30 de dez de 2011 | By: @igorpensar

Conheça o L'Abri

L'Abri honra seu nome, cujos sentido em francês é abrigo ou refúgio.  L'Abri não é uma denominação, é uma comunidade, onde cristãos se reúnem ao redor da simplicidade de Cristo, procuram uma espiritualidade cristã autêntica e ao mesmo tempo que buscam integrar a fé cristã à cultura.  Em L'Abri aprendi a olhar Cristo e o cristianismo como uma grande tenda, onde todos podemos nos refugiar.  Se você ainda não conhece o L'Abri fica aí o convite para que você também participe de um de seus retiros temáticos, conferências ou termos.  Informe-se mais abaixo:

Site do L'Abri Brasil: http://labribrasil.org/
Blog do L'Abri Brasil: http://www.labri-brasil.blogspot.com/

28 de dez de 2011 | By: @igorpensar

Emanuel: o judeu de Belém

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” (Isaías 9:6).

De acordo com os registros bíblicos, foi na cidade de Judá, Belém, que nasceu Jesus.  Beit-Lechem - בית לחן - como é conhecida em língua hebraica, quer dizer “casa do pão”.  Cidade onde o famoso Rei Davi nasceu, e o mais famoso, filho de José e Maria, Jesus, nasceu.

Jesus era um judeu interiorano típico, o do tipo conhecido pela designação am haaretz (povo da terra).  Em maior idade, provavelmente apresentava pele morena e traço típicos de um semita.  Nariz comprido com barba escura e traços faciais fortes.  De origem familiar humilde, cujo pai era artífice, poderia possuir alguma habilidade como carpinteiro, pedreiro ou ferreiro.  José, apesar de conhecido no ocidente como carpinteiro, bem poderia ter sido um profissional do ramo dos artifícios.  Afinal, o termo grego tektôn é uma expressão genéria usada para pedreiros, ferreiros e artesãos em geral.  Entre os judeus, há uma longa tradição, de que era responsabilidade do pai transmitir ao filho algum ofício.  Neste caso, Jesus poderia ter herdado o mesmo ofício de seu pai.

A evidência da modéstia da família de Jesus encontra-se em uma sutil menção ao tipo de oferta sacrificial que seus pais ofereceram no dia de sua apresentação no Templo.  Lá afirma-se que eles ofereceram um par de pombinhas.   Nas leis levíticas de sacrifícios, a regra era a oferta de um novilho, mas havia uma exceção para família pobres e sem posse, que poderiam em seu lugar, oferecer dois pombinhos.  Pombos eram aves que poderiam ser adquiridas com relativa facilidade por família mais pobres.  A partir deste detalhe, pode-se reconstituir uma cena comovente, famílias ricas e abastadas trazendo bois e ovelhas gordas, enquanto aquele casal, com vestes modestas, trazendo dois pombos para a oferta.   Precisamente, foi esta a família de Jesus, o filho de Davi.


27 de dez de 2011 | By: @igorpensar

Kuyper: direita ou esquerda?

Trecho do artigo: "Cem Anos do Partido Anti-Revolucionário de Abraham Kuyper"*

"Politicamente, Kuyper acreditava que esquerda é esquerda, e direita é direita, entretanto, em algum momento sempre se encontravam.  Afinal, ambos possuem uma origem comum: o espírito iluminista da revolução francesa.  Apesar de tomarem rotas diferentes para chegarem lá, no final das contas, acabam convergindo para o ponto comum de um estado moderno absoluto.  Por esta razão, como líder do Partido Anti-Revolucionário, ele se envolveu na elaboração de programas de políticas públicas que poderiam representar uma alternativa cristã ao conservadorismo, liberalismo e socialismo.  Afinal, estas não são mais que pequenas variações de posição no mesmo espectro de ideologias seculares."

*The Kuyper Newsletter - Vol. 1 - No.3 - October 1980 - Gordon J. Spykman, Calvin College - disponibilizado por Steve Bishop em seu blog.

Tradução: Igor Miguel


23 de dez de 2011 | By: @igorpensar

Evangelho x Religião

Infelizmente, o termo religião hoje assumiu o sentido de "prática legalista" ou um tipo de "formalismo religioso", perdendo seu sentido original de "religare" (religar alguém a Deus).  Hoje, a religiosidade está associada a um tipo de "barganha espiritual" ou "troca performática".   Pra quem acha que é necessário "pagar um preço para se obter a graça", ou que é necessário combinar alguma coisa com a graça para ser ou permanecer salvo, ainda está sob um tipo de cativeiro religioso.   A obediência é efeito, nunca causa.  Em nada a salvação está condicionada a obediência.  Simplesmente, quem vive na desobediência, pode ser simplesmente alguém que nunca foi tocado pela graça.  A obra de Jesus é completa, não depende de absolutamente nada que o homem pode fazer.  Como você é aceito por Deus?  Resposta: pelos méritos de Cristo.  Cuja obra, começa na conversão e justificação, se estende pela santificação e culmina na glorificação.  Tudo obra da graça.




22 de dez de 2011 | By: @igorpensar

Deus no Exílio


O artigo de nossa autoria "Deus no Exílio" acabou de ser publicado no site da Editora Ultimato.  Uma reflexão sobre a "missão de Deus", cuja expressividade mais significativa encontra-se na encarnação do Verbo, que é Jesus.  Neste período que refletimos sobre os grandes feitos de Deus em Jesus, quando se fez carne em Belém, deveríamos nos lembrar que Deus está em busca de seus filhos no exílio.

12 de dez de 2011 | By: @igorpensar

Verdade acima da Unidade

Lutero refirma o princípio bíblico, de que acima de relacionamentos, amor e sentimentalismo, está a verdade.  Que a unidade cristã deve se constituir em cima da verdade.

1 de dez de 2011 | By: @igorpensar

Eleição Incondicional

John Piper explica em uma aula leve, objetiva, explicativa, inspirativa e claríssima sobre a magnífica forma com que Deus nos elegeu em Jesus Cristo antes da fundação do mundo por graça irresistível.  E nos chamou para vivermos uma vida santa e irrepreensível em gratidão.  

18 de nov de 2011 | By: @igorpensar

Onde estás?

Por Igor Miguel


"E chamou o Senhor Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás?"  (Gn 3:9).


Eu sei, você é igual a mim.  Se te achas melhor, ainda não chegastes ao conhecimento real de si mesmo.  Sabe quem é você?   Você é fundamentalmente aquilo que tua alma se revelou nos dias de teus pecados mais sombrios, daqueles erros que te causam vertigem só de pensar.  Sim, naquele dia experimentastes o limite da maldade que está em teu coração.  Tocastes os lugares mais sombrios da queda do homem e quase em uma reapresentação, sentistes a mesma vergonha de Adão e Eva, em fuga, te escondestes por entre as folhas do jardim.

Agora, em exílio, ainda sob um olhar saudosista, vês o jardim de leveza, liberdade e realização ficando pra trás.  E o que tens pela frente?  Uma vida de fuga, apenas permanente fuga.  Daí para frente, no exílio, no cativeiro de tua vergonha, viverias cada dia de sua vida, criando meios para se esconder.  De folhas de figueiras, farias cercas.  De cercas, tu farias muros.  De muros, fortalezas.  Desta forma, usarias de toda habilidade que lhe fora concedida por graça, um meio de elaborar estratagemas cada vez mais sofisticados para esconder tua nudez.  Sim, esta que te envergonhas, e com tua moda e teu orgulho persistes em se esconder.

Se temes em continuar este texto, tenhas certeza, é seu "eu" real, seus sentimentos mais primitivos, que foram treinados por gerações a se esconder, querendo reagir de novo à insuportável presença da verdade.  Ele não quer ser pego de surpresa e não quer ter sua vergonha exposta.  Sim, este é o teu lado mais sombrio, resistindo.  Mas, arisque-se em se conhecer.

Para mostrar o quão perverso tu és, ainda que insistes em se orgulhar de sua própria caridade, seu status, sua vaidade e seu desejo por poder, sua aparência religiosa ou de bom pai, ou bom marido, não preciso ir muito longe para denunciar sua vergonha, que é vergonha de todo homem.  E inescapavelmente todos, sem exceção, possuem bem registrado em sua caixola, emblemáticos encontros com o mal.  Momentos de extrema maldade, as vezes em proporções tão subjetivas e tão privadas, que não podem ser denunciadas como uma "mal público" como o que acontecera com o genocídio nazi-fascista.  Não é necessário ir tão fundo, basta buscar reminiscências de sua infância, adolescência ou mesmo no dia de ontem, para trazer à consciência sua condição original.

Para ilustrar, permita-me citar uma cena do filme Árvore da Vida de Terrence Malick de dar calafrios.  Refiro-me, ao menino Jack, o mais velho, quando segura um bocal de um abajur, sem lâmpada, e pede que seu irmão encoste um arame desencapado na parte interna do bocal.  O irmão mira-lhe os olhos, querendo ter fé suficiente para aceitar o desafio.  O irmão mais velho persiste desafiando-o.  Até que ele tem coragem e encosta o arame no fundo do bocal.  E para surpresa e ansiedade de quem assiste o filme, nada acontece.  Nenhum choque.  O que era previsto, simplesmente não acontece.   Entretanto, em outra cena, Jack desafia novamente seu irmão, agora com uma espingarda de ar-comprimido.  Solicita-o que coloque um dos dedos sobre o cano da arma, e que confie.  Ele olha para seu irmão mais velho, com o mesmo olhar do desafio anterior.  Teme, mas hesita por menos tempo, até que coloca o dedo sobre o cano.  Só que desta vez, o irmão mais velho aperta o gatilho.

Não precisamos mostrar um campo de extermínio para chegarmos a conclusão honesta que temos algum problema.  Que ao mesmo tempo que somos geniais, somos genialmente perversos.  Que todas as vezes que articulamos nossas habilidades, viciosamente o fazemos para algum fim que ainda não é bom.  Talvez alcancemos algum fim "socialmente bom", mas não há coisa que façamos, cujas intensões não estejam manchadas por algum auto-interesse, egoísmo, orgulho, moralismo, afeição própria e este é o fardo da vergonha.  O fardo do exílio de nossa desobediência.

O grande erro é que insistes em terceirizar teus erros.  Precisamente como fez Adão, quando transferiu sua responsabilidade expondo sua parceira.  Mas, o movimento é sempre fugir da luz divina.  Sempre se esconder da exposição.  Sempre esta manobra barata e quase inconsciente, que viciosamente fazes.  

O único tratamento honesto a ser dado neste caso é admitir-se cativo, assumir o fardo de sua limitação, é sair das folhas de figueira e do mundo escuro que vives.  Podes te assustar com a quantidade de chagas sobre seu corpo, de úlceras e escaries, mas sem exposição, não serás curado.  Sem te colocares diante da luz e acertares com teu Criador, nunca terás a leveza do único que pode expor tua condição e assim te dar a dimensão de sua necessidade.

Sempre me perguntei: para o Filho de Deus vir ao mundo e morrer vergonhosamente na cruz, isto só pode significar que a queda foi muito maior do que se imaginava.  A encarnação teve implicações cósmicas absurdas.  De fato, se a operação de resgate do homem foi desta proporção, daí dá para se ter uma ideia do buraco que cada indivíduo caiu.

Acho que está suficientemente claro que o ser humano se encurvou em si mesmo e que se tornou cativo de seus próprios artefatos e artimanhas.  Não há tecnologia, auto-ajuda, espiritualidade, fervor religioso ou performance moral, que possa dar conta de sua condição.

Tu és, como todos nós somos, teimoso, insistentemente teimoso.  Você não dá conta, te enrolas em teu esforço próprio, em seu próprio desempenho. Amas mais tua imagem própria e reputação, do que a Deus.  Teu Cristo é tua imagem pública.  Esquecestes que o Filho de Deus sacrificou-se para mostrar sua vergonha e curá-la.  Mas, ainda tens muita justiça própria, por isso ainda não conseguiu abraçar a justiça de Deus.   

Talvez, seu vício em fuga, a esta altura, insista em dizer, que isto é para "não-religiosos" ou "não-cristãos".  Não! Insisto, isto é para pessoas pecadoras como você, eu e nós.  Que sempre renovamos nossa esperança naquela obra redentora, sempre lembrando que sem Cristo, somos pessoas "vendidas para o pecado".

Tuas obras são manchadas pelo pecado, renuncie-as, e abrace a magnífica e suficiente obra que Cristo realizou.  Por isso é de graça, pois você não teria dinheiro, capacidade e recursos para pagar sua culpa.  Por isso é pela fé, pois não se baseia em suas habilidades e desempenho.  A cura está em abraçar o mistério da cruz e receber a graça da salvação em Jesus Cristo.  Que se expôs em um drama tosco, puro absurdo!   Não tinha outro jeito, sem a absurdidade de sua morte, você nunca seria tirado da obviedade de sua vergonha.

Em Cristo, 3 coisas ficam claras:

1) Não há privilégios pessoais, todos pecaram, indistintamente.  
2) Ninguém tem recursos para buscar a Deus, sem que Deus se volte pra ele.  
3) Que uma vez em Cristo, nossos feitos, se forem bons, não são nossos, são de Cristo.  

Pois como ele mesmo disse:
"Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. (Jo 15:5)
Sim, pelo fruto conhecereis a árvore, e a árvore a ser conhecida é Cristo, nossa videira verdadeira.  Do esconderijo entre as folhas, agora ramos bem enxertados na videira que é Jesus.  Unidos nele, em sua suficiência e centralidade, sem se esconder, confessando sempre dependência de sua graça e amor.  Estar em Cristo é não ser perturbado com a pergunta: "onde estás?".  Pois, estar em Cristo, é estar no lugar certo, é antecipar o retorno pra casa.  O retorno do exílio de volta ao jardim de paz.
9 de nov de 2011 | By: @igorpensar

Fala Guilherme de Carvalho!

Pr. Guilherme de Carvalho, em uma reflexão profunda sobre a atual espiritualidade evangélica, integralidade da fé, tendências teológicas e os rumos para uma fé cristã enraizada na centralidade de Cristo, que integrou em sua encarnação a criação e redenção.  Na parte 2, após os fundamentos teológicos apresentados na parte 1, desafia os cristãos vocacionados para a arte, a se engajarem no embelezamento da realidade criada.


30 de out de 2011 | By: @igorpensar

Escritura & Tradição por McGrath

Estou impressionado com a clareza e consistência teológica do livro "Paixão pela Verdade" de Alister McGrath.  Devo a alguns escritos de McGrath meu retorno à fé cristã e ao evangelicalismo reformado. Sua perspicácia intelectual, clareza teológica e sensibilidade espiritual, claramente presentes em seus textos, os tornam incrivelmente elucidativos.  


Alister Edgar McGrath é um sacerdote anglicano, teólogo, e apologista cristão.  Atualmente é professor de teologia, ministério e educação no Kings College London onde também é diretor do Centro para Teologia, Religião e Cultura.  Ele foi também professor de Teologia Histórica na Universidade Oxford.   McGrath destaca-se por seu trabalho em teologia histórica, sistemática e cientifica, além de obras apologéticas contra o ateísmo e o anti-religiosismo secular.  Ele possui um DPhil em biofísica molecular e um grau de Doutor em Divindade pela Universidade de Oxford.

Entretanto, o trecho que gostaria de destacar em "Paixão pela Verdade" é o que se refere à relação entre Escrituras e Tradição, que costumeiramente são colocados ou em equivalência de autoridade, como acontece no catolicismo romano, ou em uma relação de rejeição absoluta à tradição, como acontece em formatos radicais de evangelicalismo ou no primitivismo-restauracionista. 
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McGrath, Alister. Paixão pela verdade: a coerência intelectual do evangelicalismo.  São Paulo:  Shedd Publicações, 2007. p.80-81.

Para alguns escritores, a "tradição" tem bastante autoridade.  Tradição seria entendida aqui como o que designa uma doutrina ou crença tradicional, que tem força de autoridade por causa de sua antiguidade.  Contudo, isso pode facilmente degenerar em sentimentalidade não crítica.  A afirmativa "sempre cremos assim" pode significar "sempre estivemos errados".  Como o escritor do terceiro século, Cipriano de Cartago, aludiu, "uma antiga tradição pode ser só um antigo erro".  A tradição deve ser honrada onde pode ser demonstrada como justificada, e rejeitada onde não o pode.  Esta apreciação crítica de tradição foi um elemento integral da Reforma, e baseava-se na crença fundamental de que a tradição era, em última análise, uma interpretação da Escritura que tinha de ser justificada com referência à mesma fonte competente.  

Contudo, a ideia de "tradição" é de importância para o evangelicalismo moderno.  Os evangélicos têm tido sempre a tendência de ler a Escritura como se fossem os primeiros a fazer isso.  Precisamos lembrar que outros já estiveram lá antes de nós, e já a leram antes que nós o fizéssemos.  Esse processo de receber a revelação escritural é "tradição" -- não uma fonte de revelação somada à Escritura, e sim um modo particular de se entender a Bíblia que a igreja cristã tem reconhecido como responsável e confiável.  A Escritura e a tradição não são, pois, para serem vistas como duas fontes alternativas de revelação; em vez disso, são coinerentes.  A Bíblia não pode ser lida como se nunca tivesse sido lida antes.  As hinódias e liturgias das igrejas constantemente nos fazem lembrar que a Escritura já foi lida, avaliada e interpretada no passado.  James I. Packer, um dos mais influentes escritores evangélicos de anos recentes, enfatiza esse ponto:
O Espírito tem estado ativo na igreja desde o início, fazendo o trabalho para o que foi enviado -- guiar o povo de Deus na compreensão da verdade revelada.  A história do trabalho da igreja para entender a Bíblia forma um comentário sobre a Bíblia que não podemos desprezar nem ignorar sem desonrar o Espírito Santo.  Tratar o princípio de autoridade bíblica como uma proibição à leitura e aprendizado do livro de história da igreja não é um erro evangélico, mas um erro anabatista.
22 de out de 2011 | By: @igorpensar

Teologia Reformada e Cristianismo

O teólogo Franklin Ferreira faz uma excelente e sóbria explanação sobre o papel da teologia reformada no cristianismo global.   Uma introdução importante sobre como reformados pensam teologia.  Esta palestra foi realizada na 27a. Conferência Fiel para Pastores e Líderes recentemente realizada pela Editora Fiel.

Fonte: Editora Fiel on Vimeo.
13 de out de 2011 | By: @igorpensar

Cristo é a Unidade

Por Igor Miguel

"O elo de ligação que une os membros do corpo, que une a a Igreja, não é Cristo!  Não é Cristo que une os ministérios, não é Cristo que garante a unidade da Igreja.  Cristo não é o elemento comum com o poder para unir a sua Igreja." (Matheus Z. Guimarães)*
* Trecho de ensino ministrado na Congregação Har Tzion no dia 27/08/2011. A frase foi afirmada a partir dos 22 minutos de fala. O vídeo, até a presente data e sem edições, pode ser acessado aqui. Não posso garantir que o vídeo seja retirado ou editado após a publicação deste artigo.  Nota em 14/10/2011: como previsto, o vídeo foi tirado do ar e substituído por um texto explicativo.  Por que será que tiraram o vídeo?
Desde que me ausentei do Ministério Ensinando de Sião, optei por não me referir a nada de natureza pessoal, não procurei me defender das alegações de rebeldia contra minha pessoa, coisas ligadas às sutilezas de ordem relacional interna etc, justamente para preservar as pessoas ligadas a este ministério.  Apesar dos apelos emocionais e o paternalismo patético dirigido a minha pessoa, reafirmo, que não estou disposto a colocar estas questões em pauta.  Por outro lado, como todos sabem, não sou pastor, nunca recebi uma ordenação, mas tenho uma vocação em Jesus Cristo, desde de minha juventude, que é o amor pela verdade.  E a verdade é Jesus Cristo, tudo mais é relativo a seu senhorio, qualquer coisa que for colocado no lugar dele, será inevitavelmente um ídolo.  Por este motivo, vejo-me no direito de me posicionar a respeito do que é teologicamente inapropriado, pois isto, envolve a saúde espiritual de muitas pessoas.  Estou disposto a manter a mesma postura, tratar questões de natureza teológica e doutrinária, quando necessário, baseado no meu direito de liberdade de expressão.  Reafirmo a retratação pública disponibilizada no último ano.

Entendo que há um problema de ênfase, uma troca explícita da centralidade de Jesus Cristo pela centralidade de outra coisa (judaísmo, Israel, marranismo, alyah, a Lei e por aí vai).   Isto me parece grave, exceto que tal comunidade não se julgue mais "cristocêntrica", ou que não se alegue comprometida com o Corpo de Cristo, do contrário, minha crítica é inútil.   Do contrário, minha posição teológica é legítima, e deve ser pública, como pública foram ditas as palavras acima.

A Igreja do Senhor Jesus sempre foi e sempre será identificada como "Corpo de Cristo", por um motivo simples: Cristo é o núcleo, causa e efeito, fundamento e pedra angular desta comunidade.  Se a Igreja é o Corpo de Cristo, isto significa que sua existência, continuidade e missão sustentam-se unicamente por causa de Jesus Cristo.

Há algumas semanas, chegou-me ao conhecimento o trecho do sermão acima.  Tive que checar pessoalmente tamanha discrepância com a doutrina apostólica.  E pude confirmar e afirmo sem qualquer constrangimento: há heresia.   

Quero lembrar, que uso o termo heresia exatamente como o apóstolo Pedro o faz: 
"Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição." (I Pe 2:1).
O termo heresia vem do grego airésis [αιρεσις] que pode ser traduzido por "dissensão", "facção" ou "opinião fora do consenso".   Sim, acredito, que a doutrina apostólica constitui-se sob o consenso da Igreja, que Cristo é o centro, a causa e o propósito de sua existência.  Qualquer leitura, mesmo que superficial dos textos de Jesus e de Paulo, levam qualquer pessoa interessada no evangelho, a conclusão básica, de que Cristo é nuclear e a Igreja constitui-se nele.  Uma discordância explícita ou velada a respeito disso, constitui-se em uma dissensão (airésis), ou seja, uma opinião que fere a unidade do Corpo que é Cristo.

Para o autor da frase acima, diferente do que largamente é ensinado no Novo Testamento, é Israel o propósito e a identidade que unirá o Corpo de Cristo.  O foco da referida mensagem é que a unidade da Igreja não se constitui em Jesus, mas em sua identidade em Israel.   Reafirmo, que isto é um tipo de idolatria.  Mesmo sabendo da importância bíblica e histórica do povo de Israel, sabemos, que mesmo este povo, só existiu e existe por causa de Jesus.  Ele é a plenitude de tudo que os profetas anunciaram e não o contrário.   Eu procuro explicar e dar todas as bases bíblicas a respeito da centralidade de Cristo e não de Israel, na constituição da Igreja, no artigo publicado em janeiro intitulado "Israel de Deus". 

Acho desnecessário citar as dezenas de textos bíblicos que afirmam que Cristo é o núcleo, a causa, o elemento comum, e que é Ele mesmo quem garante a unidade da Igreja. Entretanto, relembro alguns que me parecem centrais:
Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.  (Jo 17:22-23)
No texto acima, o próprio Jesus deixa claro que a unidade entre os discípulos é ele (Jesus) nos discípulos, como Ele Jesus está com o Pai em unidade.  Vale ainda lembrar as palavras do apóstolo Paulo que diz: 
Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função,  assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros. (Rm 12:4-5)
"Não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. " (Gl 3:28)
Permitam-me colocar o paralelo entre este texto de Paulo e do autor da frase acima:

".... não é Cristo que garante a unidade da Igreja.  Cristo não é o elemento comum com o poder para unir a sua Igreja..." (MZG)

"... conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros." & "... todos vós sois um em Cristo Jesus." (Apóstolo Paulo).

Me parece claro que há um oposição clara entre a afirmação ensinada pelo Matheus e o que o apóstolo Paulo ensina.  Se isto for, como me parece explícito, uma contradição à doutrina apostólica, isto não pode ser outra coisa se não um desvio doutrinário sério.  E se este é o ensino que tanto se esforçam por ensinar, posso lhes garantir, que o rumo é o afastamento consciente das pessoas da centralidade de Cristo.

Espero honestamente, que estas palavras sejam corrigidas, que o ensino bíblico e apostólico seja retomado.  Que Cristo volte a ser o centro da vida destas pessoas, e não apenas um acessório teológico para justificar o que lhes parece central.
"Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus,  edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular;  no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor,  no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito." (Ef. 2:19-22)
"Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos." (Cl 3:15)
Pensem com calma o que Paulo considera ser o núcleo de sua identidade quando disse:
"Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne.  Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais:  circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.   Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo.  Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como lixo, para ganhar a Cristo."  (Fp 3:3-8).
Orando para que a Igreja, mantenha-se como Corpo, edificada sobre Jesus, sempre.
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10 de out de 2011 | By: @igorpensar

Canção "Filhos de Deus"

Clipe de meu amigo Tiago Corrêa onde canta a música de sua autoria "Filhos de Deus".  Letra bíblica explorando o sentido do nome de Jesus, que em hebraico é Yeshua, que significa "O Senhor que salva".  Belíssima canção, inspirada e cristocêntrica.



Missão Integral & Missionalidade

Disponibilizo aqui a apresentação (em formato Prezi) de minha aula na Escola de Teologia e Vida Cristã do L'Abri , o conteúdo está todo disponível aí, basta ir passando os enquadramentos com as setas.

5 de out de 2011 | By: @igorpensar

Sabedoria Judaico-Cristã (Vídeo)

Pessoal,

Disponibilizamos aqui a palestra que ministramos na Escola de Engenharia da UFMG na 3a. Semana do Cristianismo organizado pela Aliança Bíblica Universitária (ABU) sobre o tema: Sabedoria Judaico-Cristã: por uma liberdade responsável.


25 de set de 2011 | By: @igorpensar

Placas de Aviso

Se você seguisse uma estrada que te levasse para um buraco, e só descobrisse isso quando estivesse no meio do caminho. O que faria? Voltaria e colocaria placas e avisos com os seguintes dizeres: "Este caminho leva a um buraco". O problema é que na volta, você encontra algumas pessoas querendo tirar as placas de aviso que você colocou e olhando para você com cara feia, como se você estivesse fazendo alguma coisa errada. Sinto muito, não posso ser responsável por tantas vidas. Vou continuar colocando placas de aviso.

Igor Miguel

22 de set de 2011 | By: @igorpensar

Série de Sermões: Origens


A Igreja Esperança em Belo Horizonte - MG deu início a uma série com o tema "Origens" que está sendo ministrada por seu pastor Guilherme de Carvalho. Todo os residentes em Belo Horizonte estão convidados. Segue abaixo as datas e os respectivos temas de cada domingo.


ORIGENS: Gênesis 1-11 (Pr. Guilherme)
Aos Domingos, a partir das 18h

04/09 - O Sentido do Mundo: Salmo 19
11/09 - Três Temas em Gn 1.1-2.4
18/09 - O Criador: Pai Todo-Poderoso
25/09 - O Homem como Imagem de Deus
02/10 - O Éden
16/10 - O Sentido da Tentação
23/10 - O Paraíso Perdido
06/11 - Caim
13/11 - A "Civilização" fora do Éden
20/11 - Deus Reina sobre o Dilúvio (Noé)
27/11 - A Aliança do Arco-Íris
04/12 - Babel: Deus e as Nações
11/12 - A Casa de Sem e o Futuro do Homem
18/12 - Jesus Cristo e a Promessa de Abraão

Av. Pedro II, 2744 - Caiçara - Belo Horizonte - MG


20 de set de 2011 | By: @igorpensar

Crianças diante do Criador

Por Igor Miguel

Não quero que meus filhos brinquem que Deus é um ser imaginário, fruto do acaso e da decepção com o tempo.   Quero que brinquem com Deus mesmo, que rolem no chão ao rirem de suas proezas, chorem desnudados diante de sua absoluta pureza e se emocionem com sua habilidade em confundir as probabilidades.

Quero vê-los correndo sobre grama verde e sentirem o vento como um hálito soprado por Deus.  Que sejam tomados de assombro quando os relâmpagos rasgarem os céus em estrondoso e tardio trovão.   Quero que sejam visitados por sua presença em noites silenciosas, sintam as letras do Livro Sagrado cuja sacralidade procede de seu admirável conteúdo.  

Gostaria de me ver em meus filhos rompendo em olhar curioso o rumo das gaivotas, e cheios de senso de sentido, perguntarem o destino da revoada.  Que eles lancem os olhos em noite escura para um céu infestado de estrelas exibidas, brincando de ligação de pontos, procurando por ordem ao que parece arbitrário e aleatório.

Que meus filhos se deixem encantar.  Que sejam cheios de gratidão por verem um mundo tão excitante e tão cheio de vida.  Mesmo no drama da dor e da perda, que saibam dar graças, pois mesmo a perda e a morte não podem dar cabo da vida que ainda floresce.

Que juntem mãozinhas em sinal de gratidão e digam com toda doçura: "papai do céu."  Que vejam no "papai deles", este sujeito trôpego e vacilante, o olhar que o Senhor do Tempo lhes dirige, mesmo quando ele - o pai deles -  não pode mais vigiá-los.

E que finalmente, se descubram maculados e percebam, o mais cedo possível, que nasceram com defeito.  Que não podem muitas coisas, que são egoístas, iracundos, ressentidos e ambiciosos.  Que descubram rápido que o vaso é belo, mas está trincado.   E finalmente, ao serem tomados pela vergonha de sua própria condição... que possam correr para a cruz.  E lá, ao abraçarem o Filho com fé inabalável, que se encontrem com o verdadeiro Pai, com Aquele que verdadeiramente os amou.  E assim, quando já estiverem jovens e independentes, que corram sob grama verde, como no início, e voltem a ser crianças recém chegadas ao mundo... ao novo mundo que Deus inaugurou.
E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles.   E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. (Mt 18:2-3).
20 de ago de 2011 | By: @igorpensar

Tempo Integral

Por Igor Miguel

Aprouve a Deus colocar suas criaturas em mundo marcado pelo tempo.  As referências do envelhecimento, do movimento do sol e dos eventos são testemunhas de que o tempo passa.   Para não se perder na jornada, as pessoas criaram memoriais, registros escritos, impressões em cavernas e calendários.  Inventaram também a história, uma ciência da memória, que tenta organizar, registrar e interpretar os rastros da humanidade no tempo.


Em algum sentido, este ser humano é feito no tempo e projeta-se na história.  A pressão do tempo e dos que vivem com ele ali e antes daquele momento, permanecem, e ele é construído em resistência ou complacência a esta pressão, este homem do/no tempo.
"Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR.  Esta é a história de Noé. Noé era homem justo e íntegro entre seus contemporâneos; Noé andava com Deus." (Gn 6:8-9).
Contemporâneos?  O termo "contemporâneo" tem o sentido de "mesmo tempo".  Noé não era "justo" e "íntegro" simplesmente.  Ele o era entre os de seu tempo.  Noé não era um retirante, um sacerdote em fuga ou um religioso segregado.  Ele era um homem no tempo, na história.  Noé nasceu naquele tempo, naquela ocasião, naquela cultura, entretanto, o que o fazia distinto?

Este trecho de Gênesis é antecipado pela descrição do tempo de Noé: violência, desordem moral e social, todo tipo de caos de tamanho comprometimento, que o próprio Deus, insatisfeito sobre tais circunstâncias, se volta com indignação a sua criação.

Mas... Noé achou graça, bendita graça.  Observe que a história de Noé só começa depois que ele "achou graça aos olhos de Deus", curioso não?  Sim, não há história sem a graça.  A graça conecta o homem em uma linhagem, a uma tradição de justos no tempo.  Mesmo no tempo, este homem escolhido não absorve seu tempo ingenuamente.  Ele resiste a linguagem predominante e não se curva à obscuridade.   

Sem a graça não há história significativa, ou memória, apenas um permanente "deixa a vida me levar, vida leva eu".  Por isso, somente quando se acha a "graça", se é tirado do "curso deste século", como foi dito pelo apóstolo:
E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. (Ef 2:1 e 2)
Noé foi colocado justo e íntegro no tempo.  Justiça não é apenas retidão moral.  No original, tsédek צדק, também pode ser entendido por "retidão" ou "posição correta".  Noé foi colocado lá, no lugar original.  Naquele lugar que Adão tivera abandonado, lugar vazio, que fez Deus perguntar: Onde estás?   Agora, pela graça, lá está Noé, reposicionado, dentro do palco, no papel planejado, por isso, não só homem no tempo, mas homem na história, com uma história.  Deus reapresentou o jardim a Noé.
Remindo o tempo; porquanto os dias são maus.  (Ef 5:16)
Mas, para cumprir a história no "tempo", não basta se encontrar na posição determinada. É importante integridade, ou no texto original: tamim תמים.  Sim, é necessário "inteireza", "completude" e "integralidade".  Curiosamente, em algumas versões, esta palavra é traduzida como "perfeição".  Talvez, o leitor despreparado, possa ler "perfeição" em um sentido quase platônico e idealizado de inerrabilidade.  Mas, de fato, o que está em jogo aqui, não é apenas "integridade moral", mas "integridade existencial".   Noé era um homem "inteiro" e "integral", no sentido que, não havia nenhum "centímetro" de sua existência que não fosse da competência de Deus.  A existência de Noé não era fragmentada pelo tempo ou reduzida a qualquer aspecto do mundo de Deus.  De modo algum!  Subtende-se que Noé possuía sua vida completamente rendida sob o governo de Deus.

Se a graça justificou e restaurou Noé, ela também desencadeou um processo pedagógico, um culto. Afinal, "Noé andava com Deus".

A graça é justificadora, restauradora, mas também, educadora.  Ela inaugura uma trajetória, uma jornada com Deus.  Andar com Deus é viver uma rotina orientada por uma vida em Deus.  Costumeiramente, o homem é levado a pensar, que quanto mais sutil e rotineira sua atividade diária, seu trabalho, menos implicações espirituais aquilo tem em Deus.  O problema é que grande parte de nosso tempo, envolve exatamente este tipo de atividade.  

Certamente, quanto mais atenção for dedicada a esta nova dinâmica existencial que a graça inaugura, mais perceptível será que é exatamente no que se chama de "insignificante" e "irrelevante", que Cristo deseja instaurar o seu trono.

Jesus é justificador, restaurador, mas também educador.  Sua salvação inaugura uma história específica em cada ser alcançado.  Desencadeia processos no tempo e desígnios que envolvem a glória de Deus.  Jesus, por graça, entra na rotina e chama.  Como fez com seus discípulos.  Ele não queria homens absorvidos pelo tempo, mas queria que eles vivessem no tempo, e simultaneamente, conectados existencialmente com os planos eternos de Deus.  Somente, uma vez conectados com a eternidade, os discípulos entraram na história.

A graça de Cristo faz isso: livra o homem do caos desta geração, da desordem moral, da justa ira de Deus e do príncipe deste século. Para enfim, colocar o homem em retidão, integralmente submisso e caminhando, em uma jornada ao lado do mestre.  Somente assim, o homem livra-se da tirania do tempo, sem fugir dele.  Somente assim, cumpre ele uma tarefa significativa e relevante entre seus contemporâneos.

Z. Bauman & pós-modernidade

Entrevista com o filósofo e judeu polonês Zygmunt Bauman para o Fronteiras do Pensamento, apresentada na ocasião do encontro com o pensador francês Edgar Morin.  Bauman tem sido reconhecido mundialmente como um dos grandes intérpretes do fenômeno conhecido como "pós-modernidade", ele mesmo foi o criador do termo "modernidade líquida".  O vídeo está legendado e é uma excelente introdução ao fenômeno de migrações e crises identitária oriundas do desenraizamento e estreitamento das fronteiras, produzido pela modernidade e a globalização.


18 de ago de 2011 | By: @igorpensar

A young calvinist speaks!

James K.A. Smith, professor do Calvin College, fala sobre a proposta pedagógica de seu livro "Letters to a Young Calvinist: a invitation to the Reformed Tradition" (Cartas a um Jovem Calvinista: um convite à tradição reformada), que ficou conhecido como "From Piper to Kuyper".  Neste trecho da entrevista, Smith compartilha suas impressões e expectativas a respeito da emergência do que a revista Times chamou no seu emblemático artigo de "new calvinism" (novo calvinismo).  Referindo-se, aos  milhares de jovens que estão redescobrindo a centralidade de Cristo, a graça soberana, a paixão pelas Escrituras, a glória de Deus na criação e outras riquezas deste movimento que abalou o ocidente, por ser um cristianismo fervoroso.   Quais são os desafios desta nova geração de apaixonados por Jesus, por sua Palavra e pela perspectiva reformada de fé?

A entrevista está em inglês:


12 de ago de 2011 | By: @igorpensar

Geração Y, Redes Sociais & Inteligência

Hoje ministramos uma palestra pra galera do ensino médio do Colégio Batista Getsêmani em BH, sobre o tema "Geração Y, Redes Sociais e Inteligência".  A ideia basicamente foi falar sobre como podemos fazer um uso criativo e inteligente desta tecnologia, ao invés de darmos um tratamento reducionista e emburrecedor, ou darmos um tratamento moralista. Se, nossos alunos estão "distraídos" com estas tecnologias e rendendo pouco em sala de aula, isto pode ser fruto de um distanciamento ou uma inadequação de nossa linguagem com esta web-geração.  

A Internet e as Redes Sociais podem ser um grande recurso para desenvolvimento de uma inteligência comunitária, participativa, e a elaboração de uma nova leitura, como já coloquei aqui no post intitulado "Inteligência Hipertextual".

Disponibilizo os slides... a fala, quem quiser, é só convidar a Humanitas, minha empresa de consultoria educacional, para dar uma palestra em sua escola ou instituição educacional.  Para isto, envie um e-mail contato@humanitas.com.br


Abraços,
Igor Miguel
3 de ago de 2011 | By: @igorpensar

Uma Visão Cristã do Trabalho

Prezados leitores,

Foi publicado na página da Editora Ultimato um texto de nossa autoria intitulado "Uma Visão Cristã do Trabalho", ele pode ser acessado neste endereço: http://www.ultimato.com.br/conteudo/uma-visao-crista-do-trabalho 

Que Deus, nesta breve reflexão, vos inspire à grande tarefa de cultivarmos um jardim para sua glória em Cristo Jesus.

Abraços,
Igor
2 de ago de 2011 | By: @igorpensar

O HOJE ETERNO

Prezados leitores,

Compartilho aqui a reflexão que fiz no Culto de Ações de Graças pelos formandos em psicologia da FEAD-MINAS 2011.  Turma que meu grande amigo Aender Borba participou.

Parabéns aos formandos!

Para baixar o texto na íntegra, clique aqui.

Abraços,
Igor


20 de jul de 2011 | By: @igorpensar

Mundo Amestrado

Por Igor Miguel

Encontrei uma pérola, um trecho da obra "O Mal-Estar da Pós-Modernidade" de Zygmunt Bauman.  Em específico, leio o capítulo  intitulado "Religião Pós-Moderna?", cujo trecho cito e tento explicar logo a seguir:
‎"Sugiro que, em grande parte, a mais importante das realizações da rotina diária é precisamente cortar as tarefas da vida conforme o tamanho da auto-suficiência humana. Tanto quanto a rotina pode continuar não-perturbada, oferece pouca oportunidade para se ruminar sobre as causas e finalidades do universo; os limites da auto-suficiência humana podem ser mantidos fora de foco." (BAUMAN, 1998, p.209-210).
Para a compreensão desse texto é necessário entender basicamente "o que é a modernidade".  A modernidade se caracteriza  basicamente pela ênfase na autonomia (auto-suficiência) e liberdade do homem; também pelo racionalismo, o controle e a técnica.  O homem moderno é aquele que preza pela privacidade e os direitos individuais, pela propriedade privada e pelo controle lógico de tudo.

Hoje, eu mesmo me vejo dentro de um apartamento cheio de artefatos, de "trecos" como: porta caneta, porta CDs, prateleiras, computador, furadeira, celular, ferro de passar roupas, aparelho de DVD, máquina digital, MP3 player, lâmpada de leitura, grampeador, fita durex, caixa de ferramentas, impressora e um monte de "coisinhas", que me dão uma sensação de liberdade, de facilitação da vida, de distanciamento do mundo exterior, e de que não preciso me expor ao mundo e correr riscos, afinal tudo está aqui.  Sabe, este "world of stuff", de artefatos e próteses?  Pois é, me assusto... me assusto.  Pois na verdade, meu apartamento é uma gaiola típica de um hamster que fica na "rodinha" distraído com sua "liberdade" em andar em círculos.

Basicamente é sobre essa "falsa liberdade" que postula Bauman: o homem precisa 'cortar as tarefas da vida conforme o tamanho de sua auto-suficiência'.   Em outras palavras: como o homem moderno não tem liberdade para ir além das paredes de sua vida privada e não se sentir ameaçado, ele faz uma gaiola, um cubículo, um universo restrito, onde ele pode exercer a ilusão de liberdade.   E, ao se entreter com esta "vida privada" e este reino entre quatro paredes, ele se aliena.  Enquanto esta rotina estiver "sob controle", enquanto ele acha que vive em um mundo domesticado, ele nunca vai se preocupar com as questões e os problemas de verdade.

Uma vez que se vive nesta "liberdade privada", literalmente na "caverna" que os gregos denunciaram, no sofisma de uma falsa verdade, pouca oportunidade haverá "para se ruminar sobre as causas e finalidades do universo".  Permita-me: ter-se-á pouco tempo para pensar em Deus, espiritualidade, religião, ética, comunidade, responsabilidade política e existencial.  

A auto-suficiência tem limites e quanto mais eles são testados, mais provocatividade encontra-se nas perguntas: de onde viemos? Para onde vamos?

fotos da gaiola hamster Um problema que atinge a Igreja?  Para ilustrar, conto um caso: algum tempo atrás, ministrando em uma Igreja, um pastor desabafava comigo seus dilemas pastorais.  Me disse que um de seus membros alegara a ausência na "Ceia do Senhor", porque teve que arrumar o guarda-roupas.  Incrível como Bauman me ajudou a entender este cristão relapso.  Ele já não vê na comunidade uma parte integrante de sua identidade cristã.  A modernidade lhe aprisionou, não consegue sair das quatro paredes de sua casa, e se deixou seduzir pelas grades da gaiola e por seu reino particular.  Por isso, ele perde o milagre de comer pão e beber vinho dados graciosamente por Jesus Cristo, porque está sob o encantamento de um universo que pode dominar, ou melhor, que já o dominou.

Com relativa frequência vejo cristãos que não conseguem mais encontrar na Igreja Local um lugar para culto.  Que estão tão acostumados a viverem uma vida "anestesiada", que estão com medo de se arriscarem no amor  e nas tensões inerentes à vida comunitária.  De novo, me utilizo de um dos  apaixonantes conselhos de Dietrich Bonhoeffer:
"Jesus Cristo é o que fundamenta a necessidade de que os crentes tem uns dos outros; [...] só Jesus Cristo torna possível sua comunhão, e finalmente, que Jesus Cristo nos elegeu desde a eternidade para nos acolhamos durante nossa vida e nos mantenhamos unidos para sempre."  (Dietrich Bonhoeffer) 
Enfim, fica aí o desafio de não vivermos uma vida amestrada, e consequentemente nos tornarmos amestrados por seus apetrechos.  O desafio para deixar esta zona de conforto alienante seria desfrutar da exposição da vida pessoal na experiência comunitária, com seus afetos e desafetos.  A vida da comunidade cristã não preserva o corpo, parte o corpo, e fazemos isso em memória de Jesus, que se expôs publicamente em nosso favor, nos oferecendo pão e vinho gratuitamente.

____________
BAUMAN, Z. O Mal-Estar da Pós-Modernidade.  Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998.
17 de jul de 2011 | By: @igorpensar

Palestra em Curitiba - PR


Estaremos ministrando em Curitiba - PR no dia 30 de julho às 19 horas na Pousada Betânia a respeito do tema: "A Justiça no Reino e o Sermos Um", será um enorme prazer tê-lo conosco.

Maiores informações: jvalim@ipathmos.org.br
19 de mai de 2011 | By: @igorpensar

Porque amo a Igreja

Por Igor Miguel

Em tempos quando muita gente anda insatisfeito com suas igrejas e comunidades locais, acho que sigo a contramão da tendência. Ando aos amores pela Igreja e por expressões comunitárias de culto e especificamente por minha Igreja Local. Não somente eu, minha esposa anda as voltas pela experiência comunitária também, nada que boa doutrina e leitura não façam.

Vivo dias de suspiro por esta comunidade que chamam Igreja, e não me refiro aqui à Igreja Invisível. Refiro-me a algo bem visível, concreto e humano, refiro-me à Igreja Local, com endereço físico, com estrutura litúrgica formalmente organizada, com pastor, com canções, salmos, pregação, ceia, ofertório e confissão de fé. Dirijo minha gratidão a Deus por àquelas pessoas, com corações fixos em cada música, cada partícula de pão mastigado e o gosto cítrico do vinho da ceia. A comunidade que entoa junto cânticos de gratidão, que não exalta nada além da grandeza do Deus criador, que se revelou redentor em Jesus Cristo.

Sim, desde o livro de James K.A. Smith, Desiring the Kingdom, tenho procurado viver uma espiritualidade na comunidade, por isto, menos individualista, intimista e pietista. Eis o motivo de alguns textos aqui escritos sobre orações, a docilidade da vida comunitária e outras gotas de louvor e gratidão por tudo que tenho aprendido.

Mas, de verdade, o livro de Kevin DeYoung & Ted Kluck, intitulado "Por que amamos a Igreja", me surpreendeu por sua simplicidade e objetividade ao apresentar a possibilidade amarmos a Igreja Local novamente. Em dias em que todo mundo quer dar uma resposta à "crise evangélica", encontramos boas opiniões a respeito, mas também péssimas soluções.

Muitas das "soluções" ou são pós-modernas de mais, como o caso do movimento "Igreja Emergente", ou primitivistas de mais, como o caso do restauracionismo judaizante que insiste no dualismo "Jerusalém x Roma" como a tensão, quando na verdade a crise da Igreja evangélica está em sua rejeição a algo muito mais simples: O EVANGELHO (JESUS CRISTO).

Entre primitivistas, encontramos também soluções radicais, como a galera que quer "desinstitucionalizar" a Igreja, sustentado que estruturas formais de organização eclesiásticas são um problema para a "espiritualidade". Pura abobrinha.

A Igreja se visibiliza na reunião formal do santos, e certamente, onde os santos se reúnem, existirão viúvas, crianças, missões, discipulado, horário de reunião, coletas e por aí vai. Impossível que esta estrutura se mantenha sem uma mínima organização institucional. Entretanto, a instituição serve à Igreja, e não o contrário. Só este detalhe que falha as vezes, e por esta falha, já assumem a filosofia "nós vamos quebrar tudo" e voltar pra Jerusalém, pra Igreja Primitiva... (aff...). Voltemos ao evangelho, Jesus Cristo é mais que suficiente, foi Ele mesmo, a causa primeira e última de todas as reformas, curas e renovações da história da Igreja.

Cito Bob Kauflin, citado por Kevin DeYoung, cantor cristão que assumiu seu orgulho:
"Durante anos, considerei as tradições religiosas como um impedimento à espiritualidade bíblica. Associava orações repetidas, recitação conjunta dos credos, confissão pública do pecado, leitura das Escrituras, calendário litúrgico e ordens de culto a legalismo e servidão. Propus-me a repensar a adoração coletiva a partir do zero. Buscaria apenas as Escrituras e não dependeria de nada que as pessoas tivessem feito nos séculos anteriores. Achei que estava sendo original. Na verdade, estava sendo apenas ignorante -- e orgulhoso." (DeYoung, p. 121).
Muita gente anda decepcionada com a Igreja Local, alguns com motivos, outros por transferência psicológica, ou por um idealismo quase platônico de Igreja. Idealismo refletido em um modelo de "Igreja Apostólica Pura". Pura? A Igreja do I Século era cheia de problemas identitários, tensões apostólicas, incursões heréticas de movimentos pré-gnósticos, judaizante etc. Muitos já resolvidos pelo consenso comunitário da Igreja. Deus nos livre de um retorno a problemas já resolvidos.

No idealismo, esquecemos, que a Igreja continua caminhando, e por isso é uma Igreja no tempo e na história. Temo, que no desejo de uma Igreja Ideal, esquecemos de amar a Igreja Real, aquela que temos agora. Preocupação que compartilho com o grande mártir cristão moderno Dietrich Bonhoeffer que afirmou certa vez:
"Qualquer um que amar mais o sonho da comunidade que a comunidade cristã em si (com todos os seus defeitos) torna-se destruidor desta, ainda que a devoção àquela seja impecável e suas intenções sejam extremamente honestas, sérias e sacrificiais."
A Igreja tem pecadores igual lá fora dela (o mundo), talvez com uma diferença: na Igreja você encontrará pecadores assumidamente pecadores, por isso, dentre eles, vários arrependidos. Arrependidos, que se voltaram para Cristo e seu evangelho, encontrando cura para suas vidas em uma caminhada de progressivo crescimento espiritual rumo a consumação desta magnífica salvação.

Então vou resumir a opera: amo viver em Igreja. Quando muitos querem viver na "Igreja Cristo em Casa", eu quero viver Cristo com outros. Quero estapear meu individualismo me expondo e olhando para os rostos. Quero me arriscar, me lançar aos olhares alheios, as vezes amorosos, as vezes nem tanto.

Mas... é bom, bom de mais segurar o pão da ceia e olhar pra ele e saber que é um pedaço do mesmo pão que minha comunidade segura simultaneamente. Muito bom recitar confissões cristãs milenares junto com minha comunidade ao final do culto, aquelas que afirmam claramente o senhorio, missão universal e divindade de Jesus. É muito bom ouvir um sermão bem preparado por meu pastor. Há! Pastor... bem lembrado.

Pois é, enquanto todo mundo corre de pastor, eu amo ser pastoreado. Dizia ao amigo Aender Borba: descobri que mais do que querer ser um pastor (coisa que não sou), vivi estes 1/3 de minha vida procurando ser bem pastoreado. Ufa! Como tenho aprendido meu pastor.

Então, enquanto muitos correm da Igreja Local, eu corro pra lá. O lugar onde recitamos salmos, cânticos espirituais, bebemos da doutrina apostólica, da suficiência e centralidade de Jesus Cristo. Uma comunidade onde ninguém é exaltado, nem nossa comunidade e nossa visão comunal é exaltada, apenas Jesus. Pois nEle, por Ele para Ele são todas as coisas (Rm 11:36).

Infelizmente, as vezes o que encontramos é compensação afetiva disfarçada de falso vínculo religioso. Falsa comunhão, fruto de uma unidade sentimental desprovida da iluminação de Cristo. Convívio social travestido de espiritualidade. Na verdade, relacionamento recreativo retroalimentado por orgulho e narcisismo. Se Cristo não for o núcleo de nossa vida comunitária, esquece, é clube, mas não é Igreja.

Enfim, a Igreja Invisível, universal, não-institucional, santa e sem mácula, se visibiliza na Igreja Local, com seus dilemas e virtudes (não muito diferente das Igreja exortadas por Cristo em Apocalipse), mas ainda amada por Cristo, e por isso, dignas de seu amor e severidade. Se Cristo ama a Igreja, certamente também a amo.
10 de mai de 2011 | By: @igorpensar

Uma oração: escapei da ira

Pai. Aqui estou, pecador por minha culpa, justo pela ausência de culpa daquele que me justificou. Sei que sobre mim justamente deveria cair sua indignação. Pequei, falhei, transgredi e me rebelei. Sim, justamente sobre mim deveria vir todo zelo do Senhor, ele deveria consumir cada centímetro do que sou. Se teu fogo se voltasse contra mim, eu olharia para ele aterrorizado, mas jamais questionaria, pois seria a justa ira por minha tolice primeva.

Pai. Te chamo assim, pois por graça fui criado no justo Jesus. Por graça, tua mão salvadora, sua destra amorosa, se voltou para mim e me transportou de um reino de confusão e caos, para um reino de sentido e luz. Sim, a ira foi derramada, o fogo consumidor de sua santidade devorou... quem? O pecador? O injusto? O iníquo? Não, o Justo, o Santo, o Perfeito, o Amado... o Filho Amado: Jesus Cristo.

Sobre Ele, o Filho do teu Amor, sobre Ele derramaste pavor, para que eu, teu inimigo, aquele que te perseguia, que fugia em manobras legalistas, sombrias lógicas de compensação, folhas de figueira. Eu mesmo, este filho das vergonhas, fosse ressuscitado em novidade de vida e revestido da justiça, retidão e pureza, atribuídas a mim por meio daquele de quem fui revestido.

Sim Pai. Miserável homem que sou, mas grato homem que sou, por ter sido alcançado com tal amor, com tal graça, dádiva incondicional. Pai, obrigado pela visita de tão grande salvação. Celebro grande livramento, celebro a paz... por meus méritos? Jamais! Pelos méritos de Cristo, sempre.

Em nome de Jesus Cristo, teu Filho Amado, amém.

Igor Miguel
30 de abr de 2011 | By: @igorpensar

Workshop de Educação Escolar Cristã


Estarei ministrando junto com Guilherme de Carvalho e Rodolfo Amorim no 20º WORKSHOP DE EDUCAÇÃO ESCOLAR CRISTÃ organizado pela AECEP (Associação de Escolas Cristãs de Educação por Princípios), instituição que tem filiada a seu quadro de associados as principais escolas cristãs confessionais no Brasil. O evento ocorrerá entre os dias 7-9 de julho de 2011 na Universidade Presbiteriana Mackenzie - São Paulo - SP.

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"Eu acredito no cristianismo como acredito no sol; não apenas porque o vejo, mas porque por meio dele vejo todo o resto"

C.S. Lewis

A educação escolar é um instrumento chave para formar a visão de mundo ou cosmovisão do indivíduo. Muitos de nós, educadores cristãos, fomos formados numa cosmovisão humanista secular que apresenta não só uma única visão, mas também uma visão anticristã de mundo. O educador cristão precisa conhecer as características básicas das cosmovisões predominantes neste século e refletir sobre como isto tem influenciado sua vida e o currículo escolar. Nossa proposta neste evento é resgatar a essência do Cristianismo, que são os princípios fundantes da cosmovisão cristã, e apresentar outras cosmovisões que tem permeado o currículo escolar na atualidade e as consequentes implicações na nossa cultura. Abordaremos as várias concepções de currículo escolar e refletiremos sobre como apresentar uma abordagem cristã de currículo.

PROGRAMAÇÃO ESPECIAL
Haverá uma programação cultural que incluirão apresentações artísticas, visitas ao Museu da Língua Portuguesa, Pinacoteca do Estado de São Paulo (Museu de Arte) e Estação Ciência da USP (A Estação Ciência possui cinco grandes áreas: Física: Astronomia (planetário), Transformações de energia, Eletricidade, Mecânica, Eletromagnetismo, Óptica; Matemática: Matemateca, Matemática brasileira, MATHS 2000(Matemática francesa); Ciências da Terra: Geografia e Urbanismo, Geologia e Petróleo, Castelo Medieval, Bacia Hidrográfica; Biologia: Corpo Humano, Aquários e Biologia Marinha, Butantan; Estação Natureza: cinco grandes vagões, localizados sobre os trilhos na plataforma externa da Estação Ciência, que apresentam ao público os biomas e a diversidade da natureza brasileira, utilizando como ferramenta de sensibilização a interatividade e as sensações (aromas, temperaturas, sons e texturas) como complementação de temas que serão abordados em seções temáticas e workshops curriculares.

Para este evento a AECEP fez uma parceria com o L'abri Brasil* que apresentará as palestras gerais e outras seções temáticas resgatando conceitos fundamentais para uma cosmovisão cristã.


A comunidade L'Abri foi fundada na década de 50 por Francis e Edith Schaeffer na Suíça, existindo hoje em onze comunidades espalhadas pelo mundo. L'Abri significa "o abrigo" em francês, traduzindo bem a identidade essencial da nossa comunidade: a prática da hospitalidade. O L'Abri Brasil foi iniciado oficialmente em janeiro de 2008 como um centro de estudos que combina vida em comunidade, hospitalidade e reflexão cristã. Por meio do engajamento integral e pessoal, o L'Abri quer demonstrar a realidade de Deus, e promover a riqueza da nossa humanidade, por meio de Jesus Cristo. É essencialmente um refúgio: um lugar para recobrar as forças, curar-se, repensar a vida e recomeçá-la.
Mais informações: http://www.labribrasil.org/

PRELETORES CONVIDADOS :

Guilherme de Carvalho é casado com Alessandra de Carvalho e tem duas filhas. Formado em teologia pela EST da Universidade Mackenzie, fez mestrados em Teologia (FTBSP) e Ciências da Religião (UMESP), realizou estudos de Religião e Ciência no Faraday Institute da Universidade de Cambridge, e trabalhou como professor no ensino médio (sociologia) e superior (teologia). É fundador da Associação Kuyper (aket), pastor da Igreja Esperança em Belo Horizonte e diretor de L'Abri Brasil.

Rodolfo Amorim Carlos é graduado em Relações Internacionais (PUC-MG), com uma especialização em Gestão do Terceiro Setor (PUC-MG) e Mestre em Sociologia das Organizações (UFMG). Membro fundador da Associação Kuyper (aket), dirigiu o Centro Betel de Transformação Integral (2003-2007), e trabalhou como professor no ensino médio e no ensino superior. É presbítero da Igreja Presbiteriana do Buritis (IPB), um dos coordenadores do "Arte em Foco" e obreiro de L'Abri desde 2008.

Igor Miguel é casado com Juliana Miguel, cristão reformado, teólogo, pedagogo e mestrando em língua hebraica, literatura e cultura judaicas (USP). Trabalha em tempo integral com Educação Cognitiva e Intervenção Pedagógica na OMCV (Organização Multidisciplinar de Capacitação e Voluntariado) em BH-MG. Faz parte da Associação Kuyper (aket), do Conselho da Igreja Esperança em Belo Horizonte e é voluntário na Escola de Teologia e Vida Cristã do L'Abri.


PALESTRAS GERAIS:

PALESTRA GERAL 1 - A Visão Cristã de Deus e a Identidade Cristã do Educador - Guilherme de Carvalho
- O coração da fé cristã é o próprio Deus Trino, tal qual se revelou na história da salvação e nas Escrituras. E a identidade do Cristão é moldada e definida por esse conhecimento de Deus. Na primeira plenária vamos examinar qual é a visão Cristã de Deus, como ela constitui a identidade e a cosmovisão cristã, e como a busca por uma Educação geuninamente cristã é inseparável do conhecimento de Deus.

PALESTRA GERAL 2: - A Identidade Cristã do Educador e o Currículo - Igor Miguel
- Na segunda plenária examinaremos de perto a relação entre a pessoa do educador e o currículo, tanto no nível explícito (do conteúdo e de sua estruturação) como no nível implícito (da identidade do educador). A chave para essa reflexão será o estudo da idéia Bíblica de "Sabedoria" como chave para a compreensão da tarefa pedagógica cristã.

PALESTRA GERAL 3: - O Senhorio de Cristo e a Missão de Educar - Guilherme de Carvalho
- A terceira plenária tem como tema central o Senhorio de Cristo sobre todos os aspectos da vida, e como isso altera todas as relações de poder - na política, na família, na igreja, no trabalho e principalmente na escola. Partindo de um estudo da Cosmovisão Bíblica na Carta de Paulo aos Colossenses, vamos buscar uma compreensão profunda e prática sobre como o próprio ambiente Escolar carrega um currículo oculto, e como esse currículo oculto pode ser iluminado e transformado pelo Senhorio de Cristo.

PALESTRA GERAL 4: - O Escopo Integral da Espiritualidade Cristã e a Tarefa Educacional
- O foco da plenária inicial é o impacto da visão Cristã de Deus na pessoa do educador; na plenária final o foco será a relação do educador com os diversos aspectos de sua vida no mundo. Nossa tese central será de que a espiritualidade cristã tem um escopo integral, tocando todas as áreas da vida. Após apresentar a tensão existente entre modelos de espiritualidade fragmentados e a prática educacional contemporânea, será apresentado o modelo bíblico abrangente de espiritualidade e seus desdobramentos para uma prática educacional integrada e integradora da vida humana na criação.

INSCRIÇÕES E MAIORES INFORMAÇÕES CLIQUE AQUI

Apoio:

SBB – Sociedade Bíblica do Brasil

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28 de abr de 2011 | By: @igorpensar

Páscoa Judaica (Entrevista TV)

Finalmente, na íntegra o vídeo da entrevista que participei no programa Brasil das Gerais.  Uma forma de compartilhar os vínculos culturais e espirituais entre o cristianismo e o judaísmo.  E claro, como elementos litúrgicos dos judeus, foram apropriados e re-significados por Jesus e pelo cristianismo.








20 de abr de 2011 | By: @igorpensar

Daniel Juster: cristianismo histórico


A pouco publicado, este é o segundo texto da série Dual Expression Communities (Comunidades de Dupla Expressão) de autoria do Daniel Juster.

Juster, frequentemente tem asseverado que o judaísmo-messiânico como idealizado por seus pioneiros, é o lugar apropriado para o acolhimento de judeus que creem em Jesus como Senhor, Deus e Messias.

Por outro lado, é evidente, que há muitos cristãos em crise com o formato de cristianismo que vivenciam, e acabam migrando para comunidades que se valem de expressões simbólicas judaicas, acreditando encontrarem lá a "Igreja Primitiva" ou do "I Século".

A raiz deste problema está no formato de cristianismo que conheceram e na baixa educação a respeito dos fundamentos históricos e na tradição de sua própria fé.

Vale a pena um lida no texto em seu formato completo. Traduzi alguns trechos, que considero urgentes. Espero que ajude a todos a caminharem rumo a uma espiritualidade sólida, cristocêntrica e conectada à historicidade de sua fé.

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"Muitos gentios que pensam que a congregação judaico messiânica é a forma ideal de Igreja, pensam isto por causa de um entendimento, educação ou experiência insuficientes na herança da Igreja. Hoje, muitas expressões contemporâneas de cristianismo não possuem raízes. As músicas são todas recentemente escritas, com poucos versos e pouco conteúdo. Eles [cristãos] estão sendo arrancados do grande conteúdo do cristianismo histórico. Por isso, o cristianismo lhes parece tão mau, quando comparam o judaísmo messiânico e o cristianismo contemporâneo que eles conhecem.

[…]

O cristianismo também tem profundas expressões com raízes nos apóstolos e os pais da Igreja ao longo da história. Alguns cristãos que vieram de contextos católicos ou ortodoxos, podem vir a julgar estas expressões como comprometidas pelo paganismo. Alguns destes julgamentos podem ser resultado de uma falta de entendimento, e por esta causa, rejeitam estas expressões, e ao compará-las com o judaísmo messiânico, este lhes parece puro e corretamente enraizado. Assim, se por um lado, na visão deles, há um cristianismo pagão, e por outro, um cristianismo contemporâneo raso, novamente, escolhem o judaísmo messiânico como expressão ideal da Nova Aliança.

[…]

A pessoa que desdenha da herança cristã não conhece a profundidade da herança cristã protestante em suas variantes. Estes fatores são importantes ao se criar o tipo de dupla expressão que é realmente mais fidedigna. Esta é uma expressão que honra ambas as heranças: a judaica e a cristã, onde elas são coerentes com a Bíblia."

Daniel Juster – renomado teólogo e líder judeu messiânico americano.