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Evite o Devaneio e o Embrutecimento
Criar uma tensão entre doutrina e obras é simplesmente desnecessária e antibíblica. A falta de obras não é por excesso de doutrina, é por falta de disposições morais e afetos atingidos pela graça de Cristo ensinada na doutrina. A ação ao custo do enfraquecimento doutrinário pode resultar em ativismo orgulhoso, pragmático, e por isso, inconsistente com a verdade. Obra sem verdade é fogo estranho, é obra morta, um equivalente de Uzá que tentou segurar a Arca da Aliança. Boa intenção e boas justificativas são insuficientes.
Criar tensões entre a Grande Comissão e o Grande Mandamento é um desserviço, mantenha a distinção, mas não crie tensões. A missão funda-se no oráculo divino, o oráculo divino impulsiona a missão. É fácil perceber a miopia dos que zelam pela doutrina e dos que zelam pela ação: ambos são mutuamente cegos quanto ao que cada um respectivamente defenderia.
A ironia é que o "ortodoxo" que desdenha do "ortoprático" e o "ortoprático" que desdenha do "ortodoxo" são exatamente iguais: orgulhosos. No final, não há nem ortodoxia e nem ortopraxia, há heresia mesmo: quietismo ou legalismo. Parafraseando um dito, que me parece, era de Nietzsche: "Tome cuidado ao lutar contra um monstro para não se tornar como ele."
Evite a distração que embrutece o cérebro por ativismo ou que emburrece as pernas por devaneio.
Cristo é a fonte da santificação
Por Igor Miguel
Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças. Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade. (Cl 2:6-9)
Uma das inquietações mais comuns entre cristãos que querem viver Cristo é sobre como desfrutar de uma vida santa. Um cristão realmente regenerado e justificado pela fé se interessa por respostas reais e recursos para viver a liberdade de uma vida dedicada a Deus. Enquanto para muitos, os mandamentos de Deus podem parecer penosos, para um cristão verdadeiro há um interesse profundo em desfrutar de uma vida plena sob a "lei da liberdade" (Tg 1:25 e 2:12), que é a "lei de Cristo" (I Co 9:12).
Porém, devemos localizar a santificação dentro do que chamamos de doutrina da salvação. Gosto do conceito cristão clássico-reformado de ordo salutis (ordem da salvação). Um recurso didático-teológico que nos ajuda a entender como a salvação opera, e como ela envolve vários processos internos, que basicamente são:
1. Eleição/Chamamento
2. Regeneração ou novo-nascimento;
3. Conversão: arrependimento e fé;
4. Justificação (imputação da justiça de Cristo no pecador);
5. Santificação;
6. Glorificação.
Tais aspectos não devem ser entendidos, necessariamente, em ordem cronológica ou períodos estanques isolados uns dos outros, mas como um movimento complexo e interdependente entre suas partes. Tendo isto em mente, é importante mencionar que uma peculiaridade da doutrina reformada é que ela coloca a regeneração como um aspecto básico (pré-requisito) para a conversão. Este é um detalhe importante, pois outras correntes cristãs consideram a regeneração (novo nascimento) como resultado da fé e do arrependimento, enquanto a perspectiva reformada propõe exatamente o contrário.
Com a regeneração (nascer da vontade de Deus - João 1:1 e seg.), que é quando nos tornamos filhos de Deus (adoção), nos arrependemos conscientemente e recebemos o dom da fé para lançarmos nossa irrestrita confiança na perfeita obra de Cristo. Uma vez que confiamos e abraçamos tudo que Jesus fez e assumimos que a obra na cruz foi suficiente e é verdadeira, Deus o Pai, nos atribui a justiça de Cristo, ou na linguagem bíblica, nos "imputa" a justiça dele.
Nós, judeus por natureza e não pecadores dentre os gentios, sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado. (Gl 2:15-16).
Uma vez justificados e unidos com Jesus pela fé, desfrutamos de sua graça de forma constante. O Espírito Santo que nos é comunicado por meio desta relação, desta união com Cristo, é o grande despenseiro desta graça. Os teólogos chamariam esta unidade entre o cristão e Cristo de "união mística". Seu significado é que ao se crer em Jesus, pelo Espírito Santo, a retidão e santidade dele é comunicada ao pecador, que tem, em contrapartida, sua condição pecaminosa, agora, atribuída a Cristo, no seu sacrifício substitutivo (propiciação).
Da união com Cristo, além da obra justificadora, dá-se início o processo de santificação. A santificação é a obra do Espírito Santo que progressivamente, de "glória em glória" (II Co 3:18), conforma o homem justificado à semelhança de Jesus. Aqui chegamos a um ponto central:
Mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus. (I Co 6:11)
Há cristãos que vivem em constante tensão, pois acabam sendo tentados a achar que conseguem se santificar como se tivessem força ou recursos próprios para isto. Mas, na verdade, esta dedicação a Deus de uma vida cada vez mais livre do pecado, que é a santificação, depende de uma única fonte: Jesus Cristo.
A proposta desta reflexão é reafirmar de forma clara que não existe santificação fora de Jesus e sua suficiência. Não existe poder para uma vida indissolúvel e íntegra fora da constante união com Cristo. Ele é a fonte inesgotável (I Co 10:4), ele é o pão que desceu do céu (Jo 6:51), ele tem a água que mata a sede (Jo 4:10), ele é a videira verdadeira (Jo 15) e assim por diante.
Não há autêntica santificação sem renovada fé em Cristo (At 26:18). Já dizia o apóstolo: é de "fé em fé" (Rm 1:17). Por este motivo, cristãos devem frequentemente renovar sua fé em Jesus, eles devem reavivar sua lembrança e refrescar sua existência (renovação da mente - Rm 1:1-2) a respeito do que Jesus fez, quem Ele é, e o motivo de se ligar a ele. A fé em Jesus é uma constante afirmação, uma renovação credal, de que estamos ligados, radicados e edificados nele (Cl 2:7). Só há santidade, se Cristo mesmo for a causa e o combustível para tal santificação.
"Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim" (Jo 15:16)
Temos recursos na graça que de Jesus procede pelo Espírito para que sejamos santificados. Cristo por meio do Espírito Santo opera e testemunha em nós. "Cristo em vós", já dizia Paulo, a "esperança da glória" (Cl 1:27). A fé em Cristo é correspondida com recursos e dádivas para darmos prosseguimento. Para este fim, devemos nos expor mediante a fé aos meios de graça pelos quais desfrutamos mais de Cristo, eles são: a Palavra, o sacramento da ceia, a vida comunitária, a oração, a adoração e tantos outro recursos disponíveis pelo Espírito Santo.
Finalmente, receba este convite de ser como uma "árvore plantada junto a ribeiros" (Sl 1:3; Jr 17:8). Cristo é fonte de nossa constante nutrição. Distanciar-se dele, deixar de pensar e viver nele, é cair em uma rotina mórbida, de secura e aridez espirituais. Você pode falar muitas coisas sobre a Bíblia e religião, mas não passará de um tagarela hipócrita, sem nunca desfrutar da vitalidade e da nova vida que Jesus oferece.
Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade. (Jo 17:17-19)
Graça do início ao fim
Por Igor Miguel
Paulo foi categórico: há o Evangelho e "evangelhos". Uso "evangelhos" associado àquelas falsas versões do verdadeiro Evangelho, as quais Paulo classificou de "anátema", ou seja, maldição. Paulo era tão zeloso pelo Evangelho, que chegou a afirmar que mesmo um "anjo" vindo do céu pregasse outro evangelho, que não fosse o que ele anunciava, que ele deveria ser tratado como algo espúrio e desclassificado.
Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema. (Gl 1:6-9)
Agora, gostaria de mencionar como exemplo, um outro evangelho que vem sendo pregado. Destaco um caso isolado, que esporadicamente aparece nos púlpitos das mais diversas comunidades cristãs, e que tem afetado a espiritualidade de milhares de pessoas. O evangelho da compensação, o evangelho do "preço" e do fardo religioso.
Tente detectar o problema das sentenças abaixo, afirmadas por um determinado pregador que escutei recentemente:
"A verdadeira graça se paga um alto preço. [...] E você que quer a graça tem que pagar um preço: a sua renúncia, carregar a sua cruz. [...] Você tem que pagar um preço pela sua salvação."
Antes de darmos um tratamento bíblico e apostólico a esta afirmação, seria importante deixar claro que o termo "salvação" é uma referência a toda obra redentora que Deus realiza no pecador, do início ao fim, tendo em vista o resgate do homem caído até conduzi-lo à vida eterna e inclui: o novo-nascimento (regeneração), a conversão, a fé para justificação, a santificação e a glorificação final. Então, seria errado, concentrar a doutrina da "salvação pela graça", como se esta graça operasse apenas no início da obra salvadora (conversão) e depois, fosse como se Deus entregasse o resto aos cuidados do homem ou em cooperação com as obras humanas autônomas. Façamos uma fórmula:
- Salvação = regeneração + conversão + justificação + santificação + glorificação
Claro que a ação redentora de Deus em Jesus Cristo, em algum sentido, envolveu um preço: o preço do sacrifício de Cristo. O problema é que para o pregador, além do preço de Cristo, uma pessoa precisaria também pagar um preço para ter acesso à graça salvadora.
Observe a incoerência: se é "graça" como se pode "pagar um preço"? Vejamos o que o evangelho apostólico tem a dizer sobre isso:
Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como graça, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça. (Rm 4:4-5) E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça. (Rm 11:6)
Paulo está refutando precisamente o falso evangelho da recompensa. O que trabalha, ou seja, o que quer ser justificado (importante aspecto da salvação) por "esforço", não pode receber a "graça", pois aos que "trabalham", recebem salário, não graça. Mais tarde, ainda em sua carta aos romanos, Paulo afirmaria que "graça" é "graça" em sentido absoluto, negar isto, seria cair em um contradição lógica.
Os pregadores do evangelho da recompensa esquecem que "obra alguma" ou "preço algum" podem dar conta da condição vulgar e da condenação que repousa sobre os homens indistintamente (Rm 3:1 e seg.). Por isso, a única e absoluta forma de ser "salvo" ou "justificado" é pela graça, mediante a fé em Cristo, sem qualquer cooperação das obras humanas. Somente quando se "crê naquele que justifica o ímpio" pode alguém ser agraciado pela salvação. Precisamente por esta razão que Paulo ainda diz mais:
Os pregadores do evangelho da recompensa esquecem que "obra alguma" ou "preço algum" podem dar conta da condição vulgar e da condenação que repousa sobre os homens indistintamente (Rm 3:1 e seg.). Por isso, a única e absoluta forma de ser "salvo" ou "justificado" é pela graça, mediante a fé em Cristo, sem qualquer cooperação das obras humanas. Somente quando se "crê naquele que justifica o ímpio" pode alguém ser agraciado pela salvação. Precisamente por esta razão que Paulo ainda diz mais:
Sendo, pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, mediante quem obtivemos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes. (Rm 5:1-2).
Ninguém pode ser salvo, ou se "mantém firme" em Cristo, se não for pela graça que se tem acesso pela fé. O texto de Paulo é claríssimo, não há preço a pagar, não há esforço pessoal, apenas graça mediante a fé. Esta sim, deveria ser a origem e causa da firmeza do cristão e não o contrário.
O problema é que sem a graça, não há obra humana justa. "Não há um justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, não há ninguém que busque a Deus... não há quem faça o bem, não há nem um só." (Rm 3:10-13). As obras humanas estão comprometidas pela injustiça e o pecado. Se assim, o é, qual o salário (resultado) de obras manchadas pelo pecado?
O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, em Cristo Jesus nosso Senhor. (Rm 6:23).
Observe que o texto diz "dom gratuito". Se é gratuito, não é pelo "preço" que se acessa a graça. Façamos agora, uma comparação direta entre o texto paulino e o que disse o pregador:
Falso Evangelho
[...] E você que quer a graça tem que pagar um preço: a sua renúncia, carregar a sua cruz. [...] Você tem que pagar um preço pela sua salvação.
Evangelho Apostólico
Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus, não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. (Ef 2:8-10).
Mesmo dispensando maiores explicações, é importante mencionar que, enquanto no falso evangelho claramente foi dito "Você tem que pagar um preço pela salvação", em Paulo é dito, que tal salvação é um dom, e que ele não procede de nada que os homens possam fazer (obras).
Claro que a Bíblia fala sobre a "tomar a cruz" e "boas obras", porém, elas nunca são colocadas como "causa" ou "fatores condicionantes" da salvação. Ao contrário, as obras ou a obediência são sempre respostas ou efeitos, de vidas na graça. Só alguém na graça de Cristo pode ter uma salvação que é frutífera:
Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade. (Fp 2:12-13).
Preservação e Perseverança dos Santos
O evangelho da graça não é o evangelho da frouxidão moral ou da desobediência, ao contrário, ela transforma "escravos do pecado" em "servos da justiça" (Rm 6). Como foi dito, para muita gente, a graça e a fé, operam apenas no "início" da obra salvadora. Como se depois, o homem, de forma autônoma, ou seja, independente da graça de Deus, pudesse obedecer ou se santificar. Para evitar tal confusão, Paulo afirmava claramente que o mesmo Deus que começou a "boa obra", tem poder para levá-la até sua consumação:
O evangelho da graça não é o evangelho da frouxidão moral ou da desobediência, ao contrário, ela transforma "escravos do pecado" em "servos da justiça" (Rm 6). Como foi dito, para muita gente, a graça e a fé, operam apenas no "início" da obra salvadora. Como se depois, o homem, de forma autônoma, ou seja, independente da graça de Deus, pudesse obedecer ou se santificar. Para evitar tal confusão, Paulo afirmava claramente que o mesmo Deus que começou a "boa obra", tem poder para levá-la até sua consumação:
Estou plenamente certo de que aquele que começou a boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus. (Fp 1:6)
Um das maiores ensinos apostólicos é o que se refere à perseverança e segurança da salvação. Um cristão que nasceu de novo (regenerado) e foi justificado mediante a fé e salvo pela graça, nunca se perderá ou cairá desta condição (não me refiro aqui a falsos cristãos e a falsas conversões). Ao contrário, ele terá recursos da graça de Deus para viver uma vida santa e frutífera até a consumação, ou seja, até que toda obra salvadora tenha se consumado na glorificação final dos santos. Existem diversos textos bíblicos que asseguram que uma pessoa realmente alcançada pela graça, será levada a uma vida santa e alcançará a eternidade. Jesus afirmou claramente que suas ovelhas jamais se perderiam:
Claro que os apóstolos insistiam na exortação a boas obras, a uma vida frutífera e na confirmação da eleição. E deveriam fazê-lo, pois às ovelhas de Cristo, aqueles alcançados por sua graça, não só devem, mas certamente buscariam ardentemente uma vida de feitos que glorifiquem a Deus. Mas, tais obras, jamais podem ser colocadas associadas ou condicionadoras da salvação.
Algumas pessoas admitem que a obra inicial da salvação é absolutamente por graça, mas durante o processo de santificação, afirmam uma "combinação de graça e obras", para que a pessoa seja mantida no caminho. Entretanto, o ensino de Jesus e dos apóstolos é que não há como se santificar ou obedecer sem que a graça de Deus também conceda recursos para isto. Ou seja, há graça no novo nascimento, na conversão, justificação, santificação e glorificação dos santos. Não há boas obras nos santos que não sejam causadas pela graça.
Por outro lado, é óbvio que a simples confissão verbal não significa regeneração automática, a confissão deve ser acompanhada de fé autêntica. Por esta razão, pessoas que confessaram Jesus e vivem uma vida embaraçada e escravizada pelo pecado, deveriam questionar se um dia foram regeneradas de fato. Mas, jamais, deve-se colocar tensão em suas obras como "causa" ou o elemento que o manterá na condição de graça.
Se somos exortados à obediência e não queremos obedecer, ou se vivemos embaraçados na escravidão do pecado, deveríamos questionar se fomos salvos, e não ficar condicionando a salvação a nosso desempenho. Afinal, se uma pessoa realmente bebeu da água que Jesus oferece é guiada incrivelmente por sua graça a viver uma vida crescentemente consagrada e frutífera.
Um cristão na graça é um cristão que ancorou sua existência na Nova Aliança, que os profetas reconheceram (Jr 31:31 e seg.), que envolvia a regeneração e a inscrição da Lei do Senhor nos corações. Aliança em que o próprio Deus por seu Espírito faria com que seus filhos vivessem uma vida de crescente obediência a Deus:
Graça envolve a Glória de Deus
Por que tudo é por graça? A resposta de Paulo seria: "para que ninguém se glorie" (Ef. 2:9). Deus não divide sua glória com ninguém, se a salvação for uma combinação entre a "obra de Deus" (graça) e "obra dos homens" (obediência sem graça), ninguém pode dar toda glória a Deus pela obra da salvação. Pois por mais incrível que tenha sido a misericórdia e a obra de Deus no Cristo crucificado, esta obra o tempo inteiro, fica dependendo do desempenho e das obras daquele que quer salvo. Isto seria exatamente o erro romanista combatido pelos reformadores e o legalismo combatido por Paulo entre os judaizantes do I século.
Se a obra de Cristo para salvação estiver condicionada aos feitos dos homens, a obra de Cristo é menor do que se imagina e Deus é incompetente, contrariando a revelação das Escrituras que o descreve como o Todo Poderoso. Agora, se podermos olhar para Jesus como o "autor" e "consumador" da fé (Hb 12:1 e seg.), saberemos que a obra de Jesus foi magnífica o suficiente, para "começar" e "terminar" a obra que ele deu início.
Temos recursos na graça de Deus, e somente nela, 100% nela, para vivermos uma vida santa, obediente e frutífera. Se não temos obtido tal recurso, devemos recorrer ao evangelho e "provarmos nossa eleição no Senhor" (I Pe 1:10 e 11). Mas, certamente, uma vez que a graça de Deus tocou um homem morto em seus delitos e pecados, e o levantou de seu cativeiro, e se esta foi uma obra de Cristo, e se ele é "ovelha" de Jesus, ninguém poderá arrebatá-la. Nada poderá separar este salvo do amor de Deus, como foi dito:
Muitas pessoas por causa de uma compreensão errada da salvação, vivem em permanente estado de tensão espiritual, pois não sabem lidar com sua condição diante de Deus. Por causa do evangelho da compensação e da insegurança, veem-se frequentemente em uma condição de "medo" ou de "bipolaridade", como se estivesse simultaneamente no "céu" e no "inferno". A única forma de escapar deste medo é crer, confiar, de forma plena, na suficiente e grandiosa obra de Cristo. Renunciar a pretensão e o orgulho de que se pode "cooperar" para a obra perfeita que Deus realizou em Jesus. Somente assim, o Senhor abrirá o túmulo deste "morto" (Ef 2:1 e seg.), removerá a condenação, justificando-o e lhe será derramado o Espírito Santo, auxiliador e sinal de nossa filiação divina.
Considerações Finais
Assim, fica claro que qualquer outro evangelho pregado, distinto deste deve ser absolutamente descartado. O evangelho apostólico assevera a absoluta ação de Deus, do início ao fim, e que toda obra salvadora é obra da graça. E, se você, leitor, sente-se sob tal pressão legalista e compensatória, e vive em permanente luta interna, cheio de dúvidas sobre sua condição, esta é a obra de Cristo, o selo do Espírito Santo, creia simplesmente na obra realizada por Cristo. Esta é a única obra que pode te introduzir definitivamente no Reino de Deus em plena segurança e que inscreve os preceitos de Deus em seu coração, desfrutando da Lei da Liberdade (Tg 1:25). Guarde bem as palavras de Paulo a Tito quando disse:
As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. (Jo 10:27-29)O apóstolo Paulo jubilava diante da segurança da salvação, quando disse: "... porque eu sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia." (II Tm 1:12).
Claro que os apóstolos insistiam na exortação a boas obras, a uma vida frutífera e na confirmação da eleição. E deveriam fazê-lo, pois às ovelhas de Cristo, aqueles alcançados por sua graça, não só devem, mas certamente buscariam ardentemente uma vida de feitos que glorifiquem a Deus. Mas, tais obras, jamais podem ser colocadas associadas ou condicionadoras da salvação.
Algumas pessoas admitem que a obra inicial da salvação é absolutamente por graça, mas durante o processo de santificação, afirmam uma "combinação de graça e obras", para que a pessoa seja mantida no caminho. Entretanto, o ensino de Jesus e dos apóstolos é que não há como se santificar ou obedecer sem que a graça de Deus também conceda recursos para isto. Ou seja, há graça no novo nascimento, na conversão, justificação, santificação e glorificação dos santos. Não há boas obras nos santos que não sejam causadas pela graça.
Por outro lado, é óbvio que a simples confissão verbal não significa regeneração automática, a confissão deve ser acompanhada de fé autêntica. Por esta razão, pessoas que confessaram Jesus e vivem uma vida embaraçada e escravizada pelo pecado, deveriam questionar se um dia foram regeneradas de fato. Mas, jamais, deve-se colocar tensão em suas obras como "causa" ou o elemento que o manterá na condição de graça.
Se somos exortados à obediência e não queremos obedecer, ou se vivemos embaraçados na escravidão do pecado, deveríamos questionar se fomos salvos, e não ficar condicionando a salvação a nosso desempenho. Afinal, se uma pessoa realmente bebeu da água que Jesus oferece é guiada incrivelmente por sua graça a viver uma vida crescentemente consagrada e frutífera.
Um cristão na graça é um cristão que ancorou sua existência na Nova Aliança, que os profetas reconheceram (Jr 31:31 e seg.), que envolvia a regeneração e a inscrição da Lei do Senhor nos corações. Aliança em que o próprio Deus por seu Espírito faria com que seus filhos vivessem uma vida de crescente obediência a Deus:
Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis. (Ez 36:26-27)Quem não se encheu de alegria ao se ver livre de um determinado vício ou pratica pecaminosa, ainda não sabe o que é a "alegria da salvação", ainda não desfrutou da dádiva do Espírito de obediência e santidade outorgado por Deus em Cristo na Nova Aliança.
Graça envolve a Glória de Deus
Por que tudo é por graça? A resposta de Paulo seria: "para que ninguém se glorie" (Ef. 2:9). Deus não divide sua glória com ninguém, se a salvação for uma combinação entre a "obra de Deus" (graça) e "obra dos homens" (obediência sem graça), ninguém pode dar toda glória a Deus pela obra da salvação. Pois por mais incrível que tenha sido a misericórdia e a obra de Deus no Cristo crucificado, esta obra o tempo inteiro, fica dependendo do desempenho e das obras daquele que quer salvo. Isto seria exatamente o erro romanista combatido pelos reformadores e o legalismo combatido por Paulo entre os judaizantes do I século.
Se a obra de Cristo para salvação estiver condicionada aos feitos dos homens, a obra de Cristo é menor do que se imagina e Deus é incompetente, contrariando a revelação das Escrituras que o descreve como o Todo Poderoso. Agora, se podermos olhar para Jesus como o "autor" e "consumador" da fé (Hb 12:1 e seg.), saberemos que a obra de Jesus foi magnífica o suficiente, para "começar" e "terminar" a obra que ele deu início.
Temos recursos na graça de Deus, e somente nela, 100% nela, para vivermos uma vida santa, obediente e frutífera. Se não temos obtido tal recurso, devemos recorrer ao evangelho e "provarmos nossa eleição no Senhor" (I Pe 1:10 e 11). Mas, certamente, uma vez que a graça de Deus tocou um homem morto em seus delitos e pecados, e o levantou de seu cativeiro, e se esta foi uma obra de Cristo, e se ele é "ovelha" de Jesus, ninguém poderá arrebatá-la. Nada poderá separar este salvo do amor de Deus, como foi dito:
Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Rm 8:37-39)Porque o fardo?
Muitas pessoas por causa de uma compreensão errada da salvação, vivem em permanente estado de tensão espiritual, pois não sabem lidar com sua condição diante de Deus. Por causa do evangelho da compensação e da insegurança, veem-se frequentemente em uma condição de "medo" ou de "bipolaridade", como se estivesse simultaneamente no "céu" e no "inferno". A única forma de escapar deste medo é crer, confiar, de forma plena, na suficiente e grandiosa obra de Cristo. Renunciar a pretensão e o orgulho de que se pode "cooperar" para a obra perfeita que Deus realizou em Jesus. Somente assim, o Senhor abrirá o túmulo deste "morto" (Ef 2:1 e seg.), removerá a condenação, justificando-o e lhe será derramado o Espírito Santo, auxiliador e sinal de nossa filiação divina.
Considerações Finais
Assim, fica claro que qualquer outro evangelho pregado, distinto deste deve ser absolutamente descartado. O evangelho apostólico assevera a absoluta ação de Deus, do início ao fim, e que toda obra salvadora é obra da graça. E, se você, leitor, sente-se sob tal pressão legalista e compensatória, e vive em permanente luta interna, cheio de dúvidas sobre sua condição, esta é a obra de Cristo, o selo do Espírito Santo, creia simplesmente na obra realizada por Cristo. Esta é a única obra que pode te introduzir definitivamente no Reino de Deus em plena segurança e que inscreve os preceitos de Deus em seu coração, desfrutando da Lei da Liberdade (Tg 1:25). Guarde bem as palavras de Paulo a Tito quando disse:
Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna. Fiel é esta palavra, e quero que, no tocante a estas coisas, faças afirmação, confiadamente, para que os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras. Estas coisas são excelentes e proveitosas aos homens. Evita discussões insensatas, genealogias, contendas e debates sobre a lei; porque não têm utilidade e são fúteis. (Tito 3:4-9).
Soli Deo Gloria!
Justiça Imputada
Por Igor Miguel
A mensagem da justificação pela fé e a salvação por meio da graça nunca podem se esgotar. Jamais se tornarão periféricas, uma mensagem para iniciantes, jamais a graça será uma "doutrina rudimentar". Não há como meditar sobre a suficiência de Cristo e não se maravilhar.
Não é a omissão da mensagem da graça que conduzirá os crentes a uma vida ética e santa, ao contrário é a afirmação e a clareza do amor de Deus a nós, mediante Cristo, que nos convida irresistivelmente a uma vida de obediência à sua lei.
Pela graça descobrimos uma vida de obediência amorosa e voluntária, cheia de gratidão.A justificação pela fé é uma doutrina incrível, sempre esquecida ou banalizada. A justificação significa que a reta justiça de Deus deve ser realizada. O pecado evoca a ira de Deus e infelizmente o pecado está nos homens. O que os transforma em alvo da indignação divina. Entretanto, este Deus justo é carregado de amor abundante, e como demonstração de seu amor incondicional, Ele expõe seu Filho como alvo de todo juízo e ira divina.
Pela fé nos unimos misteriosamente com Cristo em uma pacto, em uma troca expiatória. Jesus Cristo é o bode expiatório, o Isaque sacrificado, aquele que recebeu integralmente todas as minhas iniquidades. Ele recebe em meu lugar todo juízo e violência, Ele se torna o "maldito de Deus", em meu lugar. Quando me uno a Cristo, igualmente, toda justiça e retidão, dele, se tornam minha, e o Pai me vê como filho de seu amor, e não mais filho da ira.
Dessa forma, a justificação significa que Deus atribuiu e imputou justiça a um injusto, por meio da justiça daquele inocente que foi violentado em lugar do que era digno de toda violência.À união misteriosa com Cristo por meio da fé -- que é uma confiança e fidelidade graciosa -- dá-se o nome de unio mistica. Uma unidade que nos coloca como justos e desencadeia um processo dinâmico de santificação, em que nos tornamos servos da justiça (Rm 6) e não mais em escravos do pecado. Assim, o apóstolo Paulo observa:
... agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis (Cl 1:22).Segundo Martinho Lutero, foi este entendimento que trouxe profunda transformação a seu coração. Assim, ele pôde se libertar da condenação que lhe afligia, e encontrar alívio em um Deus que lhe justificou mediante tão magnífico sacrifício:
“Embora, com monge, vivesse uma vida irrepreensível, sentia-me um pecador com a consciência culpada diante de Deus. Eu também não podia acreditar que havia agradado a Deus com minhas obras... comecei a entender a 'justiça de Deus' como aquela justiça por meio da qual o justo vive pelo dom de Deus (a fé); em que essa frase: 'é revelada a justiça de Deus', faz referência a uma justiça passiva, por meio da qual o Deus misericordioso nos justifica pela fé, conforme está escrito, 'o justo viverá pela fé'. Imediatamente, tive a sensação de haver nascido de novo, como se estivesse entrando pelos portões abertos do paraíso. Desde aquele momento, vi toda a Bíblia sob a perspectiva de uma nova luz... E agora, aquilo que eu havia uma vez odiado na frase 'a justiça de Deus', comecei a amar e a glorificar como a mais doce das frases, pois essa passagem em Paulo tornou-se para mim o verdadeiro portão do paraíso” (Leituras de Romanos).Quem ou o que tem nos mantido firmes? Não nos firmamos como justos em nossa própria capacidade, não nos gloriamos de nossas obras sociais, não nos exaltamos sobre nossa performasse espiritual, encontramos alívio e firmeza, na suficiência do amor de Deus. Não estenderíamos a mão ao pobre se não pelo amor e graça de Cristo que opera em nós.
Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. (Rm 5:1).Nossa justiça é a justiça de Jesus, Ele cumpriu e obedeceu as exigências da Torá (lei) em toda perfeição, não errou em absolutamente nada, não escorregou em nenhum preceito ou mandamento que lhe cabia. Obtivemos "paz" (shalom) com Deus, não há mais beligerância, tensão ou juízo, mas alívio mediante o sacrifício do Cordeiro de Deus. Por isto, somente por esta graça "estamos firmes", e nos gloriamos, nos orgulhamos somente na esperança do triunfo glorioso de Deus, que é presente e escatológico em Cristo Jesus.
A salvação pertence ao Senhor
Por Igor Miguel
Escrevi um texto teológico sobre a revolução que aconteceu em minha mente e coração a respeito do que é o evangelho e como ele se opera. Nenhuma novidade que os teólogos clássicos e os cristãos já afirmavam desde a reforma protestante. Este texto é uma tentativa de apresentar o evangelho de Jesus Cristo de forma mais simples, porém, com toques em pontos fundamentais para que possamos prosseguir à plena compreensão de Deus em Jesus. Peço perdão se não fui claro no primeiro texto, ele está em uma linguagem excessivamente teológica, talvez necessária. Mas, este tem um tom de “discipulado”, uma linguagem mais catequética, espero conseguir compensar meu egoísmo em não trazer tão grande evangelho em termo mais compreensível.
O objetivo modesto desta exposição é apresentar o evangelho à luz da Carta de Paulo aos Efésios capítulo 2 do verso 1 ao verso 10. Sei que muitos fariam esta apresentação de forma muito mais competente. Mas, proponho uma abordagem simples e didática, tendo em vista que o evangelho, como é descrito nas Escrituras, alcance o maior número possível de pessoas. Estou convencido de que a crise da Igreja Evangélica no Brasil se deve principalmente a falta de compreensão do que é o evangelho. Este pequeno texto tem este propósito, comunicar a suficiência do evangelho e da graça em Jesus Cristo para que o homem seja salvo e colocado em uma nova realidade e vida.
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