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9 de abr. de 2014 | By: @igorpensar

Cidade da Missão

Ser cristão na cidade tem implicações muito sérias. A modernidade criou desafios missionários complexos. A realidade não é tão unitária, de alguma forma, a história caminhou para a segmentação das diversas áreas da vida: economia, política, ciência, arte e assim por diante. Na cidade, a modernidade é experimentada de forma mais evidente, ela mesmo é em alguma medida um substrato de movimentos modernos.  Sendo assim, a tarefa missionária de nosso tempo é igualmente complexa. 

Pense em Paulo na "pólis" grega, Atenas (Atos 17). Ele passa pelos altares, mas também pelos autores de seu tempo. Faz uma leitura antropológica da dinâmica religiosa e cultural, utiliza-se de autores "seculares" que conhecia, conecta-os ao Evangelho e vai à arena cultural, o Areópago (a internet da época ou uma livraria?). Lá, traduz o Evangelho. Mas, é este olhar entre prédios, arenas culturais, altares simbólicos e a busca religiosa dos cidadãos que desafiam o missionário que peregrina em mundo líquido. Agora, me refiro a nossa missionalidade. 

De alguma forma, um missionário urbano é como Cristo que chora sobre a cidade de Jerusalém, ama-a, mas sabe que está prestes a ser julgada. Mesmo assim, insiste em viver por ela, e a morrer por ela. Não por ter encontrado nos encantos da cidade respostas, mas porque encontrou nos cantos da cidade sua missão. Ele vive e morre pela cidade, porque Cristo amou a cidade. Cidade de Deus, cidade dos homens. E ele continua agindo pela esperança de uma nova cidadania que descerá dos céus (Ap. 21), na verdade é isto que ele de/anuncia: que este projeto civilizatório é um anseio desarmônico da alma por uma cidade que não foi feita por mãos humanas. 

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Igor Miguel


20 de ago. de 2011 | By: @igorpensar

Z. Bauman & pós-modernidade

Entrevista com o filósofo e judeu polonês Zygmunt Bauman para o Fronteiras do Pensamento, apresentada na ocasião do encontro com o pensador francês Edgar Morin.  Bauman tem sido reconhecido mundialmente como um dos grandes intérpretes do fenômeno conhecido como "pós-modernidade", ele mesmo foi o criador do termo "modernidade líquida".  O vídeo está legendado e é uma excelente introdução ao fenômeno de migrações e crises identitária oriundas do desenraizamento e estreitamento das fronteiras, produzido pela modernidade e a globalização.


20 de jul. de 2011 | By: @igorpensar

Mundo Amestrado

Por Igor Miguel

Encontrei uma pérola, um trecho da obra "O Mal-Estar da Pós-Modernidade" de Zygmunt Bauman.  Em específico, leio o capítulo  intitulado "Religião Pós-Moderna?", cujo trecho cito e tento explicar logo a seguir:
‎"Sugiro que, em grande parte, a mais importante das realizações da rotina diária é precisamente cortar as tarefas da vida conforme o tamanho da auto-suficiência humana. Tanto quanto a rotina pode continuar não-perturbada, oferece pouca oportunidade para se ruminar sobre as causas e finalidades do universo; os limites da auto-suficiência humana podem ser mantidos fora de foco." (BAUMAN, 1998, p.209-210).
Para a compreensão desse texto é necessário entender basicamente "o que é a modernidade".  A modernidade se caracteriza  basicamente pela ênfase na autonomia (auto-suficiência) e liberdade do homem; também pelo racionalismo, o controle e a técnica.  O homem moderno é aquele que preza pela privacidade e os direitos individuais, pela propriedade privada e pelo controle lógico de tudo.

Hoje, eu mesmo me vejo dentro de um apartamento cheio de artefatos, de "trecos" como: porta caneta, porta CDs, prateleiras, computador, furadeira, celular, ferro de passar roupas, aparelho de DVD, máquina digital, MP3 player, lâmpada de leitura, grampeador, fita durex, caixa de ferramentas, impressora e um monte de "coisinhas", que me dão uma sensação de liberdade, de facilitação da vida, de distanciamento do mundo exterior, e de que não preciso me expor ao mundo e correr riscos, afinal tudo está aqui.  Sabe, este "world of stuff", de artefatos e próteses?  Pois é, me assusto... me assusto.  Pois na verdade, meu apartamento é uma gaiola típica de um hamster que fica na "rodinha" distraído com sua "liberdade" em andar em círculos.

Basicamente é sobre essa "falsa liberdade" que postula Bauman: o homem precisa 'cortar as tarefas da vida conforme o tamanho de sua auto-suficiência'.   Em outras palavras: como o homem moderno não tem liberdade para ir além das paredes de sua vida privada e não se sentir ameaçado, ele faz uma gaiola, um cubículo, um universo restrito, onde ele pode exercer a ilusão de liberdade.   E, ao se entreter com esta "vida privada" e este reino entre quatro paredes, ele se aliena.  Enquanto esta rotina estiver "sob controle", enquanto ele acha que vive em um mundo domesticado, ele nunca vai se preocupar com as questões e os problemas de verdade.

Uma vez que se vive nesta "liberdade privada", literalmente na "caverna" que os gregos denunciaram, no sofisma de uma falsa verdade, pouca oportunidade haverá "para se ruminar sobre as causas e finalidades do universo".  Permita-me: ter-se-á pouco tempo para pensar em Deus, espiritualidade, religião, ética, comunidade, responsabilidade política e existencial.  

A auto-suficiência tem limites e quanto mais eles são testados, mais provocatividade encontra-se nas perguntas: de onde viemos? Para onde vamos?

fotos da gaiola hamster Um problema que atinge a Igreja?  Para ilustrar, conto um caso: algum tempo atrás, ministrando em uma Igreja, um pastor desabafava comigo seus dilemas pastorais.  Me disse que um de seus membros alegara a ausência na "Ceia do Senhor", porque teve que arrumar o guarda-roupas.  Incrível como Bauman me ajudou a entender este cristão relapso.  Ele já não vê na comunidade uma parte integrante de sua identidade cristã.  A modernidade lhe aprisionou, não consegue sair das quatro paredes de sua casa, e se deixou seduzir pelas grades da gaiola e por seu reino particular.  Por isso, ele perde o milagre de comer pão e beber vinho dados graciosamente por Jesus Cristo, porque está sob o encantamento de um universo que pode dominar, ou melhor, que já o dominou.

Com relativa frequência vejo cristãos que não conseguem mais encontrar na Igreja Local um lugar para culto.  Que estão tão acostumados a viverem uma vida "anestesiada", que estão com medo de se arriscarem no amor  e nas tensões inerentes à vida comunitária.  De novo, me utilizo de um dos  apaixonantes conselhos de Dietrich Bonhoeffer:
"Jesus Cristo é o que fundamenta a necessidade de que os crentes tem uns dos outros; [...] só Jesus Cristo torna possível sua comunhão, e finalmente, que Jesus Cristo nos elegeu desde a eternidade para nos acolhamos durante nossa vida e nos mantenhamos unidos para sempre."  (Dietrich Bonhoeffer) 
Enfim, fica aí o desafio de não vivermos uma vida amestrada, e consequentemente nos tornarmos amestrados por seus apetrechos.  O desafio para deixar esta zona de conforto alienante seria desfrutar da exposição da vida pessoal na experiência comunitária, com seus afetos e desafetos.  A vida da comunidade cristã não preserva o corpo, parte o corpo, e fazemos isso em memória de Jesus, que se expôs publicamente em nosso favor, nos oferecendo pão e vinho gratuitamente.

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BAUMAN, Z. O Mal-Estar da Pós-Modernidade.  Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998.
15 de jun. de 2010 | By: @igorpensar

Sabedoria: habilidade integradora

Estarei palestrando junto com os amigos Guilherme Carvalho, Rodolfo Amorim e o convidado Jack McGregor na III Conferência L'Abri Brasil. Que acontecerá nos dias 23-27 de julho.

Segue abaixo uma sinopse do tema que abordarei na ocasião. Participe!

Sabedoria: uma habilidade integradora da realidade.

Conforme o pressuposto neocalvinista, principalmente a crítica epistemológica desenvolvida por Herman Dooyeweerd, a realidade não pode ser reduzida a nenhum de seus aspectos criacionais. A admissão do senhorio absoluto de Cristo sobre o todo da vida é a admissão de que a experiência humana, que passa pelo "coração", deve ser integradora. O que significa uma negação radical a qualquer tipo de reducionismo. Neste sentido, é insustentável o racionalismo, o materialismo, o cientificismo, o psicologismo ou absolutizações similares. Por isso, esta palestra pretende chamar a atenção para o conceito judaico-cristão de sabedoria (hb. hokhmah), que sem dúvida não pode ser confundido com o conceito popular de conhecimento enciclopédico ou mesmo com o cogitas cartesiano. A sabedoria é um tipo de habilidade com fundamento teísta que integra as mais diversas experiências, como as de natureza tácitas, analíticas, afetivas, sociais, cosmonômicas, para um viver integral. A sabedoria é um saber viver, uma vida orientada pelo temor a Deus, daí a predileção das primeiras comunidades cristãs-reformadas por livros bíblicos como os de provérbios.


16 de jul. de 2008 | By: @igorpensar

Joseph Israel e Matisiyahu

Um encontro apocalíptico entre dois cantores de reggae pós-modernos. Joseph Israel (judeu-messiânico) e Matisiyahu que dispensa comentários.

Depois visitem o MySpace do Joseph Israel, vale a pena ouvir um reggae de excelente qualidade.

E claro, o site do homem: http://www.josephisrael.com/

Jah vive!