7 de jun de 2010 | By: @igorpensar

Upgraded! Creio, logo penso.

Por Igor Miguel

Você se considera uma pessoa upgraded? Uma pessoa upgraded, desculpe-me pelo estrangeirismo inevitável, é uma referência a uma pessoa "atualizada", "antenada", pode-se dizer, "conectada", com as últimas tendências, notícias, fenômenos culturais, problemas climáticos, uma pessoa globalizada ou mesmo, regionalizada.

Por causa da TV, Internet e das ferramentas de fluxo de informação em tempo real como blogs e micro-blogs, é possível manter-se antenado e atualizado a respeito de diversas notícias e novidades culturais.


De fato, o capital-financeiro, vem migrando para o capital-cultural, alguns diriam, que há na verdade uma capitalização de bens-culturais. De qualquer forma, hoje dou mais valor para meus livros do que para a estética de meu apartamento, pode parecer reducionismo mas não é. Apenas me torno um crescente dependente de mecanismos que me mantenham upgraded. Como teólogo ou mesmo educador, para mim é impossível viver off-line ou unpluged (desconectado) das últimas notícias e descobertas científicas.

As ansiedades de uma pessoa upgraded ou que tenta ser (como eu):
  • O desconforto de que algo está acontecendo agora que você ainda não sabe;
  • O desconforto de saber que você ainda não conhece alguma fonte que te levaria a esta informação;
  • O desconforto de, as vezes, não ter as informações que te levariam àquela informação.
Em suma, não alcançamos determinadas informações, pois usamos um mecanismo cognitivo necessário, que tende a eliminar dados irrelevantes daqueles relevantes à nossa visão de mundo. Só nos apropriamos de informações que são atraentes ao nosso repertório. Neste aspecto, a questão da linguagem é fundamental. Ao ler uma obra, um texto, ou acessar determinado conteúdo cultural, nos é exigido uma repertório semântico mínimo, para nos apropriarmos de seu código.

Isso significa que um pessoa upgraded precisa sempre atualizar seu repertório, acumulando mais ferramentas psicológicas ou psicoafetivas para avançar em sua compreensão. Algumas pessoas adicionariam um ponto a mais na listagem das "ansiedades", talvez, o limite de seu "disco rígido", de sua memória, porém, nosso cérebro não funciona desse jeito, ao contrário, ele é expansivo graças a Deus! Lembra do texto?
"Instrui o sábio e ele se tornará mais sábio." (Pv 9:9).
Infelizmente, nós que vivemos em uma terra em que durante muito tempo os "cultos" eram loucos e o "malandro" o virtuoso. Em terras brazilis têm-se o conhecer como algo que pode levar as pessoas a um tipo de estado de demência. Mas, já adianto que não!

Quando estudamos e procuramos entender a produção cultural da humanidade, nós cristão deveríamos fazê-lo sob um princípio supra-teórico (para usar os termos do jurista e filósofo holandês Herman Dooyeweerd), um princípio arquimediano (de archê em grego) que é nossa inclinação e visão religiosa, sem a qual não é possível ter um mínimo de coerência teórica, cai-se fatalmente no niilismo absoluto ou no reducionismo idólatra.

Minha compreensão filosófica e científica do mundo, passa acima de qualquer meta-narrativa, pois submete-se radicalmente em Deus. Honestidade intelectual é admitir que não dá para fazer ciência sob uma pretensa neutralidade religiosa. Já adianto, não vejo qualquer dicotomia entre minha espiritualidade e minha atuação cultural. Ao contrário, Deus me libertou de um cativeiro de ignorância e alienação, hoje consigo ler de kantianos à pós-estruturalistas e discernir o que cheira graça comum do que cheira enxofre.

Um cristão minimamente interessado em viver uma espiritualidade expansiva, integral, deveria se manter minimamente upgraded, se não em breve estará unpluged.

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