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9 de set. de 2014 | By: @igorpensar

Apatia Evangelizadora

A apatia evangelizadora é fruto de uma apatia diante do Evangelho mesmo. Uma falta de reação diante do amor. A única reação ao amor de Deus que nos foi revelado em Cristo é amar. Amar não é uma espécie de experiência emocionalista, é uma pulsão graciosa que nasce de um amor evento, refiro-me à encarnação e à cruz.

O esvaziamento de Cristo, na encarnação, tem implicações missiológicas absurdas. Não há missão sem amor, não há amor sem renúncia, e não há missão sem encarnação. Se Deus se revestiu de nossa humanidade para nos salvar, pelo amor que desfrutamos em Cristo deveríamos nos revestir de avassaladora compaixão. Compaixão que fez Jesus chorar por uma cidade (Jerusalém). Compaixão que fez Paulo perambular por Atenas. Compaixão que nos faz estudar e nos compadecer da cidade, para nela, manifestarmos os benefícios da graça de Deus reveladas em Cristo Jesus.

Evangelizar não é um proselitismo legalista baseado no constrangimento, é comunicar que Deus está amando pecadores dignos de sua indignação. Porém, se este evangelho não alcançou o coração de um "cristão", obviamente, ele nunca evangelizará. Pois o que faz homens e mulheres darem um salto na missão é que foram feridos pelo Evangelho (o amor), por isso, não têm outra opção, amam ardentemente aquele que os salvou, por isso evangelizam.
9 de abr. de 2014 | By: @igorpensar

Cidade da Missão

Ser cristão na cidade tem implicações muito sérias. A modernidade criou desafios missionários complexos. A realidade não é tão unitária, de alguma forma, a história caminhou para a segmentação das diversas áreas da vida: economia, política, ciência, arte e assim por diante. Na cidade, a modernidade é experimentada de forma mais evidente, ela mesmo é em alguma medida um substrato de movimentos modernos.  Sendo assim, a tarefa missionária de nosso tempo é igualmente complexa. 

Pense em Paulo na "pólis" grega, Atenas (Atos 17). Ele passa pelos altares, mas também pelos autores de seu tempo. Faz uma leitura antropológica da dinâmica religiosa e cultural, utiliza-se de autores "seculares" que conhecia, conecta-os ao Evangelho e vai à arena cultural, o Areópago (a internet da época ou uma livraria?). Lá, traduz o Evangelho. Mas, é este olhar entre prédios, arenas culturais, altares simbólicos e a busca religiosa dos cidadãos que desafiam o missionário que peregrina em mundo líquido. Agora, me refiro a nossa missionalidade. 

De alguma forma, um missionário urbano é como Cristo que chora sobre a cidade de Jerusalém, ama-a, mas sabe que está prestes a ser julgada. Mesmo assim, insiste em viver por ela, e a morrer por ela. Não por ter encontrado nos encantos da cidade respostas, mas porque encontrou nos cantos da cidade sua missão. Ele vive e morre pela cidade, porque Cristo amou a cidade. Cidade de Deus, cidade dos homens. E ele continua agindo pela esperança de uma nova cidadania que descerá dos céus (Ap. 21), na verdade é isto que ele de/anuncia: que este projeto civilizatório é um anseio desarmônico da alma por uma cidade que não foi feita por mãos humanas. 

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Igor Miguel


5 de nov. de 2012 | By: @igorpensar

Escola Especial de Missões Urbanas

Eu, Cida Mattar e Ariovaldo Ramos estaremos ensinando na Escola Especial de Missões Urbanas e falaremos sobre o tema:  "Educação Cristã para o Desenvolvimento Social", que este ano acontecerá na 8ª Igreja Presbiteriana em Belo Horizonte - MG durante os dias 5 a 29 de novembro.




7 de fev. de 2011 | By: @igorpensar

Princípios na Missão

Por Igor Miguel

Como trabalhamos diretamente (face-to-face) com crianças e adolescentes que carecem de atenção e processos educativos adicionais, procuramos integrar nossa vocação pedagógica com vocação missionária. Como sei que muitos dos que visitam este blog estão engajados em missões urbanas, missão transcultural, missão integral, transformação comunitária e similares, desejamos compartilhar alguns princípios missiológicos que nos ajudam muito durante os trabalhos que realizamos com crianças/jovens/adolescentes em situação de risco:

1) Se vida transcende vida biológica, se o termo envolve a integralidade da vida humana, tudo que fragmenta, desintegra, violenta, perverte e distorce a vida é morte. Neste sentido, a missão com jovens em situação de risco e em comunidades de periferia envolve o testemunho e a ação da ressurreição: beleza, amor, alegria, sabedoria, plenitude e justiça.

2) Aborde a dura realidade destas comunidades sob uma visão de mundo reformada: criação-queda-redenção-consumação ou seja, quando olho pro rosto de um menino que reproduz a violência de sua família, não vejo uma criança indisciplinada, mas um ser a imagem de Deus (por isso digno do amor) trincado pelos efeitos da queda. Trincado, mas ainda digno do evangelho e da grandeza da ressurreição de Cristo, filho da ira, mas filho de Deus em potencial. Nossa missão por isso é esperançosa, pois pela esperança, sabemos de que alguma forma o que fazemos redundará em glória para Deus na consumação/restauração de todas as coisas. Não posso deixar de amar, pois é criação. Não posso ser utópico, pois há queda. Não posso ser pessimista, pois há esperança.

3) Intervenções comunitárias precisam ser carregadas de intencionalidade educacional. Se há intento pedagógico, há uma antropologia filosófica clara. Ou seja, se o homem é um ser em estado de inacabamento, que tipo de homem desejamos formar nestes adolescentes e jovens? Um homem do consumo? Um homem do conhecimento? Um homem integral? Um homem restituído de sua dignidade como filho de Deus? Sem clareza a respeito de que homem intentamos formar, a intencionalidade educacional fica difusa ou comprometida.

4) Encarnação como princípio missiológico: Se o Verbo de Deus se fez carne em Jesus (Jo 1:14) e se Ele se esvaziou e assumiu forma servil (Fp 3), é um mandamento que todo vocacionado nestas comunidades se revista da linguagem, da realidade cultural e de sua própria humanidade. Sua encarnação é simultaneamente contextualizada e subversiva, pois afeta estruturas pecaminosas e iníquas Encarnação missiológica, significa que não olho de "cima pra baixo", eu desço a montanha como Moisés, com as "tábuas da palavra" em mãos. Missão é tradução, ou nos termos de João Calvino, envolve uma "acomodação" da linguagem a fim de tornar grandes verdades compreensíveis a um público que vive outra realidade cultural. Daí, o vocacionado em comunidades com esta realidade, deve se valer de toda sua criatividade e recursos, para comunicar com clareza a mensagem do Reino em Cristo em toda sua plenitude.

5) A mensagem do Reino é comunicada de forma integral, em algum sentido, a ressurreição é a Nova Criação (N.T. Wright), se assim o é, é inerente ao evangelho: a salvação, cultura, justiça, sabedoria, beleza, plenitude, saúde, educação, responsabilidade ética, cidadania e por aí vai.

6) Amor... amar envolve um princípio de hospitalidade. Um tratamento bíblico de que cada pessoa é um mundo, cada pessoa é um universo em potencial. Amar é romper com o tratamento massificante (tão recorrente em instituições públicas) e ver em cada indivíduo um universo, um mundo próprio e singular. Amor significa derramar sua vida, sua energia, seu tempo, sua disposição, seu calor pelo outro. Esta deve ser uma meta constante...

São princípios dinâmicos, não-abstratos, conectados com a prática, apegados com a rotina de trabalhos de natureza sócio-educativas nestas comunidades.

Que possamos prosseguir neste alvo e perspectiva de que Jesus Cristo é o agente principal de transformação destas vidas e comunidades.