27 de nov de 2013 | By: @igorpensar

Eles Amaram Demais

Hoje, em um momento completamente ordinário, passando por entre livros em um seção de livros sobre "religiões", em uma determinada livraria, fui tomado pelo desejo de "passar os olhos" em "Confissões" de Agostinho de Hipona. Obra que nunca li dignamente, ao mesmo tempo, obra que não me é completamente estranha. Mas, fui assaltado com palavras que me queimaram por dentro.

Deparei-me com os suspiros do mestre africano, inflamado de desejos pelo Deus Trino. Percebi que os grandes mestres do cristianismo são grandes, não por causa de um academicismo árido, mas porque simplesmente foram assaltados pelo amor. Eles se derretiam diante do Eterno. Tais homens não negavam o desejo, simplesmente desejavam demais, eram amantes de mais. Eles sempre souberam que mulheres, poder, riqueza e glória eram finitos demais para saciá-los. No final, cristãos assim são amantes, tomados de excitação quase no tom dos salmos que dizem que a "alma suspira", "os ossos se despedaçam" e os "rins louvam". Eles não amavam analiticamente, amavam visceralmente, como vulcões com lavas afogueadas de veneração. Os afetos foram feridos por este amor. Daí, descobri uma coisa incrível: precisamos desejar mais, desejar ao ponto de sermos tomados pelo prazer de fazer a vontade de Deus. Não como uma afeição estranha, mas que nossos impulsos e hábitos sejam saturados de tal forma pelo amor de Deus que não tenhamos outro desejo.

Que sejamos tomados de amor pelo Criador a ponto de dizer como Cristo: "que não seja o que eu quero, mas o que tu queres." Amor que sacrifica a vontade própria, porque a vontade própria é desejo menor. Sim, descobri que boa teologia e boa espiritualidade acontecem quando se ama, quando se ama radicalmente o Único que pode satisfazer suficientemente tal amor.

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Igor Miguel

2 comentários:

Isaque L.F. disse...

Igor, li "Confissões" de Agostinho ano passado: leitura inigualável! Agora procuro outros livros deste grande servo de Deus. Um dos trechos que mais gostei: "A vida feliz consiste em nos alegrarmos em Vós, de Vós e por Vós. Eis a vida feliz, e não há outra. Os que julgam que existe outra, apegam-se a uma alegria que não é a verdadeira. Contudo a sua vontade jamais se afastará de alguma imagem de alegria..."

@igorpensar disse...

Belíssimo excerto Isaque. Li bastante coisa do Trinitae, muito bom também.