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15 de dez. de 2014 | By: @igorpensar

Neo-Ateísmo sem Sentido

Uma realidade complexa resultante do puro caos e/ou aleatoriedade físico-química só poderia produzir uma "mentalidade" igualmente caótica e aleatória. Se nossa razão é inquieta em sua busca de sentido e coerência, parece plausível que a realidade não seja resultado de pura aleatoriedade, mas de intencionalidade criativa. Nestes termos, parece haver séria inconsistência lógica no neo-ateísmo evolucionista, principalmente, quando incoerentemente procura "explicar" algo a partir de uma razão, que parece ser a única coisa que se salvaguardou de um mundo desprovido de qualquer inteligibilidade, como se supõe. A "Razão", para esses empreendedores do "sem sentido", ocupa um lugar absoluto, sendo ela o fundamento e o critério de qualquer julgamento, a fonte de explicação de todas coisas. Assim, ironicamente, o neo-ateísmo acaba por atribuir um status religioso à Razão, quase, para não dizer, fatalmente, divinizando-a.
2 de ago. de 2011 | By: @igorpensar

O HOJE ETERNO

Prezados leitores,

Compartilho aqui a reflexão que fiz no Culto de Ações de Graças pelos formandos em psicologia da FEAD-MINAS 2011.  Turma que meu grande amigo Aender Borba participou.

Parabéns aos formandos!

Para baixar o texto na íntegra, clique aqui.

Abraços,
Igor


21 de dez. de 2009 | By: @igorpensar

Educação ética religiosamente neutra?

Por Igor Miguel

Lawrence Kohlberg (1927-1987) foi um psicólogo americano, envolvido com a psicologia moral, ramo da psicologia responsável pelo estudo do comportamento ético. Kohlberg estudou com Piaget, de quem recebeu profunda influência. Sua teoria procura racionalizar um "desenvolvimento" em "etapas" (como propõe a psicogênese piagetiana) da evolução moral. Kohlberg será sempre respeitado por sua empreitada, em um campo que carecia de estudos, mas naturalmente, como todo bom cientista ou pioneiro em determinado campo científico, ele não estará isento de críticas. Dentre os crítico(as) de sua teoria estão Carol Gilligan (1985) Sastre, G. (et al, 1994).

A contestação basicamente gira em torno do quesito "racionalidade", a um tipo de"construtivismo moral". A ideia de Kohlberg parece primar pela racionalidade como veículo organizador da "estrutura comportamental", sendo ela responsável por orientar determinada resposta moral à determinados dilemas éticos. Então, se um sujeito vive um conflito entre "roubar uma banana para não morrer de fome" e "não roubar a banana por causa de valores éticos", sua escolha é determinada puramente por como suas estruturas cognitivas se organizaram, influenciando sua escolha moral. O problema é que este modelo ignora um fator absurdamente poderoso, o quesito "afetividade". Em processos em que o dilema moral está posto, mescla-se com a racionalidade com aspectos da vida emotiva. Neste sentido, ocorre um "aparente paradoxo" entre "emoções racionalizadas" e "raciocínios afetados".

O apego de Kohlberg à psicogênese de J. Piaget, que por sua vez tem profunda influência do kantianismo e as pretensões de "racionalizar" fenômenos "empíricos" (fenômenos observados pelos sentidos), fará com que sua teoria ignore qualquer ruído de elementos "não-racionais" como a afetividade e a emoção.

O peso do individualismo capitalista de uma lado e os esforço iluminista de rompimento com o "moralismo religioso" do outro, trouxe alguns desconfortos à dimensão do sociedade que não podem ser descartados. Os sintomas são nítidos: a desonestidade profissional, o egoísmo, a depredação inconsequente do meio ambiente, o desrespeito à figura feminina, a erotização precoce, a falta de cidadania, a depredação e vandalismo a símbolos e espaços públicos, o conflito ético na ciência e outros dilemas, que estão sempre presentes na moderna sociedade.

A conclusão lógica é a retomada de uma educação ética, que leve em consideração o convívio do homem com os outros e com o mundo. Porém, as grandes investigações teóricas que levam em conta a "psicologia moral" ou a "educação moral", esbarram em um elemento pós-moderno: o relativismo cultural. O relativismo cultural, pressupõe que determinados comportamentos que são considerados "imorais" em uma sociedade dada, podem não ser considerados imorais em outra sociedade. Este relativismo moral, tornou-se tão generalizado, que se questiona até mesmo regras "convencionadas" ou "universalizadas". O relativismo moral (ou cultural) é uma resposta às pretensões do iluminismo, que propunha algum tipo de "moralismo universal" ou no positivismo, algum tipo de "moralidade convencional".

Há um conflito entre "relativismo" (pós-estruturalista) e "universalismo" (moderno-iluminista), como lidar com estes dilemas? Minha crítica é a um elemento excluído nos dois movimentos. O relativismo tornou-se tão generalizado, que quase não é possível pensar em "convenções" ou "pactos-sociais", pois acabam relativizando "valores" ao nível do indivíduo, o que torna a responsabilidade ética quase insustentável, pois ignora-se alguma "unidade moral". Por outro lado, o universalismo (anterior ao relativismo), pretende ser "neutro", "imparcial", o que é negado pela disparidade moral de uma cultura para outra.

Penso, que ambos os movimentos, ignoram um elemento importantíssimo, que sustentou as antigas civilizações: a ética religiosa. A tendência moderna de se criar um mundo "a-religioso", uma sociedade "secularizada", que segrega a dimensão religiosa ao espaço da Igreja, da Mesquita ou Sinagoga, é de uma pretensão irritante. A própria ideia de dar uma orientação "racional" à sociedade inclina-se à "religiosidade" ao colocar a "razão" no status de uma divindade (sem teologia explícita) ou de um poder orientador para a vida humana. Vale a leitura do artigo brilhante de Guilherme Carvalho intitulado: A Objeção Reformada ao Dogma da Autonomia Religiosa da Razão.

A neutralidade religiosa da razão é mitológica. O que é a religiosidade, se não a admissão de um "meio orientador" da existência, um sistema de crenças irrefutáveis que dão sentido à atuação e participação humana no mundo. Este "meio orientador" pode ser uma ideologia política, uma divindade, um demiurgo, um conceito, a ciência ou outros "mitos" explicativos à existência e aos fenômenos com que o homem se depara.

Alguns educadores, cuja agenda é dirigida a uma educação moral, desconsideram este elemento e para evitar quaisquer debates ou conflitos "religiosos", mesmo criticando, acabam recorrendo a uma suposta neutralidade da razão e consequentemente, uma "educação ética" a-religiosa. Ora, o crescimento do Islã, os recentes movimentos de afirmação da religiosidade cristã na Europa, o fundamentalismo cristão nos EUA, o crescimento evangélico na América Latina, são fenômenos reais, que não podem ser desconsiderados ou atropelados pela pretensa neutralidade iluminista.

Sendo assim, educadores cristãos (por exemplo), devem se articular, para propor agendas de uma formação ética judaico-cristã consistente, que dialogue com a cultura, que proponha um modus vivendi criativo, desvinculado do escolasticismo medieval, ou da síntese cristã-aristotélica, que é 'anti-cristã' neste sentido. O movimento de retomada de tradições esquecidas ou ignoradas, como a tradição reformado-calvinista, as experiências culturais como o de Abraham Kuyper (no neo-calvinismo holandês) e os movimentos de afirmação das raízes judaicas do cristianismo, são elementos que podem resultar em nova e fresca direção à formação de uma sociedade plenamente humana, pois o pretenso discurso iluminista de "neutralidade religiosa", atropelou o apelo à fé. O fenômeno religioso apegou-se à história humana com tal poder, que seria sobremodo artificial negá-la. A história prova isto!

Deus pode ter morrido, mas já pensaram na hipótese dele já ter ressuscitado?
12 de ago. de 2007 | By: @igorpensar

CRENDO PARA PENSAR, PENSAR PARA AGIR

Uma mensagem que precisa alcançar o homem integral.

Por Igor Miguel

Este pequeno texto é uma recente síntese de minhas reflexões sobre a verdadeira espiritualidade – parafraseando Francis Schaeffer.

Desde minha experiência de regeneração, em meus memoráveis 17 anos, até meus atuais 27 anos, permanece em minha consciência a clareza de que todo discípulo do Messias Jesus está em permanente estado de transformação espiritual e intelectual. Todos nós estamos em um processo de restituição do status quo de filhos de Deus, que inclui o chamado culto racional, uma ação dinâmica de Deus pela renovação de nossos conceitos e pensamentos.

Em dias de fundamentalismo irrestrito, minhas idéias pareciam sólidas em minha paradoxal e porosa ortodoxia. Não podia dizer que minha teologia era de autoria própria ou se afinal a recebi pronta. Um dia percebi que alguns dos pilares desta suposta solidez doutrinária estavam comprometidos, pois não eram colunas, mas estanques de madeira prestes a ruir. Senti-me obrigado a removê-los aos poucos e vi parte da estrutura que compunha minha visão de mundo comprometida por causa desta provisoriedade. Mas tudo isto fazia parte de uma grande obra de restauração orquestrada pela genialidade de Deus.

Seria impossível narrar, nesta pequena produção, todo o incrível processo que vivencio de crises e sínteses culturais e espirituais. Seria impossível narrar detalhes tão subjetivos, que talvez, e na maioria dos casos é assim, só fazem sentido para mim mesmo. Espero que ao menos faça algum sentido para aqueles que lerem este texto.

Depois de paradigmas quebrados e a elaboração de novas abordagens teológicas, gostaria de expor uma tríade que sintetiza minha presente visão de fé.

Crendo

Não resta dúvida de que o homem é um ser hermenêutico, voraz intérprete da realidade e leitor assíduo do mundo em que vive. Não há um homem sequer que não se sinta impelido a questionar e a dar significado aos fenômenos que o envolvem.

De alguma forma, todos elaboram um sistema de crenças, seja a partir de uma filosofia própria ou, quase sempre, por empréstimo para interpretar a realidade. Este sistema de crenças pode ser espontâneo, sistemático ou ordenado em uma tabela de credos. De qualquer forma, todos os homens percebem a realidade em que estão inseridos a partir de uma estrutura dogmática. Assim fazem teólogos, religiosos, filósofos, cientistas, leigos e ateus. Do senso comum ao conhecimento científico, respondendo ou negando (como faz o ceticismo) os fenômenos, é sempre impossível se deparar com o mundo sem apego a crenças.

Encontramos finalmente uma ligação interessante entre "crer” e "pensar". A fé, de alguma forma, está profundamente enraizada em algum tipo de racionalidade. Nenhuma estrutura racional é totalmente desprovida de fé e nenhuma estrutura pística (que se relaciona a fé) está à margem da racionalidade.

Porém, há duas vias comumente apresentadas para lidar com a elaboração de uma cosmovisão: Percebê-la como uma estrutura rígida e estável ou como uma estrutura móvel e dinâmica. Na primeira abordagem, em casos extremos, caracteriza-se pela mente dogmática, fechada, reducionista ou legalista. Geralmente o dogmático vê-se aprisionado a um modelo fixo de percepção da realidade, não havendo espaços para resignificação ou quebra de paradigmas. Na segunda, também nos casos mais radicais, há o ultraliberal ou relativista, que descarta quaisquer referenciais teóricos, qualquer certeza. Tudo é questionável e anômico; e os conceitos são flexibilizados conforme a demanda da realidade. Geralmente pensa-se que não há alternativa, que estaremos eternamente aprisionados ao binarismo dogmatismo-relativismo.

Porém, permitam-nos a lógica do terceiro excluído. Pensemos em uma terceira via, em que nossa visão de mundo não é sustentada nem pelo dogmatismo e nem pelo relativismo. Ilustraremos esta concepção com uma árvore cujas raízes naturalmente arraigadas ao solo aprofundam dando estabilidade à árvore. Há também os galhos, que sustentam a copa, se desenvolvem em ar livre, ramificam-se livremente e podem ser podados quando necessário. Semelhantemente, devemos pensar em uma estrutura de pensamento vinculada a uma verdade sólida, em um axioma irrefutável e a partir dela criarmos uma estrutura “aérea” e dinâmica, sujeita ao crescimento livre e à poda se necessário. Uma parcela flexível, não-paradigmática, sujeita à crítica, móvel e aberta, uma esfera de resignificação.

Assim, impediremos uma credulidade sem reflexão e uma racionalidade cética, superando dualismos, como fé e razão, ortodoxia e pensamento livre, assim por diante. Enfim, teremos crentes que pensam e pensadores que crêem.

Pensando

O pensamento raramente aparece no discurso cristão da atualidade e quando abordado sempre está associado a um suposto perigo da racionalidade ou a divagações que conduzem ao pecado ou ainda o risco de perder a fé. Mas, raramente o pensamento é mencionado como um dom, uma graça comum disponibilizada para que o homem possa decodificar e interpretar o mundo e a natureza de seu criador.

Certamente são inegáveis os danos causados pela queda do homem e seu efeito sobre a racionalidade humana. O pensamento humano foi corrompido pelo pecado. Conseqüentemente seu sistema de crença está distorcido e sua intervenção na realidade também foi danificada. Estão presentes no mundo as evidências. Por exemplo, testemunhamos uma era de tecnologias avançadíssimas em capacidade, mas nunca tão agressivas à criação e ao ecossistema.

Mas não estaria na agenda de Deus a restauração de uma racionalidade integral? Não desejaria Ele restituir as estruturas do pensamento humano segundo o modelo que Ele planejou para seus filhos no Éden?

Descobri que muitas das mazelas do cristão moderno são advindas não do diabo, ou do feiticeiro, da "oração contrária", da maldição hereditária ou das crises emocionais, mas principalmente de sua mente, por um pensamento não renovado.

O cristão está sob influência de um reducionismo teológico, que insiste em limitar a ação de Deus a esferas restritas. Tratam-no com competência para administrar apenas a esfera espiritual e invisível. Ou quando não, arbitrariamente arrastam Deus (como se tal coisa fosse possível) à condição de "gênio da lâmpada" para que Ele supra às necessidades pessoais de vivência consumista tão presente no mundo ocidental. Procuram colocar Deus como servo de seus ídolos. Lastimável!

Muitos, ainda adeptos deste falso conceito, excluem a razão e a cognição (pensamento) da soberania de Deus, como se a inteligência, a lógica, a criatividade e a filosofia fossem outras coisas. Colocam a razão como uma entidade autônoma ou, no mínimo, um dom estranho e descartável em questões de fé. Neste ponto, alguns cristãos ignoram que uma fé desprovida de reflexão é contra a natureza do próprio Criador, o qual sempre interagiu com os homens preservando-lhes a consciência.

Para os apóstolos, era óbvio o interesse de Deus sobre a razão, como assevera Paulo: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (Rm 12:2).

Discute-se pouco a batalha intelectual e o enfretamento que o homem, em processo de santificação, se depara continuamente. Isto é, revisão de conceitos e quebra de paradigmas de uma mente carnal não são debatidas, ao contrário, sataniza-se a realidade e transfere-se a responsabilidade, quando, na verdade, o que está envolvido é uma grande guerra de conceitos e significados.

As leis que norteiam uma mente caída precisam ser abolidas, dando lugar a uma nova estrutura de valores, como expresso pelo apóstolo: "vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros" (Rm 7:23). Por questões óbvias, os velhos sistemas da mente humana estão aprisionados a um modelo de falsos dogmas. Sendo assim, instrumentalizada pela função pedagógica da lei de Deus, a educação dos sentidos tem papel fundamental em conduzir o discípulo à plenitude do homem perfeito - os atributos máximos de Deus manifestos em um homem - JESUS.

Vivemos cercados de falsas leis-credo: a lei do mercado, a lei da moda, a lei do consumo, a lei da violência, a lei da ambição, a lei dos homens. Mas temos por certo que a “lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom" (Rm 7:12), que existem princípios normativos que sustentam uma ética divina, que me reeduca e me ensina a excelência. Isto é levar cativo todo pensamento a Cristo!

Agindo

Este é um aspecto que vem sendo ignorado pela grande maioria dos seguidores de Jesus. Parece simples, mas não é. A distorção do dogma reformado sola gracia trouxe conseqüências perturbadoras, dentre elas a anomia e conseqüentemente a dispensabilidade da ação. De fato, a salvação é um ato gracioso do Criador e não poderia ser de outra forma. Porém, uma percepção míope persiste e tem colocado os salvos em condição de inércia e passividade.

Impressiona-me a herança do idealismo grego sobre a Igreja ocidental, que insiste desde a reforma (para não dizer antes) em estabelecer um sistema de credos, uma lista sistemática de dogmas, que ao invés de expor o desenvolvimento de uma revelação processual, volta ao erro de uma dogmática rígida. Interessante, que Jesus, em seu ministério, não se preocupou em elaborar um modus fidei (modo de crer), mas procurou demonstrar um modus vivendi. Isto significa, que ele apresentou uma espiritualidade profundamente radicada à vida, ao dia-dia e ao testemunho pessoal; um evangelho que dialogava com seu tempo e o influenciava, envolvido com as questões sociais e na demanda de renovação da visão de mundo.

Angustiante pensar quantas denominações existem em território "tupiniquim" por causa desta incessante necessidade de divergência teológica. Os dogmas dividem, os paradigmas quebram vínculos, mas quem pensa em viver a fé? Se nosso credo não nos conduz a uma ação sobre o mundo, o problema pode estar “no que cremos". Dizes tu que tens fé? “Vem com a tua fé, que eu venho com a minhas obras!” Já dizia o judeu-crente Tiago. Obviamente, o apóstolo de Jerusalém estava familiarizado com o sentido hebraico de fé (hb. emuná), que se traduz como fidelidade. Para ele, baseado no pensamento judaico, o que se crê e o que se faz, são duas faces desassociáveis da mesma moeda. Não há dualismos!

Talvez aí esteja o motivo porque um país com uma população crente de mais de 30% não tem respostas concretas para a violência, a desigualdade social, o analfabetismo, a carência de descobertas científicas. Óbvio que ela não "tempera" o mundo em que está inserida. Se os efeitos não são sentidos, devemos questionar: O que será que está de errado no modelo de Igreja que temos? Desejamos sair da mediocridade, da passividade irritante que nada faz e pouco testemunho opera?

Há anos que o evangelismo dos "apelos" mancha a história da Igreja. Há uma necessidade - capitalista - de quantificar o sucesso da Igreja. Será que a Igreja do I século, tão sofrida, tão perseguida e subversiva, era tão dependente das estatísticas assim? Será que quando Lucas mencionava os números dos que iam sendo acrescentados dia a dia, estava preocupado em mostrar apenas a quantidade? Ou não estaria dizendo que sacerdotes obedeciam a fé, que vários judeus criam e eram zelosos da lei (Atos 21) e gentios piedosos davam esmolas (como Cornélio), que, além da quantidade, havia uma Igreja que se qualificava? Certamente, ele não estava preocupado em responder aos apelos modernos de um sucesso numérico, mas a uma demanda existencial, de pessoas que querem ardentemente a devolução de sua condição de Filhos de Deus. Sem dúvida, esta é uma necessidade de todos os tempos e lugares.

Enfim...

Temos que pensar nesta incrível tríade – crer-pensar-agir – do contrário, viveremos em uma nação que continuará refletindo a imagem e semelhança de nosso subdesenvolvimento espiritual. Nossas obras têm função missionária, elas anunciam aos povos o Reino de Deus, anunciam às nações o Messias que venceu a morte. Nosso comportamento é determinante para a evangelização. Muito mais importante, do que panfletos, rádios e megafones; muito mais importante do que um kerygma que não condiz com a vivência.

Desafio os crentes a pregarem o evangelho de forma alternativa. Quem estaria disposto a pregar Jesus através da ética, da generosidade, da retidão moral, do compromisso em pagar as contas em dia, da educação, da inteligência, da pontualidade, da competência profissional, acadêmica e científica?

Por isso disse o emissário aos gentios:

Vós, sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, estando já manifestos como carta de Messias, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações (II Co 3:2-3).

Que nossa vida possa ser lida, interpretada, desvendada, para que mais pessoas sejam alcançadas para o Reino, discipuladas para também se tornarem agentes da história e não seus servos; senhores do tempo e não seus súditos, cumpridores do mandato cultural.