14 de nov de 2014 | By: @igorpensar

Da Aridez ao Frescor

Solitário, inóspito e banido em exílio.  
Puro abandono e alienação.  
Estranho a si, consigo mesmo e com o mundo.  
O horizonte se repete, deserto, miragens e ilusões.
A vitalidade se esvai, escorre entre os grãos de areia.
Tudo se seca, trai e fere.  Um mundo hostil.
Escaldante, sufocante, falta-lhe água e ar.
As forças acabam: tomba e cai.
Tudo se escurece, fica mais confuso e fragmenta-se.
Seu espírito quase descola-se, desvincula-se, sai de si.

Ante a perda dos sentidos, algo lhe recobra.
Discreta nitidez, tudo limpo.  Claro e fresco.
Uma face suave e risonha mira-lhe.
Luz, muita luz, mas sem o calor.
A temperatura é perfeita.

Já com força, sem o cansaço, levanta-se facilmente.
Da fadiga, só a lembrança.
Olha ao redor, fica intrigado. "Estou em casa?"
Um lugar que nunca residiu.
Mas que nunca deveria ter deixado.

As cores, texturas e músicas são fascinantes.
Sempre as quis ouvir, apesar de nunca conseguir em seu mundo.
Mundo ordeiro, harmonioso, cheio de cores e algumas nunca vistas.
Que variedade de perfumes, formas e seres jamais apreendidas.
Nela, cidade e jardim se confundem.
Céus e terra se encontram em um casamento. 
Um só corpo, um só espírito.

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