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27 de abr. de 2015 | By: @igorpensar

Comunhão mediada por Cristo

Desmitifique a comunhão. O fundamento da comunhão não é a confraternização. Não é uma agremiação ao redor de gostos comuns. Não é uma reunião de pessoas parecidas. O cristão não congrega para satisfazer expectativas emocionais ou carências afetivas. O fundamento da comunhão é mais simples e mais sério do que se pode imaginar. Reanime-se à vida comunitária e redescubra a comunhão dos santos.



8 de abr. de 2015 | By: @igorpensar

Facetas Sutis do Legalismo

Keller* está certo, sempre temos camadas e mais camadas de auto justificação. Podemos fazer objeções justas a irmãos moralistas que querem obter benefícios salvíficos pelo desempenho moral. Mas, mesmo aqueles imersos em teologia reformada (como eu) podem se vangloriar de um tipo de segurança religiosa pela via cognitiva ou "ortodoxia morta" (Bavinck). Irmãos emocionalistas -- alguns (neo)pentecostais -- podem estar em busca de uma justificação pela experiência afetiva, caindo em uma espécie de idolatria sentimentalista. A verdade é que devemos ser frequentemente expostos ao Evangelho, pois a "salvação pelas obras" e o "legalismo" tem facetas muito mais sutis e versáteis na arte de nos iludir e perdermos a suficiência da obra de Cristo. Que afeto, cognição e moralidade se curvem diante da obra justificadora de Jesus.
 
*Igreja Centrada, p. 65.
13 de abr. de 2013 | By: @igorpensar

Breve Caminhada

Por Igor Miguel

"...como estrangeiros e peregrinos no mundo..." I Pe 2:1

Peregrinação: do latim per agros, literalmente 'andar pelos campos'

Quando eu era criança, costumava deitar no chão cimentado da minha casa e olhar para o céu limpo.  Com os olhos fixos no infinito azul, me perguntava: – Será que Deus mora depois do azul?  Claro que aquele era o “grande” de uma criança, Deus não podia ser contido por algo tão limitado.  Mera filosofia infantil certamente, mas nem por isso menos consciente.  Se tudo que eu via era enorme, aquele que o criou deveria ser muito maior.  Se Deus existe, talvez eu o encontraria na infinitude, na enormidade e no mistério, talvez, depois disto tudo, ele estaria lá me esperando.  Irresistível e fascinante atração.

Em outros momentos, minhas reflexões e experiências com lupas, provocavam minha curiosidade a respeito da complexidade das coisas pequenas: formigas e pequenos insetos.  Claro que as estrelas e o escuro do céu à noite me fascinavam, mas como coisas tão insignificantes podiam ser tão sofisticadas, pensava.  Qual é o limite da pequenez?

Adorava ir à praia com uma máscara de mergulho e ver aquilo que parecia um universo paralelo: peixes, algas, ouriços, pedras, conchas e estrelas do mar, aquilo que a maioria das pessoas simplesmente ignora. Eu, com aquele simples dispositivo, me sentia alguém solitário contemplando peixes bailando como em uma coreografia harmoniosa.  O fundo do mar parece outra dimensão.

Na minha juventude, tinha medo de compartilhar minhas curiosidades, dúvidas e impressões.  Lá estava eu capturado pelo sensus divinitatis (senso da divindade), diante de um Deus que se exibe de forma estonteante.  Mas, paralelo ao fascínio, lá ia eu à escola, lugar da razão rigorosa, da lógica implacável e das explicações causais.  Tudo que era misterioso, tornou-se explicável, tudo que era belo, reduziu-se a números, frequência de luz, amido e partículas atômicas.  O único mistério que não podia ser domado por tais categorias era o amor, infelizmente, cativo pela banalização erotizante de nossa era.  O amor e o sexo pareciam fascinantes, pois me pareciam possuidores de alguma pulsão transcendente, mas se misturavam com a banalidade e as piadinhas de corredor de escola.  Até mesmo, o que me sobrara de misterioso e sacro, agora era profanado por uma cultura que adorava transgredir.

No meu mundo, pouca coisa de sagrado sobrara, apenas na Igreja, esperava encontrar algo de santo.  Lá, pessoas choravam diante do sagrado, as senhoras oravam fervorosamente, os cânticos e pregadores contagiavam corações com as narrativas bíblicas.  Aquele texto sagrado devolvera meu fascínio por Deus.  Moisés fala com Deus, os reis recebem profetas, anjos se encontram com homens, Deus se faz carne e cura cegos, paralíticos e confronta os demônios.  E mais tarde, em Apocalipse, encontram-se bestas, guerras celestiais e um Cristo vitorioso montado em um cavalo branco.  Livro fascinante este que chamam de Bíblia.

Na vida comunitária, olhava para os mais piedosos e para minha própria vida, e vivia naquela tensão interna, entre a hipocrisia e a mera reprodução da piedade.  Queria ser como aquele “irmão consagrado”, mas me faltavam recursos, a máxima paulina era insistente: eu quero fazer, mas não faço.  Até que enfim, se ergueu Cristo.

Cristo se levantou de forma incrível, fui tomado de consciência.  Jesus não me acusou de nada, eu mesmo pude ver minhas sujeiras mais profundas a partir da luz que dele emanou.  Eu andava em trevas, mas nele vi graça e verdade.  Com as mãos estendidas, não tive medo, me levantei, em lágrimas, torrentes, mas me levantei.   Por um instante, ali estava meu Senhor e meu Deus, não era uma visão, não era um sonho, nem imaginação, não era um presença empírica.  Era a narrativa de Cristo, era o Cristo ressuscitado, contado pelas Escrituras, preservado pelos mártires, anunciado pelo pregadores.  Seu Evangelho me atingiu em cheio.  Não pude resistir.  Quem ousaria resistir?

Diante do espetáculo de amor tão penetrante, só me restou uma modesta afirmação, que brotava dos lugares mais profundos da minha existência, eu simplesmente disse: – Eu creio!   Fui tomado de alegria, de plenitude, uma vontade de me entregar a tudo aquilo, deixando tudo para trás.  Eu só queria ser acolhido por aquela presença.  Quase lhe fiz uma tenda, reproduzindo a vontade dos discípulos na transfiguração.

Decidi, desde então, construir todas as minhas ações e vida, sob o Cristo inabalável, sobre a Rocha, e não na areia móvel.  Por um tempo, me aventurei, por ignorância e orgulho, em me afastar dele, tentei encontrar sentido em algo que não fosse apenas Cristo, quase fui absorvido pela mentira e a ilusão.  Mas, a aparição do pastor atrás de sua ovelha perdida, novamente, me trouxe à épocas áureas de gratidão e arrependimento.  Como o filho pródigo, corri ao encontro daquele que me chamou outrora.

Finalmente, nesta caminhada, desfrutei da verdade que Jesus e os apóstolos ensinaram:  não há nada estável no universo, tudo é volátil e fluido.  Cristo é a única coisa que se pode lançar irrestrita confiança e crédito.  Toda vitalidade e alegria procedem de uma fé resignada e insistente em Jesus.  Como ele disse:
“Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior, fluirão rios de águas vivas.” (Jo 7:38).  
E não pense que Jesus é um gênio da lâmpada que realiza todos os seus desejos idólatras.  Ele não é um ídolo ou fantoche que obedece seus caprichos religiosos.  Ele é indomável, quase selvagem, como diria C.S. Lewis.  Jesus faz o que apraz ao Pai, e nós aprendemos a tratar nossos interesses privados à boa, perfeita e agradável vontade de Deus.  Finalmente, aprende-se que liberdade autêntica só é possível nos domínios do Deus que se revela em Jesus Cristo.  Uma liberdade que se traduz na oração que o Senhor nos ensinou: “Seja feita a tua vontade!”.

Soli Deo Gloria
25 de ago. de 2012 | By: @igorpensar

O que é legalismo?

Por Igor Miguel

Para muita gente, legalista é aquela pessoa que pretende ser salva por suas obras ou sua obediência às leis e aos mandamentos de Deus.   Em outras palavras, esta pessoa para ser aceita por Deus, deveria andar em plena obediência.

Mas, o que tenho visto é um outro formato de legalismo, tão danoso quanto o mencionado acima.  Me refiro, a um legalismo "soft", se é que existe tal coisa.  Há um legalismo baseado na seguinte hipótese:
Deus me salva pela graça mediante a fé no que Cristo realizou na cruz.  Mas, para permanecer nesta graça, tenho que obedecer.  
Pessoas alegam, a partir da lógica acima, que não são legalistas, pois reconhecem a graça como um fator importante para o "início" da vida cristã.  A graça seria o meio de acesso à trajetória, mas depois, depende delas a manutenção desta "obra salvadora".  Quando se esforçam, quando se dedicam em oração, jejum e obediência.

Não tenho dúvida, se a graça é entendida como uma dádiva que opera somente no início, e depois, torna-se um tipo de "remédio" só para sermos perdoados em eventuais "pecados" (que não são tão eventuais assim), novamente há um entendimento legalista do evangelho.

Eu até entendo que pessoas que formulam uma doutrina da salvação nestes termos, o fazem sob uma preocupação ou ansiedade, como se a doutrina da graça produzisse um tipo de "libertinagem".  E há anos, os grandes pregadores da graça, dentre eles os reformadores, sempre insistiram em afirmar que não há qualquer relação entre "graça"  e "libertinagem".  

O que todos eles defendiam era que a "obediência do cristão" não tem qualquer relação de causa quanto ao ser "justificado" ou "aceito" perante Deus.  A obediência não é o que salva o homem, não se pode colocar a tensão sobre o "homem", pois ele mesmo, por si só, não tem qualquer condição de se salvar ou se santificar.

Logo, a graça não é algo que opera unicamente no início da jornada, como observei em um texto por aqui, mas age permanentemente sobre a vida do cristão.  Inclusive, o cristão só faz "obras" por causa deste amor dadivoso.  Mas, observe, não são estas obras a causa ou o fator condicionador para a redenção dos homens e sua salvação eterna.  A causa sempre será e deve ser os méritos de Cristo em seu magnífico sacrifício.

Então, legalismo é toda tentativa de se tornar aceito por Deus fora dos méritos de Cristo e da ação da graça de Deus.  Se alguém alega que para permanecer na graça deve obedecer a Deus, tal pessoa é legalista.  Pois não reconhece que um cristão só permanece na graça por causa da graça mesmo.   Uma pessoa que "caiu da graça" é uma pessoa que afinal, nunca foi alcançada por ela. 

Por isso, é tão comum perceber entre pessoas que baseiam sua espiritualidade neste legalismo "soft" um tipo descentralização de Cristo.  Jesus é colocado apenas como um modelo a ser imitado, mas não como o agente mesmo para uma vida santa.  A vida santa acontece por causa de Jesus, dele emana toda graça para uma obediência grata.

Jesus afirmou claramente: "sem mim nada podeis fazer" (Jo 15:5).  Então, deve-se deixar claro, que a ausência de frutos é um indício sério de que alguém não foi alcançado pela graça.  E a presença de frutos pode ser o indício de que fomos introduzidos na presença do Pai e que Ele agora opera em nós "o querer e o realizar".  Porém, dizer que é pelos "bons feitos" que os homens serão aceitos e obterão graça para continuarem na "aliança" ou "permanecerem salvos", é novamente, obscurecer o motivo central pelo qual nos mantemos de pé: Jesus Cristo.

O problema do legalismo, seja em qual formato, é que ele sempre coloca uma tensão sobre os homens, desfocando Cristo como o agente (autor e consumador) da fé.  Se um dia estivermos perante Deus, e se hoje, sou aceito perante o Pai em oração é por causa de Jesus, não por causa de alguma coisa que faço ou deixo de fazer.   Deus não me ama mais do que meu irmão, por causa de uma piedade pessoal mais elevada.  Deus nos ama igualmente por causa da piedade e intercessão de um só que é Jesus Cristo.

Se obedecemos, o fazemos por causa do Espírito de Cristo (I Pe 1:11), logo, é Cristo o agente desta obediência.  Foi para boas obras que fomos criados (Ef 2:10).  Entretanto, obras pautadas nos méritos de Jesus e não em um esforço autônomo.  Obras que galardoam, por terem sido feitas por e em Cristo.  Mas, quando estivermos perante Ele, será porque o que Jesus fez foi bom o suficiente para nos colocar lá. 

Enfim, por que Deus fez as coisas assim?  A resposta de Paulo é categórica:  "para que ninguém se glorie!" (Ef 2:8 e 9).  O problema do legalismo é que ele desvia a glória de Deus.  O antídoto?  Reconhecer que tudo é por graça.  

Se há alguma parcela de feitos humanos aí envolvidos na justificação, santificação ou glorificação dos santos.  Ou mesmo, uma combinação de ambos (sinergismo).  A glória não é toda Cristo, mas dividida entre Cristo e os homens.  Uma contradição interna à natureza do evangelho.  Um cristão, por isso, é movido por fé e confiança obstinada e graciosa, que Cristo é poderoso para o transformar, no Espírito Santo, no que ele é (de glória em glória).  Transformação operada a partir da clara e eficaz obra salvadora que foi realizada em nós por meio de seu perfeito sacrifício.

Soli Deo Gloria!
21 de jun. de 2012 | By: @igorpensar

Cristo, espiritualidade e cultura

Três palestras que cobrem os seguintes temas:

- A Relação do Cristão com a Cultura
- Vocação e Espiritualidade Criativa
- A Centralidade do Evangelho de Cristo

Os temas foram desenvolvidos em uma série de reflexões que ministramos na Igreja Metodista de Uberlândia - MG nos dias 16 e 17 de junho de 2012.