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7 de out. de 2009 | By: @igorpensar

Eu e Tu na tenda frágil.

Por Igor Miguel

Deixe-me te acolher. Não quero te ver como estranho, não quero te ver como "Ele", "Ela" ou "Isso", quero te acolher como "Tu". Hospeda-te aqui, entra em minha tenda frágil.

Mas, o Tu Eterno se fez carne e morou aqui no meio de nós.

Não quero te ver como um estranho, não quero te ver como estrangeiro e peregrino, hospeda-te em meus domínios. Tem água fresca para acalentar tua sede. Tem pão fresco e esfumaçante para matar tua fome. E, se a noite esfriar, tenho lenha o suficiente para aquecer os teus pés. Mas, não passe de teu servo, sem antes inclinar-te sob este teto simples. Juro que te acolho, que te sentirás confortável e que não te faltará nada.

O vento costuma vir contra esta casa frágil, ouço o som dos pregos ruindo forçados pelas rajadas, mas não temo enquanto estas aqui, sei que nada acontecerá, sei que enquanto estás aqui, por graça ou por mistério o vento não prevalecerá. A única coisa que posso fazer, não por recompensa, não por interesse, mas por amor, é te servir.

Vou enfeitar a mesa, eu juro! Vou colocar frutos, flores, velas e a toalha que herdei de meus avós e te assentarás aqui, só Eu e o Tu, juntos, sem objetos, sem ilusões, pura comunidade, puro vínculo e puro encontro.

Enquanto estiveres aqui na minha tenda frágil, não poderei mais usar enquanto, pois será sempre, será eterno. "... mais vale um dia em teus átrios que milhares a meu modo..." (Sl 84:11).

Arrepia-me a tua presença, meus ossos tremem diante de tua integridade, meus olhos marejam de emoção, sinto um fogo ardendo dentro de mim e esgotam-me as palavras. Neste momento só há o Tu, puro, imediato, eterno, atemporal, inesgotável, indescritível... [silêncio].

"O homem se torna Eu na relação com Tu" (Martin Buber)