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8 de ago. de 2013 | By: @igorpensar

Meninos não usam armas, menores sim

Em que mundo algumas pessoas vivem?  A discussão sobre um menino de 13 anos ter matado seus pais e ele mesmo ter se matado, parece tão improvável, né?  Os questionamentos se dirigem principalmente ao fato de como um menino de 13 anos poderia manusear uma arma de fogo e mimimi.  Pois bem, acho que este pessoal vive em um outro mundo.  Jaílson de Souza e Silva, da ONG Observatório de Favelas do Rio de Janeiro, chamou minha (nossa) atenção a um fato: quando o menino da favela puxa uma arma e assalta e mata outro menino da não-favela, a notícia é veiculada em tom genérico: "menor mata menino".  WHAT???  Mas, "perae", o menor também é menino, e o menino também é menor.  Mas sabe como é, menor é um não-menino, e o menino é um não-menor, certo? Errado!  Gente, todo dia, eu e meus colegas de trabalho (Aender Borba me ajuda ai), quando lidamos com a realidade de comunidades em situação de risco, entramos em um mundo que poucos conhecem.  A periferia é um mundo invisível, desconhecido por grande parte da classe C emergente.  Lá na "perifa" algumas crianças manuseiam armas com muito menos de 13 anos, e sabem manuseá-las razoavelmente bem.  O tráfico de drogas descobriu que colocar "menores" na interface "consumidor" e "traficante", protege o traficante, afinal, os "dimenor" são "apreendidos" e não "presos".   Mas, sabe como é, eles não são meninos ou crianças, são menores.  Menores manuseiam armas, o menino de classe média, é menino, é um anjo, não sabe segurar uma pistola semiautomática.  Temos que admitir que o discurso geral trata a criança de periferia como um tipo de não-criança, para não dizer, um tipo de "não-ser", e isto atinge em cheio nosso senso cristão de equidade.  Para muita gente, quando Jesus disse, "vinde a mim as criancinhas", o "menor" estaria de fora, pois ela não é mais criança, nunca foi.  Pelo menos, para alguns fariseus de nossa cultura de massa.
20 de set. de 2011 | By: @igorpensar

Crianças diante do Criador

Por Igor Miguel


Não quero que meus filhos brinquem que Deus é um ser imaginário, fruto do acaso e da decepção com o tempo.   Quero que brinquem com Deus mesmo, que rolem no chão ao rirem de suas proezas, chorem desnudados diante de sua absoluta pureza e se emocionem com sua habilidade em confundir as probabilidades.

Quero vê-los correndo sobre grama verde e sentirem o vento como um hálito soprado por Deus.  Que sejam tomados de assombro quando os relâmpagos rasgarem os céus em estrondoso e tardio trovão.   Quero que sejam visitados por sua presença em noites silenciosas, sintam as letras do Livro Sagrado cuja sacralidade procede de seu admirável conteúdo.  

Gostaria de me ver em meus filhos rompendo em olhar curioso o rumo das gaivotas, e cheios de senso de sentido, perguntarem o destino da revoada.  Que eles lancem os olhos em noite escura para um céu infestado de estrelas exibidas, brincando de ligação de pontos, procurando por ordem ao que parece arbitrário e aleatório.

Que meus filhos se deixem encantar.  Que sejam cheios de gratidão por verem um mundo tão excitante e tão cheio de vida.  Mesmo no drama da dor e da perda, que saibam dar graças, pois mesmo a perda e a morte não podem dar cabo da vida que ainda floresce.

Que juntem mãozinhas em sinal de gratidão e digam com toda doçura: "papai do céu."  Que vejam no "papai deles", este sujeito trôpego e vacilante, o olhar que o Senhor do Tempo lhes dirige, mesmo quando ele - o pai deles -  não pode mais vigiá-los.

E que finalmente, se descubram maculados e percebam, o mais cedo possível, que nasceram com defeito.  Que não podem muitas coisas, que são egoístas, iracundos, ressentidos e ambiciosos.  Que descubram rápido que o vaso é belo, mas está trincado.   E finalmente, ao serem tomados pela vergonha de sua própria condição... que possam correr para a cruz.  E lá, ao abraçarem o Filho com fé inabalável, que se encontrem com o verdadeiro Pai, com Aquele que verdadeiramente os amou.  E assim, quando já estiverem jovens e independentes, que corram sob grama verde, como no início, e voltem a ser crianças recém chegadas ao mundo... ao novo mundo que Deus inaugurou.
E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles.   E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. (Mt 18:2-3).