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5 de jan. de 2011 | By: @igorpensar

Ser Gente

Por Igor Miguel

É simples... aprendi que os aplausos não querem dizer nada. Aprendi que lisonjas não significam nada. Aprendi que status religioso ou de outra natureza é nulidade, vazio. Aprendi enfim, que se eu quero ser discípulo de Jesus de verdade, tenho que me abster dos grandes públicos, da ostentação.

Cansei deste papo do tipo "somos os caras". Cansei da pretensão doentia da afirmação de poder de que "estamos em um movimento revolucionário", chega de triunfalismo!

Meus triunfos verdadeiros não são públicos. Envolvem questões simples. Como por exemplo superar meu egoísmo de não querer ajudar minha esposa na cozinha quando a preguiça tenta me seduzir. Minhas guerras não envolvem "batalhas espirituais imaginárias" de principados e potestades e "atos proféticos" mobilizadores. A coisa é mais simples, ou melhor, mais complexa, envolve compreender Cristo, me alimentar de sua carne e sangue, para vencer a tentação da hipocrisia religiosa.

Não, provavelmente, vocês não me verão envolvido nas grandes mobilizações do mundo gospel, tão pouco, sendo chamado de apóstolo, rabino, bispo ou coisa do gênero. Mas, espero que escutem que sou um bom marido, um bom pai e principalmente um bom amigo. Se ao menos nestas coisa eu conseguir vencer a grande batalha, tenha-me por satisfeito. Entretanto, se um dia eu tiver que falar pra multidões a respeito de Cristo ou de qualquer outra coisa, quem estará lá não será um grande pregador ou acadêmico, será um homem que aprendeu a ser simplesmente gente.

Não quero ser tratado como artefato religioso, como parte do cenário religioso. Jesus me chamou e pronto, isto basta, isto é tudo. Nunca tive dias tão alegres em minha vida, não há um dia que não acordo e encaro os desafios diários em oração e ações de graças. Certamente se minha rotina não for um culto, o culto nunca se integrará a minha rotina.

Minha oração é que Deus continue travando minhas pretensões carnais, que Ele continue freando minhas megalomanias, meu egoísmo e narcisismo, todos estes ídolos que meu coração persiste em fabricar.

Eu não quero ser nada além daquilo que Deus deseja que eu seja.

26 de jul. de 2010 | By: @igorpensar

O Momento

Por Igor Miguel

Devido a quantidade de e-mails, comentários, scraps, ligações, etc. Sinto-me na obrigação de descrever meu novo tempo.

Estou feliz. Cheguei de alguns dias de férias em Cabo Frio - RJ com minha esposa. Foram dias muito agradáveis, pude ver parentes, amigos e meu pai; que se reconciliou comigo, nos abraçamos e choramos.

Minha esposa demonstra uma maturidade que nunca vi antes, sei que ela vai ficar brava por dizer isto, pois não gosta que eu fale publicamente de suas virtudes. Pura atuação de graça. Ela. anda lendo livros importantes como "Simplesmente Cristão e Surpreendido pela Esperança" de N.T. Wright. Eu leio
Desiring the Kingdom da série Cultural Liturgies de James K.A. Smith e sinto-me vivendo uma fase terapêutica, de sensibilidade, oração e com um blend de vida monástica.

Estou preparando as malas para um final de semana em Taguatinga Sul - DF ministrando na Igreja Cristã Manancial da Vida, tendo em vista cumprir minha agenda que está humanamente reduzida, como sempre quis.

Diferentemente do que a vã imaginação pode levar a pensar, não tenho pretensões megalomaníacas, nunca tive, e não será agora que terei. Ando recebendo e-mails com propostas desta natureza, sei que mandam por puro desconhecimento de minha trajetória sofrida com a cruz de Cristo. Simplesmente não responderei e-mails desta natureza. Amo a simplicidade!

Como disse para amigos nesta III Conferência L'Abri: sinto-me
humano, sinto-me gente, menos "pregador" ou "professor". Por isso, minha oração tem sido em arrumar uma escolinha para dar aulas pra "quarta série" e uma vaga em alguma faculdade para lecionar.

Simples assim, quero manter relacionamentos reais de amizade com gente que gosta de vir a minha casa, pura vida comunitária, permeada do amor a Cristo. É possível fazer a obra de Deus simplesmente sendo gente. Pode ter certeza!

Continuo lendo alguma coisa e a Bíblia. Minha oração mudou. Agora, ela é mais espontânea, mais natural, menos plástica, menos mecânica, sem os apetrechos e penduricalhos de minha fracassada religiosidade. Pura graça, pura obediência, de um Deus que opera soberanamente em mim, o querer e o efetuar.

"Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (Jo 15:5)

Alguns andam dizendo por aí que abandonei a consciência dos fundamentos judaicos do evangelho. Ora, como posso negar o óbvio? Como posso negar o que está lá? Seria uma miopia desvairada Zezinho. Porém, dedico-me a uma fé renovada em Cristo, contra isso, ninguém pode se levantar. Só os que não creem mais nEle. Neste sentido, do judaísmo me interessa tudo aquilo que é relevante para esta fé. Não sou judeu, nos termos da tradição judaica, sou neto de judeus por parte de pai, sendo assim, dedico energia e tempo na construção de uma identidade cristã consciente de suas raízes, mas ainda cristã.

Vou indo sendo "surpreendido pela esperança" de que há boas comunidades cristãs, há bons pastores, bons pregadores, servos e servas, focados no Reino, que lutam para dignificar a fé evangélica, mesmo quando o que vemos é uma grande confusão religiosa, mercantilização da espiritualidade e abuso de poder. Acabamos chegando a uma grande rede de amigos e irmãos que estão vivendo Igreja e Evangelho nos termos mais profundos imagináveis.

Enfim, achando que era conhecedor de alguma
extraordinária teologia, choquei-me ao descobrir, que a profundidade deste conhecimento estava entre pessoas que viviam espiritualidade nas coisas mais ordinárias.

Novo tempo, nova espiritualidade...

Soli Deo Gloria
Kol HaKavod LaShem