2 de jul de 2008 | By: @igorpensar

Rotina, Férias e Amém.

Por Igor Miguel

A rotina é interessante. Rouba nosso tempo, afoga-nos nos papéis e nos trâmites legais, e tira aquilo que nos é essencial, o poema, o amor, a inspiração, uma boa leitura e a vida. A rotina tem o péssimo costume de arrancar nossos sentimentos, de nos posicionar como estranhos e de brutalizar o homem.

Sinceramente, não sou muito poeta, mas quem já não teve vontade de ir para um lugar arejado? Para uma planície verde em contraste com um céu azul de entontecer. Sabe aquele céu azul, sem nuvens, que remete nossa infância? Pois é, esse lugar pode ser bem melhor do que onde estamos.

Esgotar minha vida naquilo que não me aproxima dos céus, ou que transgride o cheiro-de-mato, é frustrante. Dói-me ver-me longe do jardim, das cores e dos assobios do ventos entre as folhas da cazuarina.

A civilização roubou o poema, a rotina arrancou o sonho, tirou a fé e esvaziou nossa imaginação, aquela que tínhamos quando criança. Ou ainda a temos?

Quero correr descalço, sentir o vento, pular no mar azul e encostar meu corpo sobre uma boa rede. Quero o ócio, os tempos de nostalgia, para renovar minhas forças e voltar à rotina inevitável com um pouco da paciência que contraí da natureza e de um tempo que de tão bom, parece sem fim.

Quero pedalar minha velha bicicleta, quero ver meu pai com seus "trambolhos" e velhos brinquedos, quero enfim lembrar que tenho família e que é possível ser gente, e viver a gentileza da gentil mãe que diz: Bom dia!

Puxa, é bom ser feliz, é gostoso dizer amém, e continuar vivendo o final da oração como se não terminasse.

Acho que férias é assim, um tempo, um bom tempo para dizer... Amém! E adeus (ou até logo) à velha rotina.

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