20 de jul de 2013 | By: @igorpensar

(Des)Qualificar o Cristianismo?

Quer desqualificar o cristianismo? Siga os seguintes passos: 1) sempre se lembre das cruzadas na idade média; 2) mencione a inquisição; 3) para atingir os protestantes, em específico, mencione a morte de Servetus; 4) e como último golpe, mencione que ao menos 60% da população alemã durante o holocausto era composta de luteranos.  

Gente, é assim que tem cristão virando judeu, tem gente montando comunidades primitivistas, tem gente se “desigrejando” e outros tornando-se ateus.  É assim, que o idealismo e o progressismo vai descredibilizando a comunidade cristã.  Claro que não vão mencionar a família Ten Boom, ou Dietrich Bonhoeffer o mártir cristão que se envolveu na resistência luterana contra o nazismo.  Não falarão de William Wilberforce, político cristão que se envolveu ardentemente contra o tráfico negreiro no Reino Unido.  Não mencionarão os infinitos benefícios sociais, o impacto sobre os direitos humanos e as diversas iniciativas cristãs em prol da justiça e da cultura.  Jamais mencionarão as inúmeras instituições de ensino  fundadas por comunidades católicas e protestantes.  Jamais mencionarão que a liberdade que desfrutam até mesmo para denegrir cristãos lhes fora dada por eles.  Nunca mencionarão, jamais dirão!

Quanto às fraquezas inerentes à reforma e ao cristianismo histórico, seria por demais ingênuo achar que poderíamos ser paraísos antecipados, seres angelicais e os reformadores empreendedores carregados de mítica perfeição. Somente um idealismo ingênuo, estranho à narrativa cristã da queda ou da afirmação reformada de que somos "santos mas ainda pecadores", poderia levar alguém a ter ideais tão rousseaunianos. Mas, enfim, retomo o fato de que este cristianismo, parafraseando Chesterton, vem cambaleando, é verdade, mas nunca caiu. Vem caminhando quase como um bêbado, mas manteve-se de pé em momentos decisivos. De qualquer forma, para superarmos o idealismo bizarro e cheio de aroma progressista, fica uma dica de Bonhoeffer: "Quem ama mais a igreja ideal do que a igreja real, nunca terá a primeira e destruirá a segunda". Ficamos com a igreja real, cheia de hipócritas e pecadores, alguns arrependidos, outros nem tanto. E, se você se enquadra na descrição anterior, então lá também tem lugar pra você.

“Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento.” (Mc 2:17)

Por Igor Miguel

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