este é o evangelho da “perifa”, mas também das “centrais”.  Das igrejas dos aglomerados, é verdade, mas também das de classe média.  Uma bela religião de formalismos, aparências, linguagens sem conteúdo, frases reproduzidas e toda esta tranqueira adornada com um adesivo do tipo “Deus é fiel!”.  Uma frase de efeito desprovida de qualquer conteúdo para as pessoas que a ostentam.

Então, tive que abrir o jogo, e comecei a anunciar o evangelho e comecei afirmando: todos nós nos chegamos a Deus por um único mediador, Jesus Cristo.  O que Deus fez ao enviar o seu Filho é gigantesco, e não há nada que possamos fazer, que impressione a Deus mais do que Jesus crucificado.  Nem um de nós pode fazer o que Jesus fez.  Deus só aceita uma obra e uma obediência no universo: aquela que seu filho Jesus Cristo realizou.  Logo, se você quer impressionar a Deus pelo que você faz, já é hora de desistir.  Deus já está impressionado e seus olhos estão fixos e uma única coisa: a obediência de Cristo.  Se você quer ser aceito por Deus, corra pra Jesus!  Abrace a obra de Jesus, e finalmente, acredite que tudo que Ele fez foi suficiente.  Não só para te perdoar, mas para te colocar diante de Deus como filho, igual a Ele.  Somente assim, você receberá o dom do Espírito Santo e terá as condições para obedecer a Deus.  Não movido por algum medo, mas por pura gratidão e vontade de servi-lo.  Certamente, você ainda pecará, mas sentirá repulsa pelo pecado.  Afinal, agora você é filho de Deus, você nasceu de novo, já está salvo, já foi aceito por Deus e o pecado será algo que não lhe pertence mais. 

Então, soltei o desenho da crucificação.  No final, só ouvi as fungadas, crianças esfregando os olhos, e finalmente, fiz uma oração com eles.  Solicitei, que só orassem aqueles que realmente acreditavam  que de fato Jesus Cristo é a única obediência e obra aceita por Deus, e que só há um jeito de uma pessoa ser aceita  por Ele: crer em Jesus, dar crédito à sua obediência.  A questão não é aceitar Jesus, é ser aceito por Deus em Jesus.

Conclusão?  Muitos ditos evangélicos, nunca foram evangelizados.  Muitos que sabem de cor as canções pop do meio evangélico, não sabem o que significa a cruz, Jesus, o Evangelho em todas as suas implicações.  Muita gente vive um tipo de religião moralista, baseada em obras pessoais, e ainda acreditam, em um “jezuizinho”, que só serve pra perdoar pecados eventuais em uma fracassada tentativa de atrair a atenção de Deus por “obras legalistas”.   Definitivamente,  evangélicos centrais e periféricos, precisam ser evangelizados.  Pode acreditar!  Quem sabe assim, os centrais sejam evangelizados pela periferia. Porque o contrário, até agora, não funcionou.
13/04/2013 | By: @igorpensar

Breve Caminhada

Por Igor Miguel

"...como estrangeiros e peregrinos no mundo..." I Pe 2:1

Peregrinação: do latim per agros, literalmente 'andar pelos campos'

Quando eu era criança, costumava deitar no chão cimentado da minha casa e olhar para o céu limpo.  Com os olhos fixos no infinito azul, me perguntava: – Será que Deus mora depois do azul?  Claro que aquele era o “grande” de uma criança, Deus não podia ser contido por algo tão limitado.  Mera filosofia infantil certamente, mas nem por isso menos consciente.  Se tudo que eu via era enorme, aquele que o criou deveria ser muito maior.  Se Deus existe, talvez eu o encontraria na infinitude, na enormidade e no mistério, talvez, depois disto tudo, ele estaria lá me esperando.  Irresistível e fascinante atração.

Em outros momentos, minhas reflexões e experiências com lupas, provocavam minha curiosidade a respeito da complexidade das coisas pequenas: formigas e pequenos insetos.  Claro que as estrelas e o escuro do céu à noite me fascinavam, mas como coisas tão insignificantes podiam ser tão sofisticadas, pensava.  Qual é o limite da pequenez?

Adorava ir à praia com uma máscara de mergulho e ver aquilo que parecia um universo paralelo: peixes, algas, ouriços, pedras, conchas e estrelas do mar, aquilo que a maioria das pessoas simplesmente ignora. Eu, com aquele simples dispositivo, me sentia alguém solitário contemplando peixes bailando como em uma coreografia harmoniosa.  O fundo do mar parece outra dimensão.

Na minha juventude, tinha medo de compartilhar minhas curiosidades, dúvidas e impressões.  Lá estava eu capturado pelo sensus divinitatis (senso da divindade), diante de um Deus que se exibe de forma estonteante.  Mas, paralelo ao fascínio, lá ia eu à escola, lugar da razão rigorosa, da lógica implacável e das explicações causais.  Tudo que era misterioso, tornou-se explicável, tudo que era belo, reduziu-se a números, frequência de luz, amido e partículas atômicas.  O único mistério que não podia ser domado por tais categorias era o amor, infelizmente, cativo pela banalização erotizante de nossa era.  O amor e o sexo pareciam fascinantes, pois me pareciam possuidores de alguma pulsão transcendente, mas se misturavam com a banalidade e as piadinhas de corredor de escola.  Até mesmo, o que me sobrara de misterioso e sacro, agora era profanado por uma cultura que adorava transgredir.

No meu mundo, pouca coisa de sagrado sobrara, apenas na Igreja, esperava encontrar algo de santo.  Lá, pessoas choravam diante do sagrado, as senhoras oravam fervorosamente, os cânticos e pregadores contagiavam corações com as narrativas bíblicas.  Aquele texto sagrado devolvera meu fascínio por Deus.  Moisés fala com Deus, os reis recebem profetas, anjos se encontram com homens, Deus se faz carne e cura cegos, paralíticos e confronta os demônios.  E mais tarde, em Apocalipse, encontram-se bestas, guerras celestiais e um Cristo vitorioso montado em um cavalo branco.  Livro fascinante este que chamam de Bíblia.

Na vida comunitária, olhava para os mais piedosos e para minha própria vida, e vivia naquela tensão interna, entre a hipocrisia e a mera reprodução da piedade.  Queria ser como aquele “irmão consagrado”, mas me faltavam recursos, a máxima paulina era insistente: eu quero fazer, mas não faço.  Até que enfim, se ergueu Cristo.

Cristo se levantou de forma incrível, fui tomado de consciência.  Jesus não me acusou de nada, eu mesmo pude ver minhas sujeiras mais profundas a partir da luz que dele emanou.  Eu andava em trevas, mas nele vi graça e verdade.  Com as mãos estendidas, não tive medo, me levantei, em lágrimas, torrentes, mas me levantei.   Por um instante, ali estava meu Senhor e meu Deus, não era uma visão, não era um sonho, nem imaginação, não era um presença empírica.  Era a narrativa de Cristo, era o Cristo ressuscitado, contado pelas Escrituras, preservado pelos mártires, anunciado pelo pregadores.  Seu Evangelho me atingiu em cheio.  Não pude resistir.  Quem ousaria resistir?

Diante do espetáculo de amor tão penetrante, só me restou uma modesta afirmação, que brotava dos lugares mais profundos da minha existência, eu simplesmente disse: – Eu creio!   Fui tomado de alegria, de plenitude, uma vontade de me entregar a tudo aquilo, deixando tudo para trás.  Eu só queria ser acolhido por aquela presença.  Quase lhe fiz uma tenda, reproduzindo a vontade dos discípulos na transfiguração.

Decidi, desde então, construir todas as minhas ações e vida, sob o Cristo inabalável, sobre a Rocha, e não na areia móvel.  Por um tempo, me aventurei, por ignorância e orgulho, em me afastar dele, tentei encontrar sentido em algo que não fosse apenas Cristo, quase fui absorvido pela mentira e a ilusão.  Mas, a aparição do pastor atrás de sua ovelha perdida, novamente, me trouxe à épocas áureas de gratidão e arrependimento.  Como o filho pródigo, corri ao encontro daquele que me chamou outrora.

Finalmente, nesta caminhada, desfrutei da verdade que Jesus e os apóstolos ensinaram:  não há nada estável no universo, tudo é volátil e fluido.  Cristo é a única coisa que se pode lançar irrestrita confiança e crédito.  Toda vitalidade e alegria procedem de uma fé resignada e insistente em Jesus.  Como ele disse:
“Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior, fluirão rios de águas vivas.” (Jo 7:38).  
E não pense que Jesus é um gênio da lâmpada que realiza todos os seus desejos idólatras.  Ele não é um ídolo ou fantoche que obedece seus caprichos religiosos.  Ele é indomável, quase selvagem, como diria C.S. Lewis.  Jesus faz o que apraz ao Pai, e nós aprendemos a tratar nossos interesses privados à boa, perfeita e agradável vontade de Deus.  Finalmente, aprende-se que liberdade autêntica só é possível nos domínios do Deus que se revela em Jesus Cristo.  Uma liberdade que se traduz na oração que o Senhor nos ensinou: “Seja feita a tua vontade!”.

Soli Deo Gloria
02/04/2013 | By: @igorpensar

Páscoa e Paixão de Cristo [entrevista]

Prezados leitores,

Compartilhamos a entrevista que demos ao programa "Opinião Minas" da TV Rede Minas, em que falamos sobre o evento pascal da crucificação de Cristo.  Por favor, compartilhe.


25/03/2013 | By: @igorpensar

Páscoa: vencido e vencendo

Por Igor Miguel

A raiz da palavra hebraica para Páscoa* quer dizer "passar sobre".  Uma referência à passagem do anjo sobre o Egito, ferindo os primogênitos.  Páscoa é uma celebração importante, até hoje faz parte do calendário judaico e cristão.   Porém, entre cristãos, ela teve seu sentido dirigido ao evento da crucificação, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo.


As conexões são fortes.  Jesus é identificado no Novo Testamento e na tradição cristã como o "Cordeiro de Deus" ou Agnus Dei, uma referência ao cordeiro que era sacrificado durante a páscoa israelita.   Jesus Cristo se torna o inocente "cordeiro sem defeito de um ano" (Ex 12) que foi entregue pela libertação do povo.  Como foi dito pelo sacerdote Caifás: "Vos convém que morra um só homem pelo povo e que não venha a perecer toda a nação" (Jo 11:50), uma frase ambígua, que acabou se tornando uma profecia.


Não sei se algum dos leitores já viu o abate de um cordeiro.  Eu já vi.  Também já vi o abate de porcos uma vez.  E a diferença é impressionante.  Porcos lutam para não morrer, gritam e esperneiam.  Já cordeiros, ficam em absoluto silêncio.  Na ocasião, parecia que o cordeiro já sabia que iria morrer.  Parecia que ele estava pronto para seu destino.  Entendi a frase bíblica: "como ovelha muda perante seus tosquiadores" (Is 53:7).  O cordeiro fica absolutamente mudo.  O corte na jugular é definitivo e ele se entrega passivamente à morte.

Muitas pessoas podem alegar que nós cristãos nos gloriamos de uma coisa feia: a crucificação.  Aquilo ali não pode ser considerado um triunfo, mas uma derrota radical, alguns poderiam alegar.  Vaias, cusparadas, navalhadas, nudez, cravos e coroa de espinho.  O Filho de Davi não está no trono, está na cruz.  Como diria o hino clássico: "um emblema de vergonha e dor".

Na cruz e no esvaziamento, Deus estava anunciando que Ele, mesmo em sua fraqueza, é mais forte do que todos os poderosos deste século.  Cristo triunfou sobre o mal absoluto, não há mal no mundo comparado à morte inocente de Cristo.  Ele não era um simples homem, era o Filho de Deus, gerado de seu amor desde a eternidade.  E agora, lá estava ele, o mais inocente, puro e justo dentre todos no universo, exposto e vítima de nossa corrupção e maldade.  E, um pequeno e grande detalhe: fez tudo aquilo por puro amor incondicional. Ele amou os que o repudiavam.

Compartilho esta reflexão pascal com os seguintes ditos do saudoso John Stott em sua obra "A Cruz de Cristo":
O que parece (e deveras foi) a derrota do bem pelo mal, também é, e mais certamente, a derrota do mal pelo bem. Vencido, ele estava vencendo. Esmagado pelo poder inflexível de Roma, ele mesmo estava esmagando a cabeça da serpente (Gênesis 3:15). A vítima era o vencedor, e a cruz ainda é o trono do qual ele governa o mundo.
Uma boa reflexão e um edificante tempo pascal.
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* פסח [pêsakh]
22/03/2013 | By: @igorpensar

Jesus e o Poder [áudio]

 
A história da humanidade vem sendo marcada por disputas de poder.  Somos fascinados com a possibilidade de sermos "autônomos" e de "brincarmos de deuses".  A narrativa Bíblia afirmará que todo poder pertence a Deus.  Porém, quando Deus entra na história por meio de Jesus Cristo, como ele exibe seu poder?  Em absoluta fraqueza. Assim, Deus mostra aos homens que aquele que tem o verdadeiro poder, até em sua fraqueza, é mais poderoso do que o mais poderoso entre os homens.  Desta forma, Deus restitui a dignidade e a posição original de Adão, porém, por meio do "segundo Adão", Jesus (Rm 5).  A cruz é um golpe frontal em nossas pretensões humanas.  Denúncia e a vitória concentram-se no evento páscoa.  A paixão se torna uma demonstração universal de quem Deus é quem nós somos.

Você pode ouvir esta ministração na íntegra abaixo ou baixá-la em MP3 e ouvir em seu mp3-player.







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17/03/2013 | By: @igorpensar

Bento XVI: ortodoxia e missão

Por Igor Miguel

Li algumas palavras do gigante da teologia reformada Herman Bavinck (1854-1921).  Ele fez importantes críticas ao catolicismo romano, principalmente naqueles pontos divergentes com a fé reformada.  Ainda assim, ele insistia que cristãos reformados não podem se esquecer que o catolicismo romano ainda é cristianismo, e que devemos estar atentos, em termos teológicos, ao que é produzido por eles:

"Protestantes são muitas vezes menos conscientes do que eles tem em comum com Roma, do que aquilo que os separa." (Bavinck apud Wit, 2011, p. 47).
Nestes tempos de especulações a respeito da declaração de renúncia do atual papa Bento XVI, e expectativas conservadoras à respeito da eleição do atual Papa Francisco I, achei uma pérola que fornece muitos "insights" quanto às tensões, que nós cristãos protestantes nos deparamos na missão. 

Refiro-me ao conceito de "missão integral"Sabe-se da frase clássica que está associada ao Movimento de Lausanne: "Cristo todo, para o homem todo."  A "missão integral" considera que a mensagem do Evangelho não tem implicação meramente individual, mas afeta a vida como um todo, incluindo a cultura, a vida e a sociedade.  Quando se retoma a grandeza da missão nestes termos, a expressão "missão integral" se torna um oximoro, afinal é inerente à missão sua integralidadeCristo inaugurou uma nova humanidade nele, e os que se ligam a ele desfrutam dos sinais antecipatórios de uma vida integralmente renovada.
 
Comumente se faz uma separação entre "missão integral" e "ortodoxia doutrinária".  Em parte, isto se deve à influência da "Teologia Latina", uma versão da Teologia da Libertação [alguns não concordarão] entre alguns protestantes da Ibero-América, engajados na missão integral.  Por este motivo, é muito comum a associação imprecisa entre "missão integral"  e "marxismo".  Por outro lado, há os que defendem que é possível fazer missão integral sem a ideologia revolucionária [estou entre estes].  

Uma das produções mais relevantes em língua portuguesa no sentido de integrar ortodoxia doutrinária e missão foi a revisão de Lausanne  realizada por Guilherme de Carvalho¹ no livro "Fé Cristã e Cultura"²A proposta é que a Missão Integral não pode ser orientada por uma teologia minimalista, antes deve se basear em uma clara posição doutrinária.  A propósito, foi exatamente este "minimalismo" que abriu o precedente para a penetração de uma mentalidade esquerdista na recente missiologia protestante.

Mas, então, qual é a tradição dentro da fé cristã reformada que poderia fornecer uma alternativa que integre "ortodoxia" e "missiologia"?  Um caminho possível seria aquele que se encontra na tradição neo-calvinista, associada ao nome de Abraham Kuyper (1837-1920).  Como este é um tema cuja discussão já é tratada no capítulo do livro mencionado, sugiro aos interessados que o consulte.


De fato, não é só a Missão Integral entre evangélicos que sofre esta tensão interna, o mesmo vem sendo experimentado entre católicos há alguns anos.  Em termos gerais, há uma polaridade entre católicos socialmente engajados e aqueles conservadoramente ortodoxos.   O primeiro grupo alega que o segundo é insensível à pobreza e ao sofrimento dos oprimidos, já os últimos, afirmam que os primeiros abraçaram uma ideologia não-cristã para fundamentar sua missão.

A propósito, muitos sabem das antigas tensões teológicas entre o Papa Bento XVI, na ocasião Joseph Ratzinger cardeal e prefeito da Congregação pela Doutrina da Fé, e Leonardo Boff, este expoente da Teologia da Libertação.  Como resultado, Ratzinger elaborou um importante documento, publicado em 6 de agosto de 1984, intitulado: Instruções sobre alguns aspectos da "Teologia da Libertação".


Confesso, que em termos gerais, o texto do documento apresenta importantes contrapontos teológicos àquela teologia conhecida como "da libertação".  E fiquei pensando como poderia ser útil considerar os argumento no texto para o enriquecimento do debate "missão" e "ortodoxia", também no contexto protestante, mesmo sabendo que este não era o propósito de Ratzinger.   Penso isto, pois em geral, os mesmos problemas encontrados na teologia da Missão Integral de inclinação marxista são aqueles da Teologia da Libertação.

Compartilho uma das sentenças encontrada na conclusão do documento de Bento XVI:
"A preocupação pela pureza da fé não subsiste sem a preocupação de dar a resposta de um testemunho eficaz de serviço ao próximo e, em especial, ao pobre e ao oprimido, através de uma vida teologal integral."
A conclusão emerge de um argumento simples:  o cristianismo sempre foi, desde a era apostólica, sensível aos menos favorecidos.  O cristianismo foi responsável por grandes instituições de acolhimento e restituição da dignidade humana.  Creches, escolas, hospitais e orfanatos estão entre as diversas instituições fundadas por cristãos, sejam católicos ou protestantes.  Para ele, não é necessário recorrer a uma ideologia não-cristã, baseada no mito do progresso, em uma visão ingênua do homem, na libertação pela violência, o dogma da luta de classes, e claro, na negação de Deus, para orientar a tarefa cristã aos menos privilegiados. Aceitar algum tipo de marxismo envolveria a relativização de aspectos doutrinários caros ao cristianismo.   A solução seria retomar a antiga sensibilidade cristã à injustiça, e assim, não abrir mão da fé cristã ortodoxa.

Enfim penso que o atual Papa Francisco I, segue mais ou menos a mesma orientação:  cuidado com os pobres e oprimidos (parte do ethos franciscano, não obstante ser ele jesuíta), sem a tentação do progressismo-liberal.  Há uma esforço ulterior no sentido de integrar ambas facetas (missão e a ortodoxia*) da fé cristã .  Evangélicos engajados na tarefa junto aos menos favorecidos, como eu e outros, sentem o mesmo problema.  E devemos tomar o mesmo cuidado.   Afinal, quando um cristão ama um pobre autenticamente, a glória não pode ser de Marx, mas  de Cristo. Ao menos, é isto que aprendemos quando olhamos, mesmo que timidamente, para a longa história do cristianismo.



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*Claro que o que chamo de ortodoxia aqui, são aqueles pontos convergentes entre a ortodoxia católica romana e protestante.   Principalmente aqueles que ferem profundamente a ética judaico-cristã.


Referências

Wit, Willen J. On the Way to the Living God : a cathartic reading of Herman Bavinck and An Invitation to Overcome the Plausibility Crisis of ChristianityAmsterdã: VU University Press, 2011.