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Amargo Cristianismo
Por que escolhi o caminho do cristianismo? Apesar de que a pergunta já tem um problema em si, pois, penso que o cristianismo, ou ainda melhor, Cristo é quem nos escolheu. Não há explicações proposicionais, Cristo convoca e chama. Cristo é magnético e irrefutável. Cristo e o cristianismo ensinam de maneira descarada e sem pudor que não somos confiáveis. Respeitosamente acho difícil que alguma filosofia ou outra expressão religiosa seja mais explícita em relação ao orgulho humano e nossa fragilidade moral do que o cristianismo.
Desconfio de qualquer visão de mundo que alegue que sou "bacana" ou que tenho recursos "inatos" para me tornar melhor. Qualquer pessoa minimamente experimentada em suas próprias fragilidades morais sabe do que estou "falando". Eu duvido que uma pessoa, por simples vontade e disposição moral, acorde uma manhã qualquer e consiga observar de maneira irrestrita todo o Sermão do Monte e viva os termos que estão ali de maneira irrepreensível. O que está no Sermão do Monte não é uma tabela de regras morais é um currículo de um longo programa de discipulado que exige constante reconhecimento de nossa fragilidade (pobreza de espírito) e dependência da graça de Deus.
Eu precisava de uma resposta honesta quanto ao orgulho e a altivez, estes dois demônios que ficam sempre à espreita prontos para assaltar qualquer transeunte que perambula distraído pelos caminhos da vida. Uma vez me disseram: "Igor, você vive dizendo que tem problemas com orgulho." Eu tive que responder: "E... você não?".
O cristianismo é um remédio amargo, pouco conveniente, não é um religião que está disposta a retroalimentar seu ego, sua autoestima, ou trazer algum tipo de alívio moral. O cristianismo é letal justamente por ser libertador. O cristianismo contradiz de maneira radical nossas narrativas previsíveis de sucesso e felicidade. Pense bem, nosso maior emblema é um homem aparentemente derrotado e humilhado em uma cruz. Que absurdo! Que escândalo! A mensagem de triunfo é esta: "quem perder a sua vida ganha-la-á."
Por isso sou cristão: pois o cristianismo diz tudo que eu não gostaria de ouvir, me convida a crer em quem eu jamais creria e me ensina a viver de uma maneira que eu jamais viveria. Cristianismo é morte, por isso, é ressurreição. Não seria exagero dizer, que no final, Cristo está nos salvando de nós mesmos.
Desconfio de qualquer visão de mundo que alegue que sou "bacana" ou que tenho recursos "inatos" para me tornar melhor. Qualquer pessoa minimamente experimentada em suas próprias fragilidades morais sabe do que estou "falando". Eu duvido que uma pessoa, por simples vontade e disposição moral, acorde uma manhã qualquer e consiga observar de maneira irrestrita todo o Sermão do Monte e viva os termos que estão ali de maneira irrepreensível. O que está no Sermão do Monte não é uma tabela de regras morais é um currículo de um longo programa de discipulado que exige constante reconhecimento de nossa fragilidade (pobreza de espírito) e dependência da graça de Deus.
Eu precisava de uma resposta honesta quanto ao orgulho e a altivez, estes dois demônios que ficam sempre à espreita prontos para assaltar qualquer transeunte que perambula distraído pelos caminhos da vida. Uma vez me disseram: "Igor, você vive dizendo que tem problemas com orgulho." Eu tive que responder: "E... você não?".
O cristianismo é um remédio amargo, pouco conveniente, não é um religião que está disposta a retroalimentar seu ego, sua autoestima, ou trazer algum tipo de alívio moral. O cristianismo é letal justamente por ser libertador. O cristianismo contradiz de maneira radical nossas narrativas previsíveis de sucesso e felicidade. Pense bem, nosso maior emblema é um homem aparentemente derrotado e humilhado em uma cruz. Que absurdo! Que escândalo! A mensagem de triunfo é esta: "quem perder a sua vida ganha-la-á."
Por isso sou cristão: pois o cristianismo diz tudo que eu não gostaria de ouvir, me convida a crer em quem eu jamais creria e me ensina a viver de uma maneira que eu jamais viveria. Cristianismo é morte, por isso, é ressurreição. Não seria exagero dizer, que no final, Cristo está nos salvando de nós mesmos.
Facetas Sutis do Legalismo
Keller* está certo, sempre temos camadas e mais camadas de auto justificação. Podemos fazer objeções justas a irmãos moralistas que querem obter benefícios salvíficos pelo desempenho moral. Mas, mesmo aqueles imersos em teologia reformada (como eu) podem se vangloriar de um tipo de segurança religiosa pela via cognitiva ou "ortodoxia morta" (Bavinck). Irmãos emocionalistas -- alguns (neo)pentecostais -- podem estar em busca de uma justificação pela experiência afetiva, caindo em uma espécie de idolatria sentimentalista. A verdade é que devemos ser frequentemente expostos ao Evangelho, pois a "salvação pelas obras" e o "legalismo" tem facetas muito mais sutis e versáteis na arte de nos iludir e perdermos a suficiência da obra de Cristo. Que afeto, cognição e moralidade se curvem diante da obra justificadora de Jesus.
*Igreja Centrada, p. 65.
Graça não é de graça... como é?
No século XVI, o reformador Martinho Lutero se levantou contra um ensino corrente que havia em sua época que promovia a noção que: uma vez que uma pessoa era iniciada na salvação pela graça de Cristo, a manutenção desta salvação dependia de uma cooperação humana com a graça de Deus para se obter êxito final. Ninguém podia alegar certeza de salvação no tempo presente, pois tal coisa só poderia ser informada na ressurreição.
O Evangelho é claríssimo: a salvação é toda pela graça, do início ao fim. A obediência humana também é fruto desta dádiva. Um cristão quando vence o pecado, o faz por causa da obra justificadora, mas também santificadora de Deus em Cristo. Ninguém, nenhum cristão, pode ser santo sem que Deus opere por sua graça o "querer e o realizar" (Fp 2:13).
Porém, observe o que está aí abaixo neste trecho de uma pregação do "rabino" Marcelo Miranda Guimarães do Ensinando de Sião. Lugar que frequentei durante 10 anos e que tem atraído muitos evangélicos deseducados nos fundamentos da fé cristã. Observe que ele alega em vários momentos que a "graça não é de graça", caindo em uma fatal ambiguidade lógica. Negando inclusive, o sentido do termo "graça". Ele alega várias vezes que o cristão tem que pagar um preço para ser salvo. Ele tem que fazer sua contribuição a tal obra. Observe como ele combina obras humanas com a obra da cruz, dizendo inclusive, que esta é a parcela do cristão, separado da obra de Cristo, na salvação.
Caros leitores, pensem por vocês mesmos: se eu tenho que cooperar com algo que a cruz já realizou, isto significa que Cristo não salva totalmente, mas que eu preciso contribuir com esta obra. Isto, obviamente, coloca a cruz menor do que é, e assim ela se torna uma obra incompleta, carecendo de uma contribuição humana. Honestamente, isto não é Evangelho, mas um falso evangelho. Considere as seguintes afirmações no vídeo e compare-as com os textos de Paulo logo a seguir:
Réplica Bíblica:
"Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus." (Rm 3:23-24).
"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus não de obras, para que ninguém se glorie. (Ef 2:8-9).
"Nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado." (Ef 1:5-6).
"Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça. E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras: Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado." (Rm 4:4-8)
"Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo." (I Cl 15:10).
"Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus, que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos." (II Tm 1:8-9).
"Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça. Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo." (Jo 1:16-17).
O que é legalismo?
Por Igor Miguel
Para muita gente, legalista é aquela pessoa que pretende ser salva por suas obras ou sua obediência às leis e aos mandamentos de Deus. Em outras palavras, esta pessoa para ser aceita por Deus, deveria andar em plena obediência.
Mas, o que tenho visto é um outro formato de legalismo, tão danoso quanto o mencionado acima. Me refiro, a um legalismo "soft", se é que existe tal coisa. Há um legalismo baseado na seguinte hipótese:
Deus me salva pela graça mediante a fé no que Cristo realizou na cruz. Mas, para permanecer nesta graça, tenho que obedecer.
Pessoas alegam, a partir da lógica acima, que não são legalistas, pois reconhecem a graça como um fator importante para o "início" da vida cristã. A graça seria o meio de acesso à trajetória, mas depois, depende delas a manutenção desta "obra salvadora". Quando se esforçam, quando se dedicam em oração, jejum e obediência.
Não tenho dúvida, se a graça é entendida como uma dádiva que opera somente no início, e depois, torna-se um tipo de "remédio" só para sermos perdoados em eventuais "pecados" (que não são tão eventuais assim), novamente há um entendimento legalista do evangelho.
Eu até entendo que pessoas que formulam uma doutrina da salvação nestes termos, o fazem sob uma preocupação ou ansiedade, como se a doutrina da graça produzisse um tipo de "libertinagem". E há anos, os grandes pregadores da graça, dentre eles os reformadores, sempre insistiram em afirmar que não há qualquer relação entre "graça" e "libertinagem".
O que todos eles defendiam era que a "obediência do cristão" não tem qualquer relação de causa quanto ao ser "justificado" ou "aceito" perante Deus. A obediência não é o que salva o homem, não se pode colocar a tensão sobre o "homem", pois ele mesmo, por si só, não tem qualquer condição de se salvar ou se santificar.
Logo, a graça não é algo que opera unicamente no início da jornada, como observei em um texto por aqui, mas age permanentemente sobre a vida do cristão. Inclusive, o cristão só faz "obras" por causa deste amor dadivoso. Mas, observe, não são estas obras a causa ou o fator condicionador para a redenção dos homens e sua salvação eterna. A causa sempre será e deve ser os méritos de Cristo em seu magnífico sacrifício.
Então, legalismo é toda tentativa de se tornar aceito por Deus fora dos méritos de Cristo e da ação da graça de Deus. Se alguém alega que para permanecer na graça deve obedecer a Deus, tal pessoa é legalista. Pois não reconhece que um cristão só permanece na graça por causa da graça mesmo. Uma pessoa que "caiu da graça" é uma pessoa que afinal, nunca foi alcançada por ela.
Por isso, é tão comum perceber entre pessoas que baseiam sua espiritualidade neste legalismo "soft" um tipo descentralização de Cristo. Jesus é colocado apenas como um modelo a ser imitado, mas não como o agente mesmo para uma vida santa. A vida santa acontece por causa de Jesus, dele emana toda graça para uma obediência grata.
Jesus afirmou claramente: "sem mim nada podeis fazer" (Jo 15:5). Então, deve-se deixar claro, que a ausência de frutos é um indício sério de que alguém não foi alcançado pela graça. E a presença de frutos pode ser o indício de que fomos introduzidos na presença do Pai e que Ele agora opera em nós "o querer e o realizar". Porém, dizer que é pelos "bons feitos" que os homens serão aceitos e obterão graça para continuarem na "aliança" ou "permanecerem salvos", é novamente, obscurecer o motivo central pelo qual nos mantemos de pé: Jesus Cristo.
O problema do legalismo, seja em qual formato, é que ele sempre coloca uma tensão sobre os homens, desfocando Cristo como o agente (autor e consumador) da fé. Se um dia estivermos perante Deus, e se hoje, sou aceito perante o Pai em oração é por causa de Jesus, não por causa de alguma coisa que faço ou deixo de fazer. Deus não me ama mais do que meu irmão, por causa de uma piedade pessoal mais elevada. Deus nos ama igualmente por causa da piedade e intercessão de um só que é Jesus Cristo.
Se obedecemos, o fazemos por causa do Espírito de Cristo (I Pe 1:11), logo, é Cristo o agente desta obediência. Foi para boas obras que fomos criados (Ef 2:10). Entretanto, obras pautadas nos méritos de Jesus e não em um esforço autônomo. Obras que galardoam, por terem sido feitas por e em Cristo. Mas, quando estivermos perante Ele, será porque o que Jesus fez foi bom o suficiente para nos colocar lá.
Enfim, por que Deus fez as coisas assim? A resposta de Paulo é categórica: "para que ninguém se glorie!" (Ef 2:8 e 9). O problema do legalismo é que ele desvia a glória de Deus. O antídoto? Reconhecer que tudo é por graça.
Se há alguma parcela de feitos humanos aí envolvidos na justificação, santificação ou glorificação dos santos. Ou mesmo, uma combinação de ambos (sinergismo). A glória não é toda Cristo, mas dividida entre Cristo e os homens. Uma contradição interna à natureza do evangelho. Um cristão, por isso, é movido por fé e confiança obstinada e graciosa, que Cristo é poderoso para o transformar, no Espírito Santo, no que ele é (de glória em glória). Transformação operada a partir da clara e eficaz obra salvadora que foi realizada em nós por meio de seu perfeito sacrifício.
Soli Deo Gloria!
Série Trindade - Parte IV
Nosso amigo, Eduardo Barnabé, um exímio estudioso da Bíblia e da teologia cristã, e claro, promissor teólogo e historiador, baseado em diversos estudos, inclusive em nossa série Trindade disponível aqui no Blog Pensar..., nos presenteia com uma palestra bem objetiva, rica e clara, sobre a Doutrina da Trindade. A palestra foi realizada na UNB (Brasília -DF). Ela está sendo inserida na série Trindade, como conteúdo convidado para esclarecer e fundamentar ainda mais este magnífico tesouro de nossa fé cristã.
O Sacerdócio de Cristo [áudio]
Série Trindade - Parte III
Dando continuidade a Série Trindade (Parte I e II), que nasceu de uma necessidade urgente de expor esta fascinante e fundamental doutrina cristã e demonstrar suas implicações práticas sobre a Igreja de Cristo, compartilho um texto que nos foi brindado pelo Pr. Guilherme de Carvalho. Este artigo sintetiza o ensino que me vez recuperar a centralidade de Cristo, a legitimidade da Trindade e a coerência da fé cristã e do cristianismo na doutrina que delimita quem é e quem não é cristão.
Compartilho este texto com os leitores deste blog, inserindo-o dentro da referida série, precisamente pela excelente qualidade da explicação e o tratamento dado a necessidade urgente de cristão s retomarem e reafirmarem esta tão cara doutrina preservada por quase dois milênios.
Leia o texto: O Amante, o Amado e o Amor: Deus, segundo o Cristianismo
Boa leitura a todos!
Igor Miguel
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Graça do início ao fim
Por Igor Miguel
Paulo foi categórico: há o Evangelho e "evangelhos". Uso "evangelhos" associado àquelas falsas versões do verdadeiro Evangelho, as quais Paulo classificou de "anátema", ou seja, maldição. Paulo era tão zeloso pelo Evangelho, que chegou a afirmar que mesmo um "anjo" vindo do céu pregasse outro evangelho, que não fosse o que ele anunciava, que ele deveria ser tratado como algo espúrio e desclassificado.
Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema. (Gl 1:6-9)
Agora, gostaria de mencionar como exemplo, um outro evangelho que vem sendo pregado. Destaco um caso isolado, que esporadicamente aparece nos púlpitos das mais diversas comunidades cristãs, e que tem afetado a espiritualidade de milhares de pessoas. O evangelho da compensação, o evangelho do "preço" e do fardo religioso.
Tente detectar o problema das sentenças abaixo, afirmadas por um determinado pregador que escutei recentemente:
"A verdadeira graça se paga um alto preço. [...] E você que quer a graça tem que pagar um preço: a sua renúncia, carregar a sua cruz. [...] Você tem que pagar um preço pela sua salvação."
Antes de darmos um tratamento bíblico e apostólico a esta afirmação, seria importante deixar claro que o termo "salvação" é uma referência a toda obra redentora que Deus realiza no pecador, do início ao fim, tendo em vista o resgate do homem caído até conduzi-lo à vida eterna e inclui: o novo-nascimento (regeneração), a conversão, a fé para justificação, a santificação e a glorificação final. Então, seria errado, concentrar a doutrina da "salvação pela graça", como se esta graça operasse apenas no início da obra salvadora (conversão) e depois, fosse como se Deus entregasse o resto aos cuidados do homem ou em cooperação com as obras humanas autônomas. Façamos uma fórmula:
- Salvação = regeneração + conversão + justificação + santificação + glorificação
Claro que a ação redentora de Deus em Jesus Cristo, em algum sentido, envolveu um preço: o preço do sacrifício de Cristo. O problema é que para o pregador, além do preço de Cristo, uma pessoa precisaria também pagar um preço para ter acesso à graça salvadora.
Observe a incoerência: se é "graça" como se pode "pagar um preço"? Vejamos o que o evangelho apostólico tem a dizer sobre isso:
Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como graça, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça. (Rm 4:4-5) E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça. (Rm 11:6)
Paulo está refutando precisamente o falso evangelho da recompensa. O que trabalha, ou seja, o que quer ser justificado (importante aspecto da salvação) por "esforço", não pode receber a "graça", pois aos que "trabalham", recebem salário, não graça. Mais tarde, ainda em sua carta aos romanos, Paulo afirmaria que "graça" é "graça" em sentido absoluto, negar isto, seria cair em um contradição lógica.
Os pregadores do evangelho da recompensa esquecem que "obra alguma" ou "preço algum" podem dar conta da condição vulgar e da condenação que repousa sobre os homens indistintamente (Rm 3:1 e seg.). Por isso, a única e absoluta forma de ser "salvo" ou "justificado" é pela graça, mediante a fé em Cristo, sem qualquer cooperação das obras humanas. Somente quando se "crê naquele que justifica o ímpio" pode alguém ser agraciado pela salvação. Precisamente por esta razão que Paulo ainda diz mais:
Os pregadores do evangelho da recompensa esquecem que "obra alguma" ou "preço algum" podem dar conta da condição vulgar e da condenação que repousa sobre os homens indistintamente (Rm 3:1 e seg.). Por isso, a única e absoluta forma de ser "salvo" ou "justificado" é pela graça, mediante a fé em Cristo, sem qualquer cooperação das obras humanas. Somente quando se "crê naquele que justifica o ímpio" pode alguém ser agraciado pela salvação. Precisamente por esta razão que Paulo ainda diz mais:
Sendo, pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, mediante quem obtivemos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes. (Rm 5:1-2).
Ninguém pode ser salvo, ou se "mantém firme" em Cristo, se não for pela graça que se tem acesso pela fé. O texto de Paulo é claríssimo, não há preço a pagar, não há esforço pessoal, apenas graça mediante a fé. Esta sim, deveria ser a origem e causa da firmeza do cristão e não o contrário.
O problema é que sem a graça, não há obra humana justa. "Não há um justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, não há ninguém que busque a Deus... não há quem faça o bem, não há nem um só." (Rm 3:10-13). As obras humanas estão comprometidas pela injustiça e o pecado. Se assim, o é, qual o salário (resultado) de obras manchadas pelo pecado?
O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, em Cristo Jesus nosso Senhor. (Rm 6:23).
Observe que o texto diz "dom gratuito". Se é gratuito, não é pelo "preço" que se acessa a graça. Façamos agora, uma comparação direta entre o texto paulino e o que disse o pregador:
Falso Evangelho
[...] E você que quer a graça tem que pagar um preço: a sua renúncia, carregar a sua cruz. [...] Você tem que pagar um preço pela sua salvação.
Evangelho Apostólico
Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus, não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. (Ef 2:8-10).
Mesmo dispensando maiores explicações, é importante mencionar que, enquanto no falso evangelho claramente foi dito "Você tem que pagar um preço pela salvação", em Paulo é dito, que tal salvação é um dom, e que ele não procede de nada que os homens possam fazer (obras).
Claro que a Bíblia fala sobre a "tomar a cruz" e "boas obras", porém, elas nunca são colocadas como "causa" ou "fatores condicionantes" da salvação. Ao contrário, as obras ou a obediência são sempre respostas ou efeitos, de vidas na graça. Só alguém na graça de Cristo pode ter uma salvação que é frutífera:
Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade. (Fp 2:12-13).
Preservação e Perseverança dos Santos
O evangelho da graça não é o evangelho da frouxidão moral ou da desobediência, ao contrário, ela transforma "escravos do pecado" em "servos da justiça" (Rm 6). Como foi dito, para muita gente, a graça e a fé, operam apenas no "início" da obra salvadora. Como se depois, o homem, de forma autônoma, ou seja, independente da graça de Deus, pudesse obedecer ou se santificar. Para evitar tal confusão, Paulo afirmava claramente que o mesmo Deus que começou a "boa obra", tem poder para levá-la até sua consumação:
O evangelho da graça não é o evangelho da frouxidão moral ou da desobediência, ao contrário, ela transforma "escravos do pecado" em "servos da justiça" (Rm 6). Como foi dito, para muita gente, a graça e a fé, operam apenas no "início" da obra salvadora. Como se depois, o homem, de forma autônoma, ou seja, independente da graça de Deus, pudesse obedecer ou se santificar. Para evitar tal confusão, Paulo afirmava claramente que o mesmo Deus que começou a "boa obra", tem poder para levá-la até sua consumação:
Estou plenamente certo de que aquele que começou a boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus. (Fp 1:6)
Um das maiores ensinos apostólicos é o que se refere à perseverança e segurança da salvação. Um cristão que nasceu de novo (regenerado) e foi justificado mediante a fé e salvo pela graça, nunca se perderá ou cairá desta condição (não me refiro aqui a falsos cristãos e a falsas conversões). Ao contrário, ele terá recursos da graça de Deus para viver uma vida santa e frutífera até a consumação, ou seja, até que toda obra salvadora tenha se consumado na glorificação final dos santos. Existem diversos textos bíblicos que asseguram que uma pessoa realmente alcançada pela graça, será levada a uma vida santa e alcançará a eternidade. Jesus afirmou claramente que suas ovelhas jamais se perderiam:
Claro que os apóstolos insistiam na exortação a boas obras, a uma vida frutífera e na confirmação da eleição. E deveriam fazê-lo, pois às ovelhas de Cristo, aqueles alcançados por sua graça, não só devem, mas certamente buscariam ardentemente uma vida de feitos que glorifiquem a Deus. Mas, tais obras, jamais podem ser colocadas associadas ou condicionadoras da salvação.
Algumas pessoas admitem que a obra inicial da salvação é absolutamente por graça, mas durante o processo de santificação, afirmam uma "combinação de graça e obras", para que a pessoa seja mantida no caminho. Entretanto, o ensino de Jesus e dos apóstolos é que não há como se santificar ou obedecer sem que a graça de Deus também conceda recursos para isto. Ou seja, há graça no novo nascimento, na conversão, justificação, santificação e glorificação dos santos. Não há boas obras nos santos que não sejam causadas pela graça.
Por outro lado, é óbvio que a simples confissão verbal não significa regeneração automática, a confissão deve ser acompanhada de fé autêntica. Por esta razão, pessoas que confessaram Jesus e vivem uma vida embaraçada e escravizada pelo pecado, deveriam questionar se um dia foram regeneradas de fato. Mas, jamais, deve-se colocar tensão em suas obras como "causa" ou o elemento que o manterá na condição de graça.
Se somos exortados à obediência e não queremos obedecer, ou se vivemos embaraçados na escravidão do pecado, deveríamos questionar se fomos salvos, e não ficar condicionando a salvação a nosso desempenho. Afinal, se uma pessoa realmente bebeu da água que Jesus oferece é guiada incrivelmente por sua graça a viver uma vida crescentemente consagrada e frutífera.
Um cristão na graça é um cristão que ancorou sua existência na Nova Aliança, que os profetas reconheceram (Jr 31:31 e seg.), que envolvia a regeneração e a inscrição da Lei do Senhor nos corações. Aliança em que o próprio Deus por seu Espírito faria com que seus filhos vivessem uma vida de crescente obediência a Deus:
Graça envolve a Glória de Deus
Por que tudo é por graça? A resposta de Paulo seria: "para que ninguém se glorie" (Ef. 2:9). Deus não divide sua glória com ninguém, se a salvação for uma combinação entre a "obra de Deus" (graça) e "obra dos homens" (obediência sem graça), ninguém pode dar toda glória a Deus pela obra da salvação. Pois por mais incrível que tenha sido a misericórdia e a obra de Deus no Cristo crucificado, esta obra o tempo inteiro, fica dependendo do desempenho e das obras daquele que quer salvo. Isto seria exatamente o erro romanista combatido pelos reformadores e o legalismo combatido por Paulo entre os judaizantes do I século.
Se a obra de Cristo para salvação estiver condicionada aos feitos dos homens, a obra de Cristo é menor do que se imagina e Deus é incompetente, contrariando a revelação das Escrituras que o descreve como o Todo Poderoso. Agora, se podermos olhar para Jesus como o "autor" e "consumador" da fé (Hb 12:1 e seg.), saberemos que a obra de Jesus foi magnífica o suficiente, para "começar" e "terminar" a obra que ele deu início.
Temos recursos na graça de Deus, e somente nela, 100% nela, para vivermos uma vida santa, obediente e frutífera. Se não temos obtido tal recurso, devemos recorrer ao evangelho e "provarmos nossa eleição no Senhor" (I Pe 1:10 e 11). Mas, certamente, uma vez que a graça de Deus tocou um homem morto em seus delitos e pecados, e o levantou de seu cativeiro, e se esta foi uma obra de Cristo, e se ele é "ovelha" de Jesus, ninguém poderá arrebatá-la. Nada poderá separar este salvo do amor de Deus, como foi dito:
Muitas pessoas por causa de uma compreensão errada da salvação, vivem em permanente estado de tensão espiritual, pois não sabem lidar com sua condição diante de Deus. Por causa do evangelho da compensação e da insegurança, veem-se frequentemente em uma condição de "medo" ou de "bipolaridade", como se estivesse simultaneamente no "céu" e no "inferno". A única forma de escapar deste medo é crer, confiar, de forma plena, na suficiente e grandiosa obra de Cristo. Renunciar a pretensão e o orgulho de que se pode "cooperar" para a obra perfeita que Deus realizou em Jesus. Somente assim, o Senhor abrirá o túmulo deste "morto" (Ef 2:1 e seg.), removerá a condenação, justificando-o e lhe será derramado o Espírito Santo, auxiliador e sinal de nossa filiação divina.
Considerações Finais
Assim, fica claro que qualquer outro evangelho pregado, distinto deste deve ser absolutamente descartado. O evangelho apostólico assevera a absoluta ação de Deus, do início ao fim, e que toda obra salvadora é obra da graça. E, se você, leitor, sente-se sob tal pressão legalista e compensatória, e vive em permanente luta interna, cheio de dúvidas sobre sua condição, esta é a obra de Cristo, o selo do Espírito Santo, creia simplesmente na obra realizada por Cristo. Esta é a única obra que pode te introduzir definitivamente no Reino de Deus em plena segurança e que inscreve os preceitos de Deus em seu coração, desfrutando da Lei da Liberdade (Tg 1:25). Guarde bem as palavras de Paulo a Tito quando disse:
As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. (Jo 10:27-29)O apóstolo Paulo jubilava diante da segurança da salvação, quando disse: "... porque eu sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia." (II Tm 1:12).
Claro que os apóstolos insistiam na exortação a boas obras, a uma vida frutífera e na confirmação da eleição. E deveriam fazê-lo, pois às ovelhas de Cristo, aqueles alcançados por sua graça, não só devem, mas certamente buscariam ardentemente uma vida de feitos que glorifiquem a Deus. Mas, tais obras, jamais podem ser colocadas associadas ou condicionadoras da salvação.
Algumas pessoas admitem que a obra inicial da salvação é absolutamente por graça, mas durante o processo de santificação, afirmam uma "combinação de graça e obras", para que a pessoa seja mantida no caminho. Entretanto, o ensino de Jesus e dos apóstolos é que não há como se santificar ou obedecer sem que a graça de Deus também conceda recursos para isto. Ou seja, há graça no novo nascimento, na conversão, justificação, santificação e glorificação dos santos. Não há boas obras nos santos que não sejam causadas pela graça.
Por outro lado, é óbvio que a simples confissão verbal não significa regeneração automática, a confissão deve ser acompanhada de fé autêntica. Por esta razão, pessoas que confessaram Jesus e vivem uma vida embaraçada e escravizada pelo pecado, deveriam questionar se um dia foram regeneradas de fato. Mas, jamais, deve-se colocar tensão em suas obras como "causa" ou o elemento que o manterá na condição de graça.
Se somos exortados à obediência e não queremos obedecer, ou se vivemos embaraçados na escravidão do pecado, deveríamos questionar se fomos salvos, e não ficar condicionando a salvação a nosso desempenho. Afinal, se uma pessoa realmente bebeu da água que Jesus oferece é guiada incrivelmente por sua graça a viver uma vida crescentemente consagrada e frutífera.
Um cristão na graça é um cristão que ancorou sua existência na Nova Aliança, que os profetas reconheceram (Jr 31:31 e seg.), que envolvia a regeneração e a inscrição da Lei do Senhor nos corações. Aliança em que o próprio Deus por seu Espírito faria com que seus filhos vivessem uma vida de crescente obediência a Deus:
Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis. (Ez 36:26-27)Quem não se encheu de alegria ao se ver livre de um determinado vício ou pratica pecaminosa, ainda não sabe o que é a "alegria da salvação", ainda não desfrutou da dádiva do Espírito de obediência e santidade outorgado por Deus em Cristo na Nova Aliança.
Graça envolve a Glória de Deus
Por que tudo é por graça? A resposta de Paulo seria: "para que ninguém se glorie" (Ef. 2:9). Deus não divide sua glória com ninguém, se a salvação for uma combinação entre a "obra de Deus" (graça) e "obra dos homens" (obediência sem graça), ninguém pode dar toda glória a Deus pela obra da salvação. Pois por mais incrível que tenha sido a misericórdia e a obra de Deus no Cristo crucificado, esta obra o tempo inteiro, fica dependendo do desempenho e das obras daquele que quer salvo. Isto seria exatamente o erro romanista combatido pelos reformadores e o legalismo combatido por Paulo entre os judaizantes do I século.
Se a obra de Cristo para salvação estiver condicionada aos feitos dos homens, a obra de Cristo é menor do que se imagina e Deus é incompetente, contrariando a revelação das Escrituras que o descreve como o Todo Poderoso. Agora, se podermos olhar para Jesus como o "autor" e "consumador" da fé (Hb 12:1 e seg.), saberemos que a obra de Jesus foi magnífica o suficiente, para "começar" e "terminar" a obra que ele deu início.
Temos recursos na graça de Deus, e somente nela, 100% nela, para vivermos uma vida santa, obediente e frutífera. Se não temos obtido tal recurso, devemos recorrer ao evangelho e "provarmos nossa eleição no Senhor" (I Pe 1:10 e 11). Mas, certamente, uma vez que a graça de Deus tocou um homem morto em seus delitos e pecados, e o levantou de seu cativeiro, e se esta foi uma obra de Cristo, e se ele é "ovelha" de Jesus, ninguém poderá arrebatá-la. Nada poderá separar este salvo do amor de Deus, como foi dito:
Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Rm 8:37-39)Porque o fardo?
Muitas pessoas por causa de uma compreensão errada da salvação, vivem em permanente estado de tensão espiritual, pois não sabem lidar com sua condição diante de Deus. Por causa do evangelho da compensação e da insegurança, veem-se frequentemente em uma condição de "medo" ou de "bipolaridade", como se estivesse simultaneamente no "céu" e no "inferno". A única forma de escapar deste medo é crer, confiar, de forma plena, na suficiente e grandiosa obra de Cristo. Renunciar a pretensão e o orgulho de que se pode "cooperar" para a obra perfeita que Deus realizou em Jesus. Somente assim, o Senhor abrirá o túmulo deste "morto" (Ef 2:1 e seg.), removerá a condenação, justificando-o e lhe será derramado o Espírito Santo, auxiliador e sinal de nossa filiação divina.
Considerações Finais
Assim, fica claro que qualquer outro evangelho pregado, distinto deste deve ser absolutamente descartado. O evangelho apostólico assevera a absoluta ação de Deus, do início ao fim, e que toda obra salvadora é obra da graça. E, se você, leitor, sente-se sob tal pressão legalista e compensatória, e vive em permanente luta interna, cheio de dúvidas sobre sua condição, esta é a obra de Cristo, o selo do Espírito Santo, creia simplesmente na obra realizada por Cristo. Esta é a única obra que pode te introduzir definitivamente no Reino de Deus em plena segurança e que inscreve os preceitos de Deus em seu coração, desfrutando da Lei da Liberdade (Tg 1:25). Guarde bem as palavras de Paulo a Tito quando disse:
Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna. Fiel é esta palavra, e quero que, no tocante a estas coisas, faças afirmação, confiadamente, para que os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras. Estas coisas são excelentes e proveitosas aos homens. Evita discussões insensatas, genealogias, contendas e debates sobre a lei; porque não têm utilidade e são fúteis. (Tito 3:4-9).
Soli Deo Gloria!
Justiça Imputada
Por Igor Miguel
A mensagem da justificação pela fé e a salvação por meio da graça nunca podem se esgotar. Jamais se tornarão periféricas, uma mensagem para iniciantes, jamais a graça será uma "doutrina rudimentar". Não há como meditar sobre a suficiência de Cristo e não se maravilhar.
Não é a omissão da mensagem da graça que conduzirá os crentes a uma vida ética e santa, ao contrário é a afirmação e a clareza do amor de Deus a nós, mediante Cristo, que nos convida irresistivelmente a uma vida de obediência à sua lei.
Pela graça descobrimos uma vida de obediência amorosa e voluntária, cheia de gratidão.A justificação pela fé é uma doutrina incrível, sempre esquecida ou banalizada. A justificação significa que a reta justiça de Deus deve ser realizada. O pecado evoca a ira de Deus e infelizmente o pecado está nos homens. O que os transforma em alvo da indignação divina. Entretanto, este Deus justo é carregado de amor abundante, e como demonstração de seu amor incondicional, Ele expõe seu Filho como alvo de todo juízo e ira divina.
Pela fé nos unimos misteriosamente com Cristo em uma pacto, em uma troca expiatória. Jesus Cristo é o bode expiatório, o Isaque sacrificado, aquele que recebeu integralmente todas as minhas iniquidades. Ele recebe em meu lugar todo juízo e violência, Ele se torna o "maldito de Deus", em meu lugar. Quando me uno a Cristo, igualmente, toda justiça e retidão, dele, se tornam minha, e o Pai me vê como filho de seu amor, e não mais filho da ira.
Dessa forma, a justificação significa que Deus atribuiu e imputou justiça a um injusto, por meio da justiça daquele inocente que foi violentado em lugar do que era digno de toda violência.À união misteriosa com Cristo por meio da fé -- que é uma confiança e fidelidade graciosa -- dá-se o nome de unio mistica. Uma unidade que nos coloca como justos e desencadeia um processo dinâmico de santificação, em que nos tornamos servos da justiça (Rm 6) e não mais em escravos do pecado. Assim, o apóstolo Paulo observa:
... agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis (Cl 1:22).Segundo Martinho Lutero, foi este entendimento que trouxe profunda transformação a seu coração. Assim, ele pôde se libertar da condenação que lhe afligia, e encontrar alívio em um Deus que lhe justificou mediante tão magnífico sacrifício:
“Embora, com monge, vivesse uma vida irrepreensível, sentia-me um pecador com a consciência culpada diante de Deus. Eu também não podia acreditar que havia agradado a Deus com minhas obras... comecei a entender a 'justiça de Deus' como aquela justiça por meio da qual o justo vive pelo dom de Deus (a fé); em que essa frase: 'é revelada a justiça de Deus', faz referência a uma justiça passiva, por meio da qual o Deus misericordioso nos justifica pela fé, conforme está escrito, 'o justo viverá pela fé'. Imediatamente, tive a sensação de haver nascido de novo, como se estivesse entrando pelos portões abertos do paraíso. Desde aquele momento, vi toda a Bíblia sob a perspectiva de uma nova luz... E agora, aquilo que eu havia uma vez odiado na frase 'a justiça de Deus', comecei a amar e a glorificar como a mais doce das frases, pois essa passagem em Paulo tornou-se para mim o verdadeiro portão do paraíso” (Leituras de Romanos).Quem ou o que tem nos mantido firmes? Não nos firmamos como justos em nossa própria capacidade, não nos gloriamos de nossas obras sociais, não nos exaltamos sobre nossa performasse espiritual, encontramos alívio e firmeza, na suficiência do amor de Deus. Não estenderíamos a mão ao pobre se não pelo amor e graça de Cristo que opera em nós.
Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. (Rm 5:1).Nossa justiça é a justiça de Jesus, Ele cumpriu e obedeceu as exigências da Torá (lei) em toda perfeição, não errou em absolutamente nada, não escorregou em nenhum preceito ou mandamento que lhe cabia. Obtivemos "paz" (shalom) com Deus, não há mais beligerância, tensão ou juízo, mas alívio mediante o sacrifício do Cordeiro de Deus. Por isto, somente por esta graça "estamos firmes", e nos gloriamos, nos orgulhamos somente na esperança do triunfo glorioso de Deus, que é presente e escatológico em Cristo Jesus.
A salvação pertence ao Senhor
Por Igor Miguel
Escrevi um texto teológico sobre a revolução que aconteceu em minha mente e coração a respeito do que é o evangelho e como ele se opera. Nenhuma novidade que os teólogos clássicos e os cristãos já afirmavam desde a reforma protestante. Este texto é uma tentativa de apresentar o evangelho de Jesus Cristo de forma mais simples, porém, com toques em pontos fundamentais para que possamos prosseguir à plena compreensão de Deus em Jesus. Peço perdão se não fui claro no primeiro texto, ele está em uma linguagem excessivamente teológica, talvez necessária. Mas, este tem um tom de “discipulado”, uma linguagem mais catequética, espero conseguir compensar meu egoísmo em não trazer tão grande evangelho em termo mais compreensível.
O objetivo modesto desta exposição é apresentar o evangelho à luz da Carta de Paulo aos Efésios capítulo 2 do verso 1 ao verso 10. Sei que muitos fariam esta apresentação de forma muito mais competente. Mas, proponho uma abordagem simples e didática, tendo em vista que o evangelho, como é descrito nas Escrituras, alcance o maior número possível de pessoas. Estou convencido de que a crise da Igreja Evangélica no Brasil se deve principalmente a falta de compreensão do que é o evangelho. Este pequeno texto tem este propósito, comunicar a suficiência do evangelho e da graça em Jesus Cristo para que o homem seja salvo e colocado em uma nova realidade e vida.
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