Quanto mais Cristo torna-se absoluto, mais nos tornamos relativos a Ele. Quanto mais relativos a Cristo nos tornamos mais resistimos qualquer coisa que arrogue absolutividade. Também resistimos tudo que tenta nos relativizar ao invés de Cristo. Pois sabemos que o relativo na medida que orbita ao redor do absoluto torna-se semelhante a ele. Seja Cristo seja qualquer outra coisa. O problema é que Cristo é o absoluto real, todas as outras coisas, por mais que arroguem absolutividade, são igualmente relativas a Ele. Logo, voltemos para Cristo, para que não nos tornemos menos do que deveríamos ser.
Mostrando postagens com marcador existencialismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador existencialismo. Mostrar todas as postagens
Curtíssima: Em fuga!
A narrativa bíblica fala de um casal que se envergonhou de sua desobediência a Deus. Adão e Eva se esconderam entre as árvores do jardim, e fizeram vestimentas de folhas de figueira para omitirem sua nudez. O texto já foi ridicularizado pela cultura ocidental, é representado de forma irônica nas mentes e nas artes. Mas, a imagem é profunda. Retrata o ser humano em permanente fuga, e para lidar com este desconforto, ele recorre a artimanhas: folhas de figueira, civilizações, intelectualismo, legalismo, auto-ajuda, hipocrisia, vícios, narcisismo, religiões confortáveis, psicologias de auto-afirmação, tecnologia, consumismo e por aí vai. O ser humano não mudou, continua o mesmo, apenas se tornou um pouco mais sofisticado na arte de se esconder de Deus. #devocional
O Mal-dito pelo Bem-dito
Por Igor Miguel
Perder a ingenuidade é sacrificante. Perder a inocência de ouvir as coisas e deixá-las passar como se fossem apenas palavras é dolorido. O não-dito diz muito coisa. O mal-dito é mais fácil de processar do que o bem-dito. Atos falhos, opiniões caóticas, falas-egocêntricas e gestos inesperados, têm muito a dizer. Sinceramente, isso me assombra.
Depois de perder a ingenuidade, adquire-se certa sensibilidade para ouvir a alma, para detectar o que está borbulhando lá para trás do véu dos tabus. Lá na distante memória, no lugar que os cacos de imagens, símbolos, fobias e terror, que não passam batido, estão armazenados.
Dói! Dói, ouvir o que está por trás da fala. Dói, entender as palavras para além da aparente superficialidade. Não é fácil lidar com o simbólico, com o rito e os gritos por trás do rotineiro.
Quando se perde a ingenuidade, sofre-se, sabe-se quando mentem, odeiam, omitem e amam. Fingir que o dito não foi dito, que o dito as vezes não é maldito é de um esforço artificial, plástico, insuportável.
Por isso, retomo Martin Buber: quando o eu encontra o tu, quando o verdadeiro encontro acontece, as palavras acabam e a totalidade do outro é absorvida, é pura relação, pura alteridade.
Mas, é proibido apelar! Apelou perdeu playboy! Por isso, ele cria um castelo, um enredo teatral para sustentar sua questionável estabilidade. Sustenta-se a firmeza, quando o que se tem é um monte de farelo e pó. Mas, até quando continuarás sustentando a beleza deste quadro? Até quando suportarás? As palavras são como espinhos entre os teus dedos. Podes suportá-las?
Abre o teu coração! Reorganize o sentido de tua presença na história. Não pode ser o tempo passando, você também passa pelo tempo. Deixe lá tuas impressões! Como em pavimento recém cimentado, escreve teu nome com data, para que todos se lembrem, que um soldado anônimo lutou e venceu, ou pelo menos morreu tentando.
Teu gesto pode ser simples como de um jardineiro, que em gestos pacientes prepara o cenário, para que uma surpreendente flor brote em teu canteiro. Eis a alegria do que colhe, do que rega e do que vê.
Benedito, desabroches! Pois tua infância acabou, em breve darás frutos. Assim, aos ouvidos menos ingênuos deixarás palavras bem-ditas: "Bendito o que ouve estas minhas palavras ...".
Depois de perder a ingenuidade, adquire-se certa sensibilidade para ouvir a alma, para detectar o que está borbulhando lá para trás do véu dos tabus. Lá na distante memória, no lugar que os cacos de imagens, símbolos, fobias e terror, que não passam batido, estão armazenados.
Dói! Dói, ouvir o que está por trás da fala. Dói, entender as palavras para além da aparente superficialidade. Não é fácil lidar com o simbólico, com o rito e os gritos por trás do rotineiro.
Quando se perde a ingenuidade, sofre-se, sabe-se quando mentem, odeiam, omitem e amam. Fingir que o dito não foi dito, que o dito as vezes não é maldito é de um esforço artificial, plástico, insuportável.
Por isso, retomo Martin Buber: quando o eu encontra o tu, quando o verdadeiro encontro acontece, as palavras acabam e a totalidade do outro é absorvida, é pura relação, pura alteridade.
Mas, é proibido apelar! Apelou perdeu playboy! Por isso, ele cria um castelo, um enredo teatral para sustentar sua questionável estabilidade. Sustenta-se a firmeza, quando o que se tem é um monte de farelo e pó. Mas, até quando continuarás sustentando a beleza deste quadro? Até quando suportarás? As palavras são como espinhos entre os teus dedos. Podes suportá-las?
Abre o teu coração! Reorganize o sentido de tua presença na história. Não pode ser o tempo passando, você também passa pelo tempo. Deixe lá tuas impressões! Como em pavimento recém cimentado, escreve teu nome com data, para que todos se lembrem, que um soldado anônimo lutou e venceu, ou pelo menos morreu tentando.
Teu gesto pode ser simples como de um jardineiro, que em gestos pacientes prepara o cenário, para que uma surpreendente flor brote em teu canteiro. Eis a alegria do que colhe, do que rega e do que vê.
Benedito, desabroches! Pois tua infância acabou, em breve darás frutos. Assim, aos ouvidos menos ingênuos deixarás palavras bem-ditas: "Bendito o que ouve estas minhas palavras ...".
Uma Religião Para a Rotina
Por Igor Miguel
Renunciei, desde então, àquele fenômeno "religioso" que não passa de uma exceção, de um realce, de um destaque, de um êxtase; ou ele renunciou a mim. Eu nada mais possuo a não ser o cotidiano do qual nunca sou afastado. O mistério não se revela mais; desapareceu ou então instalou sua moradia aqui, onde tudo se passa da forma como se passa. Não conheço mais outra plenitude a não ser a plenitude da exigência e da responsabilidade de cada hora mortal [...] Não saberia dizer muito mais. Se isto for religião, então é simplesmente tudo, o tudo singelo, vivido, na sua possibilidade de diálogo. Há também aqui espaço para as mais altas formas de religião. Como quando tu rezas e com isto não te afastas desta tua vida, mas, pelo contrário, é justamente na prece que o teu pensamento se refere a ela, nem que seja apenas par entregá-la; assim também no inaudito e no surpreendente, quando, de cima, és chamado, és requisitado, eleito, investido de poderes, enviado; é a ti, com este teu pedaço de vida mortal, que isto diz respeito, este instante não está disto excluído, ele se apóia naquilo que se foi e acena ao que ainda resta por viver; tu não és engolido por uma plenitude sem compromisso, tu és reivindicado para o vínculo de uma comunhão (Martin Buber [foto ao lado], 2007).A transição existencial encarada por Buber nesse texto me impressiona. Sua coragem, sua posição diante do hermético mundo religioso, e como faz uma releitura de sua fé, estendendo-a à vida. Nesse ponto Buber decide, que uma religião que não alcança a rotina, o dia-dia, a trivialidade, deve ser renunciada. O êxtase, a sobrenaturalidade, a transcendência e a tendência do homem viver uma experiência religiosa deslocada da vida, não religa. Religare real, cria vínculos, pactos, relacionamentos verticais e também horizontais.
Uma religião que não conecta o homem a uma vida dialógica, que não toca no outro, ou não escuta o outro, não é religião. O isolamento, o individualismo e a sectarização é tão desumana como o coletivismo, a massificação e a uniformidade dos indivíduos (devo essa reflexão ao amigo Guilherme de Carvalho). Na religião comunitária, há um chamado, uma reivindicação à comunhão, aos vínculos e à troca.
A idéia é resgatar uma liturgia para a existência, uma halachá (hb. modo de andar) que transforme a rotina em serviço de veneração, que restitua o homem e imprima na trivialidade sua imagem, a imagem de Deus. O desafio é esse, foi essa mesma angústia que levou Buber à vida, resgatando-o do mistério e do isolamento espiritual.
"... e as ensinarás diligentemente a teus filhos, e falarás a respeito das mesmas, quando estiveres deitado em tua casa, quando estiveres andando pelo teu caminho, quando te deitares, e quando te levantares, e as atarás como sinal nas tuas mãos, e serão por frontais entre os teus olhos, e as escreverás nos umbrais da tua casa e nas tuas portas..." (A Torá - Deuteronômio 6).
Sim o 'mistério instalou-se aqui' onde moro, ando, vivo e trabalho. Nesse novo templo da vida, Ele toca em tudo, em todas as coisas e participa ativamente da existência humana.
Assim, as coisas não passam desapercebidas, pois sua orientação está diante dos meus olhos, nos umbrais dos prédios públicos, em meu sono e ao som de meu despertador, ele está posto na mesa e em meu café-da-manhã.
Assim, as coisas se religam e se reconciliam. Mistério da reconciliação!
______________________
Referência Bibliográfica
BUBER, Martin. Do Diálogo e do Dialógico. São Paulo: Ed. Perspectiva, 2007.
Assinar:
Postagens (Atom)