14 de dez de 2009 | By: @igorpensar

Cristianismo sim! Algum problema?

Por Igor Miguel


Em círculos judaicos é sempre recorrente uma abordagem negativa a respeito do cristianismo, as vezes tão honesta que beira à injustiça. Não há dúvidas, os judeus sofreram muitas agruras em nome de falsos seguidores de Cristo, ou em nome de um cristianismo oficial. Não há dúvidas que a Alemanha Nazista - por exemplo - era composta de mais de 50% de luteranos. Não há dúvidas que muito do discurso anti-semita medieval sustentava-se por "frases isoladas" ou mesmo explícitas de uma postura "anti-judaica" entre alguns Pais da Igreja.

Porém, reduzir o cristianismo a falsos-cristãos, seria tão incoerente quanto reduzir o judaísmo a falsos-judeus. O joio era previsto pelo próprio Jesus, e mesmo Paulo, o apóstolo, já alertava a Igreja de Roma a respeito de uma possível jactância da parcela gentílica da Igreja em relação aos judeus (Rm 11). Ainda sim, deve-se admitir que é parte da natureza do cristianismo a existência de falsos-cristãos. Penso que no cristianismo há muitos "judas", como no judaísmo, deve haver muitos "Tsvi Shabatai", "Saduceus Aristocratas", fundamentalistas religiosos, que desqualificam a essência do judaísmo. Reduzir da mesma forma o judaísmo a estes "sujeitos" seria incoerente.

O termo cristianismo foi usado pela primeira vez no período pós-apostólico, no II século d.C. Inácio de Antioquia foi o responsável pelo uso inédito do termo (ao menos estes são os registros). Alguns críticos veem na criação de uma terminologia nova para identificar os seguidores de Jesus um problema. Neste sentido, supõe-se que a procura por uma identidade independente do judaísmo traria prejuízos à fé chamada "cristã". Mas, como veremos, este é um receio parcialmente compreensivo.

Não acho que Inácio tinha alguma pretensão conspiratória, penso que não havia outra opção. Desde o ano 95 d.C. quando os judeus se reuniram em Yavne (Jamnia) para um conselho que redefiniria o rumo do judaísmo pelos próximos séculos, fora elaborado mecanismos religiosos e litúrgicos para repelir a presença dos "nazarenos" (judeus crentes do I século) do círculo judaico. A rejeição inicial não foi da Igreja, foi do próprio judaísmo. Se a situação era difícil para estes primeiros judeus seguidores de Jesus, o que dirá aos gentios recém chegados do paganismo. Estes eram um grupo com grandes problemas identitários: por um lado não eram judeus (pois não se submetiam à conversão formal ao judaísmo) e nem eram pagãos (pois não frequentavam os cultos pagãos).

A sinagoga não queria mais os seguidores de Jesus, o mundo pagão também repelia os gentios seguidores de Jesus. A única saída foi a afirmação de uma identidade independente, tanto do mundo pagão como do mundo judaico. Ignácio, quando afirmou o aspecto "universal" (católico) da Igreja, queria deixar claro que a "Igreja" era uma instituição para além dos limites "étnicos". Enfim,
quais foram as principais consequências da inauguração do cristianismo?

Consequências positivas:
a expansão da fé cristã, que sem exagero (basta uma olhadela nos atuais estudos), seria um tipo de "judaísmo minimalista" para acolhimento dos gentios à fé em Jesus e ao monoteísmo derivado deste. Este judaísmo minimalista (cristianismo) dialogava bem com as culturas pagãs, principalmente em províncias e territórios onde a sinagoga já não estava presente (países nórdicos - por exemplo).Consequências negativas: o distanciamento da matriz hebraica produziu gradualmente um perda da cosmovisão judaica; uma cristologia excessivamente preocupada com a transcendência, ofuscando a humanidade e a identidade cultural do verbo quando se fez carne. O diálogo com a cultura grega, por vezes foi promissora, por outras vezes, a síntese entre "cristianismo" e "cultura grega" trouxe grandes problemas para o seio do cristianismo.

Sendo assim, o cristianismo é um movimento legítimo, enquanto a resposta do Espírito Santo para um momento de tensão entre a Igreja e Sinagoga. A ruptura seria inevitável e necessária. Neste sentido, o cristianismo deve ser honrado e respeitado, como um fenômeno legítimo de acolhimento e reunião das nações ao redor do Messias judeu, Jesus.

Por outro lado, o cristianismo depara-se com uma tendência mundial, de visita e releitura de sua própria fé a partir das fontes judaicas. Vários escritos judeus, protestantes, católicos e reformados, dedicam-se ao estudo da língua hebraica, da tradição rabínica, dos Manuscritos do Mar Morto e outros recursos da tradição judaica, para compreender e enriquecer a própria experiência do cristianismo e por que não do próprio judaísmo?

Um outro fenômeno que não pode ser ignorado, é a crescente presença de judeus que percebem Jesus como uma figura messiânica. A presença crescente dos ditos "judeus-messiânicos" em Israel e na Diáspora é um fato, e deve ser considerado. Não faço referência a grupos fundamentalistas, judaizantes ou que procuram descredibilizar a tradição cristã e o próprio cristianismo. Neste sentido, uma leitura do Manifesto Judeu-Messiânico de David Stern traz boa luz doutrinária. Segundo ele o judeu-crente, por uma questão identitária, deve permanecer judeu, vinculado a sua tradição e neste sentido, o cristianismo não é adequado para ele. Um espaço autônomo, que proporcione liberdade litúrgica e que remeta os tempos pré-inaciano de culto, seria interessante. Mas, neste sentido, o debate é longo.

O que quero afirmar com este breve texto é que o cristianismo é um movimento historicamente estabelecido, levantado por crentes piedosos, que na tensão com o judaísmo, viram-se obrigados a criar um espaço de acolhimento dos gentios convertidos a fé cristã. Nem tudo que é cristão é necessariamente apostólico, como nem tudo que é judaico é necessariamente mosaico. Pois ambos, desenvolveram suas tradições. Neste sentido, Alister McGrath apresenta que a melhor forma de lidar com a tradição é compreendê-la dinamicamente. Afinal, a tradição enriquece a fé ao afirmar experiências anteriores e é enriquecida em novos contextos culturais, demandas e experiências teológicas.
A tradição é relativa à revelação.

Não obstante, o cristianismo não está isento de algum tipo de crítica histórica ou religiosa, pois há elementos heterodoxos na diversificada tradição cristã que são incompatíveis com a fé apostólica, como por exemplo: as influências do tomismo aristotélico, o neo-platonismo, o antinomismo luterano, o legalismo pietista e por aí vai.

O cristianismo foi o grande precursor dos direitos humanos. E em seu formato reformado promoveu o avanço das pesquisas científicas e da produção de riquezas. O cristianismo implantou universidades em toda Europa e nas Américas; as primeiras academias brasileiras eram confessionais. O cristianismo erradicou a confusão politeísta e expandiu um monoteísmo transformador em lugares assolados pelo caos teórico e por crenças perversas que oprimiam mulheres e escravos. O cristianismo conseguiu popularizar e cumprir em muitos lugares, como a experiência do neo-calvinismo holandês, um tipo de atuação antecipadora das profecias. Os profetas judeus jubilariam se vissem o que Abraham Kuyper realizara na Holanda e o impacto de sua visão de mundo no universo reformado.

O cristianismo criou comunidades modestas, fervorosas, pensantes, atuantes e inspiradoras como L'Abri na Suíça com a família Schaeffer. Não foi em vão que Calvino ao fazer teologia em suas Institutas, o fazia a partir das Escrituras Hebraicas (Antigo Testamento), mostrando uma unidade entre os "testamentos", evitando a heresia marcionista, que ainda aterrorizava outras tradições dentro do protestantismo e do cristianismo medieval.

Penso que é possível uma experiência cristã real dentro do cristianismo. Uma pessoa pode desfrutar perfeitamente de Deus através da modalidade cristã de fé, pois de fato o cristianismo se estabeleceu criativamente como um movimento com tradição e espiritualidade próprias, e que vive um momento de redescoberta de suas raízes em Jerusalém, mas em um movimento que passa por Calvino, Agostinho, os Pais Capadócios, Nincéia, os Bispos Judeus (citados por Eusébio), aos Apóstolos, ao Messias, aos profetas e à realizara entre os séculos XIX-XX.
Torá (pentateuco), curando os cismas históricos com a ajuda da graça de Deus, em Cristo, que reconcilia judeus e gentios (Ef. 2) no madeiro.

Leia um complemento a este texto: Raízes que Permanecem
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Revisão 1.0: 16/12/2009
Revisão 2.0: 20/07/2010

33 comentários:

Marcus Vinicius disse...

Igor,
saúde.
Mandei um e-mail, podendo responder, espero ansiosamente.

Fraterno abraço,
Marcus.

tiago disse...

É um assunto muito vasto e espinhoso, mas você propõe um "embrenhamento nesse mato histórico-eclesiástico-teológico", convidando os discípulos de Cristo a uma postura equilibrada e calcada na História e no diálogo maduro.
Se D-us quiser veremos uma Igreja ao mesmo tempo sem anti-judaísmo e anti-crsitianismo. Veremos um respeito dos gentios crentes pelo judaísmo messiânico dos crentes judeus, e estes respeitando o cristianismo e as boas produções e tradições cristãs, pertencentes aos irmãos gentios.
Isto contribuirá para uma fé UNA, mas ao mesmo tempo MULTIFACETADA e rica em unidade, maturidade e impacto externo.
Parabéns. Você como sempre honrando o título do blog como um pensador no corpo do Messias em nossos dias.
Shalom!
Tiago

Igor Miguel disse...

Vinicius, respondi seu e-mail. Tiago, como sempre sua presença em meu blog é um privilégio. Sei de sua sensibilidade teológica e de sua sede pela verdade. Continue firme guerreiro!

No Messias,
Igor

Dany disse...

Shalom!
Sou pastora de uma igreja gentílica e é exatamente isso que temos buscado, acredito que este é o caminho entre cristianismo e judaismo (gentios e judeus, algo equilibrado!)Este artigo me ajudou ainda mais.
Obrigada!

Igor Miguel disse...

Prezada Dany,

Que bom! Foi exatamente este o objetivo do texto. Trazer luz. Iluminar pessoas engajadas na restauração da Igreja, considerando a presença de duas comunidades. Lembramos que esta era a abordagem de Paulo em Efésios 2. A comunidade dos santos deve acolher a diversidade. Neste sentido, o cristianismo prestou um serviço excelente!

joseardias.blogspot.com disse...

Prezado Igor, meu amigo e mestre!

Parabéns pelo magnífico artigo, uma pérola que descreve sem preconceitos uma parte da história das comunidades cristãs e judaicas, unindo ao invés de separar, entendendo, ao invés de desentender. Muito bom! Que o Senhor continue abençoando-o.

José Antônio Rodrigues Dias

Guilherme de Carvalho disse...

Jóia Igor. O judaísmo verdadeiro é messiânico, e o cristianismo verdadeiro é judeu!

Erike Couto disse...

Isso ai Igor...sempre em busca da Verdade Encarnada, impressa nas Escrituras, dispersa na História, contemplada turvamente pelo Judaísmo rabínico, hasteada pelo Cristianismo institucional e vivida pelos verdadeiros crentes, em todas as épocas... Jesus, o Mestre de Nazaré e Messias de Israel!

Excelente artigo mano! Parabéns!

Aender disse...

Cara, agora tive tempo de ler com calma esta pérola. Isso deveria ser colocado em vários outdoors. Parabéns mais uma vez.
Seu amigo e admirador.

"Caio" Borba.

Igor Miguel disse...

José Dias, sei que você está neste empreitada pela reconstituição integral da fé, desta unidade misteriosa (para usar a linguagem de Paulo) entre judeus e gentios em Cristo.

Guilherme, obrigado por seu comentário. Você é parte importante deste processo de reconstituição da dignidade da fé cristã no Brasil.

Erike, obrigado pelo toque e o apoio ao processo de "acomodação" de novas estruturas teológicas.

Borbão, obrigado pelo toque, sempre bem vindo. Continue dialogando fé, psiquê e cultura.

Abraços!

Eric disse...

Simplesmente sem preconceitos! Isto é preocupar-se não com o judaísmo ou com o cristiannismo,envolvendo-se num tipo de partidarismo, mas preocupar-se diretamente com a santa Palavra de Deus. Vemos claramente isto quando você diz: "Nem tudo que é cristão é necessariamente apostólico, como nem tudo que é judaico é necessariamente mosaico."
Um abraço,

André Tavares disse...

Caro Igor,

acho que a maior virtude do texto é assumir a vergonha da cruz, demonstrando, ainda assim, seu incalculável valor.

Gisele disse...

É, amigo, talvez a busca seja não um "judaísmo" ou "cristianismo" fechados, truncados, mas cada um , judeus ou gentios, com suas tradições e a consciência de que a obra da cruz sempre confirmou o que já havia sido dito na Torah e nos profetas, da mesma forma que Jesus literalmente encarnou as escrituras. Ou seja, com certeza não podemos ignorar o papel do Cristianismo, da Igreja (com "i" maiúsculo)na nossa fé. Se hoje eu ou vc temos a graça do Messias foi porque os cristãos lutaram ao longo dos séculos para que ela se propagasse (assim como a Lei protege o mundo do caos completo).
Amei o texto! Que o Eterno te abençoe.
Sua amiga e fã, Gi.

Anônimo disse...

Igor, sou judeu e vivi em Israel por 13 anos. Jesus é considerado oficialmente inimigo pelo Estado de Israel (consta expressamente em lei) e do povo judeu. É proíbido tocar em seu nome a não ser por questões científicas e acadêmicas. Os "messiânicos" não são reconhecidos como judeus nem por Israel nem pelo rabinato ortodoxo. Só tenho uma dúvida: qual a opinião de vocês messiânicos sobre a doutrina da trindade e da divindade de Jesus. Cordialmente desejo paz a todos. Que D`us abençoe a todos nós.

Igor Miguel disse...

Gisele,

Obrigado por sua visita ao blog! Que bom que você gostou do texto, espero sinceramente que ele oriente muitas pessoas, a uma postura coerente com a história da revelação e da atuação soberana de Deus sobre duas comunidades magníficas.

Igor Miguel disse...

Prezado Anônimo,

Como você morou em Israel por tanto tempo, suponho que você domine o "ivrit modernit", sendo assim, envio o link com uma palestra de Joseph Shulam sobre a divindade do Messias em um contexto bem judaico: http://netivyah.org/index.php/en/audiolessons-mainmenu-29/hebrew/khy-joseph-shulam/307-divinity-of-messiah

Ana Cláudia Monteiro disse...

Toda vaidade teológica se esvai quando seu objeto de busca se torna o sujeito. Na busca por D'us, o homem constrói "caminhos", a partir de fragmentos de Sua progressiva Revelação. D'US É. À medida que me permito relacionar-me com Ele posso crescer espiritualmente. A história denuncia quanto "autoridades teológicas" buscaram definir (o que é imaterial) e de certo modo restringir (o que é Eterno) o Conceito de D'us, e encaixá-lo em sua limitada compreensão. Bem, creio que a partir do culto racional, ao D'us Verdadeiro, ÚNICO, o diálogo será possível e uma só fé será vivida. A"multiforme sabedoria de D'us" transmitida primeiramente aos judeus poderá ser revelada em nossos dias através da Igreja (crentes no Messias Yeshua, quer judeus, quer gentios), cada um cumprindo seu papel, vista ao cumprimento do Supremo Propósito, que é D'us habitar com os homens. E isso, só através de Yeshua, Jesus, O MESSIAS, O Caminho.
Creio que as evidências estão tão objetivas esses últimos dias do cumprimento das Escrituras, que não há mais espaço para os "anti-". Precisamos nos unir em conhecimento e fé, visando a manifestação da Glória de D'us. Essa é a verdadeira teologia. E como conhecer o que é profundo sem primeiro experimentar o que está à superfície... impossível!!! É hora de nos abrirmos ao diálogo fraterno, conhecermos a história como ela é e encarar nosso ministério dos últimos dias.
Esse texto, Igor, deveria ser enviado aos "anjos das Igrejas". É uma boa chamada à consciência de quem somos e quem não somos, a fim de realizarmos a nossa parte na aliança.

Shalom!

Gloria Lemos disse...

Igor
Foi muito bom o tempo que estudei contigo no MJBI. Atualmente passei por periodo de escolhas: Cristã ou Judia Messianica?
Tenho uma suspeita através dos meus antepassdos que posso ser uma descendente. Mais a minha alma me diz que sim sou uma descendente. Este artigo me deixou muito claro sobre o ser cristão e o ser judeu e pude entender mais com este texto escrito neste artigo:Nem tudo que é cristão é necessariamente apostólico, como nem tudo que é judaico é necessariamente mosaico!
Tive uma luta muito grande com a liturgia judaica messianica, assim como a liturgia da Igreja Cristã! Você tem algum estudo referente a este tema? Pois me sinto incomodada com ambas liturgias!Quero apenas seguir o grande mandamento dito por Yeshua: Ama a D'us com todo o teu coração e ao proximo como a ti mesmo.

@igorpensar disse...

Gloria,

Que bom vê-la por aqui. Quanto tempo! Maninha, teno pensado muiiitoooo sobre liturgias, não sei como é seu inglês, mas um texto que tem alterado muito minha percepção de ambas tradições litúrgicas podem ser encontrados nos endereços abaixo: http://www.tikkunministries.org/newsletters/dj-nov09.asp

http://www.tikkunministries.org/newsletters/dj-mar09.asp

São as impressões de Daniel Juster, renomado líder do movimento judaico-messiânico, a respeito do valor e do sentido contido na liturgia cristã.

Anônimo disse...

Gostaria de um esclarecimento e acredito que você esteja altamente capacitado para responder. Você afirma no texto, não de forma direta, que Jesus é o messias judeu. Se não me falha a memória as escrituras à respeito do Melech haMashiach informa veementemente que este seria descendente de David haMelech, Jesus se enquadra em tal quesito? Me mostre de que forma ele seria o messias sendo filho de Maria (descendente da casa de Aharon) e do Espírito Santo (D-us) como narra o "novo testamente". O mesmo escrito teria omitido sua real genealogia? ou isso não tem importância para os judeus-messiânicos?

@igorpensar disse...

Olá "anônimo",

A objeção judaica tradicional contra a linhagem davídica de Jesus é insustentável pelo próprio judaísmo. Há registro no próprio Talmud (Tratado San'hedrim) a respeito de sua ligação com a "casa real". O Novo Testamento e as narrativas evangélicas, mostram judeus questionando a messianidade de Jesus, sua filiação divina, seu papel profético, mas não há nenhuma menção de judeus questionando sua filiação davídica. Por questões óbvias, ele era filho de uma família de descendentes de Davi. Isto é o suficiente. Romanos 1 afirma que Jesus é filho de Davi segundo a carne. Agora, como se operacionalizou a introdução da semente davídica em Jesus em seu nascimento virginal, não nos compete. De qualquer forma o testemunho comunitário é o suficiente, não foram poucas as pessoas que o chamavam "Yeshua Bar David" no I século, como registram os evangelhos.

Abraços!

Arquimedes disse...

Ola!
Igor , referente a este trecho que voce escreveu," Não faço referência a grupos fundamentalistas, judaizantes ou que procuram descredibilizar a tradição cristã e o próprio cristianismo."
Gostaria de saber se voce conhece algum grupo e se poderia me falar algum para me previnir .
agradeco.

@igorpensar disse...

Conheço vários... me mande um e-mail e te passo meu telefone e conversamos a respeito.

Abraços!

Thiago disse...

Amigo Anônimo, o Judaísmo Messiânico é oficialmente reconhecido sim por Israel.

Veja este link: http://www.judaismomessianicobrasil.com.br/judaismoreconhecido.html

Abraços.

@igorpensar disse...

Thiago,

Este artigo é "fake" o judaísmo-messiânico não é ainda reconhecido por Israel. O que há é uma lei de tolerância religiosa, com alguns precedentes a respeito da lei do retorno à filhos de pai judeu. Entretanto, o movimento ainda está longe de ser reconhecido plenamente como ramo do judaísmo.

Este foi um boato que circulou a Internet, acompanho bem de perto as leis israelenses neste sentido.

Abraços,

Thiago disse...

Olá Igor,
Não posso dizer que o link é fake porque esta no site da Congregação Judaico Messiânica Adonai Shamah e que é de extrema confiança de minha pessoa. Creio que seja algo difícil, mas não impossível, pois existe outras linhagens do judaísmo, como o ortodoxo, conservador, reformista e reconstrucionista.

Shalom!

@igorpensar disse...

Mas é fake. Pessoas de confiança também cometem erros.

Abraços!

@igorpensar disse...

Veja as fontes que confirmam o que disse:


Messianic Jews

The Supreme Court of Israel ruled in 1989 that Messianic Judaism constituted another religion, and that people who had become Messianic Jews were not therefore eligible for Aliyah under the law.[9]

On April 16, 2008, the Supreme Court of Israel ruled in a case brought by a number of people with Jewish fathers and grandfathers whose applications for citizenship had been rejected on the grounds that they were Messianic Jews. The argument was made by the applicants that they had never been Jews according to halakha, and were not therefore excluded by the conversion clause. This argument was upheld in the ruling,[10][11] and the government agreed to reprocess their applications.
[edit]

http://en.wikipedia.org/wiki/Law_of_Return#Messianic_Jews

http://en.wikipedia.org/wiki/Law_of_Return#Messianic_Jews

@igorpensar disse...

O artigo que deu origem ao verbete na wikipedia: http://www.jpost.com/Israel/Article.aspx?id=98980

valle disse...

Olá Igor, como vai?

Hoje decidi dar uma olhada em seu blog e me deparei com este artigo. Excelente e esclarecedor.

Justamente em um momento que mais necessito, por haver entrado em "conflito" com um judeu-messianico aqui da minha cidade, O Rosh (Líder) da Congregação, da qual apesar de fazer parte por alguns meses, decidi me afastar porque via que em realidade Ele quer incorporar elementos judaicos a fé cristã que não concordo de maneira nenhuma.

Ele insiste em que os "gentios" devam usar o kipá, e eu insistia com Ele que esta prática, nunca foi apostólica, muito menos dos rabinos do 1º século, mas que veio muito tempo depois da destruição de Jerusalém no ano 70 E.C.

Inclusive apontei a Ele que "cobrir a cabeça com talit" para a oração, não é uma prática aceita pelo cristianismo paulino e creio eu nem pelos próprios judeus caraítas, que são escrituristicos estritos. Será que ele nunca leu 1 Aos Coríntios 11?

Quero apontar uma parte do seu texto que serviu e muito para mim, eis aí:

"O que quero afirmar com este breve texto é que o cristianismo é um movimento historicamente estabelecido, levantado por crentes piedosos, que na tensão com o judaísmo, viram-se obrigados a criar um espaço de acolhimento dos gentios convertidos a fé cristã. Nem tudo que é cristão é necessariamente apostólico, como nem tudo que é judaico é necessariamente mosaico. Pois ambos, desenvolveram suas tradições".

A verdade deve estar no meio. Infelizmente, o judaismo messianico tende a pender para o lado judaico da balança, e não mede palavras nem esforços para "tachar" quaisquer que não rezam por sua cartilha de "cristãos vazios". Este líder disse exatamente isto: Vazio é o cristianismo!!

Ele deveria ler seu artigo!!

Um grande abraço, estou procurando caminhar neste "cristianismo cheio e bíblico", sem tradições judaicas anti-biblicas, nem práticas anti-cristãs.

Deus te abençoe

Marcelo Valle.

jkdvalle36@hotmail.com (pode me escrever se quiser)

MarcioSoares disse...

Dizem que a história se repete... é verdade. O judaismo messianico procura se amoldar ao judaismo ortodoxo em Israel (sem conseguir, é claro!), para encontrar força.. a historia se repete pois no tempo de Jesus, os sacerdotes pegaram em pedras para matar Jesus quando este disse: - eu e o pai somos um (se fazendo Deus). não aceitam verdades... querem tudo obvio e bem parecido com os de Israel... Joao 3:35,36 diz que aquele que nao aceita o filho a nao vera a vida e a ira de Deus esta sobre ele..., Jesus sempre se identificou com o pai... Israel perdeu o lugar e deixou para a Igreja, "o novo Israel", que preserva a fé de Abraão mas reconhece (segundo Jesus), Jesus como aquele que é maior que o vosso pai Abraão. A arrogância de alguns judeus continua (historia se repete) como nos tempos de Jesus, lanca a capa, anda mais uma milha, oferece outro rosto,... os tempos mudaram... Deus esta a procura de homens e mulheres que o adorem em espirito e verdade... assim o povo de israel será enxertado na verdadeira videira que é Jesus, e nao um povo, discrente no filho, Deus é fiel a ele mesmo e nao a homens (nacoes) vaidosos (por acharem que deus é um objeto de propriedade exclusiva), orgulhosos, briguentos e bobos... Deus esta acima disso tudo... dizem que a antisemitismo e e que alemãs foram antesemitismo (é bem verdade foram)... mais olhe a historia biblica na ocupacao nao houve limpeza etinica em canaa... em nome do Eterno... mataram criancas, mulheres, homens... e ate mesmo abusaram de criancas e mulheres como diz otexto... os incredulos leem a biblia... e nos idagam que deus de amor é este...???

marciomarciasoares@gmail.com

Igor Jeff disse...

Shalom Igor Miguel. Queria sabe como faço para me tornar um judeu messiânico? Sou descendente de judeus ortodoxos mais meus parentes se dividiram e foram uns para o catolicismo e outros para o protestantismo evangélico, bom eu era evangélico durante anos até que mudei ou retornei as minha origem graças a pesquisa aos meus antepassados judeus, mais acredito em yeshua (jesus), procurei uma sinagoga para saber os costumes judaicos mas o rabino disse para ser um judeu completo tem que esquecer este Jesus romano e seguir o único deus da Torah, o que faço, não encontro Judeus-messiânicos no Pará, qual seria o proceder pra mim? Shalom!

@igorpensar disse...

Meu conselho:

1) Você não deve ser filho de mãe judia, e provavelmente não tem nenhum tipo de documentação que comprove judaicidade (do contrário teria mencionado);
2) Se não há documentação, você não é judeu.
3) Sendo assim, desista da ideia, seja um bom cristão, creia e viva o Evangelho, e Cristo, que o clímax de tudo que fora anunciado a Israel e aos Profetas, ele é cumprimento de toda Torah.
4) Leia este texto: http://pensarigor.blogspot.com.br/2011/01/o-israel-de-deus.html
5) E, depois este: http://pensarigor.blogspot.com.br/2012/05/judaismo-o-que.html