28 de jul. de 2008 | By: @igorpensar

Grupo de estudo (DF): AUTISMO E CONDUTAS ATÍPICAS

Aos interessados em aprofundar suas investigações sobre autismo, e principalmente os residentes no Distrito Federal, indico o curso abaixo de minha amiga e aluna de teologia Vanessa Vilaça. Tenho certeza que vocês se surpreenderão com sua significativa experiência com crianças autistas.

_______________________________

Segue abaixo maiores informações:

O grupo de estudo: AUTISMO E CONDUTAS ATÍPICAS é uma oportunidade imperdível para estudantes e psicólogos interessados no atendimento de crianças especiais. A Psicóloga Vanessa Vilaça tem experiência no atendimento de crianças autistas e atualmente investe profissionalmente na especialização nessa área. Os encontros acontecerão semanalmente, sempre às terças-feiras, de 19:30 às 20:50h.

Horário: 19/08 até 02/12
19:30 às 20:50
Preço: R$ 40,00

SRTVS Quadra 701 - Bloco O - Sala 216 - Ed. Novo Centro Multiempresarial
Brasília-DF

Informações: (61) 3202-2852 - superinfancia@superinfancia.com.br
[Maiores Informações - Super Infância]
17 de jul. de 2008 | By: @igorpensar

O que a mediação não é.

Por Igor Miguel

Comumente ouve-se o uso dos termos "mediador" ou "mediação" em educação. E esse uso "popular" pode infelizmente banalizar o profundo significado de tais expressões.

Comumente professores e educadores usam o verbo "mediar" como uma palavra diferente para ofuscar o que no fundo não passa de mera transmissão de conteúdos escolares. Muitas vezes esses conteúdos são transmitidos sem a mínima problematização, sem significado para o aluno, e ainda assim, chama-se isso de "mediação".

Antes de dizer o que é mediação, é importante dizer o que a mediação não é.

1) Mediação não depende de conteúdos curriculares formais para acontecer.
2) Mediação não é instrução.
3) Mediação não é formação.
4) Mediação não é mera problematização de algum conteúdo.
5) Mediação não implica em uma posição do docente como "animador" ou "estimulador".
6) Mediação não é qualquer tipo de interação entre professor e aluno.

Trataremos cada um deles, justificando a negativa:

1) Mediação não depende de conteúdos curriculares formais para acontecer.

A mediação é acima de tudo cultural, pois opera-se na malha simbólica no ato de decodificar o mundo, seus símbolos, suas impressões. Mediação ensina o mediado a pensar o mundo a partir de um repertório de valores específicos. Existem ferramentas psicológicas específicas para tratar os dados coletados a partir de realidades e situações específicas. A mediação está profundamente ligada à educação cognitiva, que não é necessariamente dependente da educação formal. Vygotsky já havia demonstrado que a instrução nem sempre acompanha o desenvolvimento cognitivo do aluno. Em outras palavras, um currículo que não é orientado tendo em vista o desenvolvimento cognitivo do aluno é desprovido de valor mediador. O que não significa que um professor não se aproprie de "propriedades" inerentes ao conteúdo formal (por exemplo propriedades matemáticas, biológicas, quimícas, etc) e a partir delas estimular seus alunos cognitivamente, ensinando-os a pensar a partir da lógica formal e das funções cognitivas envolvidas na apropriação de certos saberes. Porém, nesse caso, o conteúdo torna-se mero instrumento mediador, mas a mediação real opera-se pelo professor e não pela simples transmissão ou exposição de certo conteúdo ou matéria escolar.

Recentemente uso o termo "meta-disicplinar" para deixar claro a educadores, que mediação opera-se além das disciplinas, no pano de fundo. Para pensar certo conteúdo escolar, é necessário refletir sobre: Como o pensamento opera por trás deste conteúdo? Quais operações mentais são exigidas em certa disciplina escolar? Porém, postulo que tais ferramentas do pensar, podem ser fornecida independente do conteúdo formal e seu uso seria apenas alternativo. Mediação é essencialmente meta-disciplinar, ela está antes do conteúdo, na verdade é o princípio ativo do pensamento necessário para se aprender qualquer coisa dentro ou fora dos limites do currículo formal escolar.

2) Mediação não é instrução.
Dentro de uma abordagem vygotskiana, instrução seria a educação formal, a educação escolar baseada em conteúdos. A instrução pode ser mediadora, o que depende mais do professor do que da natureza da instrução per si, mas a mediação não depende da instrução a priori. Obviamente, no esforço de um bom professor em fazer que um determinado conteúdo seja compreendido por seu aprendiz, ele ensina seu aluno a pensar, embora o faça intuitivamente, ocorre algum tipo de interação mediadora ingênua, mas ainda assim, a mediação não opera-se pela "instrução formal". Pois para que haja mediação, é necessário certo grau de intenção do mediador.

Como discutido anteriormente, a mediação articula-se intra, extra, trans e meta-disciplinarmente. Um pai pode mediar seu filho, um avô pode introduzir seu neto a certos padrões mentais, um sábio ou mesmo um líder religioso fornece significados e destaca certos estímulos da realidade, introduzindo o aprendiz a certas ferramentas cognitivas.

O pensar respeita critérios, por isso é de natureza "crítica", pois problematiza a realidade a partir de regras lógicas. O pensamento procura organizar o mundo, tornando-o cognoscível. Mediar seria então fornecer ferramentas psicológicas para que o sujeito compreenda, interprete e decodifique o mundo e os estímulos que o rodeiam. O que está muito além da educação institucionalizada.

3) Mediação não é formação.

Formar é outra palavra que está no vernáculo pedagógico, mas seu uso está bem próximo do senso comum. Formar assume várias conotações, e geralmente é usada completamente desprovida de clareza ideológica ou teórica. Quando um professor diz: "Eu educo para formar o aluno". Ele não diz absolutamente nada. Pois formar significa forjar ou moldar alguém ou alguma coisa, e se a educação pretende ser um conhecimento de natureza formadora, deve-se inevitavelmente delimitar que formação se pretende, ou que tipo de "sujeito" se pretende "criar" e a partir de que valores ideológicos. Clareza ideológica significa explicitar uma formação para a cidadania, para o mercado de trabalho, para uma vida ética, para a vida espiritual-religiosa, para uma consciência ambiental e outros.

A formação é um fim, um objetivo educacional, enquanto a mediação opera-se no pensamento, submersa ao processo formativo. Naturalmente, uma educação formadora é provocadora, inventora do homem e em sua complexidade estão envolvidas diversas frentes pedagógicas, inclusive a educação cognitiva, que prestaria um excelente serviço nesse aspecto. Mas, ainda assim, não se pode considerar a mediação formadora no sentido mencionado, ela reside em lugares mais profundos.

4) Mediação não é mera problematização de algum conteúdo.
Uma aula pode ser problematizadora o que não significa que ela seja necessariamente mediadora. A interrogação é um elemento presente no ato mediador, é uma das diversas ferramentas lógicas presentes no ato mediador. A arte de perguntar é fundamental para uma boa mediação, a pergunta produz um desconforto cognitivo, um tipo de instabilidade nas estruturas do pensamento, o que permite o reajuste e a abertura dos esquemas mentais. Piaget faz uma brilhante pressuposição sobre a tendência das estruturas cognitivas à equilibração e a fechar-se em sua própria estrutura. Por outro lado, isso não significa que essas estruturas não possam ser alteradas, ou nas palavras do teórico, enriquecidas. O enriquecimento estrutural do pensamento é possível e a problematização é um excelente instrumento para pôr à prova a provisoriedade de certas relações que fundamentam o pensamento.

A diferença entre a problematização utilizada em uma aula formal e a problematização mediadora, é que a última preocupa-se em provocar o pensamento, tem uma intenção modificadora das estruturas cognitivas. Enquanto a primeira preocupa-se em provocar a curiosidade e o pensamento do aluno em favor de um problema disciplinar específico. Por exemplo, um professor ao perguntar a seu aluno: Por que o Brasil não é um pais desenvolvido? - tem uma intenção disciplinar. Quando um professor, que tem intenções mediadoras, ao estudar por exemplo "As propriedades do triângulo retângulo", pergunta: "O que são propriedades?" e generaliza-a a outras situações da vida ou a outras disciplinas, faz uma pergunta essencialmente mediadora, pois introduz seu aluno ao procedimento correto, à intenção metodológica, ao uso de ferramentas verbais como organizadores e mais ainda, transcende o significado de tal expressão a outras realidades. Esse é um procedimento tipicamente mediador, pois preocupa-se com a consciência metacognitiva do aluno, e não simplesmente com o sucesso da transmissão de certo conteúdo.

5) Mediação não implica em uma posição do docente como "animador" ou "estimulador".
Certas tendências pedagógicas modernas posicionam o docente (professor) como um "animador" ou "estimulador" de processos educacionais espontâneos. O chamado "construtivismo piagetiano" que de piagetiano tem muito pouco, tem essa tendência ao propor uma aprendizagem "espontânea" ou um certo "desenvolvimento espontâneo", em que o professor é apenas um provocador ou organizador das atividades, para que o aluno por si só possa se desenvolver naturalmente.

Mediação e docência se esbarram, porém a mediação convida o docente a assumir uma posição mais ativa. Isso não significa diretividade, o que remonta paradigmas conteudistas, mas clara intencionalidade pedagógica. O mediador não é alguém ingênuo, ou alguém que se coloca fora do processo mediador. Ele se envolve afetivamente e subjetivamente no desenvolvimento de seus mediadores. Mediação é uma experiência antropológica de troca, de permuta cognitiva e de alteridade. Esse deslocamento implica em compreender como o pensamento de seu aprendiz funciona. O que significa também que o mediador deve fundamenta-se em um bom programa de educação cognitiva como o PEI e fundamentar-se em profundo conhecimento teórico para estimular seus aprendizes.

6) Mediação não é qualquer tipo de interação entre professor e aluno.
Segundo Reuven Feurstein, para que uma interação seja considerada mediadora são necessários pelo menos 3 elementos:

1) Intencionalidade e Reciprocidade
2) Construção de significados
3) Transcendência da realidade concreta

A intencionalidade é a clareza do mediador, sua parcialidade e sua consciência sobre o ato mediador. Um estímulo ou uma relação humana pode não ser mediadora, quando desprovida de intenção, do pressuposto de que se quer modificar ou introduzir alguém ao pensar criterioso. Reciprocidade refere-se ao feedback, a resposta do aprendiz e a consciência de que seu mediador tem uma intenção, essa consciência pode ser percebida quando o mediando responde voluntariamente os estímulos de seu mediador interagindo com ele.

Por construção de significados compreende-se uma postura problematizadora e instigadora do mediador. Principalmente quando conduz seu aprendiz para além da superficialidade dos estímulos da realidade, antes provoca seus sentidos, sua percepção e seu pensamento, na interpretação dos significados dispostos em um livro, um texto, uma placa de trânsito, uma frase, uma música, não importa, o mediador provoca seu aprendiz para que compreenda o mundo a seu redor de forma significativa. O que significa inclusive, a apresentação de ferramentas verbais de um vocabulário aplicado de forma precisa e delimitado à situações específicas. Palavras como classificação, propriedade, característica, organização, estratégia, análise, inferência, tornam-se além de simples expressões, poderosas ferramentas na organização do pensamento em campos semânticos e esquemas de significados cognitivos.

Uma interação mediadora tem ainda como importante característica a transcendência, que é a obstinação do mediador em transformar uma experiência imediata de seu aprendiz em uma experiência universal. A lógica que opera em determinada experiência pode ser aplicada em outras situações distantes no espaço e no tempo, e que as regras de um determinado "jogo" podem ser utilizados em diversas situações. O elemento educacional reside justamente na superação do imediatismo cognitivo, do aqui-e-agora, para uma inteligência histórica e universal.

Conclusão

A melhor forma de definir o que é mediação, para evitar o uso inadvertido de tal expressão, é delimitá-la dentro de seu território teórico. Infelizmente a aversão de docentes e professores à teoria educacional tem produzido profissionais do senso comum, sem identidade, ao invés de profissionais que se valorizam e valorizam a pedagogia como ciência da educação. Este valor significa bom fundamento epistemológico, bom conhecimento científico e filosófico, e a ruptura radical com qualquer ideologia ingênua que procure desalojar a boa fundamentação teórica dos limites da educação.

A mediação introduz sujeitos ao mundo do raciocínio, da subjetividade e da cultura, ensina ao aprendiz a ler a realidade a partir de critérios fundacionais. Não basta receber os estímulos da realidade, não basta ser empurrado pelos ruídos de uma aula, é necessário fornecer ferramentas para que o aprendiz decodifique as palavras, os gráficos, os mapas, os números, o tempo e a vida.

Mediação é assumir que o modelo epistêmico e idealista de um sujeito que aprende na relação direta com o objeto não é real. Que realmente precisamos de outros para aprender, precisamos construir o conhecimento juntos, e sermos introduzidos na vida por um professor. A mediação devolve a posição que o docente jamais deveria ter perdido. O novo paradigma é que o homem aprende na relação intersubjetiva e não inter-objetal.
16 de jul. de 2008 | By: @igorpensar

Joseph Israel e Matisiyahu

Um encontro apocalíptico entre dois cantores de reggae pós-modernos. Joseph Israel (judeu-messiânico) e Matisiyahu que dispensa comentários.

Depois visitem o MySpace do Joseph Israel, vale a pena ouvir um reggae de excelente qualidade.

E claro, o site do homem: http://www.josephisrael.com/

Jah vive!


2 de jul. de 2008 | By: @igorpensar

Rotina, Férias e Amém.

Por Igor Miguel

A rotina é interessante. Rouba nosso tempo, afoga-nos nos papéis e nos trâmites legais, e tira aquilo que nos é essencial, o poema, o amor, a inspiração, uma boa leitura e a vida. A rotina tem o péssimo costume de arrancar nossos sentimentos, de nos posicionar como estranhos e de brutalizar o homem.

Sinceramente, não sou muito poeta, mas quem já não teve vontade de ir para um lugar arejado? Para uma planície verde em contraste com um céu azul de entontecer. Sabe aquele céu azul, sem nuvens, que remete nossa infância? Pois é, esse lugar pode ser bem melhor do que onde estamos.

Esgotar minha vida naquilo que não me aproxima dos céus, ou que transgride o cheiro-de-mato, é frustrante. Dói-me ver-me longe do jardim, das cores e dos assobios do ventos entre as folhas da cazuarina.

A civilização roubou o poema, a rotina arrancou o sonho, tirou a fé e esvaziou nossa imaginação, aquela que tínhamos quando criança. Ou ainda a temos?

Quero correr descalço, sentir o vento, pular no mar azul e encostar meu corpo sobre uma boa rede. Quero o ócio, os tempos de nostalgia, para renovar minhas forças e voltar à rotina inevitável com um pouco da paciência que contraí da natureza e de um tempo que de tão bom, parece sem fim.

Quero pedalar minha velha bicicleta, quero ver meu pai com seus "trambolhos" e velhos brinquedos, quero enfim lembrar que tenho família e que é possível ser gente, e viver a gentileza da gentil mãe que diz: Bom dia!

Puxa, é bom ser feliz, é gostoso dizer amém, e continuar vivendo o final da oração como se não terminasse.

Acho que férias é assim, um tempo, um bom tempo para dizer... Amém! E adeus (ou até logo) à velha rotina.
28 de jun. de 2008 | By: @igorpensar

Homoculturalgenéticosexual... um neologismo.

O querido Pr. Guilherme (teólogo) em seu blog fez uma interessante reflexão sobre os pressupostos genéticos usados por cientistas para justificar a homosexualidade.

Seu artigo está disponível neste link: http://guilhermedecarvalho.blogspot.com/2008/06/o-homossexualismo-no-contra-natureza.html

Fiz um comentário sobre seu artigo, que é como se segue:

Guilherme,

Excelente post. O calcanhar de Aquiles é o termo "natureza". Interessante pensar que Freud define civilização em seu "Mal estar da civilização" como a 'distância do homem de seu estado de natureza'. Interessante pensar que o mesmo criador da psicanálise postula a existência de um hiato no homem, uma inacabalidade, por isso criou-se uma "prótese" (em suas palavras), que mais tarde foi traduzida pelos antropólogos pelo nome de "cultura". Que é definida pela maioria dos estudiosos como algo ligado à valores, códigos, leis, etc. Interessante, pois para eles, é nessa esfera que reside a "natureza humana" algo que o distancia dos animais, da "natureza" propriamente dita. Admite-se a distância, mas quando se quer justificar alguma nova invencionisse cultural, apela-se às leis da não-civilidade (natureza). Contradição irônica? Não! Falta de Bíblia, de perceber que o hiato é um efeito da queda, de um homem fragmentado ou estilhaçado pela queda. De uma corrida aos totens e às roupas de folhas de figueiras, para esconder os efeitos da tragédia. Ironia? Recorrer à natureza para esconder a vergonha, não é novidade, ai se aquelas folhas falassem.

Abraços e parabéns!
Igor

Aliá - A Lei do Retorno - experiência de alguns.

Israel estimula a imigração de judeus de qualquer lugar do mundo e a apesar da incrível estrutura para a adaptação dos olim chadashim (novos imigrantes), imigração sempre é uma experiência complexa, aprender um nova língua como o hebraico, adaptar-se à cultura israeli, as diferenças em relação à cultura latina, ainda não é tarefa fácil. Mas, sem dúvida é um desafio que todo aquele que deseja retornar à terra de seus antepassados. Simplesmente... Israel. Veja essa matéria do Jornal da Record sobre a adaptação de judeus e mesmo não-judeus brasileiros que imigraram, inclusive um cantor de música baiana. Coisas da globalização!

[Clique aqui e assista]

Retratos Literários de Jesus - NEJ-UFMG


O NÚCLEO DE ESTUDOS JUDAICOS DA UFMG

convida para o seminário:

Retratos literários de Jesus

Profª. Drª. Delzi Laranejira (UFMG)

Dia: 3 de julho 2008

Local: Auditório 2001 da Faculdade de Letras da UFMG

Horário: 14 horas

Outras informações: www.ufmg.br/nej

26 de jun. de 2008 | By: @igorpensar

Deus na Escola. Templos sem Deus?

Por Igor Miguel

Hoje palestrei em uma escola pública sobre holocausto e o conflito árabe-israelense, e me chamou a atenção as impressões de uma professora "evangélica" que me abordou dizendo que deveria falar da Bíblia de forma mais "rasgada", pregar o "sangue de Jesus", tudo isso sob àquela verborragia convencional do neo-pentecostalismo. Segundo ela, falar mais "espiritual" e menos "cultural".

Minha contra-resposta: Por meu discurso ser cultural, não quer dizer que ele é menos espiritual. O fato de não usar o jargão religioso convencional, não significa que minha fala é desprovida de espiritualidade. Não preciso falar o "evangeliquês" ou o "cristianês" para ser compreendido por alunos do Ensino Médio, preciso operar nas mentes com contra-argumentos enraizados na ética judaico-cristã, para minar os fundamentos sofismáticos do mundo moderno que é anti-semita e caminha para a fragmentação da família e dos valores forjados por Deus no homem. A mensagem de Jesus implica em justamente libertar mentes do cativeiro cultural, de uma visão de mundo distorcida.

Falei de ética, falei de vida, falei de paz, política e princípios. Discursei sobre a existência de Deus conduzindo um povo do sofrimento à restauração de seu país, em uma linguagem que professores, alunos e jovens (entre os 17-20 anos) podiam compreender, não preciso levantar uma bandeira confissional ou religiosa, para falar a mensagem essencial, ela foi dita na espiritualidade da cultura.

Acho incrível como os religiosos do ocidente (em geral), despedaçam a realidade, fragmentam o mundo, excluem Deus de tudo e não conseguem perceber que Seu governo se estende a todas as esferas da existência humana.

A espiritualidade não está fora da dimensão cultural. A cultura é manifestação espiritual em sua raiz, impressões de uma alma que quer se religar (religare - religião em latim) com a transcendência de um Deus que governa a história, mesmo que ela pareça caótica.

A referida devota de Cristo, poderia ver as coisas como eu vi, os olhos daqueles jovens brilhando, quase que hipnotizados, algo que buscavam há anos estava ali diante deles, almas sedentas, sujeitos cansados de serem explorados pelo hedonismo que nada custa, salvo para aqueles que se vendem para adquiri-lo.

Deus está profundamente preocupado com esses jovens, preocupado principalmente porque os guetos religiosos falam uma linguagem hermética, um dialeto quase intocável para a maioria deles. Quando se toca essas almas com as palavras certas, com a palavra donde procede a fé, as máscaras caem e finalmente são despidos ante a esperança de que podem ser melhores, que nossas decisões têm conseqüências e que as coisas não são descartáveis como nos ensinam.

Ouvi perguntas, que raramente ouço de religiosos convencionais, ouvi angústias que raramente ouço de sacerdotes e caciques espirituais, ouvi a alma.

Sinceramente, raramente vi Deus de uma forma tão nítida como vi hoje. Realmente nosso templos religiosos precisam melhorar sua espiritualidade. Deus está na escola, só espero que também esteja em nossos templos.

The World is a Ghetto - P.O.D.

O amor ainda é a ética máxima, a cura para os cismas, a grande lição de concordar em discordar. Não me importa pensar diferente, a diferença é o que nos torna um. Unidade na diversidade é a expressão máxima da criatividade de D'us. Amar é o único mecanismo que torna isso possível. Amar ainda é uma música que não saiu de moda, cante e diga com mais freqüência... me perdoe! Simplesmente ame...

O amor é um toque tão profundo, que o mais violento, o mais rancoroso se fragiliza ante o poder de alguém que modestamente ama. O amor é o único golpe que realmente funciona, a punhalada que curada cicatrizes, que une inimigos.

O mundo é um gueto de pessoas como eu e você!

Nilson, valeu pelo clipe, então ouça e leia:

Gueto (Ghetto) - P.O.D.

Eu acredito que este mundo confia no amor (2x)

Realmente, nunca poderíamos concordar
Sobre qualquer coisa de nossas vidas
Entre mim e você. É bem diferente.

Nunca vemos as coisas da mesma forma
Nós devíamos concordar em discordar
Talvez, se nos unirmos em amor possamos resolver isso

coro:
Eu creio que você e eu superaremos
Eu creio que você e eu confiamos no Amor

Se você pensa que eu sou tão confuso assim
Ou se você sente o modo que eu faço
Então, não mais mostre este seu ódio interior

Vivendo neste mundo de dor
Não deixe isso te abater,
Mas: "O mundo é um gueto!"

coro:
Eu acredito que este mundo confia no amor
Eu creio que você e eu confiamos no Amor


20 de jun. de 2008 | By: @igorpensar

Pensamento Judaico-Cristão Ocidental

Por Igor Miguel

Não é de hoje que pensadores e filósofos percebem que a ética do ocidente tem profundas raízes na visão de mundo do judaísmo e do cristianismo seu desdobramento. Até diria mais, perdoem-me pela ousadia, o ocidente de alguma forma nasceu do conflito entre judaísmo e cristianismo.

De alguma forma, os conflitos internos, as respostas da inquirição que logo virou inquisição, o pensamento progressista de protestantes e judeus, ante à ética católica-medieval de apego à abstinência e ao ascetismo, a visão dualista de um mundo objetivo e outro subjetivo do escolasticismo, desse emaranhado de coisas, de linhas que se encontram e se desencontram, de reformas, contra-reformas, conversões forçadas e reavivamentos, nasce o ocidente.

Porém, os efeitos são diversos quando se pensa em hemisfério sul e norte. Lá, os fundamentos éticos tem raízes no puritanismo, no avivamento inglês, em um cristianismo que prima pelo comportamento e pelo "negócio*", combate a ociosidade, e evoca a criatividade dos "predestinados".

Aqui, importa-se o medievalismo, o dualismo, a desintegração da realidade, e o reducionismo eclesiológico, centrado na justificativa da pobreza como virtude, da ignorância como um dom, da sacramentalização da injustiça. Quando não, reduzem Deus a um ídolo, a um mordomo fiel, que presta serviços mágicos em nome de Mamon, no final das contas J. Knight autora da obra neo-pagã "O Segredo" tem razão quando sob posse de uma suposta entidade de Atlantida diz: "Nós somos Deus".

Me cansa essa estupidez, esse velho discurso do sr. Nimrode, a semântica da velha serpente. Derrubem os altares, saiam de Babilônia, já dizia Bob Marley parafraseando a Apocalipse de João, esta é a ordem do momento.

Doi pensar que essas são nossas raízes, dói pensar que nos foi legado a marginalização. Quem dera fossemos uma colônia holandesa, ao menos receberíamos a ética protestante, a iluminação judaica, o trabalho calvinista.

Ora, o que nos angustia é pensar que não herdamos o convívio entre judeus e gentios presente nos amigos do Norte, os representantes da eclesiologia oficial levantaram a parede de separação, e o equador sentiu os efeitos dessa aberração. Enquanto judeus e gentios andarem juntos, haverá espaço para evolução, para diálogo, para reconciliação. Um bom começo, para não dizer o fim - em sentido teleológico - seria retomar o legado dos judeus, a ética do Monte Sião, desalojar o ocidente do dualismo de plotino, afinal dizia Tertualiano: "o que tem haver Atenas com Jerusalém?", boa pergunta!

Mesmo, o crescente "avivamento" carismático católico e o neo-pentecostalimo evangélico, não dão conta da demanda ética, ou tendem a um moralismo anacrônico, ou ao liberalismo justificado pela "graça", tão profunda graça, manchada pelo antinomismo veementemente combatido por João Calvino.

Cansei de ser mal-caráter, cansei de viver uma fé desprovida de respostas objetivas, uma fé que não me liberta. A verdadeira fé tem raízes na expressão hebraica emuná que significa acima de tudo crer confiantemente e fielmente, firmeza doutrinária e ética, obediência irrestrita para aqueles que já desfrutam da condição de filhos de Deus por sola gratia.
_________________________
*No sentido de negar o ócio.
14 de jun. de 2008 | By: @igorpensar

Windos Vista X Ubuntu (Linux)

Tire suas próprias conclusões... he he he!

Para quem tem dúvidas, minha experiência de algumas semanas de Ubuntu, simplesmente, eu fico com raiva quando uso o Windows, como pode um sistema operacional roubar tanto recurso de processamento e memória, como pode um SO regredir, ao invés de evoluir. A solução? Um êxodo comunitário para o mundo livre, venha para o Ubuntu você também!



10 de jun. de 2008 | By: @igorpensar

Bibleworks 7.0 no UBUNTU (Linux) via WINE

*Este comentário foi postado em http://forum.ubuntu-br.org/
_____


Olá a todos!

Eu sou usuário iniciante do Ubuntu 8.40, e eu havia feito o uma tentativa de entrar no mundo Linux através do Kuruma e na ocasião foi muito legal e tal, mas depois alguns bugs complicados, algumas incompatibilidades de hardware, dificultaram minha permanência no mundo livre. Depois, retornei ao referido mundo, pelo viés Ubuntu, e fiquei impressionado com estabilidade e a resposta rápida do Ubuntu quanto mais em interface Gnome, que é enxuta sem menciona efeitos de cair o queixo.

Pois bem, tudo que preciso - basicamente - como replacement aos softwares windows, eu consegui. Exceto, um software for windows, que considero o mais poderoso aqueles que estudam teologia e trabalham com textos Bíblicos de forma acadêmica. Refiro-me ao Bibleworks 7.0 http://www.bibleworks.com, que apesar de sua versatilidade não roda aqui no Ubuntu a priori.

Vi que ninguém havia postado nada do gênero em língua portuguesa, e me parece ser a angústia de alguns usuários em língua inglesa, por isso achei por bem postar a solução simples, para se rodar o Bibleworks via WINE.

Como não há bibliotecas (dll's) dispersas nesse sistema, simplesmente copiei a pasta: BibleWorks 7 que está em Program Files para /home/igor/.wine/drive_c/Program Files e simplesmente executei o arquivo: bw700.exe contido nessa pasta, agora dentro do diretório WINE.

Simples assim, o Bibleworks 7.0 rodou bem, reconhecendo fontes gregas, hebraicas, os dicionários de hebraico e grego, bem como as gramáticas. Obviamente, era de se esperar algumas mudanças visuais e pequenos bugs, o que considero irrelevante ante a funcionalidade daquelas ferramentas essenciais do BW.

Lembro que o BW rodará da mesma forma como ele foi instalado no Windows, disponibilizando as mesmas versões da Bíblia e os módulos instalados. Aconselho, que caso queira alguma ferramenta adicional que o faça via windows e depois copie os arquivos, seguindo o procedimento acima.

Espero que ajude em alguma coisa.

Igor Miguel

Avô cria navegador de internet para neto autista

Fonte: www.g1.com.br

Programa bloqueia conteúdo impróprio e destaca material infantil. Ícones na tela são maiores que os tradicionais, facilitando navegação.

ohn LeSieur trabalha com software e achou curioso o fato de os computadores parecerem inúteis para seu neto de seis anos, Zackary. O garoto tem autismo e tudo o que era apresentado pelo PC o confundia a ponto de ele jogar o mouse, como sinal de frustração.

LeSieur tentou encontrar ferramentas na internet que pudessem guiar seu neto pela web, mas não conseguiu encontrar nada satisfatório. Foi então que ele decidiu criar um navegador, chamado Zac Browser For Autistic Children, em homenagem a Zackary. A ferramenta está disponível gratuitamente aqui.

O navegador simplifica a experiência de usar um computador. Ele bloqueia conteúdo violento, pornográfico ou inadequado para crianças, enquanto dá ênfase a games educacionais, vídeos, música e imagens de entretenimento (como um aquário), disponíveis em páginas de conteúdo gratuito. A idéia é reduzir o controle de crianças como Zackary, que se confundem quando encontram muitas escolhas.

O browser também desabilita itens “desnecessários” do teclado, como "Print Screen", e inutiliza o botão direito do mouse. Isso elimina comandos que as crianças geralmente não precisam e também reduz as chances de criar insegurança entre os autistas.

Os usuários do Zac Browser selecionam atividades usando ícones maiores que os tradicionais. O programa também é configurado para que não exiba anúncios ou outras imagens que possam distrair o usuário. “Tentamos evitar sites complicados ou agressivos, porque o importante na navegação é a auto-estima. Se a situação não estiver sob controle, esses internautas ficam facilmente frustrados”, diz LeSieur.

Geralmente o autismo afeta a habilidade de comunicação das pessoas e Zackary não fala muito. Mas sua mãe, Emmanuelle Villeneuve, disse que o filho navega sozinho usando o browser especial. Ele ouve música e monta quebra-cabeças -- atividades que ele já gostava no universo off-line, mas que não conseguia realizar on-line. Além disso, enquanto o garoto tem reações negativas contra a TV, ele não se manifesta da mesma maneira em relação ao computador.