27 de out de 2006 | By: @igorpensar

Diálogo e Massificação

Por Igor Miguel

Cultura massificada, mundo-mercado como retomar as abordagens clássicas da Teoria do Conhecimento, que se atêm à relação “sujeito”-“objeto”? Ao menos o que se propõe é abrir espaço para outra opção gnosiológica: o diálogo, a nova e clássica dialogicidade. Não mais a relação sujeito-objeto, mas sujeito-sujeito (Martin Buber). Não é nada novo, remonta aos tempos de Sócrates e dos antigos rabinos judeus. Quando se diz “diálogo”, não há vínculo com a percepção comum do termo, mas fala-se de método, de extensão científica e da apropriação do conhecimento em movimento intersubjetivo (Vygotsky).

O diálogo é certamente o confronto saudável e criterioso, porém com uma ética óbvia, um interesse comum: a produção mútua de saberes. Isto significa muitas vezes abrir-se ao conflito, vivenciar “tempestades de idéias”, rever dogmas ou mesmo abrir mão deles. Esta é a singularidade do diálogo como método, não se dialoga com o inanimado, neste caso o sujeito é fenômeno. O homem é humano, a cultura é humanizada, não há saberes estáticos. Há neste processo, naturalmente, uma sensação de extremo relativismo, mas aí reside o conhecer, quando a “crise” angustia. Na crise, na problematização, nas interrogações e no terreno móvel do saber, surgem paradigmas sujeitos à crítica, se sobreviverem se tornarão “paradigmas”, referenciais teóricos.
Este caráter enigmático do problema é a grande energia que move o conhecer (Mathew Lipman). Nunca em um mundo onde pseudo-saberes são impostos, houve tanta necessidade de diálogo, de submeter as diversas informações ao critério do diálogo.

Uma possível solução? Transformar os espaços públicos em arenas para o pensar, reatar vínculos intelectuais, permutas de saberes “humanos” e não estes “saberes enlatados”. Cruel mundo contemporâneo, rompeu os vínculos, corroeu o diálogo, quebrou-se a crítica e pôs fim à democracia. Democracia do diálogo, pela ditadura unilateral de um mundo midiatico. Deixa-se o desafio, de se retomar a boa conversa, não pelo simples falar, mas como método científico, produção de saber humanizado. Não uma ciência excludente, pelo contrário interativa.

A educação precisa vivenciar o diálogo, dar o último golpe na primazia do saber docente. A religião precisa de diálogo, para refletir sobre si e os outros, pensar-se. A política precisa se abrir ao diálogo, não manipular a opinião pública, antes ser democrática em si, não esta democracia representantiva (representante-ativo), mas participativa (participante-ativo). Esta participação só será possível pelo diálogo, pela abertura de fóruns e pela reformulação de uma ética coletiva, uma ética social e pelo acesso aos que detêm poder. Somente assim, teremos uma rede de debates abertos, de uma coletividade preocupada com o conhecer e não em reproduzir discursos e slogans de um mundo plástico, vendido pelo silêncio da maioria.

1 comentários:

Ana disse...

Concordo, mas o querer poder, o controle sobre o outro e o egocentrismo humano se acharem que não convém o diálogo, quando não conseguem impedir este diálogo, pelo menos tentam manipulá-lo, dando sentido ao significado da informação.