6 de out de 2010 | By: @igorpensar

Clareando...

Pessoal, tenho que escrever um adendo, não tem jeito. Por uma questão de praticidade vou colocar as coisa bem claras:

1. Meu retorno à ortodoxia cristã não é um retrocesso, é um retorno. Algumas pessoas me mandam e-mails como se eu estivesse "desviado" ou "caído" em algum pecado. Por um lado isto foi bom, pois deu pra ver como "estes que questionam" tratavam irmãos cristãos como no fundo, no fundo, desviados. Este é o sintoma que quero tirar da minha vida!

Como não tiveram um "adultério" para arrumar pra mim, agora falam que estou em "adultério espiritual". Desculpem-me, mas estar fora da ortodoxia cristã, sim, isto é ser sectário. Ignorar os pilares clássicos da fé, sim, envolve um certo "desvio". Eu não estou desviado, estou ajustando a rota de minha trajetória em Deus.

2. Não tenho culpa se dentre os que me mandam e-mail estão os "preguiçosos pela leitura". Uma lida cautelosa da retratação deixará claro que minha visão da lei não mudou, minha visão da necessidade das raízes judaicas para uma compreensão bíblia rica não mudou (basta ver que faço mestrado em estudos judaicos e continuo palestrando sobre o assunto, e participo de um grupo de estudos que lida com a relação judaísmo-cristianismo). Fora justamente a consideração a estas raízes que me fizeram rever estes fundamentos cristãos que "todo mundo" chama de "Roma" e nem sabe do que está falando. Descobri, que muito das coisas que estão lá na tradição e prática cristãs tem raízes no judaísmo, algo que já tinha escrito por aqui, no artigo "Raízes que Permanecem".

3. A retratação deixa claro minha/nossa percepção e reconhecimento a um movimento que agrega judeus em Cristo (judaísmo-messiânico), porém o que questionamos, é como um ambiente artificialmente "judaico-messiânico" pode ajudar a Igreja Cristã gentílica em algum sentido? O que dirá restaurá-la. Um dos poucos que consegue isto, talvez por sua competência teológica e seu conhecimento do cristianismo, seja o Daniel Juster em seus últimos artigos já mencionados por aqui.

4. Minha visão escatológica, se tornou mais cristã ainda. Já era antes. Quando me opunha ao dispensacionalismo, não fazia nada além do que os reformadores fariam, nunca creram em um suposto arrebatamento "pré-tribulacionista" (J.N. Darby) ou em uma teologia "escapista". A propósito, este é um debate e uma posição que nunca foi judaica, sempre cristã. O que pregava antes sobre "escatologia" está alinhado com teólogos cristãos como Charles Dodd e George Ladd.

5. Estou escrevendo uma defesa clara a respeito de nossa jornada à descoberta da legitimidade da trindade. Será uma bomba, mas necessária, pois para mim a acusação de que a "trindade" é triteísta é ingênua. Alguns objetam que não há uma "ordem econômica" (hierarquia) na trindade, há sim! Algo que Calvino chamava de "ordem hipostática". Não quanto a natureza fundamental da divindade que é una, mas quanto aos papéis relacionais (hipóstases), como claramente propõe o credo Niceno.

6. Minha percepção do sábado: neste ponto ouve um ajuste. Optei pelo "bom senso" sustentado pela tradição cristã reformada. Não acho justo e coerente à luz do Novo Testamento uma imposição do "formato judaico" de observância deste dia para não-judeus. Creio que o quarto-mandamento é perene e é um princípio ético para todo ser-humano (não só crentes), porém, não creio que uma pessoa só é "abençoada" quando o observa na "sexta-feira ao por-do-sol". A objeção a esta posição seria que há uma "benção especial" para este dia.

Não posso concordar com isso. A benção do Senhor está na obediência ao princípio do mandamento. Pense nos cristãos em países árabes que descansam na quinta-feira ao por-do-sol pois é o dia descanso muçulmano? Eles não possuem outro dia para descansar! Não obstante, querem ter 6 dias de trabalho e descansar em um sétimo. Sinceramente, se sabemos que o "sábado" foi feito para o homem e não o homem para o sábado, não vejo problema em uma flexibilidade, desde que seja observado um dia de descanso. Quantas pessoas que conheço sofrem, pois só podem descansar no domingo, pois trabalham no sábado para manterem suas famílias. Essas pessoas não deveriam "sofrer" por isto, antes, devem considerar a misericórdia de Deus, cujas leis são flexíveis e dadas ao homem.

6.1. Quanto aos judeus, normatizaram este dia como o "sétimo dia" (sexta-feira ao por-do-sol), não vejo problema nisto também. Este é o dia instituído como descanso. Não vejo problema também em cristãos que optam pela "sexta-feira" como dia para observarem o "shabat", não vejo problemas, desde que respeitem seus irmãos que descansam em outro dia que não este. Indico o livro "Do Shabat para o dia do Senhor de D.A. Carson - Ed. Cultura Cristã".

7. Minha objeção, óbvia e simples, é que "raízes judaicas" são periféricas, minha visão de mundo e de Deus é "cristologicamente" orientada. Ou seja, sem Jesus Cristo no centro, sem a revelação, a encarnação do verbo, sem o evangelho e o senhorio dEle, não há graça, não há carisma, não há obediência. Sem um entendimento e uma vida estruturada por tudo que Jesus significa e é, esquece, é religião; sofisticada, bonitinha, cheia de firulas, mas ainda é uma religião sem "graça".

8. Tirando os ajustes mencionados na carta, pouca coisa muda em minhas pregações, mas as poucas coisas que mudam, são coisas fundamentais. Apesar de Cristo ser frequentemente mencionado em minhas pregações anteriores, não deixava claro sua centralidade, algo que fiz principalmente nas pregações entre os anos de 2006-2010. O problema é estatístico havia mais uso dos termos "judeu" e "judaísmo", do que para Jesus (Yeshua), o que significa enfim, que cometia um erro na ênfase.

9. Não me arrependo um centímetro de minha decisão, por uma questão simples: a alegria da salvação pula em meu coração. Não há um minuto em meu tempo, que não nasce um poema, uma música, uma expressão de gratidão a Deus. Minha esposa experimenta a mesma coisa. A oração deixou de ser algo as vezes feito com dificuldade, agora brota naturalmente, brota como uma fonte contínua. Um fervor primitivo, algo do tipo que tinha quando me converti. Um ardor, porém, com mais clareza na palavra e nos fundamentos desta fé. Estou muito feliz, não que minha vida está fácil agora, ao contrário, mas seria capaz de ir para uma país africano, se fosse vontade de Deus, e lá morrer por este evangelho. Algo irresistível acontece dentro de nossos corações!

10. Minha pergunta: porque as coisas não eram claras assim? Pois se não colocarmos Jesus Cristo claramente em seu lugar. Se não o coroarmos como Rei sobre nossas vidas. Se transformarmos MEIOS em FIM, seremos idólatras, e ELE, que é a fonte da vida, não despejará sua graça sobre nós.

Enfim, descobri que ser monoteísta é ser definitivamente cristocêntrico, afinal: "Ninguém jamais viu a Deus; o filho unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou. " (Jo 1:18). Por isto, a única forma real de viver o Shemá (Dt 6:4) é afirmar claramente que Jesus Cristo é o único meio sacerdotal pelo qual chegamos a Deus. E isto tem implicações muito mais sérias.

Se alegre também! Reafirme sua fé na suficiência de Cristo e naquele em quem habita a PLENITUDE DE TODA DIVINDADE. (Cl 2:19).

Amem!
Igor Miguel

27 comentários:

victor disse...

Ok.

INSTITUTO ABBA disse...

No ponto... será que ainda haverá dúvidas??? Abraço Igor.

Anônimo disse...

Caro Igor,

Confesso que me emocionei ao ler este texto(Clareando), notei sinceridade em suas palavras. Poxa, acredito que D-us está realmente na direção de suas decisões.
Eu era membro e casei em uma congregação judaico-Messianica aqui em BH, e tanto os admiro quanto respeito. Estou sem congregar há uns 03 anos, (Deus tem tido misericórdia da minha vida e família). Irei visitar a congregação que vc pertence, juntamente com minha esposa (luciana) e nosso filho (Davi),
será um prazer em reve-lo.

Um forte e carinhoso abraço.....

Digão

Daniel Gasparotto disse...

Igor, graça e paz. Bom esclarecimento. Seria realmente interessante uma postagem com análise mais profunda sobre a Trindade, uma vez que alguns de nós ainda têm dúvidas, por causa de outros ensinos. Forte abraço e que o Senhor esteja contigo! Estamos juntos nessa!

@igorpensar disse...

Digão,

Obrigado por seus comentários. Diferente do que pensam, eu não quero que ninguém vá para a Igreja Esperança. Eu quero que as pessoas vejam que existe uma forma real de espiritualidade fora do universo "restauracionista". Que há vida e boas Igrejas Cristãs. Onde possam encontrar plenitude, pastoreamento e a essencialidade da mensagem do evangelho.

Estou na esperança, pois lá estou feliz, lá ouço o evangelho de forma simples, sem perder a profundidade. Lá não encontrei grandes pretensões, ou uma missão megalomaníaca de transformação da Igreja. Lá queremos viver o Reino pertinho, nos relacionamentos algo despretensioso, simples assim.

Tem muitas boas comunidades que vivem esta proposta de Igreja... é só orar e procurar.

Abração!

@igorpensar disse...

Estamos trabalhando nisto Daniel, vai ficar bom...

Daniel dliver disse...

Interessante sua trajetória! O alvo é Cristo!

Daniella disse...

Olá mano Igor,

Ficamos ‘preocupados’ ao lermos seu poema “Pão da Aflição” e pensamos: “Somos irmãos e não estamos gostando do que está acontecendo, se ele estiver sofrendo, sofreremos juntos partilharemos do mesmo pão!!!” Mas, como sabemos quem você é, e como foi e está sendo formado em Cristo, ficamos em paz. A sua identidade está enraizada nEle, você tem certeza de quem você é, e se permite rever alguns conceitos, moldar certos pensamentos, reavaliar determinadas opiniões e, conscientemente, expor os seus anseios mesmo sabendo que será alvo de julgamento.
Sabe Mano, temos percebido que não existem sofismas, escatologias, teologias ou sabedorias, que nos impeçam quando Ele nos chama, e é um chamado tão irresistível que somente a simplicidade do Evangelho pode nos envolver.
É verdade que acreditar e viver isso nos traz implicações muito mais sérias.
Mas o fruto desse ‘risco’ nos revela verdades eternas...

Com amor fraternal,
Dani e Rodrigo.

P.S. : Estamos sempre aqui, e em oração!!!

Jonas disse...

Olá Igor, gostaria de saber onde fica Deus, ou como queira "Deus Pai", nesse contexto de fé. Leio seu blog e até agora só vi espaço para Jesus, "o filho", e o Pai como fica? Ou não fica?

Já parou para pensar que a proposta cristã, onde a salvação é Jesus, só tem 2000 anos? Quem salvava antes?

Assim entendo a história cristã anterior a isso como apenas a incorporar da história de religiões alheias e dessa forma Deus assume o papel de fracassado na questão de salvação.

Mais uma pergunta, quando diz "colocar Jesus no centro" ou "a centralidade de Cristo" me vem uma dúvida: Jesus não era da esquerda?

brincadeira...

abraço.

Paulo Dib disse...

Igor,

Nada mais natural do que vc estar levando pedradas agora!!

Religião e religiosidade não incomodam ninguém (ou quase ninguém), já um relacionamento verdadeiramente cristocêntrico... isso sim causa desconfortos!!! E como causa!

Sei por experiência própria o que é ser liberto da religiosidade e ativismo religioso/eclesiástico.

Nem se dê muito ao trabalho de responder tantas críticas (principalmente as infundadas), não vale a pena, só traz desgastes.

"Não respondas ao tolo segundo a sua estultícia; para que também não te faças semelhante a ele" (Pv 26.4).

Grande Abraço

@igorpensar disse...

Dani e Rodrigo,

Vocês são uns amores! Obrigado pelo carinho e consideração, principalmente pelas orações. Tudo se tornará claro, claríssimo... e nossa missão é esta. Tornar Cristo relevante!

nEle,
Igor

@igorpensar disse...

Jonas,

Obrigado por seu comentário.

Então vamos lá... é parte do artigo que estou escrevendo.

O Pai é possuidor de todos os atributos invisíveis da divindade. Ele é a fonte de tudo, dEle procedem o Filho (gerado e não criado) e o Espírito Santo, dádiva do Pai, por intercessão do Filho.

Porém, o conhecimento do Pai é impossível autonomamente. Ninguém pode conhecê-lo sem o Filho. Então, sua ótima pergunta: E aí? Como Deus se revelava no AT?

Ele (o Pai) se revelou através de "teofanias", em forma de Anjo, em forma humana, mostrando as costas, etc. A estas teofanias e antropomorfismos (aparições em formas humanas), os textos aramaicos identificaram como "Memra" מאמרא (a palavra - em aramaico). João identifica o Memra Aramaico com o Logos em João 1:1 e o clímax é o capítulo 1 verso 18: "Ninguém jamais viu a Deus; o Filho Unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou." (ARC)

O que significa, que mesmo no AT, toda compreensão do Pai dava-se por meio do Verbo de Deus - o Messias. Mediado por Ele, o verbo é que o revelava.

O texto abaixo, mostra um tempo, em que o Pai se desvelará diretamente aos seus eleitos, observe, que antes disso, Jesus (o Filho) tem toda primazia, até que tudo seja julgado e colocado debaixo de seus pés, quando enfim, Deus será tudo em todos e o próprio Filho (Jesus) se sujeitará ao Pai.

"Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés. E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, certamente, exclui aquele que tudo lhe subordinou. Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos." (I Co 15: 27-28)

A primazia é de Jesus, para Ele todas as coisas convergem, quem honra o Filho honra o Pai, que vê o Filho vê o Pai. O que não significa que Ele é o Pai em sua função trinitária, mas, é ELE (Jesus) que O revela (o Pai).

Jesus como gerado, é co-substancial (tem a mesma natureza divina) do Pai, mas seu papel e função é distinto, seu papel pessoal é distinto.

"Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a PRIMAZIA." (Cl 1:18).

Vale a pena uma lida na obra "A Sombra do Templo" de Oskar Skarsaunne no capítulo "Cristologia I".

Abraços,
Igor

@igorpensar disse...

Fala Primo Dib...

Obrigado por suas palavras de ânimo... continuamos na jornada. Nestas horas o interessante é que descobrimos os querem morrer por Cristo e os que querem algum acessório a suficiência dele. Entendo porque a Bíblia o chama de Rocha de Escândalo, pois diante dele só há 2 opções: Ou se tropeça na rocha ou se edifica sobre ela. Não tem outra opção!

Cansei de ser amiguinho de Jesus, admirador de Jesus, quero servir o SENHOR JESUS como vassalo, como escravo, só isto!

Abraços,

@igorpensar disse...

Jonas, obrigado por sua pergunta, eu ampliei a resposta e escrevi um artigo sobre o tema. Veja lá... http://vai.la/1tGQ

Anônimo disse...

Acompanho seu blog há um ano aproximadamente.
E não escondo minha surpresa.
Apesar de não entender muito dessa relação judaíco-cristão...
Gosto do que vc escreve por não ser coisa de crente "enlatado".

Enfim, faço História na UFOP. E ver o que Deus (ou voçê mesmo?) fez por voçê é incrível.
Pude reconheçer as minhas experiências quando vc fala sobre estar inserido em um meio que refuta o protentantismo atual. E sendo este meio de congregação o único conhecido por mim, estou acabando por me afastar da igreja na qual congrego. Sei que estou traçando um caminho complicado. Concluindo, ver essa sua retomada é como encher os pulmões com O² puro. É inspirador.

Karla.

Lucas Sanches disse...

Shalom aleichem chaver(im),

Considero realmente interessante como as estretégias da Satan para resistir ao Reino do Mashiach são as mesmas e ainda assim a Igreja (ou parte dela pelo menos) não despertou quanto a isto.

Desde os tempos antigos a divisão era grande, mais do que divisão quando a constumes ou tradições era divisão sobre o foco da fé (crença e prática).

Tivemos o gladio entre Hilel e Shamai, tivemos a dispupa entre denominações, tivemos igrejas (com "i" minusculo mesmo) que se auto-declararam detendoras da verdade, e tantas outras coisas. O que adquirimos com isso? Discussões teológicos - algumas proveitosas e outras inúteis -, mas o resultado final disto foram pessoas feridas e a hipocrisia de pessoas que dizem-se do Reino, mas não conseguem viver em comunhão - parte fundamental e Vital do Reino.

A mesma estratégia de divisão, de megalomania, de egocentrismo e de superioridade que outrora corrompeu os corações de muitos líderes ainda hoje tem funcionado.

Aqui surge a questão: seria Satan um perfeito estrategista ou teria a igreja perdido tempo em não ser a Igreja?

PS: O caminho correto a seguir não é o da teologia, mas o de Cristo - Ele é o Caminho!

GERSON - NETTO disse...

AMIGO IGOR A MUITO TEMPO ACOMPANHO SEU BLOG FUI ALUNO DO CATES,E MEUS QUESTIONAMENTOS SEMPRE FORAM OQUE VC RESPONDE COM CLARESA NESSE POST,

A CENTRALIDADE DE CRISTO E O SUCESSO DA IGREJA NO SEU PAPEL NO MUNDO.

APESAR DE TER A CERTEZA DA MINHA GENEALOGIA JUDAICA, "MARRANOS" ESPANHOIS, TENHO EM MEU SANGUE A GENEALOGIA ISLAMICA DA SIRIA TBM,

SEMPRE ME CAIA EM DUVIDA SERIAS SOBRE MEUS ANTEPASSADOS ISLAMICOS SERIA SIDO ELES MALDIÇÃO.

SERIA EU 50% BENÇÃO E 50% MALDIÇÃO
A MINHA FORMAÇÃO CRISTÃ "BATISTA" TERIA ALGO A ME ACRESCENTAR? JA QUE TUDO NA "IGREJA " É DE "ROMA"

CAI EM DUVIDAS CRUEIS A RESPEITO DE CRISTO DAS TRADIÇÕES, TEVE UM TEMPO EM MINHA VIDA QUE REFUTEI ATÉ A EXISTENCIA DE JESUS COMO MESSIAS, MAS O SACRIFICIO D'ELE NA CRUZ ME CONSTRANGE E ME ENVERGONHA EM SABER QUE UM DIA PUDE REFUTA-LO COMO MEU SALVADOR, SUA PALAVRAS NESTE POST SURGE COMO FONTE DE INSPIRAÇÃO NO CORAÇÃO DESTE APRENDIZ DE TEOLOGO QUE LHE ESCREVE, ESSAS SUAS PALAVRAS SACIARAM MINHAS DUVIDAS COMO A AGUA SACIA A ALMA DO SEDENDO, QUE O ETERNO DE YISRAEL, O CRISTO CRUCIFICADO E RESSURETO NOS DE A MIM E A TI SABEDORIA PARA EDIFICAR EM NÓS SEU VERDADEIROS FUNDAMENTOS, FIQUE NA PAZ MEU IRMÃO.

@igorpensar disse...

Gerson,

Muito, mas muito obrigado por seu comentário. Vamos lá...

Quanto a sua "marranidade" não tenho o que falar.

Quanto a sua "islamidade" há um problema aí. Penso que vc quis dizer que tenha ascendência árabe, não islamica, pois esta deriva de uma conversão formal à religião muçulmana, o que não é seu caso.

Quanto as suas dúvidas sobre "50% benção" e "50% maldição" são plenamente sanadas com a teologia da adoção desenvolvida por Paulo em suas cartas, em especial Gálatas. Todos nós, na semente de Abraão, que é Cristo, temos igualmente acesso ao Pai e às promessas. Nos revestimos de Cristo pelo batismo, por isso, diante do Pai, todos (judeus, gregos, bárbaros, homens e mulheres) são um só em Cristo, e filhos, podemos dizer "ABA!".

Vou recortar um trecho, de seus questionamentos anteriores, que considero "grave" e vi ocorrendo MUITO entre alunos e ex-alunos da escola que fui responsável:

"A MINHA FORMAÇÃO CRISTÃ "BATISTA" TERIA ALGO A ME ACRESCENTAR? JA QUE TUDO NA "IGREJA " É DE "ROMA"

Estou convencido que qualquer pessoa que criticar comunidades cristãs sem considerar um ponto importante, que estas comunidades testemunham Jesus por algumas centenas de anos, logo questionarão a Igreja (o Corpo Invisível de Cristo), logo em seguida, questionarão o Novo Testamento e por fim o próprio Jesus.

Por isto, temos que bater firme no senhorio de Jesus, afirmar a rocha de escândalo. Quem for joio vai gritar, quem for trigo vai amá-lo até as últimas consequências. Simples assim!

Agora este papo de "Roma" me cansou! Este veredito começou com a Valnice no Brasil, tem raízes lá no movimento restauracionista do século XIX, e vem sendo reproduzido aqui. Uma balela... que estou cansado. Não podemos chamar protestantismo de Roma, não podemos chamar tudo do cristianismo de Roma, sem um leitura mínima da história da Igreja.

Gerson, que bom que você está reafirmando a centralidade e a suficiência de Cristo. Cresça nisto meu irmão, cresça nisto!

Anônimo disse...

Igor,

Sempre te admirei pela sua postura e sabedoria, mas hoje, leio seus textos e vejo uma pessoa confusa, desgastada se empenhando em uma tentativa inútil de reiventar a roda...

Vejo na "ortodoxia cristâ" relatada em seus textos, um evangelho de conveniências, onde é lindo morrer pelo que eu acho que é válido e ignorar o que eu acho complicado para os dias de hoje. A Torah não deve ser adequada ao homem, mas o homem deve seguir os preceitos da Torah.

Que a Bíblia foi toda escrita em um contexto judaico é fato, não tem como questionar. Que para entender a Bíblia é necessário entender a cultura judaica é outro axioma.

Você afirma que não anula a Torah e continua estudando a cultura judaica, mas insere, nas entrelinhas de seus textos, ataques ao judaísmo messiânico.

Te vejo confuso, principalmente por acusar os judeus messiânicos de desprezarem a forma de pensar dos protestantes, mas agora que você está na "ortodoxia cristã" está fazendo o mesmo, porém na via contrária.

Você, mais do que eu, sabe que foi o Eterno quem criou o povo judeu e que os preceitos seguidos por este povo foram dados pelo Senhor.

Sabe, também, que Deus criou um povo para que através dele fosse concretizado um plano de redenção. Gentios são enxertados na oliviera, os ramos dependem da raiz e nunca o inverso.

Precisamos nos atentar a uma única pergunta: Se o retorno às raízes bíblicas não fosse da vontade do Eterno, qual a necessidade de preservar este povo?

Desculpe-me por não poder elogiar como os demais que aqui escreveram, aprendi muito contigo e fico surpreso com essa mudança repentina...

Daniel Magno

@igorpensar disse...

Olá Daniel magno,

Não se lamente. Não preciso de elogios, e sim de honestidade e neste ponto você se mostrou honesto, o que é digno de louvor por si só. Da mesma forma, levanto honestamente a seguinte objeção.

Deixo claro em vários momentos, inclusive em minha retratação pública, que não sou contra o judaísmo-messiânico. O que é o JM? Um movimento criado para acolher judeus crentes em Jesus. (ponto!)

Nunca foi proposta do JM restaurar a Igreja, ela nunca teve em sua missão propor algum tipo de "solução" para os problemas do "cristianismo", sua proposta era simples e objetiva, evangelizar e acolher judeus crentes, sem que estes perdessem sua identidade judaica.

A questão é que no Brasil, uma proposta restauracionista se fundiu com judaísmo-messiânico, as duas coisas se tornaram sinônimas. E não são!

Não critico o JM nos termos que defini acima, mas critico a proposta restauracionista que ingenuamente vem desprezando, direta ou indiretamente, o que há de legítimo e de grande valia no cristianismo.

Desculpe, não há confusão. Ao afirmar os "axiomas" por você mencionado, não preciso ser "judeu-messiânico". A propósito, entre os maiores especialistas em raízes judaicas do cristianismo, estão cristãos anglicanos como N.T. Wright, pentecostais com Brad H. Yound e luteranos como Oskar Skarsaunne e muitos judeus messiânicos estudam o que estes homens produzem.

Enfim, para mim as coisas parecem bem claras, acho que a confusão, desculpe-me pela franqueza, me parece mais sua do que minha. Me parece, me perdoe se estou enganado, que pra você ainda não está claro o que é o judaísmo-messiânico. Já lestes a biografia de Joseph Rabinowitz? Vale a pena...

Respeitosamente, abraços!

Leo disse...

É isso aí meu irmão, ouvi a pregação do meu pastor nestes dias, ele disse que não pregaria hoje o que ele já pregou há 20, 10 e até mesmo 5 anos atrás, retratações quanto a convicção de fé e de credo fazem parte da jornada de todos os que crescem, Brennan Manning costuma dizer que alguém que realmente atingiu estágio de total de honestidade (e não apenas luta para isso, ou seja atingiu de fato) não pode ser ofendido por absolutamente nada, e isto é de uma liberdade e de uma paz para a alma, mas eu tenho uma pergunta, tu crê assim como os reformados que agora o dia de descanso é no Domingo, o dia da Ressurreição?

Até mais
Leo (o mouro da erva madrugada, mas bah...)

Lucas Sanches disse...

Shalom chaver(im)

Acho curioso a afirmação de "confusão quanto ao movimento judaico-messiânico", realmente muito engraçada esta afirmação. Para qualquer judeu o movimento JM nada mais é do que "cristão brincando de ser judeu", creio que o chaver compreenda essa realidade, deste modo questiono se o JM que chegou ao Brasil realmente tem desempenhado seu papel de Corpo do Mashiach.

Vemos constantemente a disputa interna entre denominações tanto no cristianismo, como no judaismo, mas estaria o JM fora disso? Em qual grupo de discussão participa? Judeus, Cristãos, Outros?

Outro fato curioso é a afirmação da "videira", mas com veneno que vejo para com os chaverim que fazer parte do cristianismo - um pensamento de supremacia judaica - seria prudente afirmar-se como raiz? Lembre-se que a base desta árvore deve ser as Palavras do Eterno, seria este tipo de atitude correta perante o Eterno???

Concordo com o chaver em retornar as raizes BÍBLICAS, mas isso não significa raiz JUDAICA, isso deve ficar clara. Não vejo o Igor como alguem contrário ao JM, mas ao pensamento de supremacia que se formou onde tudo e exatament TUDO do chamado cristianimo é impróprio. Agora pense em público, se o público fosse judeu o JM atual seria critão, se fosse cristão o JM atual seria judeu, onde você chaver se enquadra? E quanto ao gentio??? Seria um gentio tipo por judeu? Ou seria um judeu tido por gentio? Pense sobre isso, onde será que realmente está a confusão na harmonia do corpo do Mashiach ou na divisão por "supremacia" e "superioridade"???

Permaneçam na graça do Mashiach

Anônimo disse...

Lucas Sanches,

Concordamos em um ponto, devemos voltar às Raízes Bíblicas, creio que esta raiz é a Torah.

Os judeus são os portadores da Torah,fazem parte do plano do Eterno para levar Sua Instrução a todas as nações.

Eu me enquadro no meio daqueles que buscam a Verdade. Antes que me acusem, não! Eu não me considero detentor da verdade absoluta!

Vejo que todos os questionamentos batem em uma simples questão: Qual a diferença entre judeus e gentios?

Igor,

Gostaria muito, de saber qual o seu conceito sobre isto, como você difere o judeu do gentio.

Shalom!!!

Daniel Magno

@igorpensar disse...

A Bíblia lida usa os termos "judeus" e "gentios" de 2 formas, principalmente o NT.

1) Uma distinção étnico-nacional. Neste caso judeus é uma referência ao povo do Reino de Judá (as duas tribos remanescentes do exílio babilônico), o povo da aliança. Enquanto "gentios" em hebraico 'goyim' em grego 'etnós', uma referência aos estrangeiros em geral. Inclusive, em uma primeira instância, estrangeiros quanto à aliança.

2) Gentios crentes, uma vez inseridos na Nova Aliança por meio de Cristo, tornam-se filhos de Deus, um status elevado, aberto inclusive a judeus. Perante Deus não há judeus e gentios, porém, quanto ao papel vocacional, os judeus possuem uma vocação nacional específica e os gentios crentes também.

Quanto à Torá (lei), só temos que nos resguardar de um cuidado. Apesar de sua perenidade e sua expressão apropriada em Jesus Cristo, sua aplicação não é igual para todos os homens e pessoas. Existem leis específicas para os judeus, em seu pacto nacional, leis universais que foram resignificadas por Jesus no sermão da montanha, orientações apostólicas, leis para mulheres, reis, sacerdotes. A aplicação uniforme da Torá sem respeitar judeus e não-judeus vem sendo refutada como um desvio teológico grave, que vem sendo denunciado inclusive pela União de Congregações Judaico-Messiânicas (UMJC): http://umjc.org/resources-mainmenu-101/documents-
mainmenu-110/doc_download/18- one-law-movements-abridged

Lucas Sanches disse...

Shalom Chaver(im),

Daniel, fico contente em saber que você concorda quanto ao retorno às raizes bíblicas, mas um primeiro erro é afirmar que a "raiz" seja a Torah, compreendo o papel da Torah como constituição, legislação, mas devemos lembrar antes de tudo que Torah é INSTRUÇÃO!

Agora questiono-me se para o senhor há alguma valor nos demais escritos como RAIZ BÍBLICA? Que tal um livro próximo a Torah como Juizes?? Não nos ensina muitas coisas também? Não possui sua validade como raiz bíblica? Outra questão a considerar... E esta realmente gostaria de uma resposta, onde na Torah encontramos falando do Ben David ou Ben Yossef? Mais do que isso, onde há claro na Torah sobre o Mashiach?

Quando pensamos em Escrituras, se realmente concordamos que TODA ela foi inspirada pelo Eterno, então TODA ela é a raiz bíblica que devemos considerar, nada além das Escrituras.

Você refere-se aos judeus como portadores e, por assim dizer, "pregadores, mas não vejo no meio judaico este papel, exceto poucos grupos judaicos (messianico e nazareno, por exemplo), os demais desconsideram o Mashiach Yeshua, sendo que outros até consideram alguns rabinos como Mashiach. É sobre isso que você se refere como pessoas para levar a instrução? Creio que não, neste caso você considera o JM, mas aqui surge uma questão o chaver considera uma massa única entre "judeus e gentios", não seria mais fácil então você admitir a tribo de Efraim??? Pois sua colocação dessa forma teria sentido.

Como judeus, não devemos desconsiderar o papel dos gentios, não devemos considerar-nos superiores por nada, antes de tudo não fizemos nada para receber a Torah, o Eterno nos concedeu! Não há mérito em afirmar "sou portador da Torah", isso mostra apenas um pensamento de "superioridade", o que na realidade faz ruim três coisas: uma comunidade entre judeus e gentios, a graça de Yeshua, a unidade do corpo do Mashiach.

Quanto a sua questão entre "judeus e gentios", faço-lhe uma pergunta, pois considero que o chaver já tenha uma definição própria quanto as "diferenças". Qual sua solução para a problemática entre judeus e gentios? Como fazer com que o gentio não se torne judeu e o judeu não se torne gentio (por assim dizer)???

Permaneçam sobre a shalom do Eterno

@igorpensar disse...

Lucas,

Só uma pergunta. Vejo que você usa o pronome "nós". Você é judeu? Sua mãe é judia? Você considera coerente a teologia efraimita?

Só para as coisas ficarem claras...

Abraços!

Lucas Sanches disse...

Shalom chaver(im),


Igor, ao propor a questão efraimita referi-me ao padrão de "judaização" (por assim dizer), onde os gentios também deveriam seguir a totalidade de preceitos da Torah, pois conforme qualquer judeu sabe, os mandamentos (em grande parte) foram dados a Israel e não as nações, deste modo a unica forma de haver esta "igualdade" proposta pelos chaverim seria se os gentios fossem parte das demais tribos.

No tocante ao "nós", foi devido ao habito de escrita, entretanto, creio que seja pertinente ressaltar que o "nós" aqui também empregado refere-se a unidade do corpo do Mashiach onde não há distinção entre judeus e gentios.

Quando a judaicidade, sou gentio com provável ascendencia anussim da trino de Judá, buscando ser fiel as mitzvot do Eterno, mas por um único propósito, por amor e obediencia ao Senhor.