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2 de mar. de 2012 | By: @igorpensar

Série Trindade - Parte III



Dando continuidade a Série Trindade (Parte I e II), que nasceu de uma necessidade urgente de expor esta fascinante e fundamental doutrina cristã e demonstrar suas implicações práticas sobre a Igreja de Cristo, compartilho um texto que nos foi brindado pelo Pr. Guilherme de Carvalho.  Este artigo sintetiza o ensino que me vez recuperar a centralidade de Cristo, a legitimidade da Trindade e a coerência da fé cristã e do cristianismo na doutrina que delimita quem é e quem não é cristão.

Compartilho este texto com os leitores deste blog, inserindo-o dentro da referida série, precisamente pela excelente qualidade da explicação e o tratamento dado a necessidade urgente de cristão s retomarem e reafirmarem esta tão cara doutrina preservada por quase dois milênios.


Boa leitura a todos!
Igor Miguel

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12 de dez. de 2011 | By: @igorpensar

Verdade acima da Unidade

Lutero refirma o princípio bíblico, de que acima de relacionamentos, amor e sentimentalismo, está a verdade.  Que a unidade cristã deve se constituir em cima da verdade.

23 de mar. de 2010 | By: @igorpensar

Teologia Relacional: ortodoxia privada.

Por Igor Miguel

Para quem não conhece, vale a pena "googlear" e levantar alguns dados sobre o que é conhecido ou denominado por "teologia relacional" ou "teísmo aberto". Lembrando que o termo "teologia relacional" (a versão brasileira de open theism), foi cunhado, segundo se afirma, pelo Pr. Ricardo Gondim e Santlei Belan.

Pois bem, o próprio Ricardo Gondim expõe em seu site, sua concepção sobre o que seria a teologia relacional. Mesmo ao afirmar no prefácio, que não quer se circunscrever dentro de limites ou rotulações teológicas, acaba por se batizar ao cunhar um termo para se localizar teologicamente. Curiosa a adoção desta postura pós-moderna de uma imprecisão ou um posicionamento teológico não-confissional. Curiosa esta coisa de uma ortodoxia privada. Uma ortodoxia que é um tapete de retalhos de heterodoxias. Ortodoxia em seu discurso é fundamentalismo, reducionismo. Será? Interessante ele dizer:
"... não gosto de rótulos ou cercas que buscam circunscrever as pessoas dentro de categorias. Considero pobre e reducionista taxar alguém de calvinista, arminiano, liberal, relativista ou de qualquer outra coisa. Digo isso porque busco não deixar-me restringir a uma “nova” teologia ou repetir pensamentos enlatados, vindos de fora."
E logo depois:
"... o termo “Teologia Relacional” foi cunhado por mim e pelo Stanlei Belan, um engenheiro muito amigo, membro da Betesda. Em nossos “papos-cabeça”, notamos que carecíamos de uma expressão que nos ajudasse a conceituar nossos arrazoamentos."
Na citação anterior, há uma crítica ao uso de rótulos. E de súbito, sem que o leitor perceba, o termo 'Teologia Relacional" torna-se uma expressão que ajuda a "conceituar". Ora bolas, se ajuda, então, por que será que calvinistas dizem que são calvinistas? Por que arminianos dizem que são arminianos? Porque ao menos, se propõem a organizar seus "arrazoamentos".

Na primeira citação é pós-moderno, escorrega e relativiza, no segundo momento ele "conceitua", cria uma outra categoria. Isso para mim é a privatização, a pessoalização de uma "ortodoxia". Ele não quer admitir uma identificação com as grandes tradições, mas quer se identificar com sua própria percepção teológica. Ortodoxia privada!

Nenhum ser humano é a-ortodoxo. Mesmo a pretensa agenda de a-ortodoxia é um posicionamento, uma crença na incerteza. A a-ortodoxia do Pr. Gondim é "ortodoxamente relacional", e como ele adimite, a teologia relacional foi criação sua, ou pelo menos o termo. E, ainda sustenta uma diferença entre teísmo aberto e teologia relacional. Ao menos é o que ele deseja sustentar em seu texto:
"Teísmo Aberto e Teologia Relacional não são a mesma coisa. Vou tentar explicar a diferença."
Porém, em outro momento ele diz:
"Nicodemus* quer, com uma só tacada, demolir as premissas do teísmo aberto..."
Observe, que a partir deste trecho há um tom apologético em relação ao teísmo aberto, e em nenhum momento viu-se uma tentativa real, da pretensa distinção entre teologia relacional e o teísmo aberto. Por um motivo óbvio: a distinção não existe! A teologia relacional defendida no texto é o teísmo aberto. Um "enlatado norte americano". Lembrando que o termo open theism ou open theology (teologia aberta) fora criado pelo americano Richard Rice, um teólogo adventista do sétimo dia, em sua obra: The Openness of God (A Abertura de Deus).

Enfim, meu problema com a posição teológica defendida pelo Pr. Ricardo Gondim, e digo bem claro, sua posição teológica, e não sua pessoa, é a respeito de sua postura escorregadia, sua descontinuidade e relatividade teológicas. Relatividade, até onde interessa, pois quando não interessa, quando desorganiza, apela-se às conceituações e a rótulos inevitáveis.
"... cada posição é uma ortodoxia. A única questão é 'de quem?' (Douglas Wilson).
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*Nicodemus, é uma referência ao teólogo presbiteriano Augustus Nicodemus autor de um artigo em que se posicona a respeito da teologia relacional a partir da visão reformada.
12 de ago. de 2007 | By: @igorpensar

CRENDO PARA PENSAR, PENSAR PARA AGIR

Uma mensagem que precisa alcançar o homem integral.

Por Igor Miguel

Este pequeno texto é uma recente síntese de minhas reflexões sobre a verdadeira espiritualidade – parafraseando Francis Schaeffer.

Desde minha experiência de regeneração, em meus memoráveis 17 anos, até meus atuais 27 anos, permanece em minha consciência a clareza de que todo discípulo do Messias Jesus está em permanente estado de transformação espiritual e intelectual. Todos nós estamos em um processo de restituição do status quo de filhos de Deus, que inclui o chamado culto racional, uma ação dinâmica de Deus pela renovação de nossos conceitos e pensamentos.

Em dias de fundamentalismo irrestrito, minhas idéias pareciam sólidas em minha paradoxal e porosa ortodoxia. Não podia dizer que minha teologia era de autoria própria ou se afinal a recebi pronta. Um dia percebi que alguns dos pilares desta suposta solidez doutrinária estavam comprometidos, pois não eram colunas, mas estanques de madeira prestes a ruir. Senti-me obrigado a removê-los aos poucos e vi parte da estrutura que compunha minha visão de mundo comprometida por causa desta provisoriedade. Mas tudo isto fazia parte de uma grande obra de restauração orquestrada pela genialidade de Deus.

Seria impossível narrar, nesta pequena produção, todo o incrível processo que vivencio de crises e sínteses culturais e espirituais. Seria impossível narrar detalhes tão subjetivos, que talvez, e na maioria dos casos é assim, só fazem sentido para mim mesmo. Espero que ao menos faça algum sentido para aqueles que lerem este texto.

Depois de paradigmas quebrados e a elaboração de novas abordagens teológicas, gostaria de expor uma tríade que sintetiza minha presente visão de fé.

Crendo

Não resta dúvida de que o homem é um ser hermenêutico, voraz intérprete da realidade e leitor assíduo do mundo em que vive. Não há um homem sequer que não se sinta impelido a questionar e a dar significado aos fenômenos que o envolvem.

De alguma forma, todos elaboram um sistema de crenças, seja a partir de uma filosofia própria ou, quase sempre, por empréstimo para interpretar a realidade. Este sistema de crenças pode ser espontâneo, sistemático ou ordenado em uma tabela de credos. De qualquer forma, todos os homens percebem a realidade em que estão inseridos a partir de uma estrutura dogmática. Assim fazem teólogos, religiosos, filósofos, cientistas, leigos e ateus. Do senso comum ao conhecimento científico, respondendo ou negando (como faz o ceticismo) os fenômenos, é sempre impossível se deparar com o mundo sem apego a crenças.

Encontramos finalmente uma ligação interessante entre "crer” e "pensar". A fé, de alguma forma, está profundamente enraizada em algum tipo de racionalidade. Nenhuma estrutura racional é totalmente desprovida de fé e nenhuma estrutura pística (que se relaciona a fé) está à margem da racionalidade.

Porém, há duas vias comumente apresentadas para lidar com a elaboração de uma cosmovisão: Percebê-la como uma estrutura rígida e estável ou como uma estrutura móvel e dinâmica. Na primeira abordagem, em casos extremos, caracteriza-se pela mente dogmática, fechada, reducionista ou legalista. Geralmente o dogmático vê-se aprisionado a um modelo fixo de percepção da realidade, não havendo espaços para resignificação ou quebra de paradigmas. Na segunda, também nos casos mais radicais, há o ultraliberal ou relativista, que descarta quaisquer referenciais teóricos, qualquer certeza. Tudo é questionável e anômico; e os conceitos são flexibilizados conforme a demanda da realidade. Geralmente pensa-se que não há alternativa, que estaremos eternamente aprisionados ao binarismo dogmatismo-relativismo.

Porém, permitam-nos a lógica do terceiro excluído. Pensemos em uma terceira via, em que nossa visão de mundo não é sustentada nem pelo dogmatismo e nem pelo relativismo. Ilustraremos esta concepção com uma árvore cujas raízes naturalmente arraigadas ao solo aprofundam dando estabilidade à árvore. Há também os galhos, que sustentam a copa, se desenvolvem em ar livre, ramificam-se livremente e podem ser podados quando necessário. Semelhantemente, devemos pensar em uma estrutura de pensamento vinculada a uma verdade sólida, em um axioma irrefutável e a partir dela criarmos uma estrutura “aérea” e dinâmica, sujeita ao crescimento livre e à poda se necessário. Uma parcela flexível, não-paradigmática, sujeita à crítica, móvel e aberta, uma esfera de resignificação.

Assim, impediremos uma credulidade sem reflexão e uma racionalidade cética, superando dualismos, como fé e razão, ortodoxia e pensamento livre, assim por diante. Enfim, teremos crentes que pensam e pensadores que crêem.

Pensando

O pensamento raramente aparece no discurso cristão da atualidade e quando abordado sempre está associado a um suposto perigo da racionalidade ou a divagações que conduzem ao pecado ou ainda o risco de perder a fé. Mas, raramente o pensamento é mencionado como um dom, uma graça comum disponibilizada para que o homem possa decodificar e interpretar o mundo e a natureza de seu criador.

Certamente são inegáveis os danos causados pela queda do homem e seu efeito sobre a racionalidade humana. O pensamento humano foi corrompido pelo pecado. Conseqüentemente seu sistema de crença está distorcido e sua intervenção na realidade também foi danificada. Estão presentes no mundo as evidências. Por exemplo, testemunhamos uma era de tecnologias avançadíssimas em capacidade, mas nunca tão agressivas à criação e ao ecossistema.

Mas não estaria na agenda de Deus a restauração de uma racionalidade integral? Não desejaria Ele restituir as estruturas do pensamento humano segundo o modelo que Ele planejou para seus filhos no Éden?

Descobri que muitas das mazelas do cristão moderno são advindas não do diabo, ou do feiticeiro, da "oração contrária", da maldição hereditária ou das crises emocionais, mas principalmente de sua mente, por um pensamento não renovado.

O cristão está sob influência de um reducionismo teológico, que insiste em limitar a ação de Deus a esferas restritas. Tratam-no com competência para administrar apenas a esfera espiritual e invisível. Ou quando não, arbitrariamente arrastam Deus (como se tal coisa fosse possível) à condição de "gênio da lâmpada" para que Ele supra às necessidades pessoais de vivência consumista tão presente no mundo ocidental. Procuram colocar Deus como servo de seus ídolos. Lastimável!

Muitos, ainda adeptos deste falso conceito, excluem a razão e a cognição (pensamento) da soberania de Deus, como se a inteligência, a lógica, a criatividade e a filosofia fossem outras coisas. Colocam a razão como uma entidade autônoma ou, no mínimo, um dom estranho e descartável em questões de fé. Neste ponto, alguns cristãos ignoram que uma fé desprovida de reflexão é contra a natureza do próprio Criador, o qual sempre interagiu com os homens preservando-lhes a consciência.

Para os apóstolos, era óbvio o interesse de Deus sobre a razão, como assevera Paulo: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (Rm 12:2).

Discute-se pouco a batalha intelectual e o enfretamento que o homem, em processo de santificação, se depara continuamente. Isto é, revisão de conceitos e quebra de paradigmas de uma mente carnal não são debatidas, ao contrário, sataniza-se a realidade e transfere-se a responsabilidade, quando, na verdade, o que está envolvido é uma grande guerra de conceitos e significados.

As leis que norteiam uma mente caída precisam ser abolidas, dando lugar a uma nova estrutura de valores, como expresso pelo apóstolo: "vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros" (Rm 7:23). Por questões óbvias, os velhos sistemas da mente humana estão aprisionados a um modelo de falsos dogmas. Sendo assim, instrumentalizada pela função pedagógica da lei de Deus, a educação dos sentidos tem papel fundamental em conduzir o discípulo à plenitude do homem perfeito - os atributos máximos de Deus manifestos em um homem - JESUS.

Vivemos cercados de falsas leis-credo: a lei do mercado, a lei da moda, a lei do consumo, a lei da violência, a lei da ambição, a lei dos homens. Mas temos por certo que a “lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom" (Rm 7:12), que existem princípios normativos que sustentam uma ética divina, que me reeduca e me ensina a excelência. Isto é levar cativo todo pensamento a Cristo!

Agindo

Este é um aspecto que vem sendo ignorado pela grande maioria dos seguidores de Jesus. Parece simples, mas não é. A distorção do dogma reformado sola gracia trouxe conseqüências perturbadoras, dentre elas a anomia e conseqüentemente a dispensabilidade da ação. De fato, a salvação é um ato gracioso do Criador e não poderia ser de outra forma. Porém, uma percepção míope persiste e tem colocado os salvos em condição de inércia e passividade.

Impressiona-me a herança do idealismo grego sobre a Igreja ocidental, que insiste desde a reforma (para não dizer antes) em estabelecer um sistema de credos, uma lista sistemática de dogmas, que ao invés de expor o desenvolvimento de uma revelação processual, volta ao erro de uma dogmática rígida. Interessante, que Jesus, em seu ministério, não se preocupou em elaborar um modus fidei (modo de crer), mas procurou demonstrar um modus vivendi. Isto significa, que ele apresentou uma espiritualidade profundamente radicada à vida, ao dia-dia e ao testemunho pessoal; um evangelho que dialogava com seu tempo e o influenciava, envolvido com as questões sociais e na demanda de renovação da visão de mundo.

Angustiante pensar quantas denominações existem em território "tupiniquim" por causa desta incessante necessidade de divergência teológica. Os dogmas dividem, os paradigmas quebram vínculos, mas quem pensa em viver a fé? Se nosso credo não nos conduz a uma ação sobre o mundo, o problema pode estar “no que cremos". Dizes tu que tens fé? “Vem com a tua fé, que eu venho com a minhas obras!” Já dizia o judeu-crente Tiago. Obviamente, o apóstolo de Jerusalém estava familiarizado com o sentido hebraico de fé (hb. emuná), que se traduz como fidelidade. Para ele, baseado no pensamento judaico, o que se crê e o que se faz, são duas faces desassociáveis da mesma moeda. Não há dualismos!

Talvez aí esteja o motivo porque um país com uma população crente de mais de 30% não tem respostas concretas para a violência, a desigualdade social, o analfabetismo, a carência de descobertas científicas. Óbvio que ela não "tempera" o mundo em que está inserida. Se os efeitos não são sentidos, devemos questionar: O que será que está de errado no modelo de Igreja que temos? Desejamos sair da mediocridade, da passividade irritante que nada faz e pouco testemunho opera?

Há anos que o evangelismo dos "apelos" mancha a história da Igreja. Há uma necessidade - capitalista - de quantificar o sucesso da Igreja. Será que a Igreja do I século, tão sofrida, tão perseguida e subversiva, era tão dependente das estatísticas assim? Será que quando Lucas mencionava os números dos que iam sendo acrescentados dia a dia, estava preocupado em mostrar apenas a quantidade? Ou não estaria dizendo que sacerdotes obedeciam a fé, que vários judeus criam e eram zelosos da lei (Atos 21) e gentios piedosos davam esmolas (como Cornélio), que, além da quantidade, havia uma Igreja que se qualificava? Certamente, ele não estava preocupado em responder aos apelos modernos de um sucesso numérico, mas a uma demanda existencial, de pessoas que querem ardentemente a devolução de sua condição de Filhos de Deus. Sem dúvida, esta é uma necessidade de todos os tempos e lugares.

Enfim...

Temos que pensar nesta incrível tríade – crer-pensar-agir – do contrário, viveremos em uma nação que continuará refletindo a imagem e semelhança de nosso subdesenvolvimento espiritual. Nossas obras têm função missionária, elas anunciam aos povos o Reino de Deus, anunciam às nações o Messias que venceu a morte. Nosso comportamento é determinante para a evangelização. Muito mais importante, do que panfletos, rádios e megafones; muito mais importante do que um kerygma que não condiz com a vivência.

Desafio os crentes a pregarem o evangelho de forma alternativa. Quem estaria disposto a pregar Jesus através da ética, da generosidade, da retidão moral, do compromisso em pagar as contas em dia, da educação, da inteligência, da pontualidade, da competência profissional, acadêmica e científica?

Por isso disse o emissário aos gentios:

Vós, sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, estando já manifestos como carta de Messias, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações (II Co 3:2-3).

Que nossa vida possa ser lida, interpretada, desvendada, para que mais pessoas sejam alcançadas para o Reino, discipuladas para também se tornarem agentes da história e não seus servos; senhores do tempo e não seus súditos, cumpridores do mandato cultural.