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14 de jul. de 2014 | By: @igorpensar

Israel e Palestina: considerações

Estive em Israel algumas vezes, em 2007, ganhei uma bolsa acadêmica para um curso no Museu do Holocausto (Yad Vashem) e na Universidade Hebraica de Jerusalém, na ocasião pude ver de mais perto a complexidade da relação palestino-israelense.  E depois, de algum tempo, adoto os seguintes princípios, que espero, ajudem algumas pessoas a se posicionarem a respeito desta complexa relação:

1) Antissemitismo (inimizade em relação aos judeus por razões étnicas ou religiosas) é anticristão, por alguns motivos:
  • O povo judeu é um testemunho histórico da veracidade das Escrituras;
  • O povo judeu é de onde emergiu Jesus Cristo;
  • Fere o princípio cristão básico de amor ao próximo.

2) O povo judeu,diferente de muitas comunidades do ocidente, tem uma prática cultural baseada na memória. Se para nós, em geral, o passado é algo facilmente esquecido, para os judeus, o passado é ritualizado e sua memória transmitida pelas gerações. Logo, eventos como o holocausto, a expulsão romana, e até mesmo o Êxodo Bíblico, são eventos sempre presentes na memória judaica. Isso é parte de sua cosmovisão, seja para bem ou para mal.

3) O holocausto é um evento com marcas ainda presentes na cultura judaica em geral. Assim, diante de inúmeras ameças da diáspora, que teve seu clímax nos campos de extermínio, não há outra opção para o povo judeu se não uma terra (nação) com autonomia política e militar. E não há outra opção em relação à civilização ocidental: não permitir que um novo holocausto aconteça, seja a que povo for.

4) Os judeus foram expulsos pelo imperador Adriano (por volta do II século d.C.) de seu território depois de um longo esforço militar fracassado para se libertarem da tirania do império romano. Então, considere este evento como algo com consequências históricas muito sérias. Não olhe para os problemas políticos relacionados aos judeus como um fenômeno apenas da modernidade, este é um erro crasso. Como disse,grande parte da mentalidade e expectativas judaicas têm raízes profundas em eventos pré-modernos.

5) Um cristão não pode ser considerado antissemita pelo simples fato de sustentar a teologia bíblica e cristã de que o título “povo de Deus” é uma exclusividade daqueles que se ligam a Deus por meio de Jesus Cristo. Por inúmeras razões teológicas, obviamente descartadas por judeus, cristãos insistem que não há eleição fora de Jesus. E, por esta razão, Deus não tem dois povos, mas apenas um: aquele que se liga a seu Messias Jesus (seja judeu ou gentio). Claro, que isto não implica em rejeição a tudo que Deus fez outrora com os profetas e patriarcas, ao contrário, em Jesus, Israel encontra toda sua plenitude. Considere ler o texto “Israel de Deus” de minha autoria, em que trato sobre o assunto.

6) Há marcas indeléveis nas práticas culturais e étnicas dos judeus que remetem a revelação de Deus na Bíblia Hebraica (Antigo Testamento). Isto não pode ser ignorado por cristãos quando pensam em um posicionamento em relação aos judeus e ao moderno estado judaico.

7) Um cristão pode discordar dos métodos militares e políticos como o estado moderno de Israel se organiza ou foi estabelecido, e isto não implicaria necessariamente em antissemitismo. Porém, deve ser cuidadoso, pois muitas vezes um sentimento antissionista oculta um sentimento antissemita. Este último é pecaminoso, enquanto aquele pode ter apenas razões políticas, e no quesito político o debate ainda está aberto. Porém, antes de se posicionar como antissionista, ou seja,como alguém que discorda do direito do judeu ter uma terra, pense se o que você tem não é uma posição crítica a algumas formas como o sionismo acontece, e não ao sionismo em si.

8) Cristãos podem discordar livremente de algumas formas como a política israelense acontece, desde que apresentem razões plausíveis para isto. Esta discordância não implicaria em antissemitismo. Israelenses podem agir de forma arbitrária e injusta, o que aconteceu, acontece e acontecerá. Eles não estão isentos de erros inerentes a seres humanos. A doutrina cristã da radicalidade do pecado em seres humanos não isenta ninguém, nem mesmo cristãos ou judeus, da possibilidade de corrupção e injustiça.

9) Muitos dos boicotes, oposições e discurso antissionistas que existem hoje,principalmente oriundos da esquerda política e da nova esquerda ocidental, estão carregados de sentimento antissemita. E simplesmente, ignora-se a complexidade cultural inerente a grupos claramente terroristas. O “hamás” e o “hezbolah” não são grupos 'revolucionários', são movimentos islamistas fundamentalistas que se valem de metodologias imorais para lograrem êxito em suas iniciativas. Não estão dispostos ao diálogo nem com seus pares.

10) Enfim, cristãos não podem “canonizar” o Israel moderno, e tornarem-se acríticos em relação a suas ações políticas e militares. Existe uma apoio acrítico por parte de alguns cristãos evangélicos por causa da influência da teologia dispensacionalista. Se não sabe o que é isto, pesquise sobre o assunto. Tanto palestinos quanto judeus têm o direito de viverem em paz, e penso, ambos tem o direito a uma nação e a uma identidade nacional. Não há soluções mágicas para a tensão entre Israel e Palestina, este é um conflito com raízes no passado, porém, criminalizar de forma arbitrária tanto israelenses como palestinos, pode incorrer em análises injustas da situação.

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Por Igor Miguel
13 de jan. de 2009 | By: @igorpensar

Quando eles amarem seus filhos...

“Nós podemos perdoar os árabes por matarem nossos filhos. Nós não podemos perdoá-los por forçar-nos a matar seus filhos. Nós somente teremos paz com os árabes quando eles amarem seus filhos mais do que nos odeiam” - Golda Meir

12 de jan. de 2009 | By: @igorpensar

Dê a Israel uma oportunidade

RAFAEL L. BARDAJÍ

Nenhuma nação sobre a Terra aceitaria ser bombardeada permanentemente por um território vizinho e permanecer impassível. A atuação do castigo israelense contra o Hamas em Gaza, não deveria ser, portanto, uma surpresa.

O que é verdadeiramente surpreendente é isso não ter acontecido muito antes. Israel aguentou o que não se pode aguentar: mais de 4 mil foguetes palestinos que, se não causaram mais mortes, foi em boa medida devido ao imenso esforço realizado na proteção passiva --em forma de bunkers-- das populações do sul de Israel.

Exigir que Israel pare suas operações militares é uma imoralidade, assim como um gravíssimo erro estratégico. O objetivo político da União Europeia e da comunidade internacional não deve ser um cessar-fogo, mas sim um fim ao terrorismo que vem de Gaza.

A manipulação midiática a que nos acostumaram as facções palestinas, terroristas ou não, está novamente em marcha, oferecendo as imagens do sofrimento de seu povo, desgraçadamente inevitável em qualquer confronto bélico.

Ela é tão hábil que faz esquecer o sofrimento que os terroristas palestinos têm imposto a uma boa parte da população israelense. Até a retirada total de Israel de Gaza em 2005, o Hamas justificava os ataques suicidas e por outros meios como um instrumento necessário para lutar "contra a ocupação israelense".

Pois bem, desde que Sharon decidiu deixar Gaza para os palestinos, o único israelense na faixa foi o soldado Gilad Shalit, sequestrado faz dois anos pelos militantes de Gaza. Sem exagero, o fato de Israel já não ser uma "força ocupante" não diminuiu a ânsia por violência do Hamas e de outros grupos palestinos em Gaza. Por uma razão muito simples: o que o Hamas quer não é a solução de dois Estados convivendo pacificamente um junto ao outro.

O islamismo palestino aspira a um único Estado, palestino e islâmico. Por isso não quer nem pode renunciar ao seu objetivo de eliminar Israel. E por isso Israel se vê forçado a se defender. Se não o fizesse, simplesmente deixaria de existir.

Como em toda a guerra, não faltaram os corifeus clamando aos céus por causa da desproporção da resposta militar israelense. Não sabemos o que propunham como alternativa, mas o que sabemos é que não apenas a atuação das Forças Armadas Israelenses, a IDF, tem sido escrupulosa em relação ao direito de guerra, mas também está sendo altamente eficaz quanto a discriminação de seus alvos.

Certo, em toda ação bélica existe o risco de causar baixas civis inocentes, mas, pelo que contam os observadores no local e a sacrossanta instituição das Nações Unidas, talvez menos de 10% das vítimas poderiam ser consideradas como vítimas inocentes. O resto, 90%, seriam membros e militantes do Hamas.

O que quer dizer, entre outras tantas coisas, que a execução dos ataques israelenses foi mais bem preparada do que as ações da OTAN no Afeganistão, por exemplo, onde a proporção de mortes por erro é bastante mais alta.

Em suma, Israel tem o direito de se defender e o faz da melhor forma possível, com justiça, legitimidade e proporção. Enquanto luta contra os terroristas de Gaza, permite que a ajuda humanitária flua até os palestinos da região.

E é preciso lembrar que, se hoje Gaza está na situação precária em que se encontra, isso se deve à péssima gestão dos líderes do Hamas, muito mais interessados em aterrorizar os israelenses do que em criar oportunidades para os seus eleitores.

Porque seria um erro estratégico pressionar Israel para que pare sua ofensiva agora? Por uma razão muito simples: porque acabar com os arsenais e os foguetes do Hamas não é suficiente e é isso o que os bombardeios da IDF têm feito até agora.

Foi Douglas MacArthur quem disse que "na guerra não há substituto para a vitória". Com a exceção da derrota, claro. E se há uma lição que devemos aprender com os conflitos inacabados ou mal-acabados, como a guerra de Israel contra o Hizbollah no verão de 2006, é que a ausência de uma vitória clara e visível, isto é, a ausência de uma vitória decisiva, se torna rapidamente uma derrota.

A sobrevivência do Hizbollah foi entendida pelos seus e por boa parte do mundo árabe como uma derrota israelense. Correto ou não, isso é o de menos. A imagem é o que importa. Por isso, acabar com os foguetes do Hamas não é suficiente. Deve-se retirar dele por completo o sentimento de vitória e, para isso, há que se conseguir com que eles desistam de seus planos.

Se a comunidade internacional dá esperanças aos dirigentes do Hamas de que, se aguentarem um pouco, obrigarão Israel a parar suas ações, a única coisa que se estará fazendo é alimentar seu sentimento de vencedor. Pior ainda, se estará patrocinando diretamente os palestinos radicais em detrimento dos moderados, aqueles com quem se pode falar de uma solução pacífica para todos. Se o Hamas não sai derrotado politicamente, a Autoridade Palestina, seu presidente, Abbas, e o governo de Salam Fayyad é que sairão derrotados.

Se o Hamas não for derrotado, pode vir a ter força para tentar um golpe na Cisjordânia, similar àquele feito contra o poder em Gaza em 2007. Isso sim seria o final de todo o processo de paz. Se o contrário ocorre, se o Hamas sai claramente derrotado, será aberta uma nova oportunidade para que a Autoridade Palestina retome seu papel na faixa de Gaza, que é hoje, de fato, um Estado palestino separado.

Por último, não podemos esquecer que, apesar de Israel estar lutando para defender a tranquilidade das populações vizinhas a Gaza, a derrota do Hamas não só traria novas oportunidades para uma paz estável na região, mas também representaria um grave revés para os desígnios do Irã na região.

Nesse sentido, não podemos esquecer que Israel não luta apenas por sua segurança, mas também o faz pela nossa, europeus e ocidentais. Deter um Irã cada dia maior, mais irresponsável, mais provocador e às portas de se tornar uma potência atômica só pode beneficiar a paz internacional. Ou seja, nossa paz e nossa segurança.

Rafael L. Bardají é membro sênior do GEES (Grupo de Estudos Estratégicos) e ex-conselheiro executivo do ministro da Defesa espanhol de 1996 a 2002. O GEES é um grupo de estudos independente com sede em Madri, Espanha, cujo foco de trabalho e pesquisa recai principalmente sobre a segurança internacional, os conflitos e o terrorismo.


7 de jan. de 2009 | By: @igorpensar

O Rapaz e o Manuel

Por Igor Miguel

Solicitaram minha opinião sobre o conflito entre o Hamás e Israel. Traduzi minhas impressões em uma crônica, que ilustra o crônico conflito que testemunhamos - Igor

Manuel era forte e inteligente, mas com certeza não estava entre os mais fortes. Manuel morava em um bairro de periferia esquecido pelo mundo, um bairro perigoso e cheio de hostilidades. Manuel sofria hostilidade, talvez por sua mente aberta e seus sonhos ou talvez por ter chegado no bairro vindo de lugar nenhum, como um forasteiro.

No começo Manuel não era tão forte, era uma criança, seus pais eram pobres, vieram de andar o mundo a procura de emprego. Mas, Manuel cresceu e de tanto apanhar e sofrer, aprendeu as artes, a cultura e a se defender. O antes pequeno e fraco Manuel, agora se tornou forte e criou seus meios para continuar existindo.

Quando Manuel chegou no bairro, havia muitos meninos, que não aceitavam a forma como Manuel se comportava, mas o respeitavam, pois Manuel tinha fama de forte e que sabia se defender.

Mas, havia um rapaz muito "marrento" na vizinhança, menino encrenqueiro e que tinha muita inveja de Manuel.

O rapaz vivia todo o tempo, planejando formas de acabar com Manuel, talvez por inveja, talvez por opressão de seus vizinhos que cobravam dele uma posição, mas o rapaz passava noites e dias planejando uma forma de acabar com a fama do Manuel.

Mas, esse rapaz era covarde, ao invés de lutar contra o Manuel, tocava naqueles que o Manuel gostava, agredia seus parentes, seus amigos próximos e criava formas de atingi-lo indiretamente, afinal não podia contra ele.

Então um dia o rapaz viu a namorada do Manuel. Ela era linda, seus olhos eram castanhos claros, seus cabelos de cor caramelo anelados e sua pele queimada pelo deserto. O rapaz pensou em uma estratégia para roubar a namorada do Manuel: fazer-se de vítima. Essa seria a estratégia final.

Um dia o rapaz encontrou com o Manuel e o encarou. Provocou relembrando tudo que tinha feito contra seus amigos e próximos. Como Manuel não reagia, o rapaz lhe deu uma cusparada no rosto. Manuel ainda não reagira e finalmente, o rapaz lhe disse que ele era um fracassado, filho de homens errantes, de conspiradores e que se aproveitava de sua trágica história para comover a vizinhança.

Nesse momento Manuel teve que reagir, deu-lhe um belo soco no rosto, o rapaz caiu sangrando e começou a chorar. Todos correram para ver o que acontecia. O comportado Manuel batia no rapaz, o rapaz chorava, esperneava e a namorada do Manuel, bela da cor do deserto, pulou no pescoço do rapaz para ajudá-lo. A namorada do Manuel tinha pena dele, e começou a gritar contra o Manuel, lhe dizendo que ele era covarde, impiedoso e que o rapaz tinha razão.

O plano deu certo! Manuel* virou vilão e o rapaz** tornou-se vítima.

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*Israel
** Hamás