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7 de jan. de 2010 | By: @igorpensar

Você morrerá!

Por Igor Miguel

Eu tenho uma notícia: você morrerá!

Talvez sua resposta a esta exclamação seja: "-Tá doido? Eu não! Você que vai!". Eu responderia: "- Sim eu vou! Mas... você também irá!"

Uma outra pessoa, poderia, com um ar de deboche, dizer: "- Que novidade...". Certo, pode não haver novidade na notícia da eminente morte que pode nos acometer, mas certamente, quando ela ceifa alguém próximo de nós, ou que tínhamos vínculos afetivos relevantes, somos surpreendidos com exclamações do tipo: "- Mas ele era tão jovem!" , "- Como assim?" , "- Impossível!", "- Meu Deus!!!". São tantas exclamações e interrogações, que o ar de deboche sobre a afirmação deste texto, ante a obviedade de minha exclamação, se desfaz.

Ora, se não é a morte o fato mais ignorado por nós. Quantos de nós, ao admitirmos que a morte é um fato, sempre a vemos como uma tragédia destinada aos outros, a um não-alguém, com a imagem televisiva e virtualizada do jovem morto em um acidente de trânsito depois da balada, da família carbonizada em um acidente aéreo, no senhor que morreu com câncer de próstata, ou de uma criança assassinada por um pai que não tolerou sua incontinência urinária.

Mas, quando a morte toca nossa existência, quando acomete aquele que nos inclinávamos a ouvir e a falar, quando quase nos alcança, somos aterrorizados com a hipótese e com o fato inevitável: iremos morrer!

Torcemos para não morrer, mas torcemos mais ainda para que um ente querido não morra. Mas, se a foice da morte o acometer, que garantias tenho de que ao sair de meu trabalho hoje não morrerei com uma parada cardíaca? Nenhuma garantia! Apenas ignoro a possibilidade, apenas adormeço minha racionalidade, virtualizo a passagem da morte, transformo na sensação de um sonho interrompido pelo despertar, e sigo, sigo pra onde?

Boa pergunta! A radicalidade da morte me assombra, porém, penso que a melhor forma de lidar com a bendita morte é encará-la como uma possibilidade real. Uma possibilidade que não precisa ser temida, mas que deve ser pensada. Como compreendê-la? Como encará-la? Como abordá-la sem superstições imaginárias de agouros ou almas penadas?

A morte é um rito de superação. Violenta ou tranquila, a vida é ceifada de forma impressionante, um ponto final é colocado no texto, a biografia se encerra, não há segunda chance. A chance se encerrou, a vida é esta, e sinceramente, só podemos viver a possibilidade de uma eternidade no pós-vida, se soubermos viver a eternidade do hoje. Agostinho dizia em Confissões que o "hoje é eterno", o hoje é a única realidade, o passado é uma memória e o futuro uma possibilidade, a única realidade é o hoje, que é sempre hoje, é a única coisa que é.

Encare a morte como parte da rotina existencial, como uma oportunidade de procurar o sentido da vida, como diria o sábio Salomão:
Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração. Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração. O coração dos sábios está na casa do luto, mas o dos insensatos, na casa da alegria. (Eclesiastes 7:2-4).
Amanhã, farei a experiência de viver o hoje, como se fosse o último hoje, como se pudesse ser absorvido por sua eternidade, nem que eu tenha que ir a um funeral.