5 de jul de 2013 | By: @igorpensar

Amante Secreto

Dizem que G.K. Chesterton começou a considerar seriamente a existência de Deus quando se viu diante de coisas que recebia como que por generosidade e não tinha a quem agradecer. De fato, há coisas que são quase como epifanias, simplesmente nos são dadas, surgem assim diante de nós. 

Como não considerar a gratuidade de algumas extravagâncias "naturais" como verdadeiros eventos milagrosos: um belo dia, um pássaro cantando, o sorriso ingênuo de uma criança, o encontro entre amantes, a generosidade humana e a criatividade. Como não se maravilhar com a luz do sol refratando em gotículas de orvalho? A gratidão é erguer-se em busca de reconhecimento daquele que é generoso. 

Aquele que é surpreendido pela graça é como alguém que recebe de um amante secreto flores, e assim, devora-se de expectativas e curiosidade, e pergunta-se "-- Será que é ele?". Pessoas honestas com a beleza buscam um objeto de adoração e reconhecimento. Por outro lado, a ingratidão teria efeitos auto-destruidores, pois implicaria na negação não só da graça, mas do agraciador. 

O ingrato é obtuso, sombrio, cínico e apático. Não consegue discernir danças, cheiros, cores e gestos. Não consegue ver tridimensionalidade no mundo, tudo não passa de formas geométricas planas, previsíveis, explicáveis de mais. Por outro lado, aquele que descobre a arte da gratidão, aprende o contentamento e a frugalidade. Consegue dizer graças ou obrigado por cada ato de generosidade, e descobre enfim, que tudo é pura exibição de amor. Afinal, "Deus amou o mundo de tal maneira que DEU..." (Jo 3:16).

Igor Miguel

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