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1 de set. de 2012 | By: @igorpensar

Novo Estatuto do UMJC [denúncia]

Para quem não sabe, a Union of Messianic Jewish Congregations (União de Congregações Judaico-Messiânicas) internacional refez seu "estatuto de fé", melhorando e muito, afirmações que já eram explícitas no formato anterior, explicitando principalmente seus vínculos com a ortodoxia cristã.

O judaísmo-messiânico que chamo "kosher" é aquele composto por judeus de fato e autenticamente judeus que reconhecem em Jesus o Messias e Senhor, pleno de sua divindade, e efetivamente fonte donde procede toda salvação.  O que não pode ser confundido com movimentos compostos por gentios que se afirmam serem judeus por puro fascínio pela tradição judaica e o povo de Israel.

O problema é que existem congregações ligadas ao UMJC no Brasil que não concordariam com as afirmações da organização que supostamente as preside, como se observa abaixo.   Principalmente, depois do novo "ajuste", onde explicitamente, se reconhece o valor da Trindade e da Tradição Teológica do Cristianismo.

Quem quiser acessar a versão original clique aqui.

Alguns trechos importantes que traduzimos:

"Há apenas um Deus que se revelou como Pai, Filho e Espírito Santo. Toda ação divina no mundo é alcançada pelo Pai, realizada através do Filho e no poder do Espírito. Este Deus se revelou na criação e na história de Israel como transmitido na Escritura." (Gn 1:1; I Co 8:6; Ef 4:4-6).
[...]
"A tradição judaica serve como ligação viva que nos conecta como judeus contemporâneos a nosso passado bíblico e prove recursos necessários para o desenvolvimento de um estilo de vida e pensamento judaico-messiânicos. Não obstante, a tradição teológica cristã oferece ricas percepções na revelação do Messias e sua vontade, e judeus-messiânicos precisam recorrer a esta riqueza (Ts 2:15; Rm 13:7; Jd 3)."
Em outras palavras, qualquer comunidade que se diga filiada ao UMJC no Brasil que não crê na Trindade nos termos aí descritos e ainda critica e rejeita a "tradição teológica cristã" simplesmente rebela-se contra aqueles a quem se dizem filiados.  A propósito, ao menos duas comunidades ligas ao UMJC no Brasil, não são trinitárias e tão pouco se posicionaram publicamente a respeito de qualquer favorecimento à tradição cristã.  O que tenho visto e vi por alguns anos, foi exatamente o contrário, como postei em artigo recente por aqui, onde destaco a alegação de alguns ligados ao movimento, que se colocam claramente contra a Trindade.  Logo, assevero, deve-se deixar claro que tais comunidades se aproximam muito mais de um formato restauracionista do que de um judaísmo-messiânico "kosher" que o UMJC se esforça em edificar.
17 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

Judaísmo o que?


Prezados leitores,

Como minha ida ao evento na Congregação Shear Yaakov em São Paulo, como anunciado no site Yeshua Chai anda repercutindo entre os líderes do Ministério Ensinando de Sião e simpatizantes, vou deixar claro aqui no meu blog os seguinte termos:

Em nenhum lugar neste site vocês encontrarão que me oponho ao judaísmo-messiânico como espaço culturalmente apropriado para judeus autênticos expressarem sua fé no Messias Jesus.  Ao contrário, minha luta é contra o falso judaísmo-messiânico ou a distorção travestida de judaísmo messiânico que assumiu uma forma híbrida em território brasileiro.  Me refiro ao restauracionismo, que é uma outra coisa, que pretende indiretamente descredibilizar o cristianismo, suas raízes históricas, produzindo uma sensação de desenraizamento entre cristãos.  Para isto basta ler texto já publicados aqui e aqui.

Gentios cristãos quando em crise com sua fé, em termos históricos e espirituais, e quando desconhecem sua própria história e o evangelho mesmo, tornam-se suscetíveis e tentados a se tornarem judeus, entrando em uma busca frenética por "genealogia", "ancestralidade" ou coisas do gênero.  Quando não conseguem encontrar nenhuma ancestralidade ou não inventam traços de judaicidade, entram de cabeça em propostas teológicas que asseveram que um não-judeu ao "guardar a Torá" ou "observar práticas judaicas" será abençoado etc.

Meu conhecimento do movimento, inclusive entre seus pioneiros, me leva a ver outra coisa: o judaísmo-messiânico jamais pretendeu trazer algum tipo de complicação ao cristianismo.  Como vejo alguns intelectuais do movimento asseverando.  O que querem estes reais e raros judeus-messiânicos, repito, é apenas um espaço no Corpo de Cristo para viverem sua fé e cultura (ponto).  Agora, engajar-se em uma agenda de "restauração da Igreja do I século", como se "restaurar raízes judaicas da fé cristã" fosse um grande objetivo do movimento é uma contradição, inclusive ao "statements" das grandes uniões (UMJC) e similares.

A grande verdade é que ser judeu é:  ser filho de mãe judia.  Em alguns casos, tolera-se o filho de pai judeu.  Ou seja, a memória transmitida e a legitimidade comunitária é o que determina identidade judaica.  Mas, poucos judeus crentes em Jesus no Brasil gozam desta ancestralidade.  Logo, o desconforto e a tensão, inclusive experimentada por aqueles que encabeçam o restauracionismo no Brasil, quando não arrumam um teologia para fundamentar suas escolhas (como fazem os chamados "nazarenos" ou os da teologia "efraimita"), valem-se do fenômeno "marrano" ou do "criptojudaísmo", para sustentarem uma judaicidade simplesmente questionável, alegando um suposto apoio ou interesse de Israel a respeito do marranismo.

Ora, qualquer pessoa que acompanha o fenômeno, sabe, que não há meios de se comprovar judaicidade destes marranos, pelo simples motivo de terem, se tiverem mesmo, uma precária memória oral, sem qualquer testemunho documental.  Logo, o único "tira dúvidas" nestes casos, seria a conversão formal ao judaísmo, como tem sido o tratamento até o momento por parte de algumas iniciativas judaico-ortodoxas.  E se uma pessoa que diz ter Jesus Cristo como seu Senhor, entende a doutrina paulina da adoção, entende a obra magnífica de Deus ter introduzido pecadores na santidade de Deus por meio do sacerdócio de Jesus, ainda dedica tempo, energia, esforço e entra e uma busca frenética ad infinitum por legitimidade até estes termos, sinto muito, está devotando-se a um ídolo.  Enquanto, nós cristãos simplesmente dedicamos energia, para comunicar Cristo nas periferias, em países não alcançados, em nossa vida profissional, para testemunhar e viver Jesus, estes vivem dia-a-dia, só pensando em serem autenticamente judeus perante a comunidade judaica, que ainda simplesmente os vê como não-judeus e ponto.

Outro ponto importante, insistem em afirmar que eu disse que é necessário crer em Calvino, Lutero e/ou os pais da Igreja para que alguém seja salvo.  Qualquer leitor do meu blog, sabe que jamais diria algo tão ridículo.  O que tenho asseverado é que a fé protestante clássica assevera a Escritura como única regra de fé e prática, e isto concordamos todos, entretanto, o cristão precisa considerar seriamente o que nossos irmãos do passado já leram sobre ela. A isto chamamos "tradição".  Interessante, que judeus-messiânicos como David Rudolph, um expressivo teólogo do movimento, esteja envolvido com esta redescoberta da herança teológica cristã junto com outros cristãos nos EUA, que diferença!

A tradição cristã por sua vez não tem autoridade final, e sim as Escrituras, mesmo ela está submetida aos critérios das Escrituras.  Como bem observa Alister McGrath em um excerto que coloquei aqui há alguns dias.  Engraçado que, estes citam rabinos judeus não-crentes com toda tranquilidade, Maimônides, Hilel, Elizer Ben Yehuda, Rabi Akiva etc, e ninguém se incomoda. Alegam que cristão guardam tradições de homens, mas praticam uma liturgia, em muitos pontos, igualmente não relatada nas Escrituras, ostentam símbolos rabínicos como kipá, luzes de shabbat etc etc, sem nenhum desconforto.   Veja bem, todas estas tradições são legítimas dentro de uma comunidade autenticamente judaica.  Mas, o que me incomoda, é a alegação de aquelas práticas tradicionais, realizadas por cristãos sejam pagãs, indiscriminadamente.  Ora, para mim é uma clara afirmação de superioridade cultural, e isto é uma distorção típica de movimentos restauracionistas, desde seus primórdios.

Pelo que me consta, não há nada entre homens como Joseph Rabinowitz, Moshe Ben Meir, Yechiel Tsvi Lichtshtein e outros pioneiros do passado, que o judaísmo messiânico tenha como missão "restaurar o cristianismo" ou levar cristãos a restaurarem suas "raízes judaicas da fé" como algo central para a Igreja Cristã.  A fé cristã e apostólica se sustenta unica e exclusivamente em Cristo em no evangelho, como exaustivamente defendo.

Logo, minha objeção teológica e crítica é ao restauracionismo que concentra energia em assuntos completamente estranhos ao judaísmo-messiânico, como o conheço em suas origens e em breve história, quando comparada com a tradição protestante.

Então, digo claramente, não se deve confundir "restauracionismo judaizante" com "judaísmo-messiânico".  Mesmo que as grandes instituições do movimento apoiem comunidades ou ministérios que praticam "restauracionismo judaizante", o fazem por seus motivos, que a meu ver são igualmente sujeitos a críticas, os quais dispensam comentários.

De qualquer forma, práticas restauracionistas devem ser duramente criticadas, principalmente em dias em que a fé cristã em território brasileiro caminha para um crescente interesse pela centralidade de Cristo e do evangelho.  Que Deus nos ajude a repelir tamanho engano que procura descredibilizar a fé cristã e ofuscar a verdadeira proposta do judaísmo-messiânico.

Por favor, até hoje não vi nenhum tratamento apropriado sobre as coisas que tenho dito e escrito.  Vejo, uma apelação espiritualista e sentimentalista, sem nenhum tratamento dos pontos aqui defendidos.   Vejamos agora algumas coisas que foram escritas a meu respeito no mural do facebook de Joseph Shulam.  A propósito, a conversa foi completamente removida do mural dele, depois que este texto foi publicado, o arquivo em PDF com a conversa na íntegra pode ser acessado aqui.  Abaixo seguem algumas sentenças e minhas réplicas:
"Sr. Igor tem publicamente denunciado todo movimento messiânico, tem falado contra a liderança do movimento messiânico, e pediu às pessoas que não orassem por mim quando estava no hospital em Nova Iorque." (Joseph Shulam)
Não me posicionei contra o movimento messiânico, mas contra o restauracionismo judaizante, que infelizmente se traveste de judaísmo-messiânico.  Quanto ao período em que o Shulam esteve no hospital, eu não disse para não orarem por ele, nunca disse isto, ao contrário, eu mesmo orei pela melhora dele, minha esposa é testemunha.  Pois Cristo me ensinou a orar por todos indistintamente, meu desconforto com todos deste movimento é apenas de natureza teológica.
"Ele experimentou a Torá de Deus e voltou ao velho vômito, como as Escrituras dizem." (Joseph Shulam)
Vejam bem, observem o que é o evangelho para o sr. Shulam: a Torá.  Isto é insustentável, o evangelho é Jesus Cristo, não a Torá. A Torá (lei) mesmo é o "aio" ou "pedagogo" que nos conduziria a Cristo, diz Paulo.  Então, o que estes restauracionistas afirmam é que minha atual experiência e vivência com Cristo em uma comunidade cristã, engajada no amor a Deus, junto com toda comunidade cristã, é "vômito", e depois afirmam em seus púlpitos que não se julgam melhores do que ninguém.  Eu sempre disse que este discurso era para mascarar as intensões reais deste movimento.
"O que acontece aqui é que alguns querem destruir o trabalho e visão do judaísmo-messiânico e o direito dos judeus para expressar sua fé sem qualquer qualquer rei [coisa] da moderna inquisição protestante."  (Matheus Zandona Guimarães)
Como assim destruir?  Ao contrário, quero que os judeus crentes vivam legitimamente sua identidade, tanto que vou a uma comunidade judaico-messiânica este final de semana para comungar com aqueles que são legitimamente judeus em Jesus, para asseverar o direito deles viverem como tais, e para desencorajar gentios cristãos a não caírem na tentação de quererem se tornar  judeus.  Nada que bons judeus messiânicos concordariam.  Mas, claro, restauracionistas vão se sentir desconfortados com isto.
"Vocês não podem ignorar esses fatos. Não deveriam jamais colocar em vosso púlpito uma pessoa que fez uma declaração endereçada à 'Igreja' pedindo perdão por fazer parte do Judaísmo Messiânico, e atestando que a aceitação de dogmas como a 'Trindade' e a inflabilidade de líderes protestantes como Calvino e Lutero, são obrigatórios à salvação do discípulo. Não pode colocar em vosso púlpito uma pessoa que se colocou como inimigo da Restauração dos Anussim, um assunto que atualmente ocupa os principais debates acadêmicos e religiosos de ISRAEL e Portugal. É exatamente sobre isso que ele irá palestrar. Sei que há pseudo-judeus por aí e que complicam a vida de todos nós. Também somos contra esses grupos. Porém, colocar esses grupos juntamente com um mover do Eterno como a restauração dos Anussim, é muita insensatez!"  (Matheus Zandona Guimarães)
No documento me retrato (junto com meus irmãos) de ter ido contra a Trindade, por motivos óbvios, quem questiona a plena divindade do Pai, Filho e Espírito Santo, sim deveriam ser vedados de subirem aos púlpitos e não o contrário.   Nunca em nenhum lugar alego a "infalibilidade dos reformadores ou dos pais da Igreja", ao contrário eles estão sob o crivo das Escrituras, mas, assim como vocês respeitam o sr. Shulam como alguém de importância para vosso movimento, nós preferimos honrar nossos mestres cristãos do passado, o que não significa irrestrita submissão ou uma leitura acrítica.  Esta é uma acusação ridícula e indigna de maiores esclarecimentos.

Não pedi perdão por fazer parte do judaísmo-messiânico, mas por fazer parte de um movimento restauracionista judaizante.   Ao contrário, o que alegamos no documento é:

Apesar de tudo que foi mencionado acima, a nossa retratação não se refere nem pretende atingir a legitimidade do judaísmo-messiânico como movimento apropriado para o acolhimento de judeus que reconhecem a Jesus como Messias, Salvador e Senhor, pleno de sua divindade. O judaísmo messiânico em suas principais representações internacionais, como o UMJC (União de Congregações Judaico-Messiânicas - EUA), é ortodoxo em sua confissão, não ferindo os pilares da fé em Cristo. Esse mesmo movimento deixa claro sua discordância com aqueles grupos que pretendem aplicar uniformemente a Torá (lei) a todos, sem compreender as vocações específicas.
Agora, vejam a docilidade e o tom diretamente doutrinário e teológico  que nossa posição é tratada:
"Saibam porque líderes de comunidades cirstãs sérias em Brasília, São Paulo, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, dentre outros estados, cortaram definitivamente o relacionamento com ele e sua gangue. "  (Matheus Zandona Guimarães)
Curiosamente, com todos os problemas e discordâncias teológicas que tenho com a proposta doutrinária do Ensinando de Sião, jamais ousaria me dirigir a estas pessoas nestes termos. Mesmo, vendo que estão doutrinariamente afastados da centralidade e suficiência do Evangelho, jamais os chamaria de "gangue".  Desculpe-me Matheus, mas, eu te perdoo por esta acusação grave.  Uma pena que você não consiga tratar as questões aqui da forma apropriada, e faça apelações nestes termos.  Mas, não se preocupe, eu o perdoo por isto, Jesus me ensinou isto.  Mas, reafirmo, que continuarei não concordando com vários dos pontos ainda sustentados por vocês, vossa ênfase é errada.  Hoje, todos nós, que desfrutamos da alegria de um evangelho simples, centrado em Cristo, sabemos como é destrutiva uma teologia que coloca outras coisas como centro, excluindo o evangelho da graça pregado pelos santos apóstolos.

A propósito, se Deus quiser, estaremos na Shear Yaakov, compartilhando nossa trajetória de fé em Cristo.  Sinto muito que isto tudo tenha causado tanto transtorno a vocês.

Na graça de Cristo,
Igor

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*Estes trechos foram retirados do mural do facebook do sr. Joseph Shulam.  Para acessar a conversa na íntegra (PDF)  clique aqui na íntegra.
14 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

Palestra: O Novo Supersessionismo


No próximo dia 20 de maio de 2012, o professor Igor Miguel estará presente em São Paulo, na Sinagoga Shear Yaakov. O evento será das 14h30 às 19h00.



Muitos já conhecem o “supersessionismo“, também conhecido como “teologia da substituição”, aquela distorção teológica que afirma ter sido anulada a aliança de Deus com Israel por causa da entrada de não-judeus na Nova Aliança no Messias Jesus.


Entretanto, outro fenômeno ameaça a legitimidade e a autenticidade de judeus crentes, a multiplicação de movimentos que promovem a “fabricação” de “novos” e “falsos” judeus. Milhares de pessoas no Brasil alegam ter uma ancestralidade judaica por se sentirem assim “mais parte do povo de Deus”, e com isto, acabam deslegitimando aqueles autenticamente judeus que creem ser Jesus o Messias. O que no final, não passa de uma teologia da substituição às avessas.

Mas qual é a causa deste fenômeno? Seria um coincidência o fato de que a maioria destes gentios, obcecados com a possibilidade de serem judeus, terem origem cristã-evangélica? Que crise na fé destes cristãos acarretou ou levou os mesmos a tal fascínio desequilibrado? Quem sofre com isto? Os poucos judeus, comprovadamente judeus, que tentam se organizar em suas modestas comunidades na defesa de Jesus como Messias de Israel, e ainda tem que lidar com o problema de cristãos em crise com sua fé e tradição cristã. Estas perguntas e outras afins serão tratadas neste encontro.

Venha e participe!

Currículo:

Igor Miguel é cristão-reformado, teólogo, pedagogo, blogueiro, professor de hebraico e mestrando em língua hebraica, literatura e cultura judaica pela USP. Estuda as relações entre cristianismo e judaísmo. Membro da Igreja Esperança em Belo Horizonte-MG.


Maiores informações podem ser conseguidas no site da Sinagoga Shear Yaakov (www.sheashearyaakovryaakov.org)


10 de fev. de 2012 | By: @igorpensar

Fala UMJC!

Não basta credibilidade, é necessário fidelidade.

Ditos da União de Congregações Judaico Messiânicas (UMJC - Union of Messianic Jewish Congregations): 

Fonte: Documento "Introduzindo Judaísmo-Messiânico e o UMJC" (Introducing Messianic Judaism and the UMJC).
Não nos descrevemos como uma comunidade idealmente restaurada nos moldes do primeiro século. Não oferecemos uma alternativa ao suposto cristianismo “pagão” ao nosso redor. Em vez disso, conforme dispomos na versão expandida da nossa declaração de princípios, queremos manter “um relacionamento vital e corporal com a Igreja Cristã”. Não somos indulgentes com a oposição a igrejas, tampouco incentivamos cristãos a deixarem suas igrejas para participar de congregações messiânicas. (p.23)
Fonte: Documento "Definindo Judaísmo Messiânico" por Russ Resnik

Não é a missão do Judaísmo Messiânico chamar gentios para a Torah e raízes judaicas. Na verdade, a promoção de raízes judaicas (dependendo do que se queira dizer com esta frase) poderia diminuir o único lugar de Israel no plano de Deus. A Torah permanece um vivo e relevante documento para todos os crentes, judeus e gentios, mas muitas de suas peculiaridades são planejadas somente para Israel. Judeus messiânicos devem se apropriar da rica tradição da Torah, não necessariamente porque esta tradição é ordenada para todos os crentes, mas porque nós somos judeus.
Em outras palavras, segundo o UMJC, o movimento de restauração das raízes judaicas é incompatível com o que ela define por "judaísmo-messiânico".  Sendo assim, agora só basta usar um pouco dos neurônios.  Bom trabalho!
20 de abr. de 2011 | By: @igorpensar

Daniel Juster: cristianismo histórico


A pouco publicado, este é o segundo texto da série Dual Expression Communities (Comunidades de Dupla Expressão) de autoria do Daniel Juster.

Juster, frequentemente tem asseverado que o judaísmo-messiânico como idealizado por seus pioneiros, é o lugar apropriado para o acolhimento de judeus que creem em Jesus como Senhor, Deus e Messias.

Por outro lado, é evidente, que há muitos cristãos em crise com o formato de cristianismo que vivenciam, e acabam migrando para comunidades que se valem de expressões simbólicas judaicas, acreditando encontrarem lá a "Igreja Primitiva" ou do "I Século".

A raiz deste problema está no formato de cristianismo que conheceram e na baixa educação a respeito dos fundamentos históricos e na tradição de sua própria fé.

Vale a pena um lida no texto em seu formato completo. Traduzi alguns trechos, que considero urgentes. Espero que ajude a todos a caminharem rumo a uma espiritualidade sólida, cristocêntrica e conectada à historicidade de sua fé.

_____________________________

"Muitos gentios que pensam que a congregação judaico messiânica é a forma ideal de Igreja, pensam isto por causa de um entendimento, educação ou experiência insuficientes na herança da Igreja. Hoje, muitas expressões contemporâneas de cristianismo não possuem raízes. As músicas são todas recentemente escritas, com poucos versos e pouco conteúdo. Eles [cristãos] estão sendo arrancados do grande conteúdo do cristianismo histórico. Por isso, o cristianismo lhes parece tão mau, quando comparam o judaísmo messiânico e o cristianismo contemporâneo que eles conhecem.

[…]

O cristianismo também tem profundas expressões com raízes nos apóstolos e os pais da Igreja ao longo da história. Alguns cristãos que vieram de contextos católicos ou ortodoxos, podem vir a julgar estas expressões como comprometidas pelo paganismo. Alguns destes julgamentos podem ser resultado de uma falta de entendimento, e por esta causa, rejeitam estas expressões, e ao compará-las com o judaísmo messiânico, este lhes parece puro e corretamente enraizado. Assim, se por um lado, na visão deles, há um cristianismo pagão, e por outro, um cristianismo contemporâneo raso, novamente, escolhem o judaísmo messiânico como expressão ideal da Nova Aliança.

[…]

A pessoa que desdenha da herança cristã não conhece a profundidade da herança cristã protestante em suas variantes. Estes fatores são importantes ao se criar o tipo de dupla expressão que é realmente mais fidedigna. Esta é uma expressão que honra ambas as heranças: a judaica e a cristã, onde elas são coerentes com a Bíblia."

Daniel Juster – renomado teólogo e líder judeu messiânico americano.

7 de jan. de 2011 | By: @igorpensar

To avisando...

Só pra pensar...

"Muitos desses grupos denigrem a Igreja, mesmo Igrejas Reformadas, como pagãs. Esta é outra forma de afirmação de identidade superior. Isso revela uma lamentável falta de compreensão da teologia e prática das igrejas."
(Daniel Juster)
*

____________
*Tradução de um trecho importante do artigo: Who am I? The question of Gentile Identity? (Quem sou eu? O problema da identidade gentílica) publicado em 07/01/2011. Daniel Juster é um dos pioneiros do movimento judaico-messiânico internacional.
14 de dez. de 2009 | By: @igorpensar

Cristianismo sim! Algum problema?

Por Igor Miguel


Em círculos judaicos é recorrente uma abordagem negativa a respeito do cristianismo. Às vezes tão honesta que beira à injustiça. Não há dúvidas de que judeus sofreram muitas agruras em nome de falsos seguidores de Cristo. Não há dúvidas que a Alemanha Nazista - por exemplo - era composta de mais de 50% de luteranos (claro, já identificados com um teologia liberal, em sua maioria). Parece óbvio que muito do discurso antissemita medieval sustentava-se por "frases isoladas" ou mesmo explícitas de uma postura "anti-judaica" entre alguns Pais da Igreja.

Porém, reduzir o cristianismo a falsos-cristãos, seria tão incoerente quanto reduzir o judaísmo a falsos-judeus. O joio era previsto pelo próprio Jesus, e mesmo Paulo, o apóstolo, já alertava a Igreja de Roma a respeito de uma possível jactância da parcela gentílica da Igreja em relação aos judeus (Rm 11). Ainda sim, deve-se admitir que não é surpresa, nem entre os primeiros discípulos, a existência de falsos-irmãos. No cristianismo há muitos "Judas", como no judaísmo, deve haver muitos "Tsvi Shabatai", "Saduceus Aristocratas", fundamentalistas religiosos, que desqualificam a essência do judaísmo. Reduzir da mesma forma o judaísmo a tais "sujeitos" seria desonesto.

O termo cristianismo foi usado pela primeira vez no período pós-apostólico, no II século d.C. Inácio de Antioquia, que foi responsável pelo uso inédito do termo (ao menos estes são os registros). Alguns críticos veem na criação do termo um problema para os seguidores de Jesus. Supõe-se que a procura por uma identidade, independente do judaísmo, traria prejuízos à fé chamada "cristã". Mas, como veremos, este é um receio parcialmente compreensivo, e em grande medida, exagerado.

Inácio não tinha qualquer pretensão conspiratória quando criou o termo 'cristianismo', na verdade, não havia outra opção. Desde o ano 95 d.C. quando os judeus se reuniram em Yavne (Jamnia) para um conselho que redefiniria o rumo do judaísmo pelos próximos séculos, fora elaborado mecanismos religiosos e litúrgicos para repelir a presença dos "nazarenos" (judeus crentes do I século) do círculo judaico (por exemplo a criação da Birkat Ha-Minim - Benção dos Hereges). A rejeição inicial não foi da Igreja, foi do próprio judaísmo. Se a situação era difícil para esses primeiros judeus seguidores de Jesus, o que dirá aos gentios recém chegados do paganismo. Eles eram um grupo com grandes problemas identitários: por um lado não eram judeus (pois não se submetiam à conversão formal ao judaísmo), por outro, nem eram pagãos (pois não frequentavam os cultos pagãos).

A sinagoga não queria mais os seguidores de Jesus, o mundo pagão também repelia os gentios seguidores de Jesus, a única saída seria a afirmação de uma identidade independente, tanto do mundo pagão como do judaico. Inácio, quando afirmou o aspecto "universal" (católico) da Igreja, queria deixar claro que a "Igreja" era uma instituição para além dos limites "étnicos" e das lealdades nacionalistas. Mas, 
quais foram as principais consequências da inauguração, ao menos terminológica, do cristianismo?

Consequências positivas:
a expansão da fé cristã, que sem exagero (basta uma olhadela nos atuais estudos), seria um tipo de "judaísmo minimalista" para acolhimento dos gentios à fé em Jesus e ao monoteísmo derivado deste. O cristianismo é o cumprimento das promessas de salvação universal (católica) dada aos patriarcas. De alguma maneira, a catolicidade da Igreja é abraâmica. Tal judaísmo minimalista (cristianismo) dialogava bem com as culturas pagãs, principalmente em províncias e territórios onde a sinagoga já não estava presente (países nórdicos - por exemplo).

Consequências negativas: o distanciamento da matriz hebraica produziu gradualmente um perda da cosmovisão judaica; uma cristologia excessivamente preocupada com a transcendência, ofuscando a humanidade e a identidade cultural do verbo quando se fez carne. O diálogo com a cultura grega, por vezes foi promissora, por outras vezes, a síntese entre "cristianismo" e "cultura grega" trouxe grandes problemas para o seio do cristianismo. Nada que o movimento espiritual de reforma na Igreja na cuide ao longo da história. Basta se familiarizar com os temas da teologia histórica.

Dessa forma, o cristianismo torna-se um movimento legítimo, enquanto resposta do Espírito Santo na história em um momento de tensão entre a Igreja e Sinagoga. A ruptura seria inevitável e necessária. Neste sentido, o cristianismo deve ser honrado e respeitado como um fenômeno legítimo de acolhimento e reunião das nações ao redor do Messias judeu, Jesus.

Por outro lado, o cristianismo depara-se com uma tendência mundial, de visita e releitura de sua própria fé a partir das fontes judaicas. Vários escritores judeus, protestantes, católicos e reformados, dedicam-se ao estudo da língua hebraica, da tradição rabínica, dos Manuscritos do Mar Morto e outros recursos da tradição judaica para compreender e enriquecer sua própria vivência com o cristianismo, e por que não, do próprio judaísmo?

O que quero afirmar com esse breve texto é que o cristianismo é um movimento historicamente estabelecido, levantado por crentes piedosos, que na tensão com o judaísmo, viram-se obrigados a criar um espaço de acolhimento dos gentios convertidos a fé cristã. Nem tudo que é cristão é necessariamente apostólico, como nem tudo que é judaico é necessariamente mosaico. Pois ambos, desenvolveram suas tradições. Neste sentido, Alister McGrath apresenta que a melhor forma de lidar com a tradição é compreendê-la dinamicamente. Afinal, a tradição enriquece a fé ao afirmar experiências anteriores e é enriquecida em novos contextos culturais, demandas e experiências teológicas.
A tradição é relativa à revelação.

Não obstante, o cristianismo não está isento de algum tipo de crítica histórica ou religiosa, pois há elementos heterodoxos na diversificada tradição cristã que são incompatíveis com a fé apostólica, como por exemplo: as influências do tomismo aristotélico, o neo-platonismo, o gnosticismo, o marcionismo, o arianismo, o antinomismo, o legalismo pietista e assim por diante.

O cristianismo foi o grande precursor dos direitos humanos. E, em seu formato reformado, promoveu o avanço das pesquisas científicas e da produção de riquezas. O cristianismo implantou universidades em toda Europa e nas Américas; as primeiras academias brasileiras eram confessionais. O cristianismo erradicou a confusão politeísta e expandiu um monoteísmo transformador em lugares assolados pelo caos teórico e por crenças perversas que oprimiam mulheres e escravos. O cristianismo conseguiu popularizar e cumprir em muitos lugares, como a experiência do neo-calvinismo holandês, um tipo de atuação antecipadora das profecias. Os profetas judeus jubilariam se vissem o que Abraham Kuyper realizara na Holanda e o impacto de sua visão de mundo no universo reformado.

O cristianismo criou comunidades modestas, fervorosas, pensantes, atuantes e inspiradoras como L'Abri na Suíça com a família Schaeffer. Não foi em vão que Calvino ao fazer teologia em suas Institutas, o fazia a partir das Escrituras Hebraicas (Antigo Testamento), mostrando uma unidade entre os "testamentos", evitando a heresia marcionista, que ainda aterrorizava outras tradições dentro do protestantismo e do cristianismo medieval.

Penso, finalmente, que é possível uma experiência cristã real dentro do cristianismo. Uma pessoa pode desfrutar perfeitamente de Deus através da modalidade cristã de fé, pois de fato o cristianismo se estabeleceu criativamente como um movimento com tradição e espiritualidade próprias, e que vive um momento de redescoberta de suas raízes em Jerusalém, mas em um movimento que passa por Calvino, Agostinho, os Pais Capadócios, Niceia, os bispos judeus (citados por Eusébio), os apóstolos, o Messias, os profetas e a Torá
, curando assim, cismas históricos que com a ajuda da graça de Deus, em Cristo, reconcilia judeus e gentios (Ef. 2).