6 de mar de 2008 | By: @igorpensar

Pedagogia Libertadora por Uma Gestão Libertadora

Atualização de notícia (02/09/08): O artigo foi aprovado e será publicado pelo VI Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire, acesse aqui informações atualizadas.

Por Igor Miguel

Estou trabalhando em um artigo que já foi escrito, mas que necessita de algumas revisões antes de sua publicação oficial. Naturalmente, não disponibilizarei na íntegra tal escrito neste blog, a menos que ninguém queira publicá-lo. O que espero não acontecerá.

Na verdade este artigo, que não tem o título deste post, ao menos é o que parece, trata sobre minhas reflexões sobre a gestão educacional. Há alguns semestres atrás, foi-me exigido produzir um artigo na disciplina "Gestão Educacional", e como um "quase pedagogo" que sou, não hesitei em impimir em texto minhas impressões sobre tal temática.

Pois bem, o resultado nasceu das seguintes problematizações:

  • Quais as filosofias sobre a gestão hoje?
  • Se há uma demanda por um gestão que leve em conta o aspecto humano, haveria uma filosofia ou filosofias que dariam suporte teórico à tal proposta?
  • Não seria as reflexões de Paulo Freire e sua pedagogia libertadora uma boa referência filosófica para tal empreendimento?

Dessas problematizações, nasceu enfim um artigo em que procuro esboçar o início de uma futura investida (mais sistemática) sobre esse diálogo entre Paulo Freire, a pedagogia da libertação e a gestão.

Apesar, de me concentrar na gestão educacional, naturalmente os princípios produzidos no texto podem ser expandidos para outros contextos, como por exemplo, a pedagogia empresarial, a gestão de recursos humanos, treinamento de pessoal e outras possíveis esferas.

O termo gestão nasce justamente em resposta aos modelos adminsitrativos tradicionais. Naturalmente, a gestão como processo produtivo vem sofrendo várias problematizações teóricas e adotando diversos modelos que potencializem a produtividade nas diversas esferas institucionais.

Em tempos em que o capital é flúido, e há presença de estruturas administrativas cada vez mais complexas. Na contradição entre massividade e individualismo, cresce a demanda por uma gestão que re-posicione o sujeito com centro do processo e não objeto ou instrumento do mesmo.

Os modelos administrativos rígidos, que dão ênfase na estrutura hierarquizada, na relação patrão-empregado e nos trâmites burocráticos, além de obsoletos, alienam o principal agente da produção, o homem. O problema, está justamente na migração desse modelo para a educação. O Processos educativo, em lato sensu, não lida com um produto quantificável, lida com a aprendizagem, com a cognição e com o potencial cognitivo de seus sujeitos. Não há nada mais questionável do que uma estrutura mecânica e burocrática em relações tão humanas como o processo de aprendizagem.

Aqui reside, o que percebo, a mudança de pardigma. A idéia é re-humanizar as relações produtivas, e reposicionar o homem dentro de uma estrutura orgânica de articulação de recursos e capacidade de trabalho. Mas, isso implica na criação de um novo paradigma cujos fundamentos filosóficos dêem respostas a essa demanda.

Como a pedagogia é um ciência da práxis (e não do pragmatismo ou ativismo) educacional, é importante pensar que ela pode ter alguma resposta teórica à demanda de uma gestão humananizadora.

Seguindo esse viés, econtrei em Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire, uma reflexão de grande expressividade filosófica que pode fornecer importantes fundamentos para uma filosofia da gestão. Entendo que há a possibilidade de um importante diálogo entre a Pedagogia Libertadora e os novos paradigmas da gestão que levam em conta o humano.

Paulo Freire (1977), aborda brilhantemente algumas idéias imporantes para essa contribuição teórica:

1) Diálogo
2) Estrutura Orgânica
3) Líder Revolucionário

O diálogo é uma resposta à estrutura monológicas e unilaterais. A idéia de estrutura orgânica é uma resposta às estruturas mecânicas e "necrófilas" nas palavras de Paulo Freire, que não levam em conta as subjetividades e privam os sujeitos do saber, ao invés de colocá-los como sujeitos do conhecimento em uma produção dialógica em que todos participam. E, finalmente, Paulo Freire propõe a imagem do líder revolucionário, o sujeito provocador, que conduz seus liderandos ao diálogo e provoca-os à serem sujeitos do pensamento e não reprodutores de um saber que os oprime no processo.

Essas são algumas das idéias que coloco no artigo, que espero possa contribuir com alguma reflexão sobre gestão x educação.

Atualização de notícia (02/09/08): O artigo foi aprovado e será publicado pelo VI Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire, acesse aqui informações atualizadas.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.





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