12/09/2014 | By: @igorpensar

Racismo é Anti-Cristão

Racismo é moralmente anti-cristão pois fere o princípio bíblico da universalidade da dignidade humana, pois afinal, todos procedem de uma única criação e um único evento de amor em Deus. Nicholas Wolterstorff é muito competente em demonstrar a singularidade da tradição judaico-cristã, em sustentar que todos os homens foram criados iguais, como seres à imagem e semelhança de Deus. Sem esta referência, direitos humanos universais seriam impensáveis. Ainda, o racismo fere o princípio bíblico de que Deus move-se na história para salvar todos os povos, línguas e nações. 

Na biografia do patriarca Abraão encontra-se este promessa, e ela permeia toda narrativa do Antigo Testamento, passa pelos profetas, e está na narrativa de Jonas, que tem que renunciar seu etnocentrismo para ir aos ninivitas. Em Jesus, um centurião romano, uma mulher fenícia, outra samaritana, gregos e publicanos são acolhidos. Na cruz, a inimizade é superada, a barreira de separação entre judeus e gentios é derrubada. E mais uma vez, a história sintetiza a vocação universal do cristianismo em acolher todo tipo de gente, e de fato, sua beleza está em sua capacidade de acolher toda diversidade cultural e étnica. E o mais incrível, na doutrina da adoção, na filiação obtida pela graça, a diversidade torna-se em indissolúvel unidade no Filho de Deus. 

Um novo Adão emerge de Cristo, uma nova humanidade. Logo, não há nada mais inconsistente em um coração dito "cristão" do que o racismo, o etnocentrismo, xenofobia ou exclusão de alguma natureza. Isto é uma afronta à unidade e a diversidade que são inerentes à natureza uni-trinitária de Deus.
09/09/2014 | By: @igorpensar

Apatia Evangelizadora

A apatia evangelizadora é fruto de uma apatia diante do Evangelho mesmo. Uma falta de reação diante do amor. A única reação ao amor de Deus que nos foi revelado em Cristo é amar. Amar não é uma espécie de experiência emocionalista, é uma pulsão graciosa que nasce de um amor evento, refiro-me à encarnação e à cruz.

O esvaziamento de Cristo, na encarnação, tem implicações missiológicas absurdas. Não há missão sem amor, não há amor sem renúncia, e não há missão sem encarnação. Se Deus se revestiu de nossa humanidade para nos salvar, pelo amor que desfrutamos em Cristo deveríamos nos revestir de avassaladora compaixão. Compaixão que fez Jesus chorar por uma cidade (Jerusalém). Compaixão que fez Paulo perambular por Atenas. Compaixão que nos faz estudar e nos compadecer da cidade, para nela, manifestarmos os benefícios da graça de Deus reveladas em Cristo Jesus.

Evangelizar não é um proselitismo legalista baseado no constrangimento, é comunicar que Deus está amando pecadores dignos de sua indignação. Porém, se este evangelho não alcançou o coração de um "cristão", obviamente, ele nunca evangelizará. Pois o que faz homens e mulheres darem um salto na missão é que foram feridos pelo Evangelho (o amor), por isso, não têm outra opção, amam ardentemente aquele que os salvou, por isso evangelizam.
27/08/2014 | By: @igorpensar

Eleição: opções, ações e intenções

Claro que os fins não justificam os meios. Mas ainda é possível dizer se um determinado "fim" teve efeitos benéficos ou não. Uma pessoa que ajuda um morador de rua doando-lhe um cobertor em uma noite fria, ainda que o faça por motivos moralistas ou procurando alívio para sua consciência, faz uma ação social e objetivamente boa, apesar de essencialmente comprometida. Quando Ciro, liberou os israelitas a retornarem para Jerusalém durante o exílio, não o fez baseado em pressupostos piedosos, ele era pagão. Ainda assim, chamado de "ungido". Os poderes ainda são constituídos por Deus. Nestes termos, não acho suficiente, o que não significa que não seja fundamental, adotar a moldura ideológica como único critério para se votar em alguém. 

Se um candidato tem como matriz ideológica o marxismo, paradigma que tenho reservas por "n" motivos, e propõe um plano de ação que favorecerá a justiça pública, o ordenamento social e a proteção da dignidade humana, devo considerar seriamente que este sujeito seja digno do meu voto. Logo, o critério ideológico, principalmente na atual conjuntura política, não pode ser o ÚNICO critério, ele parece demasiadamente insuficiente. Associado a ele, parece plausível considerar o que mencionei acima: a competência e as intenções objetivas em relação à vida em sociedade. 

Um marxista pode se engajar em questões públicas melhor do que muita gente liberal, ainda que por razões altamente questionáveis. Da mesma forma, um liberal pode fazer coisas que são de alta relevância pública, ainda que, por razões igualmente questionáveis. Assim, não deixe que o critério ideológico seja o único instrumento de análise de um candidato, leia sua plataforma de ação, considere seu histórico e ore pedindo a Deus sabedoria neste momento tão importante.
22/08/2014 | By: @igorpensar

Uma Fé nada Confortável

C.S. Lewis foi muito cuidadoso ao alertar que o cristianismo não é uma religião confortável, e que, obviamente, não era aconselhada para os que querem viver a vida no presente tempo sem desconfortos. Como acho que religiosidade é algo que se discute, devemos reconhecer que existem religiões e versões de cristianismo demasiadamente "fofinhas" um espécie de "religiosidade de pelúcia" (parafraseando o amigo Aender Borba). Indo direto ao ponto: o cristão é chamado a viver uma vida frágil e vulnerável. Fico preocupado com cristãos lutando dia e noite em busca de estabilidade financeira e estrutural, como se a temporalidade fosse um fim em si mesmo. E quando olho pras Escrituras, sempre vejo algo relacionado a "tomar a cruz", "pobre de espírito" e "negar a si mesmo" etc. Então, aviso aos navegantes, que se você foi atingido pela cruz, o único lugar seguro pra você no mundo é o Crucificado. Neste ínterim, saiba que seus projetos de estabilidade sempre estarão ameaçados. Pois confiar energia em tais projetos é construir uma casa sobre a areia, como dizia Jesus. Logo, entenda, que livramentos virão, mas contradições e crises estarão muito presentes. A diferença básica é que se elas acontecerem e se seus velhos ídolos estilhaçarem, sua vida não virará pó junto com eles, precisamente porque sua existência estará construída sobre a Rocha que é o Cristo.
20/08/2014 | By: @igorpensar

Novos Cristãos Nominais

Não tenho dúvida de que o movimento pietista tem seu lugar na história do protestantismo. Mais tarde, as marcas de sua ênfase na conversão pessoal, permearão as diversas tradições cristãs, até mesmo a católica (movimento carismático). Não dá pra lidar com a fé em Cristo de forma apenas cognitiva, impessoal e árida. A ênfase evangélica era uma denúncia ao nominalismo (cristãos nominais), a uma adesão fria e formalista ao Cristo e ao cristianismo. 

Porém, agora, também percebo outra ameaça: novos cristãos nominais, porém, aqueles cheios de trejeitos emocionalistas, que reproduzem uma performance corporal e enfatizam excessivamente a experiência. Nestes casos, acabam se tornando um tipo de cristão místico, etéreo e em busca por um êxtase, um tipo de arrebatamento da realidade. Não poucas vezes, se acham mais cristãos ou mais espirituais do que aqueles de ambientes liturgicamente mais estruturados ou rotulados como "menos expressivos". Também é verdade que comunidades mais tradicionais tem seus ídolos, como Kevin DeYoung observa, entretanto, eles estão em grande desvantagem, se comparados com a grande massa evangélica. Entre estes, e reconheço que há algo no evangelicalismo de extremo valor, há muita gente que vive de chavões, maneirismos e gesticulações, ou seja, querem a performance, mas não querem o conteúdo. 

Minha pergunta então é bem objetiva, a mesma que foi feita por cristãos pietistas no século XVII, ante o formalismo de outrora: são cristãos? Faça perguntas simples sobre doutrinas caras ao protestantismo: o que é justificação? O que é regeneração? O que é a adoção? Como o homem é santificado? Por que Cristo? Por que a cruz? Por que a ressurreição? Por que a mediação de Cristo? O que é a trindade? Faça essas perguntas e você verá um novo nominalismo, só que agora com um pouco mais de coreografia.
13/08/2014 | By: @igorpensar

Reino de Deus e Mandato Cultural



Morte de Eduardo e agora Marina?

Com a recente notícia de falecimento em um acidente aéreo de Eduardo Campos, ex-candidato à presidência da república pelo PSB, uma pergunta dispara imediatamente: Marina Silva poderá ser a candidata suplente pelo partido? Cito na íntegra a Resolução 023405 de 24 DE FEVEREIRO DE 2014, que rege as eleições de 2014:

"Art. 61. É facultado ao partido político ou à coligação substituir candidato que tiver seu registro indeferido, inclusive por inelegibilidade, cancelado ou cassado, ou, ainda, que renunciar ou falecer após o termo final do prazo do registro (Lei nº 9.504/97, art. 13, caput; LC nº 64/90, art. 17; Código Eleitoral, art. 101, § 1º). § 1º A escolha do substituto será feita na forma estabelecida no estatuto do partido político a que pertencer o substituído, devendo o pedido de registro ser requerido até 10 dias contados do fato ou da notificação do partido da decisão judicial que deu origem à substituição (Lei nº 9.504/97, art. 13, § 1º). § 2º A substituição poderá ser requerida até 20 dias antes do pleito, exceto no caso de falecimento, quando poderá ser solicitada mesmo após esse prazo, observado em qualquer hipótese o prazo previsto no parágrafo anterior. § 3º Nas eleições majoritárias, se o candidato for de coligação, a substituição deverá ser feita por decisão da maioria absoluta dos órgãos executivos de direção dos partidos políticos coligados, podendo o substituto ser filiado a qualquer partido dela integrante, desde que o partido político ao qual pertencia o substituído renuncie ao direito de preferência (Lei nº 9.504/97, art. 13, § 2º). § 4º Se ocorrer a substituição de candidatos a cargo majoritário após a geração das tabelas para elaboração da lista de candidatos e preparação das urnas, o substituto concorrerá com o nome, o número e, na urna eletrônica, com a fotografia do substituído, computando-se àquele os votos a este atribuídos. § 5º Na hipótese de substituição, caberá ao partido político e/ou coligação do substituto dar ampla divulgação ao fato para esclarecimento do eleitorado, sem prejuízo da divulgação também por outros candidatos, partidos políticos e/ou coligações e, ainda, pela Justiça Eleitoral, inclusive nas próprias Seções Eleitorais, quando determinado ou autorizado pela autoridade eleitoral competente."

(Grifo nosso)
Tirem suas conclusões!

Acompanhe a conversa aqui:



12/08/2014 | By: @igorpensar

Sacro Sexo

Sexo tornou-se algo muito "poderoso" em nossa cultura. Poucas coisas não fazem alusão ao intercurso humano. A insinuação erótica está presente em muitas esferas da vida. Mesmo coisas sem qualquer relação com a sexualidade, precisam ser acompanhadas de um tempero de erotismo para terem alguma aceitação cultural. Às vezes, fico pensando, que a "chatice" cristã de valorização da castidade, da vida sexual dentro dos limites do matrimônio, seja, de fato, uma antiga sabedoria para proteger algo de elevada beleza. Enfim, ou o sexo é um ato desprezível, o que me nego a aceitar, ou ele é tão sacro que seja digno de uma moldura moral. Se a segunda opção é a correta, deveríamos considerar seriamente valores cristãos que denunciam como pecado: a fornicação, o adultério, a prostituição e o homossexualismo.

Senhorio de Cristo

07/08/2014 | By: @igorpensar

Que inferno!

Seres humanos são obstinados por criar ou desejar um mundo ou uma realidade onde Deus não está lá. Um lugar onde não é preciso dizer "seja feita a tua vontade". Por enquanto, desfrutam de uma vida onde Deus ainda está presente, apesar do esforço coletivo em ignorá-lo. Porém um dia, salvo se não forem alcançados pela graça, terão o que sempre desejaram: uma realidade onde Deus está ausente. A este lugar damos o nome de inferno.

Claustrofobia

É perturbador viver em um mundo onde mulheres são reduzidas a partes de sua existência (lê-se seios e nádegas), homens são reduzidos ao desempenho de uma única relação (aquela de natureza sexual), e nossa cultura é reduzida a um único desejo (o prazer). Honestamente, isto dá claustrofobia. Este mundo é deveras apertado e pequeno demais para nós seres criados à imagem e semelhança de Deus.