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26 de jan. de 2013 | By: @igorpensar

Pai Nosso & Nossa Cultura

Por Igor Miguel



"Pai nosso que estás nos céus", de Pai é chamado, pois provê nossa casa com belas músicas, livros e  flores.

"Santificado seja o nome dele", jamais banalizado, mas enaltecido por todas as dádivas da beleza.

"Que o Reino dele venha", e erradique a feiura e a deformidade, e assim crie jardins de beleza, re-encantando o mundo.

Que nada nasça do pretensamente autônomo, mas da pura graça, sim, que "seja feita a sua vontade", e de novo se diga, como o artista com paleta e pincel diante de seu óleo sobre tela: e "viu que tudo era muito bom".

Que da arte culinária, a combinação entre temperos, ervas e uma pitada de sal, graciosamente se diga: o "pão nosso de cada dia nos dai hoje".

Aos que insistem em enfeiar o mundo, manchá-lo com a revolta e o vazio niilista, aos que nos devem a beleza, nós perdoamos. E, que sejamos perdoados quando nos ligamos ao que é caótico, sim, "perdoe as nossas dívidas, assim como perdoamos os nossos devedores".

Enfim, por favor, "não nos deixe cair na tentação" de achar que não há mais beleza, esperança e graça, livrá-nos do cinismo, sim, "livra-nos do mal".

Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém.
6 de fev. de 2012 | By: @igorpensar

Tua Condição




Leproso, olhe pra cruz.  Veja tua condição, olhe para teu estado.  Estás manchado, corado e saturado de vergonha.  Ante teu fracasso, rubor em tua face se encontra.  

O que vês?  Vestes reais de uma realeza antiga agora maculada por tua rebeldia.  Do outro, pura luz, pureza absoluta, nenhuma mancha ou imperfeição, apenas santidade.  O que farás diante do ardor da retidão?  Te curvarás?  Darás alguma desculpa agora que todas as tuas vergonhas se fizeram conhecer?  O que seria óbvio?  Obviamente o teu justo julgamento.  Justo juízo.  Entretanto, aprouve a Deus, o santo Deus, te surpreender com perdão, se creres.  

Somente se negares tua justiça própria, teu orgulho em dizer que podes permanecer de pé por tua própria conta.  Gabas de teu falso testemunho hipócrita.  Renuncia tua altivez e curva-te ante a graça suficiente!  Não entendes que toda vez que te gabas em ti mesmo dizes que o feito não foi suficiente, não foi perfeito, a ponto de complementares a obra consumada com aquilo que será consumido em fogo?  

Oh altivo!  Por que teimas?  A vida está aí?  O que arriscarias por esta verdade?  Do que abririas mão por esta salvação?   Pensas que que elas são alguma coisa? Palha, obras mortas e trapos sujos.  Sim, tudo isto que te orgulhas, são como pó, ante a rocha inabalável, constituída em reta obediência.  Obediência esta que não podes realizar sem Ele.  

A única saída seria uma saída simples, tão simples que em tua pretensa sofisticação e alegada complexidade não alcanças.  Sim, esta graça alcançada por fé.  Apenas confiança no que foi suficiente e definitivamente feito.

"Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva." (Jesus Cristo em João 7:38).

*Igor Miguel
10 de mai. de 2011 | By: @igorpensar

Uma oração: escapei da ira

Pai. Aqui estou, pecador por minha culpa, justo pela ausência de culpa daquele que me justificou. Sei que sobre mim justamente deveria cair sua indignação. Pequei, falhei, transgredi e me rebelei. Sim, justamente sobre mim deveria vir todo zelo do Senhor, ele deveria consumir cada centímetro do que sou. Se teu fogo se voltasse contra mim, eu olharia para ele aterrorizado, mas jamais questionaria, pois seria a justa ira por minha tolice primeva.

Pai. Te chamo assim, pois por graça fui criado no justo Jesus. Por graça, tua mão salvadora, sua destra amorosa, se voltou para mim e me transportou de um reino de confusão e caos, para um reino de sentido e luz. Sim, a ira foi derramada, o fogo consumidor de sua santidade devorou... quem? O pecador? O injusto? O iníquo? Não, o Justo, o Santo, o Perfeito, o Amado... o Filho Amado: Jesus Cristo.

Sobre Ele, o Filho do teu Amor, sobre Ele derramaste pavor, para que eu, teu inimigo, aquele que te perseguia, que fugia em manobras legalistas, sombrias lógicas de compensação, folhas de figueira. Eu mesmo, este filho das vergonhas, fosse ressuscitado em novidade de vida e revestido da justiça, retidão e pureza, atribuídas a mim por meio daquele de quem fui revestido.

Sim Pai. Miserável homem que sou, mas grato homem que sou, por ter sido alcançado com tal amor, com tal graça, dádiva incondicional. Pai, obrigado pela visita de tão grande salvação. Celebro grande livramento, celebro a paz... por meus méritos? Jamais! Pelos méritos de Cristo, sempre.

Em nome de Jesus Cristo, teu Filho Amado, amém.

Igor Miguel
20 de dez. de 2010 | By: @igorpensar

Liturgia: orações diárias

Por Igor Miguel

Liturgia é uma palavra de origem grega que significa "serviço". Cristãos evangélicos temem esta palavra, principalmente aqueles oriundos de comunidades pentecostais e neo-pentecostais, por causa de alguma influência do "protestantismo radical" e dos avivamentos que receberam grande influência de correntes pietistas. Por isso, círculos renovados (carismáticos/pentecostais) preferem um culto espontâneo, com orações livres, sem expressões simbólicas de culto, por causa de uma radicalização da reforma protestante a seu passado católico romano, que se valia de expressões litúrgicas como meios de obtenção de graça e alguns problemas que foram criticados com razão pela reforma protestante.

Não obstante, a crítica reformada não era à liturgia em si, mas ao uso abusivo de "formas litúrgicas" que substituíam em muitos casos a consciência cristã e uma espiritualidade sóbria pela performance mecânica de determinados rituais.

Sempre tive apreço por algumas expressões clássicas de espiritualidade, sempre gostei de me integrar à textos bíblicos e recitá-los como se fossem orações de minha autoria para Deus. E o mais importante, expressões litúrgicas como: orações coletivas, leitura pública das Escrituras, a ceia do Senhor e outros elementos, expressavam uma espiritualidade comunitária, ao invés de um pietismo que explora e concentra a vida do espírito na experiência individual, algo recorrente em nossos dias, principalmente nos círculos cristãos já mencionados.

Por isso, estou a procura de expressões clássicas de espiritualidade, principalmente aquelas que me integram ao Corpo de Cristo e me fazem sentir parte de uma grande comunidade, a Igreja. Hoje, procuro trazer um tempero litúrgico para minhas orações devocionais, principalmente de manhã, e confesso, tem sido muito bom.

Tenho seguido o livro de orações diárias da Igreja da Inglaterra (Common Worship Prayer Book), que é um livro das comunidades protestantes daquele pais. Obviamente, o material não está em português, quem sabe um dia poderemos traduzi-lo. Esse livro de orações encontra-se disponível gratuitamente na Internet. Nele é possível encontrar uma sequência litúrgica em que orações se intercalam com textos bíblicos e orações de personagens cristãos importantes da antiguidade e da modernidade (Agostinho, Calvino, John Wesley, João da Cruz, Tertuliano e outros), além de motivos especiais de oração para cada dia semana.

De qualquer forma, para aqueles que não leem inglês e se interessam por este formato milenar de espiritualidade, abaixo lhes dou uma sugestão liturgicamente estruturada de devocional:

1) Oração do Senhor (O Pai Nosso)

2) Orar um Salmo de Louvor (Sl 113-118), ou
2.1) Orar um texto bíblico ou outros salmos.

3) Meditar na Lei do Senhor

Ler e meditar
(estas são algumas sugestões de textos que podem ser intercalados durante a semana):
  • Os 10 mandamentos.
  • Trechos do Sl 119
  • Trechos do Sermão da Montanha (Mt cap.5-7).
  • Deuteronômio 6:4 e seg. (conhecido conhecido entre os judeus por Shemá)
4) Afirmar o Credo Apostólico (resumo da fé cristã)
--> Sobre o uso protestante do Credo Apostólico veja aqui e aqui.

Creio em Deus Pai, todo-poderoso,
Criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo,
seu único Filho
nosso Senhor.
Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo,
nasceu da Virgem Maria,
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu à mansão dos mortos,
ressuscitou ao terceiro dia,
subiu aos Céus
está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso,
donde há de vir julgar os vivos e mortos.
Creio no Espírito Santo,
na Santa Igreja Universal,
na comunhão dos santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição da carne,
na vida eterna.

5) Oração espontânea.
- Motivos de intercessão:
  • Pela Igreja perseguida;
  • Pelos poderes políticos;
  • Pelos santos e a Igreja no mundo;
  • Pela expansão missionária;
  • Pela salvação dos eleitos do Senhor;
  • Pelas necessidades da comunidade local;
  • E outros motivos.
Obviamente, que esta é uma sugestão básica e flexível para aqueles que querem organizar seu devocional e sua vida de oração. Lembrado-lhes que, práticas como essa devem ser feitas a partir de uma perspectiva de "Docilidade Comunitária", de uma consciência de integração e pertencimento a uma comunidade eleita, composta de mártires, santos, missionários, de todos os tempos e eras na unidade do Espírito Santo. Em algum sentido, quando oramos e confessamos nossa milenar fé em Jesus Cristo, nos integramos aos discípulos de Cristo de todas as eras e lugares, fazemos parte de um Corpo.

Tenho observado, que uma estrutura litúrgica no devocional nos disciplina e cria "ilhas de eternidade"*, de reflexão e contrição em um mundo frenético, que igualmente é palco de nosso engajamento vocacional. Além disso, orações estruturadas desta forma, evitam orações egoístas, privadas e orações que por sua excessiva espontaneidade acabam se tornando vazias de conteúdo e direção. Após este ritmo devocional, mesmo as orações feitas de forma livre, tornam-se mais alinhadas com uma espiritualidade comunitária e menos individualizada.

Para uma reflexão sobre a liturgia vale a pena uma lida no meu texto: Amor, Corpo e Liturgia.

Vamos orar?
___________________________
*Para uma compreensão da ideia de "ilhas de eternidade" e espiritualidade no tempo, vale a pena ler o livro "O Schabbat" de Abraham Joschua Heschel. Uma reflexão filosófica e teológica de um filósofo judeu a respeito dos intercursos da eternidade na história e rotina.
22 de nov. de 2010 | By: @igorpensar

Ore hoje!

Por Igor Miguel

Tenho buscado de Deus uma espiritualidade que lhe agrade. Não quero uma espiritualidade pietista, subjetivista, eu quero me sentir como indivíduo, porém, ligado a uma comunidade. Quero me sentir como membro de um corpo, não fora dele.

Sempre me alegro quando o Espírito Santo me traz a consciência que estou unido com Cristo por mistério e graça. Que de alguma forma o batismo me revestiu de Jesus.

Quero uma espiritualidade em que a oração não é penosa, mas acolhedora e exortiva, simultaneamente confrontadora e consoladora. Quero orar guiado pela suavidade do Espírito Santo, que me conduz a consciência de que o pão e o vinho que segurei em minhas mãos na última ceia, anunciam a morte e ressurreição, o sepultamento e reconstituição, a morte do velho homem e surgimento de uma vida completamente nova.

Quero entoar salmos e cânticos espirituais, quero tanger a corda do meu coração cantando canções de amor e gratidão. Estou em busca de uma vida cheia do Espírito Santo, sensível, amorosa, honesta, que transpareça a graça que alcança todos os dias pecadores e homens altivos como eu.

Não quero ostentar meus feitos, minhas ações são fruto de graça, não são uma propaganda de uma religiosidade autônoma que ainda não entendeu a grandeza de Cristo. Jesus não pode ser um acessório, vulgarmente usado para justificar minhas pretensões religiosas, ao contrário, Jesus Cristo é o núcleo, a pedra angular, donde todas as coisas irradiam.

Quero uma espiritualidade cristocêntrica, fundada no Emanuel, naquele que revelou quem é Deus, projeção e expressão exata do Seu ser. Quero a eleição do Pai, a redenção do Filho e o selo do Espírito Santo (Efésios capítulo 1). Quero ser conduzido por uma vida consciente de que minha história vem sendo conduzida por um Deus de amor soberano até que alcancemos aquilo que aquele homem é: varão perfeito, Jesus Cristo homem e Deus.

Faça uma oração hoje!

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UNIÃO COM CRISTO
(uma oração puritana)

Ó PAI,
Fizeste o homem para tua glória,
e quando ele não serve a este propósito,
de nada serve;
Nenhum pecado é maior do que o pecado da incredulidade,
pois se a união com Cristo é o maior bem,
a incredulidade é o maior dos pecados,
é contrariar tua vontade;
Vejo que, seja qual for o meu pecado,
nada se compara a estar longe de Cristo pela incredulidade.
Senhor, livra-me de cometer o pecado
maior de me apartar dele,
pois aqui nunca poderei obedecer
e viver perfeitamente para Cristo.
Quando tu retiras minhas bençãos exteriores,
é por causa do pecado,
de não reconhecer que tudo que tenho vem de ti,
de não servir-te com tudo que tenho,
de sentir-me seguro e fortalecido em mim mesmo.
Bençãos legítimas tornam-se ídolos secretos,
e causam grande dano;
a grande injúria está em apegar-se ao ter,
o grande bem consiste em dar.
Por amor me privaste de bênçãos,
para que glorificasse mais a ti;
removeste o combustível do meu pecado,
para que eu pudesse apreciar
o ganho de uma pequena santidade
como a contrapartida de todas as minhas perdas.
Quanto mais te amo com um
amor verdadeiramente gracioso
mais desejo te amar,
e mais miserável sou na minha falta de amor;
Quanto mais tenho fome e sede de ti,
mais vacilo e falho em te encontrar;
Quanto mais meu coração está quebrantado pelo pecado,
mais oro para que ele seja quebrantado ainda mais.
Meu grande mal é que não relembro
os pecados da minha juventude;
de fato, os pecados de hoje, amanhã já os esqueci.
Livra-me de tudo aquilo que conduz à incredulidade
ou à falta do sentimento de união com Cristo.

Tradução: Márcio Santana Sobrinho
Extraído de: The Valley of Vision:
A Collection of Puritan Prayers & Devotions,
organizado por Arthur Bennett, p.20