Mostrando postagens com marcador Jesus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jesus. Mostrar todas as postagens
24 de out. de 2010 | By: @igorpensar

Jesus o Construtor

Por Igor Miguel

[Para baixar em PDF clique aqui].

Os evangelhos mencionam que Jesus era filho de um "carpinteiro", o que no contexto da cultura judaica significava que ele mesmo, o próprio Jesus, também o era. Uma responsabilidade do pai judeu era ensinar uma profissão ao filho (Talmud, tratado Kedushim 4a e Midrash Shemot Rabá 28:2). Uma profissão associada ao estudo das Escrituras (Torá) era considerada uma virtude, como observa a tradição: "Uma excelente coisa é o estudo da Torá combinado com alguma ocupação [...] todo estudo da Torá sem trabalho se tornará no fim fútil e a causa do pecado" (Avot II, 2).

A palavra grega que está no original dos evangelhos, traduzido por "carpinteiro", é o termo tektôn [τεκτων] que é uma expressão genérica para uma profissão que envolve todo tipo de arte e construção. Um tekton poderia ser um ferreiro, pedreiro, artista ou um engenheiro, o correspondente hebraico seria charásh [חרש] que é usado no Antigo Testamento para as diversas profissões ligadas ao artífice em geral (I Sm 13:19; II Sm 5:11; I Rs 7:14; II Rs 22:6; Os 13:2).

Seria perfeitamente aceitável que Jesus e seu pai fossem envolvidos com a construção e edificações. Talvez daí, entendemos a frequência com que textos ligados à construção e edificação estejam sempre associados à relação de Jesus e a sua Igreja (I Pe 2; Hb 10:19-24; Ef 2:17-22). O próprio Jesus faz uso desta linguagem, quando disse para Pedro:

Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. (Mt 16:18).

Jesus Cristo é o grande edificador, não somente isto, ele é o próprio fundamento de onde a Igreja se ergue como comunidade que abriga o Espírito Santo. Ao menos esta é a linguagem que encontramos no seguinte texto:

[...] vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto; porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito. Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito. (Ef 2:13-22).

O apóstolo Paulo após falar sobre o poder de Cristo e seu sacrifício em criar uma uma unidade misteriosa entre judeus e gentios, afirma que o evangelho (a boa nova) anunciou shalom (paz) aos que estavam longe, ou seja, as nações (hb. goyim - estrangeiros), e aos que estavam perto, isto é, os judeus. Shalom [שלום] aqui deve ser compreendido para além do sentido de "ausência de conflito", o termo hebraico significa: prosperidade, saúde, estabilidade, tranquilidade, firmeza, justiça e outras expressões que estão semanticamente ligadas ao termo. A boa nova (o evangelho) é a proclamação da shalom do Reino nos termos dos profetas (Is 66:12), um Reino futuro, mas que pode ser antecipado em Cristo por sua Igreja. Um dia futuro em que todos os povos, línguas e nações, se integrarão no Israel de Deus, se torna uma realidade presente no igual acesso que ambos (judeus e gentios) possuem em Cristo na Igreja Invisível.

Na Igreja todas as distinções étnicas, sexuais, hierárquicas, distinções importantes na dinâmica da vida vocacional, se desfazem perante o Pai. Pois quando o pai se dirige a um ex-pagão, não o vê como tal, mas o contempla como contempla seu Filho (Jesus). Por isto, na unidade de todos os santos em Cristo no Espírito Santo, em especial quanto aos gentios (não-judeus), Paulo conclui: "Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus." (v.19).

Jesus já tinha dito que edificaria sua Igreja, esta comunidade maravilhosa, cheia de pessoas esperançosas, com corações cativos por este amor. Uma grande família de Deus, onde ninguém é estrangeiro (hb. gêr). O construtor Jesus Cristo, agora se integra à construção, sendo ele a pedra angular (v.20).

O que significa ser pedra angular? Em grego o termo usado é akrogoniaiós [ακρογωνιαιος], seu correspondente hebraico é rosh piná [ראש פינה]. Paulo neste texto recorre ao salmo 118:22 interpretado profeticamente que diz: "A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular." Texto que Jesus tinha usado em Mt 12:10 se referindo indiretamente a ele.

A pedra angular é uma pedra posicionada estrategicamente em determinada parte da estrutura de uma construção, com o fim de equilibrar as partes que a compõe. Um exemplo bem ilustrativo é seu uso na construção de arcos de pedra. Nestas edificações, arcos eram construídos com blocos de pedras pré-moldados, que se encaixavam sem o uso de argamassa, e mantinha-se em equilíbrio, sendo a pedra angular, a pedra em forma de cunha que se encaixava precisamente na parte superior do arco, entre uma metade e outra dos blocos de um arco, mantendo o equilíbrio físico da estrutura.

Baseado nisso, o texto de Paulo começa a tomar forma. A família de Deus é edificada sobre o fundamento dos profetas e apóstolos, que é o testemunho da Antiga Aliança e da Nova Aliança. A atividade profética e a atividade apostólica, a narrativa da Bíblia Hebraica (Antigo Testamento) e do Novo Testamento, convergem para a pedra angular, para Cristo, a pedra que os construtores rejeitaram, o que se encaixa, assim, perfeitamente na profecia e em seu cumprimento.

A Igreja só pode crescer, se estiver bem ajustada nas Escrituras, no testemunho dos profetas e dos apóstolos, centrados em Cristo. Não é um conhecimento literário, uma apreensão teológica a respeito das Escrituras, isto não é suficiente. A Igreja é uma comunidade edificada, construída na revelação proclamada pelos profetas e ensinada pelos apóstolos, porém sob a perspectiva e o ajuste de Jesus Cristo. Se Cristo for tirado do centro, a edificação se desmorona, e as palavras das Escrituras se tornarão apenas conhecimento literário.

Em Jesus Cristo, o construtor, a pedra angular: "... todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito." (v.21 e 22).

Sim! Jesus Cristo é a pedra, a rocha rejeitada, desprezada, mas que completa o "quebra-cabeças". Jesus é o testemunho definitivo, aparentemente insignificante, mas a única peça que se encaixa precisamente no que os profetas falaram e era ele o sentido final da missão dos apóstolos.

Por isto o apóstolo Pedro, cujo nome ironicamente significa pedra, afirma:

Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. Pois isso está na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado. Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas, para os descrentes, a pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular e: Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos. Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia. (I Pe 2:4-10).
Uma grande comunidade está sendo edificada em Cristo. Aqueles que rejeitam a pedra, tropeçam nela, se torna rocha de escândalo. Entretanto, para os santos, Jesus Cristo se torna o fundamento, a pedra angular, para quem convergem os profetas e os apóstolos, sendo Ele, o núcleo de onde a Igreja cresce e todos os santos na unidade do Espírito. Deixamos assim de ser pagãos, assimilados pelo pecado, para sermos inseridos, na comunidade eleita, a comunidade sacerdotal, a casa espiritual: a Igreja.

25 de set. de 2010 | By: @igorpensar

Sobre Quando Nasci

Por Igor Miguel

Deixe-me dar um pequeno testemunho. Aos meus 17 anos fui surpreendido com Cristo, mesmo tendo crescido em um lar relativamente cristão, eu era uma fanfarrão, como já me chamaram por aqui. Eu era como os da minha idade, um jovem perdido e achando que a vida não passava de superficialidade, imediatismo e inconsequência. E pior, já estava parando de pensar no hoje, o que dirá no amanhã.

Por uma articulação misteriosa, por uma ação divina sem proporções, acima de toda lógica, cálculo, ou racionalizações, fui conduzido a perceber uma música tão harmônica e tão feliz, que não seria possível ater-se muito tempo nela, sem cair-se em prantos em um misto de profundo arrependimento e alegria. O mais assustador, é que aquela música sempre esteve ali. Como um código oculto que depois de descriptografado trás uma mensagem capaz de estourar uma outra guerra mundial.

Imagine, eu jovem, aos meus 17 anos, sob o impacto de uma verdade absurdamente real, mas igualmente absurdamente supra-racional, acima de qualquer lógica humana, tentar traduzir o intraduzível para as pessoas.

Na ocasião, como hoje, sentia-me aquecido e tomado pela vontade de apenas anunciar a supremacia, a riqueza, a grandeza e a extensão daquela música misteriosa.

Foi lá, em uma oração, em um montanha em Cabo Frio, que descobri a diferença entre um homem que olha pra cruz e diz: "-- Coitado daquele cara. Que pena, bateram tanto nele..." e o outro homem "-- Quem deveria estar lá era eu, mas foi em meu lugar. Seguirei e viverei tudo que este homem significa".

Pois é, meu caso é o segundo, e surpreenda-se, não quis segui-lo da forma que a maioria dos cristãos fazia em minha época, quis conhecê-lo, quis entender sua língua, sua cultura, seu jeito, seu povo, sua gente, experimentei isto, até quase me perder nesta compreensão e de repente fui emergido, erguido.

Surgi dentre os cacos de minha autonomia religiosa, sob prantos e gritos de alegria, ao descobrir o misterioso amor, intraduzível amor, que um dia me chamou pelo nome e disse: " -- Você é meu."

Soli Deo Glória.
6 de set. de 2010 | By: @igorpensar

Mano Véio

Por Igor Miguel

Legenda:
E: Evangelista
J: Jovem Pós-Moderno


E: - Qual é maluco? Tudo bem?
J: - Qual é! Só...
E: - Mano. Tenho uma coisa punk pra te falar. Cê tá ligado?
J: - Só véio. Pode mandar ver!
E: - Véi. Você já se ligou sobre o sentido de sua vida cara? Por que você faz o que faz?
J: - Ah... sei lá! Porque é uma curtição... É bom curtir a galera. Pegar umas menininhas. Sacou?
E: - Saquei. Mas... "é bom" em que sentido? Como assim, "bom".
J: - Cara, é bom véio. Fala que você não acha bom?
E: - Mas e aí? Você se sente realmente legal com isso? Você não acha que tem um lance além disso?
J: - Cara, sei lá. Só sei que é bom curtir.
E: - Beleza cara. Você já imaginou perguntar para um canário em uma gaiola o que ele acha de sua vida? Vamos chutar. O que você acha que ele responderia se pudesse?
J: - Sei lá. Tipo... Me tira daqui!!!
E: - Cara, eu acho que não. Acho que o canário diria algo como: - Cara isto aqui é a maior curtição. É muito bom ficar aqui. Tem comida toda hora, água fresca, tem até uns poleirinhos que fico pulando de um lado e pro outro. Eu canto, sinto o vento as vezes, vejo outros caras cantando lá fora. Mas, eu curto. Tá bom aqui. É legal.
J: - Pô véio! Que canário burro! Tem mó ar livre lá fora, ele pode curtir a vida, voar pelo mundo todo. Achar comida por aí numa boa.
E: - Pois é meu véio. O que achamos que é liberdade, nem sempre é liberdade. Ficamos tão distraídos com "poleiros", "comida" e "água", que esquecemos que estamos em uma gaiola, e achamos isto é a maior curtição. Estamos tão distraídos com a galera, a balada e a mulherada, que esquecemos que há liberdade lá fora. Que há vida além das grades da gaiola.
J: - Como assim?! Me fala mais sobre isso!
E: - Mano. Nós homens somos avacalhados por completo. Somos idiotas e vivemos o tempo inteiro arrumando um jeito de nos distrair e não tratarmos com a sujeira que escondemos debaixo do tapete. Tá ligado? E o tapete é a distração, a curtição. Todos os dias arrumamos um monte de distrações para não encararmos nosso fedor. E ficamos como micos amestrados, canários na gaiola, hamsters na rodinha, achando que aquilo é a maior liberdade, quando é a maior estupidez. E ainda por cima, nos achamos descolados. Isto é muito tosco véio, muito tosco.
J: - Mas, o que a galera maloca [esconde]?
E: - Cara. Geral esconde o pecado, a sem-vergonhice e a sujeira. E isso tem uma raiz. Se a gente não encara esta parada malocada da forma que ela é, vamos viver o resto da vida nesta ilusão, achando que é malandro, mas é uma pilantragem geral.
J: - Eu não tenho nada disso não mano véio, aqui, to de boa, to limpo!
E: - Tá de boa nada! Você é igual a mim, você não é melhor do que eu, somos todos um bando de vacilão. Tá ligado? E só tem um jeito de resolver esta parada. Você fraga?
J: - Não. Qual é desta parada?
E: - Cara. Jesus Cristo foi um judeu dá pesada. Ele é diferente da turma de sua época. Ele era um cara que sabia viver de uma forma, que a galera o cercava para saber quem era aquele filho de carpinteiro. Ele sempre dizia o que ninguém esperava. Sempre vivia fora do sistema, fora do que os alemão queriam. Jesus era tão brother, tão brother. Mano, ele amava tanto a galera, que Ele morreu pelo homem, sem culpa alguma, só pra denunciar, eliminar, tudo aquilo que caras como eu e você fazemos.
J: - To chocado!
E: - Pois é cara. Se liga só. E a parada é que Ele morreu na cruz e surpreendeu todo mundo com sua ressurreição. Mano, Jesus apareceu pra uma turma da pesada, os caras se arrependeram, por terem deixado ele na mão, e ainda falou com o dedo-duro de um de seus brother, um mano véio chamado Pedro, geral se arrependeu. Cara, a turma vibrou tanto com sua ressurreição, aquilo foi tão forte, que a galera quis viver aquele estilo de vida. Descobriram que eram "canarinhos distraídos" e saíram pelo mundo vivendo aquele barato para além da gaiola, ensinando mais gente a respeito disso.
J: - Que doideira esta lenda!
E: - Pois é. Muita gente diz que é lenda. Geral tenta negar isto. Mas, se quer saber... Quando a gente entende esta história, parece que alguma coisa na gente diz que é verdade. Alguma coisa queima no coração e começa mostra nossa condição suja. Aí véio, a única opção é se arrepender de verdade. É admitir que pecamos mesmo, que somos fanfarrões mesmo, e que sem Jesus, sem o que ele fez por nós, sem o amor dele, nós estamos na lama! Do contrário, vamos viver na gaiola. Tá ligado?
J: - Então o que faço cara? Me ajuda aí!
E: - Arrepende véio! Arrepende! Admite que você tá perdido! Admite, que você quer ser livre. Que Jesus Cristo faz sentido e que você quer ajuda. Você quer o amor dEle, a graça dEle. E pula pra dentro! Deixa Ele cuidar de você.
J: - Cansei véio. Quero uma nova vida. Quero mudar cara! Quero mudar...

"Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus
o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo."

(Carta de São Paulo aos Romanos - Capítulo 10, verso 9).
2 de set. de 2010 | By: @igorpensar

Jesus não é démodé.

Por Igor Miguel

Jesus não é démodé como podem supor. Jesus não é e não se restringe a um adesivo em um carro ou ao nome de um salão de beleza, ou a uma frase em um para-choque de caminhão, ou em uma camisa "gospel". Jesus Cristo ainda continua sendo, para muitas pessoas, o poderoso agente de transformações significativas na trajetória de indivíduos, famílias e comunidades.

Jesus deve ser compreendido dentro de uma história, dentro de um contexto. Sua biografia é surpreendente pois contradiz toda a expectativa e previsibilidade das grandes narrativas históricas da antiguidade e de nossos dias.

Um dos meus professores de literatura judaica sempre diz que uma boa literatura é aquela que
surpreende por sua não-previsibilidade. Uma boa história é aquela que contradiz todos os critérios normais e todas as expectativas do leitor.

Jesus poderia ter seguido as regras e expectativas estabelecidas. Podia ter vindo como um ser em luz e glorioso. Podia ter nascido em uma família nobre. Podia ser um "espírito" um "demiurgo", e nunca ter encarnado.

Jesus podia ter sido um homem que liderou uma revolução armada e destronou os poderosos pela espada. Jesus poderia ter subido ao trono e ovacionado admitir seu senhorio sobre todo Israel e liderar exércitos contra Roma. Jesus poderia ter trazido uma filosofia otimista de afirmação do ego e de todas as pretensões humanas.

Mas, como um bom conto, como uma boa narrativa, Jesus Cristo em sua história é surpreendente e imprevisível.

É incrível pensar como Ele, apesar de ligado a estirpe real do Rei Davi, nasceu em uma família de judeus simples da Galileia. Nasceu no interior de Israel, não nasceu perto das grandes academias judaicas da Judeia.

Jesus não nasceu entre os grandes filósofos do mundo grego, não escreveu nenhuma obra, manteve-se dentro da antiga oralidade judaica da época. Além disso, optou por um ensino que denunciava a perversidade das intensões humanas, denunciava a hipocrisia religiosa, os poderosos sacerdotes de sua época, chamou a atenção da religião popular e afirmou a fé monoteísta em um mundo permeado de auto-divinizações humanas e de culto à personalidade.

Jesus Cristo faz o caminho inverso do Olimpo, não galgou os lugares "altos", antes desceu das alturas, renunciou sua glória, para tangenciar as dimensões mais concretas da vida humana. Pois sua missão é com homens, por isto, encarna no corpo de um judeu filho de carpinteiro, escolhe mãos com farpas de madeira, mais tarde furadas por cravos, ao invés de mãos reais e trono confortável. A própria encarnação era loucura para os gregos e escândalo para os judeus.

A história de Jesus Cristo é surpreendente pois Ele propõe o triunfo sobre os opositores de Deus pelos meios mais impressionantes. Ele sugere amar os inimigos, orar pelos que o aborrecem, dar à César o que é de César, não valer-se da violência, dar a face ao que fere, dar o dobro ao que pede, ser manso, ser pacificador e tomar a cruz.

A mensagem de Jesus é um escândalo literário, uma narrativa que culmina com humilhação, com o esmagamento. O final da história de Jesus encerra-se com uma aparente fracassada crucificação e com uma ressurreição discreta, mas de uma grandeza tão magnífica, que sem nenhum
markenting sofisticado e sem grandes mobilizações, produziu um efeito em cadeia em seus seguidores.

Homens, mulheres, jovens, crianças, anciãos, uma grande linhagem de mártires e testemunhas, entregam-se apaixonados a Cristo e à imprevisibilidade de sua mensagem. Por isso, o evangelho é libertador, pois quebra a mecânica perversa do pecado, rompe com a redução da vida ao comer, trabalhar, estudar, curtir e dormir. Ao contrário, Jesus Cristo misteriosamente transforma estes elementos da rotina em grandes altares de expressão, culto e sentido para seus seguidores.

Ele desfaz as expectativas de "boa vida" que nos foram vendidas. Jesus Cristo nos insere em uma lógica existencial completamente subversiva, alternativa, cheia de amor e desígnio. Ele, Jesus, é o Alfa e o Ômega, uma linha transversal, que corta a normalidade e o rumo que nos foi imposto como a única opção de realização humana.

Enfim, Jesus Cristo continua surpreendendo. Transformando cada homem que entende sua mensagem em um nova história, em uma nova e impressionante obra literária.
10 de jun. de 2010 | By: @igorpensar

Prosperidade sem Evangelho

Veja este vídeo...

O evangelho da prosperidade from iPródigo on Vimeo.

Agora leia este apelo...

Deixe-me deixar claro o que é a "teologia" o "evangelho" da prosperidade. Paganismo! Idolatria! Tirania religiosa! E todo tipo de adjetivos que possam traduzir o uso instrumental de "Deus" e "Jesus" que esta horda de falsos-pastores fazem dEle. A teologia da prosperidade é a linguagem do inferno, é o mecanismo de redução do evangelho à lógica mais perversa, é a própria reconstituição da Divina Comédia. A Igreja Universal do Reino de Deus, A Igreja da Graça, A Igreja Mundial do Poder de Deus, os cultos de prosperidade de Igreja Históricas, Neo-Pentecostais, Renovadas, Carismáticas ou qualquer outra, que estão permeadas deste neo-paganismo travestido do jargão cristão. E afirmo! Isto não é evangelho, não é cristianismo, não envolve Cristo, não envolve arrependimento, ressurreição, graça ou obediência. É a própria alienação! Escravidão absoluta! Prosperidade sem teologia e sem evangelho.

Se você frequenta algum templo dito "Evangélico" cujo discurso gira em torno de uma lógica sombria de barganhas religiosas, de triunfalismos e guerras imaginárias que giram em torno do seu bem estar. Se você tem algum compromisso com a cruz de Cristo, com o evangelho que levou o Filho de Deus para a morte mais vulgar e mais terrível que possa ser descrita. Se você quer ser salvo de sua condição deplorável, de sua mesquinhez, egoísmo, sucesso pessoal, idolatria financeira, curve-se diante de Cristo e arrependa-se radicalmente de todos os seus pecados!

Se você ainda não ouviu o som da pedra à porta do túmulo ruindo. Se você ainda não ouviu o último suspiro. Se ainda não sentiu o cheiro de enxofre e os berros do terror que acometem os idólatras e pecadores. Se ainda não entende a radicalidade do que estou dizendo aqui, mas reconhece o mal cheiro de suas próprias obras. Curva-te! Arrependa-te! Humilha-te! E reconheça o absoluto senhorio de Cristo sobre sua vida! E que todos os filhos de Deus, os eleitos, as ovelhas que conhecem a voz de Seu Pastor, saiam destes templos do consumo, do culto ao ego caído, da adoração ao ídolo da avareza, e tomem a cruz do Mestre e levem-na até as últimas consequências em um retorno radical às Escrituras Sagradas e o evangelho ali contido!

Igor Miguel, um pecador arrependido.

Coloque sua confissão aí embaixo, seu desabafo, vamos compartilhar juntos nosso arrependimento...

9 de mai. de 2010 | By: @igorpensar

Eli! Eli!

Por Igor Miguel

Impossível descrever minha trajetória espiritual nos últimos 12 anos. Impossível! Impossível descrever a graça de Deus e por onde o Espírito Santo me guiou nestes intensos anos. Desde quando criança tinha experiência aterradoras com meus pecados ante a indescritível presença de Deus, em pura santidade. Impossível, traduzir em texto ou palavra, impossível reduzir a magnitude da soberania de Deus e como ele se revela por meio da revelação escrita, por obras de filósofos, historiadores, pela música, pela bossa nova, o jazz, o reggae, as cantigas hebraicas, e pela história dos reformadores.

Minha vida vem sendo impregnada e imersa entre frases de grandes mestres da Torá, e mestres do cristianismo, ouço as vozes destas duas grandes tradições, que por algum motivo se auto repeliram durante a história. Mas quando tiramos do baú destas tradições "coisas velhas" e "coisas novas", quando colocamos o tempero ético hebraico e a ortodoxia cristã, alguma coisa realmente misteriosa acontece. Ouve-se a melodia apocalíptica, a "Canção de Moisés" e a "Canção do Cordeiro".

O primeiro amor? Ah! Ele sempre esteve aqui, sempre se renovou, sempre se renova. O primeiro amor é o amor atual, é minha paixão atual. Esta boa-nova que esmaga os altivos e ressuscita um novo homem, nova criatura. Sim, um novo homem nasceu do "vale dos ossos secos", sobre os oráculos do profeta, ao ruido do rio Quebar na Babilônia. De lá, ressurge um novo homem, um novo jardim a ser cultivado, prestes a compor junto com outras orquídeas, cravos, girassóis, algo mais belo que os jardins suspensos do palácio de Nabucodonosor.

Amparado por tamanha misericórdia, só me resta ações de graça, só me resta amar a justiça até as últimas consequências. Romper as vozes confusas daqueles que lutam e daqueles que sucumbem em meio a batalha! Só posso dar graças por estar de pé! Só posso dar graças por ter o casamento que tenho, por ter minha vida imersa em novidade de vida.

Encontrei na velha sabedoria judaico-cristã respostas para dilemas profundos de minha alma, somente lá, através da voz dos patriarcas, dos profetas, sacerdotes, rabinos, apóstolos, apologetas, pregadores, reformadores e teólogos. Enfim, até hoje escuto os ecos da sã doutrina, das orações e a emblemática imagem do judeu crucificado, que sempre me liga à crucificação branca de Marc Chagall. A cruz poderia ser interpretada como uma espada, poderia evocar imagens inconscientes de terríveis perseguições em nome de uma falso cristianismo e um falso Cristo. Mas, repentinamente, a cruz torna-se em sua barra horizontal uma imagem da história, do tempo, que é interrompido violentamente pelo transcurso vertical da encarnação, do verbo que divide a história em antes e depois dele. A cruz é um escândalo! Não pelo que fizeram com ela, mas pelo que ela fez nos homens que a entenderam.

Místico encontro! Ainda podia-se ouvi-lo dizer em língua semita: Eli! Eli! Lamá? Lamá azav'tani? Meu Deus! Meu Deus! Por quê? Por que me abandonaste?

אלי אלי למה עזבתני

A resposta não é tão óbvia, mas está ao alcance daquele que perguntar...