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19 de mai. de 2017 | By: @igorpensar

Outra Cidadania

Somos criaturas exiladas, sempre a procura de um mundo deixado para trás. Inquietos, nos esforçamos para criar realidades alternativas e paraísos artificiais. Projetamos expectativas messiânicas, abraçamos narrativas temporais e estamos em busca de alguém que nos lidere na construção de uma cidade refúgio por falta de um jardim.

Em tempos de instabilidade e incertezas políticas, temos que nos lembrar que auto-afeição é fundamento da "cidade dos homens", e que, aqueles que são peregrinos em suas ruas possuem uma missão. Nossa tarefa como cidadãos de outra realidade, gente cujo passaporte é da "civitas Dei", é convidar as pessoas a obter cidadania em um território reminiscente porém renovado.

Refiro-me a uma cidade-jardim que vem como dádiva, cidade dada, não construída, um santuário não feito por mãos humanas. Cristãos são arautos de uma realidade iminente, e conclamam a toda gente que se aproprie da chave que está nas mãos daquele que é a porta da Nova Jerusalém.

Abandone sua utopia e abrace a esperança!
24 de mar. de 2017 | By: @igorpensar

Cegos por Excesso de Luz

Deus é portador de toda Luz.  Não há energia, brilho ou claridade neste universo que não proceda dele, que não tenha, em última instância, Deus como sua fonte.  Porém, sua intensidade é, em grande medida, uma dose muito extravagante de sobriedade.  Para gente acostumada à penumbra e escuridão isso é muita clareza.  Hoje, os homens ficam cegos quando olham para Cristo, não por falta de luz, mas por seu brilho excessivo.  Ele é verdade tão nítida, tão intensamente narrada, que nos embaraçamos.

Deus quis tornar sua luz minimamente acessível, 'se fez carne e habitou entre nós',  'vimos a sua glória', e definitivamente, 'Ele era a luz dos homens'.  Mas, ainda assim, o brilho era intenso, suas palavras demoram a ser compreendidas, e finalmente, apropriadas.   Por esta razão, não raramente, ouvimos gente dizer que entendera um versículo recorrentemente lido, mas que pela primeira vez fez sentido.  Um raio de luz da glória do Filho perpassou as letras, a tinta e as finas páginas da Bíblia, e assim, lançou nitidez ao coração peregrino.  

Digo tudo isso, pois versículos e trechos claros como os que se referem a 'auto-negação', 'perder vida', 'tomar a cruz', 'renúncia', 'fazer a vontade de Deus' e similares, tornam-se nítidos, mesmo depois de algum tempo de intensa meditação.  Confesso que ainda me debruço, medito, e sempre mais luz projeta-se de lá.

No meu caso, libertar-se de algumas tentações, fontes de pecado e de flertes com a auto-afeição, estão caminhando para o sepultamento.  Experimentar a quietude, a negação de falsa existência, da ilusão de relevância, que no fim, não passam de pixels de bits.   A realidade não se fez post, se fez carne, e habitou entre nós.

Quanto custa a liberdade de um cristão?  Custa a negação da vontade do Filho e a adesão à vontade do Pai.  Custa a renúncia da vontade própria, por uma vontade maior.  Mas quem pode fazer tal loucura?  Os loucamente arrebatados de amor pelo Pai, os feridos pelos raios de glória.  Ouse abrir mão, tome uma decisão radical, busque a quietude, o silêncio e doses de "desaparecimento".  Deixe Cristo te encaminhar para a lucidez.

Peregrine em direção à cruz.  Vá até o Cristo.  Não tema mais um golpe no velho homem.  Parece morte, esquecimento e anonimato, mas é o desaparecimento em Cristo, para encontrá-lo, e assim, se reencontrar novo nEle.  

Se Cristo te chamou, ele não falhará, em suas veredas fará tudo que lhe apraz para que você seja todo dele.  Cada vontade, paixão, pulsão ou desejo, ele não te dará descanso até que tudo seja entregue a Ele.  Esta é sua liberdade, todo sentido que buscas.
2 de out. de 2015 | By: @igorpensar

Criar: evento da vontade divina

Deus é Pai independente de um mundo criado ou não. A paternidade divina é o que ele é, pois funda-se evidentemente em uma relação dentro da eterna e tríplice pessoalidade de seu amor. Jesus é chamado de Unigênito, por João, por ter sido gerado neste amor antes de haver mundo. Por isso, o cristianismo insiste: "gerado, não criado". Entretanto, a expressão "Criador", que se segue a afirmação de sua paternidade, refere-se a um "evento" a partir de sua natureza. O Deus que não precisava ser Criador para ser Deus, decidiu sê-lo, assim sendo, o mundo como o conhecemos é fruto do arbítrio divino, é resultado de um querer de Deus como Pai.

Deus não precisa de gente para ser Deus, mas como Deus, ele tem vontade, uma que reflita seu amor. Sua vontade amorosa criou um mundo e criou gente. Mais uma vez, devemos reconhecer as implicações profundas da Trindade: tudo é uma dádiva, um dom imerecido, a criação e a existência humana fundam-se no querer divino. Querer dispensável à sua própria natureza que se auto basta, porém, definitivamente reflete sua paternidade e amor. "Seja feita a sua vontade, assim na terra como no céu..."
10 de fev. de 2015 | By: @igorpensar

Verdade & Tempo

Durante alguns anos de minha vida, me aventurei em uma espécie de sub-espiritualidade, onde pensava ter um conhecimento exclusivo, raro sobre quem Cristo é. Neste ambiente, tudo que não fosse judaico, era descartado como de menor valor, ou uma espécie de desvio teológico da verdade "original" (adorava esta palavra). Criticava conquistas históricas da cristandade, debochava dos pais da igreja, subestimada a longa sabedoria, e pior, de alguma forma, ignorava a ação histórica do Espírito Santo. Caía no "esnobismo cronológico" (C.S. Lewis).

Jesus garantiu que guiaria sua Igreja a toda verdade. Claro que isto não significaria que as coisas seriam fáceis, foi e tem sido um processo também conturbado, mas a Igreja vem caminhando, vislumbrando a unidade da fé. Não acredito que Deus tenha agido meramente no I século (na era apostólica), isto seria cair em uma espécie de deísmo. Acredito que seu Espírito veio para isso, para guiar a Igreja. Todos os processos históricos, concílios, reformas, renovações e despertamentos, e mesmo, alguns desvios, fazem parte de um processo cauteloso de Deus para dirigir sua igreja no tempo. Ignorar ou rejeitar esta ação providencial, e achar que a pureza doutrinária reside apenas no I século do cristianismo, é ingenuidade a respeito do passado, e ingenuidade em relação ao tempo. As Escrituras continuam sendo a regra de fé e prática da cristandade, sempre será a regula fidei (regra de fé) que julga nossas elucubrações e empreendimentos teológicos. Mas, querer reinventar a roda a cada movimento novo que surge, é virar as costas para a obra do Espírito Santo.

Foi chocante o dia que descobri a voz da tradição, aprendi a arte da modéstia, neste sentido. Antes de criar qualquer "doutrina" ou "percepção inovadora" sobre o que já fora produzido, eu deveria me arriscar a ler e a me debruçar sobre o que já fora dito. Isto foi libertador em muito sentido. Assim, descobri um mundo de riquezas, qualquer pessoa que já tenha lido Irineu, Atanásio e Agostinho sabe do que estou falando.

Me localizo em uma tradição, aquela de confissão reformada, subscrevo Heildelberg, Confissão Belga e TULIP, mas, me encontro principalmente diante de um patrimônio maior, antes dos reformadores: confesso que creio na igreja católica (universal) como diria o Credo Apostólico.
15 de dez. de 2014 | By: @igorpensar

3º Domingo de Advento

Se há um Deus, Ele deveria em algum sentido ser surpreendente. Surpresa em relação às nossas expectativas sobre quem e como Ele deveria ser. Um Deus previsível enquadrado em cálculos não é "Deus", é fruto de afetos, paixões, uma ilusão. Percebo na narrativa judaico-cristã, que encontramos na Bíblia, um Deus cheio de "extravagâncias" em suas aparições, sempre surpreendendo, sempre curto-circuitando expectativas ilusórias sobres quem Ele é. Abraão tem filho na velhice, Moisés não entra na terra prometida, Davi concebe um sucessor de uma mulher tomada de um pecado, um profeta que lamenta, uma mulher simples pra dar a luz ao Salvador do mundo, e quando se faz gente entre nós, o faz no corpo frágil de um judeu da Galiléia, na periferia da periferia. Parece que há um humor nestes dramas, uma forma que nos parece "bizarra" e "estranha" de se revelar. Mas é isto mesmo, este "elemento surpresa" nas aparições de Deus é precisamente uma das evidências de sua autenticidade. Um Deus previsível não seria Deus, mas pura projeção. O Natal é isso, uma história estranha, por isso, tipicamente divina: Deus se fez carne e habitou entre nós, nascendo de uma jovem virgem. ‪#‎advento‬ ‪#‎natal‬
15 de nov. de 2014 | By: @igorpensar

O que é um reformado?

Franklin Ferreira, o mano Jonas Madureira, Tiago Santos e Vinícius Musselman em um bate-papo muito esclarecedor sobre a identidade evangélica a partir de sua matriz reformada.   Uma contribuição fundamental para a solidez de uma identidade evangélica muito bem localizada na história.  Esta é a sobriedade histórica que tanto insisto que a Igreja Evangélica precisa aprender, para não cair em falácias judaizantes, restauracionistas, espiritualizantes, neo-pentecostais e outras.
 
 
 
30 de out. de 2014 | By: @igorpensar

Vergonha Alheia

Conselhos teológicos para o sr. Matheus Z. Guimarães do Ensinando de Sião:

1) Faça um curso de teologia por favor, eu fico muito envergonhado quando me mandam seus textos teológicos, você precisa urgentemente fazer um curso de teologia decente.  Seu desconhecimento de história da Igreja não combina com sua postura em lidar com temas teológicos;

2) Você nunca ou pouco deve saber qual a diferença que existe entre pelagianismo, neo-pelagianismo e semi-pelagianismo.  Não deve saber que o antinomismo (vai ver na Wikipedia) foi ardentemente combatido pela reforma protestante, exigindo longas refutações por parte de Calvino e Lutero;

3) Você demonstra completa e irrestrita ignorância a respeito da tradição teológica do cristianismo. E fica neste "mimimi" de primeiro século querendo engabelar gente tão deseducada teologicamente quanto você;

4) Seja esperto, pare de ficar escrevendo asneiras teológicas sobre reformadores e pais da igreja, pois me mandam e-mails me perguntando o que acho.  E, inevitavelmente, responderei, e isso só piora a reputação de vossa já herética instituição religiosa;

5) E, se você ficar ofendido com o que escrevi aqui, usando falácias e argumentum ad hominem (não sabe o que é isso? Vai pra Wikipedia), isto só mostra, mais uma vez sua limitação argumentativa. Você vai achar arrogante, vai mostrar este texto para as pessoas, vai usar frases prontas "pelo fruto conhecereis e blá blá blá". Pode dizer que "não gosta de teologia", "pode bater nos teólogos", mas só faça isso se você nunca mais escrever textos teológicos, vamos combinar assim?  Aí, vou acreditar que você minimamente está tentando ser coerente com o que fala, OK?  Vocês são muito previsíveis.  Se o fizerem, isto só mostra a fraqueza teológica desproporcional que já vos acomete;

6) Honestamente, seus textos são sem métrica, falta retórica no que você escreve, falta cadência lógica e fontes teológicas com um mínimo de credibilidade histórica.  Pra ser um pouco mais honesto: falta beleza. Outra dica pra superar esta "pose teológica" que você adotou: vá ler Alister McGrath, Thomas Torrance, C.S. Lewis ou N.T. Wright, e você entenderá minimamente o que estou dizendo.   Faça um favor a seus leitores: debruce-se sobre as Institutas de João Calvino, leia pelo menos o Da Liberdade do Cristão do Lutero (é fininho).

7) Já ouviu falar de vergonha alheia? Eu tenho! Tenho muitos amigos versadíssimos em teologia, são educados, são portadores de uma espiritualidade há anos luz da que vi em vocês.  Então, quando eles olham para o que vocês escrevem.... eles coram de vergonha.  Pois, vocês fazem isso publicamente. Escrevem no site, colocam vídeos na web e isto fica tão feio.

8) Estou disponível para um debate teológico público com quem vocês quiserem.  Com você, com seu pai, pode ser gravado e sem cortes.  Sobre o tema que vocês quiserem.  Eu sugiro alguns dos seguintes temas: a Trindade, relação lei e graça, restauracionismo x cristianismo, Igreja & Israel, sobre a doutrina da salvação, e assim, deixaremos as pessoas julgarem.  O que acha?  Estou disponível.

9) Enquanto vocês vão brincando de construir uma nova religião, poderiam no mínimo, ouvir seus  supostos mestres lá de fora, que já defendem a legitimidade histórica do cristianismo, seu patrimônio que foi produzido de uma profunda devoção e entrega a Cristo.   Enquanto vocês batem no cristianismo, batem em uma grande nuvem de testemunhas, mártires e muita gente, que soube o que  é perder tudo por causa do conhecimento de Cristo. Tenham muito cuidado com o que escrevem. 
24 de set. de 2014 | By: @igorpensar

Religião de Cima pra Baixo

Não acho que religiões são caminhos alternativos para um mesmo fim. Acredito que existem diferentes religiões, diferentes concepções sobre a divindade e diferentes éticas religiosas. Logo, como cristão, sou obrigado a destacar a singularidade do cristianismo diante de outras expressões religiosas. Considerei seriamente durante parte de minha vida outras possibilidades de espiritualidade. Cheguei a pensar seriamente, em um determinado tempo de minha vida, a seguir um caminho pelo misticismo ou me converter formalmente ao judaísmo e coisas semelhantes. Ponderei, mas cheguei a conclusão que a maioria das religiões propõem uma espécie de espiritualidade "debaixo pra cima". 

As religiões em geral propõem uma espécie de ascensão a partir de determinadas performances. Ou seja, a elevação e a comunhão com o sagrado exige alguma coisa que você tem que "fazer" para chegar a Deus. Então, percebi, que salvo alguns formatos desinformados de espiritualidade cristã, o cristianismo é a única espiritualidade que afirma exatamente o contrário. 

A fé cristã é uma espiritualidade "de cima para baixo", isto é, o sagrado que vem na direção dos homens para salvá-los. O cristianismo afirma que não há nada que o homem possa fazer para se tornar aceito diante de Deus. Deus mesmo é quem faz e realiza a salvação. Por isso, Jesus Cristo é tão estimado pelo cristianismo. Pois Ele é a própria expressão de Deus indo em direção aos homens. O Deus encarnado, humanizado e vindo em resgate de suas "ovelhas perdidas". 

Não há nenhuma religião, além do cristianismo, que diga que Deus está em busca dos homens e que não há nada que eles possam fazer para se chegar a Deus. Esta iniciativa é uma exclusividade de Deus. Paulo, Agostinho e os reformadores identificavam este atributo divino de vir em direção aos homens para salvá-los com palavras como "graça" e "amor". 

Então, o cristianismo não é uma religião como as outras que propõem caminhos alternativos para chegar ao Deus que está no topo da montanha. A fé cristã é a única espiritualidade que diz que Deus desceu da montanha para resgatar homens que o ignoravam. Este é o escândalo do cristianismo e sua maior virtude.
7 de ago. de 2014 | By: @igorpensar

Que inferno!

Seres humanos são obstinados por criar ou desejar um mundo ou uma realidade onde Deus não está lá. Um lugar onde não é preciso dizer "seja feita a tua vontade". Por enquanto, desfrutam de uma vida onde Deus ainda está presente, apesar do esforço coletivo em ignorá-lo. Porém um dia, salvo se não forem alcançados pela graça, terão o que sempre desejaram: uma realidade onde Deus está ausente. A este lugar damos o nome de inferno.
5 de ago. de 2014 | By: @igorpensar

Curtíssima: Em fuga!

A narrativa bíblica fala de um casal que se envergonhou de sua desobediência a Deus. Adão e Eva se esconderam entre as árvores do jardim, e fizeram vestimentas de folhas de figueira para omitirem sua nudez. O texto já foi ridicularizado pela cultura ocidental, é representado de forma irônica nas mentes e nas artes. Mas, a imagem é profunda. Retrata o ser humano em permanente fuga, e para lidar com este desconforto, ele recorre a artimanhas: folhas de figueira, civilizações, intelectualismo, legalismo, auto-ajuda, hipocrisia, vícios, narcisismo, religiões confortáveis, psicologias de auto-afirmação, tecnologia, consumismo e por aí vai. O ser humano não mudou, continua o mesmo, apenas se tornou um pouco mais sofisticado na arte de se esconder de Deus. #devocional
19 de jul. de 2014 | By: @igorpensar

Veritas

McGrath assevera que o termo "verdade" tem um sentido diferente nas Escrituras daquilo que é ensinado pela mentalidade iluminista. Nas escrituras, a "verdade" é uma grande narrativa, não pode ser compreendida fora de um drama pessoal e historicamente situado. A verdade cristã depende de um tipo de confiança existencial que emerge na relação com um Deus que se revela no tempo. Para a mentalidade iluminista, a verdade precisa ser supra-histórica, religiosamente neutra e supra-humana. 

A verdade cristã se encarnou, assumiu a imanência e a temporalidade em Jesus. Ela é pessoalmente encarnada na dramaticidade do tempo e da história. A verdade cristã é uma pessoa, revelada por uma narrativa inspirada e providenciada pelo Espírito Santo nas Escrituras. Verdade infalível e confiável, não por ser uma "verdade" abstrata sem as "contaminações" do tempo e da experiência, como temia o pensamento cartesiano. Sua infalibilidade e confiabilidade são testemunhadas pelo Espírito dos Profetas que ilumina o coração daquele a quem Deus quer se revelar (contribuição de Calvino para a teologia ocidental), uma verdade providencial. Sua verdade torna-se nítida na medida que nos relacionamos com a pessoalidade de Deus em Jesus Cristo. A verdade cristã é teimosamente encarnacional.
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Por Igor Miguel
25 de mar. de 2014 | By: @igorpensar

Trindade: mitos de seus opositores

1) A Trindade é uma doutrina de homens.
R.: Não há doutrina divina que não passe pela interpretação humana. Deus quis que fosse assim, por isso, disse que o Espírito nos guiaria a toda verdade. A interpretação sempre esteve no cristianismo desde seu nascimento. Lembra de Atos 8? O etíope não sabia o que estava no profeta, Felipe interpretou.

2) Trindade é uma palavra que não está na Bíblia.
R.: A palavra "Bíblia" também não aparece na Bíblia, mas usamos o termo para nos referir ao conjunto de obras que consideramos infalíveis e divinamente inspiradas. Um termo não bíblico, para se referir à Bíblia. Trindade é o "apelido" para uma série de verdades bíblicas, que se harmonizam, nos revelando a natureza de Deus.

3) Trindade é idolatria, politeísmo ou triteísmo.
R.: Jamais. A Trindade foi elaborada justamente para proteger a fé cristã de uma interpretação não-monoteísta. O arianismo, a primeira heresia a respeito da natureza de Deus, sustentava que Cristo era a mais elevada das criaturas, e que ele era o que havia de mais próximo da divindade. Por isso, uma "criatura divina". O que o colocava na condição de um "outro" deus, e pior um "deus criado". O que implicaria em um golpe direto nas incontáveis afirmações bíblicas sobre a unidade de Deus. Idolatria é adorar a criatura ao invés do criador. Foi nisso que deu a primeira tentativa de oposição à Trindade.

4) A Trindade é de origem pagã, pois em várias culturas pagãs encontram-se tríades (trios de deuses).
R.: Em todas estas culturas não há nada equivalente à afirmação trinitária de que a natureza destas divindades é única e indivisível. Ao contrário, cada uma das divindades que formam a tríade divina pagã, possuem natureza ou "seres" distintos. São três divindades. Afirmar isso, na trindade, seria heresia. Quando se fala "três" na trindade, não tem o mesmo sentido de quando se diz "um". No paganismo, a unidade é mero "sinergismo", e as divindades são diversificadas. No cristianismo, a unidade é essencial, a natureza divina é una e indivisível. Enquanto que nesta unidade divina, há uma diversidade de "personas" (pessoas), cada qual cumprindo uma função ou papel distinto na divindade. Logo, dizemos "três" em referência às distinções entre Pai, Filho e Espírito Santo. Mas, dizemos "um" quanto à divindade.

5) Mas, cristãos dizem "Deus Pai", "Deus Filho" e "Deus Espírito Santo", pra mim parece óbvio que são três deuses.
R.: Mais uma falha na compreensão da história e do desenvolvimento da doutrina cristã. Nenhum dos precursores na compreensão teológica da divindade na trindade, quando usavam a expressão "Deus" três vezes, pensavam em três divindades independentes. Pensavam, que os três compartilham de uma única natureza. Como disse Atanásio: "O Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus, mas não são três deuses." O uso triplo da expressão é apenas para expressar de forma didática que as pessoas da trindade compartilham de uma única natureza divina.

6) Vocês se isentam do debate sobre a Trindade, se escondendo atrás do argumento do "mistério".
R.: O argumento do mistério é uma questão de modéstia. A divindade em um sentido é inescrutável, mas quis se revelar por meio das Escrituras e por sua criação. Sendo estas as fontes que temos, podemos sim, vislumbrar e tirar algumas conclusões sobre o que Deus é e não é. Mas, não podemos tirar conclusões a ponto de esgotar a divindade. Em um sentido, Deus é mais do que a trindade pode explicar, mas em outro sentido, este Deus não pode ser menos do que isso.

7) A Trindade não é relevante para minha salvação.
R.: A Trindade não é meramente uma doutrina com implicações intelectuais. Ela é a narrativa ou história de como Deus se revelou e salvou os homens. Se Cristo não for plenamente divino, como Deus aplacaria o pecado? Se Cristo não for plenamente humano, que humanidade ele está salvando? Se o Espírito Santo não for plenamente divino, como podemos dizer que temos um relacionamento com Deus? Afinal, o Pai é exaltado, o Filho está a sua destra e tem a exclusividade da mediação com o Pai, e sendo nossa relação com Deus o Pai, em Cristo e no Espírito Santo. Seria impossível pensar em um relação com Deus fora do Espírito. E pior, se o Espírito Santo é mera energia impessoal, estamos lascados, pois nosso acesso à Cristo dá-se pelo Espírito Santo. E é inadmissível que uma "energia" seja nossa interface de contato com Cristo. Uma leitura cuidadosa de Efésios 1, pode-se ver que Pai, Filho e Espírito Santo, cooperam em uma harmoniosa obra para "eleger" (Pai), "redimir" (Filho) e "selar" (Espírito Santo). Então, tenha cuidado ao dizer que a Trindade não é relevante para a salvação.

Bem, desculpem, mas escrevi este texto depois de um café do Sul de Minas, precisava dar explicações para perguntas que são absurdamente frequentes. Revisarei o texto depois, vão lendo aí.

Autor: Igor Miguel