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29 de nov. de 2010 | By: @igorpensar

James Parkes: judaísmo e cristianismo

Por Igor Miguel*

James Parkes (1896-1981) foi clérigo anglicano, historiador e ativista social. Em 1929 escreveu sua primeira publicação intitulada The Jew and His Neighbour (O Judeu e seu Próximo), onde propõe a abertura de um diálogo entre cristianismo e judaísmo, especificamente interessado em uma reavaliação de cristãos em relação a religião que foi matriz cultural de sua fé.

Parkes se engajou fortemente na denúncia de algumas produções cristãs de cunho antijudaico e antissemitas, tratou estas questões de forma muito equilibrada, assumindo as tensões entre ambos os lados (judaísmo e cristianismo), fruto deste trabalho nasceu sua famosa obra: The Conflict of the Church and the Synagogue (O Conflito da Igreja e a Sinagoga) escrito em 1934. Sendo esta sua obra magna dentre seus 33 livros e centenas de artigos publicados.

Graças a Parkes, hoje há um centro de estudos de relação entre judeus e não-judeus na Universidade de Southampton (Parkes Institute), fundado por ele em sua carreira acadêmica independente. Um dos maiores centros de referência desta modalidade de estudos na Europa, perdendo talvez só para Institutum Judaicum Delitzschianum de Franz Delitzsch na Alemanha.

Traduzo abaixo um trecho de um de seus artigo sobre o diálogo entre judaísmo e cristianismo, um de seus melhores artigos. Compartilho os mesmos sentimentos deste cristão anglicano pioneiro na aproximação destas duas tradições há décadas atrás:
"Neste tempo e geração, eu não apenas não desejo ver a conversão de todos os judeus a presente forma de cristianismo, e tão pouco busco a união de duas religiões. Isto pode acontecer no futuro. Mas, isto só poderia vir a acontecer quando eu posso abertamente trazer tudo que valorizo da tradição cristã a um tanque comum onde o judeu possa igualmente trazer abertamente tudo que ele valoriza da tradição judaica. E, certamente este dia não chegou ainda, e em nossa atual circunstância uma religião feita de remendos e compromissos e sínteses superficiais seria um monstro carente das muitas qualidades que cada tradição poderia legar de seus respectivos permanentes valores para a humanidade." (James Parkes – Judaismo e Cristianismo – tradução e grifo nosso).
Amei este trecho!
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*A introdução biográfica foi baseada em textos da web e da wikipedia em Inglês no verbete James Parkes (clergyman)
3 de ago. de 2010 | By: @igorpensar

Salvação pela Graça

Por Igor Miguel

Espero que este texto seja o primeiro de uma série de impressões sobre os fundamentos do evangelho e as conexões existentes entre a fé cristã em sentido estrito e suas origens no judaísmo. Quando digo, "sentido estrito", afirmo que a fé cristã deve ser considerada como um movimento legítimo de acolhimento das nações não-judias em Cristo. Porém, devido a sua diversidade confessional e teológica durante a história e os diversos ambientes culturais em que se instalou, alguns ramos do cristianismo e algumas tradições inerentes a seu desenvolvimento, acabaram por absorver elementos não-cristãos e não-bíblicos em seu arcabouço. [clique aqui e baixe o artigo completo em PDF]

17 de nov. de 2009 | By: @igorpensar

Reformado? Emergente? Judaico?

Por Igor Miguel

Sei da pergunta inevitável, andam me mandando e-mails a respeito, sua pergunta é: que blog é esse? Reformado? Emergente? Judaico? Marxista? Liberal? Teológico? Educacional? O que você produz definitivamente neste blog?

Existem blogs que são explicitamente religiosos, pois assumem uma linguagem religiosa e um conteúdo de natureza explicitamente teológica. Porém, de forma alguma digo com isso que meu blog não seja de conteúdo teológico, ou que apresenta um conteúdo implícito, subliminar, neutro, ou coisa do gênero. De fato não! Não há um meta-discurso neste blog, há é um discurso claro, em linguagem clara, em termos que o mundo cultural compreenda.

Não há neutralidade religiosa, meu blog é explicitamente cultural, e religioso na medida em que pressupostos da minha visão de mundo iluminam ações reais em um mundo real.

Os conteúdos aqui são iluminados por uma filosofia judaico-cristã, cujos princípio filosóficos pré-modernos, iluminam minha atuação política, educacional, intelectual e cultural.

Onde localizo as fontes da minha cosmovisão? Primariamente nas Escrituras Sagradas, fonte de toda inspiração e revelação. Daí, derivam percepções e tradições interpretativas que iluminam sua prática. Recorro à tradição judaica, em específico, os ecos desta tradição na tradição talmúdica, midráshica e targumica. Para mim, ignorar os fundamentos judaicos do cristianismo é um anacronismo, o que não se traduz em "judeulatria" ou algum tipo de "etnocentrismo teológico", ao contrário, o cristianismo é enriquecido a partir desta perspectiva e há muita gente pensando sobre isso há alguns anos: James Parkes, Oscar Skarsaune, W.D. Davies e outros. Tradição que considero de fundamental importância.

Por outro lado, posso dizer que nos últimos 4 anos, tenho recebido boa influência da percepção de mundo neo-calvinista, sob os auspícios de Abraham Kuyper, Herman Dooyweerd, Nicholas Wolterstorff e outros. Esta é uma tradição que dialoga em muito com a ética judaica, principalmente aquelas traduzidas em termos modernos como Martin Buber, Franz Rosenzweing e Abraham Joschua Heschel, porém com um elemento importante, Jesus Cristo.

Não poderia deixar de mencionar, que há algo em específico, um tendência teológica latina que me apaixona toda vez que me aprofundo sobre o tema. Refiro-me a proposta exposta por Rene Padilla [excetuando sua dependência do materialismo-histórico] chamada: missão integral. Um conceito de que a evangelização está comprometida com um evangelho pleno, integral e expansivo, me apaixona, borbulha em meu coração. Qualquer tentativa de percepção do evangelho que o coloque na condição devida, no status que lhe cabe, me interessa.

Não acredito em revelação sem teologia e teologia sem tradição, lemos a Bíblia a partir do que já foi lido. E muita coisa dita "nova", brota de uma ação dialeticamente dirigida pelo Espírito a partir de determinada tradição. Estas são combinações que me interessam.

Enfim, todo conteúdo deste blog é orientado por uma tradição que se dividiu e deve se reconciliar. Por um lado a tradição cristã, que deve em muito a Agostinho, Calvino e Kuyper, por outro judaica, que deve em muito ao farisaísmo, hassidísmo, Buber, Rosenzweing and Heschel, e isto não é pós-moderno, é a delimitação devida a minha atuação como discípulo de Jesus Cristo, sabendo lidar com a tradição de forma dinâmica e aberta, até que cheguemos à unidade da fé. Até que a conversão do coração dos filhos aos pais e dos pais aos filhos, seja uma realidade.