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22 de jan. de 2015 | By: @igorpensar

Católicos Evangelicais e Tridentinos

De acordo com o estudioso católico George Weigel o grande esforço da Igreja Católica Romana, principalmente, a partir do Papa Leão XIII é enfatizar a associação catolicidade e evangelicalidade. Outrora, em resposta à reforma protestante, a partir de Trento, a ICAR quis afirmar sua unidade por uma ardorosa defesa de suas fontes de autoridade (Escritura, Tradição e Magistério). Entretanto, esta ênfase, segundo alega Weigel, fez com que o cristianismo em seu formato católico perdesse força e relevância em uma Europa crescentemente pós-cristã e secularizada. Curiosamente, em nossos dias (inclusive no Brasil) há um movimento dentro da ICAR que é o recente número de jovens católicos que apreciam justamente o formato clássico de catolicismo (pré-Vaticano II), a turma gosta de rito tridentino (missa em latim, sacerdote de costas etc) veja aqui: http://oglobo.globo.com/…/missas-em-latim-com-padre-de-cost…. Já conversei com amigos por aqui, que meu desconforto com este movimento é que ele vai na contramão de uma série de esforços no sentido de dar uma ênfase em uma catolicidade que se constitui em sua evangelicalidade. Penso em Vaticano II, documentos como Dei Verbum, Verbum Domini, Lumen Gentium, Evangelii Gaudium e a Nova Evangelização. Esses jovens que apreciam Trento e a liturgia tridentina são em sua maioria aderentes de uma cosmovisão conservadora (amam G.K. Chesterton, Russel Kirk e Roger Scruton), isto tem seu lugar. Porém, fico pensando, até que ponto isto não é uma modinha contraproducente. O livro de Weigel é fundamental pra entender uma outra via que a tradição católica oferece, e que eu, como protestante aprecio: Jesus Cristo precisa voltar a ser (re)enfatizado como o núcleo da catolicidade. Aos irmãos evangélicos mais anticatólicos, minhas desculpas, mas tenho profundo interesse no diálogo com católicos. Em um mundo secularizado, não vejo outra opção.

Referência bibliográfica: http://www.amazon.com/Evangelical-Catholicism…/…/ref=sr_1_1…
27 de out. de 2012 | By: @igorpensar

Protestante e Católico (Universal)

"Se o protesto da reforma significa alguma coisa, então, certamente há uma dicotomia, ou no mínimo, uma diferença entre ser reformado e ser uma católico romano. Sobre isto, eu concordo plenamente. Porém, eu não acho que Roma é detentora da catolicidade. Nossa fé "católica" é a fé histórica da Igreja, enraizada nas Escrituras, recebida dos apóstolos, elucidada e articulada em credos e concílios ecumênicos, reformada em nossas confissões, com a convicção que o Espírito de Deus tem guiado a Igreja através da história. A reforma protestante não é uma "mudança de paradigma", a "emergência" de uma "nova fé". Ao invés, deveríamos ver a reforma protestante como um movimento de renovação agostiniana na Igreja Católica."* (James K.A. Smith**)

Quando Smith se refere ao termo "católico", não faz referência ao "catolicismo romano", mas ao sentido literal do termo grego katolikós (universal). A catolicidade se constitui naqueles princípios comuns que unem e definem os cristãos universalmente. O que obviamente, transcende o catolicismo romano.


A tese de Smith é que a fé protestante reformada não é um movimento "novo", mas um esforço para retomar o que há de mais universal na fé cristã clássica e histórica. A menção a Agostinho de Hipona no texto, refere-se ao esforço deste grande teólogo da Igreja, em afirmar a suficiência da graça em Cristo para salvar o pecador e sua oposição à heresia pelagiana, que insistia em uma "capacidade inata" nos homens para obedecer a Deus, e assim, serem aceitos por Ele. Tal heresia comprometia a doutrina apostólica e paulina que concebe o homem como "morto em seus delitos e pecados" (Ef 2), incapaz de se voltar para Deus, o que explicita o fato de que a salvação dependeria de uma ação soberana, procedente graciosa e exclusivamente de Deus. 

A ênfase em Cristo e na graça foi retomada por Agostinho e renovada pelo movimento protestante (lembrando que Lutero foi um monge agostiniano). Neste sentido, a catolicidade é o solus Christus (somente Cristo) e sola gratia (só a graça), como revelado nas Escrituras (sola scriptura). Exatamente, os princípios afirmados pela fé protestante. Estes seriam os elementos "católicos" da Igreja.  Desta forma, a fé reformada é católica em seu sentido mais profundo.

* Citação do texto John Calvin’s Catholic Faith.
**James K.A. Smith é uma filósofo americano, atualmente é professor de filosofia no Calvin College. Escritor profícuo, escreve sobre ortodoxia radical, cristianismo e pós-modernidade, liturgia e adoração e ética.