10 de jun. de 2012 | By: @igorpensar

Educador Trinitário (AECEP)

Apresentação da oficina "O Educador Trinitário" que ministramos no workshop de Educação Cristã 2012 organizado pela AECEP (Associação de Escolas Cristãs de Educação por Princípios).  O evento aconteceu no auditório Ruy Barbosa da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Inteligência Cristã (AECEP)

Apresentação da palestra "Por uma inteligência cristã" que ministramos no workshop de Educação Cristã 2012 organizado pela AECEP (Associação de Escolas Cristãs de Educação por Princípios).  O eventoaconteceu no auditório Ruy Barbosa da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

26 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

Olhe e dê graças!


Por Igor Miguel

Dar graças.  Uma das coisas mais incríveis que recorrentemente me acontece. De fato, as vezes sou acometido por um olhar sobre os objetos, relações, pessoas e seres da natureza, como se eles se exibissem, como se sorrissem pra mim.  Para muita gente seria algo próximo de uma barato narcótico, mas a coisa é suave, sutil e um tanto real.

De fato, as coisas parecem assumir um sentido diferente quando olho para cada uma delas sob o ângulo certo.  Não estou dizendo que “relativistas” estão certo, que há varias formas de olhar sobre as coisas e que “cada um tem seu ponto de vista”.  Não!  O que digo é exatamente o oposto.  O que tenho percebido é que existem olhares e “olhares”.  

Na verdade, existe um ângulo que evoca sentido intraduzível.  Cheiro, movimento e cores se harmonizam em um quadro denso, a imagem é tão carregada de sentido, que não pode ser simplesmente traduzida em termos científicos ou filosóficos.  Não há campo de saber humano a que tudo isto possa ser reduzido.

De repente, alguma coisa fica clara, que as contradições, maldades e sofrimentos, não são um fim em si mesmo.  Que a tensão entre otimismo e pessimismo é inevitável, e a única saída, é a esperança.  Se estas coisas ainda acontecem, se anjos sorriem, se Deus ainda fala, se os céus gracejam, sim, pode existir alguma coisa além.  Além de mim mesmo e além de toda esta escuridão.

Fico pensando com meus botões, e nestas horas são excelentes companheiros de conversa, que aquela coisa simples, como a oração solitária, ler um salmo, comer com o coração cheio de gratidão e claro, amar através da vida que foi dada como dádiva, tornam-se altares.  E lá, nestes altares, meu culto também acontece.

Sinto-me impotente diante de minhas reclamações.  Me arrependo dos momentos infelizes quando  supus um Deus distante.  Sim, Ele sempre esteve presente.  Eu, que persisto em lidar com Ele como se Ele fosse intransponível.  Eu estive completamente alheio.  Eu sim, deixei-me seduzir pela alienação de achar que Ele, meu Deus, estava longe.

Até que olhei pra cruz.  Pra exposição pública de minha vergonha, sobre aquele que é o mais inocente, o mais perfeito, ele levou sobre si minhas enfermidades, doenças, neuroses e obsessões.  Ele levou meu velho homem, cravando-o na cruz.  Por isto, quando olho pra vida em um ângulo cruciforme, a graça farta meu coração.

Nestas horas, os salões empoeirados de minha alma fartam-se de esperança.  Quando vejo danças, cores, sons e cheiros.  O sorriso sutil de minha esposa, meu filho saltando em sua barriga, isto sim é encontrar-se cheio do Espírito Santo.   Cheio da graça de poder mais uma vez dizer “graças!”.  Afinal, não existe nada real fora da realidade que Deus constituiu para sua glória. 

Soli Deo Gloria
23 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

Série Trindade - Parte IV

Nosso amigo, Eduardo Barnabé, um exímio estudioso da Bíblia e da teologia cristã, e claro, promissor teólogo e historiador, baseado em diversos estudos, inclusive em nossa série Trindade disponível aqui no Blog Pensar..., nos presenteia com uma palestra bem objetiva, rica e clara, sobre a Doutrina da Trindade.  A palestra foi realizada na UNB (Brasília -DF).   Ela está sendo inserida na série Trindade, como conteúdo convidado para esclarecer e fundamentar ainda mais este magnífico tesouro de nossa fé cristã.

22 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

Gratidão: Ian e Larissa

O mais surpreendente do evangelho não é seu poder de fazer um doente ser curado, mas o poder de fazer o doente fazer coisas mais surpreendentes do que os sãos. Soli Deo Gloria.

19 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

Qual tradução da Bíblia? Nicodemus fala.

Muito bom! 

O Rev. Augustus Nicodemus trata de forma muito clara o problema das traduções.  E qual seria a tradução da Bíblia a ser lida.


17 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

Judaísmo o que?


Prezados leitores,

Como minha ida ao evento na Congregação Shear Yaakov em São Paulo, como anunciado no site Yeshua Chai anda repercutindo entre os líderes do Ministério Ensinando de Sião e simpatizantes, vou deixar claro aqui no meu blog os seguinte termos:

Em nenhum lugar neste site vocês encontrarão que me oponho ao judaísmo-messiânico como espaço culturalmente apropriado para judeus autênticos expressarem sua fé no Messias Jesus.  Ao contrário, minha luta é contra o falso judaísmo-messiânico ou a distorção travestida de judaísmo messiânico que assumiu uma forma híbrida em território brasileiro.  Me refiro ao restauracionismo, que é uma outra coisa, que pretende indiretamente descredibilizar o cristianismo, suas raízes históricas, produzindo uma sensação de desenraizamento entre cristãos.  Para isto basta ler texto já publicados aqui e aqui.

Gentios cristãos quando em crise com sua fé, em termos históricos e espirituais, e quando desconhecem sua própria história e o evangelho mesmo, tornam-se suscetíveis e tentados a se tornarem judeus, entrando em uma busca frenética por "genealogia", "ancestralidade" ou coisas do gênero.  Quando não conseguem encontrar nenhuma ancestralidade ou não inventam traços de judaicidade, entram de cabeça em propostas teológicas que asseveram que um não-judeu ao "guardar a Torá" ou "observar práticas judaicas" será abençoado etc.

Meu conhecimento do movimento, inclusive entre seus pioneiros, me leva a ver outra coisa: o judaísmo-messiânico jamais pretendeu trazer algum tipo de complicação ao cristianismo.  Como vejo alguns intelectuais do movimento asseverando.  O que querem estes reais e raros judeus-messiânicos, repito, é apenas um espaço no Corpo de Cristo para viverem sua fé e cultura (ponto).  Agora, engajar-se em uma agenda de "restauração da Igreja do I século", como se "restaurar raízes judaicas da fé cristã" fosse um grande objetivo do movimento é uma contradição, inclusive ao "statements" das grandes uniões (UMJC) e similares.

A grande verdade é que ser judeu é:  ser filho de mãe judia.  Em alguns casos, tolera-se o filho de pai judeu.  Ou seja, a memória transmitida e a legitimidade comunitária é o que determina identidade judaica.  Mas, poucos judeus crentes em Jesus no Brasil gozam desta ancestralidade.  Logo, o desconforto e a tensão, inclusive experimentada por aqueles que encabeçam o restauracionismo no Brasil, quando não arrumam um teologia para fundamentar suas escolhas (como fazem os chamados "nazarenos" ou os da teologia "efraimita"), valem-se do fenômeno "marrano" ou do "criptojudaísmo", para sustentarem uma judaicidade simplesmente questionável, alegando um suposto apoio ou interesse de Israel a respeito do marranismo.

Ora, qualquer pessoa que acompanha o fenômeno, sabe, que não há meios de se comprovar judaicidade destes marranos, pelo simples motivo de terem, se tiverem mesmo, uma precária memória oral, sem qualquer testemunho documental.  Logo, o único "tira dúvidas" nestes casos, seria a conversão formal ao judaísmo, como tem sido o tratamento até o momento por parte de algumas iniciativas judaico-ortodoxas.  E se uma pessoa que diz ter Jesus Cristo como seu Senhor, entende a doutrina paulina da adoção, entende a obra magnífica de Deus ter introduzido pecadores na santidade de Deus por meio do sacerdócio de Jesus, ainda dedica tempo, energia, esforço e entra e uma busca frenética ad infinitum por legitimidade até estes termos, sinto muito, está devotando-se a um ídolo.  Enquanto, nós cristãos simplesmente dedicamos energia, para comunicar Cristo nas periferias, em países não alcançados, em nossa vida profissional, para testemunhar e viver Jesus, estes vivem dia-a-dia, só pensando em serem autenticamente judeus perante a comunidade judaica, que ainda simplesmente os vê como não-judeus e ponto.

Outro ponto importante, insistem em afirmar que eu disse que é necessário crer em Calvino, Lutero e/ou os pais da Igreja para que alguém seja salvo.  Qualquer leitor do meu blog, sabe que jamais diria algo tão ridículo.  O que tenho asseverado é que a fé protestante clássica assevera a Escritura como única regra de fé e prática, e isto concordamos todos, entretanto, o cristão precisa considerar seriamente o que nossos irmãos do passado já leram sobre ela. A isto chamamos "tradição".  Interessante, que judeus-messiânicos como David Rudolph, um expressivo teólogo do movimento, esteja envolvido com esta redescoberta da herança teológica cristã junto com outros cristãos nos EUA, que diferença!

A tradição cristã por sua vez não tem autoridade final, e sim as Escrituras, mesmo ela está submetida aos critérios das Escrituras.  Como bem observa Alister McGrath em um excerto que coloquei aqui há alguns dias.  Engraçado que, estes citam rabinos judeus não-crentes com toda tranquilidade, Maimônides, Hilel, Elizer Ben Yehuda, Rabi Akiva etc, e ninguém se incomoda. Alegam que cristão guardam tradições de homens, mas praticam uma liturgia, em muitos pontos, igualmente não relatada nas Escrituras, ostentam símbolos rabínicos como kipá, luzes de shabbat etc etc, sem nenhum desconforto.   Veja bem, todas estas tradições são legítimas dentro de uma comunidade autenticamente judaica.  Mas, o que me incomoda, é a alegação de aquelas práticas tradicionais, realizadas por cristãos sejam pagãs, indiscriminadamente.  Ora, para mim é uma clara afirmação de superioridade cultural, e isto é uma distorção típica de movimentos restauracionistas, desde seus primórdios.

Pelo que me consta, não há nada entre homens como Joseph Rabinowitz, Moshe Ben Meir, Yechiel Tsvi Lichtshtein e outros pioneiros do passado, que o judaísmo messiânico tenha como missão "restaurar o cristianismo" ou levar cristãos a restaurarem suas "raízes judaicas da fé" como algo central para a Igreja Cristã.  A fé cristã e apostólica se sustenta unica e exclusivamente em Cristo em no evangelho, como exaustivamente defendo.

Logo, minha objeção teológica e crítica é ao restauracionismo que concentra energia em assuntos completamente estranhos ao judaísmo-messiânico, como o conheço em suas origens e em breve história, quando comparada com a tradição protestante.

Então, digo claramente, não se deve confundir "restauracionismo judaizante" com "judaísmo-messiânico".  Mesmo que as grandes instituições do movimento apoiem comunidades ou ministérios que praticam "restauracionismo judaizante", o fazem por seus motivos, que a meu ver são igualmente sujeitos a críticas, os quais dispensam comentários.

De qualquer forma, práticas restauracionistas devem ser duramente criticadas, principalmente em dias em que a fé cristã em território brasileiro caminha para um crescente interesse pela centralidade de Cristo e do evangelho.  Que Deus nos ajude a repelir tamanho engano que procura descredibilizar a fé cristã e ofuscar a verdadeira proposta do judaísmo-messiânico.

Por favor, até hoje não vi nenhum tratamento apropriado sobre as coisas que tenho dito e escrito.  Vejo, uma apelação espiritualista e sentimentalista, sem nenhum tratamento dos pontos aqui defendidos.   Vejamos agora algumas coisas que foram escritas a meu respeito no mural do facebook de Joseph Shulam.  A propósito, a conversa foi completamente removida do mural dele, depois que este texto foi publicado, o arquivo em PDF com a conversa na íntegra pode ser acessado aqui.  Abaixo seguem algumas sentenças e minhas réplicas:
"Sr. Igor tem publicamente denunciado todo movimento messiânico, tem falado contra a liderança do movimento messiânico, e pediu às pessoas que não orassem por mim quando estava no hospital em Nova Iorque." (Joseph Shulam)
Não me posicionei contra o movimento messiânico, mas contra o restauracionismo judaizante, que infelizmente se traveste de judaísmo-messiânico.  Quanto ao período em que o Shulam esteve no hospital, eu não disse para não orarem por ele, nunca disse isto, ao contrário, eu mesmo orei pela melhora dele, minha esposa é testemunha.  Pois Cristo me ensinou a orar por todos indistintamente, meu desconforto com todos deste movimento é apenas de natureza teológica.
"Ele experimentou a Torá de Deus e voltou ao velho vômito, como as Escrituras dizem." (Joseph Shulam)
Vejam bem, observem o que é o evangelho para o sr. Shulam: a Torá.  Isto é insustentável, o evangelho é Jesus Cristo, não a Torá. A Torá (lei) mesmo é o "aio" ou "pedagogo" que nos conduziria a Cristo, diz Paulo.  Então, o que estes restauracionistas afirmam é que minha atual experiência e vivência com Cristo em uma comunidade cristã, engajada no amor a Deus, junto com toda comunidade cristã, é "vômito", e depois afirmam em seus púlpitos que não se julgam melhores do que ninguém.  Eu sempre disse que este discurso era para mascarar as intensões reais deste movimento.
"O que acontece aqui é que alguns querem destruir o trabalho e visão do judaísmo-messiânico e o direito dos judeus para expressar sua fé sem qualquer qualquer rei [coisa] da moderna inquisição protestante."  (Matheus Zandona Guimarães)
Como assim destruir?  Ao contrário, quero que os judeus crentes vivam legitimamente sua identidade, tanto que vou a uma comunidade judaico-messiânica este final de semana para comungar com aqueles que são legitimamente judeus em Jesus, para asseverar o direito deles viverem como tais, e para desencorajar gentios cristãos a não caírem na tentação de quererem se tornar  judeus.  Nada que bons judeus messiânicos concordariam.  Mas, claro, restauracionistas vão se sentir desconfortados com isto.
"Vocês não podem ignorar esses fatos. Não deveriam jamais colocar em vosso púlpito uma pessoa que fez uma declaração endereçada à 'Igreja' pedindo perdão por fazer parte do Judaísmo Messiânico, e atestando que a aceitação de dogmas como a 'Trindade' e a inflabilidade de líderes protestantes como Calvino e Lutero, são obrigatórios à salvação do discípulo. Não pode colocar em vosso púlpito uma pessoa que se colocou como inimigo da Restauração dos Anussim, um assunto que atualmente ocupa os principais debates acadêmicos e religiosos de ISRAEL e Portugal. É exatamente sobre isso que ele irá palestrar. Sei que há pseudo-judeus por aí e que complicam a vida de todos nós. Também somos contra esses grupos. Porém, colocar esses grupos juntamente com um mover do Eterno como a restauração dos Anussim, é muita insensatez!"  (Matheus Zandona Guimarães)
No documento me retrato (junto com meus irmãos) de ter ido contra a Trindade, por motivos óbvios, quem questiona a plena divindade do Pai, Filho e Espírito Santo, sim deveriam ser vedados de subirem aos púlpitos e não o contrário.   Nunca em nenhum lugar alego a "infalibilidade dos reformadores ou dos pais da Igreja", ao contrário eles estão sob o crivo das Escrituras, mas, assim como vocês respeitam o sr. Shulam como alguém de importância para vosso movimento, nós preferimos honrar nossos mestres cristãos do passado, o que não significa irrestrita submissão ou uma leitura acrítica.  Esta é uma acusação ridícula e indigna de maiores esclarecimentos.

Não pedi perdão por fazer parte do judaísmo-messiânico, mas por fazer parte de um movimento restauracionista judaizante.   Ao contrário, o que alegamos no documento é:

Apesar de tudo que foi mencionado acima, a nossa retratação não se refere nem pretende atingir a legitimidade do judaísmo-messiânico como movimento apropriado para o acolhimento de judeus que reconhecem a Jesus como Messias, Salvador e Senhor, pleno de sua divindade. O judaísmo messiânico em suas principais representações internacionais, como o UMJC (União de Congregações Judaico-Messiânicas - EUA), é ortodoxo em sua confissão, não ferindo os pilares da fé em Cristo. Esse mesmo movimento deixa claro sua discordância com aqueles grupos que pretendem aplicar uniformemente a Torá (lei) a todos, sem compreender as vocações específicas.
Agora, vejam a docilidade e o tom diretamente doutrinário e teológico  que nossa posição é tratada:
"Saibam porque líderes de comunidades cirstãs sérias em Brasília, São Paulo, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, dentre outros estados, cortaram definitivamente o relacionamento com ele e sua gangue. "  (Matheus Zandona Guimarães)
Curiosamente, com todos os problemas e discordâncias teológicas que tenho com a proposta doutrinária do Ensinando de Sião, jamais ousaria me dirigir a estas pessoas nestes termos. Mesmo, vendo que estão doutrinariamente afastados da centralidade e suficiência do Evangelho, jamais os chamaria de "gangue".  Desculpe-me Matheus, mas, eu te perdoo por esta acusação grave.  Uma pena que você não consiga tratar as questões aqui da forma apropriada, e faça apelações nestes termos.  Mas, não se preocupe, eu o perdoo por isto, Jesus me ensinou isto.  Mas, reafirmo, que continuarei não concordando com vários dos pontos ainda sustentados por vocês, vossa ênfase é errada.  Hoje, todos nós, que desfrutamos da alegria de um evangelho simples, centrado em Cristo, sabemos como é destrutiva uma teologia que coloca outras coisas como centro, excluindo o evangelho da graça pregado pelos santos apóstolos.

A propósito, se Deus quiser, estaremos na Shear Yaakov, compartilhando nossa trajetória de fé em Cristo.  Sinto muito que isto tudo tenha causado tanto transtorno a vocês.

Na graça de Cristo,
Igor

________
*Estes trechos foram retirados do mural do facebook do sr. Joseph Shulam.  Para acessar a conversa na íntegra (PDF)  clique aqui na íntegra.
16 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

O Sacerdócio de Cristo [áudio]


Esta é um trecho da aula que dei sobre Panorama do Novo Testamento em Limeira - SP, neste caso, estou tratando do tema "O Sacerdócio de Cristo".







14 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

Palestra: O Novo Supersessionismo


No próximo dia 20 de maio de 2012, o professor Igor Miguel estará presente em São Paulo, na Sinagoga Shear Yaakov. O evento será das 14h30 às 19h00.



Muitos já conhecem o “supersessionismo“, também conhecido como “teologia da substituição”, aquela distorção teológica que afirma ter sido anulada a aliança de Deus com Israel por causa da entrada de não-judeus na Nova Aliança no Messias Jesus.


Entretanto, outro fenômeno ameaça a legitimidade e a autenticidade de judeus crentes, a multiplicação de movimentos que promovem a “fabricação” de “novos” e “falsos” judeus. Milhares de pessoas no Brasil alegam ter uma ancestralidade judaica por se sentirem assim “mais parte do povo de Deus”, e com isto, acabam deslegitimando aqueles autenticamente judeus que creem ser Jesus o Messias. O que no final, não passa de uma teologia da substituição às avessas.

Mas qual é a causa deste fenômeno? Seria um coincidência o fato de que a maioria destes gentios, obcecados com a possibilidade de serem judeus, terem origem cristã-evangélica? Que crise na fé destes cristãos acarretou ou levou os mesmos a tal fascínio desequilibrado? Quem sofre com isto? Os poucos judeus, comprovadamente judeus, que tentam se organizar em suas modestas comunidades na defesa de Jesus como Messias de Israel, e ainda tem que lidar com o problema de cristãos em crise com sua fé e tradição cristã. Estas perguntas e outras afins serão tratadas neste encontro.

Venha e participe!

Currículo:

Igor Miguel é cristão-reformado, teólogo, pedagogo, blogueiro, professor de hebraico e mestrando em língua hebraica, literatura e cultura judaica pela USP. Estuda as relações entre cristianismo e judaísmo. Membro da Igreja Esperança em Belo Horizonte-MG.


Maiores informações podem ser conseguidas no site da Sinagoga Shear Yaakov (www.sheashearyaakovryaakov.org)


13 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

Exegese: Igreja das Nações



O Senhor (YHVH) disse a Abraão: "Eu sou o Deus Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te; uma nação, sim, uma multidão de nações sairá de ti..." (Gn 35:11).

Curiosamente o termo "multidão de nações" aí encontra-se no original como קהל גוים (kehal goyim). Cujo sentido poderia ser "congregação de nações", "congregação de gentios" ou ainda "Igreja de Gentios". Na Septuaginta (LXX) encontra-se συναγωγαι εθνων (synagogai ethnon), o que confirma esta possível tradução de קהל como "igreja". 

Ora, o que me assombra nesta possibilidade exegética, é que Deus promete a Jacó (Israel) que dele procederia uma "comunidade de gentios/nações" antes mesmo de Moisés, antes da Lei. Definitivamente isto concorda com as palavras de Paulo que diz:

"Os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios? Como também diz em Oséias: Chamarei meu povo ao que não era meu povo; E amada à que não era amada. E sucederá que no lugar em que lhes foi dito: Vós não sois meu povo; Aí serão chamados filhos do Deus vivo." (Romanos 9:24-26)

Em Jacó, previa as promessas, a participação das nações no pacto abraâmico, conforme foi dito igualmente pelo apóstolo:

"Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito." (Gálatas 3:13-14).

Autor: Igor Miguel


29 de abr. de 2012 | By: @igorpensar

Sabedoria Encarnada


Por Igor Miguel
Eu, a Sabedoria, habito com a prudência e disponho de conhecimentos e de conselhos. [...] O SENHOR me possuía no início de sua obra, antes de suas obras mais antigas. Desde a eternidade fui estabelecida, desde o princípio, antes do começo da terra. Antes de haver abismos, eu nasci, e antes ainda de haver fontes carregadas de águas. Antes que os montes fossem firmados, antes de haver outeiros, eu nasci. Ainda ele não tinha feito a terra, nem as amplidões, nem sequer o princípio do pó do mundo. Quando ele preparava os céus, aí estava eu; quando traçava o horizonte sobre a face do abismo; quando firmava as nuvens de cima; quando estabelecia as fontes do abismo; quando fixava ao mar o seu limite, para que as águas não traspassassem os seus limites; quando compunha os fundamentos da terra; 30 então, eu estava com ele e era seu arquiteto, dia após dia, eu era as suas delícias, folgando perante ele em todo o tempo; regozijando-me no seu mundo habitável e achando as minhas delícias com os filhos dos homens. (Pv 8:12, 22-31).

Provérbios capítulo 8 é um quadro poético onde a "Sabedoria" é personificada.  Apesar de sua origem divina e transcendência, ela se envolve com a criação e "folga" entre os filhos dos homens.  Este quadro didático tornou-se gradativamente um quadro cristológico, a ponto de a "sabedoria" חכמה/σοφια (chochmá/sofia) ser identificada com o λογος (logos).  Um sinal desta associação pode ser encontrada nos escritos judaicos do período helenista, como o seguinte trecho do livro de Eclesiásticos:
“Saí da boca do Altíssimo e como a neblina cobri a terra, armei a minha tenda nas alturas e meu trono era coluna de nuvens. [...] Junto de todos estes procurei onde pousar e em qual herança pudesse habitar.  Então o criador de todas as coisas deu-me uma ordem, aquele que me criou armou a minha tenda [skênên] e disse: 'Instala-te em Jacó, em Israel recebe a tua herança'” (Eclesiástico 24:3,4,8 e 9 - Septuaginta).
Eclesiástico reflete um tratamento profético dado à sabedoria, que agora "arma sua tenda" [skênen] em Jacó.  Daí, se percebe pouca distância para se chegar ao "se fez carne e habitou entre nós" de João 1.  A propósito, o "verbo ... habitou" em João é da mesma raiz de Eclesiástico "εσκηνωσεν (eskênosen)", literalmente, "estendeu a tenda entre nós".

Interessante, pois tal expectativa da sabedoria como mediadora da criação não era tão estranha ao universo judaico da época de Jesus, como encontra-se em escritos da época:
“Diz a Torá: 'eu fui a ferramenta artesanal do Santo, bendito seja'. Segundo a prática do mundo, quando um rei de carne e osso constrói um palácio, não o constrói exclusivamente com sua habilidade, se não valendo-se da destreza de um arquiteto. E o arquiteto no o constrói só com sua própria maestria ... mas, utiliza plantas e esquemas para saber como há de construir as câmaras, como disporá as portas. Da mesma forma, o Santo, bendito seja, consultou a Torá e criou o mundo, pois a Torá declara: NO PRINCÍPIO CRIO DEUS. O 'princípio' não é outra coisa se não 'a Torá'”. (Midrash Bereshit Rabá, 1).
Apesar da "sabedoria" חכמה em Provérbios de Salomão não ter relação direta com a Torá (lei/instrução), esta associação se desenvolveu, principalmente no período helenista, onde ela se associa com a σοφια (sofia).

Desta forma, alguns especialistas em Novo Testamento tratam o evangelho de João como um evangelho "sapiencial", em que a Sabedoria/Verbo (Jesus) assume a humanidade e é narrada sob esta perspectiva:
“Embora o quarto evangelho seja bem diferente do primeiro, ele tem em comum com Mateus a abordagem baseada na sabedoria, em relação a Jesus e seus ensinamentos.  Somente o quarto evangelista escolheu apresentar Jesus como a sabedoria encarnada, discursando na terra como a sabedoria personificada o faz em Provérbios 8 e 9 e em fontes como a Sabedoria de Salomão. O quarto evangelista não parece depender de nenhum dos evangelhos anteriores, embora esteja claro que ele conhece algumas das tradições usadas nos evangelhos. No entanto, ele segue uma linha independente” (Witherington III, 2005, p.85 – grifo nosso)
João enfatiza os ensinamentos de Jesus e sua identidade como Filho de Deus. Tudo indica que João percebia uma profunda relação entre "sabedoria" e "filiação divina", talvez, em dependência com Provérbios 8 quando diz:
Desde a eternidade fui estabelecida, desde o princípio, antes do começo da terra.  Antes de haver abismos, eu nasci, e antes ainda de haver fontes carregadas de águas.  Antes que os montes fossem firmados, antes de haver outeiros, eu nasci. (Pv 8:23-25 - grifo nosso)
Uma leitura mais sensível, se percebe uma conexão clara entre:
"Desde a eternidade fui estabelecida, desde o princípio, antes do começa da terra" (Pv 8:23)
e 
"Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez." (Jo 1:1-3).
Outro aspecto importante é que no texto original de Pv 8:24 encontra-se a expressão "eu nasci", que em hebraico é חוללתי (cholalti), no entando, na versão grega do Antigo Testamento, a Septuaginta (LXX), encontra-se "γεννα με" (gena me), que é uma variante do verbo "gerar, nascer etc"*, a mesma expressão que ocorre no Salmo 2:7, que diz "Tu és meu Filho eu hoje te gerei".  Sabe-se que este salmo cristológico foi largamente utilizado pelos teólogos cristãos na defesa da "eterna geração" do Filho, e como texto base para fundamentar o que os autores do Novo Testamento queriam dizer com a expressão "unigênito" (único gerado) ou "Filho de Deus".  Logo, quando os primeiros cristãos faziam referência a Jesus como "Filho de Deus", o faziam a partir do sentido de que, Jesus apesar de sua distinção enquanto "Filho", ainda assim, era da mesma natureza (divindade) do Pai (daquele que o gerou).  Não havendo aí dois deuses, se não uma única natureza e divindade, entretanto com distinções "hipostáticas", ou seja, distinções de papéis ou relações pessoais na trindade.

C.S. Lewis, em sua genialidade didática, ilustra a situação:
Não usamos mais as palavras begetting e begotten no inglês moderno, mas todo o mundo ainda sabe o que elas significam. Gerar (to beget) é ser pai de alguém; criar (to create) é fazer, construir algo. A diferença é a seguinte: na geração, o que foi gerado é da mesma espécie que o gerador. Um homem gera bebês humanos, um castor gera castorzinhos e um pássaro gera ovos de onde sairão outros passarinhos. Mas, quando fazemos algo, esse algo é de uma espécie diferente. Um pássaro faz um ninho, um castor constrói uma represa, um homem faz um aparelho de rádio - ou talvez algo um pouco mais parecido consigo mesmo que um rádio: uma estátua, por exemplo. Se for um escultor habilidoso, sua estátua se parecerá muito com um homem. Mas é claro que não será um homem de verdade; terá somente a aparência. Não poderá pensar nem respirar. Não tem vida.  Esse é o primeiro ponto que devemos deixar claro. O que Deus gera é Deus, assim como o que o homem gera é homem. O que Deus cria não é Deus, assim como o que o homem faz não é homem. É por isso que os homens não são filhos de Deus no mesmo sentido em que Cristo o é. Podem se parecer com Deus em certos aspectos, mas não são coisas da mesma espécie. Os homens são mais semelhantes a estátuas ou quadros de Deus. (Cristianismo Puro e Simples).
Como visto, a doutrina cristã da filiação divina de Jesus, desenvolvida por João, foi corretamente interpretada pela teologia ocidental.  De fato, o Verbo de Deus foi gerado desde a eternidade, logo, ele não é criatura, mas geração de Deus.  Sendo geração, desfruta da mesma natureza.  Foi por meio dele, o Verbo/Sabedoria de Deus, que Ele fez o universo.   Esta revelação progressiva, foi fruto de um tratamento profético dado ao poema didático da "sabedoria" (chochmá - חכמה).  Uma "pedagogia" que virou "profecia", e desdobrou-se em toda rica cristologia desenvolvida por João a respeito do Verbo e Filho Unigênito de Deus. Finalmente, a palavra ordenadora que se fez carne em Jesus Cristo, encontrou suas "delícias entre os filhos de Adão"**.
É árvore de vida para os que a alcançam, e felizes são todos os que a retêm.  O SENHOR com sabedoria fundou a terra, com inteligência estabeleceu os céus. (Pv 3:18-19)
*Neste caso, no presente do indicativo ativo.
** Tradução literal de וְ֝שַׁעֲשֻׁעַ֗י אֶת־בְּנֵ֥י אָדָֽם (Pv 8:31).
____________
Referência Bibliográfica

WITHERINGTON III, B. História e Histórias do Novo Testamento. São Paulo: Ed. Vida Nova, 2005.
LEWIS, C.S.  Cristianismo Puro e Simples.  São Paulo: Ed. Martins Fontes, 2005.
23 de abr. de 2012 | By: @igorpensar

Chamado! Futuro-Evangélico Antigo


Assine o chamado!

Fonte e tradução para o português
http://danieldliver.blogspot.com.br/2012/04/um-chamado-para-um-evangelico-futuro.html por Daniel dLIVEr.

Pouco antes de sua morte, em 2007, Robert E. Webber passou boa parte de seu último ano trabalhando em colaboração com mais de 300 teólogos e outros líderes para criar um chamado para um Futuro Evangélico Antigo. O chamado continua alguns temas e amplia os "Call Chicago" de 1977, e estabelece uma visão de uma fé Antiga-Futura em um mundo pós-moderno. Que Webber ajudasse a criar um tal apelo não é incomum, pois ele passou toda a sua vida profissional chamando a igreja para reforma contínua e, sobretudo, incentivando os líderes e leigos a beber do poço refrescante da verdade antiga. Que a Chamada viesse, como ele fez, em um momento de grande mudança no mundo e na igreja, e que também aconteceu um pouco antes de sua morte, dá-lhe uma espécie de peso que o torna especialmente atraente para examinar.


Os teólogos que participaram representavam uma ampla diversidade de filiação denominacional e a listagem de editores do Chamado e membros do conselho de referência foi marcante em sua abrangência e profundidade. Mais encorajador foi que centenas de pastores, teólogos e leigos em todos os EUA, Canadá e no mundo assinaram a chamada antes da organização que originalmente publicou o documento cessasse as suas operações.

Agora, a Rede Fé Antiga-Futura tem o orgulho de hospedar e defender a Chamada e incentiva os visitantes aqui a afirmá-lo mediante a assinatura de seus nomes, acrescentando-os à lista crescente de pessoas afins de todo o mundo.



PRÓLOGO

Em cada época o Espírito Santo chama a Igreja a examinar a sua fidelidade à revelação de Deus em Jesus Cristo, com autoridade registrada nas Escrituras e transmitida através da Igreja. Assim, enquanto nós afirmamos a força global e a vitalidade do evangelicalismo mundial em nossos dias, acreditamos que a expressão norte-americana do Evangelicalismo precisa ser especialmente sensível aos novos desafios externos e internos enfrentados pelo povo de Deus.

Estes desafios externos incluem o ambiente cultural atual e o ressurgimento de ideologias políticas e religiosas. Os desafios internos incluem a acomodação Evangélica à religião civil, o racionalismo, privatismo, e pragmatismo. À luz desses desafios, nós chamamos os evangélicos para fortalecer o seu testemunho através de uma recuperação da fé articulada pelo consenso da Igreja antiga e seus guardiões nas tradições da Ortodoxia Oriental, Catolicismo Romano, Reforma Protestante e os despertamentos evangélicos. Os cristãos antigos enfrentaram um mundo de paganismo, gnosticismo e dominação política. Em face da heresia e da perseguição, eles compreenderam a história através da história de Israel, que culminou com a morte e ressurreição de Jesus e a vinda do Reino de Deus.

Hoje, como na era antiga, a Igreja é confrontada por uma série de narrativas mestras que contradizem e competem com o evangelho. A questão premente é: quem pode narrar o mundo? O Chamado para um Futuro Evangélico Antigo desafia os cristãos evangélicos a restaurar a prioridade da história bíblica divinamente inspirada dos atos de Deus na história. A narrativa do Reino de Deus traz implicações eternas para a missão da Igreja, sua reflexão teológica, seus ministérios públicos de culto e espiritualidade e sua vida no mundo. Ao envolvermo-nos nestes temas, acreditamos que a Igreja será fortalecida para abordar as questões de nossos dias.

1. Da Primazia da Narrativa Bíblica

Fazemos um apelo a um retorno à prioridade da história canônica divinamente autorizada do Deus Triúno. Esta história -- Criação, Encarnação e Recriação -- foi efetuada pela recapitulação de Cristo da história humana e resumidas pela Igreja primitiva em suas Regras de fé. O conteúdo formado no evangelho dessas Regras serviram de chave para a interpretação das Escrituras e sua crítica da cultura contemporânea e, assim, moldou o ministério pastoral da Igreja. Hoje, nós chamamos os evangélicos a se afastar dos modernos métodos teológicos que reduzem o evangelho a meras proposições, e de ministérios pastorais contemporâneos tão compatíveis com a cultura que camuflam a história de Deus ou a esvaziam do seu significado cósmico e redentor. Em um mundo de histórias rivais, nós chamamos os evangélicos a recuperar a verdade da palavra de Deus como a história do mundo, e torná-la o centro da vida evangélica.

2. Da Igreja, a Continuação da Narrativa de Deus

Chamamos os evangélicos a tomar seriamente o caráter visível da Igreja. Fazemos um apelo por um compromisso com sua missão no mundo em fidelidade à missão de Deus (Missio Dei), e por uma exploração das implicações ecumênicas que isso tem para a unidade, santidade, catolicidade e apostolicidade da Igreja. Dessa forma, chamamos os evangélicos a afastar-se de um individualismo que faz da Igreja um mero adendo ao plano redentor de Deus. O evangelicalismo individualista tem contribuído para os atuais problemas do cristianismo sem igreja (churchless Christianity), redefinições da Igreja de acordo com modelos de negócios, eclesiologias separatistas e atitudes condenatórias em relação à Igreja. Por isso, chamamos os evangélicos para recuperar seu lugar na comunidade da Igreja católica.


3. Da Reflexão Teológica da Igreja na Narrativa de Deus

Chamamos pela reflexão da Igreja para permanecermos ancorados nas Escrituras em continuidade com a interpretação teológica aprendida com os primeiros Pais. Dessa forma, chamamos os evangélicos a afastar-se de métodos que separam a reflexão teológica das tradições comuns da Igreja. Esses métodos modernos compartimentalizam a história de Deus, analisando suas partes separadas, enquanto ignoram a obra inteira de Deus como redentor recapitulada em Cristo. As atitudes anti-históricas também desconsideram o legado bíblico e teológico comum da Igreja antiga. Esse descaso ignora o valor hermenêutico dos credos ecumênicos da Igreja. Isso reduz a história de Deus do mundo a uma das muitas teologias concorrentes e prejudica o testemunho unificado da Igreja para o plano de Deus para a história do mundo. Por isso, chamamos os evangélicos à unidade na "tradição que tem sido crida por toda parte, sempre e por todos", bem como à humildade e à caridade em suas várias tradições protestantes.


4. Do Culto da Igreja como Dito e Promulgação da Narrativa de Deus

Chamamos por um culto público que canta, prega e promulga a história de Deus. Apelamos por uma consideração renovada de como Deus ministra a nós por meio do batismo, da Eucaristia, da confissão, da imposição de mãos, do matrimônio, da cura e através dos dons (carism) do Espírito, pois essas ações moldam nossas vidas e indicam o sentido do mundo. Assim, chamamos os evangélicos a afastar-se de formas de culto que se concentram em Deus como um mero objeto do intelecto ou que afirmam o "eu" como a fonte da adoração. Tal culto tem resultado em modelos  orientados para preleções, a orientados pela música, centrados em peformance, e controlados por programa que não proclamam adequadamente a redenção cósmica de Deus. Por conseguinte, chamamos os evangélicos a recuperar a substância histórica da adoração da Palavra e da Mesa e para atender ao ano cristão, que marca o tempo de acordo com atos salvíficos de Deus.


5. Da Formação Espiritual na Igreja como a Encarnação da Narrativa de Deus

Clamamos por uma formação catequética espiritual do povo de Deus que se baseie firmemente em uma narrativa bíblica Trinitariana. Estamos preocupados quando a espiritualidade é separada da história de Deus e do batismo na vida de Cristo e no seu Corpo. Espiritualidade, feita independente da história de Deus, é muitas vezes caracterizada pelo legalismo, conhecimento meramente intelectual, uma cultura excessivamente terapêutica, o gnosticismo da Nova Era, uma rejeição dualista deste mundo e uma preocupação narcisista com a própria experiência. Estas falsas espiritualidades são inadequados para os desafios que enfrentamos no mundo de hoje. Por isso, apelamos aos evangélicos a retornar a uma espiritualidade histórica como aquela ensinada e praticada no catecumenato antigo (regras e instruções para novos convertidos).


6. Da Vida Encarnada da Igreja no Mundo

Clamamos por uma santidade cruciforme e compromisso com a missão de Deus no mundo. Esta santidade encarnada afirma a vida, a moralidade bíblica e a auto-negação apropriada. Ela nos chama a sermos fiéis mordomos da ordem criada e profetas ousados à nossa cultura contemporânea. Dessa forma, chamamos os evangélicos à intensificar a sua voz profética contra as formas de indiferença para com o dom divino da vida, a injustiça econômica e política, a insensibilidade ecológica e o fracasso em defender os pobres e marginalizados. Muitas vezes falhamos em permanecer profeticamente contra o cativeiro da cultura ao racismo, o consumismo, a correção política, a religião civil, o sexismo, o relativismo ético, a violência e a cultura da morte. Esses fracassos têm silenciado a voz de Cristo para o mundo através da sua Igreja e prejudica a história de Deus do mundo, a qual a Igreja deve coletivamente  encarnar. Portanto, chamamos a Igreja para recuperar a sua missão contra-cultural ao mundo.


EPÍLOGO

Em suma, nós chamamos os evangélicos a recuperar a convicção de que a história de Deus molda a missão da Igreja para dar testemunho do Reino de Deus e para informar os fundamentos espirituais da civilização. Nós apresentamos este Chamado como um contínua conversa aberta. Estamos conscientes de que temos nossos pontos cegos e frquezas. Portanto, encorajamos os evangélicos a se engajar nesteChamado dentro dos centros educativos, denominações e igrejas locais, através de publicações e conferências.

Oramos para que possamos avançar com a intenção de proclamar um Deus amoroso, transcendente, triúno, que tem se envolvido em nossa história. Em conformidade com as Escrituras, o credo e a tradição, é o nosso mais profundo desejo de encarnar os propósitos de Deus na missão da Igreja através de nossa reflexão teológica, o nosso  culto, nossa espiritualidade e nossa vida no mundo, o tempo todo proclamando que Jesus é Senhor sobre toda a criação.

© Northern Seminary 2006 Robert Webber and Phil Kenyon

Este Chamado é emitido no espírito de sic et non, portanto aqueles que afixarem seus nomes a esta chamada não precisam concordar com todo o seu conteúdo. Em vez disso, seu consenso é que essas são questões a serem discutidas na tradição de semper reformanda enquanto a igreja enfrenta os novos desafios do nosso tempo. Durante um período de sete meses, mais de 300 pessoas participaram via e-mail para escrever o Chamado. Estes homens e mulheres representam uma ampla diversidade étnica e de afiliação denominacional. Os quatro teólogos que mais consistentemente interagiram com o desenvolvimento do Chamado foram nomeados como Editores Teológicos. Ao Conselho de Referência foi dada a tarefa especial de aprovação geral.


Editores Teológicos
2006
  • Hans Boersma, James I. Packer Professor of Theology, Regent College, Vancouver, BC, Canada
  • Howard Snyder, Professor of the History and Theology of Mission, E. Stanley Jones School of World Mission and Evangelism, Asbury Theological Seminary, Orlando, FL
  • Kevin Vanhoozer, Research Professor of Systematic Theology at Trinity Evangelical Divinity School, Deerfield, IL
  • Rev. Dr. D. H. Williams, Professor of Religion in Patristics and Historical Theology, Baylor University, Waco, TX

Conselho de Referência 2006


  • Jamie Arpin-Ricci, Co-director, Youth with a Mission Urban Ministries, Winnipeg, Canada
  • Bruce Ellis Benson, Associate Professor of Philosophy, Wheaton College, Wheaton, IL
  • Ryan K. Bolger, Asst. Professor of Church in Contemporary Culture, Fuller Theological Seminary, CA
  • Alfloyd Butler, Affiliate Professor of African American Religious Studies, Northern Seminary, Lombard, IL
  • Rodney Clapp, Editorial Director, Brazos Press, Grand Rapids, MI
  • Charles H. Cosgrove, Professor of New Testament Studies and Christian Ethics, Northern Seminary, IL
  • David Fitch, Lindner Professor of Evangelical Theology, Northern Seminary, Lombard IL
  • John Franke, Professor of Theology, Biblical Seminary, Hatfield, PA
  • Dinelle Frankland, Assoc. Professor of Worship, Lincoln Christian Seminary, Lincoln, IL
  • Chris Hall, Provost of Eastern University and Dean of the Templeton Honors College, St. Davids, PA
  • Charles Hambrick-Stowe, Dean of the Seminary and Professor of Christian History, Northern Seminary, Lombard, IL
  • Roland G. Kuhl, Executive Director, Institute for Missional Initiatives, Round Lake Beach, IL
  • Bryan M. Litfin, Associate Professor of Theology, Moody Bible Institute, Chicago, IL
  • Danut Manastireanu, Ph.D., Director for Faith & Development, Middle East & Eastern Europe Region of World Vision International, Iasi, Romania
  • Claude Mariottini, Professor of Old Testament, Northern Seminary, Lombard, IL
  • Brian McLaren, author, Laurel, MD
  • Bradley Nassif, Associate Professor of Biblical and Theological Studies, North Park University, Chicago, IL
  • David Neff, Editor and Vice-President, Christianity Today, Carol Stream, IL
  • Dennis Okholm, Professor of Theology, Azusa Pacific University, Azusa, CA
  • Bob Price, Assoc. Professor of Evangelism and Urban Ministry, Northern Seminary, Lombard, IL
  • Michael Quicke, Charles W. Koller Professor of Preaching and Communication, Northern Seminary, Lombard, IL
  • R. R. Reno, Professor of Theology, Creighton University, Omaha, NE
  • Edmund Rybarczyk, Assistant Professor of Systematic Theology, Vanguard University, Costa Mesa, CA
  • Joel Scandrett, Associate Editor Academic & Reference Books, InterVarsity Press, Downers Grove, IL
  • Douglas R. Sharp, Professor of Christian Theology, Northern Seminary, Lombard, IL
  • P.L. Sinitiere, Ph.D. candidate (history), University of Houston, Houston, TX
  • Laura Smit, Dean of Chapel, Calvin College, Grand Rapids, MI
  • James K.A. Smith, Assoc. Professor of Philosophy, Calvin College, Grand Rapids, MI
  • Jennifer Trafton, Managing Editor, Christian History & Biography, Carol Stream, IL

Patrocinadores:
Northern Seminary (www.seminary.edu)
Baker Books (www.bakerbooks.com)
Institute for Worship Studies (www.iwsfla.org)
InterVarsity Press (www.ivpress.com)

“La Llamada” en Español