31 de ago de 2010 | By: @igorpensar

Amor, Corpo e Liturgia

Disponibilizo uma breve e recente reflexão sobre liturgia, sacramento (ceia e batismo), ressurreição e amor. Pode não parecer, mas estes aspectos da fé cristã se integram de forma maravilhosa. O texto aqui disponível é fruto de algumas leituras, principalmente da obra do jovem autor reformado e professor de filosofia do Calvin College, James K.A. Smith. Ele anda preocupado com uma teologia cristã relevante e que saiba dar respostas adequadas à pós-modernidade, sem se submeter ao relativismo ou a alguma "ortodoxia generosa" (perdoe-me pela ironia).

Enfim, este texto, como todos que escrevo, não encerra o assunto que é vasto, também, não está vedado a futuros ajustes, mas é uma forma de convidar teólogos, cristãos e leigos, a um debate importante, a revalorização da liturgia em um mundo evangélico que só se interessa pelo "novo" e esquece suas raízes. Claro, procuro refletir sobre a importância da inserção do corpo nesta dramatização da fé e como isto tem raízes na ressurreição que é uma resposta definitiva a qualquer tipo de espiritualidade "platônica" que ainda subsiste em alguns círculos cristãos do ocidente.

Boa leitura!

6 comentários:

Daniel dliver disse...

Para continuar a discussão, de acordo com a teologia ortodoxa (oriental), o ícone é o ponto essencial da doutrina da Encarnação. Toda a matéria foi santificada e é capaz de transmitir a graça de Deus. (?!)

Sobre estética litúrgica é interessante as posições luterana e anglicana contra a iconoclastia:

“Com a Reforma Protestante, foi no Luteranismo onde se expressou uma maior preocupação estética, com a preservação dos antigos templos, e a reelaboração de Símbolos, Cerimônias e Ritos, mantidos em sua beleza histórica, porém expurgados dos desvios doutrinários surgidos na Igreja de Roma no período anterior. A posição Luterana foi: “Devemos manter tudo aquilo que a Igreja Cristã elaborou, e que não se choque com a Palavra de Deus” . O Anglicanismo – como parte da mesma Primeira Reforma – seguiu a orientação Luterana. Isso contrastava com radicalismos encontrados entre Calvinistas: o culto como “quatro paredes caiadas e um sermão” , ou entre setores Anabatistas, que, adotando a incorreta teoria da “apostasia geral da Igreja” , negava toda criação de quinze séculos, e pretendia uma ahistórica reconstituição idealizada da Igreja Primitiva. Lutero sai do seu exílio, onde estava traduzindo a Bíblia, para combater a Iconoclastia (destruição das obras de Arte Sacra) empreendida pelo extremista Carlstad. O radicalismo iconoclasta surge sempre da generalizada identificação entre Arte Sacra e Idolatria, que não tem base nem no Judaísmo, nem no Cristianismo, mas que vai se instalar no Islamismo, e em setores do Protestantismo posterior.”

http://www.dar.org.br/biblioteca/65-doutrina-anglicana/553-doutrina-anglicana-viii-o-anglicanismo-e-sua-liturgia.html

Encontrei um bom texto sobre a teologia do culto reformado, em “monergismo”, onde se lê:

“Os resultados das reformas litúrgicas luteranas e calvinistas foram reconhecidamente diferentes. Como essas diferenças deveriam ser levadas em consideração? É insuficiente explicar estas diferenças assumindo que Lutero era um conservador e cauteloso reformador enquanto que Calvino era lógico e radical. A diferença real entre a reforma luterana e calvinista no culto pode ser disposta como o seguinte: Lutero ficaria com o que não era especificamente condenado nas Escrituras enquanto Calvino iria ficar apenas como o que era ordenado por Deus nas Escrituras. Este era o seu fundamental desacordo. Isto é de vital importância na historia do culto Puritano, desde que os Puritanos aceitavam o critério Calvinista, enquanto que seus oponentes, os Anglicanos, aceitavam o critério Luterano.”

http://www.monergismo.com/textos/adoracao/teologia_culto.htm

Assim, podemos nos voltar para as tradições luteranas e anglicanas para partilhar de tesouros que eles conservam?

@igorpensar disse...

Daniel, amei os pontos levantados por você. Estou pensando neles e logo darei uma resposta ou levantarei outras perguntas (um jeito bem judaico de pensar, há há há). Enfim, seus pontos são ótimos, mas temos que pensá-los com calma. Aguarde...

Abraços!

Daniel dliver disse...

Allen Vaz também está lendo o livro:

http://allenvaz.blogspot.com/2010/08/desejando-o-reino.html

@igorpensar disse...

Daniel, que legal! Postei um comentário lá.

Olha o que eu achei, penso que te ajudará nas questões litúrgicas:

Um livro do Kuyper chamado "Our Worship", esta é uma proposta de liturgia reformada.

Abraços,http://books.google.com.br/books?id=AE_ht0nbk9EC&lpg=PA74&ots=g15A68UtQ1&dq=%22our%20liturgy%22%20Abraham%20Kuyper&pg=PP1#v=onepage&q&f=false
Igor

Edwin Fickel disse...

Igor texto maravilhoso
Concordo plenamente que riqueza artística da tradição cristã deveria ser resgatada também como linguagem legítima no serviço divino. Não mais ser julgada como expressão de idolatria. Ao entender-se que a salvação está ligada à encarnação do Verbo divino na história dos homens e à matéria, necessariamente somos obrigados a afirmar que Jesus de Nazaré reivindica para si a vida humana e a criação em todos os seus aspectos, os redime na cruz e os reclama mediante a ressurreição e ascensão para o Reino dos céus integralmente: «Deus, que não tem corpo nem figura, não podia outrora, de maneira nenhuma, ser representado. Mas agora, que Deus permitiu ser visto em carne e viver no meio dos homens, eu posso fazer uma imagem daquilo que vi de Deus. Eu não adoro a matéria, mas sim o criador da matéria, que se tornou matéria por minha causa, que quis habitar a matéria e que, através da matéria, me deu a salvação.» João Damasceno (século VIII).
Abraço Fraterno

Edwin Fickel

@igorpensar disse...

Isso mesmo Edwin, a propósito, dê uma olhada nas traduções do mano Daniel Dliver: http://danieldliver.blogspot.com.br/2014/04/tradicao-para-inovacao.html e este texto também http://danieldliver.blogspot.com.br/2013/12/tempo-liturgico-ritmos-e-cadencias-de.html