26 de jul de 2010 | By: @igorpensar

O Momento

Por Igor Miguel

Devido a quantidade de e-mails, comentários, scraps, ligações, etc. Sinto-me na obrigação de descrever meu novo tempo.

Estou feliz. Cheguei de alguns dias de férias em Cabo Frio - RJ com minha esposa. Foram dias muito agradáveis, pude ver parentes, amigos e meu pai; que se reconciliou comigo, nos abraçamos e choramos.

Minha esposa demonstra uma maturidade que nunca vi antes, sei que ela vai ficar brava por dizer isto, pois não gosta que eu fale publicamente de suas virtudes. Pura atuação de graça. Ela. anda lendo livros importantes como "Simplesmente Cristão e Surpreendido pela Esperança" de N.T. Wright. Eu leio
Desiring the Kingdom da série Cultural Liturgies de James K.A. Smith e sinto-me vivendo uma fase terapêutica, de sensibilidade, oração e com um blend de vida monástica.

Estou preparando as malas para um final de semana em Taguatinga Sul - DF ministrando na Igreja Cristã Manancial da Vida, tendo em vista cumprir minha agenda que está humanamente reduzida, como sempre quis.

Diferentemente do que a vã imaginação pode levar a pensar, não tenho pretensões megalomaníacas, nunca tive, e não será agora que terei. Ando recebendo e-mails com propostas desta natureza, sei que mandam por puro desconhecimento de minha trajetória sofrida com a cruz de Cristo. Simplesmente não responderei e-mails desta natureza. Amo a simplicidade!

Como disse para amigos nesta III Conferência L'Abri: sinto-me
humano, sinto-me gente, menos "pregador" ou "professor". Por isso, minha oração tem sido em arrumar uma escolinha para dar aulas pra "quarta série" e uma vaga em alguma faculdade para lecionar.

Simples assim, quero manter relacionamentos reais de amizade com gente que gosta de vir a minha casa, pura vida comunitária, permeada do amor a Cristo. É possível fazer a obra de Deus simplesmente sendo gente. Pode ter certeza!

Continuo lendo alguma coisa e a Bíblia. Minha oração mudou. Agora, ela é mais espontânea, mais natural, menos plástica, menos mecânica, sem os apetrechos e penduricalhos de minha fracassada religiosidade. Pura graça, pura obediência, de um Deus que opera soberanamente em mim, o querer e o efetuar.

"Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (Jo 15:5)

Alguns andam dizendo por aí que abandonei a consciência dos fundamentos judaicos do evangelho. Ora, como posso negar o óbvio? Como posso negar o que está lá? Seria uma miopia desvairada Zezinho. Porém, dedico-me a uma fé renovada em Cristo, contra isso, ninguém pode se levantar. Só os que não creem mais nEle. Neste sentido, do judaísmo me interessa tudo aquilo que é relevante para esta fé. Não sou judeu, nos termos da tradição judaica, sou neto de judeus por parte de pai, sendo assim, dedico energia e tempo na construção de uma identidade cristã consciente de suas raízes, mas ainda cristã.

Vou indo sendo "surpreendido pela esperança" de que há boas comunidades cristãs, há bons pastores, bons pregadores, servos e servas, focados no Reino, que lutam para dignificar a fé evangélica, mesmo quando o que vemos é uma grande confusão religiosa, mercantilização da espiritualidade e abuso de poder. Acabamos chegando a uma grande rede de amigos e irmãos que estão vivendo Igreja e Evangelho nos termos mais profundos imagináveis.

Enfim, achando que era conhecedor de alguma
extraordinária teologia, choquei-me ao descobrir, que a profundidade deste conhecimento estava entre pessoas que viviam espiritualidade nas coisas mais ordinárias.

Novo tempo, nova espiritualidade...

Soli Deo Gloria
Kol HaKavod LaShem

21 comentários:

Daniel Ben Iossef disse...

É isso, Igor...

Creio ser uma das conseqüências da sabedoria a vivência da espiritualidade na simplicidade da vida, no bom chimarrão, na roda de conversa com amigos sinceros, na extraordinária ação de um Deus tão grandioso em nosso cotidiano tão insignificante.

Essas coisas me surpreendem no Evangelho. E quanto mais eu estudo, mais tenho aprendido a dar valor nas coisas mais simples. Yeshua discutia os meandros da Torá com os entendidos, mas Sua ação era vista na simplicidade dos que estavam à beira do caminho. Nestes o milagre da vida se tornava real.

A graça de Deus está logo ali mesmo, não é?

Grande abraço, e não esqueça do convite feito prá tomar um chimarrão aqui em SC!

Daniel

Luciano Oliveira disse...

Opaaaaaa veio pra cá e nem tomamos um café na remmar hein...brincadeirinha.Poxa louvo a Deus por sua vida e por esse tempo de crescimento.Abração
luciano-cabo frio

@igorpensar disse...

Daniel,

Cara, ainda vou escrever um post sobre "A Filosofia do Chimarrão e a Espiritualidade Comunitária" alguma coisa do gênero.

Luciano,

Fiquei tentado em te ligar para conversarmos. Mas, optei em esperar para conversarmos com mais inteireza de alma.

Estarei em C.Frio no final de outubro novamente, ministrarei na CEI e na Tenda da Metodista na Teixeira e Souza, quem sabem marcamos para conversamos sobre a palavra com a turma da Igreja?

Um grande abraço mano!

Daniel Ben Iossef disse...

Boa, Igor...

Uma boa dica de erva é a Tertúlia, aqui de SC. É ótima.

Claro, depois de um pirão de peixe com tainha...

Abraços!

victor disse...

Esclarecedor e desconcertante. Acho que temos a mesma linha de pensamento sobre tudo isso. Bem, que Deus te ilumine e te dê sabedoria.

Jorge Fernandes Isah disse...

Igor,

disse-lhe através de um email que sentia uma mudança real em seus escritos. Nunca conversamos pessoalmente, mas nutro uma admiração e afinidade por seus textos, como se o conhecesse [um pouco de exagero, claro!].

Mas a mudança é visível e, digo, para melhor. Acho que você tirou um "peso" de sobre os ombros; e poder abraçar firmemente a fé a qual Deus o guiou e tem guiado:em Cristo.

Com isso, não estou dizendo que você não a tinha, digo que Deus a superlativizou em você, ao ponto em que, antes era parcial, agora atingiu a compleitude da sua alma.

Se não estou enganado, e minha análise não é falsa, consigo entender a sua alegria, e o gozo, e a esperança, e mesmo a simplicidade, somente possíveis por nosso Senhor.

Forte abraço, meu irmão!

Cristo o abençoe!

@igorpensar disse...

Pois é Jorge, exatamente isso. Simples assim.

Abraços,
Igor

INSTITUTO ABBA disse...

Olá Igor,

Desde que conhecemos você acompanhamos suas ministrações e seus artigos. Através do que você escreve conseguimos entender o que aconteceu e o que está acontecendo em sua vida. É como se, de certa forma, já soubéssemos que algo ia mudar. E mudou. Hoje as nossas aulas aqui não tem o formato de "aulas". São grandes conversas acerca de um tema de cada vez. Muitas vezes, ninguém quer ir embora. Aprendemos muito com você. Aprendemos a pensar e expressar estes pensamentos. E tenho certeza, continuaremos aprendendo. Deus é lindo demais...Um abraço da Beth e do Gabriel.

Anônimo disse...

Igor,

O Jorge Fernandes disse: "Com isso, não estou dizendo que você não a tinha, digo que Deus a superlativizou em você, ao ponto em que, antes era parcial, agora atingiu a compleitude da sua alma."

Eu, com todo respeito, não consigo ver isto em seus textos. Acho que em seus artigos mais antigos você expressava mais entusiasmo com a obra do Eterno, desmiuçava a Torah afim de entender a magnitude da Palavra do Eterno. Sinto como se você estivesse esfriado e com isto as responsabilidades ministeriais começaram a pesar como obrigação, ou talvez o excesso de compromissos o levou ao desgaste. Já senti isto e por esta razão digo isto sobre você.

Sobre seu texto, não consigo compreender como fazer distinção do estilo de vida de um judeu a de um gentio. Creio que o gentio que crê em Yeshua é enxertado na Oliveira, logo, torna-se participante do mesmo corpo.

Em Nm 15:14-15, fala a respeito do estrangeiro que deveria cumprir o mesmo estatuto dos judeus, quando este vivesse entre os judeus.

Não se trata de uma crítica, muito menos um pré-julgamento, apenas senti vontade de dizer que apreciava mais seus artigos antigos, mas certamente aprenderei a admirá-lo nesta nova jornada, pois vejo que o temor não se foi e a sabedoria não se perde.

Shalom!

Daniel Magno

@igorpensar disse...

Daniel Magno,

Obrigado por seu post. Ele sempre será bem vindo.

Porém, sinto-me na obrigação de discordar de alguns pontos. Não esfriei, este é um juízo duro. O fato de afirmar a centralidade de Cristo é a própria prova do contrário.

Pra mim, não se conhece o Eterno por outro meio, ao menos é o que diz João. "Ninguém jamais viu a Deus, por isso, o filho unigênito que está no seio do Pai o revelou" (Jo 1:18). Não há monoteísmo e espiritualidade reais sem a revelação de Deus por meio de seu Filho.

Quanto a lei, mantenho minha percepção. A mesma preservada pela tradição cristã reformada de que não há dicotomia entre "lei" e "graça".

Quanto aos textos, continuarei escrevendo, mas o espírito do momento, me conduz a falar sobre outras coisas.

De qualquer forma, muito obrigado por seu e-mail e sua preocupação. Acolho suas palavras com carinho.

No amor do Messias,

Thais disse...

Olá, Igor! Por acaso acabei encontrando seu blog. Boa a iniciativa! Fiquei bastante surpresa ao saber de seu desligamento do Ministério Ensinando de Siao, mas lhe desejo muito sucesso nas próximas empreitadas (nem sei se esta seria a palavra certa, a semântica é sempre um handicap)...
De qualquer forma, foi muito bom encontrá-lo no casamento de nossa querida amiga!
Um abraco,

Thaís Semionato

@igorpensar disse...

Olá Thaís,

Que surpresa agradável. Volte sempre por aqui tá? Mande um grande abraço ao Tiago.

Abraços,
Igor

Anônimo disse...

Igor querido

"Enfim, achando que era conhecedor de alguma extraordinária teologia, choquei-me ao descobrir, que a profundidade deste conhecimento estava entre pessoas que viviam espiritualidade nas coisas mais ordinárias"

Permita-me te dizer em amor que se não tivesse assistido suas aulas e aprendido tantas coisas com vc, interpretaria de uma forma equivocada a palavra ordinárias utilizada na frase acima. Vc pode estar magoando pessoas menos esclarecidas, que não tem o mesmo nível de compreensão e riqueza de vocabulário que vc tem, que conviveram muito tempo próximas a vc e que te amam muito. É só um comentário de alguém que gostava muito de aprender contigo e que no estudo de Gálatas foi ministrada profundamente pelo Ruach quanto a questão da adoção e do revestimento de Cristo sobre nossas vidas. Nas diferenças, nas ofensas, D'us sonda e prova nossos corações. "Como ovelha muda foi levado ao matadouro e não abriu a sua boca" ... permaneceu fiel até a morte e morte de madeiro - é desse Cristo que estamos revestidos. Não o julgo, compreendo sua humanidade, assim como compreenderei se não postar nenhuma resposta a meu comentário.
Com carinho,

Stella (Curitiba)

@igorpensar disse...

Stella,

Obrigado por seu comentário. Permita-me então traduzir este último parágrafo. O que digo é que existe um discurso em nosso meio, muito sutil, de que temos um conhecimento "extraordinário", isso não é verdade, se o fosse, seria puro orgulho. Pois existe conhecimento profundo em outros meios, ou mais que conhecimento, existe sabedoria. Sabedoria não acontece em salas de aula ou em seminários, a sabedoria é obtida na dimensão "ordinária" (talvez aqui a confusão). O termo "ordinário" é uma referência a vida "rotineira", por isso destaco no texto que a fonte de meu "momento" está nas coisas simples, minha esposa, dia-dia, trabalho "normal" e menos eclesiástico, neste sentido. Não depreciei o que estudei antes, apenas afirmei uma fonte de saber muito mais poderosa: a vida.

Beijos,
Igor

Anônimo disse...

Obrigada por responder...segundo o Dicionário Aurélio, ordinário significa:
1. que está na ordem usual das coisas
2. regular, frequente
3. de má qualidade, inferior
4. sem caráter, reles, ruim

Por isso te disse que se não o tivesse ouvido falar sobre extraordinário e ordinário em sua última aula, pelo momento, numa leitura rápida, entenderia pejorativamente sua colocação. Não me envergonho em dizer que li e reli até compreendê-lo melhor. E compreendi com clareza maior só depois de sua explicação. É como numa prova de interpretação de texto...se deixar de considerar todo o contexto para captar a mensagem e a intenção do autor, a interpretação pode ser danosa.

"Que a paz do Eterno, que excede todo o entendimento guarde nossos corações".

Shabat Shalom meu irmão querido!

Stella

Paulo Dib disse...

Igor,
Saudades de vc primo!!!!

Estive acompanhando as suas últimas postagens a respeito desse novo tempo em sua vida. E quero aqui expressar o meu apoio a vc (vi que algumas pessoas te criticaram muito). Entendo o que vc está passando, pelo menos em partes, pois de certa forma já vivi isso.

Esse tipo de decisão sempre gera um certo desconforto e sempre há aqueles que não entendem e não aceitam. Julgam. Criticam. Só quem vive entende!

Parafraseando o slogam do Master Card, NÃO TEM PREÇO! Não tem preço o fato de nos despirmos da religiosidade e podermos orar de forma simples, leve e natural. Não tem preço podermos contemplar o cotidiano, o corriqueiro e encontramos prazer naquilo que é ordinário, simples.

Nos surpreendemos quando vemos um Deus tão grande agindo em coisas pequenas e comuns. Nos surpreendemos em ver que nas coisas simples Deus continua usando nossas vidas em Sua obra, em prol do Reino.

Oro para que vc encontre sim, uma classe de quarta série e uma faculdade para lecionar. Tenho certeza de que além de vc encontrar realização, vc irá fazer uma enorme diferença na vida dessas crianças e alunos. A graça de Cristo que está em vc impactará seus alunos.

Um grande abraço!

Graça e paz permaneçam sobre ti.

Eric disse...

Fico satisfeito em perceber pelo seu texto a simplicidade do Evangelho da Graça e sua felicidade por esta visão. Lembro-me quando vc gentilmente explicava-me algumas questões por e-mail e acabávamos esbarrando em conceitos reformados, onde vc não excluía estes outros pensamentos. Acredito ser essencial para o Evangelho esta concientização de que nenhum entendimento é fechado em si mesmo.
Tenho certeza que seus futuros alunos encontrarão um excelente mestre.
Ecclesia Semper Reformanda Est
Um abraço,
Eric Souza

@igorpensar disse...

Primo Dib,

Que bom ler seus comentários por aqui. Louvo a Deus por amigos e pelo apoio de pessoas que não veem como "pregador" ou "professor", mas como pessoa. Infelizmente, se não vigiarmos, nos tornaremos "artefatos eclesiásticos" e esta "instrumentalidade" desumaniza, arranca a simplicidade da fé.

Eric,

Obrigado por vc por aqui também. Pois é, que bom que vc testemunhou como "penso" e "vivo". Se alguma verdade bíblica se descortina, morro por esta verdade ou ela me mata.

Soli Deo Gloria.

Lucas Alexandre disse...

Igor estou cheio de saudades de vc, que esse momento de transição possa ampliar sua condição de livre pensador, pela graça somente e te encher de alegria e criatividade, daquelas bem inspiradoras e reconciliadoras.

Este é o seu momento, amigo. Posso esperar um, dois, tres dias e o verei novamente companheiro.

Um grande abraço de seu amigo e servo Lucas Alexandre

NETO disse...

Olá Igor.
É sempre um prazer te ouvir e ler os seus artigos, comentários ou posts, é maravilhoso ter pregadores pensantes, como voce é desde que o conheci no CATES, isso mostra a essencia de D-us em voce. Essa sua postura explicitada aqui é algo que muitos tem buscado na igreja hoje em dia e o fato de não econtrarem esse evangelho simples e autentico nos faz entrar numa verdadeira "dança das igrejas", mudando sempre de "igreja" por não concordar com um evagelho inintelígivel ou simplesmente inaceitável quando confrontado com a Palavra. Permaneça nessa comunhão com o Pai, sempre ligado na Videira. Espero encontra-lo em breve. Te amamos.
Neto e família.

@igorpensar disse...

Neto,

Obrigado pelos comentários. Que o Senhor nos dê graça para permanecermos fiéis àquilo que Ele nos determinou em Sua Palavra. Que Ele nos mantenha de pé, para que cumpramos como Igreja, comunidade santa, Sua missão.

Abraços!