3 de ago de 2010 | By: @igorpensar

Salvação pela Graça

Por Igor Miguel

Espero que este texto seja o primeiro de uma série de impressões sobre os fundamentos do evangelho e as conexões existentes entre a fé cristã em sentido estrito e suas origens no judaísmo. Quando digo, "sentido estrito", afirmo que a fé cristã deve ser considerada como um movimento legítimo de acolhimento das nações não-judias em Cristo. Porém, devido a sua diversidade confessional e teológica durante a história e os diversos ambientes culturais em que se instalou, alguns ramos do cristianismo e algumas tradições inerentes a seu desenvolvimento, acabaram por absorver elementos não-cristãos e não-bíblicos em seu arcabouço. [clique aqui e baixe o artigo completo em PDF]

28 comentários:

victor disse...

Igor, eu tenho algumas perguntas a fazer sobre alguns tópicos abordados. São questionamentos que vira e mexe vêm a minha cabeça e, com o texto, eles afloraram. Não entenda como uma forma de questionar Deus, mas tentar entender o por quê (o que, talvez, seja impossivel). Considerações feitas, lá vai.

O que é necessário para que se alcance a misericórida de Deus? O homem é um ser inerte
quanto as suas decisões dependendo da predestinação divina? Deve haver um critério
para que a misericórdia venha. Se Deus endurece o coração do homem, então há a predestinação. Assim sendo, o livre-arbítrio é nulo. Pois não cabe ao homem decidir
se ele seguirá a Deus ou não. Isso é justiça de Deus? Por que a graça é para uns e não para outros? Todos não deveriam ter a oportunidade de ter acesso a isso? De fato há essa predestinação ou estou interpretando da forma errada?

@igorpensar disse...

Na verdade, não é o homem que alcança misericórdia. A misericórdia que o alcança. A ênfase bíblica não é sobre explicações lógicas de causa e efeito, mas admissão submissa e humilde de que a salvação desde o arrependimento do pecador até sua consumação é fruto da graça soberana de Deus. Nosso papel é obedecer, e certamente o eleito deseja fazê-lo ardentemente.

Gosto muito do argumento de John Piper sobre eleição em que afirma que há um "paradoxo" mas não uma "contradição". O paradoxo, significa que duas coisas que parecem "opostas" podem coexistir sem se anularem, a contradição ao contrário, duas coisas opostas se anulam. O paradoxo mais incrível do evangelho é que Deus elegeu, mas o homem é 100% responsável por suas escolhas.

A negação da soberania de Deus sobre a salvação e todas as coisas, seria admitir que há espaço para outras forças "soberanas", o que abriria espaço para a idolatria inevitavelmente.

Há quem goste de se debruçar sobre uma "lógica ferrenha", mas fiquemos com a Bíblia que proclama a vontade amorosa de Deus.

victor disse...

Mas, então, para que evangelizar? De uma forma ou de outra os eleitos não perceberão que foram escolhidos? Ou evangelizamos para que as pessoas descubram se foram ou não eleitos?

@igorpensar disse...

Esta é uma pergunta clássica. A objeção clássica contra os que creem na eleição. Interessante que os maiores evangelistas da história criam na percepção monergista de salvação. Homens como Charles Spurgeon, Georg Whitfield, Johnatan Edwards, etc. Evangelizamos por obediência, afinal, como ouvirão se não há quem pregue? A ideia de eleição, ao contrário do que muita gente pensa, não é sinônimo de "passividade", ao contrário, envolve uma ardente obediência, que é uma atuação da graça de Deus, em sermos cooperadores, usados por Cristo para pregar a boa nova.

Ninguém pode levantar qualquer juízo a respeito de quem é ou não eleito, por isso, nos engajamos na evangelização. Veja que texto interessante:

"Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna." (Atos 13:48). Não havia esta mentalidade "passiva" entre os crentes do I século, apesar da consciência de que Deus era o agente da salvação.

@igorpensar disse...

Victor, veja esta mensagem: http://www.youtube.com/watch?v=cRGxkRQXjOY

Paul Washer é um evangelista que crê na eleição. Veja nesta mensagem, a critica que faz ao evangelismo moderno.

Muito da "piedade" envolvida no evangelismo é puro orgulho, como se fossemos os grandes "agentes" da salvação. Se tivermos que ter uma teologia que justifique nossa evangelização, estamos perdidos. Evangelizamos porque o evangelho é cheio de sentido e é impossível, ao sermos tocados por ele, não falarmos dele. Qualquer outra motivação para além desta, será puro legalismo e falsa piedade. No final, estaremos orgulhosos, pois convencemos um pecador ao arrependimento, ao invés de reconhecemos, que é Ele (Deus) que acrescenta dia-a-dia os que vão sendo salvos (Atos).

Restaurando Vidas no Amor de Deus disse...

Professor Igor,

Sempre fiquei meia confusa com relação a predestinação e livre arbítrio,mas o que penso é que o livre arbítrio é limitado ao de Deus, ou seja mesmo agindo pelo nosso livre arbítrio caímos no que foi predestinado por Deus, porque ele é soberano! Não sei se dá pra entender o que eu falei.

@igorpensar disse...

Olá maninha,

Na verdade é um pouco diferente. Você chegou a conclusão certa, por caminhos que ainda precisam de ajustes. Para isto, é necessário saber a diferença entre "livre arbítrio" e "livre agência" leia este texto: http://www.monergismo.com/textos/livre_arbitrio/reisinger_livre_agencia.htm

Abraços,
Igor

victor disse...

Muito interessante o vídeo. De certa forma, desesperador. Achei interessante quando você disse sobre a falsa piedade. Isso me lembra o que você disse no congresso que, independetemente de qual seja a ação, tudo o que fazemos, se não em Cristo, não passa de nada. Depois de muito ler o teu blog e o da Norma Braga, comecei a entender a influência negativa que o esquerdismo tem dentro das igrejas. É exatamente essa falsa piedade. Estou há 21 anos na igreja, e parece que quase tudo o que eu aprendi não me vale de nada. Pregamos mais o doce mini-livro das 4 leis espirituais, e ignoramos o grosso e amargo livro chamado Bíblia. Inventamos leis para não seguirmos as Leis.

victor disse...

Só mais uma dúvida: se o pecado foi passado geneticamente de Adão para nós e Cristo morreu para nos restaurar, essa tal eleição não se estende a toda humanidade? Dizer que uns são eleitos e outros não, não seria uma formad e negação da abrangência do sacrifício de Jesus?

Daniella disse...

Querido Professor,

Acredito plenamente que o amor de Deus pelo homem não é uma recompensa, pois se assim o fosse, o que seria dos assassinos, estupradores e os que cometem todo tipo de abominações?

Que o pecador precisa se entristecer para se alegrar, pois assim ele reconhece a essência de Deus, e busca a intimidade com o Altíssimo.

E que até mesmo a obediência que opera para a santificação é um ato de graça operado pelo Espírito Santo, porque mesmo o Espírito Santo operando em nós, agimos com rebeldia.

Entendo os questionamentos que o Victor esboçou aqui, porque muitas vezes sou interrogada pelos os mesmos, através da minha irmã. Mas o seu texto trouxe clareza para algumas dessas dúvidas, já o recomendei a ela.

Que bom que você vai estar aqui em Uberlândia esse final de semana, estamos aguardando ansiosos pelo querer e o realizar do Pai através da sua vida.

Dani e Rodrigo.

@igorpensar disse...

Victor, cara eu te amo... suas perguntas são incríveis. he he he!

O amor de Deus pela humanidade é demonstrado pela eleição. Pois se Deus não amasse o mundo não teria eleito ninguém. Teria entregue todos os homens ao que escolheram e ao que amam: o pecado. Mas, justamente, como diz Ef.2, por Ele ser rico em misericórdia, ele atraiu para si os que quis, para 'fazer conhecida as riquezas de sua glória em vasos de misericórdia que preparou de antemão' (Rm 9:23).

A eleição é a maior demonstração do amor de Deus pela humanidade. Pois se nos entregasse a nossa própria "escolha", estaríamos perdido. Por isso, tremo por dentro, sinto um calor visceral, e uma gratidão indizível, quando penso no evangelho nesta perspectiva.

Louvado seja o Senhor!

@igorpensar disse...

Daniella,

A beleza da teologia da eleição, descrita nos textos apostólicos e no evangelho de João, não é ficarmos brincando de lógica, de leis de causa e efeito, não é a racionalização do paradoxo amoroso. Mas, reconhecermos, que sem a providência divina, sem sua soberania amorosa, jamais seríamos alcançados. Isso me parece uma obra de arte, você não acha? Tem cheiro de Deus.

Samuel L. disse...

Professor Igor!!

Cara gostei d+ desse artigo, pois é um tema que vem sendo discutido pela igreja a muito tempo, e direto é tema das rodas de conversa dos cristãos que na maioria da vezes não se chega a uma conclusão, mas você conseguiu colocar de forma clara e equilibrada sobre essa relação monergistica da graça de Deus com o homem .

Guilherme de Carvalho disse...

Oi Igor,

Li o artigo. Excelente síntese, do ponto de vista do dilema monergismo/sinergismo. E também no sentido de mostrar a relação entre a idéia de Queda e uma concepção robusta da Graça. Foi realmente bem agostiniano!

De certa forma, além de recuperar o foco agostiniano os reformadores se concentraram na suficiência da obra de Cristo e na justificação; suspeito que vc tratará disso depois, não é?

Jóia tb a pista de que a graça já estava presente antes, com a idéia de que o homem se "desgraçou"...

Continue escrevendo sobre a Graça!

Samuel disse...

Shalom Prf Igpr!

Existe um sério problema doutrinário com a crença de que um cristão nascido de novo possa perder a salvação. Ora, se não precisamos praticar boas obras para sermos salvos, como podemos perder a salvação por praticarmos obras más?

Samuel disse...

Shalom Prof Igor


Levando-se encosideração João 3.16,creio,que podemos entender a doutrina da predestinação é universal.Deus, em seu inigualável amor,predestinou todos os seres humanos à vida eterna.
Creio,que ninguém foi predestinado ao lago de fogo,pq Jesus disse que o mesmo foi preparado para o diabo e seus anjos.Mt 25.41
Entretanto, o fato do homem ser predestinado a vida eterna não lhe garante a bem-aventurança,pq é necessário que ele creia noevangelho.
Entendo que a predestinaçã é universal,mas a eleição é particular. Quem crê será salvo,mas quem não crê será condenado.Marcos 16.

Abraço
Samuel

@igorpensar disse...

Samuel,

Obrigado por sua passada por aqui. Acolho suas perguntas com muito respeito e hospitalidade.

Não há distinção entre em "eleição" e "predestinação", como Efésios 1 deixa claro. Deus predestina os que elegeu.

Jo 3:16 não fala de uma "universalização" da graça. Fala que Deus amou tanto o mundo de tal maneira que Ele salvará os que creem. E quem crê? Aqueles que o Senhor elegeu. A eleição neste sentido é a maior expressão do amor de Deus. Pois se ele não amasse o mundo, não salvaria ninguém, pois todos indistintamente seriam condenados por suas próprias transgressões. Há acepção? De modo nenhum! Pois a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável sempre, por isso Paulo é categórico:

"Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú. Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia." (Rm 9:13-16).

@igorpensar disse...

Guilherme,

Obrigado por sua apreciação a respeito do texto. Ela é muito preciosa, se o texto sobreviveu a sua sobriedade teológica, este é um excelente sinal.

Muito obrigado!
Igor

Samuel disse...

Shalom Prof Igor!

Qual é a interpretação do caso de Atos 13:48?


... creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna.(Atos 13:48)
Abraço no amor do Messias
Samuel

@igorpensar disse...

Samuel,

Este texto quase não carece de interpretação alguma. Justamente isto que o torna tão importante. Os apóstolos pregavam o evangelho a todos indistintamente, mas sabiam, que somente os eleitos creriam nele.

Abraços!

Metushelach Ben Levy disse...

Igor,

Primeiramente lhe felicito por D-us lhe iluminar com visões e descurtinamentos de assuntos tão ricos e controversos como os tratados neste artigo, lhe confesso que se tornou rotina para mim chegar em casa agradecer por mais uma oportunidade de retornar ao meu lar e logo correr para o Blog para ver se tem novidades.
Sua linguagem acadêmica e rica porém concisa e simples me cativa, agradeço a D-us por sua vida, sua vocação, por ser você brasileiro e também generoso por compartilhar tão amavelmente suas descobertas, Baruch Hashem por você.
Estou lendo o livro “Será Morto o Mashiach – Daniel 9:26” de Jacob B. Anijar, e em seu começo algo que me chama atenção é a forma como ele enfoca a predestinação e eleição, pois ele reconta Bereshit de uma maneira que eu nunca tinha ouvido falar, pois ele começa falando do elo perdido de Darwin , ligando-o à serpente do Gan Éden, dizendo que a serpente não era um réptil mas sim uma espécie de primata ancestral que poderia gerar uma descendência híbrida com o ser humano, sendo isso que ocorreu, Eva gera um filho da serpente após ter comido do fruto do bem e do mal , portanto Caim é filho da Serpente, o autor usa vários inferências à textos bíblicos para comprovar sua hipótese, desde que Caim não aparece na Genealogia de Adam e que os filhos da serpente são os que tem inimizade com os filhos da mulher conforme Bereshit 3:15.
Sinceramente esta hipótese levando em consideração todos os textos acerca da predestinação faz um pouco de sentido, mas me ocorreu que todos os descendentes de Caim devem ter morrido no dilúvio ou não?
Igor e você o que acha disso????
Shalom !!!!

@igorpensar disse...

Levy,

Obrigado por seu comentário a respeito do texto. Espero sinceramente que sirva para superarmos os estereótipos injustos sobre uma compreensão honesta, deste tema que jugo muito importante para uma compreensão de salvação que de toda glória aquele que nos salvou. Do contrário, acabaremos por nos glorificar. A diferença entre as duas linhagens bíblicas era justamente a "autonomia", que é um pretenso autogoverno, e a "teonomia" o absoluto reconhecimento do senhorio de Deus sobre as escolhas humanas.

Abraços!

'Sola Scriptura' disse...

Sobre predestinação, veja uma parábola em http://solascriptura.ning.com/xn/detail/2538395:Comment:11676

@igorpensar disse...

Eber, obrigado pelo post. Mas, sinceramente, o argumento de que há injustiça da parte de Deus, pelo fato dEle ter elegido quem lhe aprouver, é liberal e tem raízes no iluminismo, na modernidade. Biblicamente, Paulo assevera em Romanos 9 que não há injustiça da parte de Deus. Pois quem é o "vaso" para perguntar ao que o fez "por que me fizeste assim?". No fundo, no fundo, ficamos aterrorizados com a ideia de soberania de Deus na salvação, porque queremos manter nossa religião e "salvação" sob controle, mas, o mais lindo da fé é o salto nas mãos amorosas e soberanas deste Deus. Que amou o mundo a ponto de enviar seu filho aos que creem. Pois se não amasse, ninguém seria salvo.

In The Zone disse...

A Salvação divina é pela Graça de Deus ou seja é de Graça, lógico isso, porém tudo que é de graça ainda desperta desconfiança de muitos. Muitos ainda acreditam que serão salvos pela obra, mas estão enganados, a partir do momento que vc aceita a Jesus como seu salvador, aceita o sacrifício por ele dado, vc por gratidão decide guardar seus mandamentos e deixar seu rastro de bondade pela Terra. Lembro-me da história do menino rico, que guardava os mandamentos, mas não amava a Deus como ele dizia, amava mais o seu dinheiro. Outro exemplo é imaginarmos que somos um barquinho, onde os remos são a Graça de Deus e a trilha nas águas são as coisas boas que vc fez nesse mundo. Concluíndo essa parte, se Deus intervir nas nossas decisões seríamos um robô e não um ser humano...

A idéia de que somos predestinados a ser salvos sai totalmente do contexto de que somos LIVRES, temos o livre arbítrio, ninguém é predestinado a ser um assassino, ou um alcóolatra, até porque se esse alcoolatra for "predestinado" a ir pro céu ele não terá lá o que ele é viciado aqui. Essa idéia de predestinação chama-se Calvinismo (XVI). Portanto Victor todos tem a oportunidade HOJE de alcançar a graça, pois a misericórdia de Deus se renova a cada manhã.

@igorpensar disse...

"ninguém é predestinado a ser um assassino, ou um alcóolatra...", engraçado que as "vezes" (estou irônico), alguém é predestinado para ser o filho da perdição (Judas)... Livre-arbítrio, quer dizer, escolher alguma coisa sem causa anterior, será que somos livres neste sentido? Será? Será que nossas escolhas estão tão isentas de "causa"? Pelo que me consta nossas escolhas são afetadas profundamente por ídolos, pecado e queda. Por isso, pelo livre-arbítrio, sem qualquer atuação da graça, não poderíamos dizer "para que ninguém se glorie", pois aí, seria o homem glorificado. O que Paulo sustenta é que Deus é absolutamente soberano, inclusive sobre o mal, para justamente no final (e durante) do processo, apenas Ele seja glorificado. Ele é competente, para usar tudo isso para sua glória.

In The Zone disse...

@igorpensar vc meio q confundiu tudo nessa sua filosofia, ou seja, falou falou e não disse nada (viajou na maionese). Não entendí a parte de "alguém predestinado a ser Judas". Pelo que sei, Judas que decidiu (escolheu) trair Jesus por causa da sua ganância, logo ele teve o livre arbitrio dessa escolha. Deus (Jesus) poderia interferir mas não o fez pq somos LIVRES, apesar de que seria preciso que isso acontecesse para que Jesus cumprisse seu plano da salvação (que esse é um plano fantástico que posso explicar depois).

@igorpensar disse...

"vc meio q confundiu tudo nessa sua filosofia, ou seja, falou falou e não disse nada (viajou na maionese)."

Maninho, não confundi nada. Deixe-me explicar só uma coisa, sem tensões. Vou ser bem objetivo.

A objeção reformada ao "livre-arbítrio" é que quem a defende e a define como sendo um "poder" dado ao homem, no qual o homem, sem qualquer tipo de "influência" ou "causa" anterior, faz livremente e autonomamente, suas escolhas.

O problema é que o "livre-arbítrio", nestes termos, é uma ilusão. Primeiro, porque o homem não tem nenhuma escolha livre. Todas as suas escolhas estão sob escravidão do pecado (para começar). O problema é simples. Se a salvação estiver condicionada apenas ao "livre-arbítrio" humano, então, a graça é resistível. Se a graça é resistível, Deus é menos Deus, pois alguma coisa mais forte do que Ele e sua graça é que determinam no final das contas a salvação. A visão reformada assevera a doutrina paulina de que "Deus tem misericórdia de quem quer e endurece quem quer." (Rm 9) e que a salvação pertence ao Senhor (Jonas).

Um estudo histórico da doutrina do "livre-arbítrio" conduzirá qualquer estudioso cuidadoso à inevitável conclusão de que esta doutrina tem origem em uma filosofia moderna muito perigosa, que envolve a autonomia do homem. O mesmo erro que fez Adão cair, a pretensão de se ter a palavra final e o condicionamento de Deus à esta autonomia.

O que Paulo e os reformadores afirmavam era a absoluta soberania de Deus sobre todas as coisas, que nada poderia frustrar os planos de Deus. Que mesmo os homens mais poderosos, estavam sujeitos à sabedoria, graça e soberania divina.

Agora, é claro que quando teólogos afirmam a soberania de Deus, os lugares mais profundos de nossa altivez e nosso falso senso de justiça, ficam agitados. Não suportamos a ideia de um Deus soberano que de forma gloriosa tem tudo sob seu sábio e amoroso controle. No final das contas, queremos um Deus "domesticado", é mais fácil manter a religião sob controle neste caso. Mas, como diria C.S. Lewis "Deus é selvagem" ou seja, não pode ser domesticado e hipótese alguma. Negamos uma doutrina bíblica por uma doutrina iluminista.

Abraços,
Igor