11 de dez de 2012 | By: @igorpensar

OMCV: capacitação & inclusão


Há muito tempo que gostaria de dedicar um post neste blog para falar sobre a ONG que trabalho, já caminhando para o terceiro ano.  Me refiro a Organização Multidisciplinar de Capacitação e Voluntariado (OMCV).  A OMCV nasceu por iniciativa e idealização da teóloga Gracie Pires, que além de longa experiência na área administrativa, teve a grande ideia de organizar uma ONG que trabalhasse com crianças e adolescentes em situação de risco, porém valendo-se de uma abordagem integral e multidisciplinar, integrando vários profissionais para este fim.  

A ideia é relativamente simples: crianças e adolescentes devem ser tratados como seres integrais, logo, tudo que os priva de tal integralidade é excludente e desumanizador.  A OMCV reconhece que educar é, em algum sentido, buscar uma formação humana integral em que os alunos devem ser tratados sob múltiplos olhares.  Assim, ao educar crianças e adolescentes deve-se considerar as dimensões: emocional, cognitiva, física, cultural, social e espiritual.  Que são aspectos integrantes da complexa condição humana.

Basicamente, o que a OMCV faz é oferecer uma série de programas que apreciem cada uma destas dimensões. Cada programa é composto por profissionais-especialistas (pedagogos, psicólogos, arte-educadores, teólogos-capelães, educadores físicos, professores de informática e assistentes sociais) que se engajam na promoção e o desenvolvimento destas áreas em seus alunos.  Obviamente, a articulação destes profissionais acontece a partir de uma abordagem multidisciplinar, o que significa boa comunicação entre os programas, de modo que os alunos recebam sempre um tratamento integral em suas diversas dificuldades.


Pessoalmente, sou responsável pelos Programa Aprender a Aprender, que lida com a educação da dimensão cognitiva dos alunos; e também, pelas Oficinas de Qualificação Pedagógica, cujo foco é a qualificação e treinamento pedagógico de sócio-educadores.  Além disso, assumi recentemente a coordenação pedagógica da OMCV.


Minha vida nestes dois anos tem sido circular por diversas comunidades da periferia da grande Belo Horizonte, trabalhando nos diversos projetos sociais que estão conveniados a OMCV.  Em específico, atuo nos seguintes projetos:
  • Projeto Compaixão no aglomerado da Serra em BH;
  • Projeto Alethéia no Bairro Tropical em Contagem;
  • Centro Cristão Evangélico de Educação que atende a Vila São José em BH;
  • Projeto Reconstruir que fica na Vila Antena em BH.



No Aprender a Aprender tenho aplicado nestes dois anos o Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI) que foi desenvolvido pelo educador israelense Reuven Feuerstein, cujo objetivo é potencializar a capacidade de aprendizagem.  Temos obtidos resultados incríveis!  Crianças que antes eram apáticas, impulsivas, desmotivadas e apresentavam dificuldades visíveis de aprendizagem, hoje estão motivadas, mais criativas, autônomas, e o mais legal, professores e pais relatam melhoras visíveis na vida escolar.


Lembro que muitas destas crianças vivem em comunidades socialmente vulneráveis por causa da proximidade com a violência, o tráfico de drogas e alta evasão escolar.  O impacto dos programas oferecidos pela OMCV nestes dois anos, mostra o potencial transformador desta iniciativa pelos anos que virão.  Realmente é muito encorajador fazer parte de uma equipe tão engajada.



Prezado leitor, te encorajo a dar uma passada no site da OMCV e conhecer mais sobre a atuação desta organização séria em BH e na Grande BH, na promoção da inclusão e transformação integral destas crianças e adolescentes, que hoje, têm ampliada as chances de saírem desta "zona de vulnerabilidade e risco".  Visite www.omcv.org.br, também nos siga nas redes sociais e sinta-se à vontade em contribuir com esta iniciativa.
3 de dez de 2012 | By: @igorpensar

Confissão Belga e Trindade

Gosto de relembrar que nossa fé protestante, principalmente aquela de tradição reformada, vem produzindo alinhamentos doutrinários importantes ao longo da história.  Entendo que a confessionalidade, ou seja, comunidades cristãs que se alinham com confissões protestantes clássicas, tem sido um grande recurso para tratar as ameaças da pós-modernidade e a terrível mania que temos de "inventar" ou "reinventar" a fé cristã.  Acho muito interessante como a Confissão Belga, elaborada em 1567, e adotada principalmente pela Igreja Reformada Holandesa, afirma e explica a Trindade.  Achei por bem compartilhar o trecho em questão.  Para acessar a versão completa clique aqui.

ARTIGO 8
A TRINDADE: UM SÓ DEUS, TRÊS PESSOAS
(grifo nosso)

Conforme esta verdade e esta palavra de Deus, cremos em um só Deus [1], que é um único ser, em que há três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo [2]. Estas são, realmente e desde a eternidade, distintas conforme os atributos próprios de cada Pessoa.

O Pai é a causa, a origem e o princípio de todas as coisas visíveis e invisíveis [3]. O Filho é o Verbo, a sabedoria e a imagem do Pai [4]. O Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, é a eterna força e o poder [5].

Esta distinção não significa que Deus está dividido em três. Pois a Sagrada Escritura nos ensina que cada um destes três, o Pai e o Filho e o Espírito Santo, tem sua própria existência, distinta por seus atributos, de tal maneira, porém, que estas três pessoas são um só Deus. É claro, então, que o Pai não é o Filho e que o Filho não é o Pai; que, também, o Espírito Santo não é o Pai ou o Filho.

Entretanto, estas Pessoas, assim distintas, não são divididas nem confundidas entre si. Porque somente o Filho se tornou homem, não o Pai ou o Espírito Santo. O Pai jamais existiu sem seu Filho [6] e sem seu Espírito Santo, pois todos os três têm igual eternidade, no mesmo ser. Não há primeiro nem último, pois todos os três são um só em verdade, em poder, em bondade e em misericórdia.

1 1Co 8:4-6. 2 Mc 3:16,17; Mt 28:19. 3 Ef 3:14,15. 4 Pv 8:22-31; Jo 1:14; Jo 5:17-26; 1Co 1:24; Cl 1:15-20; Hb 1:3; Ap 19:13. 5 Jo 15:26. 6 Mq 5:1; Jo 1:1,2.
30 de nov de 2012 | By: @igorpensar
16 de nov de 2012 | By: @igorpensar

Matéria Revista Veracidade: quem é Deus?

A "Revista Veracidade", uma revista gaúcha, publicou um artigo baseado em uma entrevista que demos a revista e a preciosa contribuição do teólogo e pastor Guilherme de Carvalho, onde trata a pergunta: "Quem é Deus?".  Segue abaixo um trecho da entrevista, vale a pena lê-la na íntegra aqui.   No artigo há menção de minha experiência de 10 anos no restauracionismo neo-judaizante, e os motivos que me fizeram abandonar tal movimento.



Para o pedagogo, teólogo e mestrando em língua hebraica, literatura e cultura judaicas pela Universidade de São Paulo (USP), Igor Miguel, que também é autor do site www.teologo.org, o problema está ligado a uma crise de identidade generalizada da Igreja Evangélica, em toda a América Latina. “Após o impacto negativo do neo-pentecostalismo, a comunidade evangélica passou a pautar muito de sua fé em um tipo de ‘sentimentalismo’, ou seja, uma busca por ‘experiências emocionais’ com pouca memória e pouca solidez em educação bíblica e histórica”. E acrescenta: “Poucos cristãos conhecem o longo patrimônio doutrinário e espiritual acumulado pelo Cristianismo. Pensam que Deus só agiu na era dos apóstolos, ou em casos mais generosos, após a Reforma Protestante, no século 16. Esquecem-se que Deus nunca perdeu o sentido da história e que o Cristianismo, entre a era apostólica e a Reforma, também é nosso Cristianismo”.

Igor fala com propriedade, pois ele mesmo, tendo dado os primeiros passos da vida cristã numa igreja pentecostal, viu-se envolvido e fascinado pela proposta de um grupo neo-judaizante, que se afirma empossado da “restauração das raízes judaicas da fé cristã” no Brasil, onde permaneceu ativamente por dez anos, motivado por um desejo restauracionista de viver o que a Igreja primitiva vivia. “Ao longo deste período, escrevi vários artigos questionando muitos dos ensinamentos clássicos da fé protestante e cristã, como a Trindade, por exemplo”. Ele afirma que o ponto mais problemático destes movimentos é a falta de centralidade de Cristo e do evangelho: “A maioria destas pessoas insiste em procurar algum tipo de ensinamento ‘novo’ ou ‘redescoberto’ que resolva os dilemas críticos com que a fé cristã se depara. Aproveitam-se da fragilidade da Igreja de Cristo, para disseminarem seus ensinos e esquecem que foi exatamente o abandono de uma fé cristocêntrica que sempre comprometeu o que é cristianismo de verdade”.

O retorno de Igor Miguel a essa centralidade de Cristo e da fé cristã autêntica deu-se por meio de estudo de textos apologéticos (de defesa da fé) e de renomados teólogos cristãos, e, acima de tudo por passar a conhecer a vida e os escritos de homens de Deus que, ao longo da história da Igreja, foram fieis ao Senhor e à Palavra, criticando rumos errados e ensinando a Igreja em suas épocas, sem nunca pretender abandoná-la. Ele cita “Tertuliano, Atanásio, Irineu de Lion, Agostinho de Hipona, João Calvino, Martinho Lutero, Abraham Kuyper, Francis Schaeffer, C.S. Lewis, Herman Bavink, John Stott, Louis Berkhoff, que me levaram a um cristianismo robusto, cristocêntrico e criativo”, explica. Hoje, após essa (re)descoberta do verdadeiro cristianismo e de redigir uma declaração pública de arrependimento pelo que creu e pregou naqueles dez anos (que pode ser encontrada no seu site), tornou-se um defensor do Cristianismo e das doutrinas bíblicas, dando ênfase em manter-se uma fé conectada à história da Igreja e à tradição cristã.

Para ler o texto completo, clique aqui
8 de nov de 2012 | By: @igorpensar

Sou um Fracasso

Prezados leitores,

Todos nós temos trajetórias espirituais diferentes.  Deus providencia rumos específicos para cada um de nós de modo que sejamos moldados a seus planos e desígnios.  Sei que somos doutrinados e bombardeados com uma ideologia mundana e perversa, que tenta nos seduzir a medirmos nossa vocação e ministério, a partir dos critérios que o mundo da competição e da auto-celebração nos impõe.

Não tenho dúvida, que muitos de nós que somos chamados para algum ministério, fomos acometidos em algum momento de nossas vidas pela tentação de nos tornar "grandes" pregadores, ou trabalhar em "grandes" ministérios, alcançar "multidões" e termos nosso nome, de algum modo, respeitado perante os homens.    Esta tentação tem sua origem no pecado e naquele que se rebelou contra Deus.  E por mais que nos é imposta esta sedução da popularidade, devemos nos dispor a Deus, de modo que cumpramos sua vontade, o que na maioria esmagadora das vezes envolve um serviço anônimo, modesto e despretensioso.  A propósito, muitos ministérios ditos de "sucesso" são na verdade internamente fracassados, tomados pelas pretensões de um coração corrompido pelo poder e o fascínio por si mesmo.

Se somos cristãos de verdade, e especificamente, se fomos chamados a algum serviço ou ministério para a glória de Deus em Jesus Cristo, devemos tomar escolhas sérias e sóbrias a respeito do que isto significa.  Vejo que falta muita coragem, falta honradez e ombridade, para que determinadas escolhas sejam tomadas.  Sei que as pessoas entregues a determinados ministérios se vêem escravizadas pelo fascínio dos aplausos ou um "bom" salário, ou ainda, tentadas a apresentarem o tempo inteiro uma imagem de "ministros de sucesso".  Mas, reafirmo, este é um grande engano e um ídolo.

Agora, se você quer viver Cristo e entregar-se em serviço a Ele.  Não meça esforços e não se preocupe com que vão pensar de você, apenas lance-se em uma trajetória feliz e honrosa, perante Deus.  Claro, honra e alegria, que sem dúvida, não significam necessariamente os aplausos dos homens ou a celebração dos poderosos, as vezes, significa o anonimato, a discrição e mudanças radicais em sua vida.  As vezes, significa a dureza de viver com um orçamento no limite, contado com milagres todos os dias, viver sob o risco, que todos os grandes "fracassados" profetas da Bíblia também experimentaram.  Mas, tenha certeza, que a graça e a fé não te faltarão.

Fui profundamente afetado pelo documentário abaixo, ele sintetiza as mais profundas intensões do meu coração e do coração de vários amigos e irmãos que convivo.  Tenho certeza, prezado leitor, que você pode ser mais um a se colocar de pé e descobrir que seu ministério, pode ser um ministério "fracassado", como o meu.  E finalmente, abrir mão deste fardo mundano, que colocaram sobres seus ombros, a ilusão de que o caminho de Cristo é o caminho da "popularidade" e do "poder".  Não!  O caminho de Cristo é um caminho de dor, sofrimento, adversidade e renúncia.  Entretanto, uma vida sob a plena e renovada fé que Jesus Cristo já venceu o mundo.

Por favor, assista este vídeo até o fim, sem interrupções, e se deixe ministrar pelos testemunhos e comentários aí presentes.

Eu agradeço a Deus por este documentário, disponibilizado pelo site Voltemos ao Evangelho e ao irmão Yago Martins, este jovem, que nos identificamos, por sua paixão e amor pelo Evangelho puro e simples.  Junte-se a este exército de homens quebrados, fracassados e vulneráveis, que carecem da graça generosa que nos foi disposta em Cristo Jesus.


5 de nov de 2012 | By: @igorpensar

Escola Especial de Missões Urbanas

Eu, Cida Mattar e Ariovaldo Ramos estaremos ensinando na Escola Especial de Missões Urbanas e falaremos sobre o tema:  "Educação Cristã para o Desenvolvimento Social", que este ano acontecerá na 8ª Igreja Presbiteriana em Belo Horizonte - MG durante os dias 5 a 29 de novembro.




31 de out de 2012 | By: @igorpensar

Reformando-se

Ecclesia reformata et semper reformanda est.

A famosa expressão acima foi criada pelo teólogo reformado holandês Gisbertus Voetius (1589-1676) durante o Sínodo de Dort. Ela pode ser traduzida da seguinte forma "Igreja reformada está sempre se reformando".  Diferente de algumas interpretações, o sentido não é que a Igreja reformada deveria ser "plástica" ou "relativista", mas que deveria sempre se esforçar para renovar seus fundamentos ou princípios.

Os 5 solas, como são conhecidos, eram os fundamentos do cristianismo bíblico e histórico, que quando esquecidos, sempre dirigem o cristianismo e a Igreja a renovarem seu comprometimento com a fé apostólica.  Quando os reformadores viram o rumo que o cristianismo medieval estava tomando, se articularam para afirmar estes princípios, e assim, corrigir os rumos da fé cristã.

Em tempos em que Cristo é instrumentalizado, mas não afirmado e reconhecido como Senhor, buscamos um cristianismo enraizado nas Escrituras, fiel ao que Deus nos legou pelos profetas e apóstolos, mas igualmente, um cristianismo que se situa na história, com herança, por isso, portadora de uma grande nuvem de mestres e leitores das Escrituras.   De fato, se tivermos algum avanço ou se temos alguma vantagem em relação aos que nos antecederam, deve-se ao fato de estarmos sobre colunas.  Talvez seja esta nossa grande vantagem, o fato de estarmos "sobre ombros de gigantes".

O que gosto nos reformados é que assumem sem reservas que o arbítrio não é dos homens, mas de Deus.  A vontade humana é relativa à soberana vontade de Deus.  Assumem de forma explícita e deliciosamente escandalosa, que o arbítrio entregue pelo humanismo e o iluminismo francês aos indivíduos, é uma repetição ardilosa da tentação no jardim do Éden.   

O que aprecio no cristão reformado é que afirma honestamente que a queda foi radical a ponto de afetar total e profundamente a capacidade do ser humano se chegar a Deus por si só.  A queda colocou o homem em estado de exílio e inimizade contra Deus, e a conclusão apostólica é, reafirmam cristãos reformados, que se Deus não se voltar para os homens, os homens de modo algum se voltarão para Ele.

Gosto da teologia reformada porque ela retoma os fundamentos da doutrina apostólica, que se constituem na centralidade de Cristo e seu senhorio.  Afirmam a grandeza de Deus e como no senhorio de Cristo estende o evangelho a todos os aspectos do mundo criado.

Ser reformado não é apenas ter uma confissão de fé denominacional, é ter um estilo de vida que orbita sobre os 5 princípios da reforma: graça, fé, Cristo, as Escrituras e a Glória de Deus

Os 5 princípios (5 solas) da reforma são caros para um cristão reformado.  Mais do que afirmações dogmáticas ou doutrinárias, eles são afirmações de referências fundantes de um estilo de vida cristão, que infelizmente, são esporadicamente esquecidos ou enfraquecidos pela prática da Igreja.  Retomá-los de forma plena, seria reaver a reforma, a fé apostólica original e ver a comunidade de Jesus florescendo novamente em gratidão, boas obras e testemunho público para a glória de Deus.

Na graça o reformado entende que tudo é dádiva, que a existência é fruto de um presente, cada minuto de vida é fruto de decretos graciosos e amorosos de Deus.  Reconhece que todo ato bem feito e toda boa obra só podem proceder de Deus, do Pai das luzes (Tg 1:17).   Reconhece que a salvação, justificação, santificação, regeneração e fé são resultados de uma série de ações soberanas, por isso, graciosas, não condicionadas em nada no homem.   Não são frutos de um desempenho autônomo, mas de uma atuação constante do amor de Deus, conduzindo e capacitando seus filhos a fazerem a vontade de Deus em gratidão.  É Deus quem opera suas ações no ser humano por graça, é Deus quem implanta no homem o "querer e o efetuar" a salvação (Fp 2:13).  Na graça a pretensão humana é encerrada, e a glória de Deus é evidenciada (Ef 2:9).

Pela  um cristão vincula-se com Jesus.  Pela fé entra-se em união mística, em unidade de amor com o Filho de Deus, em confiança e fidelidade inabaláveis na provisão do amor do Pai em seu Filho.  Sabedores e conscientes de sua condição deplorável como pecadores, cristãos reformados, sabem que só é possível para ser aceito por Deus, se estiverem unidos com Jesus pela fé.  Somente com a confissão dos lábios e a confiança de coração, podem escapar da justa ira de Deus.  Desta forma, fora de Cristo só resta viver sob o teto da "ira de Deus" (Rm 1:18) que já se revela dos céus contra o pecado da humanidade.  A própria degeneração moral das humanidade é por si uma evidência de que sem Cristo só resta a indignação divina.   

Pautados na mesma fé, temos uma grande comunidade (Hb 11) de homens e mulheres que viveram por meio e na fé em Deus confiantes de que sua existência era uma jornada pautada nos planos divinos.  Por isso não esmoreceram, continuaram crendo até verem concretizados os desígnios de Deus em suas vidas.  Então pela fé em Cristo, o cristão une-se com o Filho de Deus, é adotado (tornando-se igualmente filho) e assim tem acesso a uma graça especial que o educa e o dirige de forma operosa até sua glorificação com Jesus.

Um cristão reformado sabe que somente Cristo pode revelar o Pai (Jo 1:18), que Ele é o Ungido, o Messias, Rei, Servo e Cordeiro de Deus e o Verbo de Deus.  Aquele por quem e para quem todas as coisas foram criadas (Jo 1:3; Cl 1:16).  Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, amado desde a Eternidade pelo Pai, revelou-se aos homens por meio de sua encarnação, íntegro de sua divindade e  humanidade, para trazer os homens para o Pai.   Em sua humilhação, morte e ressurreição Jesus Cristo inaugura uma nova criação nele.  Por isso, todos que se unem com Ele são "recriados" (Ef 2:10) e por isso em Jesus um nova humanidade emerge, para a Glória de Deus.  Jesus Cristo é a pedra angular de onde emerge uma comunidade renovada, eleita e preciosa, chamada "Igreja" (Ef 2:20 e I Pe 2: 6 e seg.).  Na Igreja, Cristo se revela e é comunicado.  A Igreja é esta comunidade dinâmica, que em sua discrição e invisibilidade, se visibiliza através do testemunho de verdadeiros cristãos regenerados.  Também se visibiliza na Igreja local, que se reúne ao redor da Palavra de Deus e da mesa da ceia, ordenança de Jesus para os santos.  Lá na Igreja local e visível, cristãos celebram sua páscoa, seu êxodo e retorno do exílio.

Um cristão reformado sabe que as Escrituras são suficientes enquanto recurso de orientação existencial para sua jornada no presente século.  Ele sabe que encontra nela "palavras de vida eterna", plenitude existencial e compreensão de Deus e de sua vontade.   Reconhecem que junto com todos os grandes mestres do cristianismo, debruçam-se sobre esta verdade, buscando em sua complexidade e simplicidade, orientação para viverem para a glória de Deus.  As Escrituras são fontes de sabedoria para um viver habilidoso e que elas compõem a visão de mundo de um cristão, iluminando sua relação com Deus, o próximo e a criação.  A afirmação sola scriptura (somente as Escrituras) da reforma protestante não significava uma rejeição de tudo que a Igreja havia acumulado durante os séculos de interpretação bíblica e doutrinária, mas que a tradição teológica do cristianismo, deveria permanecer sempre sob supervisão e crítica das Escrituras.

Organicamente a graça, a fé, Cristo e as Escrituras, se articulam de forma a projetar a vida do cristão para uma tarefa na criação onde Deus seja sempre glorificado.  O cristão reformado sabe que sua vida e tudo que nela acontece, bem como na sua santa Igreja, envolvem um único propósito final e definitivo: a glória de Deus.   A alegria de um cristão está em tornar Deus conhecido e reconhecido em seus feitos, tarefa e missão.   Não há ato cultural ou laboral de um discípulo de Cristo que não aponte para Deus e se torne uma interface onde Deus é reconhecido e proclamado.

O cristianismo reformado não é aquele que apenas deseja a reforma da Igreja, mas também da cultura, da sociedade, ciência, filosofia, educação e assim por diante.  Um cristão reformado sabe, que as leis de Deus são princípios balizadores para que o salvo possa viver neste mundo de forma submissa e tendo Deus como referência.  Por isso, cristãos reformados resistem a heresia de Marcião que tendia distinguir o Deus criador do Antigo Testamento e o salvador do Novo Testamento.  Ao contrário, eles afirmam a ortodoxia confessional e bíblica em que o mesmo Deus que criou é o que salvou e salva, e vice-versa.

Ser um cristão reformado não é ser um religioso altivo, arrogante, faccioso, reducionista ou denominalista, como se supõe, mas significa ser um cristão unido com Cristo pela fé, na graça, conforme as Escrituras e que viva para a glória de Deus.

Concluímos, que em tempos de arrefecimento da fé, de embustes teológicos, falsos mestres,  falsos profetas, deificação do homem, instrumentalização de Cristo, fragmentação denominacional, escândalos e triunfalismos, mais do que nunca, a Igreja Evangélica no Brasil precisa de uma reforma de dentro para fora.  De comunidades com ortodoxia (doutrina correta), ortopraxia (prática correta) e ortopatia (sentimento correto) alinhadas com a vontade de Deus.  Que seja uma reforma da Igreja local, mas também da criação, da cultura e do comportamento pessoal do cristão.  Todas as grandes reformas e avivamentos da Igreja aconteceram em momentos de crise como a que nos deparamos, a Igreja sempre recebeu saúde e frescor toda as vezes que reafirmou os 5 princípios mencionados.  Que Deus neste dia 31 de outubro, dia da reforma protestante, possa nos convocar para uma vida cristã que sempre se reforma e se renova em Jesus Cristo.
"Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras." (Ap 2:5)
30 de out de 2012 | By: @igorpensar

Mortem vicit

Por Igor Miguel


Depois que Jesus ressuscitou, a história tornou-se serva da eternidade.  Alguém venceu a morte, alguém não encontrou na morte um fim.  A morte é esta contradição tenebrosa, esta ruptura radical que angustia e que faz a alma ficar aflita, ansiosa.

Olhar pra cruz é ver a morte afligindo a alma mais pura, o ser mais indigno de seus açoites e seus medos.  A morte não podia ter acometido o Verbo, caiu em uma grande armadilha divina, foi fisgada pela vida.   O triunfo de Cristo a capturou, Jesus agora tem a chave da morte e do Hades.

A ressurreição é o retorno do segundo Adão dos lugares mais sombrios, dos calafrios e arrepios mórbidos.  Jesus como Adão, confundido com o jardineiro, assume o cuidado que foi comissionado ao primeiro homem.  O segundo Adão é cheio de plenitude, o homem perfeito, dele procedem vitalidade e graça.  Impossível ser verdadeiramente humano fora da humanidade de Cristo.  Impossível ser totalmente redimido fora de sua divindade.

Ele tinha que ser Deus, pois homem não salva homem.  Mas o Deus que se fez homem poderia fazê-lo. E o fez eficazmente.   Cristo é a exibição pública da face de Deus.  Quando se olha para Cristo, o Espírito da vida é derramado no coração. Antes temeroso pela morte, agora vive pelo sorriso e o consolo, sente um aroma de eternidade e prova o sabor da árvore da vida.

Fora de Cristo só resta morte, pavores, temores e cheiro de enterro.  Em Cristo encontra-se vitalidade, flores que desabrocham, cânticos harmônicos e a ardente esperança.  A esperança é que se alguém morre na semelhança da morte de Cristo, também revive na semelhança de sua ressurreição.

Depois que Cristo venceu a morte e a ameaça do tempo, a história curvou-se diante da eternidade.

"A morte foi tragada pela vitória."  (Apóstolo Paulo)

Soli Deo Gloria!
27 de out de 2012 | By: @igorpensar

Protestante e Católico (Universal)

"Se o protesto da reforma significa alguma coisa, então, certamente há uma dicotomia, ou no mínimo, uma diferença entre ser reformado e ser uma católico romano. Sobre isto, eu concordo plenamente. Porém, eu não acho que Roma é detentora da catolicidade. Nossa fé "católica" é a fé histórica da Igreja, enraizada nas Escrituras, recebida dos apóstolos, elucidada e articulada em credos e concílios ecumênicos, reformada em nossas confissões, com a convicção que o Espírito de Deus tem guiado a Igreja através da história. A reforma protestante não é uma "mudança de paradigma", a "emergência" de uma "nova fé". Ao invés, deveríamos ver a reforma protestante como um movimento de renovação agostiniana na Igreja Católica."* (James K.A. Smith**)

Quando Smith se refere ao termo "católico", não faz referência ao "catolicismo romano", mas ao sentido literal do termo grego katolikós (universal). A catolicidade se constitui naqueles princípios comuns que unem e definem os cristãos universalmente. O que obviamente, transcende o catolicismo romano.


A tese de Smith é que a fé protestante reformada não é um movimento "novo", mas um esforço para retomar o que há de mais universal na fé cristã clássica e histórica. A menção a Agostinho de Hipona no texto, refere-se ao esforço deste grande teólogo da Igreja, em afirmar a suficiência da graça em Cristo para salvar o pecador e sua oposição à heresia pelagiana, que insistia em uma "capacidade inata" nos homens para obedecer a Deus, e assim, serem aceitos por Ele. Tal heresia comprometia a doutrina apostólica e paulina que concebe o homem como "morto em seus delitos e pecados" (Ef 2), incapaz de se voltar para Deus, o que explicita o fato de que a salvação dependeria de uma ação soberana, procedente graciosa e exclusivamente de Deus. 

A ênfase em Cristo e na graça foi retomada por Agostinho e renovada pelo movimento protestante (lembrando que Lutero foi um monge agostiniano). Neste sentido, a catolicidade é o solus Christus (somente Cristo) e sola gratia (só a graça), como revelado nas Escrituras (sola scriptura). Exatamente, os princípios afirmados pela fé protestante. Estes seriam os elementos "católicos" da Igreja.  Desta forma, a fé reformada é católica em seu sentido mais profundo.

* Citação do texto John Calvin’s Catholic Faith.
**James K.A. Smith é uma filósofo americano, atualmente é professor de filosofia no Calvin College. Escritor profícuo, escreve sobre ortodoxia radical, cristianismo e pós-modernidade, liturgia e adoração e ética.
23 de out de 2012 | By: @igorpensar

Qual é o seu Nome?

"Dize, portanto, à casa de Israel: Assim diz o SENHOR Deus: Não é por vossa causa que eu faço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu santo nome, que profanastes entre as nações para onde fostes." (Ez 36:22).
Nome: resumo ou narrativa?

Em termo bíblicos, o "nome" não é apenas uma palavra que serve para identificar uma pessoa ou um objeto.  Ele é "substantivado", há "substância" associada ao nome.  Também não é substância em sentido químico, mas  biográfico.  Como assim?  Explico.

Lembro-me da trilogia "Senhor dos Anéis" de J.R. Tolkien, em particular quando o personagem Barbárvore (Treebeard), um ent, pergunta a um dos "hobbits" como ele nomeava "aquilo", enquanto apontava para uma colina.  A resposta do hobbit: "colina!".  Barbárvore, surpreendido, replica: "- mas este é um nome muito curto para uma coisa que está tanto tempo ali!".  Esta é uma das frases que mais me impressionaram na trilogia.  Na língua dos "ents", as palavras não são "compactas", os nomes não são um atalho fonético que agrega sentidos atribuídos a uma pessoa ou coisa.  Ao contrário, na língua dos ents os nomes são histórias, narrativas e biografias.  Curiosamente, vi uma associação entre o sentido bíblico de "nome" com a forma como os ents nomeiam as coisas no mito de Tolkien.

A Bíblia nos mostra diversos personagens cujos nomes apontavam para uma história mesmo antes de sua conclusão.  Poderíamos citar alguns exemplos, como: Abraão, cujo nome significa em hebraico "Pai de Povos", uma referência a sua biografia como patriarca da fé, cuja promessa, abençoaria as famílias da Terra (Gn 12 e 22).  O nome de Jacó, que foi mudado para Israel, que significa "lutastes com Deus", faz referência ao encontro de Jacó com o Anjo do Senhor.  Da mesma forma, Davi é o "amado"; Josué significa "o Senhor que Salva"; Adão vem de uma raiz hebraica que significa "terra", "solo" ou "avermelhado", uma referência ao fato do homem ter sido feito do pó da terra.

Mantendo a tendência do Antigo Testamento, Noé (hb. נח - noâch), cujo nome significa "consolo" ou "conforto", o recebeu como por uma profecia, como está escrito: "pôs-lhe o nome de Noé, dizendo: Este nos consolará dos nossos trabalhos e das fadigas de nossas mãos, nesta terra que o SENHOR amaldiçoou."  (Gn 5:29). Este mesmo Noé, no evento de seu filho Cam tê-lo visto nu,  profere ditos oraculares sobre seus descendentes, em específico sobre Canaã (filho de Cam), Jafé e Sem (Gn 9:18-27).  Ao filho, cujo nome era "Sem", ele diz: "Bendito seja o Senhor Deus de Sem."  (Gn 9:26).  O interessante é que "Sem" em hebraico "Shem" [שם] significa literalmente "Nome".  Não é acidente que de "Sem" vieram os "semitas", agrupamento étnico donde descende os hebreus (descendentes de Héber) e o próprio Abraão (ver genealogia de Gn 11).

A descendência do "nome"

A ideia é que Deus escolheu os israelitas, ligados a descendência de Sem, para testemunhar seu "nome" entre as nações.  Mais para frente, na narrativa bíblica, Moisés (cujo nome significa tirado das águas - não só do Nilo, mas também do Mar Vermelho) em um encontro com o SENHOR no Monte Horebe, ante a sarça que ardia e não se consumia, realiza o seguinte diálogo:
Disse Moisés a Deus: Eis que, quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós outros; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi?  Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros.  Disse Deus ainda mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós outros; este é o meu nome eternamente, e assim serei lembrado de geração em geração. (Ex 3:13-15)
Observe que Moisés pergunta o "nome" de Deus.  A resposta é surpreendente, pois Deus não se identifica com um nome "fechado", como o nome dos ídolos do Egito.  As divindades pagãs possuíam nomes que especificavam sua "atuação" mítica.  Deuses da fertilidade, da guerra,  colheita, sabedoria ou saúde, possuíam nomes associados às suas respectivas "áreas de atuação".  O Deus que se revela a Moisés, por sua vez, se identifica primeiro como o "Eu Sou o que Sou" e depois como "Deus de Abraão, Isaque e Jacó".   

A expressão "Eu sou o que Sou" [hb. ehiê asher ehiê - אהיה אשר אהיה], adotada na versão Almeida Revista e Atualizada, encontra-se no original hebraico estruturada pelo verbo "ser" ou "tornar" usado no perfeito, na voz ativa do grau simples (QAL).  Isto significa que este verbo poderia ser traduzido no futuro (uma ação não concluída ou em processo de conclusão), assim, a expressão poderia ficar como: "Eu serei o que serei" ou "Me tornarei o que me tornarei", como bem traduziu Lutero em sua Bíblia para o alemão "Ich werde sein".  A ideia é esta mesmo: Deus se "revelaria" e se "tornaria" ao longo do tempo, ou seja, uma revelação progressiva de seu "nome", um Deus que se revela na história e nas relações.

O "nome" assume o sentido de "narrativa" ou "revelação", uma história.  Mas, ainda há um detalhe: por que Deus adicionou o sentido de seu nome como "Deus de Abraão, Isaque e Jacó" afirmando que este é "seu nome eternamente"?  Ora, se Deus é portador de uma "história" e de um nome que se revela no tempo e nas relações, logo, Ele é um Deus que é conhecido na biografia das pessoas com quem se relaciona.  A biografia de seus servos, torna-se a biografia dele mesmo, afinal Ele é um Deus se revela relacionalmente.  Talvez, foi neste sentido, que o filósofo e matemático Blaise Pascal (1623-1662) tenha dito: "Deus é o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, não o Deus dos filósofos".

Acho que já temos material suficiente para entender que o "nome" é muito mais do que "identificação fonética".  O "nome" em termos bíblicos faz referência a uma "história".  No caso, de Deus, uma referência à história de sua relação com seus servos ao longo das gerações.  Quando é dito no livro do profeta Ezequiel que os israelitas profanavam o "nome de Deus" entre as nações, o que está envolvido é a profanação de um "história", da "revelação" de Deus em relação a seu povo.  Por isso, a Bíblia é um livro que trata a respeito do Deus que se revela.  A Bíblia é a exposição pública de Deus, o que ela chama de "glória".  

O Nome que Está Sobre Todo Nome

Agora, façamos uma conexão com a revelação de Cristo, e vejamos algo interessante:

Deus quando firmara uma aliança com o Rei Davi, prometera a ele um descendente cujo trono nunca teria fim e que este descendente edificaria para Deus uma casa para seu nome (II Sm 7:13).  Este texto é digno de uma leitura messiânica, no sentido que se refere ao Messias, e não ao descendente imediato de Davi, Salomão.  Salomão não teve um trono "eterno".  Logo, a promessa se refere a um descendente de Davi, cujo trono seria eterno, e que faria uma casa para o "nome" de Deus, bem no sentido que já exploramos até aqui.

Nós cristãos entendemos que Jesus é o descendente de Davi, que cumpriu todas as expectativas bíblicas e proféticas a respeito de sua messianidade.  Jesus, certa vez, fez menção enigmática a respeito de seu corpo como um Templo:
Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei.  Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias, o levantarás?  Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo. (Jo 2:19-21)
Jesus é o Templo onde o "nome" ou a "história" de Deus se torna mais evidente:  "As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito."  (Jo 10:25).  Agora, veja que interessante o que encontramos em um certo dito de João: 
"Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou."  (Jo 1:18)
A palavra utilizada no original, que foi traduzida aí por "revelou", é verbo no passado (aoristo) eksêgêsato [εξηγησατο] que poderia ser perfeitamente traduzido como "expôs", "relatou" ou "narrou" como utilizado em Lc 24:35.  O sentido deste texto é que Jesus "conta" ou "narra" Deus o Pai para os homens.

Trindade: o nome de Deus se revela

Então, qual é o nome de Deus na Nova Aliança?  Como Ele se revelou?  Como podemos "narrá-lo?".   Se fossemos ents, que nome daríamos a este Deus, sem sermos sintéticos de mais?  Onde encontramos seu nome?  A resposta deveria ser: no batismo.  Como preservado em Mateus: "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo." (Mt 28:19). 

A grandeza de nosso batismo, não está em um fonema.  A questão não é se chamamos Deus de Jeová, Javé, Yavé, Elohim ou Yeshua.  A questão é: qual é a história de nosso Deus?  Nosso Deus é uma história, a história da salvação.  A salvação é um drama de amor em que Deus se volta para homens pecadores.  E, para salvá-los, envolveu toda sua pessoa (Pai, Filho e Espírito Santo), desde a fundação do mundo, passando pelos patriarcas, os reis de Israel, os profetas, e agora, ele fala conosco pelo Filho, como foi dito:
Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas,  nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.  Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas,  tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles. (Hb 1:1-4).
Últimas palavras

Baseado em tudo que foi dito, fica claro o motivo de cristãos prezarem tanto pelo nome de Jesus.  Afinal, foi na história de Jesus, como registrada nos quatro evangelhos, que Deus foi revelado (narrado).  A glória de Deus se concentra na história/vida/nome de Jesus.  Por isto, foi dito:
Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular.  12 E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. (At 4:11-12)
Não é em vão, que por ocasião de uma das viagens de Paulo à cidade de Éfeso (At 19), exorcistas profissionais, como os filhos do sumo sacerdote Ceva, tentaram esconjurar demônios 'em nome de Cristo, a quem Paulo pregava', e os demônios gracejaram afirmando conhecerem "Paulo" e "Cristo", mas os tais exorcistas lhes eram desconhecidos, o que foi seguido pela agressão do endemoniado àqueles.  Os demônios conhecem Cristo, Paulo e todos os eleitos do Senhor, por causa de uma história: a história de Cristo, e a história de todos que estão ligados a Ele.  Estar fora de Cristo é viver em anonimato, é não ter uma biografia.

Todo Antigo Testamento narra a história dos atos salvadores de Deus.  O clímax e cumprimento de tudo aquilo que a Bíblia Hebraica narra é Jesus Cristo.  O Verbo se faz carne e se torna em "texto", uma "narrativa", uma história sobremodo exaltada, o nome que está sobre todo nome.  Fomos salvos por Jesus, por uma história, um conto de salvação, um drama trinitário.  Os demônios tremiam e proezas eram feitas neste nome, não por um poder mágico, mas por causa de uma história com início e fim, com Alfa e Ômega, história que culmina na cruz e alcança sua plenitude na redenção de todas as coisas.  O nome é a história, nosso nome se constitui no nome de Cristo.
"Ao que vencer darei a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe." (Ap 2:17)

Santificação para a Vida Ordinária por James K.A. Smith


O amigo Daniel Vieira e eu traduzimos um artigo excelente de James K.A. Smith, autor cujos escritos apreciamos.  Li seus livros "Desiring the Kingdom" (Desejando o Reino) e "Who is afraid of post-modernism" (Quem tem medo da pós-modernidade).   Smith escreveu um excelente artigo sobre o tema "Santificação para a Vida Ordinária", como o apreciamos (eu e o Dan), vimos a importância de tê-lo em português.  O artigo foi publicado pelo portal iPródigo e pode ser acessado na íntegra aqui.

James K. A. Smith é professor de filosofia no Calvin College em Grand Rapids, Michigan, onde ensina no departamento de estudos congregacionais e ministeriais.
12 de out de 2012 | By: @igorpensar

Inteligência Cristã

Por Igor Miguel

Inteligência ou Inteligências?

Se você está querendo tornar-se um cristão verdadeiro, advirto-lhe que está embarcando em algo que vai exigir todo o seu ser, o seu cérebro e tudo o mais. (C.S. Lewis)
A palavra inteligência vem da combinação de duas palavras latinas "inter" e "lego", cuja tradução literal seria "escolher dentre".  Inteligência tem haver com "discernimento", "escolha" ou "seleção".  Uma possível definição para inteligência, ao menos a partir da origem da palavra, seria: a capacidade de considerar determinados fenômenos relevantes e outras irrelevantes a partir de critérios específicos.  Interessante esta possibilidade, pois em geral, entende-se inteligência como sendo uma "habilidade mental ou intelectual puramente lógica", uma compreensão típica de uma sociedade que trata a razão quase como divindade, apesar de alegarem ser ela ideológica e religiosamente neutra.

Se inteligência for, como dito, "a capacidade de selecionar, eleger ou escolher coisas ou fenômenos", logo, este discernimento dependeria de um sistema de crenças ou uma cosmovisão, onde se organizam os critérios que acolhem o que é considerado relevante, enquanto excluem aquilo que é considerado irrelevante.   Porém, uma observação importante deve ser apresentada: cada indivíduo ou grupo de indivíduos possuem sistemas de crenças (cosmovisões) diferentes, desta forma, cada um deles adota critérios diferentes para eleger o que consideram relevante ou irrelevante em sua relação com o mundo e as pessoas a seu redor.  Se há diferentes cosmovisões, e diferentes critérios de seleção ou escolha, logo, há diferentes inteligências, ou discernimentos.

Educação cristã: alunos inteligentes?

Em diálogos com educadores cristãos, o que se percebe é que todos querem formar alunos inteligentes, sem deixar nada a desejar em relação às melhores escolas não-cristãs, mas a questão é: que tipo de inteligência a escola cristã quer promover?  Não basta que jovens cristãos sejam estimulados a serem geniais ou cognitivamente habilidosos. Eles precisam ser inteligentes, sem dúvida, mas acima de tudo, inteligentemente cristãos.

Outra pergunta que deve ser levantada: que inteligência a educação formal procura promover em nossos filhos?  Muitas de nossas crianças são submetidas a um programa em prol de uma "inteligência" revolucionária e progressista.  Eles aprendem que a conspiração e a revolução contra os que estão no poder é sempre o melhor caminho.  Se não, aprendem que a competitividade e o individualismo pragmático são os melhores caminhos para o sucesso.   Ou ainda, o cientificismo reducionista que atribui à ciência poderes quase absolutos.

Em casa, pais cristãos são frequentemente acometidos por um cristianismo raso, sentimentalista, acham que não precisam de critérios para julgar o presente século, e que a cultura é importante apenas para que seus filhos sejam bem sucedidos em termos profissionais.  Enquanto, em relação a fé, o que importa é que devem ir a Igreja, serem batizados, e tornarem-se bons crentes.  Sem dúvida, este não é o melhor caminho para crianças, adolescentes e jovens cristãos, se o desejo é que eles sejam culturalmente relevantes, sem caírem na sedução do triunfalismo.

Mas, enfim, o que seria uma inteligência cristã?

Uma inteligência cristã

Em termos gerais, uma inteligência cristã ou uma "mente cristã"  (Nancy Pearcey, 2004) deveria ser, em primeira instância, oposta a qualquer proposta cognitivista ou racionalista que coloque a inteligência em um status de neutralidade religiosa ou ideológica.  Logo, o cristão deve assumir explicitamente que sua forma de se relacionar com o mundo, a sociedade, a cultura e com sua individualidade, depende de um sistema de crenças fundantes e é pautada em uma inteligência que lhe é peculiar.

Uma síntese da peculiaridade da forma de pensar do cristão é aquela encontrada no seguinte excerto do filósofo cristão holandês Herman Dooyeweerd (1894-1977):
Nesse sentido central e radical, a palavra de Deus, penetrando na raiz de nosso ser, tem de se tornar o motivo-poder central do todo da vida cristã na ordem temporal com sua rica diversidade de aspectos, tarefas e esferas ocupacionais. Como tal, o tema central da criação, da queda no pecado e da redenção deveria também ser o ponto de partida central e o motivo-poder de nosso pensamento teológico e filosófico.  (Dooyeweerd, 2010)
Esta citação resume bem a peculiaridade da inteligência cristã.  Em primeiro lugar, ela se constitui na palavra de Deus, ou seja, na revelação de Deus através das Escrituras Sagradas (Bíblia).  O sistema de crenças do cristão se constitui neste longo material canônico que preserva os valores e o sentido que ele (o cristão) atribui ao mundo.  Os fenômenos culturais ou naturais são compreendidos a partir das crenças construídas desde a narrativa bíblica.  A partir desta concepção da vida, como revelada nas Escrituras, o cristão se relaciona de forma particular nas "esferas ocupacionais" e com as "tarefas" sociais e culturais com as quais está envolvido.

Porém, o mais importante desta citação é: a Bíblia preserva um tema central.  Um tema cuja narrativa envolve uma história que abrange: a criação do mundo por Deus, a queda e o fracasso do ser humano e o plano de resgate ou redenção de Deus em relação ao homem e seu mundo.  Desta forma, diz-se que a narrativa bíblica orbita ao redor do tema: criação, queda e redenção.

Inteligência bíblica e narrativa

A Bíblia é um livro complexo e não é necessariamente uma obra sistemática com uma estrutura analítica.   A revelação bíblica encontra-se em forma de "história" e "coleções" textuais e é portadora de quadros, dramas, pressuposições, leis, instruções, provérbios e poemas, que formam um universo complexo e rico.  Mas, a chave para navegar neste oceano é compreender o tema criação, queda e redenção.

a. criação: tudo é relativo ao absoluto
Para um cristão, a criação (natureza) não é um acidente físico-químico contingente que se estruturou em leis autônomas e impessoais. Ao contrário, Deus mesmo (o incondicionado) fez todas as coisas a partir de sua sábia vontade.  Para muitos, a imagem de Deus como criador pode soar infantil.  Mas, é importante uma leitura mais cuidadosa a respeito do que a  tradição judaico-cristã chama de criação.

Para o cristão, Deus é absolutamente inteligente e criativo, e por este motivo, pode-se perceber determinados padrões nos fenômenos naturais, um ordem, ou como se chama: ordo creationis (ordem da criação).  Deus é colocado como o absoluto e todas as coisas são relativas a Ele.  As implicações aqui são incríveis, pense por exemplo, que a afirmação cristã de um "Absoluto" (Deus) evita que o cristão caia no reducionismo, absolutizando os fenômenos naturais ou sociais, que para ele (o cristão) são relativos a ordem do Deus absoluto.  Nestes termos, a inteligência cristã oferece uma posição epistemologicamente privilegiada, pois a partir da crença de Deus como o absoluto, o cristão pode interagir com a diversidade dos fenômenos presentes na criação sem cair na tentação idólatra de absolutizá-los.  Exemplo de reducionismos são os que ocorrem, por exemplo, com o psicologismo, sociologismo, culturalismo e outras tentativas, de explicar o homem e o mundo, a partir de apenas um aspecto ou fenômeno.  A inteligência cristã, neste sentido, é irredutível e multidisciplinar.

b. queda: fragilidade e desconfiança
A fé cristã é viril e corajosa, no sentido que não está disposta a lidar com a natureza humana de forma ingênua.  Ela faz uma denúncia, como destacou o filósofo brasileiro Luiz Felipe Pondé, em entrevista à Revista Veja: "O cristianismo [...] fala do pecador, de sua busca e de seu conflito interior. [...] o cristianismo reconhece que o homem é fraco, é frágil."  Esta é a doutrina da queda, preservada nos textos de Paulo, explorada pela tradição agostiniana e reafirmada pela reforma protestante, que a chama de "depravação total".  O homem é portador das reminiscências de uma dignidade antiga que foi perdida por causa de sua atual frágil condição, decorrente de uma brusca alteração de sua relação com Deus como Criador.   O fracasso do homem em se manter ligado a Deus, por causa de seu pretenso desejo por autonomia, resultou em um distanciamento, a que chamamos pecado.

Por causa da doutrina da "queda" a inteligência cristã desconfia de estruturas humanas e de qualquer teoria que alegue um "purismo" humano, como propunha a antropologia de Jaques Rosseau.  Obviamente, todos os sistemas filosóficos, sejam os de implicações políticas ou econômicas, pautadas em um suposto "poder autônomo" da natureza humana, são tratados criticamente pelo cristão.  A visão de homem do cristão, o que se chama antropologia, é que ele foi criado a imagem de Deus (imago Dei), mas hoje, encontra-se disforme em relação a sua dignidade original.  Por esta razão, ele carece de redenção, de graça e providência, para ter restituída sua condição primeira.

Se por um lado, a inteligência cristã considera a dignidade do homem e da criação, por outro, não ignora uma "antítese", uma "tensão", no cerne da criação, o qual é o homem mesmo e suas pretensas iniciativas.  O que também não significa ignorar alguma dignidade na produção cultural humana, afinal, o mundo ainda tem alguma "estabilidade", por causa do compromisso escatológico de Deus, de trazer a humanidade de volta pra casa (redenção/resgate).

c. redenção: esperança cristã
Se a doutrina cristã for reduzida apenas a uma visão de "queda", consequentemente, isto resultaria em uma inteligência pessimista e cínica.  Como dito, em algum sentido, o cristão não cria muitas expectativas quanto aos projetos não-cristãos de civilização, mas, mesmo assim, entende que seu lugar é aí no que chamam de "projeto civilizatório".  Tome por exemplo, o profeta Daniel, que exerceu sua vocação na côrte babilônica, sem se deixar absorver por aquela cultura.

O cristão opera como um agente de esperança, engaja-se na instauração de jardins de graça em uma cidade cinzenta, sem cor.  O cristão pauta sua existência na eficácia da obra que Jesus Cristo realizou em seu sacrifício, a imagem mais assombrosa e mais sóbria dos planos de Deus para a humanidade.  Jesus é chamado de segundo Adão (Romanos cap. 5), Ele é o Homem, a fonte e o fator de humanização.  O cristão é um homem arrependido, que reconheceu sua precariedade e distância, e que se volta em "mudança de mente" (gr. metanóia - arrependimento) e com fé no mistério e evento chamado Jesus Cristo.  A fé cristã é cristocêntrica e pauta-se em uma inteligência "cruciforme", no formato da cruz, no sentido que ela opera pela eficácia da cruz ("já"), mas aguarda a concretização no tempo e no espaço do que já está consumado ("ainda não").  O "já, mas ainda não" remete esteticamente as barras verticais e horizontais da cruz.  O cristianismo não tem problemas com paradoxos.

A inteligência cristã não deve ser triunfalista, a doutrina da queda não permite muita confiança em projetos de dominação.  Porém, por outro lado, entende que deve sinalizar um Reino prestes a vir, antecipa-o parcialmente, para que o mundo tenha esperança naquele que há de vir.  Por causa desta esperança e esta antecipação escatológica, opera no mundo, como que se vivesse no outro, naquele redimido e novo (Ap. 21).  O impacto desta crença na ação cultural do cristão é singular.  Ele vai ao laboratório, à universidade, à rotina do trabalho e do dia-a-dia, portando as ferramentas dispostas nas Escrituras e na longa experiência cristã, de modo a testemunhar Jesus e manifestar seu Reino de amor.  O anúncio do Evangelho dá-se por uma ação que comunica o triunfo de Cristo sobre a morte.

Sabedoria: não-racionalista, não-sentimentalista e não-ativista

A vida cristã orbita em um tripé, estruturado sobre os seguintes princípios:

1. ortodoxia: uma preocupação constante pela crença ou doutrina correta
2. ortopatia: sentimento ou sensações corretas
3. ortopraxia: comportamento ou ação correta

Agora, veja bem, se um cristão se concentra em algum destes aspectos, ele estará se distanciando da inteligência cristã.  Se concentrar muito de sua vida apenas ao "pensamento crítico", em uma "mentalidade cristã", ou em um zelo "lógico", se esquecendo que sua vocação também é para ter sua afeição (ortopatia) e vida prática (ortopraxia) sob o governo de Cristo, logo, se tornará um formalista árido.  Da mesma forma, se um cristão, se preocupa apenas em se "sentir bem" ou vive em busca de um conforto "sentimental", cairá no sentimentalismo, em uma busca frenética por "sensações" e "experiências religiosas".  E finalmente, se um cristão preza excessivamente pela "prática", "ações" e "obras", ignorando que tais ações precisam ser pautadas em uma vida com sentimentos e crenças bem alinhadas à vontade de Deus, cairá em um ativismo alienante ou em um tipo de legalismo.

Quanto mais equilibrados sobre estes três princípios, mais próximo o cristão estará de uma inteligência cristã.  Ele não será um racionalista, mas procura organizar suas crenças e sua forma de pensar a partir das Escrituras.  Não será um sentimentalista, pois procura submeter sua identidade e afeição aos critérios da revelação de Deus em Cristo. E finalmente, não sendo legalista, se engaja em ação, obras e obediências pautadas nos feitos da graça de Deus.

Mas, enfim, que nome se dá a esta combinação entre ortodoxia, ortopatia e ortopraxia?  Tenho uma sugestão: sabedoria.   Sabedoria, na narrativa bíblica, refere-se a uma vida em que pensamento, afeto e ação se integram formando um todo, que projeta o cristão para uma existência que glorifique a Deus em Jesus Cristo.  Nestes termos, uma inteligência cristã é fundamentalmente uma inteligência sapiencial, o que Doug Bloomberg, educador reformacional, chamaria de "epistemologia sapiencial" (Blomberg, 2007).

ortodoxia + ortopatia + ortopraxia = sabedoria

Últimos ditos...

Há outras características que compõe uma inteligência cristã, como o comunitarismo, uma percepção trinitária de Deus e da realidade, uma percepção da missão como uma tarefa encarnacional e ainda uma compreensão das diversas esferas da realidade criada por Deus.

Agora, que algumas pistas sobre uma inteligência cristã foram apresentadas, pense nas implicações pedagógicas, filosóficas e culturais, de um cristão que desenvolveu tal habilidade.  Há diversos exemplos na história da fé cristã de "gênios" que viveram a partir de uma inteligência cristã.  Poderíamos, citar alguns deles, já sabendo que alguns serão omitidos, uma inevitável injustiça.  Porém, dentre os inteligentemente cristãos estão: Paulo, Agostinho, Pascal, Calvino, Kuyper, Chesterton, C.S. Lewis e muitos outros, que ficam aí como exemplo e inspiração para tal jornada.

Finalmente, é importante reafirmar, que não basta cristãos inteligentes, se eles são cativos de modalidades de inteligências que não correspondem aos fundamentos de sua fé.  Este cristão não fará qualquer diferença, ele será como uma não-cristão em termos de envolvimento com a cultura.  Entretanto, se um cristão se envolve criativamente com a integração entre sua crença e a vida, o testemunho de um Cristo que é Senhor de todas coisas se tornará evidente.  Em outras palavras, não basta ao cristão ser inteligente, ele deve ser inteligentemente cristão.

Referências

Dooyeweerd, Herman. No Crepúsculo do Pensamento. São Paulo: Hagnos, 2010.

Blomberg, Doug. Wisdom and Curriculum: christian schooling after postmodernity.  Sioux Center, Iowa: Dordt College Press: 2007.

Pearcey, Nancy. Total Truth: liberating christianity from its cultural captivity.  Wheaton, Illinois: Crossway Books, 2004.



11 de out de 2012 | By: @igorpensar

Mensagem para o Cristãos Brasileiros

Paul Washer, em sua primeira visita ao Brasil, para participar de alguns encontros e conferências, como as realizadas pela Editora Fiel, compartilha uma mensagem importante para os cristãos brasileiros.


2 de out de 2012 | By: @igorpensar

Camps da Hope

Imagens do último acampamento realizado por nossa amada e despretensiosa comunidade chamada Esperança!   Amo muito tudo isto...

29 de set de 2012 | By: @igorpensar

Semana do Cristianismo ABU na UFMG

A Aliança Bíblica Universitária de Belo Horizonte (ABU-BH), mais uma vez, organiza a Semana do  Cristianismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).   

O tema deste ano será "Fé que Pensa, Razão que Crê".  Diversas palestras que abordam a relevância da fé cristã no espaço universitário serão tratados.  

A entrada é franca e o evento acontece entre os dias 1-5 de outubro/12 em diversos espaços da UFMG.  Para acessar a programação clique no cartaz logo abaixo.

No dia 5/10 (sexta-feira), às 11 horas, participaremos do evento abordando o tema "Por uma inteligência cristã" na sala 3036 no prédio da FAFICH

Divulgue o evento!




25 de set de 2012 | By: @igorpensar

John Piper - Ele te acordou!

Se Ele não me acordasse, eu não acordaria sozinho. Se Deus não me tirasse do grande sono do pecado, eu jamais despertaria.  Sim, Ele nos chamou, como Lázaro do sepulcro.  Sem o chamado, jamais iríamos a ele.  Se fossemos entregues a nosso "livre arbítrio", permaneceríamos dormindo em um profundo sono iníquo, como a maioria permanece.  Mas, ele foi misericordioso e acordou pecadores sonolentos.

23 de set de 2012 | By: @igorpensar

Frases para Pensar...

Ao longo do meu dia, elaboro algumas frases que servem para organizar a forma como penso e me relaciono com o mundo, as pessoas e os fenômenos culturais que me cercam.  Estas frases emergem como sínteses  de conceitos relativamente complexos.  São resultado de uma visão de mundo específica.

Uma das formas de compartilhar tais "sínteses" é "twittando-as" (existe o verbo "twittar"?).  Enfim, selecionei algumas que considero importantes, tentarei fazer isto em posts futuros:

Ceticismo sóbrio não é aquele que desconfia da existência de Deus, mas das pretensões da ciência e da racionalidade. #ceticismo #filosofia

Um bom pastor não é o que idealizamos, mas exatamente aquele que é como nós, talvez um pouco mais experiente na arte do arrependimento.

Cristo não me libertou só do pecado, ele também me libertou da alienação. #conversão

Não queremos uma fé que nos torne ricos, mas que nos una a nosso maior tesouro: Jesus Cristo. #derrubemosídolos

Dê alma para as redes sociais! Não deixe que se tornem em artefatos para trocas narcísicas efêmeras. #redessociais

O esforço pelo sucesso, mesmo ilusório, move grandes interesses neste mundo. O que é ser bem sucedido de verdade? Negar a si mesmo.

Quando um cristão ama o pobre, a glória é de Cristo, não de Marx. A glória é do Criador, não do proletariado. #missão #ideologia

O bom da comunidade é que ela cobra sua presença. O problema da sociedade é que ela não sente sua falta. #comunidade

O mundo precisa de machos. Principalmente aqueles com força suficiente para amar.

Nacionalismo estatal ou soberania individual? O que é mais perverso? Ou ambos são nomes diferentes para Babel?

Calma, aguente firme, um ser humano vive em média apenas 80 anos. Em breve estarás em um mundo de graça indizível. #esperança

Só pra lembrar que o inferno não é o lugar onde o Diabo atormenta, mas o lugar onde ele será atormentado (Mt 25:41; Ap 12:9).

Uma economia cristã deveria começar com com o princípio da generosidade e não com o acúmulo ou aquisição de bens. #carismacomunitario

Idolatria é quando se atribui um papel absoluto ao que é absolutamente relativo. #dinheiro #sexo #prazer #bebida #poder #sucesso #idolatria

A fé cristã protestante acima de tudo é CRISTÃ. Seu protesto é pela centralidade de Cristo. Logo, o essencial é Cristo e não o protesto.

Não tenho problemas com a limitação do orador, mas a omissão do pregador. #evangelhonospulpitos

Pregador que fala de tudo menos do Evangelho é igual palha de aço em antena de TV. Não é pra isto que ela serve.

Acompanhe em tempo real tais sínteses em nosso twitter.

Pondé fala sobre felicidade

Fiz uma breve consideração - não diria crítica - a respeito de minhas impressões de algumas ideias do filósofo Luiz Felipe Pondé principalmente a partir de seu livro "Guia Politicamente Incorreto da Filosofia".

O vídeo abaixo apresenta uma exposição que me impressionou muito e realmente indico para todos.  Pondé trata o tema "A Tirania da Felicidade", em específico alguns projetos de "felicidade" pautada no discurso do indivíduo bem sucedido, bonito, feliz e próspero.  Mostra as raízes da cultura da "auto-estima" a partir de um breve panorama histórico da filosofia.

22 de set de 2012 | By: @igorpensar

João Miguel (notícias)


Amigos e irmãos,

Este post é apenas para comunicar nossa imensa alegria e gratidão a Deus pela chegada de nosso querido filho João, ou como chamamos, "litle John".  Nossos corações encheram-se de alegria ao testemunharmos tamanha graça e generosidade do nosso Deus, que por meio de Cristo, derrama bençãos incontáveis sobre homens ainda pecadores.  Justamente por isso, é amor incondicional, amor que experimentaremos na proporção de nossos papéis de pais.

Toda gravidez da Jú foi muito tranquila, todos os exames apontavam para o parto normal, e foi exatamente o que aconteceu.  A Juliana está muito feliz, se sentindo mamãe, e desfrutando do pequeno João.  Eu, pois é, passei a noite toda acordada, ninando o João, que acordou várias vezes, com espasmos, mantendo o costume de se mexer na madrugada (como fazia na vida intrauterina).   Nossas noites prometem!

No mais, agradecemos todos os cumprimentos de felicitações já enviadas.  E todos os que apoiaram, das mais diversas formas, a vinda de nosso primogênito.

Perfil:
Nome: João de Oliveira Miguel
Nascimento: 19/09/2012
Horário: 18:18 h
Peso: 3,220 Kg
Altura: 47 cm
Fé: Cristã

Graças sejam dadas a Deus, em Jesus Cristo, nosso Senhor!

Igor Miguel, Juliana Miguel e João Miguel








16 de set de 2012 | By: @igorpensar
15 de set de 2012 | By: @igorpensar

Francis Schaeffer e L'Abri

Francis Schaeffer (1912-1984) foi um teólogo evangélico americano responsável pela defesa da fé cristã em um mundo crescentemente secularizado.  Seu legado é reconhecido por cristãos do mundo inteiro.  Foi responsável por um ministério de reflexão, hospitalidade e estudo bíblico muito importante, conhecido como L'Abri.

Francis Schaeffer e L'Abri tiveram um papel muito importante  na vida de vários líderes e ministérios cristãos de grande credibilidade e respeito no mundo.  Instituições como JOCUM, A ROCHA e Food for the Hungry são algumas delas.

L'Abri e Francis Schaeffer tiveram um impacto significativo sobre minha espiritualidade e visão do cristianismo.  Por causa deste ministério, fui conectado ao conceito de senhorio de Cristo sobre todos os aspectos da vida, e também, fui apresentado à longa e robusta tradição cristã.  Encontrei um cristianismo profundo, e ao mesmo tempo, despretensioso. Encontrei uma espiritualidade cristocêntrica, culturalmente integrada, sem deixar-se desintegrar, e principalmente, encontrei hospitalidade.

O L'Abri se encontra no Brasil desde 2008 sob liderança do Pr. Guilherme de Carvalho e equipe, e está aberto a todos os que estão em busca de uma espiritualidade cristã integral, bela e grata. Acima de tudo, cristocêntrica.  Se você precisa recobrar as forças e se conectar com pessoas que estão em busca de plenitude em Cristo, ou minimamente, quer saber mais sobre Jesus e o cristianismo, eis o lugar.

Deixo-vos um vídeo com trechos legendados de uma palestra de Francis Schaeffer tratando questões que até hoje são atuais:




13 de set de 2012 | By: @igorpensar

Fórmula Batismal

Tertuliano (160-220 d.C.), um dos mais notáveis teólogos pré-nicenos, preservou a estrutura confessional realizada por cristãos aos pés do batismo:
"No momento em que entramos na água [do batismo] -- mas também um pouco antes, na presença da congregação, e sob a direção do presidente -- confessamos solenemente que renunciamos ao Diabo, à sua pompa e aos seus anjos. Depois disso, somos imersos três vezes, e proferimos então um compromisso um pouco mais extenso do que aquele apontado pelo Senhor no evangelho" (A coroa 3).
A pergunta é: que "compromisso extenso" é este citado por Tertuliano?  A resposta está em Hipólito (220 d.c.) em sua obra "Tradição Apostólica":

"No momento em que o candidato [ao batismo] entrar na água, aquele que o batizará imporá sobre ele as mãos dizendo: 'crês em Deus Pai todo-poderoso?' E o batizado dirá: 'Creio'. Será ele então batizado imediatamente com imposição de mãos sobre a cabeça. Depois disso, deverá responder as seguintes perguntas: 'Crês no Messias, Jesus, Filho de Deus?' [...] Crês no Espírito Santo? (Tradição Apostólica 21:9-18).

O mais incrível é que a pessoa era imersa em cada trecho em que era citado uma pessoa da Trindade e o convertido respondia dizendo "creio!".  Conclui-se assim, que a Igreja atrelou à ideia de "ser batizado em nome do Pai, Filho e Espírito Santo" (Mt 28:19), como uma "narrativa confessada", como preservada no "Credo Apostólico".  Logo, ser batizando em nome da Trindade, significa ser batizado em nome daquele que se revelou e salvou trinitariamente.  O batismo assim, atrela-se à história da salvação.
12 de set de 2012 | By: @igorpensar

Celebrando festas pagãs?

Curtissíma por Jason Hoood

Jason  é graduado pela Rhodes College, Seminário Teológico Reformado, Highland Theological College e a  Univ. of Aberdeen. Jason trabalha como acadêmico residente e diretor do Christ College Residency Program no Christ UMC. PhD em Novo Testamento.
Certamente, Deus pode fazer as coisas ex nihilo [do nada], mas ele também pode trabalhar com os materiais encontrados próximos, por assim dizer.  Moisés não é a origem exclusiva de práticas como circuncisão, sacrifícios e adoração em um templo.  Por muitos séculos antes de Deus chamar Abraão, povos pagãos já marcavam e celebravam festas de colheita (Pentecostes), luas novas, grandes vitórias (como Purim em Ester).  Logo...


11 de set de 2012 | By: @igorpensar
9 de set de 2012 | By: @igorpensar

Os Problemas da Vida Cristã [áudio]

Prezados leitores,

O Pr. Guilherme de Carvalho ministra uma série muito sóbria a respeito dos problemas que o cristão encara ao longo de sua caminhada com Jesus.  Realmente, os temas tratados tocam em questões espirituais profundas que afetam diretamente nosso relacionamento com Deus, com a vida e a comunidade onde estamos inseridos.   A série está disponível no site de nossa comunidade "Igreja Esperança" e pode facilmente ser acessada no endereço abaixo.

Os temas tratados são:



Toda série: http://www.igrejaesperanca.org.br/preachit/series/16.html


Em Cristo,
Igor
6 de set de 2012 | By: @igorpensar

Fé Viril e Corajosa

  Por Igor Miguel

No mínimo, eu seria redundante em lembrar como nossa vida moderna é cansativa. Desperdício de palavras. A aflição, cansaço e angústia estão aí, na dureza de nossa presença no mundo. Sem mencionar, a intolerância generalizada, a brutalidade e os egos derramados atrás de suas máquinas de deslocar, vulgo automóveis. Testemunho de uma selvageria desvairada, uma perda de humanidade, um exoesqueleto metálico sem coração, me apavora as máquinas, e não me refiro aquelas com motor, mas aqueles sem epiderme.

Me cansa esta conversa de que os homens são bons, especialmente pobres, índios e minorias. Me cansa esta ingenuidade e este mascaramento da desvirtude.  Acredito em verdade universal, e se tem uma verdade que não é relativa, não é que os homens sejam em essência iguais em suas virtudes, mas iguais em sua depravação e corrupção moral. Basta colocá-los no poder, diante de um artefato que lhes dá relativa liberdade, e pronto, verás a face mais sombria destes “anjos” caídos.

Índios não vivem em harmonia com a natureza por amá-la, mas por temê-la, se tivessem instrumentos para devastá-la e dominá-la o teriam feito. Como alguns o fazem em garimpos, na pecuária e no desmatamento predatório. Índios, pobres, negros, brancos, burgueses, judeus e gentios, estão todos sob o Pecado.  E uso com “p” maiúsculo intencionalmente. Não estou disposto a negociar sua vergonha e a minha.
 “Então, Pilatos o advertiu: Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar? Respondeu Jesus: Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada; por isso, quem me entregou a ti maior pecado tem.” (Jo 19:10-11)
Só não praticamos o genocídio e não apertamos o botão vermelho e destruímos cidades com alguns megatons, porque não temos poder para isto. Porque Deus – digo explicitamente – aquele que governa sobre o caos, não nos deu atribuições para levar nossos desejos secretos até às últimas consequências.  Esporadicamente, ele entrega alguns homens a sua própria vontade depravada, para revelar a nós todos o que somos de verdade.

O crime hediondo nos atormenta. Não conseguimos suportar a “não-humanidade”, o “não-gente”.  Não damos conta da exposição de nossa maldade, mesmo que ela se manifeste no “outro”.  Sentimos calafrios e nojo só de pensar que se alguma coisa nos soltar, se dermos um salto para além das coerções, nos tornaremos sociopatas. No final, todos vivemos algum tipo de anomalia, mesmo nas instâncias que a publicidade não alcança.

O cristianismo é uma religião viril e corajosa, pois não vem com o papo de que o homem é bom e tem recursos em si mesmo para se “auto-justificar”, nem mesmo o povo escolhido, os judeus, escapam de sua denúncia. Todos, indistintamente, estão sob a sem-vergonhice generalizada, logo precisam, carecem urgentemente que a mão de amor se dirija a eles, que os salve.

Minha dificuldade com uma filosofia pessimista é que polariza o problema, tirando-o do terreno da utopia messianista, lançando-o ao cinismo, sem o escrúpulo de lidar com a presença da beleza e a esperança. A narrativa cristã é realista e desconfiada a respeito dos potenciais humanos, ela diz descaradamente: ele não dá conta. Por outro lado, anuncia repetidamente, em tom homilético: venham leprosos, doentes e pecadores, e abracem o sacrifício. Reconheçam nas mãos perfuradas e na coroa de vergonha, a vitalidade e a certeza de uma vida saturada de amor.

O cristianismo é basicamente uma denúncia e um anúncio. A denúncia é a respeito do que há de menos humano: o pecado, a maldade. O anúncio é a respeito do o que há de mais humano: Cristo, o segundo Adão.
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.” (Mt 11:28-29).
4 de set de 2012 | By: @igorpensar

Deus não pode ser contido

Rev. Davi Charles Gomes da Igreja Presbiteriana Paulistana brinda-nos com um excelente sermão sobre a grandeza de um Deus que tudo contém e não pode ser contido.