2 de set de 2010 | By: @igorpensar

Jesus não é démodé.

Por Igor Miguel

Jesus não é démodé como podem supor. Jesus não é e não se restringe a um adesivo em um carro ou ao nome de um salão de beleza, ou a uma frase em um para-choque de caminhão, ou em uma camisa "gospel". Jesus Cristo ainda continua sendo, para muitas pessoas, o poderoso agente de transformações significativas na trajetória de indivíduos, famílias e comunidades.

Jesus deve ser compreendido dentro de uma história, dentro de um contexto. Sua biografia é surpreendente pois contradiz toda a expectativa e previsibilidade das grandes narrativas históricas da antiguidade e de nossos dias.

Um dos meus professores de literatura judaica sempre diz que uma boa literatura é aquela que
surpreende por sua não-previsibilidade. Uma boa história é aquela que contradiz todos os critérios normais e todas as expectativas do leitor.

Jesus poderia ter seguido as regras e expectativas estabelecidas. Podia ter vindo como um ser em luz e glorioso. Podia ter nascido em uma família nobre. Podia ser um "espírito" um "demiurgo", e nunca ter encarnado.

Jesus podia ter sido um homem que liderou uma revolução armada e destronou os poderosos pela espada. Jesus poderia ter subido ao trono e ovacionado admitir seu senhorio sobre todo Israel e liderar exércitos contra Roma. Jesus poderia ter trazido uma filosofia otimista de afirmação do ego e de todas as pretensões humanas.

Mas, como um bom conto, como uma boa narrativa, Jesus Cristo em sua história é surpreendente e imprevisível.

É incrível pensar como Ele, apesar de ligado a estirpe real do Rei Davi, nasceu em uma família de judeus simples da Galileia. Nasceu no interior de Israel, não nasceu perto das grandes academias judaicas da Judeia.

Jesus não nasceu entre os grandes filósofos do mundo grego, não escreveu nenhuma obra, manteve-se dentro da antiga oralidade judaica da época. Além disso, optou por um ensino que denunciava a perversidade das intensões humanas, denunciava a hipocrisia religiosa, os poderosos sacerdotes de sua época, chamou a atenção da religião popular e afirmou a fé monoteísta em um mundo permeado de auto-divinizações humanas e de culto à personalidade.

Jesus Cristo faz o caminho inverso do Olimpo, não galgou os lugares "altos", antes desceu das alturas, renunciou sua glória, para tangenciar as dimensões mais concretas da vida humana. Pois sua missão é com homens, por isto, encarna no corpo de um judeu filho de carpinteiro, escolhe mãos com farpas de madeira, mais tarde furadas por cravos, ao invés de mãos reais e trono confortável. A própria encarnação era loucura para os gregos e escândalo para os judeus.

A história de Jesus Cristo é surpreendente pois Ele propõe o triunfo sobre os opositores de Deus pelos meios mais impressionantes. Ele sugere amar os inimigos, orar pelos que o aborrecem, dar à César o que é de César, não valer-se da violência, dar a face ao que fere, dar o dobro ao que pede, ser manso, ser pacificador e tomar a cruz.

A mensagem de Jesus é um escândalo literário, uma narrativa que culmina com humilhação, com o esmagamento. O final da história de Jesus encerra-se com uma aparente fracassada crucificação e com uma ressurreição discreta, mas de uma grandeza tão magnífica, que sem nenhum
markenting sofisticado e sem grandes mobilizações, produziu um efeito em cadeia em seus seguidores.

Homens, mulheres, jovens, crianças, anciãos, uma grande linhagem de mártires e testemunhas, entregam-se apaixonados a Cristo e à imprevisibilidade de sua mensagem. Por isso, o evangelho é libertador, pois quebra a mecânica perversa do pecado, rompe com a redução da vida ao comer, trabalhar, estudar, curtir e dormir. Ao contrário, Jesus Cristo misteriosamente transforma estes elementos da rotina em grandes altares de expressão, culto e sentido para seus seguidores.

Ele desfaz as expectativas de "boa vida" que nos foram vendidas. Jesus Cristo nos insere em uma lógica existencial completamente subversiva, alternativa, cheia de amor e desígnio. Ele, Jesus, é o Alfa e o Ômega, uma linha transversal, que corta a normalidade e o rumo que nos foi imposto como a única opção de realização humana.

Enfim, Jesus Cristo continua surpreendendo. Transformando cada homem que entende sua mensagem em um nova história, em uma nova e impressionante obra literária.

6 comentários:

Valéria disse...

Igor,
Muito bom!! Que bom que podemos contar com a ajuda de Jesus para que nosso cotidiano se torne verdadeiramente esse altar.

Paz e Bençãos.

Valéria.

Anônimo disse...

Jesus e tudo isso e muito mais

FILHO disse...

Legal sabermos da liberdade de culto que Cristo nos propõe,nosso cotidiano
como altar,em Ap,19-08 fala que "as vestes de linho fino,puro e resplandescente são os atos de justiça dos santos",é fazer da nossa vida um interminável culto de temor e louvor ao Rei Jesus!

Shalom e Abraço !!

Eric Jóia disse...

Amo muito tudo isso!!!

Davidson Junior disse...

Igor,
reconheço que me senti constrangido ao ler este artigo... estava pensando nestes últimos dias, como pode Áquele que detém todo poder se importar com um ser tão miserável como o homem. Como pode o Senhor preencher de tanto sentido as mesmas vidas que disseram não a sua justiça. Como pode, sendo eu tão soberbo, um dia ser AGRACIADO humildemente pelo Redentor de toda a existência. Como você incrivelmente descreveu, Ele poderia ter sido e agido como as regras da medíocre existência humana... Mas como Fonte criativa de toda a existência nos transbordou de um sentido imprevisível a nós mesmos!

Marlon Marcos C.S disse...

Cara! Texto maravilhoso... o começo é confrontante "Cristo não é démodé! Deus abençoe Igor.