15 de fev. de 2013 | By: @igorpensar

Rasguemos a Bíblia? Hã?

Prezados leitores,

Achei um texto no blog da Ana Clara Cabral, filha do Elienai Cabral Jr. brincando com fogo, ou melhor, com a Bíblia.  Refiro-me ao texto intitulado "Rasguemos a Bíblia!" da supracitada autora.

Pois é, pelo título, imagina-se as sandices escritas por causa de expressões cada vez mais "generosas" de cristianismo que encontramos por aí.  Sei que pessoas sofrem abusos, exclusões e julgamentos desproporcionais em nome de uma "fé" legalista e deseducada.  Mas, não é relativizando valores caros para a fé cristã que nos tornaremos mais tolerantes. 

Na verdade, o cristianismo é "intolerante" em algum sentido.  Não toleramos, por exemplo, o pecado.  Isso pode parecer meio hipócrita né?  Mas, não é não, pense direito!  Não toleramos o pecado que reside em nós, em primeira instância, e em nenhum outro ser-humano.  Não suportamos a antropologia de Jacques Rousseau que nascemos todos "bonzinhos", "legaizinhos" ou quase anjos.  Acreditamos na verdade de São Paulo, Agostinho, Lutero e Calvino, que somos todos pecadores, e somos por natureza filhos da ira, não obstante termos sido criados para sermos imagem de Deus. 

A questão é que a denúncia cristã a respeito do pecado não é um julgamento de fariseus hipócritas jogando pedras nos de fora, mas uma denúncia doméstica com fins universais.  Conhecer a Deus, envolve, concomitantemente conhecer a nós mesmo, já dizia o reformador genebrino.  Sendo assim, o que afirmamos é que a condição do gay não é diferente da nossa, eles não tem nenhum privilégio por serem "socialmente excluído".  Cristãos são contra a opressão e a injustiça, mas a opressão e a exclusão social de gays, lésbicas e transgêneros não os santifica, não os coloca de fora da denúncia cristã.  São pecadores, como nós cristãos.  A única exceção, neste caso, é que a "ficha caiu" pra nós, admitimos isto, e corremos pra cruz de Cristo por esta razão.  E convidamos a todos os homens a admitirem a mesma coisa: vocês não são bonzinhos!

Pois bem, fiz um comentário ao texto da Ana por lá, provavelmente será publicado, cito:

Ana Clara,

Li seu texto, teria muita coisa para escrever, dizer e me posicionar.  Mas, respeito seu direito de opinar publicamente, como espero, pelo bem da verdade que o cristianismo nos legou, que tenhamos um pouco de bom senso.  Acho muito cliché e sem bom gosto este lance de relativizar cristianismo para sermos "tolerantes" e “intelectualmente” relevantes.  O cristianismo sempre foi conhecido pelo amor ao pecador, e tinham como expressão máxima deste amor, a denúncia pública do pecado (Jesus não foi tolerante aos pecados de idolatria, corrupção moral, hipocrisia religiosa etc), e o anúncio da boa-nova que acolhe a todos.  Somos todos iguais, preste atenção nisso, somos todos iguais, mas iguais em nossa corrupção, em nossa insistência em sempre fazermos o que é errado.  Vivemos esta tensão de sermos “imagens de Deus”, porém, deformados pela trinca do pecado.  Somos inimigos de Deus, todos nós, gays, trans, héteros, homossexuais e nós cristãos.  A denúncia cristã não é que o homossexual é diferente de nós, exatamente o contrário, eles são exatamente como nós, dignos da mesma exortação que nos levou aos pés da cruz.  O convite cristão é para que se arrependam, como nós o fizemos ou fazemos.  Sinto muito, mas acho que seu texto está curvado diante das pressões culturais da pós-modernidade, você acha “cult” relativizar (rasgar) a Bíblia.  Acha fundamentalista a afirmação politicamente incorreta de uma Verdade.  Agora, sejamos minimamente honestos, e se a Bíblia estiver certa?  Sabe, o cristianismo não é uma religião de crédulos em qualquer besteira, mas céticos quanto a tudo que a cultura discursa.  Não acreditamos em tudo, acreditamos em Deus.  O mundo moderno acredita em tudo, menos em Deus.  Cristãos são céticos de mais, moderninhos são excessivamente crédulos.  E seu Deus nos fez como bonecos do barro? Qual é o problema?  Isto fere sua dignidade?  Desculpe, mas Rousseau estava errado, e Agostinho acertou, somos e nascemos pecadores, todos, indistintamente.  Poema ou história, somos, de fato, algo muito próximo do barro.

É isso aí...

Igor Miguel
4 de fev. de 2013 | By: @igorpensar

Les Misérables

Por Igor Miguel

Previsível.  Após grandes tragédias a questão do problema do mal é mais uma vez reerguida e  respondida.  Cristãos dos mais diversos seguimentos, espíritas, testemunhas de jeová, judeus e muçulmanos, emitem sua opinião sobre a questão.   Porém, não é esta minha previsível previsão.  Ela se dirige à seguinte equação:

desastres => explicações espiritualizantes => reação anti-religiosa

Pois é, houve uma enxurrada de evangélicos neo-pentecostais dando explicações de causa e efeito sobre o que aconteceu no fatídico evento em Santa Maria - RS.   Os comentários vão desde "julgamento divino", e como sempre, pseudo-relatos de que "satanás armou um laço de morte" e "mimimi".  Nada diferente de quando ocorreu o grande terremoto no Haiti:  um punhado de crente deseducado, dentre eles os "apóstolos" (e não-crentes também), afirmando ter sido o evento um tipo de julgamento por causa da prática de vudu entre haitianos.  Escrevi sobre isto na ocasião.

Diante da espiritualização de alguns, prevendo a reação não menos infantil de anti-religiosos que adoram este tipo de comentário, lancei a seguinte frase no Twitter para os crentes:


Claro que minha frase foi postada na esperança de ver alguns crentes despertarem de seu limbo espiritualizante, e assim, tomarem os devidos cuidados com a "falação".  Pensei: quem sabe alguns acabam se lembrando que a Bíblia fala de um Deus que é soberano sobre a vida e a morte.  E assim, esperava, largassem esse maniqueísmo de dois poderes equivalentes: Deus e o Diabo.  Pura ingenuidade minha.

Um mega-parênteses para ilustrar a concepção de alguns dos arautos destas sandices:

Após a matéria da Forbes sobre os "pastores/bispos/apóstolos" multimilionários, fiz questão de enviar um Twitter para alguns dos mencionados na matéria:


Não esperava nenhuma resposta, obviamente, mas não é que o Hernandes me respondeu?  Previsivelmente, a resposta dele foi bem dentro do esquema maniqueísta que me referi acima:



Cito este caso apenas para demonstrar como este pessoal faz: se fascinam pelo poder e o dinheiro, esquecem de erguer a cruz de Cristo, e depois me veem com estas chorumelas.   E ainda piram quando a mídia não-cristã abre a tumba e mostra como são "sepulcros caiados".  Claro que aí vale novamente o uso do inferno e do Diabo como dispositivos retóricos.  Ouvi que o Diabo é o Diabo de Deus, dizem ser esta frase de Lutero, pois é, mas para alguns, as coisas parecem uma grande partida de futebol, onde há onze jogadores de cada lado.  O que mostra mais uma vez a deseducação que acomete alguns dos que se identificam como cristãos evangélicos, e como alguns "pastores", como o autor da pérola aí cima, se valem da ignorância para se legitimarem.

Bem, agora que já tratei dos problemas domésticos.  Vou tratar um pouco dos problemas públicos.  Voltemos agora ao final da equação.

Pois é, a reação anti-religiosa foi imediata, também pudera, muitas abobrinhas circularam pela rede.    Foi publicada uma matéria de Cora Ronái no site O Globo no dia 31/01 com o título "Os Miseráveis", onde presumia este mero leitor, encontrar as impressões da autora sobre a atual produção para o cinema do clássico Les Misérables de Victor Hugo.  Entretanto, o que encontrei, foi um comentário deslocado quanto a proposta do artigo logo na introdução, quase em tom de desabafo.  Transcrevo:

Não aguento mais a estupidez e a ignorância dos fundamentalistas religiosos — de qualquer credo. Sou de um tempo em que religião era questão de foro íntimo: quem tinha tinha, mas não ficava exibindo em público, como medalha por bom comportamento. Não suporto mais ler caixas de comentários que, por qualquer motivo, viram latrinas imundas, cheias de brados louvaminheiros e palavras de acusação, transbordando um orgulho podre. Sim, porque é disso, afinal, que se trata: todos os que brandem a religião como se fosse a bandeira de um time se julgam superiores aos demais. Tenho horror dos que, em nome do “amor” entre aspas, semeiam o ódio mais visceral; me repugnam os que falam em nome de Deus — qualquer que seja ele — como se fossem seus legítimos porta-vozes. As notícias na internet sobre a tragédia de Santa Maria estão cheias de comentários absurdos, que condenam os jovens por se divertirem e lhes negam o Reino dos Céus. Que pessoas horrendas são essas que têm coragem de culpar as vítimas?! Que talibãs cristãos, que escória, que sarandalha desprezível.
_________
Pronto. Agora que desabafei, podemos ir em frente.

Sem comentar a indelicadeza com o leitor que espera ler uma coisa e encontra outra, tive que ler o texto em questão, pois o tema "religião" é de minha alçada.  Me senti um pouco incomodado com o tom generalizante e impreciso, mas há várias vozes reproduzidas aí, então vamos "brincar" com um pouco de apologética?

Primeiro, mandei o seguinte Twitter para ela:

Obtive a seguinte resposta:


Depois tentei um tréplica, e não obtive resposta (previsível também).  Mas, vamos lá.

Primeiro, acho que concordamos sobre a absurdidade desta turma que se aproveitou do evento de Santa Maria para expor sua concepção distorcida de cristianismo.  Concordo.  Mas, a moça deu algumas pisadas de bola que precisam ser tratadas.

Ela insinua que religião é de "foro íntimo", mas contraditoriamente, emite publicamente sua opinião sobre religião.  Uma prova que religião afeta publicamente a todos, mesmo os anti-religiosos (que não sei ser o caso da jornalista).

Religião NÃO é uma questão de foro íntimo, e a tentativa iluminista de segregar a vida religiosa à esfera privada fracassou, basta olhar para ver como a religião, política, psicologia, economia e por aí vai se intrincam.  Por esta razão, a religião é objeto de pesquisas acadêmicas, inclusive digna de uma "ciência da religião" para seu estudo.  Então, acho que a moça ficou emocionalmente afetada pela "opinião pública", e "publicamente" disse que religião não pode ser "pública".   Estranho não?

A resposta dela foi evasiva e não corresponde ao conteúdo do texto de O Globo onde critica diretamente as manifestações públicas idiotas, das quais também discordo, a respeito do evento em Santa Maria.  Penso que religião, cultura, futebol, política e questões de gênero, devem estar na arena pública, na ágora, nas praças, na web, e não devem ser privadas da crítica, nem pelos recursos legais, nem por nenhum discurso secularizante.

Talibãs cristãos... hum.  Veja bem, o uso do termo "talibã" aí refere-se a ideia geral de "fundamentalista", acho que fundamentalismo é um problema, apesar do uso indiscriminado do termo.  Entretanto, associar "fundamentalismo" com expressão pública de religiosidade é impreciso, se não foi esta a intenção, acabou ficando assim.

Todos os seres humanos operam a partir de tradições e visões de mundo diferentes.  E, obviamente, não dá para ser relativo, dá para ser dialógico, mas não relativista.  A agenda progressista não está disposta a abrir mão de sua agenda, mesmo amparada pelo mito do progresso, luta de classe e outros.  Ninguém acorda de manhã sem uma crença mínima sobre o sentido da vida, uma meta de realização, e se forem alienados, pode ter certeza, alguém com crenças bem firmes está pensando nisto e vendendo.  Nem que seja em forma de carro ou uma viagem para Punta Cana.

Finalmente, quero deixar claro que a falação "neopentecostalogospel" é pobre, espiritualizante, proselitista, anti-bíblica e alguns adjetivos a mais.  Mas não menos pobre e sentimentalista do que o "prefácio desconexo" dos miseráveis.  Não é só a neutralidade científica que é um mito, a neutralidade religiosa também.
28 de jan. de 2013 | By: @igorpensar

Honra ou Abuso?

As palavras abaixo são uma denúncia a respeito dos inúmeros abusos procedentes de falsos líderes religiosos, megalomaníacos, que transformaram seus ministérios em empreendimento pessoal (familiar?) e narcísico.  Refiro-me aos líderes, que muitos de nós crentes há alguns anos, infelizmente, algum dia conhecemos.  Homens que perderam o senso daquilo que os chamou um dia, e foram seduzidos pelo poder, abuso e a inescrupulosidade.   Eu me envergonho de todos vocês, me envergonho profundamente.

As palavras abaixo são do Rev. Hernandes Dias Lopes da Igreja Presbiteriana do Brasil, e as publico por sua relevância:
"A Bíblia ensina: "A quem honra, honra", mas condena o culto à personalidade. Muitos líderes buscam glória para si mesmos. Querem ser tratados como uma classe diferenciada, esquecendo-se de que o líder deve ser servo de todos. Muitos líderes chamam a si mesmos "ungidos de Deus", apenas para viverem na sua torre de marfim, afirmando com isso, que ninguém pode tocar nos "ungidos". Blindam-se a si mesmos para permaneceram na zona confortável dos privilégios. O culto à personalidade é pregar a si mesmo, enaltecer seu próprio nome, em vez de pregar a Cristo e exaltar o único que é digno de receber a honra, a glória e o louvor. Paulo combateu essa tendência do culto à personalidade em 1Coríntios 1-4. Ele disse que nem o que planta nem o que rega é coisa nenhuma, mas Deus que dá o crescimento. Importa que homens nos considerem como ministros de Cristo (servos) e que cada um seja encontrado fiel!"
26 de jan. de 2013 | By: @igorpensar

Pai Nosso & Nossa Cultura

Por Igor Miguel



"Pai nosso que estás nos céus", de Pai é chamado, pois provê nossa casa com belas músicas, livros e  flores.

"Santificado seja o nome dele", jamais banalizado, mas enaltecido por todas as dádivas da beleza.

"Que o Reino dele venha", e erradique a feiura e a deformidade, e assim crie jardins de beleza, re-encantando o mundo.

Que nada nasça do pretensamente autônomo, mas da pura graça, sim, que "seja feita a sua vontade", e de novo se diga, como o artista com paleta e pincel diante de seu óleo sobre tela: e "viu que tudo era muito bom".

Que da arte culinária, a combinação entre temperos, ervas e uma pitada de sal, graciosamente se diga: o "pão nosso de cada dia nos dai hoje".

Aos que insistem em enfeiar o mundo, manchá-lo com a revolta e o vazio niilista, aos que nos devem a beleza, nós perdoamos. E, que sejamos perdoados quando nos ligamos ao que é caótico, sim, "perdoe as nossas dívidas, assim como perdoamos os nossos devedores".

Enfim, por favor, "não nos deixe cair na tentação" de achar que não há mais beleza, esperança e graça, livrá-nos do cinismo, sim, "livra-nos do mal".

Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém.
19 de jan. de 2013 | By: @igorpensar

Tesouros em Vasos

Por Igor Miguel


Eu me envergonho de algumas escolhas e não responsabilizo ninguém por causa delas.  Mesmo sendo um crente em um Deus soberano insisto no paradoxo calvinista: sou totalmente responsável.   Sim, sou totalmente responsável por minhas escolhas equivocadas, na verdade meus vínculos com Adão me fazem um com ele em sua escolha primeira.  Péssima escolha, minha escolha.  Vivo re-dramatizando o Éden, e isto me cansa.

Sou um desobediente compulsivo, se Deus me entregar às minhas vontades, vergonhosamente fracassarei.  Não me orgulho disso, me envergonho profundamente.  Gostaria muito de não decepcionar a Deus e as pessoas que estão perto de mim.  Tudo isto acaba se tornando em auto-decepção.  É frustrante ver a possibilidade de fazer a coisa certa, como uma coisa que está ali, e não conseguir fazê-la plenamente: "quem me livrará do corpo desta morte?" (Rm 7).

Quando consigo fazer alguma coisa certa, sou surpreendido pelo bem feito, só posso dizer graça, pois sem ela, não o faria.  Isto quando não "morro na praia" pelo orgulho de ficar naquela "piração" de achar que meus feitos são fruto de alguma "capacidade inata" ou um esforço pessoal.  Tá vendo a miséria?   

Mas, quando faço o que deveria ser feito, ocorre-me uma grande surpresa, assim de repente, como que um espanto diante do milagre.
"Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós."  (II Co 4:7).
Verdade que se faço o certo, Cristo fez em mim, como um vaso de barro com um tesouro precioso.  O vaso, por si, nada é, mas por causa do tesouro, adquire dignidade.  Não por causa de si, mas pelo tesouro.  Se o tesouro se for, o vaso volta a ser simples vaso.  Desprezível novamente.  Mas, quando volta o tesouro, lá está o vaso, como um vaso ainda, mas um vaso com um tesouro.  De quem é a glória?  Do tesouro, claro, mas de um tesouro que graciosamente reside em um frágil receptáculo de barro.

Talvez a esta altura, alguém se mexa na cadeira e alegue que minha percepção sobre a humanidade seja obtusa e negativa de mais, e que nós seres-humanos temos uma dignidade.  Sim, tenho que concordar que fomos criados para uma dignidade magnífica: ser imagem de Deus.  De fato, há alguma coisa em nós que aponta para este propósito original.  Entretanto, estamos por demais enferrujados para que se perceba algum brilho de quando saímos das mãos do ourives.  É como uma quadro manchado ou uma imagem de TV cheias de interferências, há ali alguma coisa que faz sentido, algum movimento.  Dá até ansiedade.  Quando olhamos pra nós, não é como em um espelho, é como em um desenho gestáltico, procuramos formas no disforme.  Somos seres incansáveis em busca de sentido.

Mas, algum sentido pode ser encontrado.  Mesmo que nos apelidemos de gente, não há gente como Cristo.  Nele reside toda gentileza, toda condição humana.  Humanizar-se é colocar-se em Cristo, é se unir com Ele.  Como é isso?  Dá-se pela fé, em dar crédito aos feitos dele, olhar para Ele mediante a providência e reconhecer existencialmente que sem Ele não se é gente.  Apenas uma vaso de barro, mero barro.  Com Ele a humanidade brilha, a dignidade é retomada.  Sempre em Cristo, nunca fora de Cristo.   Ele é a imagem de Deus, o resplendor de sua glória, como foi dito:

"O mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos;  aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória." (Colossenses 1:26-27)

Finalmente, nossa identidade reside em Cristo, sem Cristo nada se é, apenas deformidade.  Em Cristo emerge uma biografia, história e plena existência.  Cristo é a luz que brilha e projeta o que verdadeiramente somos nele.  Tudo para a glória do Deus que se revelou em sua face.  De fato, somos transformados de glória em glória à imagem de Seu Filho.  Uma dia a obra que já consumada plenamente se revelará, o que se chama glorificação dos santos, naquele dia tudo será pleno, plena liberdade.  Mas, enquanto isto, andemos movidos pela esperança de nossa plena união com Cristo.

Soli Deo Gloria.
11 de dez. de 2012 | By: @igorpensar

OMCV: capacitação & inclusão


Há muito tempo que gostaria de dedicar um post neste blog para falar sobre a ONG que trabalho, já caminhando para o terceiro ano.  Me refiro a Organização Multidisciplinar de Capacitação e Voluntariado (OMCV).  A OMCV nasceu por iniciativa e idealização da teóloga Gracie Pires, que além de longa experiência na área administrativa, teve a grande ideia de organizar uma ONG que trabalhasse com crianças e adolescentes em situação de risco, porém valendo-se de uma abordagem integral e multidisciplinar, integrando vários profissionais para este fim.  

A ideia é relativamente simples: crianças e adolescentes devem ser tratados como seres integrais, logo, tudo que os priva de tal integralidade é excludente e desumanizador.  A OMCV reconhece que educar é, em algum sentido, buscar uma formação humana integral em que os alunos devem ser tratados sob múltiplos olhares.  Assim, ao educar crianças e adolescentes deve-se considerar as dimensões: emocional, cognitiva, física, cultural, social e espiritual.  Que são aspectos integrantes da complexa condição humana.

Basicamente, o que a OMCV faz é oferecer uma série de programas que apreciem cada uma destas dimensões. Cada programa é composto por profissionais-especialistas (pedagogos, psicólogos, arte-educadores, teólogos-capelães, educadores físicos, professores de informática e assistentes sociais) que se engajam na promoção e o desenvolvimento destas áreas em seus alunos.  Obviamente, a articulação destes profissionais acontece a partir de uma abordagem multidisciplinar, o que significa boa comunicação entre os programas, de modo que os alunos recebam sempre um tratamento integral em suas diversas dificuldades.


Pessoalmente, sou responsável pelos Programa Aprender a Aprender, que lida com a educação da dimensão cognitiva dos alunos; e também, pelas Oficinas de Qualificação Pedagógica, cujo foco é a qualificação e treinamento pedagógico de sócio-educadores.  Além disso, assumi recentemente a coordenação pedagógica da OMCV.


Minha vida nestes dois anos tem sido circular por diversas comunidades da periferia da grande Belo Horizonte, trabalhando nos diversos projetos sociais que estão conveniados a OMCV.  Em específico, atuo nos seguintes projetos:
  • Projeto Compaixão no aglomerado da Serra em BH;
  • Projeto Alethéia no Bairro Tropical em Contagem;
  • Centro Cristão Evangélico de Educação que atende a Vila São José em BH;
  • Projeto Reconstruir que fica na Vila Antena em BH.



No Aprender a Aprender tenho aplicado nestes dois anos o Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI) que foi desenvolvido pelo educador israelense Reuven Feuerstein, cujo objetivo é potencializar a capacidade de aprendizagem.  Temos obtidos resultados incríveis!  Crianças que antes eram apáticas, impulsivas, desmotivadas e apresentavam dificuldades visíveis de aprendizagem, hoje estão motivadas, mais criativas, autônomas, e o mais legal, professores e pais relatam melhoras visíveis na vida escolar.


Lembro que muitas destas crianças vivem em comunidades socialmente vulneráveis por causa da proximidade com a violência, o tráfico de drogas e alta evasão escolar.  O impacto dos programas oferecidos pela OMCV nestes dois anos, mostra o potencial transformador desta iniciativa pelos anos que virão.  Realmente é muito encorajador fazer parte de uma equipe tão engajada.



Prezado leitor, te encorajo a dar uma passada no site da OMCV e conhecer mais sobre a atuação desta organização séria em BH e na Grande BH, na promoção da inclusão e transformação integral destas crianças e adolescentes, que hoje, têm ampliada as chances de saírem desta "zona de vulnerabilidade e risco".  Visite www.omcv.org.br, também nos siga nas redes sociais e sinta-se à vontade em contribuir com esta iniciativa.
3 de dez. de 2012 | By: @igorpensar

Confissão Belga e Trindade

Gosto de relembrar que nossa fé protestante, principalmente aquela de tradição reformada, vem produzindo alinhamentos doutrinários importantes ao longo da história.  Entendo que a confessionalidade, ou seja, comunidades cristãs que se alinham com confissões protestantes clássicas, tem sido um grande recurso para tratar as ameaças da pós-modernidade e a terrível mania que temos de "inventar" ou "reinventar" a fé cristã.  Acho muito interessante como a Confissão Belga, elaborada em 1567, e adotada principalmente pela Igreja Reformada Holandesa, afirma e explica a Trindade.  Achei por bem compartilhar o trecho em questão.  Para acessar a versão completa clique aqui.

ARTIGO 8
A TRINDADE: UM SÓ DEUS, TRÊS PESSOAS
(grifo nosso)

Conforme esta verdade e esta palavra de Deus, cremos em um só Deus [1], que é um único ser, em que há três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo [2]. Estas são, realmente e desde a eternidade, distintas conforme os atributos próprios de cada Pessoa.

O Pai é a causa, a origem e o princípio de todas as coisas visíveis e invisíveis [3]. O Filho é o Verbo, a sabedoria e a imagem do Pai [4]. O Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, é a eterna força e o poder [5].

Esta distinção não significa que Deus está dividido em três. Pois a Sagrada Escritura nos ensina que cada um destes três, o Pai e o Filho e o Espírito Santo, tem sua própria existência, distinta por seus atributos, de tal maneira, porém, que estas três pessoas são um só Deus. É claro, então, que o Pai não é o Filho e que o Filho não é o Pai; que, também, o Espírito Santo não é o Pai ou o Filho.

Entretanto, estas Pessoas, assim distintas, não são divididas nem confundidas entre si. Porque somente o Filho se tornou homem, não o Pai ou o Espírito Santo. O Pai jamais existiu sem seu Filho [6] e sem seu Espírito Santo, pois todos os três têm igual eternidade, no mesmo ser. Não há primeiro nem último, pois todos os três são um só em verdade, em poder, em bondade e em misericórdia.

1 1Co 8:4-6. 2 Mc 3:16,17; Mt 28:19. 3 Ef 3:14,15. 4 Pv 8:22-31; Jo 1:14; Jo 5:17-26; 1Co 1:24; Cl 1:15-20; Hb 1:3; Ap 19:13. 5 Jo 15:26. 6 Mq 5:1; Jo 1:1,2.
30 de nov. de 2012 | By: @igorpensar
16 de nov. de 2012 | By: @igorpensar

Matéria Revista Veracidade: quem é Deus?

A "Revista Veracidade", uma revista gaúcha, publicou um artigo baseado em uma entrevista que demos a revista e a preciosa contribuição do teólogo e pastor Guilherme de Carvalho, onde trata a pergunta: "Quem é Deus?".  Segue abaixo um trecho da entrevista, vale a pena lê-la na íntegra aqui.   No artigo há menção de minha experiência de 10 anos no restauracionismo neo-judaizante, e os motivos que me fizeram abandonar tal movimento.



Para o pedagogo, teólogo e mestrando em língua hebraica, literatura e cultura judaicas pela Universidade de São Paulo (USP), Igor Miguel, que também é autor do site www.teologo.org, o problema está ligado a uma crise de identidade generalizada da Igreja Evangélica, em toda a América Latina. “Após o impacto negativo do neo-pentecostalismo, a comunidade evangélica passou a pautar muito de sua fé em um tipo de ‘sentimentalismo’, ou seja, uma busca por ‘experiências emocionais’ com pouca memória e pouca solidez em educação bíblica e histórica”. E acrescenta: “Poucos cristãos conhecem o longo patrimônio doutrinário e espiritual acumulado pelo Cristianismo. Pensam que Deus só agiu na era dos apóstolos, ou em casos mais generosos, após a Reforma Protestante, no século 16. Esquecem-se que Deus nunca perdeu o sentido da história e que o Cristianismo, entre a era apostólica e a Reforma, também é nosso Cristianismo”.

Igor fala com propriedade, pois ele mesmo, tendo dado os primeiros passos da vida cristã numa igreja pentecostal, viu-se envolvido e fascinado pela proposta de um grupo neo-judaizante, que se afirma empossado da “restauração das raízes judaicas da fé cristã” no Brasil, onde permaneceu ativamente por dez anos, motivado por um desejo restauracionista de viver o que a Igreja primitiva vivia. “Ao longo deste período, escrevi vários artigos questionando muitos dos ensinamentos clássicos da fé protestante e cristã, como a Trindade, por exemplo”. Ele afirma que o ponto mais problemático destes movimentos é a falta de centralidade de Cristo e do evangelho: “A maioria destas pessoas insiste em procurar algum tipo de ensinamento ‘novo’ ou ‘redescoberto’ que resolva os dilemas críticos com que a fé cristã se depara. Aproveitam-se da fragilidade da Igreja de Cristo, para disseminarem seus ensinos e esquecem que foi exatamente o abandono de uma fé cristocêntrica que sempre comprometeu o que é cristianismo de verdade”.

O retorno de Igor Miguel a essa centralidade de Cristo e da fé cristã autêntica deu-se por meio de estudo de textos apologéticos (de defesa da fé) e de renomados teólogos cristãos, e, acima de tudo por passar a conhecer a vida e os escritos de homens de Deus que, ao longo da história da Igreja, foram fieis ao Senhor e à Palavra, criticando rumos errados e ensinando a Igreja em suas épocas, sem nunca pretender abandoná-la. Ele cita “Tertuliano, Atanásio, Irineu de Lion, Agostinho de Hipona, João Calvino, Martinho Lutero, Abraham Kuyper, Francis Schaeffer, C.S. Lewis, Herman Bavink, John Stott, Louis Berkhoff, que me levaram a um cristianismo robusto, cristocêntrico e criativo”, explica. Hoje, após essa (re)descoberta do verdadeiro cristianismo e de redigir uma declaração pública de arrependimento pelo que creu e pregou naqueles dez anos (que pode ser encontrada no seu site), tornou-se um defensor do Cristianismo e das doutrinas bíblicas, dando ênfase em manter-se uma fé conectada à história da Igreja e à tradição cristã.

Para ler o texto completo, clique aqui. 
8 de nov. de 2012 | By: @igorpensar

Sou um Fracasso

Prezados leitores,

Todos nós temos trajetórias espirituais diferentes.  Deus providencia rumos específicos para cada um de nós de modo que sejamos moldados a seus planos e desígnios.  Sei que somos doutrinados e bombardeados com uma ideologia mundana e perversa, que tenta nos seduzir a medirmos nossa vocação e ministério, a partir dos critérios que o mundo da competição e da auto-celebração nos impõe.

Não tenho dúvida, que muitos de nós que somos chamados para algum ministério, fomos acometidos em algum momento de nossas vidas pela tentação de nos tornar "grandes" pregadores, ou trabalhar em "grandes" ministérios, alcançar "multidões" e termos nosso nome, de algum modo, respeitado perante os homens.    Esta tentação tem sua origem no pecado e naquele que se rebelou contra Deus.  E por mais que nos é imposta esta sedução da popularidade, devemos nos dispor a Deus, de modo que cumpramos sua vontade, o que na maioria esmagadora das vezes envolve um serviço anônimo, modesto e despretensioso.  A propósito, muitos ministérios ditos de "sucesso" são na verdade internamente fracassados, tomados pelas pretensões de um coração corrompido pelo poder e o fascínio por si mesmo.

Se somos cristãos de verdade, e especificamente, se fomos chamados a algum serviço ou ministério para a glória de Deus em Jesus Cristo, devemos tomar escolhas sérias e sóbrias a respeito do que isto significa.  Vejo que falta muita coragem, falta honradez e ombridade, para que determinadas escolhas sejam tomadas.  Sei que as pessoas entregues a determinados ministérios se vêem escravizadas pelo fascínio dos aplausos ou um "bom" salário, ou ainda, tentadas a apresentarem o tempo inteiro uma imagem de "ministros de sucesso".  Mas, reafirmo, este é um grande engano e um ídolo.

Agora, se você quer viver Cristo e entregar-se em serviço a Ele.  Não meça esforços e não se preocupe com que vão pensar de você, apenas lance-se em uma trajetória feliz e honrosa, perante Deus.  Claro, honra e alegria, que sem dúvida, não significam necessariamente os aplausos dos homens ou a celebração dos poderosos, as vezes, significa o anonimato, a discrição e mudanças radicais em sua vida.  As vezes, significa a dureza de viver com um orçamento no limite, contado com milagres todos os dias, viver sob o risco, que todos os grandes "fracassados" profetas da Bíblia também experimentaram.  Mas, tenha certeza, que a graça e a fé não te faltarão.

Fui profundamente afetado pelo documentário abaixo, ele sintetiza as mais profundas intensões do meu coração e do coração de vários amigos e irmãos que convivo.  Tenho certeza, prezado leitor, que você pode ser mais um a se colocar de pé e descobrir que seu ministério, pode ser um ministério "fracassado", como o meu.  E finalmente, abrir mão deste fardo mundano, que colocaram sobres seus ombros, a ilusão de que o caminho de Cristo é o caminho da "popularidade" e do "poder".  Não!  O caminho de Cristo é um caminho de dor, sofrimento, adversidade e renúncia.  Entretanto, uma vida sob a plena e renovada fé que Jesus Cristo já venceu o mundo.

Por favor, assista este vídeo até o fim, sem interrupções, e se deixe ministrar pelos testemunhos e comentários aí presentes.

Eu agradeço a Deus por este documentário, disponibilizado pelo site Voltemos ao Evangelho e ao irmão Yago Martins, este jovem, que nos identificamos, por sua paixão e amor pelo Evangelho puro e simples.  Junte-se a este exército de homens quebrados, fracassados e vulneráveis, que carecem da graça generosa que nos foi disposta em Cristo Jesus.


5 de nov. de 2012 | By: @igorpensar

Escola Especial de Missões Urbanas

Eu, Cida Mattar e Ariovaldo Ramos estaremos ensinando na Escola Especial de Missões Urbanas e falaremos sobre o tema:  "Educação Cristã para o Desenvolvimento Social", que este ano acontecerá na 8ª Igreja Presbiteriana em Belo Horizonte - MG durante os dias 5 a 29 de novembro.