27 de nov de 2009 | By: @igorpensar

Calvino e a Lei

AS INSTITUAS DE JOÃO CALVINO - LIVRO II - CAPÍTULO VII - PARÁGRAFO 14: "A LEI ESTÁ CANCELADA NO TOCANTE À MALDIÇÃO, NÃO A SEU MAGISTÉRIO".
"Portanto, visto que agora a lei tem em relação aos fiéis o poder de exortação, não aquele poder que ate suas consciências na maldição, mas aquele que, com instar repetidamente, lhes sacode a indolência e lhes espicaça a imperfeição, enquanto querem significar sua libertação da maldição, muitos dizem que a lei (continuo falando da Lei Moral) foi suprimida aos fiéis, não significando que não mais lhes ordene o que é reto, mas somente que não mais lhes é o que lhes era antes, isto é, que não mais lhes condena e destrói a consciência, aterrando-as e confundindo-as.
E, sem dúvida, Paulo não ensina obscuramente esse cancelamento da lei. Que esse cancelamento foi também pregado pelo Senhor, disso se evidencia o fato de que ele não refutou aquela opinião de que a lei teria sido abolida por ele, a não ser que essa idéia viesse a prevalecer entre os judeus. Como, porém, não poderia ela emergir ao acaso, sem qualquer pretexto, crê-se que ela se originou de uma falsa. Primeira edição: “Pelo que, isto não refiramos a uma era única: que Davi faz permanente na meditação da Lei a vida do homem justo ...” interpretação de sua doutrina, exatamente como quase todos os erros costumeiramente se arrimam na verdade. Nós, porém, para que não tropecemos na mesma pedra, distingamos acuradamente o que foi cancelado na lei e o que permanece firme até agora.

Quando o Senhor testifica que não viera para abolir a lei, mas para cumpri-la, até que se passem o céu e a terra não deixaria fora da lei um til sem que tudo se cumpra [Mt 5.17, 18], confirma ele sobejamente que, por sua vinda, nada seria detraído da observância da lei. E com razão, uma vez que ele veio antes para este fim, a saber, para que lhe remediasse às transgressões. Por parte de Cristo, portanto, permanece inviolável o ensino da lei, a qual, instruindo, exortando, reprovando, corrigindo, nos plasma e prepara para toda obra boa."
(grifo meu)

5 comentários:

Eric disse...

Excelente texto, meu irmão.
Um abraço,
Eric

carlos disse...

Tem muita liderança,Igor que viaja na maionese,tenho detectado isso através de um estudo sistemático da teologia biblica.Estou sempre num crescendo da graça de Deus.Fico contente que você citou Calvino,porque muitos cristãos tem um pé atrás com esse reformador.

Eric disse...

O interessante é que quando o pastor cita a lei como exemplo parece até mesmo ironizá-la. Obviamente, para lermos a lei devemos ter o entendimento da graça, porém não é com discursos que mostrem que a lei passou e não serve mais para nada, pois isto não é bíblico. A lei continua como um todo, quando não literalmente (ex. sacrifícios), através do seu significado por de trás das linhas, mostrando-nos a pureza, o zelo, a intenção, o propósito verdadeiro e o louvor somente à Deus.

Igor Miguel disse...

Prezado Eric,

Tenho feito um movimento interessante. Oscar Skarsaune me iluminou neste sentido. De encontrar ecos das sinagogas e do cristianismo primevo (ainda associado ao judaísmo) na tradição cristã. Um movimento que Daniel Juster faz em seu livro "One People Many Tribes". Um trabalho "genealógico" procurando os rastros de uma igreja que caminha rumo a sua plenitude. Podemos encontrar ecos desta tradição desde dos pais grego, passando pelo pais capadócios, chegando a Agostinho, os reformadores e aos grandes despertamentos espirituais da Igreja. Devemos estar atentos, pois paralela a "boa tradição" (tanto da Igreja, como dos judeus) há elementos que devem ser abordados de forma coerente. O "antinomismo" luterano, por exemplo, produziu uma percepção distorcida da "lei" e consequentemente da "graça salvífica".

INSTITUTO ABBA disse...

Olá Igor! Muito bom e necessário este post. O que o Eric falou é uma realidade, encontramos muitas pessoas tratando a lei com ironia, como também encontramos muitas pessoas que não entendem a graça. Creio verdadeiramente que devemos fazer o seguinte caminho - os "da graça" procurar conhecer a lei e os "da lei" se renderem à graça. Falando assim, parece fácil, não é mesmo? Mas não é. É, sim, de uma profundidade imensa e exige de nós um compromisso absoluto com as verdades bíblicas tantas vezes deturpadas por aí. Abraço!