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20 de jun. de 2016 | By: @igorpensar

Subversão de Toda Idolatria Ideológica

Qualquer leitor leigo, sem muitos recursos hermenêuticos sabe, que o cristianismo, a partir da revelação das Escrituras, tem uma ética sexual. O que isto significa? Um moralismo do tipo que Deus só ama os castos? Obviamente que não. Pois o cristianismo implica em uma fé que acolhe pecadores, gente despedaçada e vulgarizada como eu e outros. Jesus não veio para os sãos, veio para os doentes. Entretanto, o cristianismo tem recursos para transformação do ser humano, fazendo-o viver para além de suas pulsões, para além de seus disparates e fetiches sexuais. Por isso o cristianismo é libertador

Não é moralismo, pois este exige que se chegue a Deus moralmente resolvido para que se torne aceito. O cristianismo exige arrependimento e fé nos méritos de Cristo, justificação, para que entremos em seus domínios por graça. Por outro lado, a obra da justificação engatilha um fascinante processo de transformação, o que chamamos de santificação. A santificação envolve também sermos equipados com uma vida virtuosa, onde nos tornamos gradativamente livres de nós mesmos. Uma ética sexual cristã implicaria não em um purismo gnóstico que vê no corpo um mal. Mas que trata-o com o devido respeito, pois não é um objeto desconectado do ser, não é um fim em si mesmo, o corpo integra-se à existência. A insistência bíblica e da tradição cristã com a ética e a pureza sexual não é uma obsessão gratuita, é justamente porque tem a sexualidade em um lugar melhor, mais belo, e menos banalizado.

O problema com "a exposição da vulva" de autoria da Thamyra não é o escândalo, mas como fere a antropologia cristã. Cristãos resistem todo tipo de fragmentação, segmentação ou reducionismo do ser humano, por justamente crer que "o Cristo todo, morreu pelo homem todo" (Lausanne). Um "cristão" que pede a várias pessoas, tipo, 'me empresta sua "vagina" para tirar uma foto e fazer um trabalho "artístico"?', fere a noção de que pessoas não são meras partes, mas que elas têm rostos, biografias e idiossincrasias. O que me impressiona é que afirmam uma missão integral mas reduzem a condição humana a apenas uma fatia de sua existência.

Então, por favor, aprendam: uma missão cristã que aprecie a totalidade da vida, um Cristo que confronta todo misoginia, todo machismo, toda idolatria sexual, toda "falolatria" ou "vaginolatria", toda retórica de objetificação e autodeterminismo, não pode estar subserviente a nenhuma ideologia moderna. As Escrituras resistirão e subverterão toda tentativa de instrumentalização de sua verdade a qualquer narrativa cultural ou política que reduza o ser humano a alguma coisa que seja menor do que ele.

O corpo de um cristão é de Cristo, não faça dele o que quiser.

"Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus." (I Co 6:20).
7 de nov. de 2014 | By: @igorpensar

Liberdade Providencial

Há uma ênfase desproporcional em nossa cultura contemporânea no sentido de afirmar a vontade do indivíduo sobre o mundo e sobre si mesmo. Baseado neste critério, muita gente decide sua orientação sexual, relacionamentos, o destino de seu dinheiro, o que faz com seu corpo e/ou se aborta ou não. Chamam isto de liberdade, mas uma liberdade que contraditoriamente mostra-se impotente diante de pulsões, vontades e ambições sexuais, financeiras e afetivas. No final das contas, o que chamam de liberdade acaba sendo puro determinismo, cativeiro da alma. Desta forma, só posso inferir que liberdade real acaba sendo aquela disposição providencial de fazer o que sei que é melhor, enquanto meu corpo e meus afetos dizem exatamente o contrário. ‪#‎liberdade‬
14 de nov. de 2013 | By: @igorpensar

Camaro Amarelo ou Eternidade?

Se você não percebeu, a psicologia do marketing já.  Seres humanos sentem falta do que nunca tiveram.  Sentem falta de um paraíso perdido.  E valendo-se deste anseio paradisíaco, as agências propagam  bens de consumo, coisas como cervejas douradas, carros que transformam mulheres em divindades e homens em deuses, roupas que parecem trajes sacerdotais, cremes que eternizam, shampoos que produzem cabelos angelicais e tecnologias que dão uma sensação de onipresença e onisciência.  O marketing já percebeu que o ser humano possui uma radical inclinação religiosa e usa tal pulsão para favorecer seus interesses comerciais. A única forma de se libertar das ilusões produzidas por esta "pedagogia do desejo" é reconhecer que seres humanos são seres litúrgicos, criados para a veneração.  Por esta razão, são tão inclinados e seduzidos por esses "falsos deuses", ídolos fabricados diariamente pela cultura de consumo.  Por outro lado, isto mostra a profunda natureza religiosa da humanidade.  Natureza que encontra plenitude naquele que sinaliza o eterno por seu triunfo sobre a morte, e não no ridículo projeto de vida que se reduz a um mero "Camaro Amarelo".

Igor Miguel
23 de ago. de 2012 | By: @igorpensar

Deus autêntico, relação inautêntica

Por Igor Miguel

Não basta substituir o ídolo pelo Deus bíblico, também é fundamental mudar a relação com Ele.  Na verdade, muitos acabam mantendo o mesmo tipo de relação que tinham com "falsos deuses" na relação com o Deus de Abraão, Isaque e Jacó.

A primeira coisa que conversão faz, não é apenas uma mudança de "deus", mas uma mudança no sentido espiritual da relação com a divindade.

A idolatria caracteriza-se em geral por uma tentativa de criar um "deus" à imagem e semelhança do "adorador".   A maioria dos "deuses" encontrados nas diversas culturas não-judaico-cristãs caracterizam-se por um tipo de "domesticação", ou seja, uma tentativa de elaborar "deuses cômodos" ou "ídolos customizáveis" que fossem adequados ou moldados à expectativa de um determinado "interesse" humano.

Em geral, os deuses são aqueles que satisfazem, primariamente, as expectativas humanas com respeito ao amor (p.ex. Eros ou Afrodite), o dinheiro (p.ex. deusa fortuna ou Tique), a guerra (p.ex. Ares ou Marte) e assim por diante.   Tais divindades representam aspectos da realidade ou do mundo criado.  Quando um adorador de Afrodite se curvava ou ofertava diante de sua imagem, o que se esperava no final das contas, era servir o "erotismo" de modo a obter algum tipo de sucesso sexual (reprodução ou satisfação sexual).  Por isso, pode-se afirmar que idolatria é sempre um reducionismo religioso e existencial.

O problema é quando tais "devotos" se "convertem" e acabam  preservando a mesma lógica em relação ao Deus bíblico.  Ao invés de se curvarem à vontade deste Deus em suas atribuições, acabam por lhe dar o mesmo tratamento que davam aos ídolos.

O idólatra continua idólatra quando ao se "voltar" para o Deus bíblico mantém a mesma estrutura relacional que mantinha anteriormente com os falsos deuses.   É perceptível seu esforço de tornar o Deus vivo em um tipo de "servo" de suas ambições, empreendedorismo e vontade egoístas.  Deus, neste caso, é tratado como aquele que faz e realiza todos os "sonhos" e "desejos" de sua vida, sem ao menos questionar, se tais "vontades" estão ou não alinhadas com a vontade soberana de Deus.  Um excerto do filósofo judeu Martin Buber seria muito elucidativo:
Um filósofo moderno acha que cada homem crê necessariamente, seja em Deus, seja em “ídolos”, isto é, em algum bem finito – sua nação, sua arte, no poder, no saber, no dinheiro, no “constante triunfo com mulher” - um bem que se lhe torna absoluto e que se interpõe entre Deus e ele e que basta somente demonstrar-lhe a qualidade relativa deste bem para “destruir” os ídolos e para o ato religioso voltar, por si mesmo, ao objeto adequado.  Esta concepção supõe que o contato do homem com bens finitos que ele “idolatra” é, em última análise, da mesma natureza que o contato com Deus e só difere quanto ao objeto; neste caso, a simples substituição do objeto falso pelo autêntico poderia salvar o pecador.  [...]  Aquele que é dominado pelo ídolo, que ele quer ganhar, possuir e reter, que é possuído pela vontade de posse, não tem outro caminho para Deus senão a conversão que é uma mudança, não somente quanto ao fim, mas também quanto ao tipo de movimento.  Cura-se o possesso revelando-lhe e ensinando-lhe o verdadeiro vínculo e não orientando para Deus sua obsessão.  Se alguém permanece no estado de posse, o que significa o fato de, em vez de invocar o nome de um demônio ou de um ser disfarçado em demônio, se invocar o nome de Deus?  Significa que, com isso, ele blasfema.  É blasfêmia quando alguém depois que o ídolo saiu atrás do altar, pretende apresentar a Deus a oferta ímpia sobre o altar profanado (Martin Buber)
C.S. Lewis diria: Deus é "selvagem".  Tal dito significa que Deus não é "customizável" e tão pouco "domesticável".  O primeiro sinal que se está servindo o Deus bíblico é que Ele corrige os desejos para depois realizá-los.  A revelação de Deus e a verdadeira conversão envolvem denúncia e reajuste das intenções do coração.

Um idólatra abomina dizer "seja feita a tua vontade".   Se alguém que se diz seguidor e servo de Jesus se sente desconfortável ao pedir a vontade de Deus, pode ainda está vinculado a um deus falso ou mantém uma relação de "manipulação" e "posse", típicas da relação idolátrica.

Deve-se considerar que uma autêntica conversão é um confronto às expectativas idólatras.  O Deus cristão não se submete a vontades corruptas.  Quando transformam Deus em um agente de sucesso profissional ou prosperidade financeira, o que se vê, é uma relação inautêntica dirigida ao Deus autêntico.  Logo, entregar-se ao Deus da Bíblia envolveria um confronto contra todas as falsas expectativas egoístas, para a partir da libertação destes ídolos, lançar-se em fé à "boa e agradável" vontade de Deus.

E finalmente, pode-se concluir que a idolatria é instável, pois fracassando o ídolo, fracassa o devoto junto com ele.  A única segurança espiritual envolveria um abertura à auto-crítica e ao arrependimento genuíno.  Somente assim, a alma inquieta encontrará descanso e graça.  Conversão não é apenas uma mudança de divindades, mas uma alteração profunda nos vínculos e na forma de se relacionar com o verdadeiro Deus.

10 de nov. de 2009 | By: @igorpensar

O idólatra e o monoteísta


O idólatra:
- está pronto!

O monoteísta:
- tenho que pensar...

O idólatra:
- te tenho.

O monoteísta:
- quero te compreender.

O idólatra:
- te vejo.

O monoteísta:
- sou visto por Ele

O idólatra:
- este é o meu deus.

O monoteísta:
- meu Deus é.

O idólatra:
- meu deus é sagrado.

O monoteísta:
- o meu Deus é santificador.

O idólatra:
- eu provo que meu deus existe.

O monoteísta:
- meu Deus está acima de qualquer prova.

O idólatra:
- o meu deus me dá tudo que quero.

O monoteísta:
- o meu Deus me dá tudo o que Ele quer.

O idólatra:
- o meu deus manda chuva.

O monoteísta:
- o meu Deus manda no seu deus.


Autor: Igor Miguel