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10 de set. de 2010 | By: @igorpensar

Orientação Política

Pessoal, estamos caminhando para as eleições. Há muito ruído e barulho. Cristãos se sentem gradativamente convocados para se envolverem politicamente. Alguns o fazem de forma ingênua, me assusto com candidatos cristãos, que entendem de politicagem, mas muito pouco de uma percepção política que parta de pressupostos realmente cristãos. As vezes o que se tem por aí é um reprodução do discurso marxista ou liberal, ambas, ideologias idólatras, por motivos já postados por aqui. Então, indico abaixo alguns textos já postados por mim e alguns postados pelo Pr. Guilherme Carvalho a respeito da percepção cristã sobre a política:
Abraços e vamos pensando...
13 de jan. de 2010 | By: @igorpensar

Eleições: se posicionando (Parte I)

Por Igor Miguel

As eleições se aproximam e ontem, em conversa com um amigo sobre o assunto, lhe perguntei: você, enquanto cristão, como se posiciona ideologicamente ante as opções partidárias ou de candidatos nas próximas eleições?

Estou longe de ser um crítico político. Mas, sou cidadão. E em minha diversidade confessional, pertenço a uma comunidade com valores filosóficos e religiosos específicos. Neste sentido, me incomoda, e muito, as contradições existentes entre ideologia, partidarismo e candidatura. Estas coisas podiam ser uma só, mas foram compartimentadas. Um candidato pode pertencer a um partido de esquerda e ser ideologicamente liberal. Ou pode ser ideologicamente liberal e em termos práticos adotar uma postura conservadora. Ou pode ser neo-liberal e pertencer a um partido de esquerda, que só é de esquerda nos ideais, mas porta-se bem aos moldes da burguesia. A politica partidária no Brasil é uma "hidra de sete cabeças", um pandemônio.

Há alguns anos, ouvi um cientista político dizer que o Brasil não tem política partidária ou ideológica, tem política privada narcisista. De fato, o recente filme a respeito do "messias sindicalista" deixa bem claro que as intensões políticas giram em torno de sujeitos e não do agregamento de pessoas com uma determinada posição ideológica.

Apesar da descontinuidade na tríade ideologia-partidarismo-candidatura, um teísta, cristão ou judeu, deveria se posicionar politicamente a partir de pressupostos ideológicos muito claros, rejeitando qualquer pretensão partidária que esbarre em seus valores judaico-cristãos.

Isto não é moralismo. Como afirmo frequentemente neste blog, minha visão de mundo é religiosa sim! Não admito que minha teologia seja ostracizada para dentro do universo eclesiástico, ou a uma pretensa espiritualidade privada, apesar desta ser a proposta da agenda secular.

Minha visão de mundo é religiosa sim! Acredito que ela é ordeira, humanizadora, justa e que os valores da cultura judaico-cristã, desde que orientada a partir de uma tradição correta, pode desencadear transformações profundas na sociedade e cultura.

Poderia citar aqui, filósofos, teólogos e juristas judeus ou cristãos, cujos pressupostos podem iluminar um engajamento político biblicamente orientado. Quando digo biblicamente, não proponho um fideísmo obtuso, mas me refiro a valores bíblicos estruturados dentro de determinada tradição hermenêutica, pois são aplicações de valores fundamentalmente bíblicos, contextualizados a determinados desafios e demandas sócio-culturais.

Termino a primeira parte deste post, com a seguinte pergunta: é possível a elaboração de uma ideologia política para além do binarismo esquerda-direita? Existe possibilidade de um cristão se alinhar ideologicamente com partidos de orientação marxista ou liberal?

No próximo post, em continuação a este, comentarei sobre minhas impressões de um estadista holandês, cuja posição política e ideológica é extremamente esclarecedora neste sentido.

[Continua...]