8 de fev de 2010 | By: @igorpensar

II Conferência Gerar


Amigos e parceiros,
este convite é pra vocês!!

Dias 05, 06 e 07 de Março de 2010 no CEIFAR, em Pequi/MG

A consciência da responsabilidade em cumprir o chamado de Deus para ser um líder cristão fiel e diligente na edificação da Igreja de Cristo, influenciando essa geração pela autenticidade na vivência diária de um evangelho integral e verdadeiro, tem sido nossa motivação em realizar a Conferência Gerar - Cristianismo Autêntico.

A restauração de conceitos e princípios bíblicos que nortearam a Igreja do primeiro século e a tornaram uma referência da manifestação do Espírito e do poder de Deus, é o alvo dessa programação. Conhecer a Deus e entender o Seu propósito para os dias de hoje revelado nas Escrituras desde o princípio. Vivenciar, aplicar e discipular a Igreja para conquistar as nações para o Reino de nosso Senhor Jesus Cristo!

Reserve essa data em sua agenda e participe conosco!!

contato@ministeriogerar.com.br
Tel. (31) 3296-9912 // 8463-4929
5 de fev de 2010 | By: @igorpensar

Eleições: se posicionando (Parte II)

Por Igor Miguel

A esfera litúrgica (pística na linguagem de Abraham Kuyper, "pisteis" em grego quer dizer fé) é soberana sobre seu papel em conduzir pessoas à adoração, edificação e culto a Deus. Também é na dimensão pística, que a orientação pastoral prepara pessoas com ferramentas da revelação para se engajarem em mundo de caos.

A esfera pública é uma dimensão com soberania própria, com leis estruturais próprias, porém, isto não significa que a esfera pública, não tenha algo a aprender com a esfera pística, com a esfera biológica e assim por diante. O problema é quando uma esfera quer se assenhorar da outra. Como é o caso na idade-média, quando a esfera pística quis submeter todas as outras esferas da criação a seu domínio, quis "liturgizar" a educação, a economia, a arte e tudo foi achatado por esta esfera. Esta lógica não nasceu da Igreja, foi herança do expansionismo imperial de Roma que institucionalizou o que era orgânico. O que era comunitário, tornou-se imperial e centralizador nas mãos de Constantino.

As revoluções humanistas desencadearam a afirmação do sujeito, a privatização e secularização, empurrando tudo que era do universo da fé para dentro do gueto da Igreja. Criou-se então um sistema de crenças "a-religioso", em que os homens investigam as leis da natureza, ignorando o legislador, a mente criativa que as estabeleceu ali.

Na era dos nacionalismos era o Estado tornando-se senhora de tudo, agora o Estado dobrou-se ante a esfera econômica.

A abertura da criação à investigação e à transformação foi visto por muitos cristãos como uma oportunidade. Alguns judeus que já eram envolvidos com as questões "mundanas", se juntaram à grande revolução cultural experimentada pelo mundo. Porém, a maioria dos cristãos, excetuando algumas correntes puritanas e neo-reformadas, aceitaram o discurso moderno e aprisionaram sua vocação às quatro-paredes da vida litúrgica, deixando que o mundo seguisse seu rumo sob os auspícios do deus Ratio (razão) e seu sacerdote Scientiae (a ciência).

Hoje, o cristianismo volta timidamente a ser despertado ao engajamento cultural. Sempre falo para meus alunos de teologia que o "exorcismo" é a parte mais superficial da missão evangelizadora, que a missão deve ser expandida. Pior que tirar o demônio do possesso é tirar as impressões que ele deixa.

O mundo está em processo de desencantamento (ou reencantamento?) e nossa missão é discipular os povos encaminhando-os a uma vida plena, abundante como prometida pelo Messias. Uma espiritualidade engajada com a justiça e com a excelência de uma vida que se santifica para santificar toda criatura sob o teto da soberania de Deus.

O mundo não precisa de professores cristãos, mas cristãos professores, há uma diferença aqui. O primeiro pode ser cristão quando ora antes de sua atividade vocacional, quando se comporta eticamente como cristão. O segundo tem todos estes valores, mas ilumina sua atividade profissional e sua percepção educacional a partir de uma visão de mundo cristã. Sua didática é inspiradora e lúdica, seu planejamento de aula é humanizador, seu olhar e sua forma de considerar os saberes parte do pressuposto de que os homens são imagem de Deus. Sua capacidade de diálogo leva em consideração a "palavra". Um educador cristão não educa mentes, educa pessoas integrais.

Um profissional cristão é um distribuidor de graças, ele "cai na graça do povo", pois é generoso quando abre possibilidades. Quando não monopoliza informação, mas fertiliza culturalmente as pessoas, quando quer transformar discípulos em mestres. Ele vai contra a lógica da competitividade, procurar a cooperação e a integração, criando redes de ajuda mútua.

Um político cristão neste sentido, seria um cristão político. Um cristão engajado na "pólis" (cidade em grego), antenado e intérprete da cidade e de seus cidadãos, seria alguém atento às articulações e às estruturas iníquas e destruidoras dos direitos humanos. Um cristão político não é um proselitista é um discipulador, que instrui e que ensina. Que propõe uma cidade que reflita a Civitas Dei e não a Civitas Diabolis - parafraseando Agostinho. Neste sentido, acima de tudo, deve repensar o conceito de justiça, que mais do que focada no indivíduo, considera-o como um ser integrado a uma comunidade. O direito não é só do individuo, é da comunidade para o indivíduo, do indivíduo para a comunidade dialeticamente.

[continua...]
1 de fev de 2010 | By: @igorpensar

O Carisma é Comunitário

Por Igor Miguel

Deus é generoso. A expressão máxima de Sua generosidade está no carisma. Sim, na atuação divina em distribuir determinados poderes a determinadas pessoas. Por isso, na linguagem bíblica dom* e poder** aparecem em textos, como que associados. A dádiva é uma recurso divino, que de alguma forma, coopera para a singularidade de cada homem.

O dom é um talento, é a graça individualmente outorgada e exteriormente manifestada. O dom é para fora, o dom é para a comunidade. A comunidade é toda rede de pessoas que estão para além do eu, do indivíduo. A comunidade é o Tu, uma rede de Outros. O outro também tem um dom, portador de uma singularidade carismática.
Para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. (I Co 12:25)
O dom é um tesouro, um quantum abençoador. Em sentido estrito, pode-se afirmar que o dom é individual, na medida que é concedida a um indivíduo, mas é comunitária, quando seu fim é o outro. O outro espera meu dom, a plenitude existencial do outro, depende do que me foi dado. A vocação é sempre pra fora, o carisma é comunitário.

A comunidade só existe, a medida que se constitui em uma rede carismática. Uma cadeia de interdependência vocacional. A potência do outro depende do meu dom e minha potência depende da generosidade do outro.
Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. (I Co 12:14)
O homem de testículo quebrado (Lv 21:20) não pode oficiar no tabernáculo, pois é estéril, tem potência, mas não tem semente. Sua graça não se multiplica, sua vocação enterra-se em si. Seu talento não rendeu, foi sepultado em si mesmo. Pode-se contar quantas sementes há em uma maçã, mas nunca quantas maçãs há em uma semente.

No carisma há um potencial multiplicador, quando cerrado em si mesmo, impede que o outro seja enriquecido. Impede a reprodução da vitalidade. Instaura-se a morte!
"Ora, aquele que possuir recursos deste mundo e vir a seu irmão padecer necessidade e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?" (I Jo 3:17).
Fechar o coração é monopolizar a dádiva, é restringir a fluidez da rede de interdependência carismática. Em mim há a carência do dom do outro e o outro carece da minha abertura.

O dom não pode ser privatizado. O dom é responsabilidade, está em mim, mas não me pertence. Pertence à comunidade, é do outro. Não há nada mais perverso do que criptografar, registrar, submeter o dom ao copyright. O carisma não é meu é do outro, é opensource.

O carisma tem um fim, a edificação da comunidade, para melhoria do outro e para o bem do eu. A potência do outro está na renúncia ao orgulho e a potência do eu está na generosidade.
Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. (Mt 25:29).
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*Em grego: χαρις - charis.
** Em grego: δυναμις - dynamis.