19 de dez de 2014 | By: @igorpensar

4º Domingo de Advento

O termo "Cristo" é a tradução grega da expressão hebraica משיח (mashiach), que quer dizer "ungido". Uma referência que evoca os três ofícios de Israel em que as pessoas eram ungidas, ou seja, consagradas com o óleo santo: o profeta, o sacerdote e rei (prefiro esta ordem). De fato, quando se olha pra Jesus, o que se vê é o Ungido de Deus. Nele, encontra-se esta gradação. Aquele que é maior que Jonas (profeta), maior que o Templo (o sacerdócio) e maior que Salomão (Rei) (Mt 12).

(1) Em seu ofício terreno o Cristo/Ungido/Messias se manifesta predominantemente como profeta, seus sinais remetem os profetas do Antigo Testamento. (2) Na cruz, na ressurreição e na ascensão percebe-se seu sacerdócio (Hebreus trata sobre este tema). (3) E, em seu retorno, Ele revela sua realeza.

Quando celebramos o natal, lembramos que aquela criança envolta em panos e palha era o sinal de que o Ungido de Deus está entre nós, que Deus inaugura um drama magnífico, um processo de coroamento de seu Messias. Os três presentes, eram três ofícios, três atos de salvação: o anúncio, a reconciliação e o governo.
15 de dez de 2014 | By: @igorpensar

3º Domingo de Advento

Se há um Deus, Ele deveria em algum sentido ser surpreendente. Surpresa em relação às nossas expectativas sobre quem e como Ele deveria ser. Um Deus previsível enquadrado em cálculos não é "Deus", é fruto de afetos, paixões, uma ilusão. Percebo na narrativa judaico-cristã, que encontramos na Bíblia, um Deus cheio de "extravagâncias" em suas aparições, sempre surpreendendo, sempre curto-circuitando expectativas ilusórias sobres quem Ele é. Abraão tem filho na velhice, Moisés não entra na terra prometida, Davi concebe um sucessor de uma mulher tomada de um pecado, um profeta que lamenta, uma mulher simples pra dar a luz ao Salvador do mundo, e quando se faz gente entre nós, o faz no corpo frágil de um judeu da Galiléia, na periferia da periferia. Parece que há um humor nestes dramas, uma forma que nos parece "bizarra" e "estranha" de se revelar. Mas é isto mesmo, este "elemento surpresa" nas aparições de Deus é precisamente uma das evidências de sua autenticidade. Um Deus previsível não seria Deus, mas pura projeção. O Natal é isso, uma história estranha, por isso, tipicamente divina: Deus se fez carne e habitou entre nós, nascendo de uma jovem virgem. ‪#‎advento‬ ‪#‎natal‬

Neo-Ateísmo sem Sentido

Uma realidade complexa resultante do puro caos e/ou aleatoriedade físico-química só poderia produzir uma "mentalidade" igualmente caótica e aleatória. Se nossa razão é inquieta em sua busca de sentido e coerência, parece plausível que a realidade não seja resultado de pura aleatoriedade, mas de intencionalidade criativa. Nestes termos, parece haver séria inconsistência lógica no neo-ateísmo evolucionista, principalmente, quando incoerentemente procura "explicar" algo a partir de uma razão, que parece ser a única coisa que se salvaguardou de um mundo desprovido de qualquer inteligibilidade, como se supõe. A "Razão", para esses empreendedores do "sem sentido", ocupa um lugar absoluto, sendo ela o fundamento e o critério de qualquer julgamento, a fonte de explicação de todas coisas. Assim, ironicamente, o neo-ateísmo acaba por atribuir um status religioso à Razão, quase, para não dizer, fatalmente, divinizando-a.
3 de dez de 2014 | By: @igorpensar

Maria: anfitriã do Salvador

Maria, ou como era conhecida em hebraico, Miriam, evoca uma longa linhagem de mulheres portadoras da promessa de um descendente.  Porém, uma linhagem de mulheres impossibilitadas biologicamente de conceber.  

Maria, mulher santa, separada pela soberania do Criador, encontrava-se no final desta longa linhagem.  Não é em vão que o anjo anunciara: "Nada é impossível para Deus" (Lc 1:37), praticamente a mesma sentença dita à Sara, esposa de Abraão, quando já idosa lhe fora prometido um filho (Gn 18:14).  

Sara, Rebeca e Raquel, agora, "a bendita entra as mulheres", Maria.  Foi dito, que a semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente.  Todas estas mulheres milagrosamente deram à luz, claro, as matriarcas eram estéreis, Maria, entretanto, virgem.  Sob poder do Espírito Santo gerou e hospedou o Unigênito de Deus em seu útero, como a arca que abrigava as tábuas da lei.  

Neste período de advento, rumo ao Natal, lembremos do "Magnificat": "A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus, meu Salvador; porque deu atenção à condição humilde de sua serva... auxiliou Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia para com Abraão e sua descendência para sempre, como prometera aos nossos pais." (Lc 1:46 e seg).

Eis o lugar bíblico de Maria na soteriologia bíblica e protestante, o lugar da mãe de Jesus dentro da narrativa natalina.  #advento
2 de dez de 2014 | By: @igorpensar

Advento 2014

De acordo com o calendário cristão, no último domingo, dia 30/11, começou o período do Advento, que tradicionalmente reserva estes dias em oração, criando uma atmosfera de expectativa pelo Natal (o período se encerra no dia 24). Diferente do que se supõe em meios mais primitivistas, cristãos conscientes não celebram nenhum deus pagão no Natal, mas reconhecem que mesmo entre pagãos pode-se achar um "altar ao Deus Desconhecido" (Atos 17). E, de fato, caminhamos nesta expectativa de celebrar o escândalo evangélico: O Filho de Deus acomodou-se entre os homens em forma de gente. Ele assumiu a fragilidade do corpo humano, repousou como uma criança judia em palha, para depois, assumir a madeira da cruz. Esvaziou-se, o grande mistério da chamada "kenosis" [η κενωση του Χριστου] (esvaziamento), assumindo o "tabernáculo" humano para cumprir o que está em Provérbios de Salomão: que a "Sabedoria" encontrou sua alegria entre os filhos dos homens (Pv 8:31). 

Que nossas mentes encarem este evento e sua singularidade para a fé Cristã. Encontramos em Cristo a evidência mais poderosa do amor de Deus que se exibiu em forma humana, para se fazer conhecido, e para dar sua vida em resgate de muitos. Ele é Deus conosco. Viva o Emanuel!