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20 de fev. de 2015 | By: @igorpensar

Graça não é de graça... como é?

No século XVI, o reformador Martinho Lutero se levantou contra um ensino corrente que havia em sua época que promovia a noção que: uma vez que uma pessoa era iniciada na salvação pela graça de Cristo, a manutenção desta salvação dependia de uma cooperação humana com a graça de Deus para  se obter êxito final.  Ninguém podia alegar certeza de salvação no tempo presente, pois tal coisa só poderia ser informada na ressurreição.

O Evangelho é claríssimo: a salvação é toda pela graça, do início ao fim.  A obediência humana também é fruto desta dádiva.  Um cristão quando vence o pecado, o faz por causa da obra justificadora, mas também santificadora de Deus em Cristo.  Ninguém, nenhum cristão, pode ser santo sem que Deus opere por sua graça o "querer e o realizar" (Fp 2:13).

Porém, observe o que está aí abaixo neste trecho de uma pregação do "rabino" Marcelo Miranda Guimarães do Ensinando de Sião.  Lugar que frequentei durante 10 anos e que tem atraído muitos evangélicos deseducados nos fundamentos da fé cristã.  Observe que ele alega em vários momentos que a "graça não é de graça", caindo em uma fatal ambiguidade lógica.  Negando inclusive, o sentido do termo "graça".   Ele alega várias vezes que o cristão tem que pagar um preço para ser salvo. Ele tem que fazer sua contribuição a tal obra.  Observe como ele combina obras humanas com a obra da cruz, dizendo inclusive, que esta é a parcela do cristão, separado da obra de Cristo, na salvação.  

Caros leitores, pensem por vocês mesmos: se eu tenho que cooperar com algo que a cruz já realizou, isto significa que Cristo não salva totalmente, mas que eu preciso contribuir com esta obra.  Isto, obviamente, coloca a cruz menor do que é, e assim ela se torna uma obra incompleta, carecendo de uma contribuição humana.  Honestamente, isto não é Evangelho, mas um falso evangelho.  Considere as seguintes afirmações no vídeo e compare-as com os textos de Paulo logo a seguir:




Réplica Bíblica:

"Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça. E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça." (Rm 11:5-6)

"Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus." (Rm 3:23-24).

"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus não de obras, para que ninguém se glorie. (Ef 2:8-9).

"Nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado." (Ef 1:5-6).

"Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça. E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras: Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado." (Rm 4:4-8)

"Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo." (I Cl 15:10).

"Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus." (Rm 5:1-2).

"Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus,  que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos." (II Tm 1:8-9).

"Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça. Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo." (Jo 1:16-17).
19 de nov. de 2014 | By: @igorpensar

Alerta Doutrinário!

Por que não é adequado para um cristão apoiar ou participar de cursos, conferências ou eventos promovidos pelo Ministério Ensinando de Sião?

1) O Ministério Ensinando de Sião não tem por missão e prioridade a afirmação cristã da centralidade e suficiência do Evangelho de Jesus Cristo para salvar, redimir, justificar, santificar e ressuscitar o ser humano, seu objetivo (como se encontra em seu site) é: "contribuir para difundir entre os cristãos a visão de sua reconexão com o povo judeu e com a nação de Israel, bem como a restauração das raízes bíblicas e judaicas da sua fé e seu papel espiritual em relação à redenção de Israel";

2) O Ministério Ensinando de Sião não sustenta e defende explicitamente o ensino cristão de que a natureza de Deus é trinitária, ou seja, a organização não reconhece e afirma a plena e total unidade de Deus que se revela absolutamente divino em três pessoas distintas Pai, Filho e Espírito Santo;

3)  O Ministério Ensinando de Sião acredita que se o cristão não fizer obras em cooperação com a graça salvadora e santificadora, ele cairá da fé perdendo a salvação. Ignorando o ensino cristão e paulino que em nada podemos cooperar com a salvação ou santificação, mas que nossas obras de amor são resultado da graça que obtemos exclusivamente pela fé em Jesus Cristo;

4) O Ministério Ensinando de Sião pratica idolatria cultural ao exaltar e super enfatizar a cultura judaica e os judeus, criando uma tensão já resolvida pelo ensino apostólico de que todos, judeus e gentios, devem encontrar satisfação identitária na unidade pela fé em Jesus Cristo, sendo Ele a fonte de todo sentido existencial e identidade;

5) O Ministério Ensinando de Sião não enfatiza e não promove missões e evangelismo local, e a pregação do Evangelho a partir de Cristo e de sua obra justificadora.  A maioria esmagadora de seus membros é formada por pessoas oriundas e que migraram de várias denominações evangélicas locais;

6) O Ministério Ensinando de Sião despreza e promove uma cultura de desdenho teológico à tradição cristã evangélica, a muitos dos ensinamentos cristãos historicamente acumulados, criando uma atmosfera indireta de "superioridade teológica" de suas doutrinas;

7) O Ministério Ensinando de Sião promove a "tese marrana" em que a partir de sobrenomes adotados por judeus que vieram ao Brasil em fuga da inquisição durante a colonização é possível "restaurar" ou "resgatar" uma identidade judaica.  Muitos evangélicos sentem-se atraídos e seduzidos pelo discurso de terem alguma ancestralidade com o povo bíblico, e assim, alguns até já submeteram à circuncisão com o aval dos líderes desta comunidade (tenho provas testemunhais disso, se quiserem me processar, levem isto em consideração), como um sinal de retorno à fé judaica.

Por estas e outras razões peço aos pastores que circulem e ensinem seus membros sobre os perigos doutrinários deste movimento, alertando-os para que não participem de nenhum curso, conferência ou evento promovido por esta instituição. Fui líder do Ensinando de Sião durante 10 anos e posso alertá-los sobre os perigos doutrinários propagados por aquela instituição.

Caso tenham alguma dúvida, não hesitem em entrar em contato conosco.

Atenciosamente,
Igor Miguel
30 de out. de 2014 | By: @igorpensar

Vergonha Alheia

Conselhos teológicos para o sr. Matheus Z. Guimarães do Ensinando de Sião:

1) Faça um curso de teologia por favor, eu fico muito envergonhado quando me mandam seus textos teológicos, você precisa urgentemente fazer um curso de teologia decente.  Seu desconhecimento de história da Igreja não combina com sua postura em lidar com temas teológicos;

2) Você nunca ou pouco deve saber qual a diferença que existe entre pelagianismo, neo-pelagianismo e semi-pelagianismo.  Não deve saber que o antinomismo (vai ver na Wikipedia) foi ardentemente combatido pela reforma protestante, exigindo longas refutações por parte de Calvino e Lutero;

3) Você demonstra completa e irrestrita ignorância a respeito da tradição teológica do cristianismo. E fica neste "mimimi" de primeiro século querendo engabelar gente tão deseducada teologicamente quanto você;

4) Seja esperto, pare de ficar escrevendo asneiras teológicas sobre reformadores e pais da igreja, pois me mandam e-mails me perguntando o que acho.  E, inevitavelmente, responderei, e isso só piora a reputação de vossa já herética instituição religiosa;

5) E, se você ficar ofendido com o que escrevi aqui, usando falácias e argumentum ad hominem (não sabe o que é isso? Vai pra Wikipedia), isto só mostra, mais uma vez sua limitação argumentativa. Você vai achar arrogante, vai mostrar este texto para as pessoas, vai usar frases prontas "pelo fruto conhecereis e blá blá blá". Pode dizer que "não gosta de teologia", "pode bater nos teólogos", mas só faça isso se você nunca mais escrever textos teológicos, vamos combinar assim?  Aí, vou acreditar que você minimamente está tentando ser coerente com o que fala, OK?  Vocês são muito previsíveis.  Se o fizerem, isto só mostra a fraqueza teológica desproporcional que já vos acomete;

6) Honestamente, seus textos são sem métrica, falta retórica no que você escreve, falta cadência lógica e fontes teológicas com um mínimo de credibilidade histórica.  Pra ser um pouco mais honesto: falta beleza. Outra dica pra superar esta "pose teológica" que você adotou: vá ler Alister McGrath, Thomas Torrance, C.S. Lewis ou N.T. Wright, e você entenderá minimamente o que estou dizendo.   Faça um favor a seus leitores: debruce-se sobre as Institutas de João Calvino, leia pelo menos o Da Liberdade do Cristão do Lutero (é fininho).

7) Já ouviu falar de vergonha alheia? Eu tenho! Tenho muitos amigos versadíssimos em teologia, são educados, são portadores de uma espiritualidade há anos luz da que vi em vocês.  Então, quando eles olham para o que vocês escrevem.... eles coram de vergonha.  Pois, vocês fazem isso publicamente. Escrevem no site, colocam vídeos na web e isto fica tão feio.

8) Estou disponível para um debate teológico público com quem vocês quiserem.  Com você, com seu pai, pode ser gravado e sem cortes.  Sobre o tema que vocês quiserem.  Eu sugiro alguns dos seguintes temas: a Trindade, relação lei e graça, restauracionismo x cristianismo, Igreja & Israel, sobre a doutrina da salvação, e assim, deixaremos as pessoas julgarem.  O que acha?  Estou disponível.

9) Enquanto vocês vão brincando de construir uma nova religião, poderiam no mínimo, ouvir seus  supostos mestres lá de fora, que já defendem a legitimidade histórica do cristianismo, seu patrimônio que foi produzido de uma profunda devoção e entrega a Cristo.   Enquanto vocês batem no cristianismo, batem em uma grande nuvem de testemunhas, mártires e muita gente, que soube o que  é perder tudo por causa do conhecimento de Cristo. Tenham muito cuidado com o que escrevem. 
23 de out. de 2013 | By: @igorpensar

Atenção Uberlândia!

Atenção comunidade evangélica de Uberlândia/MG,

Soube que recentemente foi realizado um evento do Ministério Ensinando de Sião em vossa cidade. Tenho irmãos de comunidades evangélicas e pastores nesta cidade que já estão tendo problemas com seus membros acerca da ênfase doutrinária dos ensinamentos propagados por esta instituição.  Desde já, informo que estou a vossa disposição para sanar quaisquer dúvidas teológicas ou doutrinárias que vossos membros tiverem.  Não estou disposto a fazer nenhum julgamento moral ou político quanto a esta instituição, pois lhes é garantido por lei esta ressalva.   Entretanto, objeções teológicas e ideológicas são amparadas e garantidas pela Constituição Federal Brasileira na lei de liberdade de expressão.  Participei desta comunidade por uma década e tenho motivos, que estão igualmente abertos à crítica pública, de que os ensinos por eles disponibilizados ferem os pilares clássicos da fé evangélica e do cristianismo historicamente constituído na centralidade de Cristo e na fé trinitária.

Indico inclusive alguns documentos já publicados neste site a respeito dos desvios doutrinários ensinados por eles.


Meu contato é: igor@teologo.org

Em Cristo,
Igor Miguel
17 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

Judaísmo o que?


Prezados leitores,

Como minha ida ao evento na Congregação Shear Yaakov em São Paulo, como anunciado no site Yeshua Chai anda repercutindo entre os líderes do Ministério Ensinando de Sião e simpatizantes, vou deixar claro aqui no meu blog os seguinte termos:

Em nenhum lugar neste site vocês encontrarão que me oponho ao judaísmo-messiânico como espaço culturalmente apropriado para judeus autênticos expressarem sua fé no Messias Jesus.  Ao contrário, minha luta é contra o falso judaísmo-messiânico ou a distorção travestida de judaísmo messiânico que assumiu uma forma híbrida em território brasileiro.  Me refiro ao restauracionismo, que é uma outra coisa, que pretende indiretamente descredibilizar o cristianismo, suas raízes históricas, produzindo uma sensação de desenraizamento entre cristãos.  Para isto basta ler texto já publicados aqui e aqui.

Gentios cristãos quando em crise com sua fé, em termos históricos e espirituais, e quando desconhecem sua própria história e o evangelho mesmo, tornam-se suscetíveis e tentados a se tornarem judeus, entrando em uma busca frenética por "genealogia", "ancestralidade" ou coisas do gênero.  Quando não conseguem encontrar nenhuma ancestralidade ou não inventam traços de judaicidade, entram de cabeça em propostas teológicas que asseveram que um não-judeu ao "guardar a Torá" ou "observar práticas judaicas" será abençoado etc.

Meu conhecimento do movimento, inclusive entre seus pioneiros, me leva a ver outra coisa: o judaísmo-messiânico jamais pretendeu trazer algum tipo de complicação ao cristianismo.  Como vejo alguns intelectuais do movimento asseverando.  O que querem estes reais e raros judeus-messiânicos, repito, é apenas um espaço no Corpo de Cristo para viverem sua fé e cultura (ponto).  Agora, engajar-se em uma agenda de "restauração da Igreja do I século", como se "restaurar raízes judaicas da fé cristã" fosse um grande objetivo do movimento é uma contradição, inclusive ao "statements" das grandes uniões (UMJC) e similares.

A grande verdade é que ser judeu é:  ser filho de mãe judia.  Em alguns casos, tolera-se o filho de pai judeu.  Ou seja, a memória transmitida e a legitimidade comunitária é o que determina identidade judaica.  Mas, poucos judeus crentes em Jesus no Brasil gozam desta ancestralidade.  Logo, o desconforto e a tensão, inclusive experimentada por aqueles que encabeçam o restauracionismo no Brasil, quando não arrumam um teologia para fundamentar suas escolhas (como fazem os chamados "nazarenos" ou os da teologia "efraimita"), valem-se do fenômeno "marrano" ou do "criptojudaísmo", para sustentarem uma judaicidade simplesmente questionável, alegando um suposto apoio ou interesse de Israel a respeito do marranismo.

Ora, qualquer pessoa que acompanha o fenômeno, sabe, que não há meios de se comprovar judaicidade destes marranos, pelo simples motivo de terem, se tiverem mesmo, uma precária memória oral, sem qualquer testemunho documental.  Logo, o único "tira dúvidas" nestes casos, seria a conversão formal ao judaísmo, como tem sido o tratamento até o momento por parte de algumas iniciativas judaico-ortodoxas.  E se uma pessoa que diz ter Jesus Cristo como seu Senhor, entende a doutrina paulina da adoção, entende a obra magnífica de Deus ter introduzido pecadores na santidade de Deus por meio do sacerdócio de Jesus, ainda dedica tempo, energia, esforço e entra e uma busca frenética ad infinitum por legitimidade até estes termos, sinto muito, está devotando-se a um ídolo.  Enquanto, nós cristãos simplesmente dedicamos energia, para comunicar Cristo nas periferias, em países não alcançados, em nossa vida profissional, para testemunhar e viver Jesus, estes vivem dia-a-dia, só pensando em serem autenticamente judeus perante a comunidade judaica, que ainda simplesmente os vê como não-judeus e ponto.

Outro ponto importante, insistem em afirmar que eu disse que é necessário crer em Calvino, Lutero e/ou os pais da Igreja para que alguém seja salvo.  Qualquer leitor do meu blog, sabe que jamais diria algo tão ridículo.  O que tenho asseverado é que a fé protestante clássica assevera a Escritura como única regra de fé e prática, e isto concordamos todos, entretanto, o cristão precisa considerar seriamente o que nossos irmãos do passado já leram sobre ela. A isto chamamos "tradição".  Interessante, que judeus-messiânicos como David Rudolph, um expressivo teólogo do movimento, esteja envolvido com esta redescoberta da herança teológica cristã junto com outros cristãos nos EUA, que diferença!

A tradição cristã por sua vez não tem autoridade final, e sim as Escrituras, mesmo ela está submetida aos critérios das Escrituras.  Como bem observa Alister McGrath em um excerto que coloquei aqui há alguns dias.  Engraçado que, estes citam rabinos judeus não-crentes com toda tranquilidade, Maimônides, Hilel, Elizer Ben Yehuda, Rabi Akiva etc, e ninguém se incomoda. Alegam que cristão guardam tradições de homens, mas praticam uma liturgia, em muitos pontos, igualmente não relatada nas Escrituras, ostentam símbolos rabínicos como kipá, luzes de shabbat etc etc, sem nenhum desconforto.   Veja bem, todas estas tradições são legítimas dentro de uma comunidade autenticamente judaica.  Mas, o que me incomoda, é a alegação de aquelas práticas tradicionais, realizadas por cristãos sejam pagãs, indiscriminadamente.  Ora, para mim é uma clara afirmação de superioridade cultural, e isto é uma distorção típica de movimentos restauracionistas, desde seus primórdios.

Pelo que me consta, não há nada entre homens como Joseph Rabinowitz, Moshe Ben Meir, Yechiel Tsvi Lichtshtein e outros pioneiros do passado, que o judaísmo messiânico tenha como missão "restaurar o cristianismo" ou levar cristãos a restaurarem suas "raízes judaicas da fé" como algo central para a Igreja Cristã.  A fé cristã e apostólica se sustenta unica e exclusivamente em Cristo em no evangelho, como exaustivamente defendo.

Logo, minha objeção teológica e crítica é ao restauracionismo que concentra energia em assuntos completamente estranhos ao judaísmo-messiânico, como o conheço em suas origens e em breve história, quando comparada com a tradição protestante.

Então, digo claramente, não se deve confundir "restauracionismo judaizante" com "judaísmo-messiânico".  Mesmo que as grandes instituições do movimento apoiem comunidades ou ministérios que praticam "restauracionismo judaizante", o fazem por seus motivos, que a meu ver são igualmente sujeitos a críticas, os quais dispensam comentários.

De qualquer forma, práticas restauracionistas devem ser duramente criticadas, principalmente em dias em que a fé cristã em território brasileiro caminha para um crescente interesse pela centralidade de Cristo e do evangelho.  Que Deus nos ajude a repelir tamanho engano que procura descredibilizar a fé cristã e ofuscar a verdadeira proposta do judaísmo-messiânico.

Por favor, até hoje não vi nenhum tratamento apropriado sobre as coisas que tenho dito e escrito.  Vejo, uma apelação espiritualista e sentimentalista, sem nenhum tratamento dos pontos aqui defendidos.   Vejamos agora algumas coisas que foram escritas a meu respeito no mural do facebook de Joseph Shulam.  A propósito, a conversa foi completamente removida do mural dele, depois que este texto foi publicado, o arquivo em PDF com a conversa na íntegra pode ser acessado aqui.  Abaixo seguem algumas sentenças e minhas réplicas:
"Sr. Igor tem publicamente denunciado todo movimento messiânico, tem falado contra a liderança do movimento messiânico, e pediu às pessoas que não orassem por mim quando estava no hospital em Nova Iorque." (Joseph Shulam)
Não me posicionei contra o movimento messiânico, mas contra o restauracionismo judaizante, que infelizmente se traveste de judaísmo-messiânico.  Quanto ao período em que o Shulam esteve no hospital, eu não disse para não orarem por ele, nunca disse isto, ao contrário, eu mesmo orei pela melhora dele, minha esposa é testemunha.  Pois Cristo me ensinou a orar por todos indistintamente, meu desconforto com todos deste movimento é apenas de natureza teológica.
"Ele experimentou a Torá de Deus e voltou ao velho vômito, como as Escrituras dizem." (Joseph Shulam)
Vejam bem, observem o que é o evangelho para o sr. Shulam: a Torá.  Isto é insustentável, o evangelho é Jesus Cristo, não a Torá. A Torá (lei) mesmo é o "aio" ou "pedagogo" que nos conduziria a Cristo, diz Paulo.  Então, o que estes restauracionistas afirmam é que minha atual experiência e vivência com Cristo em uma comunidade cristã, engajada no amor a Deus, junto com toda comunidade cristã, é "vômito", e depois afirmam em seus púlpitos que não se julgam melhores do que ninguém.  Eu sempre disse que este discurso era para mascarar as intensões reais deste movimento.
"O que acontece aqui é que alguns querem destruir o trabalho e visão do judaísmo-messiânico e o direito dos judeus para expressar sua fé sem qualquer qualquer rei [coisa] da moderna inquisição protestante."  (Matheus Zandona Guimarães)
Como assim destruir?  Ao contrário, quero que os judeus crentes vivam legitimamente sua identidade, tanto que vou a uma comunidade judaico-messiânica este final de semana para comungar com aqueles que são legitimamente judeus em Jesus, para asseverar o direito deles viverem como tais, e para desencorajar gentios cristãos a não caírem na tentação de quererem se tornar  judeus.  Nada que bons judeus messiânicos concordariam.  Mas, claro, restauracionistas vão se sentir desconfortados com isto.
"Vocês não podem ignorar esses fatos. Não deveriam jamais colocar em vosso púlpito uma pessoa que fez uma declaração endereçada à 'Igreja' pedindo perdão por fazer parte do Judaísmo Messiânico, e atestando que a aceitação de dogmas como a 'Trindade' e a inflabilidade de líderes protestantes como Calvino e Lutero, são obrigatórios à salvação do discípulo. Não pode colocar em vosso púlpito uma pessoa que se colocou como inimigo da Restauração dos Anussim, um assunto que atualmente ocupa os principais debates acadêmicos e religiosos de ISRAEL e Portugal. É exatamente sobre isso que ele irá palestrar. Sei que há pseudo-judeus por aí e que complicam a vida de todos nós. Também somos contra esses grupos. Porém, colocar esses grupos juntamente com um mover do Eterno como a restauração dos Anussim, é muita insensatez!"  (Matheus Zandona Guimarães)
No documento me retrato (junto com meus irmãos) de ter ido contra a Trindade, por motivos óbvios, quem questiona a plena divindade do Pai, Filho e Espírito Santo, sim deveriam ser vedados de subirem aos púlpitos e não o contrário.   Nunca em nenhum lugar alego a "infalibilidade dos reformadores ou dos pais da Igreja", ao contrário eles estão sob o crivo das Escrituras, mas, assim como vocês respeitam o sr. Shulam como alguém de importância para vosso movimento, nós preferimos honrar nossos mestres cristãos do passado, o que não significa irrestrita submissão ou uma leitura acrítica.  Esta é uma acusação ridícula e indigna de maiores esclarecimentos.

Não pedi perdão por fazer parte do judaísmo-messiânico, mas por fazer parte de um movimento restauracionista judaizante.   Ao contrário, o que alegamos no documento é:

Apesar de tudo que foi mencionado acima, a nossa retratação não se refere nem pretende atingir a legitimidade do judaísmo-messiânico como movimento apropriado para o acolhimento de judeus que reconhecem a Jesus como Messias, Salvador e Senhor, pleno de sua divindade. O judaísmo messiânico em suas principais representações internacionais, como o UMJC (União de Congregações Judaico-Messiânicas - EUA), é ortodoxo em sua confissão, não ferindo os pilares da fé em Cristo. Esse mesmo movimento deixa claro sua discordância com aqueles grupos que pretendem aplicar uniformemente a Torá (lei) a todos, sem compreender as vocações específicas.
Agora, vejam a docilidade e o tom diretamente doutrinário e teológico  que nossa posição é tratada:
"Saibam porque líderes de comunidades cirstãs sérias em Brasília, São Paulo, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, dentre outros estados, cortaram definitivamente o relacionamento com ele e sua gangue. "  (Matheus Zandona Guimarães)
Curiosamente, com todos os problemas e discordâncias teológicas que tenho com a proposta doutrinária do Ensinando de Sião, jamais ousaria me dirigir a estas pessoas nestes termos. Mesmo, vendo que estão doutrinariamente afastados da centralidade e suficiência do Evangelho, jamais os chamaria de "gangue".  Desculpe-me Matheus, mas, eu te perdoo por esta acusação grave.  Uma pena que você não consiga tratar as questões aqui da forma apropriada, e faça apelações nestes termos.  Mas, não se preocupe, eu o perdoo por isto, Jesus me ensinou isto.  Mas, reafirmo, que continuarei não concordando com vários dos pontos ainda sustentados por vocês, vossa ênfase é errada.  Hoje, todos nós, que desfrutamos da alegria de um evangelho simples, centrado em Cristo, sabemos como é destrutiva uma teologia que coloca outras coisas como centro, excluindo o evangelho da graça pregado pelos santos apóstolos.

A propósito, se Deus quiser, estaremos na Shear Yaakov, compartilhando nossa trajetória de fé em Cristo.  Sinto muito que isto tudo tenha causado tanto transtorno a vocês.

Na graça de Cristo,
Igor

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*Estes trechos foram retirados do mural do facebook do sr. Joseph Shulam.  Para acessar a conversa na íntegra (PDF)  clique aqui na íntegra.
13 de out. de 2011 | By: @igorpensar

Cristo é a Unidade

Por Igor Miguel

"O elo de ligação que une os membros do corpo, que une a a Igreja, não é Cristo!  Não é Cristo que une os ministérios, não é Cristo que garante a unidade da Igreja.  Cristo não é o elemento comum com o poder para unir a sua Igreja." (Matheus Z. Guimarães)*
* Trecho de ensino ministrado na Congregação Har Tzion no dia 27/08/2011. A frase foi afirmada a partir dos 22 minutos de fala. O vídeo, até a presente data e sem edições, pode ser acessado aqui. Não posso garantir que o vídeo seja retirado ou editado após a publicação deste artigo.  Nota em 14/10/2011: como previsto, o vídeo foi tirado do ar e substituído por um texto explicativo.  Por que será que tiraram o vídeo?
Desde que me ausentei do Ministério Ensinando de Sião, optei por não me referir a nada de natureza pessoal, não procurei me defender das alegações de rebeldia contra minha pessoa, coisas ligadas às sutilezas de ordem relacional interna etc, justamente para preservar as pessoas ligadas a este ministério.  Apesar dos apelos emocionais e o paternalismo patético dirigido a minha pessoa, reafirmo, que não estou disposto a colocar estas questões em pauta.  Por outro lado, como todos sabem, não sou pastor, nunca recebi uma ordenação, mas tenho uma vocação em Jesus Cristo, desde de minha juventude, que é o amor pela verdade.  E a verdade é Jesus Cristo, tudo mais é relativo a seu senhorio, qualquer coisa que for colocado no lugar dele, será inevitavelmente um ídolo.  Por este motivo, vejo-me no direito de me posicionar a respeito do que é teologicamente inapropriado, pois isto, envolve a saúde espiritual de muitas pessoas.  Estou disposto a manter a mesma postura, tratar questões de natureza teológica e doutrinária, quando necessário, baseado no meu direito de liberdade de expressão.  Reafirmo a retratação pública disponibilizada no último ano.

Entendo que há um problema de ênfase, uma troca explícita da centralidade de Jesus Cristo pela centralidade de outra coisa (judaísmo, Israel, marranismo, alyah, a Lei e por aí vai).   Isto me parece grave, exceto que tal comunidade não se julgue mais "cristocêntrica", ou que não se alegue comprometida com o Corpo de Cristo, do contrário, minha crítica é inútil.   Do contrário, minha posição teológica é legítima, e deve ser pública, como pública foram ditas as palavras acima.

A Igreja do Senhor Jesus sempre foi e sempre será identificada como "Corpo de Cristo", por um motivo simples: Cristo é o núcleo, causa e efeito, fundamento e pedra angular desta comunidade.  Se a Igreja é o Corpo de Cristo, isto significa que sua existência, continuidade e missão sustentam-se unicamente por causa de Jesus Cristo.

Há algumas semanas, chegou-me ao conhecimento o trecho do sermão acima.  Tive que checar pessoalmente tamanha discrepância com a doutrina apostólica.  E pude confirmar e afirmo sem qualquer constrangimento: há heresia.   

Quero lembrar, que uso o termo heresia exatamente como o apóstolo Pedro o faz: 
"Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição." (I Pe 2:1).
O termo heresia vem do grego airésis [αιρεσις] que pode ser traduzido por "dissensão", "facção" ou "opinião fora do consenso".   Sim, acredito, que a doutrina apostólica constitui-se sob o consenso da Igreja, que Cristo é o centro, a causa e o propósito de sua existência.  Qualquer leitura, mesmo que superficial dos textos de Jesus e de Paulo, levam qualquer pessoa interessada no evangelho, a conclusão básica, de que Cristo é nuclear e a Igreja constitui-se nele.  Uma discordância explícita ou velada a respeito disso, constitui-se em uma dissensão (airésis), ou seja, uma opinião que fere a unidade do Corpo que é Cristo.

Para o autor da frase acima, diferente do que largamente é ensinado no Novo Testamento, é Israel o propósito e a identidade que unirá o Corpo de Cristo.  O foco da referida mensagem é que a unidade da Igreja não se constitui em Jesus, mas em sua identidade em Israel.   Reafirmo, que isto é um tipo de idolatria.  Mesmo sabendo da importância bíblica e histórica do povo de Israel, sabemos, que mesmo este povo, só existiu e existe por causa de Jesus.  Ele é a plenitude de tudo que os profetas anunciaram e não o contrário.   Eu procuro explicar e dar todas as bases bíblicas a respeito da centralidade de Cristo e não de Israel, na constituição da Igreja, no artigo publicado em janeiro intitulado "Israel de Deus". 

Acho desnecessário citar as dezenas de textos bíblicos que afirmam que Cristo é o núcleo, a causa, o elemento comum, e que é Ele mesmo quem garante a unidade da Igreja. Entretanto, relembro alguns que me parecem centrais:
Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.  (Jo 17:22-23)
No texto acima, o próprio Jesus deixa claro que a unidade entre os discípulos é ele (Jesus) nos discípulos, como Ele Jesus está com o Pai em unidade.  Vale ainda lembrar as palavras do apóstolo Paulo que diz: 
Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função,  assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros. (Rm 12:4-5)
"Não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. " (Gl 3:28)
Permitam-me colocar o paralelo entre este texto de Paulo e do autor da frase acima:

".... não é Cristo que garante a unidade da Igreja.  Cristo não é o elemento comum com o poder para unir a sua Igreja..." (MZG)

"... conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros." & "... todos vós sois um em Cristo Jesus." (Apóstolo Paulo).

Me parece claro que há um oposição clara entre a afirmação ensinada pelo Matheus e o que o apóstolo Paulo ensina.  Se isto for, como me parece explícito, uma contradição à doutrina apostólica, isto não pode ser outra coisa se não um desvio doutrinário sério.  E se este é o ensino que tanto se esforçam por ensinar, posso lhes garantir, que o rumo é o afastamento consciente das pessoas da centralidade de Cristo.

Espero honestamente, que estas palavras sejam corrigidas, que o ensino bíblico e apostólico seja retomado.  Que Cristo volte a ser o centro da vida destas pessoas, e não apenas um acessório teológico para justificar o que lhes parece central.
"Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus,  edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular;  no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor,  no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito." (Ef. 2:19-22)
"Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos." (Cl 3:15)
Pensem com calma o que Paulo considera ser o núcleo de sua identidade quando disse:
"Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne.  Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais:  circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.   Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo.  Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como lixo, para ganhar a Cristo."  (Fp 3:3-8).
Orando para que a Igreja, mantenha-se como Corpo, edificada sobre Jesus, sempre.
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29 de set. de 2010 | By: @igorpensar

Retratação Pública

A quem possa interessar, abaixo disponibilizo minha retratação pública ao Corpo de Cristo - a Igreja - a respeito de minha saída e de alguns irmãos do chamado "Ministério Ensinando de Sião". É uma retratação a respeito de alguns pontos teológicos que ensinei, endossei ou concordei, não somente eu, mas um grupo de irmãos, que também assinam o documento. Nós, após alguma leitura e oração, sob graça do Espírito Santo, fomos iluminados com os ajustes necessários.

Que Cristo tenha misericórdia de nós.


nEle,
Igor Miguel