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26 de nov. de 2015 | By: @igorpensar

Diamante na Latinha

Pense em um diamante guardado dentro de uma latinha de refrigerante, largado em um canto qualquer da rua. Por mais que você seja atento ou um bom observador, a riqueza que pode revolucionar sua vida, passará desapercebido. Talvez, você até segure a lata, escute o barulho do diamante, mas suporá que seja uma pequena pedra tão desprezível quanto a lata. Jamais saberá que tem um "Le Bijou du Roi" em seu interior. Você a desprezará entendiado.

Você só dará a atenção devida, se por algum razão, você for informado que naquela lata em particular foi depositado um diamante precioso. Neste momento, você não verá a lata como mera lata, mas como um objeto honrado, e escolhido discreta e intencionalmente para depositar tamanha preciosidade.

O cristianismo sustenta-se em um enigma curioso. Deus depositou sua maior preciosidade, seu Filho Unigênito, para quem o Universo foi criado dentro de um corpo frágil, humano, de um judeu galileu, que viveu até seus 33 anos de idade.

Naquele corpo violentado na cruz, habitou a maior riqueza do universo, toda plenitude, tudo que os homens sempre desejaram. Lá, no escândalo do corpo crucificado, estava a única coisa digna de se sacrificar, de morrer e viver, lá estava Ele, uma fonte de sentido inesgotável. Mas, ainda em um corpo frágil, escondido em um recipiente ordinário, amassado, descascando sua tinta, e aparentemente tão descartável.

Deus depositou sua glória no corpo de Cristo, pois seu conteúdo só poderia ser compreendido por iluminação. Somente os que dão ouvido ao Espírito que fala pelas Escrituras pode vislumbrar tão inestimável depósito. Claro, ainda não vemos a glória deste diamante em todo seu resplendor, mas basta-nos um pequeno brilho, para inferirmos que ali reside um incrível tesouro. O que fazemos? Trocamos esta mísera vida, por este precioso tesouro. Não é possível outra resposta!

Foi isso que Jesus nos ensinou: "O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo." (Jesus -- Evangelho de Mateus 13:44).
29 de jan. de 2015 | By: @igorpensar

Feliz pra burro!

Felicidade é uma das coisas mais difíceis de definir. Devida a sua complexidade, muita gente, por ser partícipe de uma preguiça culturalmente propagada, acaba adotando uma versão apressada, por isso superficial, de felicidade. Para os tais, ela é algo que se sente, que faz bem, que dá 'paz de espírito', algo 'gostoso'. Gente assim, gente como a gente, confunde felicidade com barato, balada, desempenho sexual, entretenimento, compras ou prazeres narcísicos.

Não poucas vezes, na cabeça de muita gente, felicidade é "privação de sofrimento". Neste ponto, volta-se a um tipo de intolerância à contradição ou privação, uma certa baixa resistência existencial. Daí, encontra-se gente quebradiça e com alto grau de vulnerabilidade emocional. Geralmente, pessoas instáveis e superficiais nas relações interpessoais, profissionais e religiosas. Qualquer coisa que contradiga suas paixões, seus desejos, é descartado, e mais uma vez lança-se à repetição ou à intensificação das experiências. Afinal, aprofundar-se exige tempo e trabalho, então quanto mais prazer se consegue extrair de experiências e relações superficiais, melhor (estou sendo irônico).
 
Hoje em dia, é um tesouro encontrar mulheres profundas, sensíveis e inteligentes, como é raro encontrar homens profundos, sensíveis e inteligentes. Ironicamente, no final do dia, continua-se triste, vazio e com o coração oco. E a felicidade? Talvez esteja entre os resilientes, os que encontram sentido no sofrimento, ou entre os que já se cansaram de fazer esta pergunta.
4 de nov. de 2014 | By: @igorpensar

Refúgio Existencial

Muita tensão é colocada sobre a vontade humana. O fardo que nos foi imposto de que somos senhores de nosso destino é insuportável. Não adianta, tem situações que você não pode provocar, eventos que você não pode controlar e sofrimentos que você não pode prever. Como sobreviver a tudo isso? Procure um refúgio de sentido onde se pode apreender significado de cada evento contraditório. Neste ponto, há algo em Cristo que torna a vida bem mais significativa, pois é a única expressão religiosa que se constitui sobre um evento de imenso sofrimento e sacrifício, refiro-me à paixão de Cristo. Quando a narrativa e crença cristãs concebem a inocência do jovem judeu como Filho de Deus, isto torna tudo exponencialmente ainda mais significativo. Deus está também abraçando o sofrimento na cruz em um corpo humano. Logo, ninguém pode dizer que Ele é indiferente às agruras humanas, ao contrário, ele transforma a dor e a tensão em uma plataforma de salvação, eternidade e sentido existenciais. Por isso foi dito pelo apóstolo: "Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos." (II Co 4:8-9).
3 de nov. de 2014 | By: @igorpensar

Saulo foi Assaltado por Deus

O que aconteceu com Saulo (Paulo) a caminho de Damasco foi um assalto. O Cristo furtou aquele jovem judeu de uma brilhante carreira entre os mestres de Israel. Arrebatou-o de seus projetos de felicidade baseados em sua autonomia. Desde então, seu coração foi tomado de novos desejos, novas expectativas e novos sonhos, agora, desejava conhecer a Cristo, viver e morrer por Ele, lançava-se em uma vida de riscos, pois descobrira enfim um tesouro sobremodo elevado. O assalto de Cristo salvou-o da mediocridade de suas expectativas sobre Deus e sobre si mesmo. Deus salvou Saulo de uma falsa reputação.
24 de set. de 2014 | By: @igorpensar

Religião de Cima pra Baixo

Não acho que religiões são caminhos alternativos para um mesmo fim. Acredito que existem diferentes religiões, diferentes concepções sobre a divindade e diferentes éticas religiosas. Logo, como cristão, sou obrigado a destacar a singularidade do cristianismo diante de outras expressões religiosas. Considerei seriamente durante parte de minha vida outras possibilidades de espiritualidade. Cheguei a pensar seriamente, em um determinado tempo de minha vida, a seguir um caminho pelo misticismo ou me converter formalmente ao judaísmo e coisas semelhantes. Ponderei, mas cheguei a conclusão que a maioria das religiões propõem uma espécie de espiritualidade "debaixo pra cima". 

As religiões em geral propõem uma espécie de ascensão a partir de determinadas performances. Ou seja, a elevação e a comunhão com o sagrado exige alguma coisa que você tem que "fazer" para chegar a Deus. Então, percebi, que salvo alguns formatos desinformados de espiritualidade cristã, o cristianismo é a única espiritualidade que afirma exatamente o contrário. 

A fé cristã é uma espiritualidade "de cima para baixo", isto é, o sagrado que vem na direção dos homens para salvá-los. O cristianismo afirma que não há nada que o homem possa fazer para se tornar aceito diante de Deus. Deus mesmo é quem faz e realiza a salvação. Por isso, Jesus Cristo é tão estimado pelo cristianismo. Pois Ele é a própria expressão de Deus indo em direção aos homens. O Deus encarnado, humanizado e vindo em resgate de suas "ovelhas perdidas". 

Não há nenhuma religião, além do cristianismo, que diga que Deus está em busca dos homens e que não há nada que eles possam fazer para se chegar a Deus. Esta iniciativa é uma exclusividade de Deus. Paulo, Agostinho e os reformadores identificavam este atributo divino de vir em direção aos homens para salvá-los com palavras como "graça" e "amor". 

Então, o cristianismo não é uma religião como as outras que propõem caminhos alternativos para chegar ao Deus que está no topo da montanha. A fé cristã é a única espiritualidade que diz que Deus desceu da montanha para resgatar homens que o ignoravam. Este é o escândalo do cristianismo e sua maior virtude.
23 de set. de 2014 | By: @igorpensar

Barco Vazio

"From the stern to the bow
Oh; my boat is empty
Yes, my heart is empty
From the hole to the how"

"Da proa à curva
Oh; meu barco está vazio
Sim, meu coração está vazio
Do furo ao como"

(Música The Empty Boat de Caetano Veloso)

A descrição do abismo que se instala no centro da existência humana. Todos os homens são acometidos por esta perda de sentido, esta falta de amparo e esta incompletude. O mestre cristão africano Agostinho em uma jornada espiritual, descreve esta perturbadora ausência, em lágrimas, grita aos céus por alívio. Repentinamente, ao voltar-se para Cristo, depositando nele sua confiança, vê-se invadido de indescritível alegria e plenitude. Torna-se disposto a sacrificar tudo. E isto, apenas porque percebeu um suave hálito da eternidade, o que dirá quando estiver imerso em um mundo onde o conhecimento do Senhor cobrirá a terra, como as águas cobrem o mar. Cristo não quer seu barco vazio
6 de set. de 2010 | By: @igorpensar

Mano Véio

Por Igor Miguel

Legenda:
E: Evangelista
J: Jovem Pós-Moderno


E: - Qual é maluco? Tudo bem?
J: - Qual é! Só...
E: - Mano. Tenho uma coisa punk pra te falar. Cê tá ligado?
J: - Só véio. Pode mandar ver!
E: - Véi. Você já se ligou sobre o sentido de sua vida cara? Por que você faz o que faz?
J: - Ah... sei lá! Porque é uma curtição... É bom curtir a galera. Pegar umas menininhas. Sacou?
E: - Saquei. Mas... "é bom" em que sentido? Como assim, "bom".
J: - Cara, é bom véio. Fala que você não acha bom?
E: - Mas e aí? Você se sente realmente legal com isso? Você não acha que tem um lance além disso?
J: - Cara, sei lá. Só sei que é bom curtir.
E: - Beleza cara. Você já imaginou perguntar para um canário em uma gaiola o que ele acha de sua vida? Vamos chutar. O que você acha que ele responderia se pudesse?
J: - Sei lá. Tipo... Me tira daqui!!!
E: - Cara, eu acho que não. Acho que o canário diria algo como: - Cara isto aqui é a maior curtição. É muito bom ficar aqui. Tem comida toda hora, água fresca, tem até uns poleirinhos que fico pulando de um lado e pro outro. Eu canto, sinto o vento as vezes, vejo outros caras cantando lá fora. Mas, eu curto. Tá bom aqui. É legal.
J: - Pô véio! Que canário burro! Tem mó ar livre lá fora, ele pode curtir a vida, voar pelo mundo todo. Achar comida por aí numa boa.
E: - Pois é meu véio. O que achamos que é liberdade, nem sempre é liberdade. Ficamos tão distraídos com "poleiros", "comida" e "água", que esquecemos que estamos em uma gaiola, e achamos isto é a maior curtição. Estamos tão distraídos com a galera, a balada e a mulherada, que esquecemos que há liberdade lá fora. Que há vida além das grades da gaiola.
J: - Como assim?! Me fala mais sobre isso!
E: - Mano. Nós homens somos avacalhados por completo. Somos idiotas e vivemos o tempo inteiro arrumando um jeito de nos distrair e não tratarmos com a sujeira que escondemos debaixo do tapete. Tá ligado? E o tapete é a distração, a curtição. Todos os dias arrumamos um monte de distrações para não encararmos nosso fedor. E ficamos como micos amestrados, canários na gaiola, hamsters na rodinha, achando que aquilo é a maior liberdade, quando é a maior estupidez. E ainda por cima, nos achamos descolados. Isto é muito tosco véio, muito tosco.
J: - Mas, o que a galera maloca [esconde]?
E: - Cara. Geral esconde o pecado, a sem-vergonhice e a sujeira. E isso tem uma raiz. Se a gente não encara esta parada malocada da forma que ela é, vamos viver o resto da vida nesta ilusão, achando que é malandro, mas é uma pilantragem geral.
J: - Eu não tenho nada disso não mano véio, aqui, to de boa, to limpo!
E: - Tá de boa nada! Você é igual a mim, você não é melhor do que eu, somos todos um bando de vacilão. Tá ligado? E só tem um jeito de resolver esta parada. Você fraga?
J: - Não. Qual é desta parada?
E: - Cara. Jesus Cristo foi um judeu dá pesada. Ele é diferente da turma de sua época. Ele era um cara que sabia viver de uma forma, que a galera o cercava para saber quem era aquele filho de carpinteiro. Ele sempre dizia o que ninguém esperava. Sempre vivia fora do sistema, fora do que os alemão queriam. Jesus era tão brother, tão brother. Mano, ele amava tanto a galera, que Ele morreu pelo homem, sem culpa alguma, só pra denunciar, eliminar, tudo aquilo que caras como eu e você fazemos.
J: - To chocado!
E: - Pois é cara. Se liga só. E a parada é que Ele morreu na cruz e surpreendeu todo mundo com sua ressurreição. Mano, Jesus apareceu pra uma turma da pesada, os caras se arrependeram, por terem deixado ele na mão, e ainda falou com o dedo-duro de um de seus brother, um mano véio chamado Pedro, geral se arrependeu. Cara, a turma vibrou tanto com sua ressurreição, aquilo foi tão forte, que a galera quis viver aquele estilo de vida. Descobriram que eram "canarinhos distraídos" e saíram pelo mundo vivendo aquele barato para além da gaiola, ensinando mais gente a respeito disso.
J: - Que doideira esta lenda!
E: - Pois é. Muita gente diz que é lenda. Geral tenta negar isto. Mas, se quer saber... Quando a gente entende esta história, parece que alguma coisa na gente diz que é verdade. Alguma coisa queima no coração e começa mostra nossa condição suja. Aí véio, a única opção é se arrepender de verdade. É admitir que pecamos mesmo, que somos fanfarrões mesmo, e que sem Jesus, sem o que ele fez por nós, sem o amor dele, nós estamos na lama! Do contrário, vamos viver na gaiola. Tá ligado?
J: - Então o que faço cara? Me ajuda aí!
E: - Arrepende véio! Arrepende! Admite que você tá perdido! Admite, que você quer ser livre. Que Jesus Cristo faz sentido e que você quer ajuda. Você quer o amor dEle, a graça dEle. E pula pra dentro! Deixa Ele cuidar de você.
J: - Cansei véio. Quero uma nova vida. Quero mudar cara! Quero mudar...

"Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus
o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo."

(Carta de São Paulo aos Romanos - Capítulo 10, verso 9).
5 de jan. de 2010 | By: @igorpensar

A vida tem sentido?

Por Igor Miguel

Os filósofos da antiguidade dedicavam-se em organizar as perguntas e as respostas inerentes à existência humana. As perguntas clássicas giravam em torno da origem, existência e o sentido da vida humana.


A última pergunta sempre me incomodou. De alguma forma, as duas primeiras perguntas, que envolvem “de onde viemos” e “o que somos”, podem ser respondidas pela última: “para onde vamos?”.

Eis uma questão que envolve o “sentido da vida”. Neste ponto lembro-me de uma lenda judaica, que diz que enquanto estivemos no útero de nossa mãe, sabíamos todos os segredos do universo. Sabíamos o sentido da vida e toda sabedoria para lidar com a existência, porém, quando nascemos, por uma obra misteriosa, nos esquecemos de absolutamente tudo que sabíamos na vida intrauterina. A partir daí, do dia do nascimento, nos engajamos em uma missão de reconstituição dos segredos esquecidos.

Esta lenda ilustra algo interessante, a ideia judaica de que a vida tem algum sentido, que ela caminha rumo a algum tipo de realização e plenitude. O progressivo processo de desencantamento do homem (Max Weber), uma vida outrora permeada de sentido religioso, torna-se gradualmente submetida à ideia de que, a razão e a lógica, trariam todo sentido da vida. Em vários momentos os homens darão respostas diversas à “finalidade” da vida. Alguns reduzirão o destino humano à produção material, outros à realização intelectual ou mesmo à realização política. Como sempre acontece, os mecanismos modernos procuram achatar não só a existência humana, mas também, o destino (“telos” em grego) dos homens, a seus ídolos e seus pressupostos. Não é só um reducionismo do ser, do existir, mas também uma redução do propósito da existência, do sentido de vida. Em termos filosóficos, não é apenas um reducionismo ontológico, mas também teleológico.

Os relativistas, por sua vez, tendem a quebrar qualquer possibilidade de “objetivo” de “telos” (fim). Eles o fazem, partindo do pressuposto de que essa é uma maligna herança judaico-cristã que contaminou o mundo científico, e deve ser purgado, tendo em vista a elaboração de respostas científicas realmente a-religiosas. Já comentamos as recentes investigações sobre a pretensa neutralidade religiosa da ciência (Guilherme Carvalho e Roy Clouser).

O homem não está reduzido à razão, mas uma das funções de sua racionalidade é elaborar um modelo de sentido da realidade. Todos compreendem o mundo a partir de uma estrutura de crenças que orientam o comportamento humano a um determinado fim. Esse “impulso” para além, é chamado de “movimento transcendente”, o homem tende a ir para além dos fins imediatos.

O mundo moderno, centrado na lógica do consumo e da apropriação como fim humano, é desumanizador. Principalmente porque coloca um dos “meios” como “fim”, como o sentido último da vida. Ao dizer que o dinheiro é a realização, que o poder de aquisição é a resposta definitiva pra vida, os outros aspectos da vida humana são esmagados pelo peso da soberania dada à esfera financeira. Como consequência, os outros aspectos tornam-se territórios selvagens ou não civilizados, que precisam ser “domados” pelo que realmente interessa. Assim, a modernidade explora a transcendência humana, impondo uma cultura de realização definitiva na aquisição de bens, quando não, na realização estética ou enfim no uso do poder
per se. Um círculo vicioso cruel em que o consumo é retroalimentado pelo desejo de ir além.

Uma resposta seria o desenvolvimento de uma modelo de crenças alternativas, de uma estrutura de valores que considere o que é realmente relevante para o humano, aquilo que faça parte de sua humanidade em toda sua complexidade, sem absolutizar e sem ignorar quaisquer um de seus aspectos.

O salto do homem a um fim, a partir de um modelo que organize o sentido de sua vida, dá-se por meio de uma “fé radical”, uma crença, uma confiança qualitativa em algo que possa amparar sua trajetória existencial. Um alerta é que ídolos e parasitas espirituais se aproveitam desta abertura radical à fé e propõe falsos modelos orientadores da realidade, criando uma percepção distorcida do mundo, das pessoas e dos fenômenos a seu redor.

Modelos que absolutizam ou que relativizam são os mais perigosos. A percepção cristã é que a humanidade está vulgarizada e radicalmente depravada pelo mal, o misticismo judaico chamaria isso de “quebra dos vasos”, um comprometimento estrutural do mundo e dos homens. Neste caso, a única solução seria a redenção ou restituição da condição original.

O primeiro passo para acessar uma visão de mundo responsável seria adotar modelos que expõe a totalidade da depravação humana, cuja alma em desespero, só tem a opção de lançar sua fé naquele que o ama, por isso o denuncia. Um retorno radical, um arrependimento profundo, que parta da consciência de que o homem e seus feitos estão comprometidos absolutamente. Somente este “retorno”, esta
teshuvá (como diríamos em hebraico), poderia desencadear um processo de transformação profunda neste homem. Uma mudança de mente (metanóia em grego), uma quebra radical de falsos sistemas de crenças, somente isso, poderia conduzir os homens de volta ao verdadeiro sentido da vida.